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domingo, 26 de abril de 2026

CONTO: CINDERELA E A AVELEIRA - IRMÃOS GRIMM - COM GABARITO

 Conto: Cinderela e a aveleira

            Irmãos Grimm

 

Há muito tempo, aconteceu que a esposa de um rico comerciante adoeceu gravemente e, sentindo seu fim se aproximar, chamou sua única filha e disse:
- Querida filha, continue piedosa e boa menina que Deus a protegerá sempre. Lá do céu olharei por você, e estarei sempre a seu lado. Mal acabou de dizer isso, fechou os olhos e morreu.

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2PUCMY_zzfXcNeRVmm3qFmqWBga9u79aCtgnZOKf0XJEhEffYyUxmfAbkZhwVkjZeVhaJHuFNzitLqxvDIZnmxrytFACLpeo6O7qtrGQypdgFLIgIF_A7cIghpZiTbeVlvxF00HOc7TZvXUMoZ_G3CZeA43eWAJXHZ672yKFHqBpootQN8-iszl7NXZs/s1600/Cinderela.jpg

A jovem ia todos os dias visitar o túmulo da mãe, sempre chorando muito.
Veio o inverno, e a neve cobriu o túmulo com seu alvo manto.
Chegou a primavera, e o sol derreteu a neve. Foi então que o viúvo resolveu se casar outra vez.
A nova esposa trouxe suas duas filhas, ambas bonitas, mas só exteriormente. As duas tinham a alma feia e cruel.
A partir desse momento, dias difíceis começaram para a pobre enteada.
-  Essa imbecil não vai ficar no quarto conosco! _Reclamaram as moças.
-  O lugar dela é na cozinha! Se quiser comer pão, que trabalhe!
Tiraram-lhe o vestido bonito que ela usava, obrigaram-na a vestir outro, velho e desbotado, e a calçar tamancos.
- Vejam só como está toda enfeitada, a orgulhosa princesinha de antes! -disseram a rir, levando-a para a cozinha.
A partir de então, ela foi obrigada a trabalhar, da manhã à noite, nos serviços mais pesados.
Era obrigada a se levantar de madrugada, para ir buscar água e acender o fogo. Só ela cozinhava e lavava para todos.
Como se tudo isso não bastasse, as irmãs caçoavam dela e a humilhavam.
Espalhavam lentilhas e feijões nas cinzas do fogão e obrigavam-na a catar um a um.
À noite, exausta de tanto trabalhar, a jovem não tinha onde dormir e era obrigada a se deitar nas cinzas do fogão. E, como andasse sempre suja e cheia de cinza, só a chamavam de Cinderela.
Uma vez, o pai resolveu ir a uma feira. Antes de sair, perguntou às enteadas o que desejavam que ele trouxesse.
- Vestidos bonitos- disse uma.
-  Pérolas e pedras preciosas - disse a outra.
- E você, Cinderela, o que vai querer? - perguntou o pai.

 - No caminho de volta, pai, quebre o primeiro ramo que bater no seu chapéu e traga-o para mim.
Ele partiu para a feira, comprou vestidos bonitos para uma das enteadas, pérolas e pedras preciosas para a outra e, de volta para casa, quando cavalgava por um bosque, um ramo de aveleira bateu no seu chapéu. Ele quebrou o ramo e levou-o.
Chegando em casa, deu às enteadas o que haviam pedido e à Cinderela, o ramo de aveleira.
Ela agradeceu, levou o ramo para o túmulo da mãe, plantou-o ali, e chorou tanto que suas lágrimas regaram o ramo. Ele cresceu e se tornou uma aveleira linda.
Três vezes, todos os dias, a menina ia chorar e rezar embaixo dela.
Sempre que a via chegar, um passarinho branco voava para a árvore e, se a ouvia pedir baixinho alguma coisa, jogava-lhe o que ela havia pedido.
Um dia, o rei mandou anunciar uma festa, que duraria três dias.
Todas as jovens bonitas do reino seriam convidadas, pois o filho dele queria escolher entre elas aquela que seria sua futura esposa.
Quando souberam que também deveriam comparecer, as duas filhas da madrasta ficaram contentíssimas.
- Cinderela! - Gritaram. -  Venha pentear nosso cabelo, escovar nossos sapatos e nos ajudar a vestir, pois vamos a uma festa no castelo do rei!
Cinderela obedeceu chorando, porque ela também queria ir ao baile. Perguntou à madrasta se poderia ir, e esta respondeu:
- Você, Cinderela! Suja e cheia de pó, está querendo ir à festa? Como vai dançar, se não tem roupa nem sapatos?
Mas Cinderela insistiu tanto, que afinal ela disse:
-  Está bem. Eu despejei nas cinzas do fogão um tacho cheio de lentilhas. Se você conseguir catá-las todas em duas horas, poderá ir.
A jovem saiu pela porta dos fundos, correu para o quintal e chamou:
-  Mansas pombinhas e rolinhas!
Passarinhos do céu inteiro!
Venham me ajudar a catar lentilhas!
As boas vão para o tacho!
As ruins para o seu papo!
Logo entraram pela janela da cozinha duas pombas brancas; a seguir, vieram as rolinhas e, por último, todos os passarinhos do céu chegaram numa revoada e pousaram nas cinzas.
As pombas abaixavam a cabecinha e pic, pic, pic, apanhavam os grãos bons e deixavam cair no tacho. As outras avezinhas faziam o mesmo. Não levou nem uma hora, o tacho ficou cheio e as aves todas voaram para fora.
Cheia de alegria, a menina pegou o tacho e levou para a madrasta, certa de que agora poderia ir à festa. Porém a madrasta disse:
-  Não, Cinderela. Você não tem roupa e não sabe dançar. Só serviria de caçoada para os outros.
Como a menina começou a chorar, ela propôs:
- Se você conseguir catar dois tachos de lentilhas nas cinzas em uma hora, poderá ir conosco.
Enquanto isso, pensou consigo mesma: “Isso ela não vai conseguir…”
Assim que a madrasta acabou de espalhar os grãos nas cinzas, Cinderela correu para o quintal e chamou:
-  Mansas pombinhas e rolinhas!
Passarinhos do céu inteiro!
Venham me ajudar a catar lentilhas!
As boas vão para o tacho!
As ruins para o seu papo!
E entraram pela janela da cozinha duas pombas brancas; a seguir vieram as rolinhas e, por último, todos os passarinhos do céu chegaram numa revoada e pousaram nas cinzas.
As pombas abaixavam a cabecinha e pic, pic, pic, apanhavam os grãos bons e deixavam cair no tacho. Os outros pássaros faziam o mesmo. Não passou nem meia hora, e os dois tachos ficaram cheios. As aves se foram voando pela janela.
Então, a menina levou os dois tachos para a madrasta, certa de que, desta vez, poderia ir à festa.
Porém, a madrasta disse:
- Não adianta, Cinderela! Você não vai ao baile! Não tem vestido, não sabe dançar e só nos faria passar vergonha!

