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terça-feira, 15 de setembro de 2026

MÚSICA (ATIVIDADES): FANTOCHES - GUILHERME ARANTES - COM GABARITO

 Música (Atividades): Fantoches

           Guilherme Arantes

Odeio fantoches
Capachos do chefe
Cupinchas do patrão

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjDWLllv7wRb47n8wDp0DvrJAhkADTJ_F4YPCLrOjA6l6GRUQLI9lXkax1yi4Ct9v3FB1cg7KxL15j5s_bHxpy1RuNpX1WYjb9RzbGV2-1dSfdjk5WHkEG-qVSfJSxZkMAlKVKCD9U0K8TaShlYnJqhhcGtvCKOMSxjoPKMexPC3MEvGVz4LFlHvn2N67o/s1600/images.jpg

Odeio essa raça
De gente costa-quente
Gente falsa
Serpente
Que se arrasta pelo chão

 

Cara fraco
Inseguro
Eu já acho feio
Puxa-saco
Já tô cheio
Eu, eu odeio
Dedo-duro

 

Odeio fantoches
Capachos do chefe
Cupinchas do patrão

 

Odeio essa raça
De gente costa-quente
Gente falsa
Serpente
Que se arrasta pelo chão

 

Cara fraco
Inseguro
Eu já acho feio
Puxa-saco
Já tô cheio
Eu, eu odeio
Dedo-duro

Eu odeio
Dedo-duro
Odeio
Dedo-duro
Odeio.

Composição: Guilherme Arantes. 

Entendendo a música:

01 – O que a metáfora do "fantoche" representa no contexto da canção e como ela se relaciona com a crítica às relações de trabalho e de poder?

      A figura do "fantoche" representa a pessoa manipulável, sem opinião própria ou autonomia, que se deixa controlar por indivíduos em posições superiores. No ambiente de trabalho e nas estruturas de poder, a metáfora critica aqueles que abandonam a própria ética e individualidade para servir cegamente aos interesses de superiores ("chefe", "patrão"), agindo apenas como peças manipuláveis do sistema.

02 – Analise a escolha do vocabulário informal e popular utilizado na música (como "capacho", "cupincha", "puxa-saco" e "dedo-duro"). Qual é o efeito de sentido produzido por esse léxico?

      O uso de gírias e expressões do cotidiano confere à canção um tom direto, agressivo e de rejeição imediata. Esses termos populares carregam uma forte carga pejorativa que aproxima a mensagem da linguagem das ruas, intensificando a indignação do eu lírico e tornando o desprezo por esse tipo de comportamento claro e sem rodeios formais.

03 – Qual é o significado da metáfora "Gente falsa / Serpente / Que se arrasta pelo chão" e qual vício de comportamento ela denuncia?

      A imagem da "serpente que se arrasta" associa o indivíduo à traição, à dissimulação e à pequenez moral. A metáfora denuncia a falsidade e o servilismo de quem se humilha ou age de má-fé para obter vantagens pessoais ou proteção de superiores ("gente costa-quente"), agindo de forma sorrateira e desleal em relação aos seus pares.

04 – Como a repetição exaustiva do verbo "odeio" e da expressão "dedo-duro" no final da canção contribui para a construção da expressividade do texto?

      A repetição constante (recurso da anáfora/reiteração) marca o ápice da indignação do eu lírico. O verbo "odeio" enfatiza a repulsa visceral do eu poético, enquanto a fixação na palavra "dedo-duro" direciona o foco da crítica para a delação e a traição no ambiente social. O ritmo acelerado e repetitivo no final simula um desabafo incisivo e categórico.

05 – A canção estabelece uma oposição entre a "insegurança" individual e a "falta de caráter". Segundo o texto, qual é a diferença de julgamento do eu lírico em relação a um "cara fraco" e a um "puxa-saco"?

      O eu lírico estabelece uma distinção clara entre a fragilidade emocional e o desvio de conduta. Ele demonstra uma atitude de desdém ou pena em relação à fraqueza e à insegurança ("Cara fraco / Inseguro / Eu já acho feio"), mas manifesta total repulsa e esgotamento quanto à adulação deliberada e à falsidade ("Puxa-saco / Já tô cheio / Eu, eu odeio / Dedo-duro"). A fragilidade é vista como um defeito lamentável, enquanto a adulação traiçoeira é julgada como uma falha ética imperdoável.

 

MÚSICA (ATIVIDADES): BABEL - GUILHERME ARANTES - COM GABARITO

 Música (Atividades): BABEL

              Guilherme Arantes

 

Creio nos mundos que virão
Das novas formas de poder
O poder na fé e na ciência
Creio na força da união
Na variedade do saber
Ambição de paz da inteligência

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiAo8dJqO-ScRrS1X1Zd9SId9nranPDF7oSCYPfSOuGTVXq3GbAqVmlUfvExZwipaowF6YRC7g6lw1ey-3Se5yUEgU_UZeQutHBHVq1uEwOrj9cLK2N1liT-z3qDx3YOGpQQsnbp3bEJ1IbQxLUNb6hmPp_d6hNohMH7bLjE0Owu-QTqrzyyZ2zwSMGy4M/s320/images.jpg



Nossos olhos podem ver
A imensa babel
Que nasceu e envolveu
Povos, raças e nações
Pelo engenho, pela arte
A intensa babel
Abre os muros, fecha os cortes
Põe em nós o sinal dos tempos.

