Mostrando postagens com marcador CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de outubro de 2026

CRÔNICA: A UM JOVEM - FRAGMENTO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Crônica: A um jovem – Fragmento

            Carlos Drummond de Andrade

        [...]

        Recolha, pois, estes apontamentos, Alípio, e saiba que eu o estimo:

I – Só escreva quando de todo não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar.

II – Ao escrever, não pense que vai arrombar as portas do mistério do mundo. Não arrombará nada. Os melhores escritores conseguem apenas reforçá-lo, e não exija de si tamanha proeza.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgUk8bMHbfi7eaRFcZUeruwUppI2Il7re8gho1zqJLt_JQDFEta4FUYUqN43ytGn0V-st0sCIefH9Pj_4WLzmfw33PfJ4BK8Mos28P1Ey51BOJ-W0w_NDcrD9_751fH3l0HjEkx8-FlFLE12cOOub6t9uUaoEEMBrVneZXtQboxRgl7W9rATd8qlo8X__g/s1600/images.jpg


III – Se ficar indeciso entre dois adjetivos, jogue fora ambos, e use o substantivo.

IV – Não acredite em originalidade, é claro. Mas não vá acreditar tampouco na banalidade, que é a originalidade de todo mundo.

[...]

VII – Não fique baboso se lhe disserem que seu novo livro é melhor do que o anterior. Quer dizer que o anterior não era bom.

[...]

IX – Não responda a ataques de quem não tem categoria literária: seria pregar rabo em nambu. E se o atacante tiver categoria, não ataca, pois tem mais que fazer.

[...]

Habilidade EF06LP04.

ANDRADE, Carlos Drummond de. A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 1998. p. 96.

Fonte: Mapas de Progresso. Língua Portuguesa: 6º ano. Ensino Fundamental. Anos Finais. 3º bimestre. SEDUC. Rio de Janeiro, 2026. p. 6.

Entendendo a crônica:

01 – Qual é o conselho de Drummond em relação ao momento e à necessidade de se escrever um texto?

      O autor aconselha o jovem escritor a só escrever quando for absolutamente impossível deixar de fazê-lo. Além disso, pondera de forma irônica que "sempre se pode deixar", sugerindo cautela, disciplina e contenção diante do ato da escrita.

02 – Como o autor aborda a pretensão que muitos escritores têm de desvendar os grandes mistérios do mundo por meio de seus textos?

      Drummond afirma categoricamente que o escritor não "arrombará" os mistérios do mundo. Ele ressalta que nem mesmo os melhores escritores conseguem essa façanha, pois a função deles é, no máximo, reforçar esses mistérios.

03 – De acordo com o texto, qual deve ser a escolha do escritor ao se deparar com a dúvida entre dois adjetivos? O que esse conselho revela sobre o estilo de escrita defendido?

      Caso o escritor fique em dúvida entre dois adjetivos, a instrução é descartar ambos e utilizar apenas o substantivo. Isso demonstra uma preferência por um estilo de escrita mais direto, enxuto, preciso e sem excessos decorativos.

04 – De que maneira Drummond orienta o jovem a lidar com os conceitos de originalidade e banalidade?

      O autor recomenda não acreditar na originalidade absoluta, mas também alerta para que não se caia na banalidade, definindo-a com ironia como "a originalidade de todo mundo".

05 – O que Drummond aconselha a respeito das críticas e ataques literários recebidos pelo jovem autor?

      Ele orienta a não responder a ataques de pessoas sem categoria literária, pois isso seria perda de tempo ("pregar rabo em nambu"). Por outro lado, afirma que se o crítico tiver verdadeira categoria literária, nem chegará a atacar, pois terá coisas mais importantes para fazer.

