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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

CRÔNICA: MULHER DE SEGURAR NAVIO - FERNANDO SABINO - COM GABARITO

CRÔNICA: MULHER DE SEGURAR NAVIO

                     Fernando Sabino

                Prometi apanhá-lo com meu carro às duas e meia em ponto. Às três e quinze sai da estação de Saint Pancras o ônibus que o levará às docas de Londres. Ele embarca para Portugal hoje, com tod a família.

            Encontro-o já à porta do edifício onde mora, em Kensington, cercado de malas por todos os lados. Começo a rir, digo-lhe que desista: no meu carro não caberá tanta mala. Ele me olhou com um sorriso desalentado de quem acha que brincadeira tem hora. Com jeito  vai - assegura-me.

             Para começar, não sabe o que fazer com o embrulho quadrado e chato que tem na mão - um quadro que está levando de presente para o pai. Acaba deixando-o à porta do edifício, e, com minha ajuda, põe-se a transportar a bagagem para dentro do carro.

            Em pouco já não há quase espaço vazio: mala traseira, bancos, tudo abarrotado. E neste instante surge à porta sua jovem mulher, cmo sempre tranquila, repousada e repousante, com aquela suavidade das antigas mães de família, para quem tudo há de dar certo. Não se preocupem, que vamos todos aí dentro - assegura-nos, quando o marido já sugeria um táxi suplementar, difícil de se conseguir assim à última hora.

             Chegam agora a governanta e as duas crianças, que se multiplicam por três, correndo e brincando. Ele não perde tempo e vai tratando de enfiá-las no carro. Depois chega a vez dos adultos. Tira-se uma mala, entra um, ajeita-se, entra outro, todos se acomodam, agora é o carrinho da criança, a porta não se fecha. Sobrou uma mala, não têm importância, vai no colo - e ele desaparece a meu lado sob um imenso saco de viagem. Há nessa partida um vago ar de fita cômica que atrai a atenção do leiteiro junto ao caminhão, sorrindo do outro lado da rua. Mal consigo me mexer na direção, ao movimentar o carro. Mas estaremos na estação às três e quinze. Deus seja louvdo. A menos que ...

               - Vamos voltar  - exclama ele, já a meio caminho.

               Era o que eu temia.

               -  O quadro. Esquecemos o quadro, lá na porta da rua.

               A mulher comparece com a solução.

                - Não há tempo. Toma um táxi que  a gente vai indo e te espera lá. Eu seguro o ônibus.

           Esta extraordinária observação, feita com tamanha naturalidade, me deixa assombrado. Ele , sem uma palavra, sai do carro e se manda pela rua atrás de um táxi. Enquanto prosseguimos, ponho em dúvida a capacidade de quem quer que seja de interferir no horário de um ônibus na Inglaterra: segura o ônibus como?

                    - Já segurei um navio, então não posso segurar um ônibus?

              Conta-me então que seu tio deveria embarcar num transatlântico italiano, foi despedir-se dele no cais. E até o último momento, nada do tio. Telefona para ele do próprio navio, ficou sabendo que não lhe haviam avisado uma antecipação da hora de partida. Mas  isso é um desaforo - decidiu ela:  pois pode vir que o navio espera. Quis falar com o comandante, não foi atendida. Os alto-falantes de bordo pediam a retirada imediata dos visitantes, era o último sinal. Os oficiais mandaram retirar a  escada. Antes que a escada fosse completamente recolhida, ela se precipitou, desceu alguns degraus e se viu suapensa no espaço, como num imenso trampolim. Lá embaixo a multidão, já acenando despedidas,  completava, nariz para o ar, aquele espetáculo de circo: a mulher era passageira?  Queria subir ou descer? Ela não queria nada, e era o que repetia teimosamente para oficiais e marinheiros que a intimavam aos berros a sair dali: daqui  não saio, daqui ninguém me tira - esperam chegar meu tio. Tiveram de esperar: tirá-la à força era perigoso, acabria todo mundo n'água. Esperaram meia hora até que chegasse o tio, com a mulher, filhos, carrinho de criança, gaiola de papagaio - mais ou menos como hoje. E, envergonhadíssiomo, por pouco desiste de embarcar quando finalmente lhe baixaram a escada, sob aplauso da multidão.

                     Olho-a furtivamente  pelo espelhinho do carro. Vejo uma confusão de malas, embrulhos, crianças cercando o rosto familiar desta brasileira tranquila. Nunca pensei que ela fosse mulher de segurar navio. Quanto mais se vive mais se aprende.

