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domingo, 22 de março de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: DO BOM USO DO RELATIVISMO - LEONARDO BOFF - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: Do bom uso do relativismo

                              Leonardo Boff

Hoje pela multimídia, imagens e gentes do mundo inteiro nos entram pelos telhados, portas e janelas e convivem conosco. É o efeito das redes globalizadas de comunicação. A primeira reação é de perplexidade que pode provocar duas atitudes: ou de interesse para melhor conhecer que implica abertura e dialogo ou de distanciamento que pressupõe fechar o espírito e excluir. De todas as formas, surge uma percepção incontornável: nosso modo de ser não é o único. Há gente que, sem deixar de ser gente, é diferente. Quer dizer, nosso modo de ser, de habitar o mundo, de pensar, de valorar e de comer não é absoluto. Há mil outras formas diferentes de sermos humanos, desde a forma dos esquimós siberianos, passando pelos yanomamis do Brasil até chegarmos aos sofisticados moradores de Alfavilles onde se resguardam as elites opulentas e amedrontadas. 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhH4l5oHnotC088QVUBOsP15HUcRur8H109xHQc16J9vm0-X5KaJyYXNd2cUPNGR3Sr6l0tulah2aTLz4qsOaCHGFKVGTw7Qc3T8wSkl9ReGt6lNdzjEe_wJAisS5WWjS4ezImNtGTaW60Pau5a49uUDuw7ZIbFba90zmF3x-n0kVDqupAQmNyyJQKWB7g/s1600/relativismo1-6d330290.jpg


O mesmo vale para com as diferenças de cultura, de língua, de religião, de ética e de lazer. Deste fato surge, de imediato, o relativismo em dois sentidos: primeiro, importa relativizar todos os modos de ser; nenhum deles é absoluto a ponto de invalidar os demais; impõe-se também a atitude de respeito e de acolhida da diferença porque, pelo simples fato de estar-ai, goza de direito de existir e de co-existir; segundo, o relativo quer expressar o fato de que todos estão de alguma forma relacionados. Eles não podem ser pensados independentemente uns dos outros porque todos são portadores da mesma humanidade. Devemos alargar, pois, a compreensão do humano para além de nossa concretização. Somos uma geosociedade una, múltipla e diferente. Todas estas manifestações humanas são portadoras de valor e de verdade. Mas é um valor e uma verdade relativos, vale dizer, relacionados uns aos outros, auto-implicados, sendo que nenhum deles, tomado em si, é absoluto. Então não há verdade absoluta? Vale o every thing goes de alguns pós modernos? Quer dizer, o “vale tudo”? Não é o vale tudo. Tudo vale na medida em que mantém relação com os outros, respeitando-os em sua diferença. Cada um é portador de verdade, mas ninguém pode ter o monopólio dela. Todos, de alguma forma, participam da verdade. Mas podem crescer para uma verdade mais plena, na medida em que mais e mais se abrem uns aos outros. Bem dizia o poeta espanhol António Machado: ”Não a tua verdade. A verdade. Vem comigo buscá-la. A tua, guarde-a”. Se a buscarmos juntos, no diálogo e na cordialidade, então mais e mais desaparece a minha verdade para dar lugar a Verdade comungada por todos. A ilusão do Ocidente é de imaginar que a única janela que dá acesso à verdade, à religião verdadeira, à autêntica cultura e ao saber crítico é o seu modo ver e de viver. As demais janelas apenas mostram paisagens distorcidas. Ele se condena a um fundamentalismo visceral que o fez, outrora, organizar massacres ao impor a sua religião e, hoje, guerras para forçar a democracia no Iraque e no Afeganistão. Devemos fazer o bom uso do relativismo, inspirados na culinária. Há uma só culinária, a que prepara os alimentos humanos. Mas ela se concretiza em muitas formas, as várias cozinhas: a mineira, a nordestina, a japonesa, a chinesa, a mexicana e outras. Ninguém pode dizer que só uma é a verdadeira e gostosa e as outras não. Todas são gostosas do seu jeito e todas mostram a extraordinária versatilidade da arte culinária. Por que com a verdade deveria ser diferente?

Entendendo o texto

01.Segundo o primeiro parágrafo, qual é a principal causa da nossa convivência atual com imagens e pessoas do mundo inteiro?

a. O efeito das redes globalizadas de comunicação e da multimídia.

b. A vontade das pessoas de morarem em outros países.

c. O aumento do turismo em massa para o Brasil.

d. A leitura de livros antigos sobre diferentes culturas.

02. O autor afirma que a percepção de que nosso modo de ser não é o único é "incontornável". O que isso significa no contexto do texto?

a. Que podemos facilmente ignorar as outras culturas.

b. Que é impossível não perceber que existem outras formas de viver além da nossa.

c. Que as outras culturas são menos importantes que a nossa.

d. Que todos os seres humanos pensam e comem da mesma maneira.

03. Qual é o primeiro sentido de "relativismo" apresentado pelo autor?

a. Que cada um deve viver isolado em seu próprio mundo.

b. Que as elites devem ser protegidas em condomínios fechados.

c. Que nenhum modo de ser é absoluto e todos merecem respeito e acolhida.

d. Que a nossa cultura é a única que possui a verdade total.

04. O autor utiliza a expressão "vale tudo" para explicar o relativismo?

a. Sim, ele defende que qualquer comportamento é aceitável, mesmo sem respeito.

b. Sim, ele acredita que não existem regras na sociedade moderna. c. Não, ele afirma que apenas a cultura ocidental tem as regras corretas.

d. Não, ele diz que "tudo vale" apenas na medida em que se mantém a relação e o respeito pela diferença do outro.

