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terça-feira, 2 de junho de 2026

CORDEL: A MULHER QUE MAIS AMEI - FRAGMENTO - PATATIVA DO ASSARÉ - COM GABARITO

 Cordel: A Mulher Que Mais Amei – Fragmento

           Patativa do Assaré

Era um modelo perfeito 
A mulher que mais amei, 
Linda e simpática de um jeito 
Que eu mesmo dizer não sei. 
Era bela, muito bela; 
Para comparar com ela, 
Outra coisa eu não arranjo 
E por isso tenho dito 
Que se anjo é mesmo bonito, 
Era o retrato dum anjo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhGU6ezcijxL5acd4s2uGVQysE_kIkpOXxBGBplDyjdEFJ498tmhiGrBfa398m_gBreBZZ988mk8R__k3i3R20VFN2dJtUNtLZVBIUAEPHhx9aBhbaWXXEGQGNMEjxUyRI0_APsDKqrfq-aedLl0dRakOMuOZH5FD1wRtnIn1YCXxDkVECeTwtOgTkTCX8/s1600/PATATIVA.jpg


Sei que alguém não me acredita, 
Mas eu digo com razão, 
Foi a mulher mais bonita 
De cima de nosso chão; 
Era mesmo de encomenda 
E do amor daquela prenda 
Eu fui o merecedor, 
Eu era mesmo sozinho 
Dono de todo carinho 

Daquele anjo encantador.

Era bem firme a donzela, 

Só em mim vivia pensando. 
Quando eu olhava ela, 
Ela já estava me olhando. 
Para a gente conversar 
Quando eu não ia, ela vinha, 
Um do outro sempre bem perto 
Nosso amor dava tão certo 
Quem nem faca na bainha.

E por sorte ou por capricho, 

Eu tinha prata, ouro e cobre. 
Dinheiro em mim era lixo 
Em casa de gente pobre. 
Nós nunca perdíamos ato 
De cinema e de teatro 
De drama e mais diversão, 
Não faltava coisa alguma, 
As notas eu tinha de ruma 
Para nós andar de avião.

Meu grande contentamento, 
Não havia mais maior 
E nossos dois pensamentos 
Pensava uma coisa só. 
Para desfrutar a minha vida 
Perto de minha queria 
Eu não poupava dinheiro. 
Tanta sorte nós tivemos 
Que muitas viagens fizemos 
Nas terras do estrangeiro.

[...]

Era boa a nossa sorte 
E n]ao mudava um segundo 
Ninguém pensava na morte 
E o céu era aqui no mundo. 
Na refeição nós comia 
Das melhores iguarias 
Sem falar de carne e arroz 
E por isso muita gente 
Ficava rangendo os dentes 
Com ciúmes de nós dois.

Foi uma coisa badeja 
A vida que eu desfrutei, 
Mas para quem tiver inveja 
Dessa vida que levei 
Com tanta felicidade, 
Eu vou dizer a verdade, 
Pois não engano ninguém. 
Aquele anjinho risonho 
Eu vi foi durante um sonho; 
Mulher nunca me quis bem!

A história não foi verdade, 
Todo sonho é mentiroso 
Aquela felicidade 
De tanto luxo e de gozo 
Sem o menor sacrifício, 
Foi negócio fictício, 
Não foi coisa verdadeira. 
Eu fiquei dando o cavaco: 
“Este alimento fraco 
Só dá para sonhar besteira.”

De noite eu tinha jantado 
Um mucunzá sem tempero 
E acordei alvoroçado 
Sem mulher e sem dinheiro; 
Ainda reparei bem 
Para vê se via alguém 
De junto de minha rede 
Mas, em vez de tudo aquilo 
Só ouvi cantando o grilo 
Nos buracos da parede.

Quando acordei estava só 
Sem ter ninguém do meu lado, 
Era muito mais melhor 
Que eu não tivesse sonhado. 
Quem já vai no fim da estrada 
Levando a carga pesada 
De sofrimento sem fim, 
Doente, cansado e fraco 
Vem um sonho enchendo o saco 
Piorar quem já está ruim.”

Patativa do Assaré. In: Hélder Pinheiro e Ana Cristina M. Lúcio. Cordel na sala de aula. São Paulo, Duas Cidades, 2001.

Fonte: Língua portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD. São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 185-187.

