Mostrando postagens com marcador CAUSO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CAUSO. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de março de 2026

CAUSO: O CONTADOR DE CAUSO - GLOBO.COM/CAIPIRA/ - COM GABARITO

 CAUSO:  O contador de causo

 Se depender de Seu Ico, saci existe, ara

  Era um matuto dos bons e vivia num rancho do Rio Pardo, perto de Cajuru. Seu Ico era o apelido dele. Acreditava em tudo que via e ouvia. E tinha opiniões muito firmes sobre coisas misteriosas. Adorava contar casos de assombração e outros bichos:

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLJK7nSfYUq_5vCdkZhmqFzqBZ605xftBfBAw4Zp92hdqCBEI4L3Il_R7p7vqYjb1rg3urLsoCaZHhOb9P79iUX5gS2XftIRfXcwlYkbL0uV_U0I6BiyZ_PUoaIBpF5m4fpjTzSiyB1sgjuekznZI97E0lG-KFezpiwFsUHLG3ug5lerCTLGRtYE6HYSg/s1600/SACI.jpg


  - Fui numa caçada de veado no primeiro dia da quaresma! Ai ! ai! Ai! Num pode caçá na quaresma, mas eu num sabia. Aí apareceu a assombração! Arma penada do outro mundo. E os cachorro disparo. Foro tudo pro corgo pra modi fugi da bicha... Veado que é bão nem nu pensamento, pruque eis tamem pressintiru a penúria passanu ali tertu!

  - Mas era assombração mês Esse mundo é surtido!

  - Pois no mundo sortido do seu Ico também tinha saci!

  - Quando é o que o senhor viu saci, seu Ico?

  - Ara! Vi a famia toda, num foi um saci só... Tinha o saci, a sacia gravi, e os sacizim em riba da mãe, tudo,pulano numa perna

  - E o que eles fizeram ou disseram pro senhor?

  - Nada... O Saci cachaço inda ofereceu brasa pro meu paero. Gardicido! Eu disse... e entrei pra dentro modi num vê mais as tranquera...

  - E mula-sem-cabeça? Ah, seu Ico garante que existe:

  - Essa eu nu nca vi, mas ouvi o rinchando dela umas par de veis... E otro que eu tamem vi foi o tar de lobisome! Ê bicho fei! Mais num feis nada...desvirô num cachorro preto e sumiu presse mundão de meu Deus. Agora, em um dia de prescaria, aparece muito é caboclo d'água. Um caboquim pretim e jeitado que mora dentro do rio...Ah, e tem que vê tamém o caapora. Bichu fei! E o curupira! Vichi Maria, é fei dimais, tem pé virado pa trais...

  - E com tudo isso o senhor ainda se arrisca a ir pro meio do mato, seu Ico?

  - Pois vô sem medo! Qué sabe? – Dá uma gargalhada rouca e faz um ar maroto. – Qual! Tenho muito, mais muito mais medo é de gente vivo!

                                                                                                                                                                                                                                                   Globo.com/caipira/

Entendendo o texto

 01. A linguagem utilizada por Seu Ico no texto ("pruque", "num pode caçá", "pa trais") é um exemplo de:

a. Linguagem culta, utilizada em documentos oficiais e livros técnicos.

b. Linguagem coloquial regional, que reproduz a fala característica do interior ou do "matuto".

c. Gíria moderna utilizada por jovens em grandes cidades.

d. Linguagem estrangeira traduzida incorretamente para o português.

02. Segundo o relato de Seu Ico, por que a "assombração" apareceu durante a sua caçada de veado?

a. Porque ele estava caçando em uma propriedade que não era dele.

b. Porque os cachorros dele começaram a latir muito alto e acordaram os bichos.

c. Porque ele esqueceu de oferecer brasa para o pito do saci.

d. Porque ele saiu para caçar no primeiro dia da Quaresma, período em que, segundo a crença popular, não se deve caçar.

03. Sobre o encontro com o Saci, Seu Ico afirma algo incomum para as lendas tradicionais. O que ele viu de diferente?

a. Ele viu o saci voando em cima de um pássaro gigante.

b. Ele viu uma família inteira de sacis, incluindo uma "sacia" grávida e filhotes.

c. Ele viu um saci que tinha duas pernas em vez de uma.

d. Ele viu o saci se transformando em um lobisomem preto.

