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domingo, 28 de junho de 2026

HISTÓRIA: JECA TATU - FRAGMENTO - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

 História: Jeca Tatu – Fragmento

            Monteiro Lobato

 

        Jeca Tatu é uma das figuras geradas pelo escritor Monteiro Lobato, muito conhecido por suas histórias infanto-juvenis, as quais giram em torno dos famosos personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo. Algumas de suas obras, porém, são de cunho social, de natureza crítica e denunciam questões como o contexto arcaico do universo rural e o descaso com doenças como o amarelão, então sério problema de saúde pública.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgd3NcYvsD1s84NHQMnKCnZniWRSYQoeW4ifVH0WFmj5GJq21JvaSujwWE37JJ5-KhStzU5Pxp7b9kwhZRD7o2NJ1XxNYPp4ROqTvX3avn4mR1l_BhtrS60CB3DLMybKCvfK-dFtXULVBDgkpLlED54LJFGckF4QeTB38pwgpkq0vScGMYvwx2PrGoaEDE/s320/J%C3%A9ca_Tatuzinho_(1).png


        Este modelo do caipira não idealizado está presente no livro Urupês, da saga criada por Lobato para os adultos. Ele revela, em um painel composto por 14 narrativas, a real situação do trabalhador campestre de São Paulo, visão nada agradável para as autoridades políticas da época e também para a classe dos intelectuais.

        Isto porque Jeca é a imagem do ser legado ao abandono pelo Estado, à mercê de enfermidades típicas dos países atrasados, da miséria e do atraso econômico. Condição nada romântica e utópica, como muitos escritores pretendiam moldar o caboclo brasileiro, nesta mesma época.

        A imagem de Jeca Tatu foi utilizada inclusive como instrumento em operações de esclarecimento sobre a importância do saneamento público e a urgência em erradicar doenças como o amarelão, que matava tantas pessoas nos anos 20. Como afirmava Lobato, “Jeca Tatu não é assim, ele está assim”, vitimado pelo desprezo de um governo nada preocupado com esta camada social.

        Jeca era um caipira de aparência desleixada, com a barba pouco densa, calcanhares sempre desnudos, portanto rachados, pois ele detestava calçar sapatos. Miserável, detinha somente algumas plantações de pouca monta, apenas para sua sobrevivência. Perto de sua habitação havia um pequeno riacho, no qual ele podia pescar. Sem cultura, ele não cultivava de forma alguma os necessários hábitos de higiene.

        Residente no Vale do Paraíba, em São Paulo, região muito arcaica, era visto pelas pessoas como preguiçoso e alcoólatra. A questão da saúde transparece no enredo quando um médico, ao cruzar o seu caminho, passa diante de sua tosca residência e se assusta com tanta pobreza. Notando sua coloração amarela e a intensa magreza, decide examinar o caboclo.

        O paciente se queixa de muita fadiga e dores corporais. O doutor então diagnostica a presença de uma enfermidade tecnicamente conhecida como ancilostomose, o famoso amarelão. Ele orienta Jeca a usar sapatos e a tomar os remédios necessários, pois os vermes que provocam este distúrbio orgânico introduzem-se no corpo através da pele dos pés e das pernas.

        A vida de Jeca muda radicalmente. Ele se cura, volta a trabalhar, reduz a bebida, sua pequena plantação prospera e o trabalhador se torna um homem honrado pelas outras pessoas. A família Tatu agora só anda calçada e, portanto, saudável. É assim que Monteiro Lobato denuncia a precária situação do trabalhador rural; ele revela que medidas simples poderiam transformar este cenário sombrio. Este personagem se torna o símbolo do brasileiro que vive no campo.


Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jeca_Tatu.

http://www.ibb.unesp.br/departamentos/Educacao/Trabalhos/obichoquemedeu/ancilostomose_jeca_tatu.htm.

 

Entendendo a história:

 

01 – Qual é a principal crítica social feita por Monteiro Lobato por meio da criação do personagem Jeca Tatu?

      Monteiro Lobato utiliza Jeca Tatu para denunciar a real situação de miséria, o contexto arcaico do universo rural e o descaso do Estado com a saúde pública na época. O personagem representa o trabalhador campestre abandonado pelo governo, à mercê de doenças evitáveis e do atraso econômico, contrapondo-se à visão romântica e idealizada que outros escritores tentavam moldar do caboclo brasileiro.

02 – Como o texto justifica a famosa frase de Monteiro Lobato: "Jeca Tatu não é assim, ele está assim"?