 

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

POEMA: PAROLAGEM DA VIDA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: Parolagem da Vida

           Carlos Drummond de Andrade

Como a vida muda.
Como a vida é muda.
Como a vida é nula.
Como a vida é nada.
Como a vida é tudo.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj_DiJZ58DPR0IrN0XuMYyz18lob5HlyPcvXpFyH6kL6LF-IXfBQC204ms-lbulyJRnIqVXFnlk5A5QMDMd9DrHeyY10hK2upKlGWg1wV1KL1JZdB7oRHN0RISOksAFnxFXuqOTB90m6IrI1HG-s39T-Cv-aVJCpevZka70yoUuOyXrpOhyphenhyphenlqkgASG0hxk/s1600/images.png



Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.
Como a vida é forte
em suas algemas.
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.
Como a vida é isto
misturado àquilo.
Como a vida é bela
sendo uma pantera
de garra quebrada.
Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora
de saber que é vida
e nunca nunca nunca
leva a sério o homem,
esse lobisomem.
Como a vida ri
a cada manhã
de seu próprio absurdo
e a cada momento
dá de novo a todos
uma prenda estranha.
Como a vida joga
de paz e de guerra
povoando a terra
de leis e fantasmas.
Como a vida toca
seu gasto realejo
fazendo da valsa
um puro Vivaldi.
Como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida
em flor e formiga
em seixo rolado
peito desolado
coração amante.
E como se salva
a uma só palavra
escrita no sangue
desde o nascimento:
amor, vidamor!

Carlos Drummond de Andrade. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988, p. 390.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 220.

Entendendo o poema:

01 – O título do poema utiliza a palavra "Parolagem" (verborragia, falação sem utilidade). Como essa escolha de título contrasta com a construção dos primeiros versos ("Como a vida muda. / Como a vida é muda...") e qual o efeito de sentido desse jogo fonético?

      A palavra "parolagem" sugere um excesso de palavras fúteis. Drummond usa essa ideia de forma irônica: o poema tenta definir a vida por meio de um acúmulo de tentativas linguísticas, mas esbarra na impossibilidade de enquadrá-la em um único conceito. Nos versos iniciais, o poeta joga com a paronímia entre as palavras "muda" (do verbo mudar) e "muda" (ausência de som/fala). Esse recurso demonstra a mobilidade inconstante da existência e, ao mesmo tempo, o seu silêncio enigmático diante das inquietações humanas, mostrando que a "parolagem" é a tentativa verbal do homem de dar sentido a algo que é mutável e calado.

02 – Ao longo de todo o poema, a vida é caracterizada por pares de opostos (antíteses e paradoxos), como em "Como a vida é nada. / Como a vida é tudo". Identifique outro paradoxo no texto e explique de que modo essa estrutura dialoga com a temática central da obra.

      Outro paradoxo marcante ocorre no verso "Como a vida é vida / ainda quando morte / esculpida em vida". Essa construção expressa que a finitude e a mortalidade fazem parte da própria substância do viver. A estrutura baseada em contradições é fundamental no poema porque reflete a visão drummondiana da existência como algo indecifrável, pleno de polaridades (tudo/nada, paz/guerra, ganho/perda). Para o poeta, a vida não é uma linha reta coerente, mas a convivência simultânea de forças antagônicas.

03 – Na estrofe "Como a vida é bela / sendo uma pantera / de garra quebrada", o eu lírico constrói uma metáfora singular para a beleza da vida. Qual é o significado da imagem da "pantera de garra quebrada"?

      A pantera é um animal associado à força, ao perigo, à selvageria e à elegância. No entanto, ao apresentá-la com a "garra quebrada", o poema insere o elemento da vulnerabilidade, do ferimento e da imperfeição. A beleza da vida, portanto, não reside em um estado intocado de perfeição ou controle, mas sim em sua capacidade de permanecer altiva, selvagem e fascinante mesmo quando ferida e fragilizada pelas adversidades da existência.

04 – Nos versos "Como a vida chora / de saber que é vida / e nunca nunca nunca / leva a sério o homem, / esse lobisomem", de que maneira o eu lírico caracteriza a figura humana e seu papel perante a existência?