04. O personagem descreve vários seres do folclore brasileiro. Qual das características abaixo ele atribui ao Curupira?

a. Um bichinho preto e jeitado que mora dentro do rio.

b. Uma mula que solta fogo pelo pescoço e rincha alto.

c. Um bicho muito feio que possui os pés virados para trás.

d. Um cachorro preto que some no mundão de Deus.

05. Ao final do texto, Seu Ico revela qual é o seu verdadeiro medo. Qual é esse medo?

a. Ele tem pavor de encontrar o Curupira sozinho na mata fechada. b. Ele tem medo de que os sacis voltem para pedir mais brasa.

c. Ele confessa que tem muito mais medo de "gente viva" do que das assombrações.

d. Ele tem medo de pescar e encontrar o caboclo d'água no rio.

 

 

 

sábado, 21 de março de 2026

CORDEL: CAUSOS E PERSONAGENS DO INTERIOR - ABDIAS CAMPOS - COM GABARITO

 CAUSOS E PERSONAGENS DO INTERIOR (Poema de Cordel)

                      Autor: Abdias Campos


Foi numa briga em família
Por causa de uma partilha
De terra á beira de um rio
Que Afrísio, o maioral
Foi parar no tribunal
E em volta do corrupio

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnqgeAaYfiUdaPUPu7o58vwZuhhMbv6UBstEtY48vDsbr-2r0faADrkyCXfV_0Wa2GGeXmHLRtX8VUlqUkGrd_3ZXWuaRXwzO6qhf0HdS7mSm7VZd89bJ3b5OInsGklwGPBdwtq4LJqtzerwQ9zp-jr6doEvYsbgvTXGEOHxNMdZeTbwjFkmGDySylKBE/s1600/JUIZ.jpg



O juiz se atrapalhou
E disse: você botou
No rio seu próprio teto?
E ele lhe respostou
Eu vou dizer ao senhor:
Pergunta de analfabeto

“Eu lhe meto na cadeia
Sujeito cabra da peia
Você está sob escolta”
E de cabeça erguida
Com uma voz espremida
Disse pro juiz: Mas solta

Tem um outro no Sertão
Que mesmo com precisão
Não dá o braço a torcer
Gosta é de contar vantagem
Modificando a imagem
Do que aparenta ter

Outro dia em sua casa
Com o fogo ainda em brasa
Após ter feito o almoço
Chegaram de supetão
Três amigos no oitão
E foi aquele alvoroço

Mandou os cabra apear
E pela cozinha entrar
Se sentar e se servir
Foi comida a vontade
Mesmo assim pela metade
Ele começou pedir:
Maria traz mais feijão!
De lá de dentro: “tem não!
Uma carninha? Acabou!
Um arrozinho? Não tem
Suspirou e disse: amém
Eu comi feito um doutor!

São histórias de valor
Desse almanaque folclórico
Dia a dia de um povo

Que deixa o legado histórico

A natureza matuta.

 

De um jeito categórico.

Chico de Dedez, eufórico

Recém-casado, pegou

Uma toalha limpinha

Tomou banho, se enxugou

Ao invés de estendê-la

Num canto qualquer jogou.

 

A esposa perguntou

Com aquele jeitinho manso

Por que num botou no sol?

Ele disse: Não alcanço!

Perguntas e respostas ditas

Sem existência de ranço.

 

Entendendo o texto

01. No início do poema, por qual motivo o personagem Afrísio foi parar no tribunal?

a. Por causa de uma briga em família devido à divisão (partilha) de terras.

b. Porque ele foi acusado de roubar um "berço pequenino".

c. Por ter desobedecido às ordens do juiz durante uma pescaria no rio.

d. Por não querer pagar os impostos do seu teto à beira do rio.

02. Na interação entre Afrísio e o Juiz, o personagem demonstra qual traço de personalidade?

a. Submissão, pois ele pede desculpas ao juiz imediatamente.

b. Ironia e altivez, pois ele responde com audácia ao juiz, chegando a chamá-lo de "analfabeto".

c. Medo, pois ele começa a chorar ao ouvir que será preso.

d. Silêncio, pois ele se recusa a responder qualquer pergunta no tribunal.