Contos, fabulas e historinhas: Cinderela
E, dando-lhe as costas, partiu com suas orgulhosas filhas.
Quando ficou sozinha, Cinderela foi ao túmulo da mãe e embaixo da aveleira, disse:
-  Balance e se agite,
árvore adorada,
cubra-me toda
de ouro e prata!
Então o pássaro branco jogou para ela um vestido de ouro e prata e sapatos de seda bordada de prata. Cinderela se vestiu, a toda pressa, e foi para a festa.
Estava tão linda, no seu vestido dourado, que nem as irmãs, nem a madrasta a reconheceram. Pensaram que fosse uma princesa estrangeira, para elas, Cinderela só poderia estar em casa, catando lentilhas nas cinzas.
Logo que a viu, o príncipe veio a seu encontro e, pegando-lhe a mão, levou-a para dançar. Só dançou com ela, sem largar de sua mão por um instante.
Quando alguém a convidava para dançar, ele dizia:
-  Ela é minha dama.
Dançaram até altas horas da noite e, até que Cinderela quis voltar para casa.
-  Eu a acompanho - disse o príncipe. Na verdade, ele queria saber a que família ela pertencia.
Mas Cinderela conseguiu escapar dele, correu para casa e se escondeu no pombal. O príncipe esperou o pai dela chegar e contou-lhe que a jovem desconhecida tinha saltado para dentro do pombal.
“Deve ser Cinderela…”, pensou o pai. E mandou vir um machado para arrombar a porta do pombal. Mas não havia ninguém lá dentro.
Quando chegaram em casa, encontraram Cinderela com suas roupas sujas, dormindo nas cinzas, à luz mortiça de uma lamparina.
A verdade é que, assim que entrou no pombal, a menina saiu pelo lado de trás e correu para a aveleira. Ali, rapidamente tirou seu belo vestido e deixou-o sobre o túmulo. Veio o passarinho, apanhou o vestido e levou-o. Ela vestiu novamente seu vestidinho velho e sujo, correu para casa e se deitou nas cinzas da cozinha.
No dia seguinte, o segundo dia da festa, quando os pais e as irmãs partiram para o castelo, Cinderela foi até a aveleira e disse:
-  Balance e se agite,
árvore adorada,
cubra-me toda
de ouro e prata!
E o pássaro atirou para ela um vestido ainda mais bonito que o da véspera. Quando ela entrou no salão assim vestida, todos ficaram pasmados com sua beleza.
O príncipe, que a esperava, tomou-lhe a mão e só dançou com ela. Quando alguém convidava a jovem para dançar, ele dizia:
-  Ela é minha dama.
Já era noite avançada quando Cinderela quis ir embora.
O príncipe seguiu-a, para ver em que casa entraria.
A jovem seguiu seu caminho e, inesperadamente, entrou no quintal atrás da casa.
Ágil como um esquilo, subiu pela galharia de uma frondosa pereira carregada de frutos que havia ali. O príncipe não conseguiu descobri-la e, quando viu o pai dela chegar, disse:
-  A moça desconhecida escondeu-se nessa pereira.
“Deve ser Cinderela”, pensou o pai. Mandou buscar um machado e derrubou a pereira. Mas não encontraram ninguém na galharia.
Como na véspera, Cinderela já estava na cozinha dormindo nas cinzas, pois havia escorregado pelo outro lado da pereira, correra para a aveleira, e devolvera o lindo vestido ao pássaro. Depois, vestiu o feio vestidinho de sempre, e correu para casa.
No terceiro dia, assim que os pais e as irmãs saíram para a festa, Cinderela foi até o túmulo da mãe e pediu à aveleira:
-  Balance e se agite,
árvore adorada,
cubra-me toda
de ouro e prata!
E o pássaro atirou-lhe o vestido mais suntuoso e brilhante jamais visto, acompanhado de um par de sapatinhos de puro ouro.
Ela estava tão linda, tão linda, que, quando chegou ao castelo, todos emudeceram de assombro. O príncipe só dançou com ela e, como das outras vezes, dizia a todos que vinham tirá-la para dançar:
-  Ela é minha dama.
Já era noite alta, quando Cinderela quis voltar para casa. O príncipe tentou segui-la, mas ela escapuliu tão depressa, que ele não pode alcançá-la.
Dessa vez, porém, o príncipe usara um estratagema: untou com piche um degrau da escada e, quando a moça passou, o sapato do pé esquerdo ficou grudado. Ela deixou-o ali e continuou correndo.
O príncipe pegou o sapatinho: era pequenino, gracioso e todo de ouro.
No outro dia, de manhã, ele procurou o pai e disse:
- Só me casarei com a dona do pé que couber neste sapato.
As irmãs de Cinderela ficaram felizes e esperançosas quando souberam disso, pois tinham pés delicados e bonitos.
Quando o príncipe chegou à casa delas, a mais velha foi para o quarto acompanhada da mãe e experimentou o sapato. Mas, por mais que se esforçasse, não conseguia meter dentro dele o dedo grande do pé. Então, a mãe deu-lhe uma faca, dizendo:
-  Corte fora o dedo. Quando você for rainha, vai andar muito pouco a pé.
Assim fez a moça. O pé entrou no sapato e, disfarçando a dor, ela foi ao encontro do príncipe. Ele recebeu-a como sua noiva e levou-a na garupa do seu cavalo.
Quando passavam pelo túmulo da mãe de Cinderela, que ficava bem no caminho, duas pombas pousaram na aveleira e cantaram:
-  Olhe para trás! Olhe para trás!
Há sangue no sapato,
que é pequeno demais!
Não é a noiva certa
que vai sentada atrás!
O príncipe virou-se, olhou o pé da moça e logo viu o sangue escorrendo do sapato. Fez o cavalo voltar e levou-a para a casa dela.
Chegando lá, ordenou à outra filha da madrasta que calçasse o sapato. Ela foi para o quarto e calçou-o. Os dedos do pé entraram facilmente, mas o calcanhar era grande demais e ficou de fora. Então, a mãe deu-lhe uma faca dizendo:
-  Corte fora um pedaço do calcanhar. Quando você for rainha, vai andar muito pouco a pé.
Assim fez a moça. O pé entrou no sapato e, disfarçando a dor, ela foi ao encontro do príncipe. Ele aceitou-a como sua noiva e levou-a na garupa do seu cavalo.
Quando passavam pela aveleira, duas pombinhas pousaram num dos ramos e cantaram:
-  Olhe para trás! Olhe para trás!
Há sangue no sapato,
que é pequeno demais!
Não é a noiva certa
que vai sentada atrás!
O príncipe olhou o pé da moça, viu o sangue escorrendo e a meia branca, vermelha de sangue. Então virou seu cavalo, levou a falsa noiva de volta para casa e disse ao pai:
-  Esta também não é a verdadeira noiva. Vocês não têm outra filha?
-  Não!- respondeu o pai -  A não ser a pequena Cinderela, filha de minha falecida esposa. Mas é impossível que seja ela a noiva que procura.
O príncipe ordenou que fossem buscá-la.
-  Oh, não! Ela está sempre muito suja! Seria uma afronta trazê-la a vossa presença! - protestou a madrasta.
Porém o príncipe insistiu, exigindo que ela fosse chamada. Depois de lavar o rosto e as mãos ela veio, curvou-se diante do príncipe e pegou o sapato de ouro que ele lhe estendeu.
Sentou-se num banquinho, tirou do pé o pesado tamanco e calçou o sapato, que lhe serviu como uma luva.
Quando ela se levantou, o príncipe viu seu rosto e reconheceu logo a linda jovem com quem havia dançado.
-  É esta a noiva verdadeira! — exclamou, feliz.
A madrasta e as filhas levaram um susto e ficaram brancas de raiva. O príncipe ergueu Cinderela, colocou-a na garupa do seu cavalo e partiram. Quando passaram pela aveleira, as duas pombinhas brancas cantaram:
-  Olhe pare trás! Olhe pare trás!
Não há sangue no sapato,
que serviu bem demais!
Essa é a noiva certa.
Pode ir em paz!
E, quando acabaram de cantar, elas voaram e foram pousar, uma no ombro direito de Cinderela, outra no esquerdo; ali ficaram.
Quando o casamento de Cinderela com o príncipe se realizou, as falsas irmãs foram à festa. A mais velha ficou à direita do altar, e a mais nova, à esquerda.
Subitamente, sem que ninguém pudesse impedir, a pomba pousada no ombro direito da noiva voou para cima da irmã mais velha e furou-lhe os olhos. A pomba do ombro esquerdo fez o mesmo com a mais nova, e ambas ficaram cegas para o resto de suas vidas.

Entendendo o texto

01. O que a mãe de Cinderela pediu à filha antes de morrer?

a) que ela se tornasse a rainha do reino.

b) que ela continuasse piedosa e boa para ter a proteção de deus. c) que ela nunca deixasse seu pai se casar novamente.

d) que ela plantasse uma aveleira sobre o seu túmulo

02. Qual foi o pedido de Cinderela ao seu pai quando ele foi à feira? a) vestidos suntuosos feitos de ouro e prata.

b) pérolas e pedras preciosas para competir com as irmãs.

c) o primeiro ramo que batesse no chapéu dele no caminho de volta.

d) um par de sapatinhos de cristal para usar no baile do rei.

03. Como surgiu a árvore que ajudava Cinderela com seus desejos?

a) a madrasta plantou a árvore para zombar da enteada.

b) o ramo de aveleira foi regado pelas lágrimas de cinderela no túmulo da mãe.

c) o rei enviou a árvore como um presente para todas as jovens do reino.

d) as irmãs trouxeram a muda da feira e cinderela a roubou.

04. Qual estratégia a madrasta usou para tentar impedir Cinderela de ir ao baile?

a) jogou lentilhas nas cinzas para que a moça as catasse em pouco tempo.

b) trancou a jovem em um quarto escuro no sótão.

c) mandou que ela limpasse todas as chaminés da cidade.

d) escondeu todos os sapatos de madeira da enteada. resposta: c

05. Como o príncipe conseguiu fazer com que um dos sapatos de Cinderela ficasse no castelo?

a) ele pediu que ela o entregasse como uma prova de amor.

b) ele amarrou os cadarços da jovem sem que ela percebesse.

c) ele espalhou piche nos degraus da escada para que o sapato grudasse.

d) ele convenceu os passarinhos a roubarem o sapato da moça.

06. O que as irmãs postiças fizeram para tentar enganar o príncipe e calçar o sapato?

a) usaram meias grossas para preencher o espaço vazio.

b) cortaram partes dos próprios pés (dedo e calcanhar) para que coubessem.

c) pediram que uma fada madrinha diminuísse o tamanho de seus pés.

d) lixaram o sapato de ouro até que ele ficasse maior.