Creio em melhores gerações
Em busca de um plano superior
A todo egoísmo e intolerância
Eu acredito em nossos filhos
Como acredita todo o pai
Na consciência livre
Surgirá outra era.

Eu acredito no milagre
Futuro nos surpreenderá
Com a decadência
Da linguagem da guerra.

Compositor Guilherme Arantes.

Entendendo a música:

01 – Qual é o significado do título "Babel" na canção e como ele se relaciona com a mensagem de união entre os povos descrita por Guilherme Arantes?

      Na tradição bíblica, a Torre de Babel simboliza a divisão e a confusão de línguas entre a humanidade. Na canção, o eu lírico ressignifica essa ideia: a "imensa babel" representa a diversidade cultural e a interconexão global ("povos, raças e nações") construída pelo "engenho" e pela "arte". Em vez de separar, essa diversidade é vista como uma força positiva que impulsiona a variedade do saber e a ambição de paz.

 

02 – No primeiro verso da canção, o eu lírico afirma crer "no poder na fé e na ciência". De que forma a letra busca conciliar esses dois campos de conhecimento que frequentemente são vistos como opostos?

      A letra concilia a fé e a ciência ao colocá-las como forças complementares em busca de um mesmo objetivo: o progresso humano e a paz. A fé traz a esperança, a crença nas "melhores gerações" e no amor paternal, enquanto a ciência e o saber representam a inteligência necessária para superar a intolerância e transformar a sociedade. Ambas compõem a "variedade do saber" defendida no texto.

 

03 – Que metáfora é construída nos versos "Abre os muros, fecha os cortes / Põe em nós o sinal dos tempos" e o que ela representa para as relações humanas?

      "Abre os muros": Simboliza a derrubada de barreiras, preconceitos e fronteiras físicas ou ideológicas que isolam as pessoas.

      "Fecha os cortes": Representa a cura das feridas sociais, históricas e dos conflitos passados.

      Juntas, as duas imagens constroem a ideia de uma transição para uma nova era fundamentada na empatia, no diálogo e no acolhimento mútuo.

 

04 – Qual é o papel atribuído às futuras gerações ("nossos filhos") na construção da "nova era" mencionada pelo compositor?

      As futuras gerações são retratadas como o motor da transformação moral e social. O eu lírico deposita nos filhos a confiança de que alcançarão um "plano superior", superando sentimentos mesquinhos como o egoísmo e a intolerância. É através da "consciência livre" dos jovens que surgirá um futuro capaz de superar velhos erros históricos.

 

05 – O que significa a expressão "decadência da linguagem da guerra" presente na estrofe final da música?

      Significa o fim do uso da violência, do conflito armado e do discurso de ódio como meios para resolver disputas interpessoais ou internacionais. O enfraquecimento ("decadência") dessa mentalidade agressiva abre espaço para a ascensão da diplomacia, da inteligência cooperativa e do respeito à diversidade entre os povos.

 

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): TAÇA DE VENENO - GUILHERME ARANTES - COM GABARITO

 Música (Atividades): Taça de Veneno

          Guilherme Arantes

Os excessos tentam
diminuir
tudo o que nos falta
sem conseguir
vontades fazem
de um rei um escravo
quando põe o mundo atrás das grades.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgR0nZsCHs093nANwU0bsNj1yLZL5T1fhyphenhyphennqODVYFiQRDJY7snXsWk8Ue2JkTZafFMrWLL73qfrwYZHqR8PbqayJZJlsxXdBxByCHPfDGDGlaY6waNNAu3FE6vIt7fS_51CBNREoiMAR53ceKUI5U08zgt-r-t8wOn2LtpySlBB8_rmQLlnKvxzV4G2zb8/s320/images.jpg



São as forças
que nos podem matar
São fraquezas
que nos podem salvar
erros são certos
pra sermos únicos
defeitos
se confundem com virtudes.
Todos precisam de um veneno
pra encher a sua taça de desejo
todos precisam de um desejo
pra encher a sua taça de veneno
mas com medo não se vive
com receio não se vai
com a dúvida não se arrisca
não se voa, não se cai
curto é o caminho dos covardes
triste é o riso dos ignorantes.
Todos precisam...

Composição: Guilherme Arantes.

Entendendo a música:

01 – Qual é a contradição apresentada no trecho "Os excessos tentam / diminuir / tudo o que nos falta / sem conseguir" e o que ela revela sobre o comportamento humano?

      A contradição consiste na tentativa frustrada de usar os "excessos" (consumo, prazeres exagerados, compulsões) para preencher a sensação de vazio ou escassez interior ("tudo o que nos falta"). O eu lírico revela que os exageros externos são incapazes de suprir as carências profundas da alma, funcionando apenas como uma ilusão temporária que não resolve o vazio existencial.

02 – Como a metáfora "vontades fazem / de um rei um escravo / quando põe o mundo atrás das grades" explica o perigo dos desejos descontrolados?

      A figura do "rei" representa o indivíduo que possui controle, poder ou autonomia sobre si mesmo. Quando esse indivíduo se torna cego ou dominado por seus impulsos e ambições ("vontades"), ele perde a própria liberdade, transformando-se em "escravo" dos seus próprios desejos. A imagem do "mundo atrás das grades" mostra que a obsessão limita a visão do indivíduo, encarcerando-o em sua própria perspectiva reduzida.