      A frase justifica que a condição de Jeca Tatu — descrita inicialmente pela população como preguiça e alcoolismo — não era uma característica natural de sua personalidade ou de sua raça, mas sim o resultado do adoecimento físico causado pelo "amarelão" (ancilostomose) e do desprezo de um governo que não investia em saneamento público e higiene para aquela camada social.

03 – Quais eram as características físicas e os hábitos de Jeca Tatu que facilitavam o seu contágio pelo "amarelão"?

      Jeca tinha uma aparência desleixada, extrema magreza, coloração amarela na pele e andava sempre com os calcanhares desnudos e rachados, pois detestava calçar sapatos. Além disso, por falta de cultura, ele não cultivava hábitos básicos de higiene, o que facilitava a entrada dos vermes causadores da doença, que penetram no organismo através da pele dos pés e das pernas em contato com o solo contaminado.

04 – Como ocorre a reviravolta na história de Jeca Tatu a partir da intervenção de um médico?

      Ao passar pela tosca residência de Jeca, um médico se assusta com a pobreza e, ao notar a magreza e a cor amarelada do caipira, decide examiná-lo. O doutor diagnostica a ancilostomose e receita os remédios necessários, além de orientar Jeca a passar a usar sapatos.

05 – Quais foram as transformações que ocorreram na vida de Jeca Tatu e de sua família após ele seguir as recomendações médicas?

      Após curar-se da doença, a vida de Jeca mudou radicalmente: ele recuperou as forças, voltou a trabalhar com vigor, reduziu o consumo de bebida alcoólica e fez sua pequena plantação prosperar, tornando-se um homem honrado e respeitado pelas outras pessoas. Além disso, toda a família Tatu passou a andar calçada e permaneceu saudável.

 

 

 

segunda-feira, 23 de março de 2026

CRÔNICA: AS ESTRELAS - FRAGMENTO - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

 Crônica: As estrelas – Fragmento

             Monteiro Lobato

        Numa das noites daquele mês de abril estava Dona Benta na sua cadeira de balanço, lá na varanda, com olhos no céu cheio de estrelas. A criançada também se reunira ali.

        Súbito, Narizinho, que estava em outro degrau da escada fazendo tricô, deu um berro.

        -- Vovó, Emília está botando a língua para mim!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiSPYXopTwnX_3_V_9ueLOhrS3huNViWt7cWFBDtvD0wpTcJdQsL14LHQId-ugW4MIGBnq-7IxuIgvLXqlOQa1rM_QRTiCvw5gIL6qlCJLP2FhaPi9d-OEwS7scr-sq-ILKTyMx0FNZscYITU2GTlDSS6u0DPDyaeeL7X0aHcLuOeuzxEKxo41w7C3aWZA/s320/Destaque-estrelas-piscantes.jpg


        Mas Dona Benta não ouviu. Não tirava os olhos das estrelas. Estranhando aquilo, os meninos foram se aproximando. E ficaram também a olhar para o céu, em procura do que estava prendendo a atenção da boa velha.

        -- Que é vovó, que a senhora está vendo lá em cima? Eu não estou enxergando nada – disse Pedrinho.

        Dona Benta não pôde deixar de rir-se. Pôs nele os óculos e puxou-o para o seu colo e falou:

        -- Não está vendo nada, meu filho? Então olha para o céu estrelado e não vê nada?

        -- Só vejo estrelinhas – murmurou o menino.

        -- E acha pouco, meu filho?

LOBATO, Monteiro. As estrelas. In: _____. Viagem ao Céu. 19 ed. São Paulo: Brasiliense, 1971. (Fragmento).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 152.

Entendendo a crônica:

01 – Onde se passa a cena descrita no texto e qual era a atividade de Dona Benta no início?

       A cena se passa na varanda da casa (provavelmente no Sítio do Picapau Amarelo), numa noite de abril. Dona Benta estava sentada em sua cadeira de balanço, observando o céu estrelado.

02 – Qual o motivo do conflito inicial entre as crianças mencionado no fragmento?

      O conflito ocorre quando Narizinho dá um berro e reclama para a avó que a boneca Emília estava colocando a língua para ela enquanto ela fazia tricô.

03 – Por que Dona Benta não respondeu imediatamente à reclamação de Narizinho?

      Porque ela estava profundamente concentrada e maravilhada olhando para as estrelas; o texto diz que ela "não tirava os olhos das estrelas" e nem sequer ouviu o chamado da neta.

04 – Qual foi a reação de Pedrinho ao observar o que prendia a atenção da avó?