Entendendo o cordel:

01 – Nos dois primeiros estrofes, o eu lírico faz uma descrição detalhada da aparência da mulher amada. Que recurso comparativo ele utiliza para expressar essa beleza e como ele define a reciprocidade desse amor?

      O eu lírico compara a mulher a um anjo, afirmando que ela era o "retrato dum anjo" e a criatura mais bonita "de cima de nosso chão". Quanto à reciprocidade, ele deixa claro que o sentimento era mútuo e exclusivo, pois afirma ter sido o único merecedor e "dono de todo carinho daquele anjo encantador".

02 – No terceiro estrofe, o poeta recorre a uma metáfora popular e a descrições cotidianas para explicar a sintonia do casal. Explique a metáfora utilizada e como era a dinâmica de comunicação entre eles.

      A sintonia do casal é coroada com a metáfora "Nem faca na bainha", que expressa um encaixe perfeito, ou seja, que eles combinavam perfeitamente. A dinâmica de comunicação era marcada pela busca mútua e atenção constante: quando se olhavam, já havia reciprocidade no olhar e, se um não podia ir conversar, o outro tomava a iniciativa de ir ao seu encontro.

03 – O eu lírico descreve uma vida de extrema riqueza e ostentação. Quais são os luxos e prazeres mencionados por ele que contrastam drasticamente com a realidade da maioria das pessoas?

      Ele menciona possuir "prata, ouro e cobre" em abundância, afirmando que o dinheiro em suas mãos era tanto que parecia "lixo em casa de gente pobre" e que tinha notas "de ruma". Entre os luxos usufruídos pelo casal, destacam-se as idas frequentes ao cinema, teatro e dramas, viagens de avião e viagens internacionais para "terras do estrangeiro", além do consumo de refeições com as "melhores iguarias".

04 – Qual é a grande reviravolta (clímax) que ocorre no poema e como ela altera o sentido de tudo o que foi narrado até então?

      A reviravolta ocorre quando o eu lírico revela que toda aquela vida de riqueza, viagens e felicidade ao lado da mulher perfeita não passou de um sonho. Ele confessa que "mulher nunca me quis bem" e que a história era mentira, transformando o tom do poema de um relato romântico e triunfante para uma realidade de solidão e desilusão.

05 – O que o eu lírico aponta, no plano real, como a causa física e biológica para ter tido um sonho tão fantasioso e cheio de luxos?

      O poeta atribui o sonho fantasioso à sua alimentação precária daquela noite. Ele revela ter jantado apenas "um mucunzá sem tempero" e conclui, de forma bem-humorada e irônica, que aquele "alimento fraco só dá para sonhar besteira".

06 – Ao acordar do sonho, qual é o cenário real que o eu lírico encontra ao seu redor e como esse ambiente é descrito?

      Ao acordar alvoroçado, ele se depara com a mais completa solidão e pobreza. Ele percebe que está deitado em uma rede, sem mulher e sem dinheiro. Em vez do luxo sonhado, o ambiente é silencioso e precário, restando-lhe apenas ouvir o canto de um grilo saindo "nos buracos da parede".

07 – No último estrofe, o eu lírico reflete sobre o impacto de sonhar acordado para quem já vive uma realidade difícil. Qual é a conclusão dele sobre os efeitos desse sonho em sua vida atual?

      O eu lírico conclui que o sonho, em vez de trazer alento, acabou por piorar o seu estado. Para quem já está no "fim da estrada" carregando uma "carga pesada de sofrimento sem fim", estar doente, cansado e fraco e ter um vislumbre de falsa felicidade só serve para "encher o saco" e trazer mais frustração ao acordar e encarar a dura realidade.

 

 

quarta-feira, 25 de junho de 2025

MINICONTO: A CERCA - FRAGMENTO - PATATIVA DO ASSARÉ - COM GABARITO

 Miniconto: A cerca – Fragmento

                 Patativa do Assaré

        Olhe, eu tinha minha cerca lá perto da minha casa na Serra de Santana. Começaram a roubar as varas da cerca para cozinhar em panela, viu? 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjh2tnabL2aEeXgfkHYVQWi8bi33SKmMLVVwwt_mw9lKAybAdUxOXs00VymbQkSP6T9kQZmXarLpXl9LWTdA5mWHfH-Q0Y-EgZEXot-zIuzFQdllhilDR5P_1pRFIg9n71C9is6dxsC0rXpugQrz-uExd9PIprkShmipiTfDExogvz8A9pjSa9942n0jd0/s320/Cercas-De-Madeira.jpg


Ai eu perguntava e todo mundo dizia: não, eu não fui, eu não fui. E eu, sabendo que o matuto tem muito medo de praga, e achando que rogando praga pega, aí eu perdoei a todos quanto tivesse tirado até aquele dia e roguei praga a quem tirasse daquele dia em diante, botei num papel e botei lá na cerca. Aquele que sabia ler, era aquela roda, um lendo e aí melhorou, não buliram mais
não. [...].

