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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

CONTO: PITU CONVERSA COM OS PEIXES - ELIAS JOSÉ - COM GABARITO

 Conto: PITU conversa com os peixes

          Elias José

        Vocês quatro são meus amigos. Gosto de trocar a água, colocar um pouco de comida, pôr a planta aquática para dar mais beleza pra vocês e pro aquário. A água está limpinha, agora, não é mesmo? Daqui de fora parece até que não existe vidro, o aquário está limpinho. Eu gosto muito de vocês quatro, muito mesmo. Minha mãe fica implicando, diz que eu, com esta minha mania de ficar muito tempo olhando vocês, acabo pondo mau-olho. Já meu pai acha que vou pôr é quebranto, pois olho com muito amor. Se eu pudesse, entrava dentro do aquário e ficava nadando com vocês. Mas olhem o meu tamanho, não dá pé. eu também gosto de nadar, mas quando vou aprender a virar estas piruetas todas como vocês? Acho que nunca. Gente não sabe nadar como os peixes, o que é uma pena! Nem tem graça o corpo de gente nas águas. Peixe, sim, é que nada bonito. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgp7PlZ57pwzLr7aZq3nE3rc6cxzyAmALGVXj3dyY8EDJWosi7NutjfiqpORTFr4NOGSRIgeQ1hKFY-TYGxQMEXJTdgfSJRp-179nj9xe4K_72WjW-xTepivbYGwhitzfvj3sQmjl0KWUy23o4GbIEAk2RgofusI33ZsXGtOWBvwRYEE5fiz2WJhfgjR5Q/s1600/images.jpg


Fico tempo observando os lambaris do Corguinho e eles são muito ágeis, vão pra lá e pra cá, mexem na terra, se escondem nos ramos, mergulham. Mas não fiquem tristes porque falo deles, vocês são bem mais bonitos. A cor dos lambaris é meio prateada, bate o sol e mistura com a água, fica muito bonito. Mas vocês dois vermelhinhos e vocês outros dois, pretinhos, são muito mais bonitinhos. Quando os quatro estão se mexendo na aquário e as cores se misturando, fica mais bonito que arco-íris. E arco-íris é uma coisa maravilhosa! Mais bonito mesmo, só vocês quatro aí. Engraçado, tem um menino novo no Grupo, que veio da escola da roça, que não fala arco-íris e, sim, arco-da-velha. Fica parecendo coisa triste, vocês não acham? Se fosse arco-da-menina ainda passava. O arco-íris, como tudo que é colorido, é tão bonito. Não é mesmo bonito? Engraçado, peixe devia falar, responder às perguntas da gente. então, eu ficaria sabendo se vocês gostam mesmo de ficar presos aí dentro. Dona Cláudia diz que tem dó de peixes e pássaros presos. Que os peixes foram feitos para o tamanho do mar, que até os peixes de rio ela acha triste, quanto mais os de aquário. Passarinho, então, a maldade é maior, porque o mundo todo está aberto para eles. Papai, quando ouviu dona Cláudia falar isto, disse que ela estava querendo fazer os animais sentirem como gente e isto era besteira. Engraçado ele falar assim, porque também ele não gosta que a gente prende passarinho. O louro ele não importou, mas nunca deixou a gente prender em gaiola. Com peixe ele não deve se importar, pois não fala nada de mal ou de bem de vocês. Minha mãe disse que eu podia ficar com vocês, mas ela não tinha tempo de cuidar, trocar água, dar comida e tudo. Até que quando esqueço, ela faz, até sem reclamar. Acho que é porque ela também gosta muito de vocês. Sempre ela também para e fica olhando muito tempo ou fica batendo de fora quando algum parece dormir. Ela até ficou triste quando os dois amiguinhos de vocês morreram. Ela vive me falando para não dar muita comida porque a barriguinha de vocês é pequena e explode e, então, adeus peixinhos queridos.

Elias José. As curtições de Pitu. São Paulo: Melhoramentos, em convênio com o Instituto Nacional do Livro, 1976.

Fonte: Língua Portuguesa Palavras. 5ª série. Hermínio Geraldo Sargentim. IBEP. 1ª edição. São Paulo, 2002. p. 140.