                       Tudo ajeitado no ônibus, fico à espreita, olho pregado na esquina. Ela não parece preocupada. Começo a temer pel sorte deste motorista alto, ossudo, de cabelos grisalhos e  extremamente  inglês que já consulta o relógio e vai se ajeitar ao volante, para dar partida. Mal desconfia ele que está correndo o risco de entrar para a História, como protagonista de um extraordinário acontecimento nos anais do império Britânico. São exatamente três e quinze.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQnVcjK3BNB05xaNDEBg0xzE_463vjERHrvvw1G9IfVd3vtfm1F6Hd9WHOqZazF5CWOUY4q-kFasKJLGSwHid8tsdGwF-QKI8c-ee7uUgtcKQO9kGcUdx7PYkxr3638UGtVr4QmFRIjRLGQYzX-L9GU16LvdZYP2bxrM6FsQ5J1y5G7xlc-9qzvdyk2lk/s1600/NAVIO.jpg


                          Respiro com alívio, ao ver, no último segundo, meu amigo saltar de um táxi e vir correndo com o quadro na mão. Mal teve tempo de entrar, eo ônibus já se afasta, a família acenando alegremente.

                          Volto  para casa pensativo, com aquela esquisita sensação de quem fica. Mas em breve voltarão das férias. E então certamente ficarei sabendo, caso tenham esquecido mais alguma coisa, como o ônibus se desviou de sua rota para que fossem buscá-la em casa.

           Fernando Sabino. A inglesa deslumbrada. Rio de Janeiro. Sabiá, 1967. p. 41-5.


Entendendo o texto

01. O texto justifica o título? Por quê?

       Sim, porque  narrador-personagem ficou sabendo que a mulher do amigo conseguiu a façanha de segurar  a partida  de um transatlântico italiano.

02. Releia  o primeiro parágrafo  e responda: que meio de transporte levará a família  de Londres a Portugal? Como você chegou a essa conclusão?

      O narrador-personagem fala que o ônibus  sairá  da estação de Saint Pancras e os deixará  nas docas  de Londres, portanto  conclui-se  que  a família  viajará de navio.

03. O homem  que levará a família até a estação de Saint Pancras já conhecia a esposa do outro? Justifique sua resposta.

      Sim, ao usar a expressão"como sempre" para dizer que ela estava "tranquila", repousada e repousante", ele  deixa  transparecer que já  a conhecia.

04. Ao afirmar que a mulher estava"...com aquela suavidade das antigas mães de família, para quem tudo há de dar certo", o narrador quis dizer que:

a) ela era mandona.

b) ela era delicada e mandona.

c) ela transmitia calma e segurança.

d) ela era velha e antiquada.

05. "...duas crianças, que se multiplicam por três, correndo e brincando." Por que o narrador faz esse comentário?

    O narrador  afirma isso porque  as crianças eram barulhentas e agitadas.

06. "Mas estaremos na estação às três e quinze, Deus seja louvado." A expressão em destaque pode ser substituída por:

     a) Graças a Deus!

     b) Que pena!

     c) Infelizmente!

     d) Que Deus nos ajude!

07. "Mal desconfia ele que está correndo o risco de entrar para a História, como protagonista de um extraordinário acontecimento nos anais do Império Britânico".

      a) Quem é esse ele que corre o risco de ser protagonista de um acontecimento?

           O motorista do ônibus.

       b) Que  acontecimento é esse? 

            A mulher poderá fazer o motorista atrasar a partida do ônibus  se o marido dela não chegar  a tempo.

        c) Por que a palavra História  foi escrita com inicial maiúscula?

             Porque esse acontecimento seria inédito e faria parte da História da Inglaterra, já que o povo inglês, em geral, cumpre rigorosamente seus horários e nunca se atrasa.



quinta-feira, 2 de outubro de 2025

CRÔNICA: A PRIMEIRA NAMORADA - FERNANDO SABINO - COM GABARITO

 Crônica: A primeira namorada

             Fernando Sabino

        Conheceu Letícia num passeio de bicicleta. Marcou encontro para de noite. Letícia foi. Perto da casa dela, que era perto da Rádio Emissora. Passou a encontrar-se toda noite com ela — dizia, em casa, que ia à Rádio Emissora.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh7xENFROq6kUhWrjWMCL99FnAQHoo5XCw-abSYMbZaxKs7nZX5Mz9ZAFu5yTaH6Os3At9x0VTBYFwpzg4ZWP0YhFE6A_F0XZBfRg_1FfHYA0IUQUyVAdQSjiZXabQ42aRZGtLrCU8_A0AB34N4YJqwEKUb9E1F9ZCGf5wgOFy0egnoHKixNa-XEd5Ufu0/s320/BICICLETA.jpg


        — O que é que esse menino tanto faz na Rádio Emissora? — inquietava-se a mãe. Em vez de estudar, toda noite...