ASSARÉ, Patativa do. Digo e não peço segredo. São Paulo: Escrituras, 2001. p. 67. (Fragmento).

Fonte: Língua Portuguesa: Singular & Plural. Laura de Figueiredo; Marisa Balthasar e Shirley Goulart – 6º ano – Moderna. 2ª edição, São Paulo, 2015. p. 197.

Entendendo o miniconto:

01 – Qual era o problema que o narrador enfrentava em relação à sua cerca?

      O narrador enfrentava o problema de roubo das varas de sua cerca, que eram utilizadas para cozinhar.

02 – Que estratégia o narrador utilizou para tentar impedir os roubos, sabendo do medo dos matutos?

      O narrador, ciente do medo dos matutos em relação a pragas, perdoou todos os ladrões até aquele dia e rogou uma praga a quem roubasse as varas a partir daquele momento. Ele registrou a praga em um papel e o fixou na cerca.

03 – Qual foi a reação das pessoas ao serem questionadas sobre os roubos?

      As pessoas, ao serem questionadas sobre os roubos, negavam a autoria, dizendo: "não, eu não fui, eu não fui".

04 – Como a estratégia do narrador se mostrou eficaz e por quê?

      A estratégia do narrador se mostrou eficaz porque os roubos cessaram depois que o papel com a praga foi colocado na cerca. A eficácia se deu porque, segundo o narrador, os matutos têm muito medo de praga, e a existência de alguém que sabia ler e transmitia a mensagem amplificava o impacto.

05 – O que esse miniconto revela sobre a cultura e as crenças populares retratadas por Patativa do Assaré?

      O miniconto revela a forte influência das crenças populares e do medo de pragas na cultura do matuto, como retratado por Patativa do Assaré. Mostra como o conhecimento dessas crenças pode ser usado de forma astuta para resolver problemas, mesmo sem a necessidade de intervenção legal ou confrontos diretos. É um exemplo da sabedoria prática e da forma como a oralidade e o imaginário popular se manifestam na vida cotidiana.

 

 

domingo, 26 de maio de 2024

MÚSICA(ATIVIDADES): CANTE LÁ, QUE EU CANTO CÁ (FRAGMENTO) - PATATIVA DO ASSARÉ - COM GABARITO

 Música(Atividades): Cante Lá, Que Eu Canto CáFragmento

             Patativa do Assaré

Poeta, cantô de rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhpQV-e7rxQ0jgPEyknOz2fzyrLMShSqfoix8CSNvKt8Ptk_8wVIYoqdwoJDAq-gl197DRHQAP2BknUdr83RgLu2f-XYyH_tqXZDek1rxlNVnqmX08GlZbyV8El03Wtj5TfOrhfvDGbqlOhLsn3VpRWdr5xrsOpSH-R-JctHn-YTiQkzaGfB0P4wgz8Xmg/s320/PATATIVA.jpg


Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisa
Por favô, não mexa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.

[...]

Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiencia.
Nunca fez uma paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhecê bem,
Pois nesta penosa vida,

Só quem provou da comida
Sabe o gosto que ela tem.

[...]

ASSARÉ, Patativa do. Cante lá, que eu canto cá. Rio de Janeiro: Vozes, 1978. Fragmento.

Fonte: Língua Portuguesa. Se liga na língua – Literatura – Produção de texto – Linguagem. Wilton Ormundo / Cristiane Siniscalchi. 1 Ensino Médio. Ed. Moderna. 1ª edição. São Paulo, 2016. p. 267-268.

Entendendo a música:

01 – O poema é construído sobre uma antítese, isto é, uma relação entre ideias contrastantes. Que elementos são colocados em oposição? Como eles se caracterizam?

      O poema opõe o poeta da cidade, que recebeu educação formal, e o poeta do sertão, que aprendeu com a experiência e, portanto, é mais capacitado para cantar a vida rural. 