07. Como o príncipe descobriu que as irmãs não eram as noivas verdadeiras?

a) a madrasta confessou o crime por estar arrependida.

b) o sapato quebrou enquanto elas caminhavam para o cavalo.

c) cinderela apareceu no castelo gritando a verdade. resposta: c

d) as pombas avisaram que havia sangue escorrendo dos sapatos.


 

sexta-feira, 27 de março de 2026

CONTO DO JOÃO JOGADOR - IRMÃOS GRIMM - COM GABARITO

  Conto do João Jogador

                 Irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm Grimm).


Uma mulher e um homem tiveram um filho. Quando ele nasceu puseram-lhe o nome de João. Desde o tempo em que era pequeno até crescer, só queria jogar cartas.
Deixou então a casa dos pais para viajar, procurando quem quisesse jogar cartas com ele. Todos lhe chamavam João Jogador. Depois de ter ganho a todos dentro do seu reino, foi de reino em reino, sempre a jogar cartas. No jogo de cartas, ninguém lhe ganhava. Vivia como um rei.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhwoV7D_twv-lhRUZzQya6IwMo-ETxYVbocjmGD1RXMhUCU1UR6mfQLRJA4J0o3I1bbX-1bTaIRSjeyQ7klSNp-imW1XvHWmjTU3OYl2DCqUKow5yoBaqkqF2PzwlvdZKD-YQQVG94fjs5llQGrEogvM7WF-0JOQOl_3LRNImbNrJAb-OaQ7hYdAgLtH9g/s320/contosinfancialar2.jpg
 

Era muito vaidoso por causa disto. Um dia foi para terra estrangeira. Lá falou pomposamente de si mesmo, “Deixem saber que se um homem aparecer aqui para jogar eu não lhe viro as costas, deixem saber!” Assim que ele acabou de dizer estas palavras, apareceu à sua frente um gigante. O gigante disse-lhe “Amigo! Estás a desafiar-me? Eu aceito.”João disse-lhe “É o que desejo realmente.”
Os dois começaram a jogar. No início, o gigante começou a perder. Apostou as posses da sua casa, como ouro e prata, assim como todas as outras coisas, e tudo João ganhou. A seguir, apostou todas as outras posses e cavalos, os seus búfalos e porcos; João ganhou tudo. Depois o Gigante apostou a sua mulher, os seus filhos, os seus criados; João ganhou todos. Não havendo mais nada para apostar, o Gigante apostou um dos seus braços, depois o outro braço e perna e finalmente todo o corpo. Tudo João ganhou. Só lhe faltava a cabeça. Depois de pensar, o Gigante resolveu apostar a cabeça.
Então o Gigante começou a ganhar. Primeiro o Gigante recuperou o seu corpo. Depois ganhou de volta a sua mulher, os seus filhos, os criados de sua casa. Ganhou sucessivamente a João, até ele começar a perder tudo o que tinha ganho nos outros reinos. Não havendo mais nada a apostar João apostou então o seu corpo, que o Gigante também ganhou.
Depois disto, o Gigante disse a João “Amigo, agora és meu! Por isso, dentro de setes dias deves chegar a uma porta de ferro no meio das altas montanhas! Se não voltares eu mesmo irei à tua procura!” Dito isto o Gigante desapareceu.
João não sabia bem onde ficava esta terra. Depois de ter pensado, foi perguntar às pessoas. Talvez alguém soubesse onde era a terra da Alta Montanha e da Porta de Aço, mas ninguém sabia. Pensou “Talvez o Gigante me faça mal, porque está quase na altura dele aparecer.”
De manhã saiu outra vez. Decidiu perguntar aos animais. Talvez algum soubesse desta terra. Os animais responderam que não sabiam onde ficava esta terra. Enquanto falava com os animais levantou os olhos para o céu e viu uma águia voar na sua direção. João perguntou-lhe “ Hoy! Amiga águia, sabes onde fica a Montanha Grande e a Porta de Aço?”
A águia respondeu “ Sim sei! Vim agora mesmo de lá!”
João ficou radiante. Perguntou à águia se o podia levar até lá. A águia disse que sim, mas essa terra era muito distante, levaria três dias e três noites a lá chegar, por isso, seria necessário levar provisões. João perguntou-lhe quais eram as provisões necessárias, ao que a águia respondeu “ Um barril de água e um barril de carne. Avisas quando estiver tudo pronto e partiremos imediatamente.”
A águia disse-lhe, “ Bem, podemos ir já. Carregas as provisões e pões tudo em cima de mim e depois sobes. Partiram. Já no ar, a águia disse-lhe “ quando eu te disser fome tu serves-me água e quando eu te disser sede tu partes-me um pedaço de carne.”
Voaram tempos e tempos seguidos. De repente a águia exclamou “Estou com fome” e João retirou um pouco de água que deu à águia. Pouco tempo depois a águia disse “Estou com sede” e João cortou carne e deu-lha. Viajaram constantemente durante três dias e três noites. Ainda havia um pouco de água, mas já não havia carne. A águia sentiu que ele estava muito cansado então disse-lhe “Estou com sede”. João viu que não havia mais carne então cortou com uma faca uma porção da sua perna e deu à águia. Quando viu a carne a águia perguntou a João “ Que tipo de carne é esta com este sangue?”
João respondeu “ É a minha perna, porque já acabou a carne”.
A águia respondeu “Não posso comer da tua perna. Prefiro não comer nada. De qualquer forma ainda temos água suficiente para chegar ao nosso destino” Pouco depois chegaram à Alta Montanha e Porta de Aço. A águia levou João diretamente para casa do gigante no meio de uma montanha solitária, uma casa com uma única porta de aço. Ali, João agradeceu muito sinceramente à águia que partiu imediatamente.
Depois da águia ter partido, João encaminhou-se para a porta do Gigante. O próprio Gigante abriu-lhe a porta e disse-lhe “ Amigo, tens sorte! Caso contrário, serias posto entre os meus dentes. Olha! Já estava vestido para te ir procurar. Só faltava calçar os sapatos. Entra para poderes começar a trabalhar amanhã!”
Depois de ter entrado, o gigante mostrou-lhe toda a casa. Por último trouxe-o para um lugar por baixo do quarto da sua filha mais nova. “ Ficas aqui! Amanhã, às sete horas vens para ouvir as ordens.”
O gigante e a sua mulher tinham sete filhas, todas tão más como eles os dois. Só a mais nova tinha bom coração. Chamavam-lhe Bui Iku, mas o seu nome verdadeiro era Flor Branca. Ela tinha muito bom coração e fazia bem a toda a gente, por causa disso lhe deram aquele nome.
Às sete horas João foi ao quarto do gigante para ouvir as ordens que lhe disse “Tenho o desejo de comer mangas maduras. Amanhã as sete horas estás aqui com as mangas senão morres.”
Depois de ouvir isto João partiu imediatamente à procura das mangas. Procurou por todo o lado mas não encontrou nada porque ainda não era a estação delas. Á medida que o dia foi passando João preocupou-se muito e pensou que talvez no dia seguinte o gigante o fosse matar.
Durante a noite chorou e chorou e a filha mais nova ouviu-o chorar. À meia-noite, quando todos estavam deitados, ela veio ao quarto dele perguntar porque estava ele a chorar. Então ele contou-lhe o pedido que o pai lhe tinha feito e disse-lhe que durante todo o dia tinha percorrido aquela região à procura das mangas mas que não tinha encontrado nada, porque não era a estação delas. “ Talvez amanhã o teu pai me coma mesmo” Depois disto chorou com tanta força que Bui Iku começou também a chorar.
Depois disse-lhe “não tenhas medo. Agarra esta semente de manga e planta-a no chão. Depois os dois olharam juntos a semente que ele tinha plantado no chão e esperaram. Depressa uma árvore saiu do chão dando flor, e depois deu fruto. Eles continuaram a observar a árvore. Os frutos cresceram muito até amadurecerem e cairem no chão. Depois a rapariga mandou-o apanhar a fruta e dirigiu-se para o seu quarto, mas antes avisou-o “ Não contes nada a ninguém, isto fica entre os dois”.
Às sete horas João dirigiu-se aio quarto do gigante. O gigante veio abrir-lhe a porta e disse-lhe “Tens sorte João! Já não vais ser posto entre os meus dentes! Basta! Podes ir. Dentro de momentos vens cá para receber outra ordem. ”Ao meio-dia o Gigante chamou-o e disse-lhe “A minha mulher perdeu o seu anel de ouro no pântano perto da montanha. Deves ir procurá-lo e amanhã às sete horas trazes cá o anel, caso contrário, morres.”
João sabia que este pântano era muito grande e estava cheio de crocodilos. Ainda assim tentou lá ir, no entanto os crocodilos, muito ferozes não o deixaram aproximar e tentaram morder-lhe. João ao fim do dia voltou para o seu quarto e chorou baixinho, durante muito tempo. A meio da noite Bui Iku veio ao seu quarto e perguntou-lhe “João porque choras?” João então contou-lhe o que o gigante lhe tinha pedido e como tinha em vão tentado recuperar o anel, pois os crocodilos nem sequer o tinham deixado entrar na água. Bui Iku disse-lhe “ Não tenhas medo. Agarra o meu anel e põe-no no teu dedo, depois volta ao pântano e se algum crocodilo te quiser fazer mal mostra-lhe o meu anel. João voltou ao pântano e quando os crocodilos se dirigiram a ele, mostrou-lhes o anel fazendo com que todos se escondessem imediatamente nos seus ninhos. Entrou dentro do pântano e não demorou muito a encontrar o anel perdido.
Às sete horas em ponto dirigiu-se ao quarto do Gigante que quando viu o anel ficou muito admirado.