Entendendo o conto:

01 – O conto é estruturado predominantemente como um monólogo dirigido aos peixes do aquário. Explique de que forma o foco narrativo em 1ª pessoa e a ausência de resposta dos interlocutores contribuem para caracterizar a intimidade e a imaginação do personagem Pitu.

      O foco narrativo em 1ª pessoa coloca o leitor diretamente em contato com o fluxo de pensamentos e sentimentos de Pitu. Como seus interlocutores (os peixes) são seres inanimados à linguagem humana e não respondem, a conversa se torna um monólogo subjetivo. Esse recurso explicita a afetuosidade, a sensibilidade e a rica imaginação do garoto, que projeta em seus animais de estimação sentimentos, cúmplices de dúvidas existenciais e reflexões cotidianas sobre sua família e o mundo.

02 – No trecho, Pitu menciona a opinião de Dona Cláudia e a reação de seu pai sobre a criação de peixes e pássaros presos. Compare a visão de Dona Cláudia e a do pai de Pitu a respeito da relação entre seres humanos e animais.

      Dona Cláudia adota uma postura empática e de antropomorfização dos animais, acreditando que mantê-los presos os priva de sua natureza e liberdade ("os peixes foram feitos para o tamanho do mar"). Já o pai de Pitu assume uma postura mais pragmática e racional, alegando que é "besteira" querer fazer com que os animais sintam e raciocinem como gente. Contudo, o texto sugere uma contradição no pai, pois, embora critique a ideia de Dona Cláudia, ele próprio proíbe a prisão de pássaros em gaiolas.

03 – O texto do conto utiliza uma linguagem bastante informal e espontânea. Identifique dois exemplos de expressões coloquiais ou construções típicas da linguagem oral presentes no texto e explique qual efeito elas produzem na narrativa.

      Dois exemplos de marcas de oralidade são:

      Expressões e construções populares: "não dá pé" (indicando limitação física/tamanho), "pôr mau-olho" ou "quebranto", e "Gente não sabe nadar..." (omissão do artigo definido antes do substantivo);

      Repetição da conjunção e advérbio interrogativo: O uso frequente de "Engraçado..." e de perguntas retóricas para conduzir o próprio raciocínio ("vocês não acham?", "Não é mesmo bonito?").

      Esses recursos conferem verossimilhança ao texto, aproximando o registro do narrador-personagem da fala natural de uma criança brasileira.

04 – Pitu reflete sobre a expressão usada por um novo colega da escola ao se referir ao arco-íris: "Engraçado, tem um menino novo no Grupo, que veio da escola da roça, que não fala arco-íris e, sim, arco-da-velha." O que esse trecho revela sobre a variação linguística e sobre a percepção poética do garoto?

      O trecho evidencia o fenômeno da variação linguística regional e cultural (o termo "arco-da-velha", trazido pelo menino que veio da roça). Ao mesmo tempo, revela a sensibilidade poética de Pitu, que analisa a carga semântica e emocional das palavras: para ele, a palavra "velha" traz uma conotação triste para algo tão bonito e colorido quanto o fenômeno do arco-íris, sugerindo que "arco-da-menina" seria um nome mais adequado.

05 – Embora a mãe de Pitu afirme inicialmente que não tem tempo para cuidar dos peixes, suas atitudes ao longo do conto demonstram o contrário. Como a conduta da mãe revela seu afeto indireto pelos animais?

      A mãe demonstra afeto pelos peixes de forma indireta por meio de ações de cuidado e preocupação: ela assume a limpeza do aquário e a alimentação quando o filho se esquece; para diante do aquário para observá-los; bate no vidro para checar se estão bem quando parecem dormir; demonstra tristeza genuína quando dois peixes morreram e orienta carinhosamente Pitu a não exagerar na ração para não machucar os animais ("a barriguinha de vocês é pequena e explode").

 

terça-feira, 17 de março de 2026

POEMA: RELACIONAMENTO - ELIAS JOSÉ - COM GABARITO

 POEMA: RELACIONAMENTO

 

Por que meu pai me olha

com tantas interrogações,

com tantas reticências?...

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhJQDD8Gp3jzMz8a-GMT14lRVEXqGN5RoYT7bjYLLDlv5aHQd7gyE8X7FiFRZSwnpgsP3bkZf4Wvez01CIDc4ad6vk-7bxCWZ6hLdI2WCX7vN7CFevoylJC5AAndHZSBle4UKHIuDWm-UjlK5DG58wmYyViIRaKsTaEwzVsp5tb3lmBpq91iqSUaBvq5IE/s1600/PAI.jpg


 

Por que me olha com medo

e com tanta esperança?