      Pedrinho aproximou-se e disse que não estava enxergando nada de especial, afirmando que via "só estrelinhas". Ele não compreendia, inicialmente, o fascínio de Dona Benta.

05 – O que a pergunta final de Dona Benta ("E acha pouco, meu filho?") sugere sobre a sua visão de mundo?

      A pergunta sugere que Dona Benta possui uma sensibilidade maior e uma capacidade de se encantar com a natureza. Para ela, as estrelas não são "só" pequenos pontos de luz, mas um espetáculo grandioso que merece contemplação e respeito, contrastando com a visão simplista da criança.

 

 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

CONTO: A CASA DA GRITARIA - EMÍLIA NO PAÍS DA GRAMÁTICA - MONTEIRO LOBATO - COM QUESTÕES OBJETIVAS E GABARITO

 Conto: A Casa da Gritaria - Emília no país da gramática

           Monteiro Lobato

        — Que barulhada! — exclamou Emília, ao aproximar-se da Casa das INTERJEIÇÕES. — Será algum viveiro de papagaios?

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoEOjq6s9iMzFzpGgSCA5SSftblFPqs_r_oyCPVHNKJ2175u0MsJvnu1qTm-ALBMHuVNVcDksmCBk3C4_wfw9cMgF6EH654zkBDX4KdY6A1XbycxwgwNH2LHOZ2btMUGKP3X4rkfETLSnWcuFp6rO7oQzpYeiaq2SUd2i_6LbfrQD9IxWYXj3-sPnNboQ/s320/1853567fab11a9187d1a36d210cdd8ad.jpg


        — São elas. Aquilo lá dentro parece um hospício, porque as Interjeições não passam de gritinhos.

        — Gritos de quê?

    — De tudo. Gritos de Dor, de Alegria, de Aplauso...

        A Casa das Interjeições parecia mesmo um viveiro de papagaios. Assim que entrou, Emília viu passarem correndo dois gemidinhos de DOR, as Interjeições Ai! e Ui! Logo em seguida viu, a dar pulos, três gritinhos de ALEGRIA: — Ah! Oh! Eh! Depois viu três de nariz comprido, as Interjeições de DESEJO: — Tomara! Oh! Oxalá! E viu três num entusiasmo doido — as Interjeições de ANIMAÇÃO: — Eia! Sus! Coragem! E viu quatro de APLAUSO, batendo palmas: — Viva! Bravo! Bem!

        Apoiado! E viu mais quatro com caras de horror e nojo, que eram as Interjeições de AVERSÃO: — Ih, Xi! Irra! Apre! E viu algumas de APELO, chamando desesperadamente alguém:

        — Olá! Psiu! Alô! E viu duas de SILÊNCIO, encolhidinhas, de dedo na boca: — Psiu! Caluda! E viu uma bem velhinha, de ADMIRAÇÃO — Cáspite! 

        — Que baitaquinhas! — comentou Emília, tapando os    ouvidos. — Já estou tonta, tonta...

        — E há ainda aqui — disse o Verbo Ser — esta pequena caixa com as ONOMATOPÉIAS, OU Interjeições IMITATIVAS de certos sons.

        Emília viu nessa caixinha as Onomatopeias Chape!, que imita o som do animal patinhando n'água. E viu Zás-Trás!, que imita movimento rápido. E viu também o célebre Nhoque!, muito usado por Pedrinho para imitar bote de cachorro bravo,  E viu Tchibum! — que imita barulho duma coisa que cai  n'água. E viu Trrrlin!, que imita som de esporas no assoalho,  E viu Tique-Taque, som de relógio. E ToqueToque, som de batida em porta. E viu Coin, Coin, Coin, som de Rabicó quando leva pelotadas do bodoque de Pedrinho.

        — Sim, senhor! — disse Emília, retirando-se. — São muito galantinhas, mas deixam uma pessoa atordoada. Lá no sítio usamos muito algumas destas interjeições, e ainda várias outras inventadas por nós. Tia Nastácia é uma danada para inventar Interjeições. Danada para tudo, aquela negra...

        E, mudando de tom:

        — Por que Vossa Serência não aparece por lá, um dia, para uma visita a Dona Benta? Por ser muito velho? Ora, deixe-se disso!... Estamos lá acostumados com a velhice. Dona Benta é velha e Tia Nastácia também. Cachorro bravo?... Oh, é bicho que nunca houve no sítio. Só temos Rabicó, que é um marquês que não morde, e a Vaca Mocha, que não tem chifre — e agora este Quindim, que é a pérola dos gramáticos.

