Mostrando postagens com marcador GILBERTO DIMENSTEIN. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador GILBERTO DIMENSTEIN. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de março de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: GERAÇÃO CANGURU - GILBERTO DIMENSTEIN - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Geração Canguru

                Gilberto Dimenstein

 

        Ao mapear novas tendências de consumo no Brasil, publicitários acreditam ter detectado a "Geração Canguru". São jovens bem-sucedidos profissionalmente, têm entre 25 e 30 anos de idade e vivem na casa dos pais. O interesse neles é óbvio: compõem um nicho de consumidores com alto poder aquisitivo.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj25MSf4vvsp1lDHGYNh9fO_kni_fWpdeuMM_z8L3j7T_PNI7_qqF_8r-b7m8ycvrm8cIPz8LBW6wzrLmJF_SA7Xhx5SSVeAs3y8ZMbyZviUTIGFcQR5JdBkBObtJdpbk_nd7YY8NT8wBC4lZOzNgNPlubcZ1F5FMOub9PT7plelpFnBNxIA4B4Z3ucWQk/s1600/CANGURU.jpg

        Ainda na "bolsa" da mãe, eles mostram que mudaram as fronteiras entre o jovem e o adulto. Até pouquíssimo tempo atrás, um marmanjão de 30 anos, enfiado na casa dos pais, seria visto como uma anomalia, suspeito de algum desequilíbrio emocional que retardou seu crescimento.

         O efeito "canguru" revela que pais e filhos estão mutuamente mais compreensivos e tolerantes, capazes de lidar com suas diferenças. Para quem se lembra dos conflitos familiares do passado, marcados pelo choque de gerações, os "cangurus" até sugerem um grau de civilidade. Não é tão simples assim.

         Estudos de publicitários divulgados nas últimas semanas indicam um lado tumultuado – e nem um pouco saudável – dessa relação familiar. Por trás das frias estatísticas sobre tendência do mercado, a pergunta que aparece é a seguinte: até que ponto os brasileiros mais ricos estão paparicando a tal ponto seus filhos que produzem indivíduos com baixa autonomia?

         Ao investigar uma amostra de 1.500 mães e filhos, no Rio e em São Paulo, a TNS InterScience concluiu que 82% das crianças e dos adolescentes influenciam fortemente as compras das famílias. A pressão é especialmente intensa nas classes A e B, cujas crianças, segundo os pesquisadores, empregam cada vez mais a estratégia das birras públicas para ganhar, na marra, o objeto de desejo.

         Com medo das birras, as mães tentam, segundo a pesquisa, driblar os filhos e não levá-los às compras, especialmente nos supermercados, mas, muitas vezes, acabam cedendo. Os responsáveis pelo levantamento da InterScience atribuem parte do problema ao sentimento de culpa. Isso porque, devido ao excesso de trabalho, os pais ficam muito tempo longe de casa e querem compensar a ausência com presentes.

         Uma pesquisa encomendada pelo Núcleo Jovem da Abril detectou que muitos dos novos consumidores vivem uma ansiedade tamanha que nem sequer usufruem o que levam para casa. Já estão esperando o produto que vai sair. É ninfomania consumista. Jovens relataram que nunca usaram, nem mesmo uma vez, roupas que adquiriram. Aposentam aparelhos eletrodomésticos comprados recentemente porque já estariam defasados.

         Psicólogos suspeitam que essa atitude seja uma fuga para aplacar a ansiedade e a carência, provocadas, em parte, pela falta de limite. Imaginando-se modernos, pais tentam ser amigos de seus filhos e, assim, desfaz-se a obrigação de dizer não e enfrentar o conflito. O resultado é, no final, uma desconfiança, explicitada pelos entrevistados, ainda maior em relação aos adultos.

         Outro estudo, desta vez patrocinado pela MTV, detectou um início de tendência entre os jovens de insatisfação diante de pais extremamente permissivos. Estão demandando adultos mais pais do que amigos. Para complicar ainda mais a insegurança das crianças e dos adolescentes, a violência nas grandes cidades leva os pais, compreensivelmente, a pilotar os filhos pelas madrugadas, para saber se não sofreram uma violência. Brincar nas ruas está desaparecendo da paisagem urbana, ajudando a formar seres obesos, presos ao computador.

         Há pencas de estudo mostrando como a brincadeira, dessas em que nos sujamos, ralamos o joelho na árvore, ajuda a desenvolver a criatividade, o senso de autonomia e de cooperação. É um espaço de estímulo à imaginação.

         Todos sabemos como é difícil alguém prosperar, com autonomia, se não souber lidar com a frustração. Muito se estuda sobre a importância da resiliência – a capacidade de levar tombos e levantar como um elemento educativo fundamental.

         Professores contam, cada vez mais, como os alunos não têm paciência de construir o conhecimento e desistem logo quando as tarefas se complicam um pouco. Por isso, entre outras razões, os alunos decepcionam-se rapidamente na faculdade que exige mais foco em poucos assuntos.