03. O segundo causo narra a história de um sertanejo que "gosta é de contar vantagem". O que aconteceu quando três amigos chegaram de surpresa para o almoço?

a. Ele expulsou os amigos por não ter comida suficiente na cozinha. b. Ele fingiu que ainda havia muita comida (pedindo feijão e carne), mesmo sabendo que os alimentos já tinham acabado.

c. Ele dividiu o pouco que tinha e confessou que estava passando necessidade.

d. Ele saiu para caçar um veado na quaresma para servir aos convidados.

04. No trecho "Maria traz mais feijão! / De lá de dentro: 'tem não!'", o que a resposta da esposa revela sobre a situação real da casa?

a. Que Maria estava com preguiça de servir os convidados no oitão. b. Que, apesar das aparências e da "vantagem" contada pelo marido, a comida era escassa e já havia terminado.

c.  Que Maria não gostava dos amigos que chegaram de supetão. d. Que o fogão de brasa havia apagado antes de cozinhar o feijão.

05. No terceiro causo, o personagem Chico de Dedez dá uma resposta inusitada à esposa sobre a toalha de banho. O que ele quis dizer com "Não alcanço!"?

a. Que ele era muito baixo e não conseguia atingir o varal de roupas.

b. Foi uma resposta literal (e possivelmente irônica ou preguiçosa) para justificar por que não colocou a toalha no sol.

c. Que o sol estava muito longe no céu e, por isso, ele não conseguia chegar até ele.

d. Que ele não tinha braços compridos o suficiente para estender a toalha.

06. O autor afirma que essas histórias fazem parte de um "almanaque folclórico". Qual é o principal objetivo desse tipo de literatura de cordel?

a. Ensinar leis jurídicas complexas para o povo do sertão.

b. Preservar e celebrar o legado histórico, a natureza matuta e o jeito de ser do povo do interior.

c. Convencer as pessoas a não se casarem, como aconteceu com Chico de Dedez.

d. Criticar o uso de toalhas limpas em regiões onde o sol é muito forte.

07. Uma característica marcante da linguagem deste poema, típica do Cordel, é:

a. O uso de termos científicos e palavras em outras línguas.

b. A presença de rimas e expressões da fala popular regional (como "apear", "oitão", "cabra da peia").

c. A ausência total de diálogos entre os personagens.

d. Uma estrutura em prosa, sem divisão de estrofes ou versos.

 

 

quarta-feira, 4 de junho de 2025

CAUSO: ASSOMBRAÇÃO - ROLANDO BOLDRIN - COM GABARITO

 Causo: Assombração

            Rolando Boldrin

        Aquele moço estava esperando a condução no ponto da frente do cemitério da Consolação, na capital.

        Era uma sexta-feira e faltavam cinco minutos para a meia-noite.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiODbmFHoty6teSrG61Q667NbfguN_XuLyH2p6tyv_d6EBiY1dFgFJqKyoGO3HrHl5cdkEyTk08bXEm25HO_MAzbqOwsowiVreqG2oqN7sPa9nazgjhHT1UKwfpQSW8iyJ9l1cNOYD3fzu8CCGc0hXZtxPyI1m9jhqtF7M5QXPnZptTespFHrnLMeNIjcQ/s320/gettyimages-1217556748-612x612.jpg


        De repente, encosta um outro moço.

        O ônibus não chegava, deu meia-noite, e este moço olha pro relógio, pros lados, coisa e tal... E o primeiro moço então resolve puxar conversa:

        -- O amigo por acaso tem medo de alma de outro mundo, assombração, essas coisas?

        O moço, com desdém:

        -- Eu não, rapaz. Ocê acha que vou ter medo dessas bobagens de gente morta?

        E o outro responde:

        -- Gozado, eu também quando era vivo num tinha medo, não!

Rolando Boldrin. História de contar o Brasil. São Paulo: Nova Alexandria, 2012.

Fonte: Língua Portuguesa: Singular & Plural. Laura de Figueiredo; Marisa Balthasar e Shirley Goulart – 6º ano – Moderna. 2ª edição, São Paulo, 2015. p. 48.

Entendendo o causo:

01 – Onde e em que circunstâncias os dois moços se encontram?

      Os dois moços se encontram em um ponto de ônibus em frente ao cemitério da Consolação, na capital. Era uma sexta-feira, e o encontro ocorreu cinco minutos antes da meia-noite, enquanto aguardavam a condução.