05. Qual é a crítica que Leonardo Boff faz ao "Ocidente" no texto?

a. A ilusão de achar que o seu modo de ver e viver é a única janela para a verdade.

b. Que o Ocidente não tem tecnologia suficiente para a comunicação.

c. O fato de o Ocidente gostar muito de culinária estrangeira.

d. A falta de interesse do Ocidente em organizar guerras e massacres.

06. Para explicar o bom uso do relativismo, o autor faz uma comparação com qual área do conhecimento humano?

a. A Engenharia, comparando os povos a grandes construções.

b. A Culinária, mostrando que existem várias cozinhas gostosas e verdadeiras.

c. A Medicina, comparando a verdade a um remédio para a alma.  d. O Esporte, dizendo que a vida é uma competição entre as nações.

07. No final do texto, ao citar o poeta António Machado, qual é a mensagem transmitida sobre a "Verdade"?

a. Que cada pessoa deve guardar sua verdade e nunca compartilhá-la.

b. Que a verdade não existe e ninguém deve procurá-la.

c. Que a verdade pertence apenas aos poetas e escritores famosos.

d. Que a verdade é algo que se busca junto, no diálogo e na convivência.

 

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: JUVENTUDE E PARTICIPAÇÃO - LUÍS DE LA MORA - COM GABARITO

 ARTIGO DE OPINIÃO: Juventude e Participação

                                       LUÍS DE LA MORA

 Inicialmente, gostaria de destacar que toda avaliação é feita a partir de uma comparação. Neste caso, essa comparação poderia ser feita em duas direções. Uma delas em relação a outras faixas etárias e a outra em relação à juventude de épocas passadas. Em relação à primeira dimensão, me parece que o comportamento político da juventude não seja diferente do de outras faixas etárias. Os que avaliam como baixa a participação política da juventude atual não podem afirmar que seja diferente da participação política das outras faixas. Existem parcelas da população passivas (e entre elas há jovens e também adultos), assim como existem parcelas da população com alta taxa de participação política, e entre elas podemos igualmente identificar jovens e adultos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj_0-JVLKgRvUN5R7oIXbU6TNhXygRI7rGJWc0IqnYTnHcBZciRsPVah2HoiVSVTx-EHlRPFL19msGKtU4ML2T1jvIgp9MPl83HO5rfXWfHN_mO8Ro9D8EDw4at4sYHADs-1I3FM6GviU1pylfsZS4eJhk4pnja6yhhvZrRim4bSxEuGZjLZ91m_PMkbfI/s320/JOVEM.jpg


Logo, uma comparação entre faixas etárias não nos leva a concluir que seja baixa a participação política da juventude. Agora, em relação à outra dimensão, a comparação entre juventudes de épocas diferentes, podemos constatar diferenças que aparentemente levem algumas pessoas a afirmações do tipo “a juventude atual não está com nada”, “antigamente os jovens tinham maior consciência e atuação política”. E aqui, novamente, devemos analisar a questão por partes. Jovens alienados e passivos sempre existiram ao lado de jovens conscientizados e ativos politicamente.

Deve-se reconhecer que a proporção entre essas duas categorias muda com o tempo, tem épocas em que a proporção de jovens ativos se amplia e em outras épocas diminui. Mas esse aumento ou diminuição é uma expressão da sociedade como um todo e não de uma determinada faixa etária. Se numa época a parcela de jovens cresce e se torna mais intensa, é porque esse mesmo fenômeno se manifesta na sociedade como um todo.  comportamento juvenil expressa as tendências gerais da sociedade como um todo. A grande diferença está nos meios de que dispõem os jovens para desenvolver sua consciência crítica ou para manifestar sua postura política. Aí, sim, registramos mudanças radicais em relação a outras épocas.

Atualmente, os jovens têm acesso aos meios de comunicação que permitem ampliar a velocidade e a abrangência da transmissão de ideias, o que oferece facilidades nunca antes disponíveis para a expressão política da juventude.

A minha resposta pode parecer otimista e tenho plena consciência de que ela é. Os jovens da atualidade não são diferentes dos jovens de outras épocas, aceitam ou rechaçam valores, assumem ou não atitudes políticas com a mesma postura dos jovens do passado, a diferença não está no grau e sim na forma. Não muda o caminho, muda a forma de caminhar.

 LUÍS DE LA MORA

Adaptado de www.cipo.org.br

 Entendendo o texto

01. Qual é o argumento do autor ao comparar a participação política dos jovens com a de outras faixas etárias (adultos)?

a. Ele afirma que os jovens participam muito mais do que os adultos.

b. Ele defende que o comportamento político da juventude não é diferente do de outras idades, havendo pessoas ativas e passivas em ambos os grupos.

c. Ele acredita que os adultos são os únicos que possuem consciência política real.

d. Ele sugere que os jovens deveriam parar de se comparar com os adultos.

02. O que o autor pensa sobre frases como "a juventude atual não está com nada" ou "antigamente os jovens eram mais ativos"?

a. Ele analisa que jovens ativos e passivos sempre existiram em todas as épocas.

b. Ele concorda totalmente, pois acha que os jovens de hoje são alienados.

c. Ele acredita que antigamente não existiam jovens alienados.

d. Ele afirma que a juventude de hoje é a primeira a ter consciência política.