      O homem é caracterizado ironicamente como um "lobisomem", metáfora que remete à sua dualidade, instabilidade e natureza bestial/irracional. A vida "nunca leva a sério o homem" porque as pretensões, vaidades e ilusões de controle da humanidade são insignificantes diante do fluxo maior do universo. A vida lamenta sua própria consciência de existir, enquanto assiste às contradições e ao papel quase caricato e trágico desempenhado pelo ser humano.

05 – Analise os versos "Como a vida toca / seu gasto realejo / fazendo da valsa / um puro Vivaldi". Qual é a metáfora presente no "realejo" e o que significa transformar a "valsa" em "Vivaldi"?

      O "gasto realejo" simboliza a rotina repetitiva, gasta e ordinária da existência. No entanto, a vida possui a capacidade de sublimar essa repetição mecânica: ao transformar uma simples "valsa" (música popular/dançante) em um "puro Vivaldi" (referência à alta música clássica e complexa), o poema indica a capacidade da existência de extrair arte, transcendência e sublime daquilo que é banal e desgastado no cotidiano.

06 – Na estrofe final, o eu lírico afirma que a vida é "sempre renascida / em flor e formiga / em seixo rolado / peito desolado / coração amante". De que forma a enumeração desses elementos representa a manifestação da vida?

      A enumeração reúne elementos do reino vegetal (flor), animal (formiga), mineral (seixo rolado) e subjetivo/humano (peito desolado, coração amante). Essa diversidade demonstra que a vida não se restringe à experiência humana nem às emoções nobres; ela é uma força impessoal, democrática e contínua que se renova em qualquer matéria ou estado, seja no sofrimento ("peito desolado") ou no afeto ("coração amante").

07 – O poema culmina nos versos "E como se salva / a uma só palavra / escrita no sangue / desde o nascimento: / amor, vidamor!". Qual é o papel da palavra "amor" e da neologização "vidamor" na conclusão da poesia?

      Após catalogar os absurdos, dores, ironias e contradições da existência, o poema encontra sua síntese e redenção na força do amor. A fusão vocabular neológica "vidamor" unifica visceralmente as duas instâncias: a vida só ganha sentido e salvação quando fundida intrinsecamente ao amor. Esse sentimento é apresentado como algo gravado biologicamente e existencialmente na essência humana ("escrita no sangue desde o nascimento"), funcionando como a resposta final para vencer o absurdo do mundo.

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

POEMA: INICIAÇÃO AMOROSA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: Iniciação Amorosa

         Carlos Drummond de Andrade

A rede entre duas mangueiras
balançava no mundo profundo.
O dia era quente, sem vento.
O sol lá em cima,
as folhas no meio,
o dia era quente.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgI_krN6VXl00Z4ECfSNl6QEGswu0PS06fv7zPtJ82u6tnDYDT3rA0Dj6cz1yGcnY6uGgpwN1reK6QhQd6GGLp7HWtJrh1g4npo0wITZG56WYcwTMzmrWt4fzNam1g68CnfSITodVZocVFwz-fc19LUes_Ubwksi0BK_7BDkVBpNkELRF51gmzUgRNSW9A/s320/images.jpg



E como eu não tinha nada que fazer vivia namorando as pernas morenas da lavadeira.

Um dia ela veio para a rede,
se enroscou nos meus braços,
me deu um abraço,
me deu as maminhas
que eram só minhas.

A rede virou,
o mundo afundou.

Depois fui para a cama
febre 40 graus febre.
Uma lavadeira imensa, com duas tetas imensas, girava no espaço verde.

Carlos Drummond de Andrade. Iniciação amorosa. In: Alguma poesia. www.carlosdrummond.com.br. Rio de Janeiro: Record.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 81.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o cenário inicial descrito no poema e qual era o estado de espírito do eu lírico antes do acontecimento principal?