        — E há ainda mais coisas por lá — continuou Emília, depois duma pausa. — Há os famosos bolinhos de Tia Nastácia, feitos de polvilho, leite, uma colherzinha de sal, etc. Depois ela frita. Quando Rabicó sente de longe o cheiro desses bolinhos, vem na volada. Mas não pilha um só. É comida de gente e não de... marquês.

        E finalizou, com uma piscadinha marota:

        — Dona Benta é viúva. Vá, que até pode sair casamento...

        O Verbo Ser olhava para Emília com os olhos arregalados. Ele não sabia a história da célebre torneirinha de asneiras...

Entendendo o conto:

01. No trecho, o que a personagem Emília pensa que a Casa das INTERJEIÇÕES poderia ser, ao ouvir a barulhada?

A. Um circo com animais.

B. Um asilo de velhinhos.

C. Uma fábrica de doces.

D. Um viveiro de papagaios.

 02. De acordo com o Verbo Ser, por que a Casa das Interjeições parece um hospício?

A. Porque as Interjeições não passam de gritinhos.

B. Porque as Interjeições são bichos selvagens e perigosos.

C. Porque as Interjeições estão doentes e precisam de cuidado.

D. Porque as Interjeições estão sempre cantando ópera.

 

03. Quais Interjeições são representadas no conto como 'gemidinhos de DOR'?

A. Tomara! Oh! Oxalá!

B. Ai! e Ui!

C. Olá! Psiu! Alô!

D. Viva! Bravo!

 

04. Qual é a classificação das interjeições 'Ih, Xi! Irra! Apre!', que Emília viu 'com caras de horror e nojo'?

A. Interjeições de AVERSÃO.

B. Interjeições de APLAUSO.

C. Interjeições de SILÊNCIO.

D. Interjeições de ANIMAÇÃO.

 

05. Qual a onomatopeia que, segundo o texto, imita o som de 'batida em porta'?

A. Tique-Taque.

B. Toque-Toque.

C. Trrrlin!

D. Chape!

 

06. O que as ONOMATOPÉIAS representam, de acordo com a explicação do Verbo Ser?

A. Interjeições Imitativas de certos sons.

B. Interjeições de Desejo.

C. Palavras que indicam nome de pessoas.

D. Gritos de Admiração.

 

07. Qual onomatopeia, listada no texto, representa o som 'que imita barulho duma coisa que cai n’água'?

A. Nhoque!

B. Chape!

C. Zás-Trás!

D. Tchibum!

 

08. Qual interjeição (ou grupo) é mencionada no texto como sendo 'bem velhinha' e expressando ADMIRAÇÃO?

A.Oxalá!

B. Cáspite!

C. Caluda!

D. Ai!

 

09. Ao final do trecho, o que Emília sugere ao Verbo Ser sobre Dona Benta?

A. Que ele deveria fazer os bolinhos de polvilho.

B. Que Dona Benta quer vender o Sítio.

C. Que ele faça uma visita para tentar um casamento com ela.

D. Que ele ajude a proteger o sítio do cachorro bravo.

 

10. Qual personagem do Sítio do Picapau Amarelo é chamado por Emília de 'a pérola dos gramáticos' no final do conto?

A. O Verbo Ser.

B. Quindim.

C. Tia Nastácia.

D. Rabicó.

 

 

 

 

 

CONTO: A VIAGEM - O SÍTIO DO PICA-PAU AMARELO VI - FRAGMENTO - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

 Conto: A viagemO Sítio do Pica-pau Amarelo VI – Fragmento

            Monteiro Lobato

        [...]

        Narizinho respondeu ao convite por meio dum borboletograma.

        Não sabem o que é? Invenção da Emília. Como não houvesse telégrafo para lá, a boneca teve a ideia de mandar a resposta escrita em asas de borboleta. Agarrou uma borboleta azul que ia passando e rabiscou-lhe na asa, com um espinho, o seguinte:

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjjaSBdMOtG-c0lTAsyp41tkEJb76YpM-SMyzYqyj33KTtciZ35FWvrk4eRAJW9sgOB3norqHIbtk2s-0aCxzKj_E0HT0JIipsydXVdgkvg_yXoe3GLY7wLtfDVb9w5VyUqME2nSBcDhz265ogSdamxd0_N07K_ERSWRhWODXWRVkSq5CU7bGfb8Ll9XaM/s320/ilustracao-representativa-dos-personagens-do-sitio-do-picapau-amarelo.jpg


        “Narizinho, a Condessa e o Marquês agradecem a honra do convite e prometem não faltar.”