02 – A linguagem evidencia marcas de uma variedade linguística regional brasileira. Qual?

      A variedade regional dos grupos que habitam o sertão nordestino brasileiro.

03 – Analise e compare as formas paioça e trabaiou, que aparecem no poema, com as formas palhoça e trabalhou. Que diferença você observa em relação à grafia e à pronúncia entre os dois pares de palavras?

      O dígrafo lh das formas palhoça e trabalhou foi trocado pela semivogal i nas formas paioça e trabaiou, o que fez mudar também a pronúncia das palavras.

04 – Essa diferença na grafia das palavras alterou o número de letras e de fonemas em cada uma delas? Explique.

      O número de fonemas se manteve em cada palavra, já que o dígrafo lh representa um único som, mas houve redução no número de letras.

05 – Observe como foram escritas as palavras cantô, precisá, favô e conhecê. Que letra foi suprimida em todas elas?

      Foi a letra “r”.

06 – Os acentos circunflexos foram colocados nessas palavras por razões relativas à modalidade oral ou escrita? Explique o que você entendeu a respeito disso.

      Á modalidade escrita. Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Os acentos foram colocados porque, com a supressão do r, as palavras, que já eram oxítonas, passaram a terminar em a, e e o.  

 

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

POEMA: A SECA E O INVERNO - CORDEL DE PATATIVA DO ASSARÉ - COM GABARITO

 Poema: A seca e o inverno

            CORDEL DE PATATIVA DO ASSARÉ

Na seca inclemente no nosso Nordeste

O sol é mais quente e o céu mais azul

E o povo se achando sem chão e sem veste

Viaja à procura das terras do Sul

Porém quando chove tudo é riso e festa

O campo e a floresta prometem fartura

Escutam-se as notas alegres e graves

Dos cantos das aves louvando a natura

Alegre esvoaça e gargalha o jacu

Apita a nambu e geme a juriti

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi5n0Xm_dok49xYWXVxEBugZ9rg6tlNEiT_TBmT31d_hgfxcBeuj3goo6zqxipfaCpjcJ4dprk7Piv3Dwe0j_1ytOhC48ddlhO6fKKcoxLrRxjl4B4vuOYTQwEuC9wkrBmOaGBT1gW1BAG5_iTjJd2NdITL445h8cIeuzzS_kpXS5mYGzmT_4sUD8UE5IU/s320/a-seca-e-o-inverno-joana-lira.jpg


E a brisa farfalha por entre os verdores

Beijando os primores do meu Cariri

De noite notamos as graças eternas

Nas lindas lanternas de mil vaga-lumes

Na copa da mata os ramos embalam

E as flores exalam suaves perfumes

Se o dia desponta vem nova alegria

A gente aprecia o mais lindo compasso

Além do balido das lindas ovelhas

Enxames de abelhas zumbindo no espaço

E o forte caboclo da sua palhoça

No rumo da roça de marcha apressada

Vai cheio de vida sorrindo e contente

Lançar a semente na terra molhada

Das mãos desse bravo caboclo roceiro

Fiel prazenteiro modesto e feliz

É que o ouro branco sai para o processo

Fazer o progresso do nosso país.

Cordel do Patativa do Assaré.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o tema principal do poema "A seca e o inverno"?

      O poema aborda a seca e a mudança nas condições climáticas no Nordeste do Brasil.

02 – Como o poema descreve a diferença entre a seca e o inverno na região Nordeste?

      O poema descreve a seca como um período árido e difícil, enquanto o inverno é retratado como uma época de alegria, festa e abundância devido à chuva.

03 – Quais elementos da natureza são mencionados no poema durante o inverno?

      O poema menciona elementos da natureza, como aves cantando, o jacu, a nambu, a juriti, abelhas e vaga-lumes, para descrever a beleza e a vida que surgem durante o inverno.

04 – Quem são os protagonistas do poema durante a época de inverno?

      Durante a época de inverno, os protagonistas são os caboclos, habitantes da região rural, que trabalham na terra e lançam sementes na terra molhada.

05 – O que é referido como "ouro branco" no poema?

      O "ouro branco" mencionado no poema se refere ao algodão, que é uma cultura importante na agricultura da região.

06 – Qual é a atitude do poeta em relação à vida no Nordeste durante o inverno?