03 – Qual é o jogo de palavras (paradoxo) presente no refrão "Todos precisam de um veneno / pra encher a sua taça de desejo / todos precisam de um desejo / pra encher a sua taça de veneno"?

      O refrão constrói um paradoxo entre risco ("veneno") e motivação/paixão ("desejo"):

      O "veneno" simboliza o perigo, a ousadia e a intensidade da vida. O desejo só ganha força quando há risco e entrega.

      Por outro lado, perseguir intensamente um "desejo" exige consumir uma dose de risco ("taça de veneno").

      Em suma, o texto sugere que viver plenamente e desejar algo exige aceitar a vulnerabilidade e os perigos inerentes à própria existência.

04 – Análise a estrofe que diz: "São as forças / que nos podem matar / São fraquezas / que nos podem salvar". Como o autor desconstrói as noções tradicionais de "força" e "fraqueza"?

      O autor inverte os conceitos tradicionais:

      As "forças" (orgulho, excesso de confiança, rigidez) podem ser destrutivas e levar à ruína ("podem matar").

      As "fraquezas" (humildade, vulnerabilidade, reconhecimento dos próprios limites) funcionam como mecanismos de defesa e sobrevivência ("podem salvar").

      A estrofe ensina que reconhecer as próprias limitações e ter imperfeições ("erros são certos pra sermos únicos") faz parte do amadurecimento humano.

05 – Qual é a crítica feita ao medo e à estagnação nos versos "mas com medo não se vive / com receio não se vai / com a dúvida não se arrisca / não se voa, não se cai"?

      O eu lírico critica a postura de covardia e imobilismo diante da vida. Ele enfatiza que o erro e a queda são partes naturais do aprendizado ("não se voa, não se cai"). Quem se deixa paralisar pelo medo ou pela dúvida renuncia à própria experiência de viver plenamente. Essa ideia é arrematada na crítica aos "covardes" (cujo caminho é curto/limitado) e aos "ignorantes" (cujo riso é superficial/triste por falta de vivência real).

 

 

MÚSICA(ATIVIDADES): UM DEUS ATEU - GUILHERME ARANTES - COM GABARITO

 Música (Atividades): Um Deus Ateu

          Guilherme Arantes

Quem
Te roubou o inocente jardim
Tuas faces de rubras maçãs
Teu condão
Talismã
Quem levou
Nossas verdes manhãs de sol
Tardes sem fim

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglN1JaJZOe2NH6mYo3wzyrSQhXG5fZZ2xHfH1urIcM9RonF2Vj6_P5a9MkHzBQQpQjO9J1RlQyrn6yKYvbCuOhYB59Uy2xDp-5yQNvN47ByB9PvW91iRHG3SII0g7nYXL3WyLT_8HxjlQWPYToRA6yNpCoyoGYiil0G0WMZorTD4kFGQZ6ZktLT9MZG5U/s1600/images.jpg 


Inventou a distância cruel
Levou a linha, a vareta e o papel
Lavou o céu
Secou o mar
Jogou nuvens de areia nos olhos
Muralhas de pedras
Brilhantes que furtam a visão
Como um deus ateu
Vaguei vagabundo
Morei num barril
Andei condenado
A viver buscando
Cana de açúcar
Duna de sal
Moinho de sonho
Usina do amor
No torvelinho
Na febre no frio
Não se perdeu
Nosso ébrio navio.

Composição: Guilherme Arantes.

Entendendo a música:

01 – Qual é o significado da perda do "inocente jardim" e das "verdes manhãs de sol" no início da canção?

      Essa perda simboliza o fim da infância, da pureza e a nostalgia de um tempo mais simples e protegido. O "inocente jardim" e as "verdes manhãs" representam a beleza da juventude e a harmonia do passado que foram rompidas pela maturidade, pelo tempo ou pelo surgimento de uma separação dolorosa.

02 – De que forma a metáfora "Levou a linha, a vareta e o papel" se conecta com a mudança de estado do eu lírico?

      A junção de "linha, vareta e papel" faz referência lúdica à confecção de uma pipa (papagaio), brinquedo tradicional da infância. O desaparecimento desses objetos marca o fim da leveza e da liberdade infantil. Esse contraste prepara o leitor para o surgimento dos obstáculos da vida adulta, representados pela "distância cruel" e pelas "nuvens de areia nos olhos".

03 – Qual é o efeito do paradoxo construído na expressão "Como um deus ateu" para caracterizar a condição do eu lírico?

      O paradoxo une dois conceitos opostos: a figura do "deus" (símbolo de criação, poder e luz) e o qualificativo "ateu" (símbolo da ausência de fé, abandono e descrença). Essa imagem traduz a crise existencial do eu lírico que, apesar de possuir força criativa e sensibilidade poética, sente-se desamparado, solitário e sem um rumo espiritual ou afetivo a seguir.

04 – Qual é o significado cultural e filosófico da alusão ao verso "Morei num barril" e sua relação com a busca pessoal do eu lírico?

      A menção a "morar num barril" faz uma alusão ao filósofo grego Diógenes de Sínope (o Cínico), conhecido por viver em um barril e abdicar de todos os bens materiais. Na canção, a imagem reforça a vida despojada e errante do eu lírico, que prefere a simplicidade e a busca por elementos essenciais ("cana de açúcar", "duna de sal", "moinho de sonho") em vez dos luxos representados pelas "muralhas de pedras brilhantes que furtam a visão".