[...]

Ao meio-dia, o Gigante chamou-o e mostrando-lhe um cavalo selvagem disse-lhe “Amanhã às sete horas montas este cavalo e tens que o domar”. João achou que seria bastante difícil pois nunca tinha domado um cavalo selvagem. Foi para o quarto pensar como deveria fazer. A meio da noite, enquanto estava absorto nos seus pensamentos, Bui Iku veio ao seu encontro. Perguntou-lhe o que o preocupava, ao que ele respondeu “Até hoje nunca domei um cavalo, e não sei como fazê-lo”. A rapariga respondeu “João ouve-me, os meus pais sabem que eu sou responsável por tudo o que fizeste até agora, então pediram-te para domares o cavalo de forma a encontrares a morte. Mas não te preocupes. O cavalo é feito de nove de nós. O meu pai será a cabeça do cavalo, a minha mãe será o pescoço do cavalo, as minhas irmãs serão os lados do cavalo, e eu serei a cauda do cavalo. Assim, quando conduzires este cavalo deves-lhe dar muitas pancadas na cabeça, no pescoço, nas costas, em todo o cavalo. Dá-lhe uma verdadeira sova. Deves lembrar-te, não toques na cauda do cavalo. Faz como te digo e no fim veremos!”
Então de manhã cedo João foi montar o cavalo. Levou consigo uma cana e uma pequena faca. O cavalo fez tudo para o deitar abaixo, no entanto, João aguentou-se e bateu no cavalo com a cana e bateu ainda mais. Espetou a faca várias vezes na cabeça do cavalo e nas outras partes. Lutou muito até suor preto sair do cavalo. Quando viu isto parou, porque o cavalo não conseguia andar mais. Vendo o cavalo neste estado, João desmontou-o e foi para o seu quarto. Durante a noite Bui Iku veio ao seu quarto e disse-lhe “Estão todos muito doentes em minha casa. Esta é a melhor altura para fugir. Vai ao estábulo e traz de lá um cavalo. O cavalo que deves trazer é um cavalo magro que se chama Pensamento. Não tragas o mais gordo que se chama Vento. Não te demores! Vai depressa!”
Mas quando João chegou ao estábulo viu que o cavalo Pensamento era mesmo muito magro e pensou que não aguentasse com os dois. Então trouxe o cavalo mais gordo. Quando Bui Iku o viu disse-lhe muito assustada “ Não é este, o outro é mais rápido”, mas João respondeu-lhe que achava que o outro cavalo não aguentaria com os dois, por isso tinha trazido aquele. Bui Iku disse-lhe “ Não importa. Vamos já porque está quase a nascer o sol”. Antes de sairem, ambos puseram saliva dentro de uma casca de coco e puseram-no dentro do quarto de Bui Iku.. Depois partiram. Entretanto, o gigante chamou por Bui Iku. A saliva respondeu “Estou aqui! Estou aqui!”. Depois chamou por João e também a sua saliva respondeu “Estou aqui! Estou aqui!”. Assim continuou até ao amanhecer, até que a saliva secou. O gigante então chamou novamente. Como se ninguém respondesse a mulher do gigante cheia de medo disse-lhe “Eles fugiram”.
O gigante mandou espreitar nos quartos que estavam vazios.
Furioso, o gigante foi a procura deles. Montou o seu cavalo Pensamento. Ele só tinha uma coisa no pensamento, apanhá-los. Bui Iku e João, de repente, sentiram um vento muito forte e Bui Iku disse-lhe “Temos que nos esconder, porque o meu pai vem aí.” Então Bui Iku fez o cavalo mudar de direção e transformar-se num jardim. Transformou-se em vegetal e João pôs-se a regar o vegetal.
Quando o gigante chegou, entrou no jardim e perguntou a João, sem o reconhecer, se ele tinha visto um homem e uma mulher passar, montados num cavalo, por ali. João, fazendo de conta que não percebeu, respondeu-lhe que o seu vegetal era muito pequeno e não lhe poderia vender. Achando que o homem tinha percebido mal, interrogou-o outra vez. Obteve a mesma resposta. Perguntou ainda uma terceira vez e a resposta foi a mesma. Então o gigante voltou para casa.
Quando chegou a casa a mulher perguntou-lhe se tinha encontrado a filha e João. Ele disse que não. A única coisa que encontrei foi um senhor Ninguém, um vegetal e um jardim. Percebendo o que tinha acontecido, a mulher explicou-lhe que o jardim era o cavalo, o vegetal era a rapariga e o homem era João. Convenceu-o então a voltar a sair, pois deveria encontra-los na estrada, a fugir.
Então o gigante voltou à estrada e eles sentiram o vento regressar novamente. “Rápido temos que nos esconder” disse a rapariga. Bui Iku transformou o seu cavalo num tronco de palmeira . Ela transformou-se em ira e João começou a escavar no tronco.
Entretanto o gigante chegou e perguntou-lhe “ Hoy! Amigo! Viste um homem e uma mulher a cavalo passar por aqui? João respondeu “Não te posso vender sumo da palmeira porque só tenho um pouco.” Então o gigante perguntou-lhe outra vez a mesma coisa pensando que o homem não tinha percebido. Perguntou-lhe várias vezes até João enfurecido lhe responder que não lhe podia vender sumo de palmeira, por isso que se fosse embora!
Quando chegou a casa a mulher perguntou-lhe se tinha encontrado a filha e João. Ele disse que não, que só tinha encontrado um homem a raspar a casca de uma palmeira e contou-lhe o estranho episódio, dizendo-lhe que o homem pareceu muito zangado. Mais uma vez a mulher percebeu tudo e, explicando ao gigante, convenceu-o a voltar a procurá-los.
Bui Iku e João continuavam a viajar e entraram nos limites de uma terra cristã.
Bui Iku novamente sentiu o vento a soprar. Desta vez ela transformou o cavalo numa capela, transformou-se em sino e João no homem que toma conta da capela. De repente o gigante apareceu. Viu João e perguntou-lhe: “Hoy! Amigo! Talvez tenha visto uma mulher e um homem montados num cavalo a passar?” João respondeu “ Quer aceitar o cristianismo?” O gigante tornou “ Não amigo! Só lhe perguntei se viu passar por aqui uma mulher e um homem a cavalo?” João disse “Quer confessar-se?” E o gigante “Não!! Só perguntei se por acaso viu um homem e uma mulher a cavalo??!!” Então João respondeu “Você continua a querer perguntar, porque espera aqui?” Então João tocou o sino e as pessoas duma aldeia começaram a juntar-se à frente da Igreja. Vendo tanta gente, o gigante resolveu voltar a casa.
Mais uma vez, contou à mulher o que se tinha passado e mais uma vez ela lhe explicou quem eram na verdade o homem, o sino e a igreja. Mais uma vez o convenceu a voltar a procurar a filha e João. “ Mas desta vez irei contigo!!” disse a mulher.
Ditas estas palavras partiram. E João Jogador e Bui Iku que tinham regressado à sua viagem sentiram o vento levantar-se de novo, mas desta vez acompanhado por chuva. “Talvez desta vez a minha mãe também venha com meu pai. Acho que é isso que esta chuva quer dizer.” E quase ainda não tinha acabado de falar quando viu os pais aproximarem-se. “Bui Iko! Bui Iko!” gritou a mãe. Então Bui Iko disse a João “Depressa, dá-me a minha garrafa de água. A que carregamos conosco para beber.” João agarrou na garrafa e deu-lha. Ela abriu-a e começou a despejá-la no chão. De repente, a água começou a engrossar de caudal até se tornar numa ribeira cujas águas começaram a empurrar tudo com violência. O gigante e a sua mulher foram arrastados pelas águas para o mar e quando morreram, o vento parou e também parou a chuva.
Bui Iko e João continuaram a sua viagem até chegarem a uma grande cidade, nessa terra cristã, onde se estabeleceram. Rapidamente, se casaram, e trabalharam para o melhoramento de todos. Cedo, todos perceberam que eles eram boas pessoas.
Passado algum tempo, o rei daquela terra morreu, e como não tinha filhos, os homens sábios reuniram e tornaram o casal nos governantes do reino. Todos ficaram muito felizes com isto e celebraram convidando os reis dos reinos vizinhos para a festa que durou sete dias e sete noites. Muitos búfalos foram mortos durante as celebrações e quando estas acabaram Bui Iko e João Jogador começaram a governar o reino.
Todos ficaram felizes.

