sábado, 27 de junho de 2026

FÁBULA: A COTOVIA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Cotovia

 

        Era uma vez um velho eremita que morava numa floresta com apenas um companheiro, um pássaro chamado cotovia.

        Um dia dois mensageiros foram procurar o velho eremita para pedir-lhe que os acompanhasse ao palácio de seu amo, que estava gravemente enfermo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgzPjK0pPMsRbF1ocqI5htnBeQMWX8tqV5mX2XG_thhRFHZSbn-3IlZ8cZ4ThO0sCiqlxwYkFdI6suYIbNQTuF-Dy_f1joDbzhV6qxWeKcDm89fmSajdXJ9MfR3u5-HWkyBCVVloswP0779w5L16hjP0HeXZCVRNme6vv0AgDWQO71b_HdCb2IWa2b6Yi8/s320/47422811-cotovia-passaro-plano-ilustracao-em-branco-fundo-gratis-vetor.jpg


        O velho, seguido pela cotovia, partiu com os mensageiros e fizeram-no entrar imediatamente no quarto do homem doente. Quatro médicos balançavam a cabeça, fazendo comentários em voz baixa entre si.

        -- Não há mais nada a fazer, murmurou o que parecia ser o mais importante – Infelizmente ele está morrendo.

        O velho eremita em pé junto à porta, observava a cotovia, que pousara no peitoril da janela e olhava fixamente para o doente.

        -- Ele vai viver, disse o eremita.

        -- Mas como pode este camponês fazer uma afirmação dessas? – Exclamaram os médicos em coro.

        O doente abriu os olhos, viu a cotovia olhando-o fixamente e esboçou um sorriso. Pouco a pouco a cor foi voltando ao seu rosto, suas forças retornaram e, para assombro de todos os presentes disse:

        -- Estou me sentindo um pouco melhor.

        Tempos depois, o nobre do palácio, totalmente recuperado, foi à floresta para agradecer ao eremita.

        -- Não agradeça a mim, disse o eremita. – Foi o pássaro quem o curou. A cotovia, acrescentou ele, é um pássaro muito sensível. Ao ser colocada junto a uma pessoa doente, se ela virar a cabeça e não olhar para o doente, isso significa que não há esperança. Mas se olhar para o doente, como olhou para o senhor, quer dizer que o paciente não vai morrer. Na realidade a cotovia, através do olhar ajuda a recuperação.

        Assim como a sensível cotovia, o amor da virtude não olha para coisas vis, sombrias, mas procura tudo o que é nobre e honrado. O pássaro habita o bosque florido, e a virtude habita o coração nobre.

        Moral: A virtude, assim como o amor e a esperança, tem o poder de restaurar e dar vida quando foca no que é nobre, belo e digno.

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

Entendendo a fábula:

01 – Com quem o velho eremita morava na floresta e qual era a relação entre eles?

      O velho eremita morava na floresta apenas com um pássaro chamado cotovia, que era o seu único e fiel companheiro no isolamento.

 

02 – Qual era o diagnóstico dos quatro médicos reais a respeito do nobre enfermo?

      Os médicos estavam pessimistas, balançando a cabeça e cochichando entre si. O médico que parecia ser o mais importante chegou a afirmar categoricamente que não havia mais nada a fazer e que o homem estava morrendo.

 

03 – Em que o eremita se baseou para contrariar os médicos e afirmar que o doente viveria?

      Ele se baseou no comportamento da cotovia. O eremita observou que o pássaro havia pousado no peitoril da janela e olhava fixamente para o homem doente, o que para ele era um sinal claro de que haveria cura.

 

04 – Como a cotovia age diante de pessoas doentes, segundo a explicação posterior do eremita?

      A cotovia é um pássaro altamente sensível. Se ela virar a cabeça e se recusar a olhar para o doente, significa que não há mais esperanças de vida. Porém, se ela fixar o olhar no paciente, ela ajuda ativamente em sua recuperação e indica que ele sobreviverá.

 

05 – Que comparação o texto faz entre o comportamento da cotovia e a virtude no coração humano?

      O texto explica que, assim como a cotovia foca seu olhar apenas na vida e na cura (rejeitando o que é sombrio), o amor da virtude não se volta para coisas vis ou ruins, mas procura tudo o que é nobre e honrado. Além disso, conclui que assim como o pássaro habita o bosque, a virtude habita o coração nobre.

 

 

 

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