03. Segundo o texto, quando a parcela de jovens ativos cresce em uma determinada época, isso é sinal de que:

a. Os jovens decidiram mudar sozinhos, sem influência de ninguém.

b. As escolas passaram a obrigar os alunos a protestar.

c. Os adultos deixaram de participar para dar lugar aos mais novos.

d. Esse fenômeno de maior participação está acontecendo na sociedade como um todo.

04. Qual é a "grande diferença" apontada pelo autor entre a juventude de hoje e a de épocas passadas?

a. O grau de inteligência dos jovens, que aumentou muito.

b. Os meios disponíveis (como a comunicação e tecnologia) para desenvolver a consciência e manifestar opiniões.

c. O fato de que hoje os jovens não gostam mais de política.

d. A coragem, que era muito maior nos jovens do passado.

05. Como o acesso aos meios de comunicação modernos influencia a expressão política da juventude atual?

a. Atrapalha a transmissão de ideias, pois causa muita confusão.

b. Faz com que os jovens prefiram apenas diversão em vez de política.

c. Permite ampliar a velocidade e a abrangência da transmissão de pensamentos e críticas.

d. Garante que todas as ideias transmitidas sejam verdadeiras.

06. O que o autor quer dizer com a frase final: "Não muda o caminho, muda a forma de caminhar"?

a. Que os jovens estão perdidos e não sabem qual caminho seguir.

b. Que as estradas antigamente eram mais difíceis de percorrer do que as de hoje.

c. Que a política mudou tanto que o caminho antigo foi destruído.

d. Que os objetivos e a postura política continuam os mesmos, o que mudou foi o jeito (os meios) de agir.

07. O autor se define como alguém "otimista" em relação ao tema. Por que ele tem essa visão?

a. Porque ele acha que os jovens de hoje são perfeitos e nunca erram.

b. Porque ele acredita que os jovens mantêm a mesma essência de busca por valores do passado, apenas usando novas ferramentas. c. Porque ele não conhece os problemas da juventude atual.

d. Porque ele acredita que a política vai deixar de existir no futuro.

 

 

 

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: PROMOÇÃO X MITIFICAÇÃO DA LEITURA - BRITTO. L.L. E BARZOTTO V.H. - COM GABARITO

 ARTIGO DE OPINIÃO: PROMOÇÃO X MITIFICAÇÃO DA LEITURA

                                                     (BRITTO, L. L. e BARZOTTO, V. H.

 

Este é o quadro: crendo que a questão da leitura é um problema pessoal, de gosto e interesse, que pode ser resolvido através do estímulo e do proselitismo*, constrói-se um movimento em que, na tentativa de interferir no comportamento dos sujeitos, de modo a fazê-los leitores, se combinam sedução e persuasão intelectual, através da vinculação da leitura ora a um valor maior (leitura de ilustração; leitura redentora) ora a um apelo emocional (leitura hedonista; leitura de entretenimento), e da criação de estratégias e ambientes favorecedores de "práticas leitoras" (sensibilização, ambiência, atração, contação de história, dramatização, etc.).

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEghQ9373zey1qqIyOLLLmNDicmQ9UbBS1F4B5-s3tWhuehKyfhIGh-NF-U2TLkmxZZo6hHLVQW_Awf1Z3BXZI5keqougwkCv4apEKiY1j7qFV3PJEvy80gLQcbmaUVqt_K8kxws4IUaflEOZsWU5avl2BvYbD_8NogKhPdbu2ZGhVPC5ITl3gu2KxrvnGA/s1600/LEITURA.jpg


A promoção da leitura, vista desde uma perspectiva não-ingênua, é um problema político e não apostólico. O leitor não é um sujeito desarraigado de sua condição de classe, que encontra na leitura uma forma de redenção individual. O que está em questão é o direito do cidadão de ter acesso (material e intelectual) à informação escrita e à cultura letrada e não um comportamento de avaliação subjetiva. Ninguém fica necessariamente bom porque lê, nem faz sentido apelos morais para que as pessoas leiam. (...)

Do mesmo modo que, no que diz respeito à saúde, cabe ao Estado garantir uma rede de atenção integral ao cidadão (hospitais, médicos, medicamentos) e garantir o investimento em pesquisa e produção, compete ao Estado garantir o direito à leitura, através da instalação de bibliotecas, salas de leitura e aparelhamento das escolas; da formação e remuneração apropriada aos profissionais ligados à leitura (bibliotecários, professores); e do estímulo à produção intelectual cultural e científica. (...)

Se queremos promover a leitura efetivamente, como bem público, como marca de cidadania, temos de abandonar visões ingênuas de leitura e investir no conhecimento objetivo das práticas de leitura e num movimento pelo direito de poder ler. O excluído de fato da leitura não é o sujeito que sabe ler e que não gosta de romance, mas o mesmo sujeito que, no Brasil de hoje, não tem terra, não tem emprego, não tem habitação.

A questão da leitura na sociedade contemporânea é uma questão político-social e não de gosto ou prazer!

 

(BRITTO, L. L. e BARZOTTO, V. H. "Em Dia: Leitura & Crítica". Campinas: Associação de Leitura do Brasil, agosto de 1998.)

Entendendo o texto

01. De acordo com o texto, qual é a visão "ingênua" que se tem sobre a leitura?

a. Que a leitura é um direito de todos os cidadãos garantido pelo Estado.

b. Que a leitura é um problema de gosto pessoal que se resolve apenas com estímulos e festas.

c. Que a leitura deve ser ensinada apenas nas bibliotecas públicas. d. Que ler é importante para conseguir um bom emprego no futuro.