      O poeta demonstra uma atitude positiva e feliz em relação à vida no Nordeste durante o inverno, destacando a alegria, a beleza e a prosperidade que a estação traz.

07 – Qual é a importância da chuva para a região, de acordo com o poema?

      A chuva é de extrema importância para a região, pois traz alívio da seca, fertilidade para a terra e oportunidades para a agricultura, contribuindo para o progresso da comunidade.

 

domingo, 8 de agosto de 2021

POEMA: MENINO DE RUA - PATATIVA DO ASSARÉ - COM GABARITO

 Poema: Menino de Rua

            Patativa do Assaré

Menino de Rua, garoto indigente
Infanto Carente,
Não sabe onde vai
Menino de Rua, assim maltrapilho
De quem tu és filho
Onde anda o teu pai?

Tu vagas incerto não achas abrigo
Exposto ao perigo
De um drama de horror
É sobre a sarjeta que dormes teu sono,
No grande abandono
Não tens protetor

Meu Deus! Que tristeza! Que vida esta tua
Menino de Rua,
Tu andas em vão
Ninguém te conhece, nem sabe o teu nome
Com frio e com fome
Sem roupa e sem pão

Ao léu do desprezo dormes ao relento
O teu sofrimento
Não posso julgar,
Ninguém te auxilia, ninguém te consola,
Cadê tua escola,
Teus pais teu lar?

Seguindo constante teu duro caminho
Tu vives sozinho
Não és de ninguém
Às vezes pensando na vida que levas
Te ocultas nas trevas
Com medo de alguém

Assim continuas de noite e de dia
Não tens alegria
Não cantas nem ri
No caos de incerteza que o seu mundo encerra
Os grandes da terra
Não zelam por ti


Teus olhos demonstram a dor, a tristeza,
Miséria, pobreza
E cruéis privações
E enquanto estas dores tu vives pensando,
Vão ricos roubando
Milhões e milhões


Garoto eu desejo que em vez deste inferno
Tu tenhas caderno
Também professor
Menino de Rua de ti não me esqueço
E aqui te ofereço
Meu canto de dor.

ASSARÉ, Patativa do. Antologia poética. Organização e prefácio de Gilmar de Carvalho. 8. Ed. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2010.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 7º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição – São Paulo, 2018, p. 253-4.

Entendendo o poema:

01 – Quantas estrofes de quantos versos há no poema?

      São oito estrofes com seis versos em cada, totalizando 48 versos.

02 – Há rimas no poema? Que efeito de sentido é produzido com esse recurso sonoro?

      Há rimas em todo o poema. Em cada estrofe, os versos rimam da seguinte forma: AB CF DE. Os versos rimados conferem ritmo e melodia ao poema.

03 – O que de importância esse poema diz a você? Explique.

      Resposta pessoal do aluno.

04 – Que relações explícitas podem ser estabelecidas entre a obra de arte visual e o poema?

      A primeira relação que se pode estabelecer é de que o tema tratado em ambas as obras é o mesmo (Menino de rua). Da mesma forma, os versos a seguir parecem descrever a pintura. “Tu vagas incerto não achas abrigo / Exposto ao perigo / De um drama de horror / É sobre a sarjeta que dormes teu sono, / No grande abandono / Não tens protetor.”

05 – Como o eu lírico descreve o “menino de rua” no poema?

      Como indigente (que não tem nome ou não é reconhecido), carente, triste, sozinho, maltrapilho, faminto e com frio.

06 – O que o eu lírico deseja ao menino?

      Deseja que frequente a escola: “Tu tenhas caderno/também professor”.

07 – Nos versos “Vão ricos roubando/Milhões e milhões”, a quem o eu lírico faz referência e responsabiliza?

      O eu lírico faz referência aos políticos corruptos, que contribuem para a existência de pessoas em situação de miséria e pobreza.

 



 

domingo, 18 de abril de 2021

POEMA: O BOI ZEBU E AS FORMIGAS - PATATIVA DO ASSARÊ - COM GABARITO

 Poema: O boi zebu e as formigas

              Patativa do Assarê


Um boi zebu certa vez
Moiadinho de suó,
Querem saber o que ele fez
Temendo o calor do só
Entendeu de demorá
E uns minuto cuchilá
Na sombra de um juazêro
Que havia dentro da mata
E firmou as quatro pata
Em riba de um formiguêro.