      O cenário inicial é composto por uma rede armada entre duas mangueiras, em um dia quente e sem vento. O eu lírico estava ocioso ("sem nada que fazer") e passava o tempo observando e namorando as pernas morenas da lavadeira.

02 – O que acontece quando a lavadeira se aproxima do eu lírico na rede?

      Ela vai até a rede, enrosca-se nos braços do eu lírico, abraça-o e oferece a ele suas "maminhas" (seios), proporcionando o momento de intimidade e descoberta que dá título ao poema.

03 – Como o poema descreve o clímax da experiência amorosa/sensual vivida pelos personagens na rede?

      O clímax e a intensidade do momento de transição são expressos pela metáfora da queda e da transformação perceptiva: "A rede virou, / o mundo afundou."

04 – Quais foram as consequências físicas e psicológicas da experiência para o eu lírico no final do poema?

      Após a experiência, o eu lírico foi para a cama com uma febre de 40 graus, tomado por um delírio em que via a figura de uma "lavadeira imensa", com "duas tetas imensas", girando no espaço verde.

05 – De que maneira a figura da lavadeira se transforma ao longo do poema?

      No início, a lavadeira é apresentada sob um olhar de desejo observador e sutil ("pernas morenas"). No final, após o ato da iniciação amorosa, ela adquire proporções míticas e avassaladoras no imaginário/delírio do eu lírico, tornando-se uma figura "imensa" que ocupa todo o seu pensamento e estado febril.

 

 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

CRÔNICA: O ASSALTO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Crônica: O Assalto

             Carlos Drummond de Andrade

 

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLH3TOIsFd7sg7__ZnU6QzqpFODEf57ijAkHAoBwWQetltxAqeJPkimLQTEWEN9mXBiyVipGzaY7UxmvImfZ0cV_KQo7XdOSWjLoZHgwVRBGbNpV4xI7SfTcf4L6EpAPC2vXZzohTZRJqfGUP_EuYpatw_0cgVeHmjdQ6v12tJ2KZRoIyuoS91fvSa80o/s320/assalto.png

        Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o preço do chuchu:

        — Isto é um assalto!

        Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém, correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira, atravancada, mas provida de um admirável serviço de comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?

        — Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.

        Moleques de carrinho corriam em todas as direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias que transportavam. Não era o instinto de propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?

        — Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!

        O ônibus na rua transversal parou para assuntar. Passageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via nada. O motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro advertiu:

        — No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.

        Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do módulo lunar. Outros ônibus pararam, a rua entupiu.

        — Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles não podem dar no pé.

        — É uma mulher que chefia o bando!

        — Já sei. A tal dondoca loira.

        — A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.

        — Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.

        — Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!

        — Vai ver que está caçando é marido.

        — Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue escorrendo!

        — Sangue nada, é tomate.

        Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E havia joias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular. Morreram no mínimo duas pessoas, e três estavam gravemente feridas.

        Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convulsão coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo. No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes trocavam de direção; quem fugia dava marcha à ré, quem queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os edifícios de apartamentos tinham fechado suas portas, logo que o primeiro foi invadido por pessoas que pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pelo e contemplar lá de cima. Janelas e balcões apinhados de moradores, que gritavam:

        — Pega! Pega! Correu pra lá!

        — Olha ela ali!

        — Eles entraram na Kombi ali adiante!

        — É um mascarado! Não, são dois mascarados!

        Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não havia espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído, Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido, confuso?

        — Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a gente com dor-de-barriga, pensando que era metralhadora!

        Caíram em cima do garoto, que soverteu na multidão. A senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando sempre:

        — É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro assalto!
        A.ssal.to: substantivo masculino

1. agressão para roubo; 2. Ataque; 3. cada período de tempo de uma luta; 4. exorbitância de preço.

 

Entendendo a crônica:

01 – Ao dizer “Isto é um assalto!”, em que sentido a senhora utilizou a palavra assalto?

      Exorbitância de preço.

 

02 – A frase dita pela senhora provocou uma enorme confusão. Por quê?