05 – Como a metáfora do "ébrio navio" na estrofe final expressa a resiliência do sentimento diante das adversidades?

      O "ébrio navio" (embarcação embriagada ou à deriva) representa a trajetória turbulenta da vida e das emoções, que navega sem rumo fixo por meio de tempestades ("torvelinho", "febre", "frio"). Ao concluir com a afirmação "Não se perdeu / Nosso ébrio navio", o eu lírico celebra a resistência da relação ou do próprio espírito, que sobreviveu aos percalços e manteve sua jornada viva.

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): ANO NOVO - GUILHERME ARANTES - COM GABARITO

 Música (Atividades): Ano Novo

            Guilherme Arantes

E o milênio vai virar
Seja lá em que direção
Muitas pedras vão rolar
Não se vive só de esperteza e diversão
Ideais vão despertar
Utopias vão renascer
Os valores vão mudar
Não há ordem perfeita imune à erosão
E na contra-mão da festa dessa multidão
Uma tribo estranha ainda resta
Mesmo dispersa na ilusão dos poetas
A vida se projeta em cada olhar ...

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsjPTw3bHPgpJFVGOGiLOyea5sPqIxZD7wc217yLVwj7VkMEoxXs6pbpzK6Qr0gLOASpjibUIxO9GTFgylTu9uwcWdA4DzrfXfQaCiq5hhsgK4cSKhGMatC0XieEEZdT6Sph-Tk6s23p0G8CKQnMFXT8PFwqPik8ATi-v6j1Sn41BzLR6PJ0HiL9itdHA/s320/images.jpg


Onde você vai estar
Com quem vai dividir as lágrimas
Da esperança
E não basta chorar
O que você vai fazer
Pro ano novo ir muito além
Dos fogos que se lança

Mais que um corpo pra cuidar
Mais cabeça que um visual
Para o jovem se engajar
Pelo meio ambiente ou causa social

Na contra-mão...

Composição: Guilherme Arantes.

Entendendo a música:

01 – O verso inicial "E o milênio vai virar / Seja lá em que direção / Muitas pedras vão rolar" sugere mudanças inevitáveis com o passar do tempo. Considerando o contexto da canção, como o autor interpreta essas transformações na sociedade e na vida humana?

      O autor interpreta as transformações temporais como um processo dinâmico e inevitável de transição, onde velhos paradigmas dão lugar a novas realidades ("Ideais vão despertar / Utopias vão renascer / Os valores vão mudar"). A expressão "muitas pedras vão rolar" simboliza os sobressaltos, as reviravoltas e os desafios inerentes a essa mudança de era. Guilherme Arantes pontua que a vida e a sociedade não são estáticas — "Não há ordem perfeita imune à erosão" —, sugerindo que a evolução é constante e exige resiliência diante das inevitáveis turbulências do futuro.

02 – Na estrofe "Não se vive só de esperteza e diversão", o compositor faz uma crítica aos comportamentos superficiais. Qual é a contraposição apresentada na letra em relação a essa busca vazia por entretenimento?

      A contraposição reside no convite ao engajamento profundo, à reflexão e à busca por propósito. Enquanto a "esperteza e a diversão" representam uma postura imediatista, individualista e efêmera voltada apenas para o consumo de momentos festivos ("a festa dessa multidão"), a música aponta para valores mais sólidos. O autor valoriza o despertar de ideais, o renascer de utopias, a sensibilidade artística ("ilusão dos poetas") e a conexão humana real, mostrando que a vida ganha sentido quando direcionada por causas maiores e pela projeção de um olhar mais atento à realidade.

03 – O que o trecho "E na contra-mão da festa dessa multidão / Uma tribo estranha ainda resta" revela sobre a postura de determinados indivíduos ou grupos perante as comemorações tradicionais de fim de ano?

      Esse trecho revela uma postura de resistência e introspecção frente à superficialidade com que muitas vezes o "Ano Novo" é celebrado coletivamente. Enquanto a "multidão" está imersa na festa automatizada e na euforia passageira, essa "tribo estranha" (simbolizando os poetas, pensadores ou aqueles que se mantêm conscientes) opta pela contra-mão: o caminho da reflexão profunda. Em vez de apenas celebrar de forma mecânica, esses indivíduos valorizam o sentimento genuíno, a partilha de emoções e a busca por um significado real para a passagem do tempo, distanciando-se do consumo vazio da alegria festiva.

04 – Analise os versos: "E não basta chorar / O que você vai fazer / Pro ano novo ir muito além / Dos fogos que se lança". Qual é a mensagem principal contida nessa cobrança por atitude?

      A mensagem principal é um apelo à responsabilidade e à ação concreta. O autor argumenta que lamentar-se pelas dificuldades ("chorar") ou depositar falsas esperanças em rituais passageiros (representados metaforicamente pelos "fogos que se lança", que brilham intensamente por um instante e depois se apagam) não é suficiente para transformar a realidade. O texto exige protagonismo: o ano novo só será genuinamente diferente se houver uma mudança de postura por parte do indivíduo, que precisa agir de forma propositiva para que o futuro supere o efêmero e traga mudanças reais.

05 – Nos versos finais, o autor menciona a necessidade de "Mais cabeça que um visual / Para o jovem se engajar / Pelo meio ambiente ou causa social". Como essa estrofe dialoga com a construção de uma cidadania mais consciente?