        Acabou indo mesmo à Rádio, em companhia de Letícia, para assistir aos programas. Depois, saía com ela de mãos dadas — beijo, não, ela não deixava, ele não insistia. Letícia era diferente, Eduardo amava Letícia.

        — Eu te amo para o resto da vida.

        — Eu também.

        — Então escreve isso aqui, na minha caderneta.

        Letícia escrevia: "eu te amo...

        — Eternamente.

        — ... eternamente para o resto da minha vida".

        — Agora assina.

        Letícia assinou.

        — Olha minha mãe na janela.

        Eduardo tinha medo, queria fugir. Mas a mãe de Letícia acenava para eles.

        — Não tenha medo.

        A mãe de Letícia era diferente, falava umas coisas engraçadas, deixava que a filha namorasse. Eduardo fazia planos para o futuro.

        — Quando eu crescer, vou ser artista.

        — Artista de quê?

        — Não sei: artista.                                 

Fernando Sabino. O encontro marcado. Rio de Janeiro, Record, 1984.

Fonte: Português – 1º grau – Descobrindo a gramática 8. Gilio Giacomozzi; Gildete Valério; Cláudia Reda Fenga. São Paulo. FTD, 1992. p. 157.

Entendendo a crônica:

01 – Como Eduardo e Letícia se conheceram?

      Eles se conheceram durante um passeio de bicicleta.

02 – O que Eduardo dizia em casa para justificar seus encontros noturnos com Letícia?

      Ele dizia à mãe que ia para a Rádio Emissora.

03 – Qual era a principal diferença entre o relacionamento deles e um namoro convencional da época, de acordo com o texto?

      O texto menciona que eles andavam de mãos dadas, mas não se beijavam, pois ela não permitia.

04 – O que Letícia escreveu na caderneta de Eduardo?

      Ela escreveu a frase "eu te amo... eternamente para o resto da minha vida".

05 – Qual foi a reação da mãe de Letícia ao ver o casal na janela?

      A mãe de Letícia acenou para eles e disse a Eduardo para não ter medo, demonstrando uma atitude compreensiva.

06 – Que planos para o futuro Eduardo fez para si mesmo?

      Ele planejava ser "artista", mas sem saber qual tipo de artista.

07 – Qual a principal característica da mãe de Letícia, que a diferenciava do que seria esperado?

      Ela era descrita como "diferente", falava "coisas engraçadas" e, ao contrário do que se esperava, deixava a filha namorar.

 

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

CRÔNICA: JAGUATIRICAS A BORDO - FERNANDO SABINO - COM GABARITO

 Crônica: JAGUATIRICAS A BORDO

              Fernando Sabino

        De repente, em pleno voo a caminho de Lisboa, passa por mim um comissário de bordo carregando uma jaguatirica.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-AnuPJMJHKQxe8XsHMbc49ggGQLC21Gsr7lXjwWf3pzNz9DEmyu7ysjwlK17laMPFVGQiv9ujmwU2L2MoEmQEAjk4_1_QTN9peN63Z9ziH8v_KhHBeOdoEq1ZLCVC2cjM48HpyrjdZbEaSBWGJTnE71V-w2O3Z4JT8jz7Ri0-lzJDuJgTGWs_y1vo1mw/s320/JAGUA.jpg


        Os demais passageiros dormem na penumbra do avião, eu também cochilava ainda há pouco. Estarei sonhando? Nada disso, já vem o homem de volta com o bicho no colo.

        -- Que bicho é esse? – pergunto.            

        -- Uma jaguatirica – responde ele simplesmente, erguendo o felino nos braços para que eu o veja de perto: – filhote ainda. Parece um gato, não parece?

        -- Tira isso pra lá! – reajo, encolhendo-me na poltrona. – Parece uma jaguatirica.

        -- Pois é uma jaguatirica.       

        -- Você me disse.

        Penso comigo: nada mais perecido com uma jaguatirica do que uma jaguatirica. A longa viagem dentro da noite, os passageiros dormindo, tudo conspira para me deixar vagamente idiota, os passageiros flutuando no ar.

        -- E posso saber o que está fazendo essa sua jaguatirica aqui no avião? – pergunto, cauteloso.

        -- Não é minha não – explica ele: – É de um passageiro. Trouxe do Pará, vai levar para morar com ele em Lisboa. A minha deixei no Rio, lá no meu apartamento, um amigo da comida pra ela enquanto viajo.
        -- A sua o quê?