Já se sabe que a formiga
Cumpre a sua obrigação,
Uma com outra não briga
Veve em perfeita união
Paciente trabaiando
Suas foia carregando
Um grande inzempro revela
Naquele seu vai e vem
E não mexe com mais ninguém
Se ninguém mexe com ela.

Por isso com a chegada
Daquele grande animá
Todas ficaro zangada,
Começou a se açanhá
E foro se reunindo
Nas pernas do boi subindo,
Constantemente a subi,
Mas tão devagá andava
Que no começo não dava
Pra de nada senti.

Mas porém como a formiga
Em todo canto se soca,
Dos casco até a barriga
Começou a frivioca
E no corpo se espaiado
O zebu foi se zangando
E os cascos no chão batia
Ma porém não miorava,
Quanto mais coice ele dava
Mais formiga aparecia.

Com essa formigaria
Tudo picando sem dó,
O lombo do boi ardia
Mais do que na luz do só
E ele zangado as patada,
Mais força incorporava,
O zebu não tava bem,
Quando ele matava cem,
Chegava mais de quinhenta.

Com a feição de guerrêra
Uma formiga animada
Gritou para as companhêra:
Vamo minhas camarada
Acaba com os capricho
Deste ignorante bicho
Com a nossa força comum
Defendendo o formiguêro
Nos somos muitos miêro
E este zebu é só um.

Tanta formiga chegou
Que a terra ali ficou cheia
Formiga de toda cô
Preta, amarela e vermêa
No boi zebu se espaiando
Cutucando e pinicando
Aqui e ali tinha um moio
E ele com grande fadiga
Pruquê já tinha formiga
Até por dentro dos óio.

Com o lombo todo ardendo
Daquele grande aperreio
zebu saiu correndo
Fungando e berrando feio
E as formiga inocente
Mostraro pra toda gente
Esta lição de morá
Contra a farta de respeito
Cada um tem seu direito
Até nas leis da natura.

As formiga a defendê
Sua casa, o formiguêro,
Botando o boi pra corrê
Da sombra do juazêro,
Mostraro nessa lição
Quanto pode a união;
Neste meu poema novo
O boi zebu qué dizê
Que é os mandão do podê,
E as formiga é o povo.

ASSARÊ, Patativa do. Ispinho e Fulô. São Paulo: Hedra, 2011.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 6º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição- 2018. p. 217-219.

Fonte da imagem - https://www.google.com/url?sa=i&url=http%3A%2F%2Fwww.supercoloring.com%2Fpt%2Fdesenhos-para-colorir%2Fzebu&psig=AOvVaw3dWX5Q2T9vxjXmgRWiQakS&ust=1618851664531000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCLDzyqel7-8CFQAAAAAdAAAAABAD


Entendendo o poema:

01 – Os poemas de cordel apresentam narrativas de histórias em versos. Sobre o poema de cordel “O boi zebu e as formigas”, responda:

a)   Que história é narrada nesse poema?

A história do boi que foi se refrescar na sombra de uma árvore de juazeiro e pisou num formigueiro.

b)   Quem são seus personagens?

O boi zebu e as centenas de formigas.

c)   Segundo o poema, quem esses personagens representam na vida real?

Segundo o poema, as formigas são o povo e o boi zebu são os que mandam no poder.

02 – O poema “O boi zebu e as formigas” apresenta uma lição ou moral. Seus personagens são animais cujas ações são comparadas às ações humanas. Responda:

a)   A que outro gênero de texto esse poema de cordel pode fazer referência indireta?

As fábulas.

b)   Qual é a lição apresentada pelo poema de cordel?

Embora o inimigo ou opositor pareça ser mais forte, a união de todos pode derrota-lo e tomar o poder.

c)   Que sentimentos humanos e valores podem ser comparados com os dos personagens do poema?

Os sentimentos e valores da formiga são o de respeito, união, senso de direito e luta pelo seu espaço. Os sentimentos do boi zebu são de raiva, considerando que poderia derrotar as formigas com força bruta.

03 – Leia atentamente o quadro a seguir.

Literatura de Cordel

        Literatura de Cordel é uma manifestação literária tradicional da cultura popular brasileira, mais precisamente do interior nordestino.

        Os locais onde ela tem grande destaque são os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte e Ceará.