         Os educadores alertam que muitos jovens têm dificuldade de postergar o prazer e buscam a realização imediata dos desejos; respondem exatamente ao bombardeamento publicitário, inclusive na ingestão de álcool, como vamos testemunhar, mais uma vez, nas propagandas de cerveja neste verão. Daí o risco de termos "cangurus" que fiquem cada vez mais na bolsa (e no bolso) dos pais.

         P.S. – Em todos esses anos lidando com educação comunitária, posso assegurar que uma das melhores coisas que as escolas de elite podem fazer por seus alunos é estimulá-los ao empreendedorismo social. É um notável treino para enfrentar desafios. Enfrentam-se em asilos, creches e favelas os limites e as carências. Conheci casos e mais casos de alunos problemáticos que mudaram sua cabeça ao desenvolver uma ação comunitária e passaram, até mesmo, a valorizar o aprendizado curricular.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/colunas/gd121205.htm

Entendendo o artigo:

01 – De acordo com o texto, quem faz parte da chamada "Geração Canguru"?

A) Crianças que gostam de animais selvagens e da natureza.

B) Jovens de 25 a 30 anos, bem-sucedidos, que ainda moram na casa dos pais.

C) Pais que decidem morar na casa dos filhos para ajudá-los com as despesas.

D) Pessoas que viajam muito para a Austrália a trabalho.

02 – Por que o autor utiliza o termo "Canguru" para descrever esses jovens?

A) Porque eles são muito rápidos e atletas como os cangurus.

B) Porque eles gostam de se vestir com roupas esportivas.

C) Porque, assim como o filhote de canguru, eles continuam "na bolsa" (dependendo) dos pais por mais tempo.

D) Porque eles têm o hábito de saltar de um emprego para outro.

03 – Segundo o artigo, qual é um dos motivos para os pais darem tantos presentes e não imporem limites aos filhos?

A) O desejo de que os filhos se tornem colecionadores de objetos caros.

B) A falta de dinheiro, que os faz comprar apenas o necessário.

C) O sentimento de culpa por passarem muito tempo longe de casa devido ao trabalho.

D) A orientação dos psicólogos para que os pais sejam apenas amigos dos filhos.

04 – O texto menciona que o excesso de mimos e a falta de limites podem causar um problema nos jovens. Que problema é esse?

A) O aumento da inteligência e da criatividade.

B) A dificuldade de lidar com frustrações e a baixa autonomia (capacidade de se virar sozinho).

C) O desejo de sair de casa o mais rápido possível para morar sozinho.

D) A melhora no desempenho escolar e nas tarefas difíceis.

05 – Qual é a crítica principal que o autor faz em relação ao consumo dos jovens atuais?

A) Que os jovens compram apenas o que é essencial para a sobrevivência.

B) Que os jovens estão comprando demais, às vezes sem nem usar o que levam para casa (consumismo exagerado).

C) Que os jovens não sabem usar a internet para fazer compras.

D) Que os jovens preferem economizar dinheiro para o futuro.

 

 

 

sábado, 14 de março de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: EXTERMÍNIO TAMBÉM É BRINCADEIRA - GILBERTO DIMENSTEIN - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: Extermínio também é brincadeira

                                Gilberto Dimenstein

 

         BRASÍLIA - A imprensa revelou ontem uma nova "brincadeira" inventada por crianças numa escola do Rio. O nome da brincadeira: "extermínio". No intervalo, escolhem um menino pequeno a ser submetido a uma sessão de pancadaria. Na quarta-feira passada, um garoto de sete anos, uma das vítimas, foi levado pela mãe direto ao Hospital da Lagoa. Estava com o corpo repleto de hematomas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgE3ho75ctXQCjqozVBMmHrJpUb4rPzF2Ad4FqsgudJIPoWNPR5r16TWaLhtWRY1fjgnnVbg8Y7KxVYUOHJdMBDI9_1NRVlsClVsPRSv6ImGd5NmEjeO3lXV9Iptb0y5kUBS2Tdu7PE4T2m86LqnT9UPBhsd460kvdOnTgscE8ghMbk-fazYYQG5F7oJls/s320/BRINCADEIRAS.jpeg


     O terrível da notícia não é apenas o garoto cheio de hematomas, mas como a violência vai-se incorporando ao cotidiano, capaz de virar brincadeira. A banalização da violência é, hoje, a principal questão política brasileira _ interessa mais à população do que a reforma ministerial ou a composições no Congresso. Está em jogo a eficácia do Estado de Direito democrático. Está em jogo também direito à vida. Em certas áreas, o direito de ir e vir é uma ficção. Quem vai pode não voltar.

         Daí ser absolutamente espantosa a reação de Leonel Brizola à entrevista do ministro Célio Borja. O ministro comparou o Rio a Beirute no auge da guerra. Brizola preferiu, entretanto, fazer uma competição. Disse que São Paulo era pior _ portanto é, concluiu com a precisão de engenheiro, uma "Beirute e meia". Só a indigência pode explicar a comparação macabra. O governador parece mais preocupado com a estatística do que com a violência.

      Tanto faz se o assassinato é no Rio, São Paulo, Paraná. A degradação é nacional. Quando crianças inventam brincadeiras como "extermínio", a vergonha não é do carioca, mas do brasileiro. Quando os governadores Luiz Antônio Fleury Filho e Leonel Brizola ficam competindo para saber quem administra o Estado menos violento, a vergonha não é do Rio ou São Paulo _ é de todos nós.