 

O medo do meu pai me encoraja,

me desafia e me ajuda

a segurar a barra.

 

A esperança de meu pai me assusta,

me torna reticente, incerto,

interrogativo como ele.

      JOSÉ, Elias. Cantigas de adolescer. São Paulo: Atual, 2003. p. 62.

 

Entendendo o texto

01. O texto foi escrito em versos ou prosa?

Em versos.

02. De acordo com as duas primeiras estrofes, que sentimentos o pai revela pelo seu olhar?

Sentimentos de dúvida, hesitação, medo e esperança.

03. Segundo o texto, que efeito tem sobre o eu poético o medo que o pai sente?

O efeito de encorajar, desafiar e enfrentar os problemas.

04. De acordo com a última estrofe, o que provoca no eu poético a esperança sentida pelo pai?

A esperança o assusta, tornando-o calado e cheio de dúvidas e incertezas.

05. Qual é a comparação estabelecida na última estrofe?

A comparação entre o pai e o eu poético com relação aos seus sentimentos.

quarta-feira, 2 de abril de 2025

POEMA: SAUDADES - ELIAS JOSÉ - COM GABARITO

 Poema: Saudades

             Elias José

Tenho saudades de muitas coisas
do meu tempo de menininha:
sentar no colo do meu pai,
ninar boneca sem receios,
chorar de medo da morte da mãe,
sonhar com festa e bolo de aniversário,
cantar com os anjos na igreja,
ouvir as mágicas histórias de vovó,
brincar de pique, de corda e peteca,
acreditar em cegonhas, fadas e bruxas
e sobretudo no papai Noel.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhyCBiSpumMvJj-pWAEqysbblGqj-Y_R3-aWmuYiKPVMzbJxlP70UNT6-5lwKR5Bty5Ckle7JF5TNKZlk-11ucSAGdP78Ofp-K1Ll1qXyJ_c4mx1iT37P5Hfj51ZwOrANDL_N32vuW5g_NN9LhN55es33VVYQprXAELcVJahZXhfs40nu2lbNm7WrqlryI/s320/PAPAI%20NOEL.png



Será que quando for velhinha,
e já estiver caducando,
vou viver tudo de novo?

Cantigas de Adolescer. São Paulo: Atual, 1992. P.9.

Fonte: Livro – Português: Linguagem, 8ª Série – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 4ª ed. – São Paulo: Atual Editora, 2006. P. 30.

Entendendo o poema:

01 – Quais as principais lembranças da infância que a voz poética expressa no poema?

      A voz poética expressa saudades de momentos como sentar no colo do pai, brincar com bonecas, temer a perda da mãe, celebrar aniversários, cantar na igreja, ouvir histórias da avó, brincar ao ar livre e acreditar em figuras mágicas como Papai Noel.

02 – Qual a emoção central que permeia as lembranças da infância no poema?

      A emoção central é a nostalgia, um sentimento de saudade e carinho pelas experiências vividas na infância, marcadas pela inocência e simplicidade.

03 – Qual a pergunta reflexiva que encerra o poema?

      A pergunta final é se, na velhice, a voz poética terá a chance de reviver essas memórias da infância.

04 – O que a pergunta final revela sobre a relação da voz poética com o tempo e a memória?

      A pergunta revela um desejo de que o tempo seja cíclico, permitindo reviver as alegrias da infância na velhice, e uma valorização da memória como forma de conexão com o passado.

05 – Como o poema retrata a infância?

      O poema retrata a infância como um período de inocência, alegria e descobertas, marcado por momentos simples e afetuosos, além da crença em figuras mágicas e histórias encantadoras.

 

 

domingo, 9 de março de 2025

POEMA: MEDO - ELIAS JOSÉ - COM GABARITO

 Poema: Medo

             Elias José

Medo é uma palavra

que arrepia o corpo,

arregala os olhos,

ergue os fios do cabelo,

bate queixo e dentes,

bambeia as pernas

e molha as calças.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVfpp3ffRZSuwB0UCh5UpmIAL-nFEcO-eP3pOnKdO7vdLnKrXJSrjp_EYAGY8ix_WKeDzBjhPhZzICFbNV2iKUKe9mwfBGiQfKYz1KaISPr32R1vsVHXYpLWIjyzr5DbldZMkSZT8gK3trPvAgbyVJa6sB3nVilxd61sWf1FMOS25qd9lKkEjxT5SD3A4/s320/medo-dos-clientes.png


 

Medo é uma palavra

que tem a cara fria da morte,

olhos de mulas sem cabeça,

transparência de fantasmas

e corpo de alma

do outro mundo.