 Entendendo o texto

01. No início da história, qual era a principal característica de João que o levou a viajar por muitos reinos?

a. O seu desejo de se tornar um cavaleiro real.

b. A sua enorme generosidade com os pobres.

c. A sua obsessão e habilidade em jogar cartas.

d. A sua vontade de encontrar uma esposa gigante.

02. O que aconteceu quando João desafiou o Gigante para uma partida de cartas em terra estrangeira?

a. João ganhou facilmente desde o início e ficou com a cabeça do Gigante.

b. O Gigante desistiu do jogo por medo da fama de João.

c. João começou a ganhar tudo, mas o Gigante acabou por recuperar as posses e ganhar o próprio corpo de João.

d. Eles empataram e decidiram viajar juntos para a Montanha Grande.

03. Durante a viagem com a águia, João demonstrou um grande sacrifício pessoal. O que ele fez quando a carne das provisões acabou?

a. Ele decidiu voltar para casa e desistir da viagem.

b. Ele caçou um animal selvagem enquanto voavam.

c. Ele cortou um pedaço da sua própria perna para dar à águia.

d. Ele convenceu a águia a comer apenas os barris de água.

04. Flor Branca (Bui Iku), a filha mais nova do Gigante, ajudou João em várias tarefas impossíveis. Qual foi o primeiro milagre que ela realizou por ele?

a. Ela encontrou o anel de ouro no pântano dos crocodilos.

b. Ela fez uma semente de manga crescer, florescer e dar frutos em apenas uma noite.

c. Ela transformou João num gigante para ele lutar contra o pai dela.

d. Ela deu-lhe uma espada mágica para domar o cavalo selvagem.

05. Por que Flor Branca ficou assustada quando viu que João tinha escolhido o cavalo gordo (Vento) em vez do magro (Pensamento) para a fuga?

a. Porque o cavalo gordo era muito lento e preguiçoso.

b. Porque o cavalo magro, chamado Pensamento, era na verdade o mais rápido.

c. Porque o cavalo gordo pertencia à mãe dela e era amaldiçoado. D. Porque o estábulo estava trancado e o Gigante ia ouvir o barulho.

06. Durante a perseguição, Flor Branca usou o seu poder de transformação para enganar o Gigante. Quais foram as três transformações que eles usaram?

a. Uma pedra, uma árvore e um rio.

b. Um jardim/vegetal, um tronco de palmeira/sumo e uma igreja/sino.

c. Um pássaro, uma nuvem e um castelo de cristal.

d Uma estátua de ouro, um barco e uma ponte de aço.

07. Como terminou a perseguição do Gigante e da sua mulher contra João e Flor Branca?

a. O Gigante pediu perdão e abençoou o casamento dos dois.

b. João usou as suas cartas mágicas para prender os gigantes numa caverna.

c. Flor Branca despejou uma garrafa de água que se transformou numa ribeira violenta, arrastando os pais para o mar.

d. Eles chegaram à terra cristã e os gigantes não puderam entrar por causa da porta de aço.

 


 

CONTO: BRANCA DE NEVE E ROSA VERMELHA (FRAGMENTO) - IRMÃOS GRIMM - COM GABARITO

CONTO: BRANCA DE NEVE E ROSA VERMELHA(FRAGMENTO)

               IRMÃOS GRIMM

 

UMA POBRE VIÚVA VIVIA ISOLADA NUMA PEQUENA CABANA. EM SEU JARDIM HAVIA DUAS ROSEIRAS: EM UMA FLORESCIA ROSAS BRANCAS, E, NA OUTRA, ROSAS VERMELHAS. A MULHER TINHA DUAS FILHAS QUE SE PARECIAM COM AS ROSEIRAS: UMA CHAMAVA-SE BRANCA DE NEVE; A OUTRA ROSA VERMELHA. AS CRIANÇAS ERAM OBEDIENTES E TRABALHADEIRAS. BRANCA DE NEVE ERA MAIS SÉRIA E MAIS MEIGA QUE A IRMÃ. ROSA VERMELHA GOSTAVA DE CORRER PELOS CAMPOS; BRANCA DE NEVE PREFERIA FICAR EM CASA AJUDANDO A MÃE. AS DUAS CRIANÇAS AMAVAM-SE MUITO E QUANDO SAÍAM JUNTAS, ANDAVAM DE MÃOS DADAS.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhTYnUpaq4QiiNjvlKZy0JPIxmcSsszf8Fqa5vMkG1h-ytrItguQjE2EKnue3Z6jzsXIZDq_CIaNxOVK4a6ngboASlqniv7TZPsf_dg2ubNxOrGCqqiCNLvSsL7vRmjTqxQGJMlfwCAExlokrGb9055w7z0pzyAdS0PjUQBd3jAaWnYUaybSx4U5VENF7U/s320/BRANCA.jpg


ELAS PASSEAVAM SOZINHAS NA FLORESTA, COLHENDO AMORAS. OS ANIMAIS NÃO LHES FAZIAM MAL NENHUM E SE APROXIMAVAM DELAS SEM TEMOR. NUNCA LHES ACONTECIA MAL ALGUM. SE A NOITE AS SURPREENDIA NA FLORESTA ELAS SE DEITAVAM NA GRAMA E DORMIAM.

[...]

AS MENINAS MANTINHAM A CABANA DA MÃE BEM LIMPA. DURANTE O VERÃO, ERA ROSA VERMELHA QUE TRATAVA DOS ARRANJOS DA CASA E NO INVERNO, ERA BRANCA DE NEVE. À NOITE, QUANDO A NEVE CAÍA BRANQUINHA E MACIA, BRANCA DE NEVE FECHAVA OS TRINCOS DA PORTA.


À NOITE SENTAVAM PERTO DA LAREIRA E ENQUANTO A MÃE LIA EM VOZ ALTA UM GRANDE LIVRO AS MÃOZINHAS DAS MENINAS FIAVAM; AOS PÉS DELAS, DEITAVA-SE UM CARNEIRINHO, E ATRÁS, EM CIMA DO POLEIRO, UMA POMBA MUITO BRANCA DORMIA COM A CABEÇA ENTRE AS ASAS.


UMA NOITE, QUANDO ESTAVAM ASSIM TRANQUILAMENTE, OUVIRAM BATER À PORTA E A MÃE MANDOU ROSA VERMELHA ABRIR A PORTA POIS DEVIA SER ALGUÉM PROCURANDO ABRIGO.

AO ABRIR A PORTA ROSA VERMELHA VIU UM ENORME URSO QUE COLOCOU A GRANDE CABEÇA ATRAVÉS DA ABERTURA. ELA SOLTOU UM GRITO E CORREU PARA O QUARTO; O CORDEIRINHO  PÔS-SE A BALIR, A POMBA A VOAR, E BRANCA DE NEVE SE ESCONDEU ATRÁS DA CAMA DA MÃE.

-NÃO TENHAM MEDO, - FALOU O URSO - ESTOU GELADO ME DEIXEM AQUECER PERTO DA LAREIRA.

-POBRE ANIMAL, DISSE A MÃE, - CHEGUE PERTO DO FOGO, MAS CUIDADO PARA NÃO SE QUEIMAR.

ENTÃO A MÃE CHAMOU AS MENINAS. ELAS VOLTARAM E, POUCO A POUCO, APROXIMARAM-SE O CORDEIRINHO E A POMBA, SEM MEDO.

-MENINAS - DISSE O URSO - POR FAVOR TIREM A NEVE QUE TENHO NAS COSTAS!

AS MENINAS PEGARAM A VASSOURA E LIMPARAM O SEU PELO; EM SEGUIDA, O URSO ESTENDEU-SE DIANTE DO FOGO, GRUNHINDO SATISFEITO. NÃO DEMOROU MUITO, ELAS PUSERAM-SE A BRINCAR COM ELE. PUXAVAM O PELO COM AS MÃOS, SUBIAM  NAS SUAS COSTAS OU BATIAM NELE COM UMA VARINHA. ELE SÓ RECLAMOU QUANDO ELAS SE EXCEDERAM.

- ROSA VERMELHA E BRANCA DE NEVE, ELE DISSE – TRATEM O VISITANTE COMO SE DEVE!

QUANDO CHEGOU A HORA DE DORMIR E AS MENINAS FORAM DEITAR-SE, A MÃE DISSE AO URSO:

-FIQUE PERTO DO FOGO E VOCÊ ESTARÁ AO ABRIGO DO FRIO E DO MAU TEMPO.

