Poema: Perdi os meus fantásticos castelos
Florbela Espanca
Perdi
meus fantásticos castelos
Como
névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEifGrW9J0-Y-VrxiDppZRt4aSt8VOYCJSCeCkfq-kv1gqYdRRQ5pZaMmQpxAQg8s1z4KuYdQdaAhGILJ188toV8zXojcNX-VC56gJ-qVfy9WB9Rg00jGxCbuXbeG5CMtLOQfzLI_xFMRHmIOlwshSbT7FYh4G8VO5boS2KSlPpMUFNrfy1C9X-4S1Q8-rs/s320/CASTELOS.jpgPerdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!
Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...
Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...
Florbela
Espanca, in "A Mensageira das Violetas”.
Entendendo o poema:
01 – O que
representam os "fantásticos castelos" e as "galeras" que o
eu lírico afirma ter perdido?
Os
"fantásticos castelos" e as "galeras" funcionam como
metáforas para os sonhos, idealizações, grandes ambições e projetos de vida do
eu lírico. A perda desses elementos simboliza a destruição de suas ilusões e de
suas expectativas de felicidade, que se desfizeram "como névoa
distante" ou se afundaram em um "mar de bruma", restando apenas
o vazio.
02 – No primeiro
quarteto, como o eu lírico descreve a sua postura diante da perda de seus
castelos?
O eu lírico deixa
claro que não aceitou a derrota passivamente de início. Ele expressa uma
postura de resistência e combate através da repetição do verbo
"querer" ("Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los"). No
entanto, o esforço foi em vão e resultou em esgotamento absoluto, o que é
simbolizado pelo verso: "Quebrei as minhas lanças uma a uma!".
03 – Qual é a
justificativa apresentada no segundo quarteto para o naufrágio das
"galeras entre os gelos"?
O eu lírico
justifica o naufrágio apontando a existência de obstáculos invisíveis ou
imprevisíveis no caminho, expressando sua impotência por meio de uma pergunta
retórica: "— Tantos escolhos! Quem podia vê-los? —". Os
"escolhos" (rochedos ocultos na água) e a "bruma"
(nevoeiro) representam as armadilhas e as dificuldades imprevistas da vida que
tornaram a derrota inevitável.
04 – O primeiro
terceto traz uma lista de objetos medievais (taça, anel, cota de aço, corcel,
elmo de ouro). Qual é o efeito dessa enumeração no poema?
Essa enumeração
reforça a temática da destituição e do despojamento total. Ao listar a perda de
itens de valor material e simbólico (como o elmo de ouro e as pedrarias) e de
defesa (como a cota de aço), o eu lírico constrói a imagem de um guerreiro que
foi completamente desarmado, destronado e despido de suas glórias e proteções.
05 – Como o soneto é
concluído no último terceto e qual é o sentimento final do eu lírico?
O poema é
concluído com uma forte sensação de angústia física, desespero e desamparo. O
eu lírico descreve uma dor sufocante ("Sobre o meu coração pesam
montanhas") e uma necessidade quase irracional de socorro ("Sobem-me
aos lábios súplicas estranhas"). O texto encerra-se com uma imagem de
absoluto choque diante da realidade do próprio fracasso: "Olho assombrada
as minhas mãos vazias...".
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