      Porque as pessoas pensaram que era um assalto de verdade.

 

03 – Ocorreu comunicação entre as pessoas que estavam no local dos fatos relatados no texto? Justifique sua resposta.

      Não, porque ela disse uma coisa e as pessoas entenderam outra.

 

04 – A frase “Assim eles não podem dar no pé” está na linguagem informal. Reescreva-a na linguagem formal?

      Assim eles não podem fugir.

 

05 – “Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora”. O que levou as pessoas a pensarem que estavam ouvindo o barulho de uma metralhadora?

      Um escurinho trocando matraca.

 

06 – Que fato é responsável pelo humor da charge ao lado do texto?

      O fato de o homem querer parcelar o assalto em 12 vezes.

 

07 – Observe os significados da palavra assalto e responda: ela foi usada com o mesmo sentido na charge e no texto? Justifique sua resposta.

      Não, porque no texto foi usada como exorbitância de preço e na charge como agressão para roubo.

 

 

 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

POEMA: DESEJOS - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: DESEJOS

           Carlos Drummond de Andrade

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhefAMkdC0UB1raOZgNYGQzkG54Jeb3Fq861fJjgHp-O751UUyx7clJELB0Igz1kZyyn_aHEboJkZ0imcGK8U7Zv1X0djLt_t4OeQDfHo0-Ok7Gwi9eUEi-93jAEp7Fq22JkA_SS9pkYtDeTvcfo8yydzX_ysOa00KG7n56pGGDF90zkUmSloNwfS4yzbE/s320/CACHOEIRA.jpg


Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade. Desejos. Poemas clássicos.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal característica das coisas desejadas pelo eu lírico no poema?

      A principal característica é a simplicidade. O eu lírico não deseja bens materiais grandiosos, luxo ou conquistas extraordinárias. Em vez disso, ele foca em pequenos prazeres cotidianos, momentos de paz e confortos simples da vida, como um "domingo sem chuva", um "banho de cachoeira", "ouvir a chuva no telhado" ou "calçar um velho chinelo".

02 – O poema faz referências diretas à cultura brasileira e à arte. Quais são os artistas ou obras explicitamente mencionados no texto?

      O poema cita os seguintes ícones culturais:

      Carlitos: O famoso personagem de Charlie Chaplin ("Filme do Carlitos").

      Rubem Braga: Um dos maiores cronistas do Brasil ("Crônica de Rubem Braga").

      Tom e Chico: Os grandes músicos Tom Jobim e Chico Buarque ("Música de Tom com letra de Chico").

      Chico Buarque (indiretamente): Através da menção à sua famosa música ("Ver a Banda passar").

      Maurice Ravel: O compositor francês ("Bolero de Ravel").

03 – Como o eu lírico aborda as relações humanas e os sentimentos afetivos no poema?

      As relações humanas são tratadas com base na reciprocidade, no companheirismo e na ausência de conflitos. Ele deseja o afeto romântico ("Sábado com seu amor", "Ter uma pessoa especial / E que ela goste de você"), a amizade verdadeira ("Chope com amigos", "Rever uma velha amizade", "Ter um ombro sempre amigo") e a harmonia social, expressa no desejo de "Viver sem inimigos".

04 – No trecho "Não ter que ouvir a palavra não / Nem nunca, nem jamais e adeus", qual é o sentimento que o eu lírico busca evitar para os seus destinatários?

      Ele busca evitar os sentimentos de rejeição, frustração e separação definitiva. As palavras "não", "nunca", "jamais" e "adeus" carregam um peso de corte, perda e finalidade dolorosa. O eu lírico deseja que a vida dos destinatários seja fluida, acolhedora e cheia de possibilidades positivas, livre dessas rupturas drásticas.

05 – Como o poema termina e qual é o "desejo final" que o eu lírico oferece?