        — Por que não incluiu o nome de Pedrinho, Emília? — perguntou a menina.

        — Porque ele não é nobre — nem barão ainda é!…

        Pronto que foi o borboletograma, surgiu uma dificuldade. A quem endereçá-lo? À rainha das Vespas ou à das Abelhas?

        — Já resolvo o caso — disse Emília, e soltou a borboleta com estas palavras: “Vá direitinha, hein? Nada de distrair-se com flores pelo caminho.”

        — Ir para onde? — perguntou a borboleta.

        — Para a casa de seu sogro, ouviu? Malcriada! Atrever-se a fazer perguntas a uma condessa!

        — Mas… — ia dizendo humildemente a borboleta. Emília, porém, interrompeu-a com um berro.

        — Ponha-se daqui para fora! Não admito observações. Conheça o seu lugar, ouviu?

        A borboleta lá se foi, amedrontada e desapontadíssima.

        — Você parece louca, Emília! — observou Narizinho. – Como há de ela saber o endereço se você não deu endereço algum?

        — Sabe, sim! — retorquiu a boneca. — São umas sabidíssimas as senhoras borboletas. Se sabem fabricar pó azul para as asas, que é coisa dificílima, como não hão de saber o endereço dum borboletograma?

        [...]

Monteiro Lobato. Reinações de Narizinho. São Paulo, Brasiliense, 1984.

Entendendo o conto:

01 – Qual foi o meio de comunicação inventado por Emília para Narizinho responder ao convite e o que é esse meio?

      O meio de comunicação foi o borboletograma, que é a resposta escrita nas asas de uma borboleta, usada por falta de telégrafo no local.

02 – Quem escreveu a resposta no borboletograma e com o quê?

      A resposta foi escrita por Emília (a boneca) em uma borboleta azul, usando um espinho para rabiscar na asa.

03 – Qual era o conteúdo da mensagem escrita no borboletograma?

      A mensagem era: "Narizinho, a Condessa e o Marquês agradecem a honra do convite e prometem não faltar."

04 – Por que Emília não incluiu o nome de Pedrinho no borboletograma, segundo a própria boneca?

      Emília explicou que não incluiu o nome de Pedrinho porque "ele não é nobre — nem barão ainda é!…".

05 – Qual foi a dificuldade que surgiu após o borboletograma ficar pronto?

      A dificuldade era a quem endereçar a mensagem: "À rainha das Vespas ou à das Abelhas?".

06 – Como Emília resolveu o problema do endereço ao soltar a borboleta?

      Emília disse à borboleta: “Vá direitinha, hein? Nada de distrair-se com flores pelo caminho.” e, quando questionada, respondeu: “Para a casa de seu sogro, ouviu? Malcriada! Atrever-se a fazer perguntas a uma condessa!”. Ela não deu um endereço específico.

07 – Qual foi o argumento de Emília para justificar que a borboleta saberia o endereço, mesmo sem ter sido dado um?

      Emília argumentou que as borboletas "são umas sabidíssimas" e que, se "sabem fabricar pó azul para as asas, que é coisa dificílima, como não hão de saber o endereço dum borboletograma?".

 

CONTO: ENTRE OS ADJETIVOS - EMÍLIA NO PAÍS DA GRAMÁTICA - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

 Conto: Entre os Adjetivos – Emília no país da gramática

           Monteiro Lobato

        No bairro dos ADJETIVOS O aspecto das ruas era muito diferente. Só se viam palavras atreladas. Os meninos admiraram-se da novidade e o rinoceronte explicou:

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgbQfPfv-FtuVg4Z4Bcpl7TNevh7SghcGGwk-K2e2PjljZVzUaG6xFkhxrLU79Jkkpd2PxAwDovuNDLSztnvLfTQPHM4o0kSaWN99ASD__RXCXJ6UnNbUyL4EvLPa8WgBZkIRr2KxIK-8y-pmORlLVEj_o9TDENZq7e_0ysbzf6HexJ9tiCKxNKh0Ohk-E/s320/adjetivos-port-fundo.png

        — Os Adjetivos, coitados, não têm pernas; só podem movimentar-se atrelados aos Substantivos. Em vez de designarem seres ou coisas, como fazem os Nomes, os adjetivos designam as qualidades dos Nomes.

        Nesse momento os meninos viram o Nome Homem, que saía duma casa puxando um Adjetivo pela coleira.

        — Ali vai um exemplo — disse Quindim. — Aquele Substantivo entrou naquela casa para pegar o Adjetivo Magro. O meio da gente indicar que um homem é magro consiste nisso — atrelar o Adjetivo Magro ao Substantivo que indica o Homem.