02. Os autores afirmam que a promoção da leitura não deve ser vista como algo "apostólico", mas sim como um problema:

a. Religioso e espiritual.

b. Emocional e de entretenimento.

c. Político e de direito do cidadão.

d. De falta de criatividade dos professores.

03. O que o texto defende que o Estado deve fazer para garantir o direito à leitura?

a. Obrigar todas as pessoas a lerem pelo menos um livro por mês. b. Criar propagandas na TV dizendo que ler faz as pessoas ficarem bonitas.

c. Instalar bibliotecas, equipar escolas e pagar bem os professores e bibliotecários.

d. Distribuir apenas livros de romance e contos de fadas para as crianças

04. Segundo o texto, quem é o verdadeiro "excluído" da leitura no Brasil?

a. O cidadão que não tem acesso a direitos básicos como terra, emprego e habitação

b. A pessoa que sabe ler, mas prefere ver televisão ou jogar videogame.

c. O estudante que não gosta de ler os livros clássicos da literatura.

d. Os professores que não têm tempo de ler durante o intervalo das aulas.

05. Qual é a conclusão principal dos autores sobre a leitura na sociedade atual?

a. Que ler é um prazer individual e ninguém deve interferir nisso.

b. Que a leitura é uma questão político-social e um direito de acesso à informação.

c. Que as pessoas só vão ler se as histórias forem dramatizadas com fantasias.

d. Que a leitura serve apenas para tornar as pessoas mais "boas" e educadas.

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: PREVISÕES DE ESPECIALISTAS - HÉLIO SCHWARTSMAN - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: Previsões de especialistas

                                 HÉLIO SCHWARTSMAN

  A mídia nos bombardeia diariamente com as previsões de especialistas sobre o futuro. Esses experts mais erram do que acertam, mas nem por isso deixamos de recorrer a eles sempre que o horizonte se anuvia. Como explicar o paradoxo?

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhETgDHueEuEydgufmR_KB4kWMPfBdYGS6FEfzXX9WeMQn55JhaCyxWZyOUOIgi-ioMPKzmRC0w6RhL9Fy7WaqqYY7_P6dkpi6PHg0QAq3FMorGuWH5Z0vfGFxK0r8TKfGBAn2DHxsYyXsI-PI-uJH4hS8rI5bVkcfPxJC5ZYEyYkSo3OafcozBASnZ45E/s1600/dan.jpg 


Uma boa tentativa é o recém-lançado livro do escritor e jornalista Dan Gardner. As passagens mais divertidas do livro são sem dúvida aquelas em que o autor mostra, com exemplos e pesquisas científicas, quão precária é a previsão econômica e política.

Num célebre discurso de 1977, por exemplo, o então presidente dos E.U.A., Jimmy Carter, ancorado nos conselhos dos principais experts do planeta, conclamou os americanos a reduzir drasticamente a dependência de petróleo de sua economia, porque os preços do hidrocarboneto subiriam e jamais voltariam a cair, o que inevitavelmente destruiria o “American way”. Oito anos depois, as cotações do óleo despencaram e permaneceram baixas pelas duas décadas seguintes.

Alguém pode alegar que Gardner escolhe de propósito alguns exercícios de futurologia que deram errado apenas para ridicularizar a categoria toda.

Para refutar essa objeção, vamos conferir algumas abordagens do problema.

Em 1984, uma revista britânica pediu a 16 pessoas que fizessem previsões sobre taxas de crescimento, câmbio, inflação e outros dados econômicos. Quatro dos entrevistados eram ex-ministros de finanças; quatro eram presidentes de empresas multinacionais; quatro, estudantes de economia de Oxford; e quatro, lixeiros de Londres. Uma década depois, as predições foram contrastadas com a realidade e classificadas pelos níveis de acerto. Os lixeiros terminaram empatados com os presidentes de corporações em primeiro lugar. Em último, ficaram os ministros – o que ajuda a explicar uma ou outra coisinha sobre governos.

A razão para tantas dificuldades em adivinhar o futuro é de ordem física. Nós nos habituamos a ver a ciência prevendo com enorme precisão fenômenos como eclipses e marés. Só que esses são sistemas lineares ou, pelo menos, sistemas em que dinâmicas impostas pelo caos podem ser desprezadas. E, embora um bom número de fenômenos naturais seja linear, existem muitos que não o são. Quando o homem faz parte da equação, pode-se esquecer a linearidade.

Nossos cérebros também trazem de fábrica alguns vieses que tornam nossa espécie presa fácil para adivinhos. Procuramos tão avidamente por padrões que os encontramos até mesmo onde não existem. Temos ainda compulsão por histórias, além de um desejo irrefreável de estar no controle. Assim, alguém que ofereça numa narrativa simples e envolvente a previsão do futuro pode vendê-la facilmente a incautos. Não é por outra razão que oráculos, profecias e augúrios estão presentes em quase todas as religiões.

Como diz Gardner, “vivemos na Idade da Informação, mas nossos cérebros são da Idade da Pedra”. Eles não foram concebidos para processar o papel do acaso, no cerne do conhecimento científico atual. Nós continuamos a tratar as falas dos especialistas como se fossem auspícios** divinos. Como não poderia deixar de ser, frequentemente quebramos a cara.