      O poema termina criando uma atmosfera clássica, sensorial e íntima, mencionando "Vinho branco" e o "Bolero de Ravel". O desejo final, que sela todo o texto, é a entrega do afeto do próprio eu lírico: "E muito carinho meu". Isso transforma o poema não apenas em uma lista genérica de votos, mas em um presente pessoal e afetuoso para quem o lê.

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

CONTO: BOM TEMPO, SEM TEMPO - CARLOS DRUMMOND ANDRADE - COM GABARITO

 Conto: Bom tempo, sem tempo

           Carlos Drummond de Andrade

 

        Não chovia, meses a fio. Ou chovia demais. As plantas secavam, os animais morriam, os moradores emigravam. As plantas submergiam, os animais morriam, as pessoas não tinham tempo de emigrar. Assim era a vida naquele lugar privilegiado, onde medrava tudo para todos, havendo bom tempo. Mas não havia bom tempo. Havia o exagero dos elementos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjAguKATKgc845IzYKoi1Qi1HOnnAh6wAnRGTP6FszVRV4gf1XJ5ZOq7UyuKQI1BJPpwiXmpFOVyS7IPTIT-SRfBHvRImwVA_Nx-doCUS6H2WNFe4wyYl1lO2xchVxyI7mgoBR5J0RoXTz0uIkYiBYdj75r-D8qy3UDoaR0BMW-ob1HGvbDlyazwgGudPE/s320/images.jpg


        O mágico chegou para reorganizar a vida, e mandou que as chuvas cessassem. Cessaram. Ordenou que a seca findasse. Findou. Sobreveio um tempo temperado, ameno, bom para tudo, e os moradores estranharam. Assim também não é possível, diziam. Podemos fazer tantas coisas boas ao mesmo tempo que não há tempo para fazê-las. Antes, quando estiava ou chovia um pouco - isto é, no intervalo das grandes enchentes ou das grandes secas -, a gente aproveitava para fazer alguma coisa. Se o sol abrasava, podíamos fugir. Se a água vinha em catadupa, os que escapavam tinham o que contar. Quem voltasse do êxodo vinha de alma nova. Quem sobrevivesse à enchente era proclamado herói. Mas agora, tudo normal, como aproveitar tantas condições estupendas, se não temos capacidade para isto?

        Queriam linchar o mágico, mas ele fugiu a toda.

 ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. São Paulo, Record: 2006.

 

Entendendo o conto:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

-- Catadupa – cachoeira.

-- Êxodo – emigração de todo um povo ou saída de pessoas em massa.

02 – O fato que motiva a história é:

(A) a chegada do mágico.          

(B) a falta de chuva.

(C) a chuva muito frequente.      

(D) o mágico fugir correndo.

03 – No primeiro parágrafo, o narrador afirma que aquele era um "lugar privilegiado", mas logo em seguida se contradiz. Que figura de linguagem predomina nessa descrição e qual é a verdadeira situação do lugar?

      Predomina a ironia. O narrador chama o lugar de "privilegiado" e diz que lá "medrava tudo para todos, havendo bom tempo", mas imediatamente revela a dura realidade: nunca havia bom tempo, apenas o "exagero dos elementos" (ou seca extrema ou chuva destrutiva).

04 – Por que os moradores estranharam e rejeitaram o "tempo temperado e ameno" trazido pelo mágico?

      Porque a normalidade e a abundância de condições favoráveis paralisaram os moradores. Eles estavam tão acostumados a viver no limite da sobrevivência (fugindo da seca ou resistindo às enchentes) que não sabiam como agir ou o que fazer quando tudo estava perfeito. A falta de dificuldades tirou deles o senso de propósito e de heroísmo.

05 – De acordo com o desabafo dos moradores, quais eram as "vantagens" que eles viam nos tempos de tragédia climática (seca e enchente)?

      Eles viam vantagens emocionais e sociais: a seca permitia a experiência do êxodo, fazendo com que as pessoas voltassem "de alma nova"; já as enchentes davam a oportunidade de os sobreviventes serem "proclamados heróis" e terem histórias impactantes para contar.