        — Logo, Magro é um Adjetivo que qualifica o Substantivo — disse Pedrinho — porque indica a qualidade de ser magro.

        — Qualidade ou defeito? — asneirou Emília. — Para Tia Nastácia ser magro é defeito gravíssimo.

        — Não burrifique tanto, Emília! — ralhou Narizinho. — Deixe o rinoceronte falar.

        O armazém dos Adjetivos era bem espaçoso e algumas prateleiras recobriam as paredes. Na prateleira dos qualificativos PÁTRIOS, Narizinho encontrou muitos conhecidos seus, entre os quais Brasileiro, Inglês, Chinês, Paulista, Polaco, Italiano, Francês e Lisboeta, que só eram atrelados a seres ou coisas do Brasil, da Inglaterra, da China, de São Paulo, da Polônia, da Itália, da França e de Lisboa.

        Havia ali muito poucos Adjetivos daquela espécie. Mas as prateleiras dos que não eram Pátrios estavam atopetadinhas. Os meninos viram lá centenas, porque todas as coisas possuem qualidades e é preciso um qualificativo para cada qualidade das coisas. Viram lá Seguro, Rápido, Branco, Belo, Mole, Macio, Áspero, Gostoso, Implicante, Bonito, Amável, etc. — todos os que existem.

        — E na sala vizinha? — perguntou o menino.

        — Lá estão guardadas as LOCUÇÕES ADJETIVAS.

        — O que são essas Senhoras Locuções? — perguntou Emília.

        — São expressões que equivalem a um adjetivo e são empregadas no lugar deles. Por exemplo, quando digo: O calor da tarde aborrece o Visconde, estou usando a Locução Da tarde em lugar do Adjetivo Vespertino; ou quando digo Presente de Rei, em lugar de Presente Rêgio.

        Aquele Presente Régio agradou Emília, que ficou pensativa.

        O movimento no bairro dos Adjetivos mostrava-se intenso. Milhares de Nomes entravam constantemente para retirar das prateleiras os Adjetivos de que precisavam — e lá se iam com eles na trela.

        Outros vinham repor nos seus lugares os Adjetivos de que não necessitavam mais.

        — As palavras não param — observou Quindim. — Tanto os homens como as mulheres (e sobretudo estas) passam a vida a falar, de modo que a trabalheira que os humanos dão às palavras é enorme.

        Nesse momento uma palavra passou por ali muito alvoroçada. Quindim indicou-a com o chifre, dizendo:

        — Reparem na talzinha. É o Substantivo Maria, que vem em busca de Adjetivos. Com certeza trata-se de algum namorado que está a escrever uma carta de amor a alguma Maria e necessita de bons Adjetivos para melhor lhe conquistar o coração.

        A palavra Maria achegou-se a uma prateleira e sacou fora o Adjetivo Bela; olhou-o bem e, como se o não achasse bastante, puxou fora a palavra Mais; e por fim puxou fora o Adjetivo Belíssima.

        — A palavra Mais forma o Comparativo, com o qual o namorado diz que essa Maria é Mais Bela do que tal outra; e com o Adjetivo Belíssima ele dirá que Maria é extraordinariamente bela. E desse modo, para fazer uma cortesia à sua namorada, ele usa os dois GRAUS DO ADJETIVO. Partindo da forma normal que é a palavra Bela, usa o GRAU COMPARATIVO, com a expressão Mais Bela, e usa o GRAU SUPERLATIVO, com a palavra Belíssima.

        — Mas nem sempre é assim — observou Emília. — Lá no sítio, quando eu digo Mais Grande, Dona Benta grita logo: "Mais grande é cavalo".

        — E tem razão — concordou o rinoceronte —, porque alguns Adjetivos, como Bom, Mau, Grande e Pequeno, saem da regra e dão-se ao luxo de ter formas especiais para exprimir o Comparativo. Bom usa a forma Melhor. Mau usa a forma Pior. Grande usa a forma Maior, e Pequeno usa a forma Menor. O resto segue a regra.

        — E para que serve o SUPERLATIVO?

        — Para exagerar as qualidades do Adjetivo. Forma-se principalmente com um íssimo ou com um Érrimo no fim da palavra, como Feliz, Felicíssimo; Salubre, Salubérrimo. Ou então usa o O Mais, como O Mais Feliz.

        — E se quiser exagerar para menos? — indagou Pedrinho.

        — Nesse caso usa a expressão O Menos Feliz...