      Essa medíocre disputa não ajuda ninguém. Ambos, na realidade, deveriam estudar, juntos, mecanismos de colaboração, já que os marginais não são bairristas _ assaltam e matam em qualquer lugar. Será mais civilizado e inteligente que eles se comovam mais com o menino de sete anos cheio de hematomas do que com as estatísticas de uma competição inútil.  

(Folha de S. Paulo, 24/4/92.)

  Entendendo o texto

 01. No segundo parágrafo, o autor afirma que o "terrível da notícia" vai além das agressões físicas sofridas pelo menino. O que mais preocupa Dimenstein nesse episódio?

a.  A falta de vagas em hospitais públicos como o Hospital da Lagoa.

b.  A forma como a violência se torna banal a ponto de ser incorporada ao cotidiano como uma "brincadeira".

c.  O fato de a imprensa demorar a revelar o nome da escola onde o caso ocorreu.

d.  A necessidade de reformar o Congresso Nacional antes de resolver o problema das escolas.

02. Ao mencionar que "em certas áreas, o direito de ir e vir é uma ficção", o autor pretende dizer que:

a. A legislação brasileira não prevê o direito de locomoção dos cidadãos.

b.  A insegurança é tão alta que o direito constitucional de circular livremente não se aplica na prática.

c.  O Estado de Direito democrático no Brasil é superior ao de países como o Líbano.

d.  As crianças não podem ir à escola sozinhas por causa das reformas ministeriais.

 03. Qual é a principal crítica feita pelo autor aos governadores Leonel Brizola e Luiz Antônio Fleury Filho?

a.  A falta de investimentos em engenharia civil e construção de novas escolas.

b. A decisão de não conceder entrevistas ao ministro Célio Borja sobre a guerra.

c. A postura competitiva e estatística para decidir qual estado é "menos violento", em vez de buscarem colaboração.

d. O fato de serem bairristas e não permitirem que marginais circulem entre o Rio e São Paulo.

 04. A comparação entre o Rio de Janeiro e Beirute, mencionada no texto, serve para ilustrar:

a. A beleza arquitetônica das duas cidades litorâneas.

b. O alto nível de desenvolvimento tecnológico alcançado pelo Brasil em 1992.

c. A gravidade da situação de conflito e violência urbana, assemelhando a cidade a uma zona de guerra.

d. O sucesso das políticas de segurança pública adotadas pelos engenheiros do governo.

05. Segundo o texto, por que os governadores deveriam adotar mecanismos de colaboração em vez de competir?

a. Porque os criminosos não respeitam fronteiras geográficas (não são bairristas) e a degradação é um problema nacional.

b. Porque as estatísticas mostram que o Paraná é o estado mais seguro do Brasil.

c. Porque a reforma ministerial no Congresso depende da união entre Rio e São Paulo.

d. Porque o Hospital da Lagoa precisa de recursos vindos de outros estados para tratar hematomas.

 

 

 

domingo, 24 de janeiro de 2021

DIÁLOGO: MENINAS NA LINHA WWW - GILBERTO DIMENSTEIN E HELOISA PRIETO - COM GABARITO

 Diálogo: Meninas na linha WWW

            Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto

        Chatter: Oi!

        Mano: E aí? Tá em casa em pleno sábado à noite?

        Chatter: Eu tinha uma festa mas fiquei com preguiça de sair. Tá frio pra caramba. Melhor navegar.

        Mano: Eu não tinha nada pra fazer. Entrei num site idiota.

        [...]

        Chatter: Eu adoro filme de terror.

        Mano: Mas terror mesmo é ficar com a garota que a gente gosta. Cara, dá um branco, já me aconteceu.

        Chatter: Como foi?

        Mano: Era uma garota da minha escola, ela já foi embora, mudou de cidade. Eu ficava mudo, derrubava tudo, ou então falava sem parar.

        Chatter: É engraçado. Você é tímido.

        Mano: Eu não, é que eu gostava dela. Meu irmão disse que é assim mesmo. Gostou, travou. Tipo terrir.

        Chatter: O quê?

        Mano: Filme terrir, trash, terror do mais ridículo que existe.

        Chatter: Então eu acho legal, é divertido ver terror pra rir.

        Mano: Eu também. A gente compra os vídeos aqui em casa.

        Chatter: Me dá seu endereço.

        Sílvia: Oi.

        Mano: Oi.

        Chatter: Oi.

        Sílvia: Vocês querem conversar comigo?

        Chatter: Sobre o quê?

        Sílvia: Sobre a beleza do amor juvenil, o primeiro beijo, tão inesquecível, a delícia da primeira carícia. Me contem, meus jovens, me contem como foi...

        Mano: Tô fora!

        Chatter: Tô fora também!

        Sílvia: Mas não foi por isso que vocês entraram nesse chat? Para abrir-se por inteiro? Este é um espaço para confidências femininas! O cantinho certo pra descobrir tudo que se esconde no fundo do coração!

        Mano: Dona, me desculpe, pensei que Meninas na Linha era tipo revista Playboy, sabe como é...