LOGO QUE AMANHECEU, AS MENINAS ABRIRAM A PORTA AO URSO E ELE SE FOI PARA A FLORESTA, CORRENDO SOBRE A NEVE. A PARTIR DESSE DIA, ELE VOLTOU TODAS AS NOITES, À MESMA HORA. ESTENDIA-SE DIANTE DO FOGO E ELAS BRINCAVAM COM ELE.

CHEGOU A PRIMAVERA E TUDO SE COBRIU DE VERDE, ENTÃO O URSO DISSE A BRANCA DE NEVE QUE TINHA QUE IR EMBORA E NÃO VOLTARIA DURANTE O VERÃO, POIS TINHA QUE PROTEGER SEUS TESOUROS DOS MAUS ANÕES. NO INVERNO ELES PERMANECIAM NAS TOCAS; MAS QUANDO O SOL DERRETE A NEVE ELES SAEM E ROUBAM TUDO O QUE PODEM; ESCONDENDO EM SUAS CAVERNAS.

ELA FICOU MUITO TRISTE E QUANDO ABRIU A PORTA PARA O URSO PASSAR, ELE ESFOLOU A PELE NA LINGUETA DA FECHADURA, E BRANCA DE NEVE VIU O BRILHO DE OURO, MAS NÃO TEVE CERTEZA.

ALGUM TEMPO DEPOIS, A MÃE MANDOU AS MENINAS APANHAREM GRAVETOS NA FLORESTA. LÁ CHEGANDO, VIRAM UMA ÁRVORE CAÍDA AO SOLO, E NO TRONCO, ENTRE A RELVA, QUALQUER COISA SE AGITAVA, PULANDO DE UM LADO PARA O OUTRO. AO SE APROXIMAREM, VIRAM UM ANÃO DE ROSTO ACINZENTADO, ENVELHECIDO E ENRUGADO, COM UMA BARBA BRANCA MUITO COMPRIDA. A PONTA DA BARBA ESTAVA PRESA NUMA FENDA DA ÁRVORE. AO VÊ-LO ROSA VERMELHA PERGUNTOU COMO SUA BARBA FICARA PRESA NA ÁRVORE.

-SUA ESTÚPIDA!- RESPONDEU O ANÃO; - EU QUIS PARTIR ESTA ÁRVORE PARA TER LENHA MIÚDA NA COZINHA, PORQUE, COM PEDAÇOS GRANDES, O POUCO QUE POMOS NAS PANELAS QUEIMA LOGO; NÓS NÃO PRECISAMOS DE TANTA COMIDA COMO VOCÊS, GENTE ESTÚPIDA E GULOSA! TINHA INTRODUZIDO O MEU MACHADO NO TRONCO, MAS A MADEIRA É MUITO LISA, O MACHADO SALTOU E A ÁRVORE FECHOU-SE TÃO DEPRESSA PRENDENDO MINHA LINDA BARBA. PAREM DE FICAR SÓ OLHANDO,  SUAS BOBONAS E ME AJUDEM LOGO A  SAIR DAQUI!

AS MENINAS FIZERAM MUITA FORÇA PARA LIVRAR O HOMENZINHO, MAS NÃO CONSEGUIRAM DESPRENDER A BARBA, ENTÃO ROSA VERMELHA DISSE QUE PRECISARIAM DE AJUDA.

-SUAS TOLAS, - GRITOU O ANÃO, - CHAMAR MAIS GENTE? NÃO PODEM TER UMA IDEIA MELHOR?

-NÃO FIQUE NERVOSO, - DISSE BRANCA DE NEVE. - VOU RESOLVER ISTO.

TIROU DO BOLSO UMA TESOURINHA E CORTOU A PONTA DA BARBA. AO SE VER LIVRE, O ANÃO AGARROU UM SACO CHEIO DE OURO ESCONDIDO NAS RAÍZES DA ÁRVORE E, PÔS ÀS COSTAS, SEM AGRADECER, SAIU RESMUNGANDO:

-SUAS BRUTAS! CORTARAM-ME A PONTA DE MINHA LINDA BARBA! VÃO PAGAR CARO POR ISSO!

PASSADO ALGUM TEMPO, BRANCA DE NEVE E ROSA VERMELHA FORAM PESCAR PEIXES PARA O JANTAR. QUANDO CHEGARAM PERTO DO RIO, VIRAM UMA ESPÉCIE DE GAFANHOTO GRANDE SALTITANDO À BEIRA D'ÁGUA. CORRERAM ATÉ LÁ E RECONHECERAM O ANÃO.

ROSA VERMELHA PERGUNTOU:

 - VOCÊ QUER SE JOGAR NA ÁGUA?

 -NÃO SOU TÃO BURRO! - GRITOU O ANÃO. – É ESSE  PEIXE QUE ME ARRASTA PARA A ÁGUA.

PARA PESCAR O ANÃO LANÇOU A LINHA, MAS O VENTO ENROSCOU SUA BARBA NA LINHA E, NESSE MOMENTO, UM GRANDE PEIXE MORDEU A ISCA DO ANZOL E SUAS FORÇAS NÃO ERAM SUFICIENTES PARA MANTÊ-LO FORA DA ÁGUA, MESMO AGARRANDO-SE AOS RAMOS.

 AS MENINAS SEGURARAM O ANÃO PARA DESEMBARAÇAR SUA BARBA, MAS FOI NECESSÁRIO USAR MAIS UMA VEZ A TESOURINHA E CORTAR OUTRO PEDAÇO DA BARBA. ELE GRITOU, ZANGADO:

-ISSO SÃO MODOS, SUAS PATAS CHOCAS, DE DESFIGURAR A CARA DE UMA PESSOA? JÁ NÃO BASTAVA CORTAREM MINHA BARBA DA OUTRA VEZ, AGORA CORTARAM A PARTE MAIS BONITA!

PEGANDO UM SACO DE PÉROLAS, ESCONDIDO NUMA TOUCEIRA ELE SUMIU ATRÁS DE UMA PEDRA.

POUCO TEMPO DEPOIS, A MÃE MANDOU AS MENINAS À CIDADE COMPRAR LINHA, AGULHAS, CORDÕES E FITAS. O CAMINHO PASSAVA  POR UMA PLANÍCIE DE ROCHEDOS. LÁ VIRAM UM GRANDE PÁSSARO PAIRANDO NO AR, QUE DEPOIS DE DESCREVER UM CÍRCULO CADA VEZ MENOR, FOI DESCENDO, ATÉ CAIR SOBRE UM ROCHEDO NÃO MUITO DISTANTE. NO MESMO INSTANTE OUVIRAM UM GRITO. CORRERAM E VIRAM COM HORROR QUE A ÁGUIA SEGURAVA NAS GARRAS O SEU VELHO CONHECIDO, O ANÃO, E SE DISPUNHA A CARREGÁ-LO PELOS ARES. AS MENINAS SEGURARAM O ANÃO COM TODAS AS FORÇAS, E PUXA DE CÁ E PUXA DE LÁ, POR FIM A ÁGUIA TEVE DE LARGAR A PRESA. QUANDO O ANÃO VOLTOU A SI DO SUSTO, GRITOU-LHES COM VOZ ESTRIDENTE:

-NÃO PODEM ME TRATAR COM MAIS CUIDADO? ESTRAGARAM O MEU CASACO! SUAS PALERMAS!

DEPOIS PEGOU UM SACO CHEIO DE PEDRAS PRECIOSAS E DESLIZOU PARA DENTRO DA CAVERNA, ENTRE OS ROCHEDOS. SEM SE INCOMODAR COM SUA INGRATIDÃO, ELAS FORAM PRA CIDADE.

AO REGRESSAREM PELA FLORESTA, ELAS SURPREENDERAM O ANÃO, QUE TINHA DESPEJADO O SACO DE PEDRAS PRECIOSAS NUM LUGAR LIMPINHO. OS RAIOS DO SOL CAIAM SOBRE AS PEDRAS, FAZENDO-AS BRILHAR TANTO, QUE AS MENINAS, DESLUMBRADAS, PARARAM PARA AS ADMIRAR.

-QUE FAZEM AÍ DE BOCA ABERTA? - BERROU O ANÃO; SEU ROSTO ACINZENTADO ESTAVA VERMELHO DE RAIVA. IA CONTINUAR XINGANDO, QUANDO SE OUVIU UM GRUNHIDO SURDO E, UM ENORME URSO NEGRO SAIU DA FLORESTA.