        — Sim — murmurou Emília distraidamente, com os olhos postos no Visconde, que continuava calado e apreensivo como quem está incubando uma ideia. — O Sonsíssimo Visconde, ou O Mais Sonso de todos os sabugos científicos...

        De fato, o Visconde estava preparando alguma. Deu de ficar tão distraído, que até começou a atrapalhar o trânsito. Tropeçou em várias palavras, pisou no pé de um Superlativo e chutou um O maiúsculo, certo de que era uma bolinha de futebol.

        Que seria que tanto preocupava o Senhor Visconde?

OBRA INFANTO-JUVENIL DE MONTEIRO LOBATO. Edição do Círculo do Livro. Emília no País da Gramática. As figuras de sintaxe. https://www.fortaleza.ce.gov.br.

Entendendo o conto:

01 – Qual é a principal característica das palavras no bairro dos Adjetivos e qual é a função dessas palavras, segundo Quindim?

      A principal característica é que as palavras (Adjetivos) andam atreladas aos Substantivos, pois não têm pernas. A função dos Adjetivos é designar as qualidades (ou defeitos) dos Nomes / Substantivos.

02 – O que são os Adjetivos Pátrios e onde Narizinho os encontrou?

      Os Adjetivos Pátrios são qualificativos que indicam a origem de seres ou coisas. Narizinho os encontrou na prateleira dos qualificativos PÁTRIOS do armazém dos Adjetivos (Ex: Brasileiro, Chinês, Lisboeta).

03 – O que são as Locuções Adjetivas e qual exemplo Quindim usou para ilustrar a substituição de um adjetivo por uma locução?

      Locuções Adjetivas são expressões que equivalem a um adjetivo e são usadas no lugar deles. O exemplo dado foi a substituição do Adjetivo Vespertino pela Locução Adjetiva "Da tarde" (em calor da tarde).

04 – Qual Substantivo (Nome) foi visto buscando Adjetivos no armazém, e qual era a provável razão dessa busca?

      O Substantivo que buscava Adjetivos era Maria. A razão provável era que algum namorado estava escrevendo uma carta de amor para alguma Maria e necessitava de bons Adjetivos para conquistar o coração dela.

05 – Quais são os dois Graus do Adjetivo que a palavra Maria usou para fazer uma cortesia ao seu namorado, e quais palavras foram usadas para formá-los?

      Os dois graus usados foram:

      GRAU COMPARATIVO (com as palavras Mais Bela, usando a palavra Mais).

      GRAU SUPERLATIVO (com a palavra Belíssima, usando o sufixo -íssima).

06 – Quais são os quatro Adjetivos que, de acordo com Quindim, fogem à regra do Comparativo e usam formas especiais? Cite a forma Comparativa de cada um.

      Os quatro Adjetivos são:

      Bom (usa a forma Melhor).

      Mau (usa a forma Pior).

      Grande (usa a forma Maior).

      Pequeno (usa a forma Menor).

07 – O que o Visconde de Sabugosa estava fazendo no final do trecho, e por que Emília o chamou de "O Sonsíssimo Visconde"?

      O Visconde estava calado, apreensivo, tropeçando e atrapalhando o trânsito, pois estava incubando uma ideia (preparando alguma coisa). Emília o chamou de "O Sonsíssimo Visconde" (ou "O Mais Sonso de todos os sabugos científicos") usando um Superlativo (aumentando a qualidade de sonso) para brincar com a distração e a natureza pensativa do sabugo.

 

CONTO: ENTRE AS CONJUNÇÕES - EMÍLIA NO PAÍS DA GRAMÁTICA - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

 Conto: Entre as Conjunções – Emília no país da gramática

           Monteiro Lobato

        O Verbo Ser levou Emília para a Casa das CONJUNÇÕES, que ficava ao lado.

          As Conjunções — explicou ele — também ligam; mas em vez de ligarem simples palavras (como fazem as Preposições) ligam grupos de palavras, ou isso a que os gramáticos chamam:

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjPdXGbyEH7DQDM1HHUVFmP6KOE3QB2sfV55insBEBvbJVfjIB7PbgTSysmcgHnj41AFHvLYX4LnVVsmWyn60DGJY1fJZk_sUrIyDWHlr7PubbGVdbNiU16aOWzP09In7HOqmc50ZZeZGAT4iThNqh5lj1DNrMTx2NjNmTO5Ab5ywUQ8Vhz5J9Gh6PUReE/s320/conjuncoes-tudo-o-que-voce-precisa-para-arrasar-nos-vestibulares.jpg


        ORAÇÃO.