      Essa estrofe dialoga diretamente com a construção de uma cidadania ativa ao desvalorizar o culto à aparência ("mais cabeça que um visual") e exaltar a importância do pensamento crítico e da responsabilidade coletiva. O autor defende que a juventude e os cidadãos em geral precisam direcionar suas energias para pautas fundamentais e estruturais, como a preservação do meio ambiente e o engajamento em causas sociais. Dessa forma, o "Ano Novo" deixa de ser apenas uma data no calendário e passa a representar um compromisso ético e político com o planeta e com a sociedade.

 

 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

MÚSICA(ATIVIDADES): Ó CABELO, CABELO MEU (NATURA) - TEMAS DE TV - COM GABARITO

 Música (Atividades): Ó Cabelo, Cabelo Meu (Natura)

           Temas de TV

Oh, cabelo
Cabelo meu
Tão belo, tão poderoso, tão eu
Rebelde às vezes, às vezes dócil
Crespo, liso, ondulado, pichaim
Jeitoso assim, de qualquer jeito
Solto, preso, molhado, cheiroso, brilhante e macio
Cabelo meu
Tão belo, tão poderoso, retrato fiel de quem sou eu
Comprido como deve ser
Curto se ficar melhor
Da cor que nasceu
Da cor que eu quis
Cabelo, de fio a fio, em cada olhar eu vejo um elogio
Oh cabelo, cabelo meu
Se você não fosse meu, eu não seria tão... eu.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRTWanO4HlAolXSun25bIG6trV99eGQ251MR691t8Ja5K8rUOCciw-jgMvE9tE2N2Qc9-M1B6SH72Qaz65Lw9mjlP6XaTeO0dO5CyTC2jzA107-IXjq0eOQE_T7qXjonVMe9TiGMipQHcX62N8vQh9vu-h84yDoxA2c0rD3crjpJfg4w4mlm_XVxV_CDg/s320/images.jpg


Entendendo a música:

01 – Quais são os tipos de cabelos que são falados na letra da música?

      Os tipos de cabelos citados na letra são: crespo, liso, ondulado e pichaim.

02 – Como o cabelo pode ser descrito?

      O cabelo é descrito como belo, poderoso, rebelde, dócil, jeitoso, solto, preso, molhado, cheiroso, brilhante, macio, comprido, curto, e podendo ter a cor natural ou modificada (da cor que nasceu ou da cor que quis), sendo um retrato fiel de quem a pessoa é.

03 – O que significa a palavra “pixaim”?

      É um termo popular usado na língua portuguesa para se referir a cabelos crespos, cacheados bem fechados ou volumosos, muitas vezes com os fios ressecados ou emaranhados, embora o contexto da música o celebre como parte da identidade e beleza natural.

04 – Como você descreve o seu cabelo? Como você gostaria que ele fosse?

      Resposta pessoal. Sugestão: Você pode responder detalhando o comprimento, a textura (liso, cacheado, crespo ou ondulado) e a cor atual dos seus fios, e complementar dizendo se gostaria de mantê-los assim ou alterá-los (por exemplo: "Meu cabelo é castanho e ondulado, e eu gosto dele exatamente como é").

05 – Como você cuida dos seus cabelos?

      Resposta pessoal. Sugestão: Exemplos comuns incluem: lavar regularmente com shampoo e condicionador, usar cremes de hidratação semanalmente, aplicar protetor térmico antes de secar ou usar chapinha, e cortar as pontas com frequência.

06 – Dos cabelos que aparecem no comercial, qual deles lhe chama mais a atenção?

      Resposta pessoal. Sugestão: Escolha o estilo que mais se destaca para você no vídeo da campanha (por exemplo, um cabelo crespo bem volumoso, um cacheado definido ou um liso brilhante) e explique o motivo de sua escolha.

07 – Observe as modelos do vídeo. Como você descreve Cinthia Keller, Jaqueline Sato e Luciana Del Rei, fisicamente?

      Resposta pessoal. Sugestão: baseada nas características visuais das atrizes/modelos. Geralmente, a descrição física envolve observar a tonalidade de pele, a cor e o corte dos cabelos, o formato do rosto e o sorriso de cada uma delas no material publicitário.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

MÚSICA(ATIVIDADES): MUITO ESTRANHO (CUIDA BEM DE MIM) - DALTO - COM GABARITO

 Música (Atividades): Muito Estranho (Cuida Bem de Mim)

          Dalto

Hum! Mas se um dia eu chegar
Muito estranho
Deixa essa água no corpo
Lembrar nosso banho

Hum! Mas se um dia eu chegar
Muito louco
Deixa essa noite saber
Que um dia foi pouco

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgcib8e21yDfjxYJ2OyiblQmCBak3jqkVEciziKz4StxT_Lkdb1i_ynuqqOSyW2vRrmQwbT7kJStDsrCGYPktmWS66KTI9Ttd6lK8qYQTk6pPxmEUmRsTufXZMQB3t_2dNGtDbQ9krfnLdgW8TKIW4jFSiC2P90UYPiXLebanbAugZwzMihkfyFEKVcm_Q/s320/images.jpg


Cuida bem de mim
Então misture tudo dentro de nós
Porque ninguém vai dormir
Nosso sonhos

Hum! Minha cara, pra que
Tantos planos?
Se quero te amar e te amar
E te amar muitos anos

Hum! Tantas vezes eu quis
Ficar solto
Como se fosse uma Lua
A brincar no teu rosto

Cuida bem de mim
Então misture tudo dentro de nós
Porque ninguém vai dormir
Nosso sonhos

Hum! Quantas vezes eu quis
Ficar solto
Como se fosse uma Lua
A brincar no teu rosto

Cuida bem de mim
Então misture tudo dentro de nós
Porque ninguém vai dormir
Nosso sonhos

Composição: Claudio Rabello, Dalto.