02 – Qual é a pergunta que o primeiro moço faz ao segundo para puxar conversa?

      O primeiro moço pergunta ao segundo: "O amigo por acaso tem medo de alma de outro mundo, assombração, essas coisas?".

03 – Como o segundo moço reage à pergunta sobre ter medo de assombração?

      O segundo moço responde com desdém, afirmando: "Eu não, rapaz. Ocê acha que vou ter medo dessas bobagens de gente morta?". Ele demonstra total descrença e falta de medo em relação a fantasmas ou assombrações.

04 – Qual é a frase final do causo e o que ela revela sobre a identidade do primeiro moço?

      A frase final do causo é: "Gozado, eu também quando era vivo num tinha medo, não!". Essa frase revela a verdadeira identidade do primeiro moço: ele é, na verdade, uma assombração ou um espírito de alguém que já morreu, surpreendendo o outro moço e o leitor com a revelação.

05 – Qual é o elemento principal que torna este causo um "causo" e não apenas uma história comum?

      O elemento principal que o torna um "causo" é o seu final inesperado e cômico, conhecido como "punchline". A reviravolta na identidade do primeiro moço, revelada na última fala, transforma uma conversa trivial em uma anedota com um toque de humor e suspense, característica marcante desse gênero narrativo oral.

 

terça-feira, 21 de setembro de 2021

CAUSO: NUM RANCHO ÀS MARGENS DO RIO PARDO - EQUIPE XICO DA KAFUA

 Causo: Num rancho às margens do Rio Pardo

             Equipe Xico da Kafua

        Era um matuto dos bons e vivia num rancho às margens do Rio Pardo, perto de Cajuru. Seu Ico era o apelido dele. Acreditava em tudo que via e ouvia. E tinha opiniões muito firmes sobre coisas misteriosas. Adorava contar casos de assombração e outros bichos: 

        — Fui numa caçada de veado no primeiro dia da quaresma! Ai, ai, ai! Num pode caçá na quaresma, mas eu num sabia. Aí apareceu a assombração! Arma penada do otro mundo. E os cachorro disparô. Foro tudo pro corgo pra modi fugi da bicha... Veado que é bão nem nu pensamento, pruque eis tamém pressintiru a penuria passanu ali pertu! 

        — Mas era assombração mesmo, seu Ico? 

        — Pois u que havera di sê? Esse mundo é surtido! 

        Pois no mundo sortido do seu Ico também tinha saci! 

        — Quando é que o senhor viu saci, seu Ico? 

        — Ara! Vi a famia toda, num foi um saci só... Tinha o saci, a sacia gravi (ele queria dizer grávida), e os sacizim em riba da mãe, tudo pulano numa perna... 

        — E o que eles fizeram ou disseram pro senhor?

        — Nada... O saci cachaço inda ofereceu brasa pro meu paiero (tradução: o saci-pai acendeu o cigarro de palha dele). Gardicido!, eu disse... e entrei pa dentro modi num vê mais as tranquera... 

        E mula sem cabeça? Ah, seu Ico garante que existe: 

        — Essa eu nunca vi, mas ouvi o rinchado dela umas par de veis... E otro que eu tamém vi foi o tar de lobisome! Ê bicho fei! Mai num feis nada... desvirô num cachorro preto e sumiu presse mundão de meu Deus. Agora, em dia de pescaria, aparece muito é caboco-d'água. Um caboquim pretim e jeitado que mora dentro do rio... Ah, e tem que vê tamém o caapora. Grandão qui nem ele só, com um corpo peludo. Bichu fei! E o curupira! Vichi Maria, é fei dimais, tem pé virado pa trais... 

        — E com tudo isso o senhor ainda se arrisca a ir pro meio do mato, seu Ico? 

        — Pois vô sem medo! Qué sabê? – Dá uma gargalhada rouca e faz um ar maroto. – Qual! Tenho muito, mais muito mais medo é de gente vivo! 

EQUIPE Xico da Kafua, 24 nov. 2007. Disponível em: https://www.xicodakafua.com.br/causos_detalje.php?cod=9. Acesso em: 8 jan. 2015.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 6º ano – Ensino Fundamental – IBEP 4ª Edição São Paulo 2015 p. 159-161.

Entendendo o causo:

01 – Complete a alternativa a seguir com as informações corretas sobre o texto. 