06 – O que o desfecho do conto — com os moradores querendo linchar o mágico — sugere sobre a natureza humana?

      Sugere que o ser humano muitas vezes se acomoda ao sofrimento e à rotina do caos, desenvolvendo uma incapacidade de lidar com a perfeição, com a paz ou com a facilidade. A crônica de Drummond satiriza a tendência humana de reclamar de qualquer situação, mostrando que nem mesmo a solução exata para os problemas (o clima perfeito) foi capaz de satisfazer aquela população.

 

 

domingo, 22 de março de 2026

POEMA: O SOBREVIVENTE - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: O sobrevivente

              Carlos Drummond de Andrade

 

            Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.

            Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia.

            O último trovador morreu em 1914.

            Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.

           

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgxuygoD3TP9_j9DhAeNFHdFWBDd4NgMlGAc3ijmsBWY_0AZw0DljSvD0VmC2SAJjvaQIc7y_Uw4Od5ozbxoPHtBy3h0pL9C1Qnq586er3yXxPoHw0uZRJpLLtlOi_wQHKo5rv_bqbHzWUBPvslZOAzJ1pzB6qf9rWPR-XND1jDIKZ2e-274pGeNJEYYaI/s1600/CARLOS.jpg

            Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.

            Se quer fumar um charuto aperte um botão.

            Paletós abotoam-se por eletricidade.

            Amor se faz pelo sem-fio.

            Não precisa estômago para digestão.

           

            Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta

            muito para atingirmos um nível razoável de cultura.

            Mas até lá, felizmente, estarei morto.

           

            Os homens não melhoraram

            e matam-se como percevejos.

            Os percevejos heroicos renascem.

            Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.

            E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

 

            (Desconfio que escrevi um poema.)

 

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.

Entendendo o texto 

01. Por que o eu lírico (quem fala no poema) afirma ser "impossível" compor um poema "a essa altura da evolução"?

a. Porque as pessoas esqueceram como escrever à mão.

b. Porque não existem mais papéis ou canetas no mundo moderno. c. Porque a poesia foi proibida por uma lei internacional em 1914.

d. Porque ele acredita que a humanidade se tornou mecânica e perdeu a sensibilidade poética.

02. O poema menciona que existem "máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples". Qual é a crítica do autor nesse trecho?

a. Ele está elogiando como a tecnologia facilita a vida das pessoas.  b. Ele critica o exagero tecnológico que substitui gestos humanos e simples por botões e eletricidade.

c. Ele sugere que as pessoas deveriam aprender a consertar essas máquinas.

d. Ele afirma que as máquinas são necessárias para o amor e a digestão.

03. Na estrofe que fala sobre os homens que "matam-se como percevejos", o autor está se referindo a qual aspecto da humanidade?

a. À violência e à falta de valor que se dá à vida humana, especialmente em tempos de guerra.

b. À higiene pessoal e ao cuidado com os insetos.

c. Ao fato de os homens estarem ficando cada vez menores.

d. À inteligência dos seres humanos, que supera a dos insetos.

04. O que o autor quer dizer com o verso: "Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado"?

a. Que o mundo está ficando vazio porque as pessoas estão morrendo.

b. Que não há mais espaço físico para construir casas no planeta. c. Que as máquinas expulsaram os homens de suas moradias.

d. Que, embora o mundo esteja difícil e ruim de se viver (inabitável), a população continua crescendo.

05. No final do poema, entre parênteses, o autor escreve: "(Desconfio que escrevi um poema.)". Qual é o efeito dessa frase? a. Ela mostra que o autor esqueceu o que estava fazendo durante a escrita.

b. Ela cria uma ironia, pois, após dizer que era impossível escrever poesia, ele percebe que acabou criando uma.

c. Ela serve para pedir desculpas ao leitor por ter escrito um texto tão longo.

d. Ela indica que o texto, na verdade, é uma notícia de jornal e não um poema.