Entendendo a música:

01 – Qual é o pedido central que o eu-lírico faz à pessoa amada no refrão da música?

      O eu-lírico pede repetidamente para ser cuidado ("Cuida bem de mim") e sugere que eles misturem tudo dentro de si, afirmando que ninguém vai interromper ou dormir diante dos sonhos que compartilham.

02 – O que o eu-lírico sugere que a parceira faça caso ele chegue em casa "muito estranho"?

      Ele pede que ela deixe a água no corpo lembrar o banho deles, sugerindo um momento de intimidade e acolhimento para relaxar e amenizar o estranhamento.

03 – Qual é a reflexão trazida pelo eu-lírico em relação aos planos futuros no verso "Minha cara, pra que tantos planos?"?

      Ele questiona a necessidade de excesso de planejamento porque o seu desejo primordial e imediato é apenas amar a parceira intensamente por muitos anos, valorizando mais o sentimento presente do que a rigidez de planos futuros.

04 – A qual elemento da natureza o eu-lírico se compara ao expressar o desejo de liberdade?

      Ele se compara a uma Lua ("Como se fosse uma Lua / A brincar no teu rosto"), ilustrando o desejo de ficar solto, leve e brincalhão junto à pessoa amada.

05 – Qual é o tom predominante e a temática principal abordada na letra da canção de Dalto?

      O tom é de intensa intimidade, afetuosidade e vulnerabilidade. A temática central gira em torno do amor romântico, da busca por refúgio emocional nos braços do parceiro e da entrega completa em um relacionamento profundo.

 

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

MÚSICA(ATIVIDADES): MEU MUNDO E NADA MAIS - GUILHERME ARANTES - COM GABARITO

 Música (Atividades): Meu Mundo e Nada Mais

           Guilherme Arantes

Quando eu fui ferido vi tudo mudar
Das verdades que eu sabia
Só sobraram restos que eu não esqueci
Toda aquela paz que eu tinha

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Eu que tinha tudo hoje estou mudo, estou mudado
À meia-noite, à meia luz, pensando
Daria tudo, por um modo de esquecer

Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz, sonhando
Daria tudo, por meu mundo e nada mais

Não estou bem certo se ainda vou sorrir
Sem um travo de amargura
Como ser mais livre, como ser capaz
De enxergar um novo dia

Eu que tinha tudo hoje estou mudo estou mudado
À meia-noite, à meia luz, pensando
Daria tudo, por um modo de esquecer

Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz, sonhando
Daria tudo, por meu mundo e nada mais

Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz, sonhando
Daria tudo, por meu mundo e nada mais

Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz, sonhando
Daria tudo, por meu mundo e nada mais.

Composição: Guilherme Arantes. Discos com essa música: Guilherme Arantes, 1976. SIGLA/Som Livre; Meu Mundo e Tudo Mais ao Vivo, 1991. CBS/Sony; Maioridade, 1997. Globo/Polydor. Ao Vivo, 2000. PlayArte Music. Guilherme Arantes Ao Vivo, 2001. Sony/Epic. Intimidade, 2007. Som Livre/Coaxo de Sapo (BA).

Entendendo a música:

01 – Qual é o acontecimento que marca o início da transformação do eu lírico (a voz que canta a música) e como ele se sente após esse evento?

      O eu lírico menciona que tudo mudou quando ele foi "ferido". Ele se sente desiludido, pois das verdades que conhecia restaram apenas "restos", e perdeu a paz que tinha antes, ficando "mudo" e "mudado".

02 – Em quais momentos da canção fica evidente o desejo de isolamento do eu lírico? Que expressão da letra confirma esse sentimento?

      O desejo de isolamento fica evidente no refrão, quando ele expressa a vontade de estar no "escuro do meu quarto", "à meia-noite, à meia luz". Ele busca refúgio e proteção em seu próprio mundo diante da dor que sente no mundo exterior.

03 – Na segunda estrofe, o eu lírico faz um questionamento sobre o seu futuro emocional. O que ele dúvida que conseguirá fazer novamente?

      Ele dúvida se ainda será capaz de sorrir sem sentir um "travo de amargura", além de questionar como poderá ser mais livre e capaz de enxergar um "novo dia" com esperança.

04 – Qual é o contraste apresentado no trecho "Eu que tinha tudo hoje estou mudo, estou mudado"?

      O trecho apresenta um contraste (antítese) entre o passado e o presente: no passado, ele sentia que "tinha tudo" (paz, certezas, estabilidade); no presente, perdeu essa plenitude e se encontra "mudo" e sem forças, incapaz de se expressar como antes.

05 – O que a expressão "Daria tudo por meu mundo e nada mais" significa no contexto da canção?

      Significa que o eu lírico valoriza a paz de seu universo interior e de sua privacidade acima de qualquer outra coisa externa. Diante das desilusões do mundo exterior, ele prefere se recolher e ter de volta apenas a sua própria essência e tranquilidade.

