domingo, 28 de junho de 2026

POEMA: CREIO NO MUNDO COMO NUM MALMEQUER - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: Creio no mundo como num malmequer

            Fernando Pessoa

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRUqag09_g_U1mbGr5loKROVFkWkwAj0qeCa3xEo55bRCxC3djqW5IFpFBkk2O0UI4fS6O1dEf8ntPtf4y_OEOzK0G2HpDpvN_E1T7gH4ho_Z8Rb6PNRWIdcmeg9UVxkD_Prx5lAdL5x1BPKL1Cc29-fFnTmonWOW4ZjZfSoWU0STiEkwfgL_68XDPzmY/s1600/images.jpg



O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Fernando Pessoa.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o significado da comparação inicial "Creio no mundo como num malmequer"?

      A comparação com um malmequer (uma flor simples do campo, como a margarida) simboliza uma crença na realidade baseada na simplicidade, na evidência e na pureza visual. O eu lírico não precisa de dogmas, teorias ou religiões complexas para acreditar na existência do universo; ele crê no mundo da mesma forma direta e natural com que aceita a existência de uma flor comum: simplesmente "porque o vejo".

02 – Por que o eu lírico afirma que "pensar é não compreender" e define o pensamento como estar "doente dos olhos"?

      Para Alberto Caeiro, o pensamento abstrato deforma a realidade. Ao tentar intelectualizar o mundo, o ser humano distancia-se da verdade imediata das coisas. A metáfora "pensar é estar doente dos olhos" sugere que a filosofia e a racionalização funcionam como uma visão embaçada ou distorcida, que impede o homem de enxergar as coisas como elas realmente são em sua crueza e beleza física.

03 – De acordo com a segunda estrofe, qual é a verdadeira finalidade do mundo em relação aos seres humanos?

      O texto afirma categoricamente que o mundo não foi feito para ser transformado em objeto de especulação intelectual ("O Mundo não se fez para pensarmos nele"). A verdadeira finalidade da existência é a pura contemplação sensorial e a harmonia com o real: fomos feitos para "olharmos para ele e estarmos de acordo", isto é, para aceitar a natureza sem questionamentos ou rebeldias metafísicas.

04 – Como o eu lírico define a sua própria relação com o conhecimento e com a filosofia na última estrofe?

      O eu lírico recusa qualquer sistema filosófico tradicional ao declarar: "Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...". Ele substitui o império da razão pela soberania das sensações físicas (ver, ouvir, tocar). Ele admite que não possui um saber científico ou acadêmico sobre a Natureza, mas que se conecta com ela através de uma experiência puramente sensorial, prática e existencial.

05 – Como o conceito de amor é articulado nos versos finais para justificar o mistério da Natureza?

      O eu lírico explica que seu elo com a Natureza nasce do amor, e o amor, por definição, prescinde da lógica e do entendimento intelectual. Ao escrever que "quem ama nunca sabe o que ama / Nem sabe por que ama, nem o que é amar", ele defende que o sentimento autêntico é involuntário e inexplicável. Portanto, não saber definir o que é a Natureza não diminui a sua relação com ela; pelo contrário, é justamente essa falta de explicações intelectuais que valida a pureza do seu amor pelo mundo.



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