        Chatter: Ei, Mano, é roubada, vamos embora, mas me dá seu endereço, me conte dos filmes...

        Mano: Cara, tá certo, meu endereço é Mano@swift.br e o seu?

        Chatter: Vou escrever mandando meu endereço.

        Mano: Vou esperar.

        Sílvia: Esperem, meus jovens, a confidência faz parte do amor...

        Mano: Bye, bye, tia. Obrigado e me desculpe...

        Chatter: Mano, espere, eu vou mandar o e-mail.

        Mano: Vou lá ver.

        Chatter@...

        Mano, aquela Sílvia do chat era igual à mulher do 0800: disque-estrela e descubra seu destino. Metralhadora de palavras.

        Parece que é tudo combinado, sempre a mesma coisa.

        Eu gosto de ler história de amor, mas tem que ser emocionante.

        Aqui em casa tem livro pra caramba porque minha mãe é professora de literatura e meu pai também gosta de ler, por causa da minha avó que também adora livros. Eu sei ler em francês e inglês, mas na minha classe o pessoal só pega gibi.

        Você gosta de ler? De escrever? De ficar em casa?

        Mano@...

        Ei, Chatter, cara, foi divertido fugir daquele chat. Confidências femininas, tá louco!

        Bom, eu gosto de livro de terror e mistério.

        Sou igual você, tenho um avô que lê sem parar. Ele se chama Hermano, como eu. É por isso que tenho esse apelido. Bom, tenho preguiça de escrever na escola, mas gosto de conversa virtual. Que mais?

        Ah, eu ficava bastante em casa, ultimamente tô preferindo a rua.

        Primeiro porque fiquei amigo do Pipoquinha, filho do pipoqueiro da escola. Cara, seu João Pipoca, o pai dele, faz uns desenhos de areia dentro de garrafinhas. É muito legal. Ele está me ensinando.

        E o Pipoquinha e eu estamos fazendo um rolimã. Parece skate, a gente vai pintar depois que terminar. A gente também gosta de bolinha de gude.

        Bom, a rua está muito melhor que a minha casa porque meu irmão, o Pedro, tá meio pirado. Cara, eu trocava muita ideia com ele, mas agora não dá mais.

        Você tem irmãos? Mora em prédio? Tem alguma mania maluca?

        Mano descobre o @mor. São Paulo, Senac/Ática, 2001.

Fonte: Livro – Ler, entender, criar – Português – 6ª Série – Ed. Ática, 2007 – p.126-130.

Fonte da imagem - https://www.google.com/url?sa=i&url=http%3A%2F%2Fwww.casanadisney.com.br%2Fsites-blogs-bacanas-sobre-orlando-florid%2F&psig=AOvVaw1cz4jMxOqMgG7I8-hc-Gwk&ust=1611610296211000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCLjoqq3Cte4CFQAAAAAdAAAAABAD

Entendendo o diálogo:

01 – O uso da Internet ainda provoca discussão. Mesmo você não seja um usuário da rede, com certeza tem uma opinião: conversar com alguém pela Internet é tão bom quanto fazer isso ao vivo? A Internet impede o contato entre as pessoas?

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: A Internet constitui um eficiente e rápido meio de comunicação e, sem dúvida, é válida como forma de ampliarmos conhecimentos e travarmos relações. Não substitui, entretanto, o contato pessoal.

02 – Você sabe o que é site, chat, e-mail? Reúna-se com seus colegas, pesquisem e registrem no caderno o que descobrirem.

      Site (pronuncia-se “sáiti”) quer dizer “sítio, lugar”. Sites são áreas dentro de um servidor de Internet que podem ser visitadas por usuários de computadores conectados à Internet. Para entrar em um site, é preciso conhecer o endereço dele, que geralmente tem esta estrutura: www.(nome do site).com.br – Chat (“bate papo”, em inglês), na linguagem dos computadores, significa “correspondência por escrito entre duas ou mais pessoas”. Equivale a uma conversa telefônica, porém feita por escrito. E-mail (abreviatura de electronic mail, “correio eletrônico”) é um tipo de programa usado em computadores para o envio de bilhetes, arquivos ou mensagens pela Internet. O termo também serve para indicar “endereço eletrônico”.

03 – O texto inicia com um breve cumprimento de Chatter e em seguida ele e Mano começam a conversar pela Internet. Você acha que eles já se conheciam? Justifique sua resposta.

      Deduz-se que eles não se conheciam, pois, ao saírem do chat, pedem um ao outro os respectivos endereços eletrônicos. Além disso, as perguntas revelam que eles desconhecem os hábitos e gostos um do outro.

04 – A certa altura, uma pessoa chamada Sílvia entra na conversa dos garotos. Eles quiseram conversar com ela? Por quê?

      Não quiseram. O assunto proposto por Sílvia, confidências femininas, não era o que Mano esperava encontrar naquele chat, e Chatter também o considerou uma roubada.

05 – É comum a opinião de que nas conversas pela Internet só se falam bobagens. Você concorda com isso? Na conversa que tiveram, Chatter e Mano contaram apenas coisas sem importância? Dê sua opinião, justificando-a com exemplos tirados das mensagens de um e de outro.