        -- A minha jaguatirica.

        -- Ah! Quer dizer que você também tem uma.

        -- Tenho. Por que? O senhor não gosta de jaguatiricas?

        -- Gosto, gosto... Eu não sabia é que estava na moda ter jaguatiricas. Confesso que no momento não tenho nenhuma.

        -- Quem é que não gosta? – torna ele, entusiasmado, procurando conter a fera, que se mexe ameaçadoramente nos seus braços. – Um amigo meu lá em Teresópolis tem um leãozinho, mas leão dá muito trabalho, o senhor não acha?

        -- Sem dúvida – concordo, sacudindo a cabeça: – Cortar as unhas, pentear a juba, essa coisa toda...

        -- Jaguatirica não: mandei fazer umas luvas, embaixo é peludinho, em cima é de náilon. Para não arranhar o sinteco, sabe? Eu mesmo dou banho nela, é divertido, acredite.

        -- Eu acredito – torno a concordar, sem grande entusiasmo.

        -- Não tem perigo nenhum – insiste ele: – De morder, que eu digo. Só morde quando está com raiva. Pode é arranhar sem querer. Mas não aparo as unhas dela, acho uma pena.

        -- Realmente, seria uma pena.

        Ele continua a dissertar animadamente sobre o assunto:

        -- Esse cara, por exemplo, vai se dar mau com a jaguatirica dele. Porque, como o senhor sabe, jaguatirica não pode viver só com o dono. Chega uma hora lá, tem de casar, não é isso mesmo?

        -- Isso mesmo: não vai ser fácil arranjar em Lisboa um jaguatirica.

        -- É o que eu estou dizendo: como é que ele vai casar a bichinha? Já tive uma que era solteira, foi ficando maluca, acabei tendo de matar a tiro, uma pena.

        Como ele não diz mais nada, olhando embevecido a jaguatirica, me arrisco a perguntar:

        -- Isso aí não é uma espécie de onça não?

        -- Não é não: é uma espécie de jaguatirica mesmo.

        E ele acrescenta, procurando me tranquilizar:

        -- Pode ter certeza de uma coisa: bicho nenhum come gente a não ser que esteja com muita fome. Com fome até o homem é capaz de tudo, inclusive de comer gente. Ouça o que estou lhe dizendo. Ouço o que ele está me dizendo, nos confraternizamos à base do nosso amor às jaguatiricas, e volto a cochilar.

O gato sou eu. Rio de Janeiro, Record, 1984.

Fonte: Português – 1º grau – Descobrindo a gramática 8. Gilio Giacomozzi; Gildete Valério; Cláudia Reda Fenga. São Paulo. FTD, 1992. p. 80.

Entendendo a crônica:

01 – Qual a situação inicial que causa a surpresa do narrador?

      O narrador, em pleno voo noturno para Lisboa, é surpreendido ao ver um comissário de bordo passando com uma jaguatirica no colo.

02 – Como o comissário descreve a jaguatirica para o narrador?

      O comissário diz que é um filhote e o ergue para que o narrador veja de perto, comparando-o a um gato. No entanto, o narrador reage com medo, afirmando que o animal "parece uma jaguatirica".

03 – A jaguatirica que está no avião pertence a quem e para onde está indo?

      O comissário explica que o animal pertence a um passageiro que o trouxe do Pará e o está levando para morar com ele em Lisboa.

04 – O que o narrador descobre sobre a relação do comissário com as jaguatiricas?

      O narrador descobre que o comissário também tem uma jaguatirica em seu apartamento no Rio de Janeiro. Isso o surpreende, e ele confessa que não sabia que "estava na moda ter jaguatiricas".

05 – Quais são os cuidados que o comissário tem com sua jaguatirica, de acordo com o texto?

      O comissário explica que fez luvas especiais para a jaguatirica, com pelinho por baixo e náilon por cima, para não arranhar o sinteco. Ele também diz que ele mesmo dá banho no animal e não apara suas unhas.

06 – Qual o problema que o comissário aponta para o passageiro que leva a jaguatirica para Lisboa?

      O comissário aponta que o passageiro terá dificuldades em Lisboa, pois "jaguatirica não pode viver só com o dono". O animal precisa casar, e o comissário questiona como o passageiro vai arranjar um par para a jaguatirica na nova cidade. Ele ainda relata um caso anterior em que teve que matar uma jaguatirica que ficou "maluca" por ser solteira.

07 – Qual a última afirmação que o comissário faz para o narrador?