 

sexta-feira, 6 de março de 2026

POEMA: QUERO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: Quero

            Carlos Drummond de Andrade

 

Quero que todos os dias do ano

todos os dias da vida

de meia em meia hora

de 5 em 5 minutos

me digas: Eu te amo.

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjIjGsjTRyP27-w9RwcN0lycpgXZVIoWvgDzWk9ce7s7DYHpxOkTQfNk8gR1wYRR4XPqbU-PNHtf6JCt2il1rvekLJsOmtNlMlsaGj45It2TG0wfROfzGywvJh_4n4jCR3OOZg2m1smf3C1h7YmQTQLpdVbnVs3J2iuTyD-_fB1Y2SxqhkkKOFNMB-haeQ/s1600/AMO.jpg

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,

creio, no momento, que sou amado.

No momento anterior

e no seguinte,

como sabê-lo?

 

Quero que me repitas até a exaustão

que me amas que me amas que me amas.

Do contrário evapora-se a amação

pois ao dizer: Eu te amo,

desmentes

apagas

teu amor por mim.

 

Exijo de ti o perene comunicado.

Não exijo senão isto,

isto sempre, isto cada vez mais.

Quero ser amado por e em tua palavra

nem sei de outra maneira a não ser esta

de reconhecer o dom amoroso,

a perfeita maneira de saber-se amado:

amor na raiz da palavra

e na sua emissão,

amor

saltando da língua nacional,

amor

feito som

vibração espacial.

 

No momento em que não me dizes:

Eu te amo, 

inexoravelmente sei

que deixaste de amar-me,

que nunca me amaste antes.

 

Se não me disseres urgente repetido

Eu te amoamoamoamoamo,

verdade fulminante que acabas de desentranhar,

eu me precipito no caos,

essa coleção de objetos de não-amor.

 

Entendendo o texto

 

01. No poema, o eu lírico demonstra uma necessidade constante de ouvir a frase "Eu te amo". Qual é o principal motivo para essa exigência?

     a) Ele tem má memória e esquece o que as pessoas dizem.

     b) Ele acredita que o amor só existe no exato momento em que é dito em voz alta.

     c) Ele quer testar a paciência da pessoa amada todos os dias.

     d) Ele prefere ganhar presentes do que ouvir palavras de carinho.

02. Na terceira estrofe, o autor utiliza a expressão "até a exaustão". O que essa expressão sugere sobre o desejo do eu lírico?

    a) Que ele quer que a pessoa amada descanse e durma bastante.

    b) Que ele deseja que a declaração de amor seja repetida inúmeras vezes, sem parar.

    c) Que ele está cansado de amar e quer terminar o relacionamento.

    d) Que ele não gosta de conversar e prefere o silêncio.

03. Para o eu lírico de Drummond, como o amor é reconhecido de forma "perfeita"?

      a) Através de gestos e atitudes do dia a dia.

      b) Por meio de cartas escritas e enviadas pelo correio.

     c) Através da palavra falada, do som e da vibração da voz.

     d) Através de olhares profundos e silenciosos.

04. O que acontece com o eu lírico no momento em que ele não ouve a frase "Eu te amo"?

      a) Ele fica feliz porque finalmente tem um pouco de paz.

      b) Ele sente que o amor nunca existiu e se sente perdido no "caos".

      c) Ele resolve sair para caminhar e esquecer os problemas.

      d) Ele entende que a pessoa amada está apenas ocupada com outras coisas.

05. No final do poema, a palavra "Eu te amo" aparece escrita de forma grudada: "Eu te amoamoamoamoamo". Essa forma de escrever serve para representar:

     a) Um erro de digitação do autor que não foi corrigido.

     b) A pressa da pessoa amada para ir embora.

     c) A intensidade e a rapidez da repetição exigida pelo eu lírico.

     d) Que o amor é algo muito confuso e impossível de entender.