        Nesse texto. Um narrador fala sobre seu Ico, um homem do interior que diz ter visto diferentes tipos de assombrações. Para descrever o matuto, o narrador apresenta sua conversa com ele. 

      Ico, interior e assombrações.

02 – Releia as perguntas ou comentários que o narrador dirige a seu Ico. 

        — Mas era assombração mesmo, seu Ico? [...] 

        — Quando é que o senhor viu saci, seu Ico? [...] 

        — E o que eles fizeram ou disseram pro senhor? 

·        Qual é a intenção do narrador ao fazer essas perguntas?

Ele faz perguntas a seu Ico para direcionar a conversa, estimular o contador a falar sobre diferentes assuntos ou aprofundar a descrição do que ele já está contando. 

03 – O narrador, além de mostrar ao leitor os causos de seu Ico, retrata-o como uma personagem bem interiorana. Destaque palavras, expressões ou frases que identifiquem seu Ico como tal. 

      “Um matuto dos bons”; “Vivia num rancho”; “acreditava em tudo que via e ouvia”; “tinha opiniões muito firmes sobre coisas misteriosas”; “adorava contar casos de assombração e outros bichos”.

04 – É possível dizer que há dois narradores no texto que você leu: um que conta a história de seu Ico e outro que é o próprio Ico – personagem que também narra suas histórias ao longo do texto. 

·        Considerando essas informações, responda: Qual dos dois narradores pode ser considerado um "contador de causos"?

Seu Ico, pois é ele quem narra histórias que envolvem assombrações e personagens lendários.

05 – Quais são os seres sobrenaturais citados por seu Ico? 

      Assombração (alma penada), família de sacis, mula sem cabeça, lobisomem, caboclo-d'água, caipora e curupira.

06 – Releia o trecho a seguir e responda às próximas questões. 

        “— Fui numa caçada de veado no primeiro dia da quaresma! Ai, ai, ai! Num pode caçá na quaresma, mas eu num sabia. Aí apareceu a assombração!”

a)   Seu Ico faz referência a uma crendice popular relacionada a um fato religioso. Qual é ela?

Atividades que não podem ser realizadas durante a quaresma (quarenta dias que antecedem a Páscoa cristã), como caçar. 

b)   As crendices populares estão presentes no cotidiano. Cite algumas que você conhece. 

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: acreditar que atitudes como passar embaixo de escada, ver gato preto em noite de sexta-feira, quebrar espelho trazem azar.

07 – Você já viu um contador de causo pessoalmente ou pela TV? Conte para seus colegas. 

      Resposta pessoal do aluno. Professor, incentive a socialização das vivências.

08 – Copie das frases a seguir as palavras cujo significado você desconheça. Primeiro, tente descobrir o sentido dos termos, observando a relação que estabelecem com outras palavras. Depois, pesquise as palavras no dicionário e anote o significado que seja mais adequado ao contexto.

a)   "Era um matuto dos bons [...]".

Era um caipira dos mais típicos, dos mais autênticos, original.

b)   "Dá uma gargalhada rouca e faz um ar maroto."

Dá uma gargalhada rouca e faz um ar de esperto, brejeiro. 

 

quinta-feira, 29 de abril de 2021

CAUSO: DOIS CABOCLOS NA ENFERMARIA - ROLANDO BOLDRIN - COM GABARITO

 Causo: Dois caboclos na enfermaria

                  Rolando Boldrin

       Lá na minha terra tinha um caboclo que vivia reclamando de uma dor na perna. E, coincidentemente, um compadre dele tinha também a mesma dor na perna, e também estava sempre reclamando da danada.

        Só que nenhum deles tinha coragem de ir ao médico. Ficavam mancando, reclamando da dor, mas não iam ao hospital de jeito nenhum. Até que um deles teve uma ideia:

        Caboclo 1 – Ê, cumpadi, nóis véve sofrendo muito com a danada dessa dor na perna... Por que é que nóis num vamu junto no dotô? Vamos lá. A gente faz a consulta, e tal, se interna no mesmo quarto... Daí fazemo o tratamento e vemo o que acontece. Se curar, tá bom demais!

        O compadre gostou da ideia, tomou coragem e lá se foram os dois.