          Oração não é reza? — perguntou Emília.

          E reza e é também uma frase que forma sentido perfeito. Quando alguém diz: Emília é uma boneca, está formando uma Oração curtinha. Mas há frases muito compridas, compostas de várias Orações; nesse caso é preciso ligar as Orações entre si por meio das Conjunções. Não fazendo isso, a frase cai aos pedaços.

          Compreendo — disse Emília. — Se eu digo... — e engasgou.    

          Espere — advertiu Ser. — Se você diz: A água é mole e a pedra é dura, você está amarrando duas Orações diversas com o barbantinho da Conjunção E.

        Emília viu na Casa das Conjunções dois armários, um com as Conjunções COORDENATIVAS e outro com as Conjunções SUBORDINATIVAS. No armário das Coordenativas encontrou muitas conhecidas suas, como E, Também, Então, Bem Como, Que, Ou, Mas, Porém, Todavia, Senão, Somente, Pois Bem, Ora, Aliás...

          Como são numerosas! — comentou a boneca. — Nunca supus que fosse necessário tanta variedade de fios para amarrar as Senhoras Orações.

          Os homens costumam amarrar as Orações de tantos modos diferentes, que todas essas cordinhas se tornam necessárias.

        Emília ainda viu lá Logo, Pois, Portanto, Assim, Por Isso, Daí, Ou, Isto É, Por Exemplo, e muitas mais.

        No segundo armário estavam as Conjunções Subordinativas, que ligam as Orações dum modo especial, escravizando uma à outra. Eram igualmente abundantíssimas, e Emília notou as seguintes: Quando, Apenas, Como, Enquanto, Desde Que, Logo Que, Até Que, Assim Que, Ao Passo Que, Se, Salvo, Exceto, Sem Que, Porque, Visto Que, De Modo Que, Para Que, Segundo, Conforme, Embora e outras.

          Xi... São tantas que já estão me enjoando — disse Emília, fazendo um muxoxo. — Chega de Casa de Fios. Vamos ver outra coisa.

          Só nos resta visitar as Interjeições — disse o Verbo Ser, tirando do bolso uma caixinha de rape para tomar a sua pitada.

          Isso é tabaco ou pó de pirlimpimpim? — perguntou Emília.

          Pó de pirlimpimpim? — repetiu o Verbo Ser, franzindo a testa. — Que pó é esse?

        Emília riu-se.

        — Nem queira saber, Serência! É um pozinho levado da breca. Uma vez tomamos uma pitada e fomos parar na Lua...

        E enquanto ia caminhando para a Casa das Interjeições, a boneca desfiou a primeira aventura da Viagem ao céu.

OBRA INFANTO-JUVENIL DE MONTEIRO LOBATO. Edição do Círculo do Livro. Emília no País da Gramática. As figuras de sintaxe. https://www.fortaleza.ce.gov.br.

Entendendo o conto:

01 – Qual é a principal função das Conjunções, segundo a explicação do Verbo Ser, e qual o seu papel fundamental na construção de frases mais longas?

      A principal função das Conjunções é ligar grupos de palavras, ou o que os gramáticos chamam de Oração. Em frases longas compostas por várias Orações, as Conjunções são necessárias para amarrar as Orações entre si, impedindo que a frase "caia aos pedaços".

02 – O que é uma Oração, no contexto da gramática, de acordo com o Verbo Ser?

      Uma Oração é uma frase que forma sentido perfeito. O Verbo Ser exemplifica com a frase curtinha: "Emília é uma boneca".

03 – Onde as Conjunções estavam guardadas na casa visitada, e quais são os dois grandes grupos em que elas são divididas?

      As Conjunções estavam guardadas em dois armários. Os dois grupos são as Conjunções Coordenativas e as Conjunções Subordinativas.

04 – Qual é a diferença na forma como as Conjunções Coordenativas e Subordinativas ligam as Orações?

      As Conjunções Coordenativas ligam as Orações sem que haja uma relação de dependência explícita (como a Conjunção E). As Conjunções Subordinativas ligam as Orações de um modo especial, escravizando uma à outra (criando uma dependência), como Porque ou Quando.

05 – Emília menciona algumas Conjunções que conhecia, listadas no armário das Coordenativas. Cite três exemplos dessas Conjunções Coordenativas.

      Emília encontrou no armário das Coordenativas conjunções como: E, Ou, Mas, Porém, Todavia, Senão, Logo, Pois, Portanto, Assim, Por Isso, Ora, Aliás, entre outras.