      A última afirmação do comissário é que "bicho nenhum come gente a não ser que esteja com muita fome". Ele compara o comportamento do animal ao do ser humano, dizendo que "com fome até o homem é capaz de tudo, inclusive de comer gente".

 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

CRÔNICA: NOTÍCIA DE JORNAL - FERNANDO SABINO - COM GABARITO

 Crônica: Notícia de Jornal

              Fernando Sabino

        Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi8EvbercfLXZZogrdQEWgpPxOpNSQXbK0HtaV2krSewN3KEU5zGXyzlG8KeskDUXI4uo5werUoJAEoRXjBBP6GTERi4dAnJR6QXyuZe2VnHLWM0i7TVV-hvpoK7r8kFi5aXxvVlicVFbsdyd34prcW-Y-PbLuPshTKBe-goZu6J5aBrIqnz6uEqd5T9YI/s320/JORNAL.jpg


        Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.

        Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.

        O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é homem. E os outros homens cumprem deu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.

        Não é de alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.

        E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.

        E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, um homem morreu de fome.

        Morreu de fome.

Fernando Sabino, A Mulher do Vizinho, 1997.

Entendendo a crônica:

01 – Qual a principal crítica social presente na crônica?

      A principal crítica social presente na crônica é a indiferença da sociedade diante da morte de um homem por fome em plena cidade. Sabino denuncia a desumanização e a falta de empatia das pessoas, que preferem ignorar o sofrimento alheio. A crônica questiona os valores da sociedade e a ausência de solidariedade.

02 – Como a repetição da frase "morreu de fome" contribui para o efeito da crônica?

      A repetição da frase "morreu de fome" reforça a ideia da morte como um fato banal e corriqueiro, desumanizando a vítima. A repetição cria um efeito de choque e indignação, denunciando a crueldade da situação.

03 – Qual o papel dos personagens secundários (comerciantes, autoridades, passantes) na história?

      Os personagens secundários representam a sociedade como um todo, com suas diferentes reações diante da morte do homem. Os comerciantes simbolizam a preocupação com o próprio bem-estar e a busca por soluções práticas para problemas que os incomodam. As autoridades representam a burocracia e a falta de responsabilidade, enquanto os passantes simbolizam a indiferença e a apatia da maioria.

04 – Qual a importância da caracterização física do homem que morreu de fome?

      A caracterização física do homem é intencionalmente vaga, destacando sua condição de ser humano anônimo e descartável. A falta de detalhes sobre sua identidade reforça a ideia de que ele representa todos os marginalizados e excluídos da sociedade.

05 – Qual a relação entre o título da crônica e seu conteúdo?

      O título "Notícia de Jornal" é irônico, pois a morte por fome é apresentada como uma notícia comum, sem a devida importância e comoção. A crônica denuncia a banalização da morte e a insensibilidade da sociedade diante do sofrimento humano.

06 – Qual o efeito da linguagem utilizada por Fernando Sabino na crônica?

      A linguagem utilizada por Sabino é direta, objetiva e impactante. A repetição de frases e a ausência de adjetivos emotivos reforçam o caráter denunciatório da crônica. A linguagem clara e concisa contribui para a compreensão do leitor e o choca com a realidade apresentada.

07 – Qual a mensagem principal que a crônica transmite?

      A mensagem principal da crônica é um chamado à reflexão sobre a condição humana e a importância da solidariedade. Sabino nos convida a questionar nossos valores e atitudes, denunciando a indiferença e a desumanização presentes na sociedade. A crônica nos lembra que cada vida tem valor e que somos responsáveis pelo bem-estar do próximo.

 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

CRÔNICA: A INVENÇÃO DA LARANJA - FRAGMENTO - FERNANDO SABINO - COM GABARITO

 Crônica: A INVENÇÃO DA LARANJA – Fragmento

              Fernando Sabino

        Nem todos sabem que a laranja, fruta cítrica, suculenta e saborosa, foi inventada por um grande industrial americano, cujo nome prefiro calar, mas em circunstâncias que merecem ser contadas.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhDhAMjZsld8U2vRTTnM1n3jUuO7fRgg6Dmg7fQhQ09jqIyB0MsuFlJnA7t1CsZlx1_UJYSGii7tHxkeSJlOkKESuP4RYs1Ccpj1zj8UtGYXffHXN-uugtHOgFZB97f0NxfRMjCZWaLWULlGdvS5lo8XMwMUXRaKTVS_JdPyEep3APYHfJkrx-2rAs7Ysc/s320/LARANJA.jpg


        Começou sendo chupada às dúzias por este senhor, então um simples molecote de fazenda no interior da Califórnia. Com o correr dos anos o molecote virou moleque e o moleque virou homem, passando por todas as fases lírico-vegetativas a que se sujeita uma juventude transcorrida à sombra dos laranjais: apaixonou-se pela filha do dono da fazenda, meteu-se em peripécias amorosas que já inspiraram dois filmes em Hollywood e que culminaram nas indefectíveis flores de laranjeiras, até que um dia, para encurtar, viu-se ele próprio casado, com uma filha que outros moleques cobiçavam, e dono absoluto da plantação.