        Quando chegaram ao hospital, o médico pediu para o primeiro deitar na cama e começou a examinar. Fez algumas perguntas e foi apertando a perna do caboclo:

        Doutor – Dói aqui?

        Caboclo 1 – Aiiii...

        Doutor – E aqui, como é que está?

        Caboclo 1 – Aii, aii, aii! ... Dói demais!

        E o outro só olhando. Quando chegou a vez dele, o médico foi cutucando, apertando, mas nada de ele gemer. Ficou quieto o tempo todo. Aí o médico foi embora e o compadre estranhou:

        Caboclo 1 - Mas, cumpadi... a minha porta doeu demais da conta com os aperto do hômi... Como é que a sua não doeu nadica de nada?

        Caboclo 2 – E ocê acha que eu vou dá a perna que dói pro hômi apertá?!?!?!


              Rolando Boldrin. Dois caboclos na enfermaria. In: ANDREATO, Elifas. Brasil – Almanaque de cultura popular. 2017.

                                  Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 6º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição- 2018. p. 197-9.

Entendendo o causo:

01 – O causo é iniciado com a expressão: “Lá na minha terra”. Responda:

a)   Por que narrador inicia o causo dessa forma?

Porque ele está se apresentando como contador de causo e utiliza essa expressão para dar uma ideia de veracidade ao fato, por ter acontecido em sua terra.

b)   O foco narrativo está em primeira ou em terceira pessoa? Explique.

Embora o narrador use o pronome em primeira pessoa minha, o foco narrativo está em terceira pessoa, porque ele não participa dos fatos que conta.

02 – Releia os dois primeiros parágrafos do causo e responda:

a)   Como o narrador apresenta os personagens?

Um caboclo que sentia dor na perna e, coincidentemente, um compadre dele, outro caboclo, com a mesma dor, mas que não procuravam um médico.

b)   Vivendo uma situação em comum, o que os dois personagens decidem?

Ir até o hospital juntos procurar um médico.

c)   Pesquise no dicionário o significado da palavra caboclo.

Indivíduo mestiço, filho de branco com indígena; indivíduo simples do sertão, com pele bronzeada de sol e cabelos lisos; pessoa da área rural; caipira.

d)   Qual(is) desses significados pode(m) relacionar-se ao causo?

Indivíduo simples do sertão; pessoa da área rural; caipira.

03 – Releia o trecho a seguir:

        “Ficavam mancando, reclamando da dor, mas não iam ao hospital de jeito nenhum.”

a)   Que características dos personagens o narrador está enfatizando nesse trecho? Explique.

São enfatizadas a teimosia e a desconfiança dos personagens.

b)   Em sua opinião, o que a atitude dos personagens pode revelar sobre o comportamento de muitas pessoas em relação a procurar um médico?

Resposta pessoal do aluno.

04 – Para prender a atenção e criar expectativa no leitor/ouvinte, o contador relata os mínimos detalhes da ida dos dois personagens ao médico. Responda:

a)   Quais detalhes são descritos da consulta do caboclo 1?

O médico pediu que se deitasse na cama, fez perguntas e apertou a perna dele, que sentiu muita dor, enquanto seu compadre olhava.

b)   Quais detalhes são descritos da consulta do caboclo 2?

O médico foi cutucando, apertando, mas nada de ele gemer.

05 – Releia o diálogo entre o médico e o caboclo 1.

        “Quando chegaram ao hospital, o médico pediu para o primeiro deitar na cama e começou a examinar. Fez algumas perguntas e foi apertando a perna do caboclo:

        Doutor – Dói aqui?

        Caboclo 1 – Aiiii!

        Doutor – E aqui, como é que está?

        Caboclo 1 – Aii, aii, aii! ... Dói demais!”

a)   Embora o texto lido seja um causo, com que outro gênero textual ele se assemelha? Explique as semelhanças.

As semelhanças se apresentam pelo nome dos personagens antecedendo suas falas e pela forma como as frases estão colocadas, como se o personagem estivesse dramatizando.

b)   Que recursos linguísticos são usados para expressar a sensação do personagem que está sob cuidados médicos?

Uso da interjeição “Aiiii” e da pontuação expressiva com os pontos de exclamação.

c)   Que efeito de sentido o autor promove ao usar esses recursos na fala do personagem?