Elias José. Medo. In: _________. O jogo das palavras mágicas. São Paulo: Paulinas, 1996. p. 9.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 115.

Entendendo o poema:

01 – Quais são as reações físicas que o medo provoca no corpo, de acordo com o poema?

      O medo, segundo o poema, arrepia o corpo, arregala os olhos, ergue os fios do cabelo, bate queixo e dentes, bambeia as pernas e molha as calças.

02 – Quais imagens o poeta utiliza para descrever o medo na segunda estrofe?

      O poeta compara o medo à cara fria da morte, olhos de mulas sem cabeça, transparência de fantasmas e corpo de alma do outro mundo.

03 – Qual é a figura de linguagem predominante na segunda estrofe do poema?

      A figura de linguagem predominante é a metáfora, onde o medo é comparado a diversas imagens assustadoras para intensificar a sensação que ele provoca.

04 – Como o poema define o medo em sua primeira estrofe?

      O poema define o medo como uma palavra que causa reações físicas intensas no corpo, como arrepios, tremores e até mesmo a perda do controle físico.

05 – Qual o efeito da repetição da frase "Medo é uma palavra" no início de cada estrofe?

      A repetição da frase "Medo é uma palavra" no início de cada estrofe serve para enfatizar a ideia central do poema, que é a força e o impacto que essa palavra e o sentimento que ela representa têm sobre as pessoas.

 

sexta-feira, 3 de maio de 2024

POEMA: SONHO REAL - ELIAS JOSÉ - COM GABARITO

 POEMA: Sonho real

     Elias José

 

- Mãe, eu quero ser rei,

amado por todo mundo.

Com muita fama

a muito dinheiro.

Quando não estiver reinando,

apareço na tevê,

nos jornais e nas revistas,

dou entrevista,

faço comercial,

gravo disco

e jogo na Seleção.

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiaZnN-TfaK5A05Upan861CiUNOO8FKDfGWuq5xDRs3b8eujrOuSQQGgzMVa1tL7ty7ql7H28P4hHVs6gFPSyUwUb2HhYT50PcjcKoPa12mDh9RzD4S6gqtMte1NmfA8XpxhyphenhyphenAuPNTrsFSc8f_zYj9xYEdFh-hJL25VLzeGg1xWFod4CVvpH4wCRcHYF9A/s320/reizinho-2.png

- Rei administra o seu povo

e não fica só no oba-oba,

meu filho.

E, depois, nem tem rei mais,

Quase só presidentes...

 

- Xi! Já vi que você tá boiando!...

Não quero ser rei da pátria,

não quero nada disso.

Quero ser um rei mais importante:

quero ser rei do futebol!

Fonte: Encontro e Reencontro em Língua Portuguesa – Marilda Prates – 5ª série - 1º ed. – São Paulo: Moderna ,1998, p.109.

Entendendo o texto

01. O que o filho deseja ser no poema "Sonho real"?

a) Presidente da República.

b) Um astro da televisão.

c) Um famoso jogador de futebol.

d) Um rei de um país.

    02. Qual é a reação da mãe ao ouvir o desejo do filho de ser rei?

           a) Ela incentiva o filho a perseguir seus sonhos.

           b) Ela explica que ser rei envolve responsabilidades sérias.

           c) Ela ri do sonho do filho.

           d) Ela sugere que ele se torne presidente.

03. Por que o filho diz que não quer ser rei da pátria?

a) Porque ele não gosta do país onde vive.

b) Porque ele prefere ser famoso por outras razões.

c) Porque ele deseja ser um rei mais importante em sua área favorita.

d) Porque ele não gosta de política.

    04. Além de jogar futebol, quais são as outras atividades que o filho deseja fazer como "rei do futebol"?

          a) Gravar discos e dar entrevistas.

          b) Administrar o país e fazer comerciais.

          c) Ser famoso na televisão e nas revistas.

          d) Aparecer em jornais e ser presidente.

