domingo, 28 de junho de 2026

HISTÓRIA: JECA TATU - FRAGMENTO - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

 História: Jeca Tatu – Fragmento

            Monteiro Lobato

 

        Jeca Tatu é uma das figuras geradas pelo escritor Monteiro Lobato, muito conhecido por suas histórias infanto-juvenis, as quais giram em torno dos famosos personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo. Algumas de suas obras, porém, são de cunho social, de natureza crítica e denunciam questões como o contexto arcaico do universo rural e o descaso com doenças como o amarelão, então sério problema de saúde pública.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgd3NcYvsD1s84NHQMnKCnZniWRSYQoeW4ifVH0WFmj5GJq21JvaSujwWE37JJ5-KhStzU5Pxp7b9kwhZRD7o2NJ1XxNYPp4ROqTvX3avn4mR1l_BhtrS60CB3DLMybKCvfK-dFtXULVBDgkpLlED54LJFGckF4QeTB38pwgpkq0vScGMYvwx2PrGoaEDE/s320/J%C3%A9ca_Tatuzinho_(1).png


        Este modelo do caipira não idealizado está presente no livro Urupês, da saga criada por Lobato para os adultos. Ele revela, em um painel composto por 14 narrativas, a real situação do trabalhador campestre de São Paulo, visão nada agradável para as autoridades políticas da época e também para a classe dos intelectuais.

        Isto porque Jeca é a imagem do ser legado ao abandono pelo Estado, à mercê de enfermidades típicas dos países atrasados, da miséria e do atraso econômico. Condição nada romântica e utópica, como muitos escritores pretendiam moldar o caboclo brasileiro, nesta mesma época.

        A imagem de Jeca Tatu foi utilizada inclusive como instrumento em operações de esclarecimento sobre a importância do saneamento público e a urgência em erradicar doenças como o amarelão, que matava tantas pessoas nos anos 20. Como afirmava Lobato, “Jeca Tatu não é assim, ele está assim”, vitimado pelo desprezo de um governo nada preocupado com esta camada social.

        Jeca era um caipira de aparência desleixada, com a barba pouco densa, calcanhares sempre desnudos, portanto rachados, pois ele detestava calçar sapatos. Miserável, detinha somente algumas plantações de pouca monta, apenas para sua sobrevivência. Perto de sua habitação havia um pequeno riacho, no qual ele podia pescar. Sem cultura, ele não cultivava de forma alguma os necessários hábitos de higiene.

        Residente no Vale do Paraíba, em São Paulo, região muito arcaica, era visto pelas pessoas como preguiçoso e alcoólatra. A questão da saúde transparece no enredo quando um médico, ao cruzar o seu caminho, passa diante de sua tosca residência e se assusta com tanta pobreza. Notando sua coloração amarela e a intensa magreza, decide examinar o caboclo.

        O paciente se queixa de muita fadiga e dores corporais. O doutor então diagnostica a presença de uma enfermidade tecnicamente conhecida como ancilostomose, o famoso amarelão. Ele orienta Jeca a usar sapatos e a tomar os remédios necessários, pois os vermes que provocam este distúrbio orgânico introduzem-se no corpo através da pele dos pés e das pernas.

        A vida de Jeca muda radicalmente. Ele se cura, volta a trabalhar, reduz a bebida, sua pequena plantação prospera e o trabalhador se torna um homem honrado pelas outras pessoas. A família Tatu agora só anda calçada e, portanto, saudável. É assim que Monteiro Lobato denuncia a precária situação do trabalhador rural; ele revela que medidas simples poderiam transformar este cenário sombrio. Este personagem se torna o símbolo do brasileiro que vive no campo.


Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jeca_Tatu.

http://www.ibb.unesp.br/departamentos/Educacao/Trabalhos/obichoquemedeu/ancilostomose_jeca_tatu.htm.

 

Entendendo a história:

 

01 – Qual é a principal crítica social feita por Monteiro Lobato por meio da criação do personagem Jeca Tatu?

      Monteiro Lobato utiliza Jeca Tatu para denunciar a real situação de miséria, o contexto arcaico do universo rural e o descaso do Estado com a saúde pública na época. O personagem representa o trabalhador campestre abandonado pelo governo, à mercê de doenças evitáveis e do atraso econômico, contrapondo-se à visão romântica e idealizada que outros escritores tentavam moldar do caboclo brasileiro.

02 – Como o texto justifica a famosa frase de Monteiro Lobato: "Jeca Tatu não é assim, ele está assim"?

      A frase justifica que a condição de Jeca Tatu — descrita inicialmente pela população como preguiça e alcoolismo — não era uma característica natural de sua personalidade ou de sua raça, mas sim o resultado do adoecimento físico causado pelo "amarelão" (ancilostomose) e do desprezo de um governo que não investia em saneamento público e higiene para aquela camada social.

03 – Quais eram as características físicas e os hábitos de Jeca Tatu que facilitavam o seu contágio pelo "amarelão"?

      Jeca tinha uma aparência desleixada, extrema magreza, coloração amarela na pele e andava sempre com os calcanhares desnudos e rachados, pois detestava calçar sapatos. Além disso, por falta de cultura, ele não cultivava hábitos básicos de higiene, o que facilitava a entrada dos vermes causadores da doença, que penetram no organismo através da pele dos pés e das pernas em contato com o solo contaminado.

04 – Como ocorre a reviravolta na história de Jeca Tatu a partir da intervenção de um médico?

      Ao passar pela tosca residência de Jeca, um médico se assusta com a pobreza e, ao notar a magreza e a cor amarelada do caipira, decide examiná-lo. O doutor diagnostica a ancilostomose e receita os remédios necessários, além de orientar Jeca a passar a usar sapatos.

05 – Quais foram as transformações que ocorreram na vida de Jeca Tatu e de sua família após ele seguir as recomendações médicas?

      Após curar-se da doença, a vida de Jeca mudou radicalmente: ele recuperou as forças, voltou a trabalhar com vigor, reduziu o consumo de bebida alcoólica e fez sua pequena plantação prosperar, tornando-se um homem honrado e respeitado pelas outras pessoas. Além disso, toda a família Tatu passou a andar calçada e permaneceu saudável.

 

 

 

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