 

HÉLIO SCHWARTSMAN

Adaptado de www1.folha.uol.com.br, 30/06/2011

 

Entendendo o texto

 

01. Qual é o paradoxo apresentado pelo autor logo no primeiro parágrafo?

a. Os especialistas sempre acertam, mas ninguém acredita neles.

b. Os especialistas erram com frequência, mas as pessoas continuam recorrendo a eles.

c. A mídia não gosta de especialistas, mas é obrigada a contratá-los.

d. O futuro é fácil de prever, mas os jornalistas complicam as explicações.

02. O exemplo do discurso do presidente Jimmy Carter em 1977 serve para mostrar que:

a. Até mesmo os principais especialistas do mundo podem errar previsões sobre o petróleo.

b. Os políticos sempre sabem o que vai acontecer com a economia.

c. Os Estados Unidos nunca dependeram de petróleo estrangeiro.  d. O "American Way" foi destruído conforme a previsão dos especialistas.

03. No experimento realizado pela revista britânica em 1984, qual grupo de pessoas obteve o mesmo nível de acerto que os presidentes de multinacionais?

a. Os ex-ministros de finanças.

b. Os estudantes de economia de Oxford.

c. Os lixeiros de Londres.

d. Os editores da própria revista.

04. De acordo com o texto, por que é mais fácil prever eclipses e marés do que fenômenos econômicos?

a. Porque os fenômenos naturais são lineares e precisos, enquanto fenômenos que envolvem o homem são caóticos e não lineares.

b. Porque os astrônomos estudam mais do que os economistas.

c. Porque o sol e a lua são objetos pequenos e fáceis de observar. d. Porque a ciência ainda não inventou aparelhos para medir a economia.

05. O autor afirma que nosso cérebro traz "vieses de fábrica". O que isso significa na prática?

a. Que nascemos sabendo tudo sobre matemática e estatística.

b. Que temos uma tendência natural de procurar padrões e histórias simples, o que nos torna alvos fáceis para adivinhos.

c. Que nossos cérebros são modernos demais para entender as religiões antigas.

d. Que somos incapazes de aprender coisas novas sobre o futuro.

06. Qual é o significado da frase de Dan Gardner: “vivemos na Idade da Informação, mas nossos cérebros são da Idade da Pedra”?

a. Que, apesar de termos muita tecnologia, nossa biologia ainda busca segurança e padrões da mesma forma que nossos ancestrais faziam.

b. Que não temos computadores suficientes para processar dados.

c. Que os homens das cavernas faziam previsões melhores do que os especialistas atuais.

d. Que o cérebro humano está diminuindo de tamanho com o passar do tempo.

07. Qual é a conclusão do autor sobre a forma como tratamos as falas dos especialistas?

a. Que devemos segui-las cegamente, pois são como avisos divinos.

b. Que a economia se tornou uma nova religião oficial.

c. Que frequentemente "quebramos a cara" porque tratamos opiniões de especialistas como verdades absolutas, ignorando o papel do acaso.

d. Que os especialistas deveriam ser proibidos de falar na televisão.

 

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: HERÓI NA CONTEMPORANEIDADE - FERNANDO CHUÍ - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: Herói na contemporaneidade

                                 Fernando Chuí

Quando eu era criança, passava todo o tempo desenhando super-heróis.

Recorro ao historiador de mitologia Joseph Campbell, que diferenciava as duas figuras públicas: o herói (figura pública antiga) e a celebridade (a figura pública moderna). Enquanto a celebridade se populariza por viver para si mesma, o herói assim se tornava por viver servindo sua comunidade. Todo super-herói deve atravessar alguma via crucis. Gandhi, líder pacifista indiano, disse que, quanto maior nosso sacrifício, maior será nossa conquista. Como Hércules, como Batman.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEyBd8WT5ZiOW9S_ouf85nqXXwP1eEWE7HvUI2TlEfvCn7fKkaT5krSGSvvsBLAm7h1XdESUaBAKF1pnYhNswb85QYsvh1emfGqi6otSg0U44jehGO7HjwTwN-Q9HrYAoWa8Os7YOjQxpvxgs0fp9NL7q5JXx9WK5rswCZJwrt9SigoxcveUXCGJk8wHA/s320/HEROI.jpg


Toda história em quadrinhos traz em si alguma coisa de industrial e marginal, ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Os filmes de super-herói, ainda que transpondo essa cultura para a grande e famigerada indústria, realizam uma outra façanha, que provavelmente sem eles não ocorreria: a formação de novas mitologias reafirmando os mesmos ideais heroicos da Antiguidade para o homem moderno. O cineasta italiano Fellini afirmou uma vez que Stan Lee, o criador da editora Marvel e de diversos heróis populares, era o Homero dos quadrinhos.

Toda boa história de super-herói é uma história de exclusão social. Homem-Aranha é um nerd, Hulk é um monstro amaldiçoado, Demolidor é um deficiente, os X-Men são indivíduos excepcionais, Batman é um órfão, Super-Homem é um alienígena expatriado. São todos símbolos da solidão, da sobrevivência e da abnegação humanas.

Não se ama um herói pelos seus poderes, mas pela sua dor. Nossos olhos podem até se voltar a eles por suas habilidades fantásticas, mas é na humanidade que eles crescem dentro do gosto popular. Os super-heróis que não sofrem ou simplesmente trabalham para o sistema vigente tendem a se tornar meio bobos, como o Tocha-Humana ou o Capitão América.

Hulk e Homem-Aranha são seres que criticam a inconsequência da ciência, com sua energia atômica e suas experiências genéticas. Os X-Men nos advertem para a educação inclusiva. Super-Homem é aquele que mais se aproxima de Jesus Cristo, e por isso talvez seja o mais popular de todos, em seu sacrifício solitário em defesa dos seres humanos, mas também tem algo de Aquiles, com seu calcanhar que é a kriptonita. Humano e super-herói, como Gandhi.