No Brasil, a literatura de Cordel adquiriu força no século XIX, sobretudo entre 1930 e 1960. Muitos escritores foram influenciados por este estilo, dos quais se destacam: João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna e Guimarães Rosa, dentre outros. [...]

        Sua forma mais habitual de apresentação são os “folhetos”, pequenos livros com capas de xilogravura que ficam pendurados em barbantes ou cordas, e daí surge seu nome.

        A literatura de cordel é considerada um gênero literário geralmente feito em versos. Ela se afasta dos cânones na medida em que incorpora uma linguagem e temas populares.

        Além disso, essa manifestação recorre a outros meios de divulgação, e nalguns casos, os próprios autores são os divulgadores de seus poemas.

        Em relação à linguagem e o conteúdo, a literatura de cordel tem como principais características:

·        Linguagem coloquial (informal);

·        Uso de humor, ironia e sarcasmo;

·        Temas diversos: folclore brasileiro, religiosos, profanos, políticos, episódios históricos, realidade social, etc.;

·        Presença de rimas, métrica e oralidade.

DIANA, Daniela. Literatura de Cordel. Toda Matéria, 18 jun. 2018. Disponível em: http://bit.ly/2xTLEYY. Acesso em: 27 set. 2018.

Responda:

a)   O poema “O boi zebu e as formigas” foi publicado em folheto ou em livro?

Foi publicado em um livro.

b)   Em sua opinião, o poema de cordel publicado em livro perde sua característica essencial ou não? Explique.

Resposta pessoal do aluno.

c)   O tema tratado no poema é popular? Explique.

No poema, o tema também é popular, porque se trata das relações do povo com aqueles que mandam no poder, numa discussão compreensível pelas pessoas em geral.

d)   Há rimas no poema? Como são organizadas as estrofes?

No poema há rimas. São organizadas em oito estrofes têm dez versos e uma estrofe tem nove versos.

04 – No poema há palavras que caracterizam o modo de falar de determinada região brasileira (variedade regional)? Transcreva exemplos.

      No poema, o poeta representa o modo de falar do sertanejo, usando uma variedade linguística regional. Isso se evidencia pelas palavras: moiadinho, suó, cuchilá, juazêro, riba, formiguêro, trabaiando, veve, inzempro, entre outras.

05 – No poema, é possível verificar efeito de humor, sarcasmo ou ironia? Explique.

      No poema pode-se inferir sarcasmo, humor e ironia, principalmente porque zomba do boi forte e imponente que é atacado por formigas pequenas e frágeis e que foge delas. Depois, compara essa situação com a relação entre o povo e aqueles que estão no poder.

     

 

 

terça-feira, 28 de abril de 2020

MÚSICA(ATIVIDADES): FESTA DA NATUREZA - (GEREBA/PATATIVA DO ASSARÉ) - FAGNER - COM GABARITO

Música(Atividades): Festa da Natureza

              Fagner

Chegando o tempo do inverno
Tudo é amoroso e terno
No fundo do pai eterno      
Sua bondade sem fim

Sertão amargo esturricado
Ficando transformado
No mais imenso jardim
Num lindo quadro de beleza

Do campo até na floresta
As aves lá se manifestam
Compondo a sagrada orquestra
Da natureza em festa

Tudo é paz tudo é carinho
No despertar de seus ninhos
Cantam alegres os passarinhos
O camponês vai prazenteiro

Plantar o seu feijão ligeiro
Pois é o que vinga primeiro
Nas terras do meu sertão
Depois que o poder celeste

Mandar a chuva pro nordeste
De verde a terra se veste
E corre água em borbotão

A mata com seu verdume
E as fulô com seu perfume
Se enfeita com vagalumes
Nas noites de escuridão

Nesta festa alegre e boa
Canta o sapo na lagoa
O trovão no ar reboa

Com a força desta água nova
O peixe e o sapo na desova
O camaleão que se renova
No verde-cana que cor

Grande cordão de borboletas
Amarelinhas brancas e pretas
Fazendo tanta pirueta
Com medo do bentiví

Entre a mata verdejante
Seu pajé extravagante
O gavião assartante
Que vai atrás da jurití

Nesta harmonia comum
Num alegre zum zum zum
Cantam todos os bichinhos...
                FESTA DA NATUREZA
(Gereba/Patativa do Assaré)
Gravadora: Sony Music
Editora: Direto/Nossa Música edições
Lançamento: 2002 (CD)
Disco: ''ME LEVE''
Entendendo a canção:

01 – De que trata a canção?
      Fala do bioma nordestino, pedindo que a chuva venha para deixar tudo mais verde.