        [...]

SABINO, Fernando. Obra reunida. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 244. Fragmento.

Fonte: Português – Literatura, Gramática e Produção de texto – Leila Lauar Sarmento & Douglas Tufano – vol. 2 – Moderna – 1ª edição – São Paulo, 2010, p. 430-431.

Entendendo a crônica:

01 – Qual a principal ironia presente no conto?

      A principal ironia reside na ideia de que a laranja, um fruto tão natural e antigo, tenha sido "inventada" por um homem. Essa afirmação subverte a noção de que a natureza é algo estático e imutável, sugerindo que a realidade pode ser moldada pela imaginação e pelas experiências humanas.

02 – Qual o papel do protagonista na "invenção" da laranja?

      O protagonista não inventa a laranja no sentido literal, mas sim transforma a sua relação com a fruta. Ao longo de sua vida, ele estabelece uma conexão profunda com os laranjais, vivenciando diversas experiências que o fazem apreciar ainda mais o sabor e o significado da laranja. Sua história pessoal se entrelaça com a história da fruta, criando uma nova perspectiva sobre ela.

03 – Que elementos da narrativa contribuem para o humor da crônica?

      O humor da crônica é construído através da exageração, da ironia e da subversão de expectativas. A ideia de que um homem tenha inventado a laranja, a descrição das peripécias amorosas do protagonista e a relação entre a fruta e as fases da vida são elementos que contribuem para a criação de um efeito cômico.

04 – Qual a importância da natureza na crônica?

      A natureza, representada pelos laranjais, desempenha um papel fundamental na crônica. Ela serve como pano de fundo para a história do protagonista, influenciando suas emoções e moldando sua personalidade. A laranja, em particular, é um símbolo da vida, da fertilidade e da renovação.

05 – Qual a mensagem principal da crônica?

      A mensagem principal da crônica é que a realidade é construída a partir de nossas experiências e percepções. A laranja, que para muitos é apenas uma fruta, adquire um significado especial para o protagonista, tornando-se um símbolo de sua vida e de suas memórias. A crônica nos convida a olhar para o mundo com mais atenção e a encontrar significado nas coisas mais simples.

 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

CRÔNICA: O MELHOR AMIGO - FERNANDO SABINO - COM GABARITO

 CRÔNICA: O Melhor Amigo

                   Fernando Sabino

 A mãe estava na sala, costurando. O menino abriu a porta da rua, meio ressabiado, arriscou um passo para dentro e mediu cautelosamente a distância. Como a mãe não se voltasse para vê-lo, deu uma corridinha em direção de seu quarto.

– Meu filho? – gritou ela.

– O que é – respondeu, com o ar mais natural que lhe foi possível.

– Que é que você está carregando aí?

Como podia ter visto alguma coisa, se nem levantara a cabeça? Sentindo-se perdido, tentou ainda ganhar tempo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhkq_eAecfBEKvUyNMH1ZF_EWNm44ZZKJMQDbP4AdT5hrIMdqYpDMB9D45pyehyphenhyphen6geTHLfWyOcyFIsQYqQtr4eDyvH4a4aEV_Zv9MLqHUp7MOwnzOb4HxnaCKsRza_bSFxoJp6Kv-w785DrrqqNOOwaRhq49LIqlxsaskPbT2kN7mwfhl__1FnVDo8bHs4/s1600/CAO.jpg


– Eu? Nada…

– Está sim. Você entrou carregando uma coisa.

Pronto: estava descoberto. Não adiantava negar – o jeito era procurar comovê-la. Veio caminhando desconsolado até a sala, mostrou à mãe o que estava carregando:

– Olha aí, mamãe: é um filhote…

Seus olhos súplices aguardavam a decisão.

– Um filhote? Onde é que você arranjou isso?

– Achei na rua. Tão bonitinho, não é, mamãe?

Sabia que não adiantava: ela já chamava o filhote de isso. Insistiu ainda:

– Deve estar com fome, olha só a carinha que ele faz.

Trate de levar embora esse cachorro agora mesmo!