4Não houve nenhuma literatura que tenha me marcado mais do que essas histórias em quadrinhos. Eu raramente as leio hoje em dia, mas quando assisto a bons filmes de super-heróis eu lembro que todos temos um lado ingênuo e bom, que pode ser capaz de suportar a dor da solidão por um princípio.

FERNANDO CHUÍ

Adaptado de http://fernandochui.blogspot.com

Entendendo o texto

01. Qual é a principal diferença entre um "herói" e uma "celebridade", segundo o historiador Joseph Campbell citado no texto?

a. A celebridade é mais famosa que o herói nos dias de hoje.

b. A celebridade vive para si mesma, enquanto o herói vive para servir à sua comunidade.

c. O herói sempre tem superpoderes e a celebridade apenas muito dinheiro.

d. O herói é uma figura moderna e a celebridade é uma figura pública antiga.

02. Por que o cineasta Fellini comparou Stan Lee (criador da Marvel) ao poeta grego Homero?

a. Porque ambos escreviam histórias sobre alienígenas e tecnologia.

b. Porque os dois viveram na mesma época e eram amigos pessoais.

c. Porque Stan Lee desenhava os seus próprios livros de forma industrial.

d. Porque Stan Lee, assim como Homero na Antiguidade, criou grandes mitologias que refletem ideais heroicos para a sua época.

03. O autor afirma que "toda boa história de super-herói é uma história de exclusão social". Qual exemplo do texto justifica essa afirmação?

a. O Homem-Aranha, que é retratado como um nerd, e o Demolidor, que é um deficiente.

b. O Capitão América, que trabalha para o sistema vigente.

c. O Tocha-Humana, que é considerado um herói muito popular e sério.

d. O herói que vive cercado de amigos e nunca se sente sozinho.

04. De acordo com o texto, o que faz com que os super-heróis cresçam no "gosto popular"?

a. A quantidade de vilões que eles conseguem derrotar em cada filme.

b. As suas habilidades fantásticas e poderes impossíveis.

c. A sua humanidade e a capacidade de sentir dor, e não apenas seus poderes.

d. O fato de eles trabalharem sempre para o governo e para o sistema.

05. Por que o autor compara o Super-Homem tanto a Jesus Cristo quanto a Aquiles?

a. Porque ele é um alienígena que gosta de história antiga e religião.

b. Porque ele é o herói mais forte de todos e nunca sofreu nenhuma derrota.

c. Porque ele foi criado por Stan Lee para ser um deus na Terra.

d. Pelo seu sacrifício solitário em defesa dos humanos (como Cristo) e por possuir uma fraqueza específica, a kriptonita (como o calcanhar de Aquiles).

06. Qual é a crítica social que personagens como Hulk e Homem-Aranha representam, segundo o autor?

a. Uma crítica à falta de segurança nas grandes cidades.

b. Uma crítica à inconsequência da ciência, como as experiências genéticas e a energia atômica.

c. Uma crítica ao preço elevado das histórias em quadrinhos nas bancas.

d. Uma crítica aos jovens que não gostam de estudar biologia.

07. Ao final do texto, o que o autor sente quando assiste a bons filmes de super-heróis?

a. Ele lembra que todos temos um lado bom e ingênuo, capaz de suportar a solidão por um princípio.

b. Ele sente vontade de voltar a desenhar como fazia quando era criança.

c. Ele percebe que a literatura clássica é muito melhor que os quadrinhos.

d. Ele fica triste por não ter os mesmos poderes que os personagens do cinema.

 

 

 

sexta-feira, 20 de março de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: GERAÇÃO CANGURU - GILBERTO DIMENSTEIN - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Geração Canguru

                Gilberto Dimenstein

 

        Ao mapear novas tendências de consumo no Brasil, publicitários acreditam ter detectado a "Geração Canguru". São jovens bem-sucedidos profissionalmente, têm entre 25 e 30 anos de idade e vivem na casa dos pais. O interesse neles é óbvio: compõem um nicho de consumidores com alto poder aquisitivo.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj25MSf4vvsp1lDHGYNh9fO_kni_fWpdeuMM_z8L3j7T_PNI7_qqF_8r-b7m8ycvrm8cIPz8LBW6wzrLmJF_SA7Xhx5SSVeAs3y8ZMbyZviUTIGFcQR5JdBkBObtJdpbk_nd7YY8NT8wBC4lZOzNgNPlubcZ1F5FMOub9PT7plelpFnBNxIA4B4Z3ucWQk/s1600/CANGURU.jpg

        Ainda na "bolsa" da mãe, eles mostram que mudaram as fronteiras entre o jovem e o adulto. Até pouquíssimo tempo atrás, um marmanjão de 30 anos, enfiado na casa dos pais, seria visto como uma anomalia, suspeito de algum desequilíbrio emocional que retardou seu crescimento.

         O efeito "canguru" revela que pais e filhos estão mutuamente mais compreensivos e tolerantes, capazes de lidar com suas diferenças. Para quem se lembra dos conflitos familiares do passado, marcados pelo choque de gerações, os "cangurus" até sugerem um grau de civilidade. Não é tão simples assim.

         Estudos de publicitários divulgados nas últimas semanas indicam um lado tumultuado – e nem um pouco saudável – dessa relação familiar. Por trás das frias estatísticas sobre tendência do mercado, a pergunta que aparece é a seguinte: até que ponto os brasileiros mais ricos estão paparicando a tal ponto seus filhos que produzem indivíduos com baixa autonomia?