02 – Nos versos: “Chegando o tempo do inverno / Tudo é amoroso e terno”, o que o poeta está dizendo?
      Está falando que quando o inverno chega, tudo fica em clima de festa.

03 – Copie da canção um verso que identifiquem a seca nordestina.
      “Sertão amargo esturricado”.

04 – Como as aves se manifestam no inverno?
      Se manifestam compondo a sagrada orquestra.

05 – Há estrofes na música? Quantas?
      Sim. Há doze estrofes.

06 – Copie da canção marcas de oralidade.
      Pro / fulô.

07 – Que figura de linguagem há nestes versos? “Num alegre zum zum zum / Cantam todos os bichinhos...”
      Onomatopeia.

08 – Identifique a opção que completa corretamente o enunciado a seguir. Pode-se afirmar que a letra da canção “Festa da Natureza” cumpre seu objetivo, pois:
a)   Simplesmente passa informações.
b)   Provoca emoções e reflexões.
c)   Serve de diversão.
d)   Modifica o comportamento.



domingo, 4 de agosto de 2019

MÚSICA(ATIVIDADES): VACA ESTRELA E BOI FUBÁ - PATATIVA DO ASSARÉ - FAGNER - COM GABARITO

Música(Atividades): Vaca Estrela E Boi Fubá

Patativa do Assaré                              

Seu doutó me dê licença pra minha história contar.
Hoje eu tô na terra estranha e é bem triste o meu penar
Mas já fui muito feliz vivendo no meu lugar.
Eu tinha cavalo bão, gostava de campear.
E todo dia aboiava na porteira do currá.

Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela,
Ô ô ô ô Boi Fubá.

Eu sou fio do Nordeste , não nego meu naturá
Mas uma seca medonha me tangeu de lá pra cá
Lá eu tinha o meu gadinho, num é bom nem imaginar,

Minha linda Vaca Estrela e o meu belo Boi Fubá
Quando era de tardezinha eu começava a aboiar

Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela,
Ô ô ô ô Boi Fubá.
Aquela seca medonha fez tudo se trapaiar,
Não nasceu capim no campo para o gado sustentar
O sertão esturricou, fez os açude secar
Morreu minha Vaca Estrela, se acabou meu Boi Fubá
Perdi tudo quanto tinha, nunca mais pude aboiar

Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela,
Ô ô ô ô Boi Fubá.

Hoje nas terra do sul, longe do torrão natá
Quando eu vejo em minha frente uma boiada passar,
As água corre dos óio, começo logo a chorá
Lembro a minha Vaca Estrela e o meu lindo Boi Fubá
Com saudade do Nordeste, dá vontade de aboiar

Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela,
Ô ô ô ô Boi Fubá.

 Patativa do Assaré. Vaca Estrela e Boi Fubá. Em: A Terra é naturá. Epic/CBS,1980.

Fonte: Livro - Para Viver Juntos - Português - 9º ano - Ensino Fundamental- Anos Finais - Edições SM - p.61.
Entendendo a canção

1)   Na primeira estrofe da canção, é revelada uma transformação na vida do boiadeiro.
Que transformação é essa? Quais versos comprovam sua resposta?
O boiadeiro teve de sair do local em que morava e perdeu seu gado. Os versos que comprovam essa resposta são o segundo e o terceiro.

2)   Qual o termo dessa estrofe está em desacordo com a norma-padrão? Como essa palavra é registrada na norma-padrão?
O termo é “naturá”. Natural.

3)   Qual é o efeito de sentido produzido ao usar esse termo dessa maneira?
O efeito é o de reproduzir o modo de falar do boiadeiro.

4)   Procure no dicionário significado das palavras: medonha, tangeu e aboiar que estão no texto.
Medonha = que produz muito medo.
Tangeu = tocar os animais, fazendo-os caminhar.
Aboiar = trabalhar cuidando de bois.

5)   Na letra, o eu lírico retrata um espaço. Que espaço é esse?
O sertão do Nordeste brasileiro.

6)   É possível estabelecer relação entre o uso das palavras (questão 4) e o espaço retratado na canção? Justifique.
Sim, pois é provável que as palavras sejam comuns na fala da população, ou ao menos de parte da população, dessa região do Brasil.