O ANÃO DEU UM PULO DE MEDO, MAS NÃO TEVE TEMPO DE ALCANÇAR UM ESCONDERIJO: O URSO CORTOU-LHE O CAMINHO. ENTÃO ELE IMPLOROU:

-QUERIDO URSO EU LHE DAREI TODOS OS MEUS TESOUROS! DEIXE EU VIVER! VOCÊ NEM ME SENTIRÁ ENTRE SEUS DENTES. PEGUE ESSAS DUAS MENINAS GORDINHAS PARA O SEU ESTÔMAGO!  O URSO NÃO OUVIU SUAS PALAVRAS; DEU-LHE UMA FORTE PATADA QUE O ESTENDEU NO CHÃO.

AS MENINAS FUGIRAM, MAS O URSO CHAMOU OS SEUS NOMES E ELAS RECONHECERAM A SUA VOZ E PARARAM. QUANDO O URSO AS ALCANÇOU, CAIU A SUA PELE E, SURGIU UM FORMOSO RAPAZ, TODO VESTIDO DE TRAJES DOURADOS.

-SOU FILHO DE PODEROSO REI, - DISSE ELE - ESTE ANÃO MAU ME CONDENOU A VIVER PELA FLORESTA SOB A FORMA DE UM URSO DEPOIS DE TER ROUBADO OS MEUS TESOUROS E SÓ COM SUA MORTE EU PODERIA ME LIBERTAR.

BRANCA DE NEVE, POUCO TEMPO DEPOIS, CASOU COM O PRÍNCIPE E ROSA VERMELHA COM SEU IRMÃO. PARTILHARAM, ENTRE TODOS, OS TESOUROS QUE O ANÃO TINHA ACUMULADO NA CAVERNA E A VELHA MÃE VIVEU AINDA MUITOS ANOS TRANQUILA E FELIZ JUNTO DE SUAS QUERIDAS FILHAS E AS DUAS ROSEIRAS QUE FORAM PLANTADAS DIANTE DA JANELA DO SEU QUARTO. E TODOS OS ANOS ELAS CONTINUARAM A DAR AS MAIS LINDAS ROSAS BRANCAS E VERMELHAS.

                                                                               IRMÃOS GRIMM

  Entendendo o texto

01. No início da história, o texto descreve a personalidade das duas irmãs. Como elas se diferenciavam em suas tarefas e gostos?

a. Rosa Vermelha era séria e meiga; Branca de Neve gostava de correr pelos campos.

b. Ambas detestavam morar na cabana e queriam viver na cidade. c. Branca de Neve era mais séria e preferia ajudar a mãe em casa; Rosa Vermelha era mais ativa e gostava de correr ao ar livre.

d. Rosa Vermelha cuidava da casa no inverno e Branca de Neve cuidava no verão.

02. Quando o urso bateu à porta da cabana pela primeira vez em uma noite de inverno, qual foi a reação inicial das meninas e dos animais?

a. Elas o convidaram imediatamente para entrar e tomar sopa.

b. Elas ficaram com medo; Rosa Vermelha correu para o quarto e Branca de Neve se escondeu.

c. O carneirinho e a pomba atacaram o urso para defender a casa. d. A mãe expulsou o animal com uma vassoura para proteger as filhas.

03. Por que o urso precisou ir embora da cabana quando a primavera chegou?

a. Porque ele não gostava do calor e precisava procurar um lugar frio.

b. Porque ele precisava hibernar dentro de uma caverna escura.

c. Porque ele precisava caçar alimentos que só apareciam no verão.

d. Porque ele precisava proteger seus tesouros contra os anões malvados que saíam de suas tocas.

04. Em todas as vezes que as irmãs ajudaram o anão (na árvore, no rio e com a águia), como ele reagiu ao ser salvo?

a. Ele foi muito grato e dividiu seu ouro com as meninas.

b. Ele convidou as meninas para conhecerem sua caverna de tesouros.

c. Ele foi ingrato e grosseiro, reclamando de sua barba cortada ou de seu casaco estragado.

d. Ele fugiu em silêncio sem dizer uma única palavra.

05. Como o feitiço que transformava o príncipe em urso foi finalmente quebrado?

a. Quando Branca de Neve deu um beijo no focinho do urso.

b. Com a morte do anão malvado, que havia roubado os tesouros e condenado o príncipe.

c. Quando as meninas usaram a tesourinha mágica para cortar toda a barba do anão.

d. Quando a mãe das meninas leu o grande livro de magia perto da lareira.

06. O que o anão tentou fazer para se salvar quando foi encurralado pelo urso na floresta?

a. Tentou lutar contra o urso usando seu machado de ouro.

b. Ofereceu todos os seus tesouros e sugeriu que o urso comesse as duas meninas em seu lugar.

c. Pediu desculpas ao príncipe e devolveu a coroa imediatamente.  d. Usou sua barba comprida para amarrar as patas do urso.

07. O final do conto mostra a recompensa pela bondade das irmãs. Como terminou a história da família?

a. Branca de Neve e Rosa Vermelha casaram-se com o príncipe e seu irmão, e viveram felizes com a mãe.

b. Elas voltaram para a cabana e decidiram nunca mais entrar na floresta.

c. A mãe das meninas tornou-se a nova rainha da montanha.

d. Elas abriram uma loja de flores na cidade para vender as rosas brancas e vermelhas.

 

 

  

terça-feira, 15 de abril de 2025

CONTO: O GANSO DE OURO - IRMÃOS GRIMM - COM GABARITO

 Conto: O ganso de ouro

            Irmãos Grimm

        Era uma vez um homem que tinha três filhos. Os dois mais velhos eram tidos como inteligentes e espertos, ao passo que o caçula, todos o consideravam um bobalhão e só o chamavam de João Bocó.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjM1FssXPgNWCNwhx-J1oAyf-JWdjzlFsGDQMZBw7TqJ_bgE6s9SKOVsyUpRQZ_IY9swrWxpdQr-7p7cVj9O3A7LIs5sRtSp3HyQs3Zb3g1s_A1W2esUs9Y-w-_6pNTd7CI2pCczh1ZVDu2M3Y-fqPTyzHIukzzFHEcW0LOPNK2l6HkiWCRARVQjgx6fw4/s320/Simpleton_finds_The_Golden_Goose_-_Project_Gutenberg_eText_15661.jpg

        Um dia, o filho mais velho precisou ir buscar lenha na floresta. A mãe lhe preparou um lanche com um delicioso bolo e uma garrafa de vinho, para que ele não sentisse fome nem sede.

        Quando ia entrando na mata, o moço encontrou um velho grisalho que lhe desejou bom-dia e pediu:

        -- Por favor, me dê um pedacinho do seu bolo e um gole de sua garrafa. Estou morrendo de fome e sede.

        -- Era só o que faltava! — respondeu ele com maus modos. — Se eu lhe der, o que é que sobra para mim? – e, dando-lhe as costas, afundou-se na mata. Mais adiante, quando começou a golpear uma árvore, errou o golpe e feriu-se no braço. Então foi obrigado a voltar para casa, sem trazer um cavaquinho que fosse, sem desconfiar que o acontecido foi por artes do velho grisalho, que era mágico.

        No dia seguinte, o segundo filho foi à floresta buscar lenha. Também para ele, a mãe preparou um bom lanche com bolo e vinho e, assim como aconteceu ao irmão, quando entrou na mata, encontrou o velho grisalho que lhe pediu um pedaço de bolo e um gole de vinho.

        -- Essa é boa! Pensa que vou repartir com um velho vagabundo o que posso comer sozinho? – respondeu o rapaz continuando a andar.

        E não teve melhor sorte que o irmão. Mal começou a golpear uma árvore, a lâmina — por alguma magia que o velho fez – resvalou e o feriu no pé. E lá se foi ele de volta para casa, mancando, sem trazer sequer um galhinho seco.

        No outro dia, João Bocó pediu ao pai que o deixasse buscar lenha na mata.

        -- De jeito nenhum! – respondeu ele. – Se seus irmãos se machucaram, o que acontecerá a um bobo e desastrado como você?

        Mas João Bocó tanto amolou, que o pai acabou cedendo.

        -- Está bem, vá! Se lhe acontecer alguma coisa, tanto melhor! Quem sabe se assim você toma jeito!

        E ele partiu para a floresta, levando de lanche apenas um pãozinho e uma garrafa de água. Lá chegando, encontrou o mesmo velho grisalho que lhe disse “bom dia” e pediu um pedacinho de bolo e um gole de vinho.

        -- Só tenho um pãozinho e uma garrafa de água. Mas o que é meu é seu. Vamos comer juntos – e sentando-se num tronco caído, João Bocó abriu a sacola. Então arregalou os olhos surpresos. O que encontrou dentro dela foi um saboroso bolo e uma garrafa de vinho. “Como a mãe foi boazinha!”, pensou, sem se dar conta de que aquilo foi magia do velho. Comeram os dois com grande apetite e o velho disse:

        -- Quem tem um bom coração, como você, e não hesita em dividir com os outros o pouco que tem, bem merece uma sorte melhor. Está vendo aquela árvore ali adiante? Entre suas raízes, encontrará um presente meu que o fará muito feliz – assim falando, desapareceu.