         Ao investigar uma amostra de 1.500 mães e filhos, no Rio e em São Paulo, a TNS InterScience concluiu que 82% das crianças e dos adolescentes influenciam fortemente as compras das famílias. A pressão é especialmente intensa nas classes A e B, cujas crianças, segundo os pesquisadores, empregam cada vez mais a estratégia das birras públicas para ganhar, na marra, o objeto de desejo.

         Com medo das birras, as mães tentam, segundo a pesquisa, driblar os filhos e não levá-los às compras, especialmente nos supermercados, mas, muitas vezes, acabam cedendo. Os responsáveis pelo levantamento da InterScience atribuem parte do problema ao sentimento de culpa. Isso porque, devido ao excesso de trabalho, os pais ficam muito tempo longe de casa e querem compensar a ausência com presentes.

         Uma pesquisa encomendada pelo Núcleo Jovem da Abril detectou que muitos dos novos consumidores vivem uma ansiedade tamanha que nem sequer usufruem o que levam para casa. Já estão esperando o produto que vai sair. É ninfomania consumista. Jovens relataram que nunca usaram, nem mesmo uma vez, roupas que adquiriram. Aposentam aparelhos eletrodomésticos comprados recentemente porque já estariam defasados.

         Psicólogos suspeitam que essa atitude seja uma fuga para aplacar a ansiedade e a carência, provocadas, em parte, pela falta de limite. Imaginando-se modernos, pais tentam ser amigos de seus filhos e, assim, desfaz-se a obrigação de dizer não e enfrentar o conflito. O resultado é, no final, uma desconfiança, explicitada pelos entrevistados, ainda maior em relação aos adultos.

         Outro estudo, desta vez patrocinado pela MTV, detectou um início de tendência entre os jovens de insatisfação diante de pais extremamente permissivos. Estão demandando adultos mais pais do que amigos. Para complicar ainda mais a insegurança das crianças e dos adolescentes, a violência nas grandes cidades leva os pais, compreensivelmente, a pilotar os filhos pelas madrugadas, para saber se não sofreram uma violência. Brincar nas ruas está desaparecendo da paisagem urbana, ajudando a formar seres obesos, presos ao computador.

         Há pencas de estudo mostrando como a brincadeira, dessas em que nos sujamos, ralamos o joelho na árvore, ajuda a desenvolver a criatividade, o senso de autonomia e de cooperação. É um espaço de estímulo à imaginação.

         Todos sabemos como é difícil alguém prosperar, com autonomia, se não souber lidar com a frustração. Muito se estuda sobre a importância da resiliência – a capacidade de levar tombos e levantar como um elemento educativo fundamental.

         Professores contam, cada vez mais, como os alunos não têm paciência de construir o conhecimento e desistem logo quando as tarefas se complicam um pouco. Por isso, entre outras razões, os alunos decepcionam-se rapidamente na faculdade que exige mais foco em poucos assuntos.

         Os educadores alertam que muitos jovens têm dificuldade de postergar o prazer e buscam a realização imediata dos desejos; respondem exatamente ao bombardeamento publicitário, inclusive na ingestão de álcool, como vamos testemunhar, mais uma vez, nas propagandas de cerveja neste verão. Daí o risco de termos "cangurus" que fiquem cada vez mais na bolsa (e no bolso) dos pais.

         P.S. – Em todos esses anos lidando com educação comunitária, posso assegurar que uma das melhores coisas que as escolas de elite podem fazer por seus alunos é estimulá-los ao empreendedorismo social. É um notável treino para enfrentar desafios. Enfrentam-se em asilos, creches e favelas os limites e as carências. Conheci casos e mais casos de alunos problemáticos que mudaram sua cabeça ao desenvolver uma ação comunitária e passaram, até mesmo, a valorizar o aprendizado curricular.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/colunas/gd121205.htm

Entendendo o artigo:

01 – De acordo com o texto, quem faz parte da chamada "Geração Canguru"?

A) Crianças que gostam de animais selvagens e da natureza.

B) Jovens de 25 a 30 anos, bem-sucedidos, que ainda moram na casa dos pais.

C) Pais que decidem morar na casa dos filhos para ajudá-los com as despesas.

D) Pessoas que viajam muito para a Austrália a trabalho.

02 – Por que o autor utiliza o termo "Canguru" para descrever esses jovens?

A) Porque eles são muito rápidos e atletas como os cangurus.

B) Porque eles gostam de se vestir com roupas esportivas.

C) Porque, assim como o filhote de canguru, eles continuam "na bolsa" (dependendo) dos pais por mais tempo.

D) Porque eles têm o hábito de saltar de um emprego para outro.

03 – Segundo o artigo, qual é um dos motivos para os pais darem tantos presentes e não imporem limites aos filhos?

A) O desejo de que os filhos se tornem colecionadores de objetos caros.

B) A falta de dinheiro, que os faz comprar apenas o necessário.

C) O sentimento de culpa por passarem muito tempo longe de casa devido ao trabalho.

D) A orientação dos psicólogos para que os pais sejam apenas amigos dos filhos.

04 – O texto menciona que o excesso de mimos e a falta de limites podem causar um problema nos jovens. Que problema é esse?

A) O aumento da inteligência e da criatividade.

B) A dificuldade de lidar com frustrações e a baixa autonomia (capacidade de se virar sozinho).