      Resposta pessoal do aluno.

06 – Chatter e Mano iniciam sua conversa em um chat chamado “Meninas na linha”. Pesquise em um dicionário os significados da palavra linha. Em seguida, converse com um colega e tentem explicar por que o nome do chat pode ser entendido de mais de uma forma, ou seja, é ambíguo.

      Linha: fio de fibras torcidas usada para costurar ou bordar; fio metálico para transmissões telegráficas ou telefônicas; serviço regular de transportes entre dois pontos; elegância, beleza do corpo; jogadores de ataque de um time; cada um dos traços horizontais de um papel.

07 – O português é a língua falada no Brasil. Entretanto, ele apresenta muitas variações, conforme a região onde é falado, o grupo social a que pertence o falante, a idade dele e o tipo de situação de comunicação. As personagens de “Meninas na linha WWW” usam uma variante da língua própria de sua idade. Identifique no texto e copie no caderno pelo menos cinco expressões que exemplifiquem essa afirmação.

      Possibilidades: “e aí?”; “tá frio pra caramba”; “ficar com a garota”; “cara, dá um branco”; “vcs”; “tô fora”; “é roubada”; “tá louco”, etc.

08 – Você já escreveu um bilhete ou uma carta para alguém?  Quando? Você tem o hábito de escrever cartas? Comente com seus colegas.

      Resposta pessoal do aluno.

09 – Os assuntos tratados por Chatter e Mano por e-mail poderiam ter sido tratados, da mesma forma, por carta ou bilhete?

      Resposta pessoal do aluno.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

ARTIGO DE OPINIÃO: ASSASSINOS DE RODAS - GILBERTO DIMENSTEIN - COM GABARITO

 Texto: Assassinos de rodas

          GILBERTO DIMENSTEIN

    É como se três vezes por semana caísse um Boeing lotado de passageiros no Brasil.

    Um dossiê montado na Presidência da República a partir de dados do Departamento Nacional de Trânsito, SUS e Polícia Rodoviária revela um massacre nas ruas e estradas.

        Foram 750 mil acidentes no ano passado. Além das 36.503 mortes, 323 mil pessoas saíram feridas – 193 mil delas com alguma lesão permanente.

        A imensa maioria das vítimas tem entre 18 e 34 anos, auge do período produtivo.

        Tabulado pelo Gerat (Grupo Executivo de Redução de Trânsito), ligado diretamente ao presidente Fernando Henrique Cardoso, é o retrato estatístico da selvageria nacional.

        Aproximadamente 90% dos acidentes são provocados, segundo o dossiê, por falha humana. Detalhe espantoso: 51% ocorrem em estrada reta, com dia claro, envolvendo apenas um carro.

        Entre as principais causas, álcool e drogas. Traduzindo: desleixo.

        "Não temos, na verdade, um problema de trânsito. Mas um problema de cidadania", afirma José Roberto Souza, coordenador do Gerat.

        Segundo ele, o elevado número de acidentes é provocado, em boa parte, porque os criminosos não são devidamente punidos – e também porque não existe um processo de educação sobre civilidade no trânsito.

        Basta comparar: em países mais ricos, com as leis cumpridas com mais rigor, a exemplo dos EUA, a proporção é de duas mortes para cada 10 mil veículos; no Brasil, é cinco vezes maior.

        Esses dados servem de combustível para uma das mais interessantes campanhas sociais lançadas no Brasil – Natal sem morte.

        No período natalino, governo e sociedade civil fariam um esforço conjunto para reduzir todos os tipos de mortes violentas.

        Mensagem: se podemos num dia reconquistar o espaço público, podemos sempre.

        "Nossa estratégia é simples. Vamos, de um lado, educar para que os motoristas sejam mais responsáveis. E, de outro, usar a nova lei, que vai dar status de assassino ao motorista que provocou mortes", garante José Roberto.

        PS – O novo código de trânsito vai ser sancionado em 7 de setembro, Dia Nacional dos Direitos Humanos. Apropriado.

 Folha de São Paulo, 27 ago. 1997.

      Fonte: Português – Linguagem & Participação, 8ª Série – MESQUITA, Roberto Melo / Martos, Cloder Rivas – 2ª edição – 1999 – Ed. Saraiva, p. 182-3.

Entendendo o texto:

01 – Qual é a situação do trânsito em nosso país?

      É péssima. Em 1996, além das 36.503 mortes, 323 mil pessoas saíram feridas – 193 mil delas com lesão permanente.

02 – Qual é a grande causa dos acidentes nas ruas e estradas brasileiras?

      É a falha humana, o desleixo, o descompromisso dos motoristas.

03 – Qual é a consequência da falta de punição para os criminosos do trânsito?

      É o aumento do número de acidentes.

04 – O texto é narrativo ou dissertativo? Por quê?

      O texto é dissertativo porque apresenta o ponto de vista do autor sobre o tema abordado.

05 – Qual é a ideia do texto, para você? Fundamente sua resposta.

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: O texto mostra a consequências do descompromisso, da falta de preocupação com o outro, da falta de consciência sobre o que seja ser cidadão. Aponta o individualismo como o principal fator a comprometer o espaço público.