        João Bocó correu para a árvore e encontrou aninhado entre suas altas raízes uma beleza de ganso, cujas penas eram de ouro puro. Com ele debaixo do braço, resolveu sair pelo mundo em busca de aventuras, em vez de voltar para casa onde era tão pouco querido. Andou, andou e, à tardezinha, chegou a uma estalagem, onde resolveu passar a noite.

        Ora, acontecia que a dona da casa tinha três filhas, três mocinhas abelhudas que, mal viram o ganso de ouro, decidiram que, custasse o que custasse, haveriam de ter algumas de suas peninhas tão lindas. A mais velha ficou espionando e, quando viu o rapaz sair, entrou no quarto dele, aproximou-se devagarinho do ganso e agarrou-o. Foi só fazer isso, ficou com uma das mãos presas nele, sem poder se libertar. Logo depois chegou a outra e, vendo a irmã agarrada ao ganso, pensou: “Se ela pensa que as penas são só dela, engana-se!” e puxou-a pelo vestido. Com isso, ficou com uma das mãos grudada na irmã. Finalmente, com passos de lã, chegou a mais moça. As outras pediram aflitas:

        -- Pelo amor de Deus, não chegue perto de nós!

        Isso só serviu para deixar a mocinha desconfiada.

        -- Querem me passar para trás, heim? – assim dizendo, puxou a segunda das irmãs pela mão e ficou presa também. E todas as três tiveram que passar a noite ao lado do ganso.

        No outro dia bem cedo, João Bocó partiu com seu ganso debaixo do braço, sem nem ligar para as moças. As coitadas, uma presa à outra, foram obrigadas a segui-lo de um lado para outro, para cima e para baixo, onde quer que ele fosse, e como andava ligeiro o danado!

        Um padre que vinha vindo, ao ver passar aquela estranha procissão, parou boquiaberto.

        -- Mas que é isso, moças! Não têm vergonha? Onde já se viu correr assim atrás de um rapaz! — e decidido a detê-las, agarrou a última pelo braço. O resultado é que não pôde mais tirar as mãos do braço dela e, bem contrariado, teve que acompanhar o bando.

        Nesse meio tempo, o sacristão passou por ali e ficou admirado ao ver o padre correndo atrás das moças.

        -- Senhor padre! — chamou ele. — Onde vai com tanta pressa? Esqueceu que temos um batizado hoje? – e agarrou-o pela batina, ficando preso também.

        Agora eram cinco em fila atrás de João Bocó, que não dava sinais de querer parar. Mais adiante, cruzaram com dois robustos camponeses que vinham voltando da lavoura. Aos gritos, o padre pediu-lhes, por favor, que libertassem ele e o sacristão com um bom puxão.

        -- Lá vai! – disseram eles. E largando a enxada arregaçaram as mangas e agarraram o sacristão. Só o que conseguiram, foi ficarem presos também. E todos os sete, trotando atrás de João Bocó, chegaram enfim a uma cidade onde vivia uma princesa tão séria e carrancuda, que jamais alguém a viu sorrir. Em desespero de causa, o rei mandou proclamar por todo o reino que daria a filha em casamento ao primeiro que a fizesse rir.

        João Bocó soube disso e dirigiu-se ao palácio real. Mas nem precisou entrar. A princesa estava na janela, de queixo na mão, cara sombria olhando a rua. Quando viu o rapaz com toda aquela gente em fila atrás dele, as moças chorando, o padre mancando, o sacristão rezando e os camponeses reclamando, desatou a rir com tanto gosto, que parecia não poder parar mais. Então, acabou-se o encanto. Os prisioneiros de João Bocó de repente se viram livres e só pensaram em uma coisa: voltar para casa deles o mais depressa possível.

        Diante de tal sucesso, João Bocó não titubeou em reclamar a mão da princesa. Mas o rei, que não gostou nada do pretendente, depois de muito discutir concordou em dar-lhe a filha com uma condição: o rapaz tinha que trazer alguém que fosse capaz de comer todo o pão do reino.

        João Bocó pensou logo no velho da floresta e foi procurá-lo ao pé da árvore onde havia achado o ganso. O que encontrou foi um homem enorme, com a cara mais triste deste mundo. E quando perguntou a causa de tamanha tristeza, ele respondeu:

        -- Ai de mim! Estou com tanta fome que acho que vou morrer! Acabei de comer cinco fornadas de pão e fiquei na mesma! Será que vou levar a vida apertando o cinto para enganar a fome?

        “É o homem que eu preciso!”, pensou João Bocó. E convidou-o a ir com ele ao palácio do rei, prometendo que encontraria lá o suficiente para matar a fome por três meses. E, de fato, encontraram diante do palácio uma montanha de pão feita com toda a farinha que puderam encontrar no reino. O homem da floresta subiu em cima dela e pôs-se a comer com tal voracidade que, à tardezinha, a montanha já não existia. Então João Bocó reclamou novamente a noiva prometida.

        Mas o rei, que continuava não querendo saber de um genro que, além de pobre, tinha o apelido de João Bocó, veio com nova exigência: só daria a filha se o moço lhe trouxesse um barco que andasse tanto em terra como na água.

        João Bocó voltou à floresta e, desta vez, encontrando o velho mágico em pessoa, explicou-lhe a situação e disse o que queria.

        -- Quem ajuda os outros merece ser ajudado! – o velho disse isso, piscou o olho e desapareceu, deixando no seu lugar o barco exigido.

        Quando o rei viu o rapaz chegar com o barco navegando em chão enxuto, compreendeu que não havia mais jeito. Concedeu-lhe a mão da filha e o casamento realizou-se. Dizem que nunca houve um casal tão feliz nem alguém tão sorridente como a esposa de João Bocó.

Contos de Grimm. Adaptação de Maria Heloisa Penteado. São Paulo: Ática, 1989. p. 23-30.

Fonte: Livro – Português: Linguagens, 5ª Série – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 4ª ed. – São Paulo: Atual Editora, 2006. p. 12-14.

Entendendo o conto:

01 – Como os irmãos mais velhos de João Bocó são caracterizados no início da história?

      Os irmãos mais velhos são tidos como inteligentes e espertos, em contraste com João Bocó, que é considerado um bobalhão.

02 – Qual foi a atitude dos dois primeiros irmãos ao encontrarem o velho grisalho na floresta e qual foi a consequência de suas ações?

      Ambos os irmãos mais velhos foram rudes e egoístas, negando comida e bebida ao velho. Como consequência, ambos se machucaram enquanto tentavam cortar lenha e voltaram para casa sem nada.

03 – O que João Bocó levava de lanche para a floresta e o que ele encontrou em vez disso, graças ao velho?

      João Bocó levava apenas um pãozinho e uma garrafa de água. Em vez disso, encontrou um saboroso bolo e uma garrafa de vinho, resultado da magia do velho.

04 – Qual presente mágico João Bocó encontrou na raiz da árvore e o que ele decidiu fazer com ele?

      João Bocó encontrou um ganso com penas de ouro puro. Em vez de voltar para casa, ele decidiu sair pelo mundo em busca de aventuras.

05 – O que aconteceu com as três filhas da dona da estalagem quando tentaram pegar as penas do ganso de ouro?

      As três filhas ficaram misteriosamente grudadas umas às outras e ao ganso, sendo obrigadas a seguir João Bocó.

06 – Quem mais se juntou à fila de pessoas grudadas seguindo João Bocó e por quê?

      Um padre que tentou repreender as moças, um sacristão que tentou falar com o padre, e dois camponeses que tentaram libertar o padre e o sacristão também ficaram grudados à corrente.

07 – O que fez a princesa, conhecida por nunca sorrir, rir pela primeira vez?

      A princesa riu ao ver a cena de João Bocó com toda aquela gente grudada uns aos outros, em situações engraçadas e desesperadas, seguindo-o pela rua.

08 – Quais foram as duas condições impostas pelo rei para que João Bocó pudesse se casar com a princesa?

      As duas condições foram: primeiro, João Bocó deveria trazer alguém capaz de comer todo o pão do reino; segundo, ele deveria trazer um barco que andasse tanto na terra quanto na água.

09 – Como João Bocó conseguiu cumprir a primeira condição imposta pelo rei?

      João Bocó encontrou o velho da floresta novamente, que havia se transformado em um homem faminto capaz de comer montanhas de pão, e o levou ao palácio para devorar todo o pão do reino.

10 – Quem ajudou João Bocó a cumprir a segunda condição do rei e qual foi o resultado final da história?

      O velho mágico ajudou João Bocó a cumprir a segunda condição, deixando no seu lugar o barco que andava tanto na terra quanto na água. Diante disso, o rei permitiu o casamento de João Bocó com a princesa, e dizem que eles foram um casal muito feliz.