 

MÚSICA(ATIVIDADES): TRIBUTO - GUILHERME ARANTES - COM GABARITO

 Música (Atividades): Tributo

          Guilherme Arantes

Eu queria que você soubesse
Que pra mim não existe diferença de cor
Tudo que ainda trago no peito engasgado

Sobre preconceito e raça superior

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh43zqrVrOr56G7upkhc7YG2fzJdK3-O9O2QdGyW0LViiS8p-FjOsl4rX5zP8Eg8yAtC5L2SgQ6887meJ7u-Gehff0gArXC9v2LiXHVtICtzM5X4iszAWBjd_Z52NHajUlei6i0992NY_TUt-qIm_B9cyBAn0ERb8wcCywuhzX_DMhrn6cgxVsW_Mw85Tw/s320/images.jpg


Desde pequeno, eu escutava calado
As façanhas do mito ariano opressor
Homens na sala, meu tio
Depositando as armas na estante
Me enchendo de pavor

As inocentes piada infames
De negros, judeus, muçulmanos, orientais
Índios e latinos, como se não fossemos Também genes misturados
Como se não fossemos
Também discriminados

Mesmo sem saber
Mesmo sem querer, nem saber
Mesmo inconscientemente
Vivendo numa redoma de ilusão
Me feria ver um mundo
Apartado em guetos

Algo me dizia que eu não via futuro
Favelas, distritos, conflito
O bairro dos ricos
O ovo da serpente e a semente do mal

Culto ao fascismo, fascínio do nazismo Hitler, Stalin, Mussolini, Franco e Salazar
E todos os tiranos de qualquer lugar
Fizeram a história aprendida na escola

E quase que passou em branco
O Quilombo de Palmares, saga de Zumbi
Aprendemos mais a Guerra do Paraguai
Chacina, assassinato, nódoa que não sai

Enquanto isso, Repórter Esso
Martin Luther King e o rei Classius Clay
Eu vi as lutas todas, round por round
Nocaute por nocaute
Muhammad Ali

Por aqui, era enrustido, hipocrisia pura
A lenda do povo cordial
Ainda bem que tudo mudou
E tinha que mudar
Meu país, o último da fila da abolição
O primeiro da classe em miscigenação

Hoje eu consigo entender
Porque estrangeiros me fazem
Sempre, estranhas perguntas
Where are you from, are you na Afghan
Are you from Pakistan?
E sinto na pele o que querem dizer

Deve ser a minha herança indígena
No sangue, na cara, na pele vermelha
Dourada de sol, o sol do Brasil
Onde as mulheres são lindas
E tardam a envelhecer

Eu preciso fazer um tributo a você
A todos os amigos de todas as cores
Que me quiserem bem
Que me fizerem ser o que sou
E desprezar a discriminação

Ídolos da minha mocidade
Foram, são e serão, Ray Charles
Chuck Berry, Little Richards, Otis Reding Jimmy Hendrix, Bob Marley, Stevie Wonder
Marvin Gaye, Sly & the Family Stone
Kool and the Gang e por aqui, também
Jorge Ben, ou melhor, Benjor
Milton, Tim Maia, Baden e Gil.

Composição: Guilherme Arantes. ARANTES, Guilherme. Tributo (Cena de Cinema). in Lótus: Som Livre/Coaxo de Sapo: SP/BA, 2007.

Entendendo a música:

01 – Na primeira estrofe da música, o eu lírico relata memórias da infância relacionadas à convivência familiar: "Desde pequeno, eu escutava calado / As façanhas do mito ariano opressor / Homens na sala, meu tio / Depositando as armas na estante / Me enchendo de pavor / As inocentes piada infames...". Analise de que maneira a música aborda o processo de normalização e perpetuação do preconceito no ambiente doméstico e cotidiano.

      A música mostra que o preconceito e o racismo muitas vezes são aprendidos de forma sutil e naturalizada dentro do próprio lar, através de conversas casuais, comportamentos opressores ("mito ariano") e "piadas infames" disfarçadas de inocentes. O eu lírico ressalta o pavor e o incômodo gerados por essa violência velada e reproduzida culturalmente entre gerações.

02 – O eu lírico menciona criticamente o ensino de História que recebeu durante o período escolar: "Fizeram a história aprendida na escola / E quase que passou em branco / O Quilombo de Palmares, saga de Zumbi / Aprendemos mais a Guerra do Paraguai / Chacina, assassinato, nódoa que não sai". Com base no trecho, explique qual é a crítica feita à historiografia tradicional e à forma como a história da população negra e periférica costuma ser retratada no ensino formal.

      O eu lírico critica o eurocentrismo e o foco militar/militarista do ensino de História tradicional, que priorizava guerras e conflitos oficiais (como a Guerra do Paraguai), enquanto invisibilizava e silenciava a resistência negra e as lutas sociais do país (como o Quilombo dos Palmares e a liderança de Zumbi). A crítica aponta para a necessidade de valorizar a história e a identidade afro-brasileira nas escolas.

03 – Em determinado trecho, a canção utiliza a expressão "A lenda do povo cordial" para caracterizar a sociedade brasileira em relação às questões raciais. Explique o significado dessa expressão no contexto da música e como ela se contrapõe à ideia de que o Brasil viveu uma "democracia racial".