– Ah, mamãe… – já compondo uma cara de choro.

– Tem dez minutos para botar esse bicho na rua. Já disse que não quero animais aqui em casa. Tanta coisa para cuidar, Deus me livre de ainda inventar uma amolação dessas.

O menino tentou enxugar uma lágrima, não havia lágrima. Voltou para o quarto, emburrado.

A gente também não tem nenhum direito nesta casa – pensava. Um dia ainda faço um estrago louco. Meu único amigo, enxotado desta maneira!

– Que diabo também, nesta casa tudo é proibido! – gritou, lá do quarto, e ficou
esperando a reação da mãe.

– Dez minutos – repetiu ela, com firmeza.

– Todo mundo tem cachorro, só eu que não tenho.

Você não é todo mundo.

– Também, de hoje em diante eu não estudo mais, não vou mais ao colégio, não
faço mais nada.

Veremos – limitou-se a mãe, de novo distraída com a sua costura.

– A senhora é ruim mesmo, não tem coração!

– Sua alma, sua palma.

Conhecia bem a mãe, sabia que não haveria apelo: tinha dez minutos para brincar com seu novo amigo, e depois… ao fim de dez minutos, a voz da mãe, inexorável:

– Vamos, chega! Leva esse cachorro embora.

– Ah, mamãe, deixa! – choramingou ainda: – Meu melhor amigo, não tenho mais
ninguém nesta vida.

– E eu? Que bobagem é essa, você não tem sua mãe?

– Mãe e cachorro não é a mesma coisa.

– Deixa de conversa: obedece sua mãe.

Ele saiu, e seus olhos prometiam vingança. A mãe chegou a se preocupar: meninos nessa idade, uma injustiça praticada e eles perdem a cabeça, um recalque, complexos, essa coisa.

– Pronto, mamãe!

E exibia-lhe uma nota de vinte e uma de dez: havia vendido seu melhor amigo por trinta dinheiros.

– Eu devia ter pedido cinquenta, tenho certeza que ele dava, murmurou pensativo.

In: http://www.contioutra.com/o-melhor-amigo-cronica-de-fernando-sabino/

Entendendo o texto

 01-Estamos diante do gênero textual:

     a- notícia, pois relata o que aconteceu com um menino, uma mãe e um cachorro;

     b- conto, pois conta uma história de ficção sobre um menino, uma mãe e um cachorro;

     c- crônica, pois narra um episódio do cotidiano que pode ocorrer na vida de qualquer criança e sua mãe, envolvendo o desejo do menino de cuidar de um cãozinho;

    d- artigo de opinião, pois demonstra a opinião negativa de uma mãe sobre a possibilidade de seu filho adquirir um cachorro.

02-Na ironia, o locutor diz A, mas pensa B, ou seja, pensa o contrário de A. Dito isso, o título “O melhor amigo” recebeu um tratamento irônico, pois:

      a- o menino tratou o cachorrinho do início ao fim da história como se fosse realmente seu melhor amigo;

     b- O menino ficou deprimido pelo abandono do seu melhor amigo;

     c- O menino vendeu seu chamado “melhor amigo” por trinta dinheiros.

03-A intertextualidade ocorre quando um dado texto-discurso se constrói baseado em outro texto-discurso preexistente. O final da crônica de Fernando Sabino possui intertextualidade explícita com uma passagem da Bíblia, quando esta relata:

    a- que Pedro negou conhecer seu amigo Jesus por três vezes, depois que este foi preso;

    b- que Judas vendeu seu amigo Jesus por trinta moedas;

    c- que Madalena lavou os pés do seu amigo Jesus;

04-Marque (V) para efeitos de sentidos pertinentes ao texto-discurso e (F) para efeitos de sentidos não pertinentes:

    a-( V ) Percebe-se o discurso do medo constituinte dos filhos, fazendo com que estes tentem esconder suas práticas afetivas de seus pais;

    b-( V    ) Percebe-se o discurso do controle social que a instituição família exerce sobre suas crianças;

    c-( F  ) Percebe-se o discurso de aceitação e compreensão dos filhos perante o controle social exercido por seus pais;

   d-( V  ) Percebe-se o discurso da tentativa de chantagem emocional exercida pelos filhos sobre seus pais, no intuito de tentar conseguir seu objetivos

    e-( V ) Percebe-se o discurso da tendência de submissão das crianças perante o poder superior de seus pais;

    f-(  F  ) Percebe-se o discurso capitalista do vale-tudo para se obter lucros, inclusive comercializar os amigos;

05-Assinale o argumento que representa o discurso da MENTIRA:

      a) “– O que é – respondeu, com o ar mais natural que lhe foi possível.”

     b) “– Eu? Nada…”

     c) “– Olha aí, mamãe: é um filhote…”

     d) “– Ah, mamãe… – já compondo uma cara de choro.”

