Dicionário mineirês-português
Ispía só qui trem engraçadimais! Prestenção...
PRESTENÇÃO – É quano eu tô
falano iocê num tá ovino.
CADIQUÊ? – Assim, tentanu
intendê o motivo.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgT48TCflZisxuhtNxtjkIVrTJHwWwW2CjAeJFtzDnrSE71OscIQJ9p7sT_BG74Y87nQoP8-ECA2FTU_BF3Gbi-XDA-fnzynE5kmDaWe9uE1qYy2WcQI548XXTsfpnEbWi7MDJcXIjHVrzTlrPo4crdbVos6SvxY_HxBEBr25EVWVPGnrhqpUSwW0axQkk/s320/hq720.jpgCADIM – É quano eu num quero
muito, só um poquim.
DEU – O mez qui “di mim”. Ex.:
Larga deu, sô!
SÔ – Fim de quarqué frase. Qué
exêmpro tamém? Óia: Cuidádaí, sô!
DÓ – O mez qui “pena”,
“cumpaxão”: “Ai qui dó, gentch”.
NIMIM – O mez qui in eu.
Exempro: Nóóó, cê vivi garrado nimim, trem! Larga deu, sô!
NÓÓÓ – Num tem nada qui vê cum
laço pertado, não! O mez qui “nossa!”. Vem de Nóóó-sinhora!
PELEJANU – O mez qui tentanu:
Tô pelejanu cuêsse diacho né di hoje!
MINERIM – Nativo
duistadiminnss.
UAI – Uai é uai, sô! Uai!
ÉMÊZZZ?! – Minerim querêno
cunfirmá.
NÉMÊZZZ?! – Minerim querêno
sabê si ocê concorda.
OIAQUI – Minerim tentano chamá
atenção prarguma coizz.
PÃO DI QUEJU – Iosscêis sabe!
Cumida fundamentar qui disputa cum tutu a preferença dus minêro.
TUTU – Mistura de farinha di
mandioca (ô di mio) cum fejão massadim. Bom dimais da conta, gentch!!...
TREIM – Qué dizê quarqué coizz
qui um minerim quizé! Ex: “Já lavei us trem!”; “Qui trem bão!”.
NNN – Gerúndio du minerêis.
Ex: “Eles tão brincannn”; “Cê tá innn, eu tô vinnn”.
PÓ PÔ – O mez qui pó colocá.
POQUIM – Só um poquim, pra num
gastá muito.
JISGIFORA – Cidadi pertin du
Ridijanero. Cunfunde a cabeça do minerim que pensa qui é carioca.
DEUSDE – Desde. Ex: “Eu sô
magrelin deusde rapazin!”.
ISPÍA – Nome popular da
revista VEJA.
ARREDA – Verbu na form
imperativ (danu órdi), paricido cum sai. “Arredaí, sô!”.
IM – Diminutivo. Ex: lugarzim,
piquininim, vistidim, etc.
DENDAPIA – Dentro da pia.
TRADAPORTA – Atrás da porta.
BADACAMA – Debaixo da cama.
PINCOMÉ – Pinga com mel.
ISCODIDENTE – Escova de dente.
PONDIÔNS – Ponto de ônibus.
SAPASSADO – Sábado passado.
VIDIPERFUME – Vidru de
perfume.
ÓIPROCÊVÊ (ou OPCV) – Óia pra
você vê.
TISSDAÍ – Tira ISS daí.
CAZOPÔ – Caixa de isopor.
ISTURDIA – Otru dia.
PRONOSTAÍNO? – Pra onde nós
tamo indo?
CÊ SÁ SÊSSE ONS PASS
NASSAVASS? – Você sabe se esse ônibus passa na Savassi?
Entendendo o dicionário:
01
– Como funciona o fenômeno da aglutinação (junção de várias palavras) no
dialeto mineiro, segundo o texto? Dê exemplos.
O
"mineirês" tem uma forte tendência de juntar várias palavras de uma
frase em um único bloco fonético, eliminando sílabas e espaços. O texto
exemplifica isso perfeitamente com expressões como "Dendapia" (Dentro
da pia), "Badacama" (Debaiço da cama), "Pondiôns" (Ponto de
ônibus) e a famosa pergunta de trânsito: "Cê sá sêsse ons pass
nassavass?" (Você sabe se esse ônibus passa na Savassi?).
02
– De acordo com o dicionário, qual é a origem da interjeição "NÓÓÓ" e
o que ela significa?
A expressão
"NÓÓÓ" não tem nenhuma relação com um nó apertado (laço). Ela
significa o mesmo que "Nossa!" e funciona como uma expressão de
espanto ou surpresa. O dicionário explica que ela é, na verdade, uma abreviação
da exclamação religiosa "Nossa Senhora!" ("Nóóó-sinhora!").
03
– Por que a palavra "TREIM" (trem) é considerada o termo mais versátil
do vocabulário mineiro?
Porque ela
funciona como um "coringa" linguístico. Segundo o texto,
"trem" pode significar qualquer coisa que o mineiro quiser. Pode se
referir a objetos físicos ("Já lavei us trem!"), a situações,
sentimentos ou qualidades ("Qui trem bão!"), ou até a pessoas
("cê vivi garrado nimim, trem!").
04
– Como o dicionário define as regras gramaticais do gerúndio e do diminutivo no
"mineirês"?
No gerúndio, o
mineiro elimina as letras "d" e "o" do final das palavras,
prolongando o som do "n" ("NNN"), como em
"brincannn" ou "innn". Já para o diminutivo, utiliza-se
apenas o sufixo "IM" (em vez de "inho"), resultando em
palavras encurtadas como "lugarzim", "piquininim" e
"cadim" (um bocado pequeno).
05
– Qual é a piada geográfica e cultural que o texto faz em relação à cidade de
"Jisgifora" (Juiz de Fora)?
O texto brinca
que Juiz de Fora é uma "cidadi pertin du Ridijanero" (perto do Rio de
Janeiro) e que isso acaba confundindo a cabeça dos seus habitantes nativos (os
"minerins"), que, devido à proximidade geográfica e ao sotaque
influenciado, às vezes pensam que são cariocas.
06
– Qual é a diferença de intenção entre as expressões "ÉMÊZZZ?!" e
"NÉMÊZZZ?!" na comunicação do mineiro?
Embora parecidas,
elas têm objetivos diferentes: "ÉMÊZZZ?!" (É mesmo?!) é usada quando
o mineiro está surpreso e querendo confirmar uma informação que acabou de
ouvir. Já "NÉMÊZZZ?!" (Não é mesmo?!) é usada quando ele quer saber
se a outra pessoa concorda com o que ele está dizendo.
07
– Com base no texto, como a culinária mineira é representada e quais são os
pratos considerados fundamentais?
A culinária é
tratada como algo sagrado e culturalmente central. O texto destaca o "Pão
di queju" como uma comida fundamental e o "Tutu" (mistura de
farinha com feijão amassado), mencionando que ambos disputam a preferência
absoluta dos mineiros por serem descritos como "bom dimais da conta".
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