     

segunda-feira, 3 de junho de 2019

ARTIGO DE OPINIÃO: DO QUE VOCÊ TEM MEDO? GILBERTO DIMENSTEIN - COM GABARITO

ARTIGO DE OPINIÃO: Do que você tem medo?       
                                               Gilberto Dimenstein

        Das alternativas a seguir, quais são as cinco coisas de que você mais tem medo?
01– Fantasma.
02 – Escuro.
03 – Assalto.
04 – Reprovação na escola.
05 – Separação dos paias.
06 – Sequestro.
07 – Morte dos pais.
08 – Acidente de carro.
09 – Acidente de avião.
10 – Meninos de rua.
11 – Doenças graves.
12 – Desemprego.
13 – Reprovação no vestibular.
14 – Morte.
        Se você comparar a sua resposta com a de seus colegas, verá que o medo da violência é uma das alternativas mais recorrentes.
        Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que o que mais aterrorizava as pessoas eram os monstros e outras criaturas fictícias. Hoje, muitos dos monstros dos jovens são resultados dos problemas sociais brasileiros.
        Na década de 1970, a palavra “sequestro” era geralmente ligada a motivos políticos. Por exemplo, na época da ditadura, grupos revolucionários sequestraram o embaixador dos Estados Unidos exigindo a libertação de presos políticos. Raramente esse assunto preocupava a população em geral. Atualmente, são corriqueiras as mais variadas modalidades de sequestro de cidadãos comuns, inclusive o sequestro-relâmpago, que já fez inúmeras vítimas em nosso país.
        A paisagem urbana também mudou muito dos anos 1970 para cá: eram poucas as casas com grades, alarmes, cercas eletrificadas e havia poucos condomínios resguardados por sistemas de segurança com tecnologia avançada. Carros blindados, então, eram um privilégio de autoridades importantes. Não era tão perigoso andar nas ruas e as pessoas tinham menos medo de parar nos faróis ou andar sozinhas à noite. Gente comum não sentia a necessidade de aprender técnicas de autodefesa ou a manejar armas de fogo, como acontece hoje em dia.
    Mas a situação mudou. O tráfico de drogas, que até então era um problema de “vizinhos”, como a Colômbia, tomou o Brasil – literalmente – de assalto. O crime organizado agravou muito a violência urbana. Em alguns lugares, ele chega a ser um “poder paralelo”, sendo tão ou mais forte que a autoridade legal, como a polícia.
        Embora o tráfico de drogas não seja o único fator que causa a violência, a relação é direta. E, nesse ponto, novamente a falta de cidadania gera inúmeras consequências, que, juntas, viram uma bola de neve: o jovem entra no tráfico, já que sem a formação educacional não consegue arrumar um trabalho lícito que lhe garanta um padrão de vida digno. Dentro do tráfico, ele é obrigado a fazer uso da violência, para ser respeitado. É claro que as coisas não acontecem de modo tão simples, afinal, outros motivos como o desamparo familiar e o convívio social também influenciam o jovem a entrar no tráfico. Porém, essa trajetória é comum. E esse é um exemplo de como uma mazela social, a falta de educação para crianças e jovens, pode ter decorrências graves e afetar toda a sociedade, inclusive você.
        Esse cenário faz o Brasil conhecer um novo tipo de geografia urbana: pessoas de classe média alta, inconformadas e assustadas com a falta de segurança, as guerras de quadrilhas, os assaltos à mão armada, os confrontos entre polícia e criminosos nos grandes centros, isolam-se em caríssimos condomínios, onde é possível fazer quase tudo sem sair deles, pois há academias, shopping centers, escritórios, consultórios médicos. Esse é um mau sinal: sem promover o desenvolvimento das comunidades em seu entorno, o isolamento dos mais ricos só gera mais desigualdade e insegurança. Prova disso são os constantes arrastões a esses oásis de luxo.
        A boa notícia é que em alguns estados as taxas de criminalidade caíram significativamente. O estado de São Paulo, por exemplo, pelo nono ano seguido registrou queda no número de assassinatos. O índice ainda é muito alto se comparado ao dos países desenvolvidos, mas desde 1999 a queda é significativa, de 65,5%. A OMS (Organização Mundial da Saúde) ainda considera o estado como “zona endêmica de homicídios” com a taxa de 10,76 casos por cada 100 mil moradores. Mas São Paulo está bastante próximo de sair dessa zona, quando atingir a marca inferior a 10 homicídios para cada 100 mil habitantes. O número de sequestros registrados também caiu entre janeiro e setembro de 2008 foram 41 casos, 53% menos que no mesmo período de 2007.
        Será que esses dados apontam para um futuro menos violento?

          Gilberto Dimenstein. Violência. In:__________ O cidadão de papel: aa infância, a adolescência e os direitos humanos no Brasil. 22. ed. São Paulo: Àtica, 2009. p. 26-7.
Entendendo o texto:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:
·        Lícito: que é permitido e de acordo com a lei.

·        Oásis: região em um meio hostil ou após uma sequência de situações desagradáveis, é sinônimo de prazer.

·        Endêmica: peculiar à determinada população ou região.