06-Assinale o argumento que representa o discurso da CHANTAGEM EMOCIONAL:

     a) “– Achei na rua. Tão bonitinho, não é, mamãe?”

     b) “– Mãe e cachorro não é a mesma coisa.”

     c) “– Também, de hoje em diante eu não estudo mais, não vou mais ao colégio, não
faço mais nada.”

d) “– Eu devia ter pedido cinquenta, tenho certeza que ele dava murmurou, pensativo.”

07-Assinale o argumento que representa o discurso INCONFORMISMO DOS FILHOS perante as regras da família:

     a) “Mãe e cachorro não é a mesma coisa.”

     b) “– Meu melhor amigo, não tenho mais ninguém nesta vida.”

     c) “– Que diabo também, nesta casa tudo é proibido!”

     d) “– Achei na rua. Tão bonitinho, não é, mamãe?”

08-No argumento “E exibia-lhe uma nota de vinte e uma de dez: havia vendido seu melhor amigo por trinta dinheiros.”, destaca-se o discurso:

     a- da fidelidade aos amigos;

     b- da traição aos amigos;

     c- da sensibilidade aos amigos;

     d- da solidariedade aos amigos.

09-No argumento “O menino abriu a porta da rua, meio ressabiado...”, a palavra grifada significa:

     a- desconfiado;

     b- emocionado;

     c- confiante;

     d- maravilhado.

10-No argumento “ao fim de dez minutos, a voz da mãe, inexorável...”, a palavra grifada significa:

     a- flexível;

     b- inflexível;

     c- compreensiva;

     d- pensativa

11-Extraia um discurso direto relativo à personagem “mãe”.

      Discurso direto da mãe: "– Meu filho?", "– Que é que você está carregando aí?", "– Trate de levar embora esse cachorro agora mesmo!", "– Dez minutos", "– Sua alma, sua palma.", "– Dez minutos – repetiu ela, com firmeza."

 12-Extraia um discurso direto relativo ao personagem “menino”.

      Discurso direto do menino: "– O que é – respondeu, com o ar mais natural que lhe foi possível.", "– Eu? Nada...", "– Olha aí, mamãe: é um filhote...", "– Ah, mamãe...", "– Que diabo também, nesta casa tudo é proibido!", "– Ah, mamãe, deixa!", "– Mãe e cachorro não é a mesma coisa.", "– Pronto, mamãe!"

 13-No enunciado “– Pronto, mamãe! E exibia-lhe uma nota de vinte e uma de dez...”, o pronome grifado refere-se:

       a- ao menino;

       b- à mãe;

       c- à nota;

       d- ao cachorro

14-No argumento “– Um filhote? Onde é que você arranjou isso? – Achei na rua. Tão bonitinho, não é, mamãe? Sabia que não adiantava: ela já chamava o filhote de isso, as palavras grifadas sugerem:

      a- que a mãe nomeava o cão com carinho;

      b- que a mãe nomeava o cão com desprezo;

      c- que a mãe nomeava o cão com respeito;

      d- que a mãe nomeava o cão com sensibilidade.

15-A que ou a quem se referem as palavras grifadas no texto-discurso?

As palavras grifadas no texto se referem, em sua maioria, aos personagens: "isso" se refere ao filhote, "lhe" se refere à mãe, "ele" se refere ao cachorro.

 16-Produza um texto-discurso refletindo sobre a importância da adoção de animais.

Resposta pessoal.

A importância da adoção de animais:

A crônica de Fernando Sabino nos mostra um dilema atemporal: a relação entre crianças e animais de estimação. A história do menino e do cachorro nos convida a refletir sobre a importância da adoção e do cuidado com os animais. Ao adotar um animal, estamos oferecendo um lar e amor a um ser vivo, além de promover a compaixão e a responsabilidade nas crianças. A história também nos alerta para a importância do diálogo entre pais e filhos, para que juntos possam encontrar soluções que beneficiem a todos os membros da família, incluindo os animais de estimação.

Gostaria de aprofundar em algum outro aspecto da crônica? Podemos explorar mais a fundo os temas da infância, da família, da amizade, da responsabilidade ou da relação entre humanos e animais.

Que tal propormos uma atividade para os leitores? Poderia ser a criação de uma história com final alternativo, onde a mãe aceita o cachorro ou o menino encontra outra forma de cuidar do animal.