   05. O que a mãe tenta explicar ao filho sobre o papel de um verdadeiro rei?

          a) Que ser rei envolve muitas festas e diversão.

          b) Que ser rei é uma posição de liderança com responsabilidades.

          c) Que ser rei significa ter muito dinheiro e fama.

          d) Que ser rei é como ser uma estrela de cinema.

    06. O que significa "estar boiando" na conversa entre mãe e filho?

           a) Estar cansado.

           b) Não entender algo.

           c) Estar triste.

           d) Estar com fome.

    07. Qual é o tom predominante do poema "Sonho real"?

          a) Humorístico e leve.

          b) Sério e político.

          c) Triste e melancólico.

          d) Científico e educativo.

 

 

 

segunda-feira, 27 de junho de 2022

POEMA: O MEDO DO MENINO - ELIAS JOSÉ - COM GABARITO

 POEMA: O MEDO DO MENINO

                  Elias José

Que barulho estranho,
vem lá de fora,
vem lá de dentro?!

Que barulho medonho
no forro,
no porão,
na cozinha,
ou na despensa!…

Será fantasma
ou alma penada?
Será bicho furioso
ou barulhinho de nada?

E o menino olha
na escura escada
e não vê nada.
Travesseiro
E olha na vidraça
e uma sombra o ameaça.

Quem se esconde?
Esconde onde?

Se vem alguém passo a passo
Na rua deserta
O medo aumenta.
Passos de gente de casa
Encolhe o medo.
Se somem vozes e passos
De gente de casa,
No ato, no quarto,
Vem o arrepio

E o menino encolhe,
Fica todo enroladinho.
E se embrulha nas cobertas,
Enfia a cabeça no travesseiro
E devagar, devagarinho,
Sem segredo,
Vem o sono
E some o medo.

https://eliasjose.com.br/o-medo-do-menino/ 

http://drifi10.blogspot.com/2011/06/o-medo-do-menino-jose-elias-que-barulho.html

Entendendo o texto

01. Ao compararmos os dois textos, notamos que ambos falam de

a) assalto.

b) cozinha.

c) medo.

d) dentista.

 

02. Retire do texto as palavras que tenham o som nh:

     “... estranho, medonho, cozinha, barulhinho, enroladinho, devagarinho.”

03. Agora escreve as palavras que tenham o som lh.
     “...barulho, olha, encolhe, embrulha.”
04. E você, tem medo de quê?

      Resposta pessoal.

 05. Como foi que o medo do menino sumiu? 

       Ele enfia a cabeça no travesseiro, devagarinho vem o sono e some o medo.
06. Escreva frases com as palavras:

       Fantasma –

       Porão -

    


domingo, 22 de maio de 2022

POEMA: PALAVRA - ELIAS JOSÉ - COM GABARITO

 Poema: Palavra

            Elias José


A palavra PALAVRA

É cheia de mistérios,

Azedume e doçura,

Liberdade e prisão,

Verdade e mentira,

Alegria e tristeza,

Voo livre e perigoso.          

Elias José. O jogo das palavras mágicas. São Paulo: Paulinas, 2000.

        Fonte: livro – Língua portuguesa – Buriti mais português – 4° ano – ensino fundamental – Anos iniciais – 1ª edição, São Paulo, 2017. Moderna. p. 76-7.

Entendendo o poema:

01 – Observe que em quatro versos estão destacados pares de palavras. Em cada par, as palavras têm sentido semelhante ou oposto?

      Têm sentido oposto.

02 – As palavras destacadas no poema formam pares de sinônimos ou de antônimos?

      Formam pares de antônimos.

03 – Copie os “mistérios” das palavras, separando-os em duas listas.

·        Mistérios alegres: doçura, liberdade, verdade, alegria.

·        Mistérios tristes: azedume, prisão, mentira, tristeza.

04 – Em sua opinião, por que o poeta usou pares de palavras como esses para definir os mistérios da palavra?

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Para o poeta, a palavra provoca sentimentos contraditórios.

05 – Numere estas palavras considerando a ordem alfabética.

(2) Doçura.

(6) Tristeza.

(1) Alegria.

(5) Prisão.

(4) Perigo.

(3) Liberdade.