02 – Com base nas alternativas listadas pelo autor do texto, comente quais você assinalaria.
      Resposta pessoal do aluno.

03 – Compare os itens que você marcou com os marcados pelos colegas e verifique se o medo da violência aparece de forma mais recorrente ou não.
      Resposta pessoal do aluno.

04 – Dos itens listados, quais estão relacionados à violência?
      Estão o assalto e sequestro.

05 – Qual é a relação entre o título e o conteúdo do texto?
      No título, o autor traz um questionamento sobre o medo das pessoas. Em seguida, ao longo do texto, pressupõe que a violência urbana é o medo que atinge a maioria das pessoas e, por isso, passa a discutir esse tema.

06 – Dimenstein faz uma comparação entre o que aterrorizava as pessoas antigamente com o que as assusta na atualidade. Que diferenças são apontadas?
     Antigamente, as pessoas tinham medo de situações ligadas ao imaginário, como monstros e criaturas. Atualmente, elas têm medo de situações ligadas à realidade.

07 – O autor explica qual foi a origem do sequestro. Qual é a diferença entre o que acontecia na década de 1970 e atualmente em relação a esse tipo de violência?
      O sequestro originou-se vinculado a motivos políticos, no entanto, hoje também ocorre com cidadãos comuns, visando a interesses pessoais.

08 – No texto é explicado que a violência não era algo que preocupava os cidadãos comuns. No entanto, situações como o sequestro deixaram de ser casos isolados para fazer parte do cotidiano. Em sua opinião, por que essas transformações ocorreram?
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Porque a violência tornou-se banal e um meio de as pessoas tirarem proveito sem grande esforço ou mérito.

09 – No trecho: “Gente comum não sentia a necessidade de aprender técnicas de autodefesa ou a manejar armas de fogo [...].”, fica claro quem eram os grupos de pessoas que deveriam se prevenir contra a violência? Quem era esses grupos?
      Não fica explícito, mas é possível inferir que os grupos eram os policiais de forma geral, os seguranças, entre outros.

10 – Com o passar do tempo, a violência urbana se intensificou, tornando-se um grave problema para a sociedade.
a)   De acordo com o texto, o que agravou a violência urbana?
O crime organizado do tráfico de drogas.

b)   De acordo com o texto, quais são os principais motivos que levam uma pessoa a entrar para o tráfico?
A falta de formação educacional que diminui as oportunidades de emprego; O desamparo familiar e o convívio social.

11 – Segundo o autor, a paisagem urbana sofreu várias mudanças nos últimos anos.
a)   Em que consiste essas mudanças?
Percebe-se na paisagem urbana a tentativa das pessoas se protegerem da violência. Hoje as casas são protegidas, por exemplo, com alarmes, grades e cercas elétricas. Além disso, os mais ricos se isolam em caríssimos condomínios onde é possível fazer quase tudo.

b)   Em sua opinião, quais são as causas e as consequências dessas mudanças?
Resposta pessoal do aluno. Sugestão: A causa é a violência urbana, que leva as pessoas a buscar proteção. Uma das consequências é o progressivo isolamento e confinamento do ser humano.

domingo, 2 de junho de 2019

ARTIGO DE OPINIÃO: MULHERES INSUSTENTÁVEIS - GILBERTO DIMENSTEIN - COM GABARITO

Artigo de Opinião: Mulheres insustentáveis
              GILBERTO DIMENSTEIN

 O culto à magreza seria colocado no mesmo patamar das campanhas contra o fumo e a bebida