Para tornar a história interessante, o contador usa diferentes recursos expressivos de linguagem, como o recurso do uso de interjeição e do ponto de exclamação.

d)   É possível observar, no trecho destacado acima, que, além do discurso direto, o autor utiliza o discurso indireto. Transcreva os trechos em que isso ocorre.

“[...] o médico pediu para o primeiro deitar na cama [...]”; “[o médico] Fez algumas perguntas.”

06 – Leia o quadro a seguir sobre o gênero textual causo.

        Os causos são histórias de tradição oral, contadas, geralmente, em uma linguagem espontânea, que registra o jeito de falar típico de determinada região ou localidade. Envolvem fatos pitorescos (inusitados, curiosos, surpreendentes), reais, fictícios ou ambos; e podem ou não envolver o narrador.

        Os contadores de causos apresentam vários recursos que costumam prender a atenção de seus ouvintes, como entonação, gestos, suspense, efeitos de surpresa, humor, etc. Características como sotaque e vocabulário da região são naturais a muitos deles.

Responda:

a)   Que fato pitoresco é contado no causo?

Dois “caboclos” que sentiam uma dor danada na perna resolveram ir juntos ao médico. Um deles foi examinado e sentiu uma dor horrível quando o médico apertou a perna dele. O outro não demonstrou nenhuma reação no momento do exame. Ao ser questionado pelo companheiro se a perna não tinha doido quando foi examinada, ele disse que não mostrou a perna que doía, para o médico não apertar.

b)   Segundo o contador, essa história é real ou fictícia? E você, o que acha?

De acordo com o contador, a história é lá da terra dele, então, para ele, é real. Resposta pessoal do aluno.

c)   Que fato provoca efeito de humor no leitor ou ouvinte do causo?

É o fato de o caboclo ter mostrado a perna boa para o médico não apertar a perna que doía.

07 – Nos diálogos, os caboclos e o médico representam de forma diferente os modos de falar dos personagens. Responda:

a)   Qual variedade linguística é usada para representar o modo de falar dos caboclos?

A variedade regional do português brasileiro.

b)   Na fala dos caboclos, que efeito de sentido o uso dessa variedade linguística pode provocar?

O modo de falar possibilita caracterizar melhor os personagens e inferir seus valores humanos e sociais.

c)   Qual é a variedade linguística usada para representar o modo de falar do médico?

O modo de falar do médico emprega a variedade urbana de prestígio, de acordo com a norma-padrão da língua.

d)   Na fala do médico, que efeito de sentido o uso dessa variedade linguística pode provocar?

Resposta pessoal do aluno.

 

 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

CAUSO: AS SETE VELHAS DA ESTRADA - MAURÍCIO PEREIRA - COM GABARITO

 Causo: As sete velhas da estrada

                                                             Maurício Pereira

        Faz uns quarente anos que isto aconteceu, numa tarde quente do mês de janeiro.

        O Tavinho e o seu cunhado Zezinho Pereira voltavam de jipe da vila, que era como eles chamavam a cidade de Redenção da Serra. Já estavam quase chegando ao Sítio do Fundão quando, ao contornar um morro, encontraram o Berto, irmão de Tavinho, vindo de charrete. Ele ia para a vila buscar o filho Paulo, que estudava medicina no Rio de Janeiro e agora vinha passar as férias no sítio do pai.

        O Tavinho então pediu ao irmão que voltasse para casa com o Zezinho, para ele ir na charrete apanhar o sobrinho. O Berto concordou.

        Perto da encruzilhada, onde sai a estrada para a cidade velha, o Tavinho avistou sete velhas à beira do caminho. Estavam três de um lado e quatro do outro. Vestidas de branco, pareciam rezar, dispostas na forma de um triangulo. Aquilo assustou o cavalo, que refugou, mas o cavaleiro insistiu. Passaram pelas estranhas figuras e foram embora.

        Era uma visão esquisita, sinistra para aquele horário. Já estava começando a escurecer e não moravam tantas velhas na região. Ao encontrar com o sobrinho na vila, o Tavinho chegou a comentar o fato ocorrido na ida. Colocaram as malas na traseira da charrete e tomaram o caminho de volta.

        Mas o estranho foi que, ao passar novamente no local, não encontraram mais ninguém. As velhas sumiram com o cair da noite.

        Depois disso, outras pessoas contaram ter visto mulheres de branco na beira daquela estrada, ao pôr do sol.