      A expressão se refere ao mito do "povo cordial" (ou da democracia racial), a falsa ideia de que o brasileiro é naturalmente pacífico e isento de preconceito racial. A música desmascara esse mito ao qualificá-lo como "hipocrisia pura" e "enrustido", demonstrando que o preconceito existia e atua de maneira velada e dissimulada na estrutura social do país.

04 – No trecho "Meu país, o último da fila da abolição / O primeiro da classe em miscigenação", o autor estabelece um contraste entre dois fatos históricos e sociais marcantes do Brasil. Interprete o significado desse contraste e explique como a miscigenação é abordada na música (inclusive na experiência pessoal do eu lírico no exterior).

      O contraste evidencia o atraso histórico do Brasil no combate à escravidão (sendo o último país das Américas a aboli-la em 1888) em contrapartida ao intenso processo de miscigenação étnica da população. Na música, essa miscigenação faz com que o eu lírico, ao viajar para o exterior, seja confundido com pessoas de diversas nacionalidades (como afegãos ou paquistaneses) devido à sua forte herança indígena e miscigenada refletida na pele e nos traços.

05 – A parte final da música é dedicada a um tributo expresso através do reconhecimento de diversos nomes da música negra nacional e internacional. De que modo essa lista de ídolos reforça a mensagem central da canção e atua como uma forma de reparação e exaltação cultural?

      A citação de grandes artistas negros nacionais (como Jorge Ben, Milton Nascimento, Tim Maia, Gilberto Gil) e internacionais (como Ray Charles, Jimi Hendrix, Bob Marley, Stevie Wonder) reforça que a formação cultural, moral e afetiva do eu lírico foi profundamente impactada pela contribuição intelectual e artística da cultura negra. É um ato de tributo, gratidão e combate à discriminação, reconhecendo a centralidade desses ídolos na história da música mundial.

 

MÚSICA (ATIVIDADES): TEMPOS MODERNOS - LULU SANTOS - COM GABARITO

Música (Atividades): Tempos Modernos

           Lulu Santos

Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isso por cima de um muro de hipocrisia
Que insiste em nos rodear
Eu vejo a vida mais clara e farta
Repleta de toda satisfação que se tem direito
Do firmamento ao chão

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9M3hrllTZOwSTa-uVJOotu5uUEaLEAxl6qxf69XEBYvC1-mfiuLGy7ZthlVb9nIjNGqK1dcyc3h2dNOR8z43GqZ6evTbHgZeeqAU4YjTPeZBJT45OJXQhiWY5BEInMVVShphdPNyEqfNHTESFgdnDcdKQFNea1C55psXI0Yu-6L8H9aDyot0pXQIrzYA/s1600/images.jpg


Eu quero crer no amor numa boa
Que isso valha pra qualquer pessoa
Que realizar a força que tem uma paixão
Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade pra dizer mais sim do que não

Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir

Eu quero crer no amor numa boa
Que isso valha pra qualquer pessoa
Que realizar a força que tem uma paixão
Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade pra dizer mais sim do que não

Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir

Não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir.

Composição: Lulu Santos.

Entendendo a música:

01 – Qual é o significado da metáfora do "muro de hipocrisia" no início da canção e como o eu lírico se posiciona em relação a ele?

      O "muro de hipocrisia" representa as falsidades, os preconceitos e as convenções sociais sufocantes da sociedade que tentam bloquear o avanço das relações humanas sinceras. O eu lírico se posiciona olhando por cima desse muro, o que demonstra uma atitude de elevação, esperança e otimismo, recusando-se a ser limitado pelas atitudes fúteis que o cercam.

02 – O que caracteriza o "novo começo de era" desejado e descrito por Lulu Santos na letra?

      Essa nova era é caracterizada pelo surgimento de pessoas verdadeiras e abertas à vida ("gente fina, elegante e sincera"). A "elegância" descrita não é estética, mas comportamental — manifestada no respeito e na "habilidade pra dizer mais sim do que não", o que indica abertura para novas experiências, afeto e coragem de viver sem travas morais ou medo da rejeição.

03 – Como a percepção sobre a efemeridade do tempo surge nos versos "Hoje o tempo voa, amor / Escorre pelas mãos / Mesmo sem se sentir" e qual conselho ela fundamenta?

      O tempo é retratado de forma fluida e irreversível (uma metáfora da água que escorre sem que percebamos). Essa constatação da efemeridade serve de justificativa para o conselho central do refrão: a urgência de viver plenamente o presente ("Não há tempo que volte [...] Vamos viver tudo que há pra viver / Vamos nos permitir"), já que o adiamento de desejos equivale à perda irreparável da própria vida.

04 – Análise a dimensão democrática do amor expressa nos versos "Eu quero crer no amor numa boa / Que isso valha pra qualquer pessoa".

      O eu lírico defende uma visão inclusiva, livre e universal do afeto. O amor e a entrega à paixão não devem estar restritos a padrões tradicionais, normas sociais ou julgamentos morais, devendo ser um direito pleno acessível a "qualquer pessoa", independentemente de gênero ou convenções impostas pela sociedade.

05 – A canção estabelece um contraste entre o presente e o futuro. Como esse contraste se constrói na estrutura da música?

      O presente é descrito como um tempo marcado pela hipocrisia e pela rapidez com que a vida escorre sem ser desfrutada. Em contrapartida, o futuro surge como um ideal de claridade, fartura e realização plena ("do firmamento ao chão"). A ponte entre a insatisfação do presente e a utopia do futuro é a permissão para viver e o ato de se entregar às paixões no agora.