·        Pesquise um antônimo para perigo e forme uma frase.

Segurança, garantia.

 

 

 

quinta-feira, 14 de abril de 2022

POEMA: À MODA CAIPIRA - ELIAS JOSÉ - VARIEDADE LINGUÍSTICA - COM GABARITO

 Poema: À moda caipira

             Elias José

Para a Sonia Junqueira, pela parceria e amizade.


U musquitu ca mutuca
num cumbina.
U musquitu pula
i a mutuca impina.

U patu ca pata
num afina.
U patu comi grama
i a pata qué coisa fina.

U gatu cum u ratu
vivi numa eterna luita.
U ratu vai cumê queiju,
vem um gatu i insurta.

U galu ca galinha
num pareci casadu.
A galinha vai atrais deli
i u galu sarta di ladu.

U pavão ca pavoa
mais pareci muléqui.
A pavoa passa réiva
e eli só abri u léqui.

U macacu ca macaca
num pareci qui si ama:
ela pedi um abraçu,
ele dá uma banana…

Eu mais ocê cumbina
qui dá gostu di vê:
eu iscrevu essas poesia
i ocê cuida di lê…

Cantos de encantamento. Belo Horizonte: Formato, 1996. p. 22.

Fonte: Livro – PORTUGUÊS: Linguagens – Willian R. Cereja/Thereza C. Magalhães – 5ª Série – 2ª edição - Atual Editora – 2002 – p. 51-2.

Entendendo o poema:

01 – Ao escrever esse poema, o autor não obedeceu às regras ortográficas da língua portuguesa.

a)   Leia o nome do poema e tire uma conclusão: Por que, na sua opinião, o autor escreveu o texto desse modo?

Porque ele procurou imitar o jeito de falar de um caipira.

b)   Qual é o dialeto que o autor usou para escrever o poema?

O dialeto caipira.

02 – Compare as palavras abaixo. As da coluna da esquerda estão escritas de acordo com as regras ortográficas, e as da coluna da direita estão escritas conforme aparecem no poema.

Mosquito           musquitu

Pato                  patu

Rato                  ratu

a)   Quais dessas palavras lembram mais o nosso jeito de falar?

As palavras do lado direito.

b)   Conclua: Nosso jeito de falar sempre corresponde ao modo como as palavras são escritas?

Não, a correspondência não é exata.

03 – Compare em cada par de palavras abaixo as da esquerda com as da direita e tire conclusões sobre as diferenças entre oralidade e escrita.
Mosquito—musquitu           Parece—pareci           Insulta—insurta


Combina—cumbina             Come—comi              Salta—sarta


Comer—cumê                      Dele— deli

a)   O que acontece com a vogal o de sílabas átonas (fracas), como em mosquito, quando a palavra é falada?

Transforma-se em u.

b)   O que acontece com a vogal e da sílaba final das palavras, como em parece, quando ela é falada?

Transforma-se em i.

c)   O que acontece com a letra l anterior à última sílaba, como em insulta, quando ela é falada?

Transforma-se em r.

d)   Dessas mudanças, quais são as típicas do dialeto caipira?

Insurta, sarta.

e)   Por que existem essas diferenças entre oralidade e escrita, na sua opinião?

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: A grafia da língua portuguesa no Brasil está ligada às origens históricas da língua e da influência de imigrantes mis recentes: japoneses, italianos, libaneses, etc.

04 – Observe este trecho do poema:

“Eu iscrevu essas poesia”

a)   Além da grafia da palavra iscrevu, esse trecho apresenta outra variação em relação à norma-padrão. Qual é ela?

A falta de concordância.

b)   Apesar dessa variação, podemos entender que o trecho se refere a uma única poesia ou a mais de uma? Como é possível saber isso?

A noção de plural é dada por essas; logo, o plural de poesia seria só um reforço. Como as variedades populares buscam a economia, poesia fica no singular.

05 – Na última estrofe do poema, o eu lírico se dirige a outra pessoa e compara seu relacionamento com ela ao relacionamento de vários animais.

a)   Quem é essa pessoa?

A namorada ou a mulher amada do eu lírico.

b)   O que o eu lírico pretende provar com essas comparações?  