C) O desejo de sair de casa o mais rápido possível para morar sozinho.

D) A melhora no desempenho escolar e nas tarefas difíceis.

05 – Qual é a crítica principal que o autor faz em relação ao consumo dos jovens atuais?

A) Que os jovens compram apenas o que é essencial para a sobrevivência.

B) Que os jovens estão comprando demais, às vezes sem nem usar o que levam para casa (consumismo exagerado).

C) Que os jovens não sabem usar a internet para fazer compras.

D) Que os jovens preferem economizar dinheiro para o futuro.

 

 

 

quinta-feira, 19 de março de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: OS JOVENS E A CIÊNCIA NO BRASIL - FRAGMENTO - ANTÔNIO GOIS - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Os jovens e a ciência no Brasil – Fragmento

        Por Antônio Gois – 24/06/2019 • 04:30

        A maioria dos jovens brasileiros diz demonstrar interesse por temas científicos e valorizar o trabalho dos cientistas. Sete em cada dez afirmam que a atividade traz para a humanidade muitos benefícios e 60%, mesmo sabendo que os recursos públicos são limitados e que gastar mais com uma área pode significa aplicar menos em outra, defendem ampliar investimentos no setor. Apesar dessa boa imagem, poucos, mesmo entre aqueles que frequentam o ensino superior, são capazes de citar o nome de um cientista ou de uma instituição de pesquisa. E mais da metade deles deu respostas erradas à maioria de perguntas básicas de conhecimento científico.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjVolgLdfx__5hxlsnBl7mD7LnIW_dKBC0YIYH0qMgn51-Kuobl2a53rexv0RMNLb6dGNj58RdhG62FWBp21QFrQSrKm_2ww53w4ft-N1sClNRR8-UX4vMfnPJrR2bV7Px6hNlQiDdpz2uoKtLbkS8eSG75YdWCzbAHDrAyemZyiffyIrdK9bLOFR6gMgg/s1600/JOVENS.png


        Esses são dados de uma pesquisa que o INCT-CPCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia) divulga hoje na Fiocruz. Ela foi feita entre os meses de março e abril deste ano com uma amostra de dois mil brasileiros representativa da população de 15 a 24 anos. O levantamento envolveu também uma etapa qualitativa, em que pesquisadores conversaram com mais profundidade com grupos de jovens a respeito dos resultados da pesquisa nacional, e sobre como identificam notícias falsas sobre temas científicos.

        [...]

        Na pesquisa qualitativa, jovens comentaram que, em vez de buscarem ativamente informações sobre ciência e tecnologia, o mais comum é que eles “tropecem” nessas informações, o que reforça a necessidade de ter estratégias mais ativas de levar informação qualificada a esse público. Essa é uma tarefa ainda mais relevante considerando que 69% dos entrevistados disseram ser difícil ou muito difícil saber se uma notícia em ciência e tecnologia é falsa ou verdadeira. Um dado interessante, destacado pelo pesquisador Yurij Castelfranchi, é que entre jovens que relataram terem nos últimos 12 meses visitado museus, bibliotecas, parques ambientais ou participado de eventos científicos, o percentual dos que relatam dificuldade em identificar notícias falsas cai para 44%. 

        Há muitos outros dados da pesquisa que merecem ser aprofundados, para aproveitar melhor o interesse declarado dos jovens em ciência e com o objetivo de capacitá-los para tomar melhores decisões sobre sua vida e sobre o planeta, sempre baseadas nas melhores evidências científicas. 

GOIS, Antônio. Os jovens e a ciência no Brasil. O Globo, 24 jun. 2019. Disponível em: https://blogs.oglobo.globo.com/antonio-gois/post/os-jovens-e-a-ciencia-no-brasil.html. Acesso em: 26 out. 2020. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 68.

Entendendo o artigo:

01 – Qual é a principal contradição apresentada no primeiro parágrafo sobre a relação dos jovens brasileiros com a ciência?

      A contradição reside no fato de que, embora a maioria dos jovens (7 em cada 10) demonstre interesse e valorize o trabalho científico, poucos conseguem citar o nome de um cientista ou instituição de pesquisa, e mais da metade errou perguntas básicas de conhecimento científico.

02 – De acordo com os dados da pesquisa, qual é a postura dos jovens em relação ao investimento público em ciência?

      Mesmo cientes de que os recursos públicos são limitados e que o investimento em uma área pode afetar outras, 60% dos jovens defendem a ampliação dos investimentos no setor científico.

03 – Como a maioria dos jovens brasileiros costuma ter acesso a informações sobre ciência e tecnologia, segundo a etapa qualitativa da pesquisa?

      Os jovens relataram que não buscam ativamente essas informações; o mais comum é que eles "tropecem" nelas de forma casual. Isso indica a necessidade de estratégias mais ativas para levar informação qualificada a esse público.

04 – Qual é a principal dificuldade apontada por 69% dos entrevistados em relação ao consumo de notícias científicas?

      A grande maioria (69%) afirmou que considera difícil ou muito difícil distinguir se uma notícia sobre ciência e tecnologia é verdadeira ou falsa (fake news).

05 – Que fator parece contribuir para que o jovem tenha mais facilidade em identificar notícias falsas, conforme destacado pelo pesquisador Yurij Castelfranchi?

      O contato direto com espaços de conhecimento. Entre os jovens que visitaram museus, bibliotecas, parques ambientais ou eventos científicos nos últimos 12 meses, o percentual de dificuldade em identificar notícias falsas cai de 69% para 44%.