Maurício Pereira.

Entendendo o causo:

01 – Quem são as personagens que aparecem no trecho?

      As personagens principais da história são Tavinho, seu cunhado Zezinho Pereira e o Berto (irmão do Tavinho).

02 – Qual o espaço em que a história acontece? É possível descrevê-lo?

      A história acontece na estrada no caminho da vila para o Sítio do Fundão.

03 – Quem é o narrador da história?

      O narrador é alguém que está contando a história – um narrador-observador que, provavelmente, ouviu ou lembra dos acontecimentos.

04 – É possível saber quando ocorreu a história?

      Sim, ocorreu em uma tarde quente do mês de janeiro, quarenta anos atrás.

05 – O que você imagina que pode acontecer depois que Tavinho pediu ao irmão que voltasse para casa?

      Resposta pessoal do aluno.

  

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

CAUSO: BARBEIRO - PUBLICADO POR ROBERTO COHEN - COM QUESTÕES GABARITADAS


Causo: Barbeiro

        Diz que, um belo dia, um índio bem alegre chegou numa barbearia juntamente com um menino, os dois para cortar o cabelo. 
        O barbeiro, gente mui buena, fez um belo corte no índio, que já aproveitô pra aparar a barba, enfim, deu um trato geral. Depois de pronto o índio, chegou a vez do guri. Nisso o índio disse pro barbeiro:
        -- Tchê, enquanto tu corta as melena do guri, vou dar um pulo até o bolicho da esquina comprar um cigarrito e já tô de volta
        -- Tá bueno! -- disse o barbeiro. 
        Só que o barbeiro terminou de cortar o cabelo do guri e o índio não apareceu. 
        -- Senta aí e espera que teu pai já vem te buscar. 
        -- Ele não é meu pai! - disse o moleque. 
        -- Teu irmão, teu tio, seja lá o que for, senta aí. 
        -- Ele não é nada meu! -- falou o guri. 
        Aí o barbeiro perguntou intrigado:
        -- Mas quem é o animal então?
        -- Não sei! Ele me pegou ali na esquina e perguntou se eu queria cortar o cabelo de graça! 
Autor desconhecido. Publicado por Roberto Cohen em 
20 de Novembro de 1999.
Entendendo o causo:
01 – Quem são os personagens do causo?
      O índio; o menino e o barbeiro.

02 – As hipóteses que você havia levantado sobre o texto se confirmaram?
      Resposta pessoal do aluno.   

03 – Como o narrador caracteriza os personagens?
·        O barbeiro como gente muito boa.
·        O índio como uma pessoa bem alegre.
·        O menino com o cabelo grande.

04 – Após o barbeiro cortar o cabelo do índio, o que o índio disse ao mesmo?
      “-- Tchê, enquanto tu corta as melena do guri, vou dar um pulo até o bolicho da esquina comprar um cigarrito e já tô de volta.” 

05 – O texto informa quando e onde aconteceu esse episódio?
      Não. De acordo com o texto, só diz que era um belo dia.

06 – A princípio, qual se imagina que seja a relação entre o homem e o menino? Por quê?
      A relação de pai e filho. Porque era um homem e um garoto, e chegaram juntos ao salão.

07 – Até que ponto do texto essa impressão se mantém? Copiar o verso que comprava isso.
      “Ele não é meu pai.”    
 
08 – Quem disse a frase: “Mas quem é o animal então”? E a quem estava se referindo?
      Foi o barbeiro. E se referia ao índio.

09 – Você achou o final engraçado? Surpreendente? Por quê? 
      Resposta pessoal do aluno.   

10 – Por que o barbeiro ficou intrigado e ao mesmo tempo irritado?
      Porque ele se sentiu enganado, e não esperava por isso.

11 – Copie do texto expressões coloquiais, informais: 
      “... aproveitô pra aparar... /
       ... deu um trato... /
       ... bolicho... /     
       ... corta as melenas...”

12 – O que significa a expressão destacada no texto? Você costuma utilizá-la? 
      Significa que não vou demorar para voltar. Sim, sempre.

13 – Podemos afirmar que esse texto pertence ao gênero textual CAUSO ou CONTO? Justifique sua resposta: 
      É gênero causo, pois é uma história contada de forma engraçada, com objetivo lúdico.