Que eles podem se dar bem, melhor do que os animais.                                                                                                  

sexta-feira, 18 de março de 2022

CONTO: O PRIMEIRO AMOR - ELIAS JOSÉ - COM GABARITO

 Conto: O primeiro amor

            Elias José

        Logo que colocou os objetos embaixo da carteira, Pitu encontrou o bilhete. Leu, ficou vermelho, colocou no bolso, não mostrou pra ninguém. De vez em quando, mordia-lhe uma curiosidade grande, uma vontade de reler pra ter certeza. Era uma revelação que ele não estava esperando.

        Não podia dizer que estivesse achando ruim, pelo contrário... Ele estava com vontade de olhar para trás, para as últimas carteiras e procurar por uma resposta com o olhar. Era um tímido e não se encorajava. A professora explicava num mapa as regiões do Brasil e ele viajava num rumo diferente.

        Ainda bem que ela não estava olhando pra ele, nem fazendo perguntas, só estava expondo a matéria. Na hora da verificação, acabaria saindo-se mal. Não gostava de ignorar as coisas perguntadas. Só não se saía muito bem quando se tratava de fazer contas de números fracionários. A professora mesma dizia-lhe que em Português e matéria de leitura e entendimento ele se saía bem; em poesias românticas, em música sentimental. Estava meio perdido nos pensamentos confusos. O bilhete queimando no bolso. Uma vontade de relê-lo, palavra por palavra. Interessante, não era um bilhete bem escrito, tinha até erro de Português – por que a curiosidade? Só ele sabia dele, não foi como no dia do correio-elegante, pai, mãe e seu Francisco do armazém querendo saber, dando palpites. Agora, tinha um bilhete e era diferente. Tinha um bilhete que trazia uma declaração de amor e uma assinatura. Trazia mais: trazia um convite para um bate-papo na praça, às duas horas, se ele quisesse namorar de verdade.

        Marina era bonitinha, ele queria. Falta-lhe jeito de dizer, tinha que escrever um bilhetinho respondendo, era mais fácil. No intervalo, escreveu o bilhete, fechado no banheiro.

        Quando ela chegou, a resposta a esperava na carteira. Quase no fim da aula, ele criou força e olhou para trás. Marina sorria, confirmando. Ele sorria também. Diversas vezes, ele olhou pra trás e a encontrou olhando. Trocaram sorrisos e olhares. Os dois estavam vivendo uma ternura primeira e não sabiam escondê-la mais. Tanto assim que a professora pediu que ele virasse pra frente, observasse o que ela estava pedindo pra pesquisa do fim de semana. Naquele fim de semana, ele iria pesquisar alguma coisa nova que não tinha experimentado, como alguns outros de sua idade e turma.

Elias José. As curtições de Pitu. São Paulo, Melhoramentos, 1980.

Fonte: Português – Linguagem & Participação, 6ª Série – MESQUITA, Roberto Melo/Martos, Cloder Rivas – Ed. Saraiva, 1ª edição – 1998, p. 08-10.

Entendendo o conto:

01 – Como é possível perceber o lugar onde ocorre a ação do texto?

      O narrador faz menção a carteiras e a professora. Toda a situação descrita no texto também permite-nos concluir que a ação se passa em uma escola.

02 – O que acontece com Pitu e Marina, as principais personagens do texto?

      Eles estão iniciando um namoro.

03 – Por que Pitu fica vermelho ao receber o bilhete? Como o menino é?

      Porque ficou emocionado. Pitu é um pouco tímido, romântico e bom aluno em Português.

04 – No início de um relacionamento amoroso, geralmente, há alguém que toma a iniciativa, que dá o primeiro passo. De quem partiu a iniciativa no caso de Pitu e Marina? Justifique sua resposta.

      De Marina: foi ela que enviou o primeiro bilhete, encorajando o garoto com sorrisos e olhares ternos.

05 – Como você entende a frase: “Os dois estavam vivendo uma ternura primeira e não sabiam escondê-la mais.”?

      Resposta pessoal do aluno.

06 – Como é a comunicação entre Pitu e Marina?

      Pitu e Marina se comunicam por meio de bilhetes, sorrisos e olhares.

07 – Dê outro título ao texto.

      Resposta pessoal do aluno.

08 – O texto apresenta personagens adolescentes, como você. Na sua opinião, o comportamento foi bem observado pelo escritor? Justifique sua resposta.

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Sim, o texto pode ser facilmente entendido e até mesmo feito uma peça teatral.