  O PARLAMENTO espanhol aprovou, na semana passada, lei que proíbe publicidade, na TV, com exaltações ao "culto do corpo" –a proibição vale das 6h às 22h, destinada, supostamente, a proteger crianças e adolescentes. A decisão radical dos espanhóis coincide com o mês no Brasil em que os desfiles de moda no Rio e em São Paulo colocam ainda mais alto no pedestal seres esqueléticos, apresentados como padrão máximo de beleza.
        O argumento que sensibilizou os parlamentares espanhóis: "a publicidade que associa a imagem do sucesso com fatores como peso ou estética incita a discriminação social pela condição física". Esse tipo de argumento sensibiliza também políticos da França, onde tramita uma lei determinando que todos os anúncios com mulheres e homens retocados tenham uma advertência sobre a falsidade da fotografia. O culto à magreza seria colocado, portanto, no mesmo patamar das campanhas contra o fumo e a bebida.
Considere-se ou não papel do poder público meter-se nesse tipo de publicidade, o fato é que se espalha pelo mundo, inclusive no Brasil, uma reação contra as mulheres insustentáveis, cujos corpos só se mantêm (salvo questões genéticas) na base da faca e consumo insalubre de alimentos. 
        Sempre houve, na história da humanidade, padrões de beleza. O problema é que, agora, juntaram-se à cultura das celebridades, o culto do narcisismo, a visão cada vez mais imediatista dos jovens e as óbvias questões de saúde para alcançar determinado tipo de padrão de beleza, tudo isso embalado pela publicidade.
A cultura da celebridade é visível nos meios de comunicação, onde as entrevistas de modelos, repletas de asneiras e banalidades, ganham destaque.
        Isso se traduz, por exemplo, nos casos cada vez mais frequentes de anorexia e bulimia que chegam aos consultórios médicos. Ou nas cirurgias plásticas feitas por crianças e adolescentes, quase todas por motivos estéticos, em sua maioria lipoaspiração. Somos um dos países campeões do mundo em cirurgia plástica: proporcionalmente estamos empatados com os americanos.
        O último dado disponível: das 650 mil cirurgias realizadas no país, 15% são feitas em crianças e adolescentes. Psicólogos me informam que, muitas vezes, há estímulo paterno. 
        Uma pesquisadora de Harvard (Susan Linn) publicou recentemente estudo mostrando a relação entre excesso de publicidade e distúrbios alimentares (da obesidade à anorexia) entre crianças e adolescentes americanas -ela também mostrou a relação entre marketing e sexo precoce. 
        Sou dos que defendem que a publicidade deve ser responsável e fiscalizada pela sociedade e, em certos casos, limitada. O perigo é imaginar que limitar a publicidade ajuda muito. O exemplo do pai exagerando na bebida é muito mais poderoso para o filho do que todos os anúncios. 
        Há um consenso entre psicólogos e educadores de que a doença das mulheres insustentáveis é um problema de educação de valores.
        Todos sabem que a adolescência é uma fase de desconforto, na qual se testam, como em nenhum outro período, limites e frustrações, em meio a crises de baixa autoestima. Também todos sabem que vivemos uma época da busca imediata do prazer, tudo tem de ser em tempo real, num estímulo constante ao consumo.
        A psicóloga Rosely Sayão lembra que, nesse contexto, são reverenciadas, por causa do imediatismo, as drogas legais e ilegais. Muito mais rápido do que fazer terapia é empanturrar-se de alguma pílula contra ansiedade. A tristeza é medicalizada, como se não fizesse parte do cotidiano é como se devêssemos sempre parecer algum personagem sorridente de revista de celebridades ou parte de um anúncio, com a família feliz, de caldo de galinha.
        Entrar na faca é bem mais rápido do que mudar a alimentação ou ficar malhando. Psicólogos alertam que o problema é bem mais fundo do que a necessidade de malhar ou controlar a alimentação –e aí entra a necessidade de educação de valores, uma das preocupações das escolas mais sérias. 
        Educação de valores significa discutir o que significa beleza e aprender a relativizar a estética afinal, beleza pode ser simplesmente a pessoa se conhecer e se gostar. Em síntese, sentir-se bem, apesar das limitações e imperfeições. 
        É bem mais fácil e rápido (e menos eficiente) tirar do ar a publicidade das anoréxicas profissionais do que manter, nas escolas, na família e nos meios de comunicação, um debate sobre o que é essencial na existência.
        Mas o fato é que, para muitos, mulheres insustentáveis são feias. 
        PSAs escolas deveriam aproveitar a obrigatoriedade do ensino de filosofia (o que considero um avanço) para discutir esse tipo de assunto. Seria uma encantadora aula mostrar a evolução do corpo desde os tempos gregos. Se Marilyn Monroe fosse procurar emprego hoje, certamente alguém a mandaria se internar no SPA.
São Paulo, domingo, 10 de janeiro de 2010 

Entendendo o texto: 

01 – Com relação ao título, responda:

a)   O título antecipa o tema do texto?
Sim, porque o texto fala de mulheres que não se sustentam de tão magras; isso fica claro no 2º e 3º parágrafos. Obs.: se a pergunta for feita antes da leitura do texto, a palavra pode ser tomada no sentido econômico, significando mulheres que ninguém consegue sustentá-las, porque gastam muito.

b)   Quais as relações de sentido entre o título e o texto?
Há relações em todo o texto: ao falar dos corpos que não se sustentam, das cirurgias de lipoaspiração, do número de cirurgias realizadas no país, da educação de valores etc.

c)   A definição de “insustentável” encontrada no dicionário coincide com a explicação dada pelo autor para as “Mulheres insustentáveis” do texto? Explique.
Mostrar que há outras acepções do termo, mas “que não se pode sustentar” é a empregada no texto.

02 – No primeiro parágrafo, o autor se refere a dois fatos:
a)   Quais são eles?
1 – O Parlamento espanhol que aprovou lei que proíbe publicidade na TV, com exaltações ao “culto ao corpo”.
2 – A lei francesa determinando que todos os anúncios com mulheres e homens retocados tenham uma advertência sobre a falsidade da fotografia.

b)   Que relações se estabelecem entre os fatos apresentados?
Observar que ambos tratam do exagero do culto ao corpo e do uso da publicidade.

c)   Por que o autor se refere aos dois fatos?
Podem surgir várias respostas, tais como: usar dois argumentos para fundamentar a tese proposta, considerar que os dois fatos falam do papel poder público (2º parágrafo).

03 – Que argumento fundamenta a Lei Espanhola?
      “A publicidade que associa a imagem do sucesso com fatores como peso ou estética incita a discriminação social pela condição física”.

04 – Como a França reagiu ao assunto?
      Criou uma lei e colocou o culto à magreza no mesmo patamar das campanhas contra o fumo e as bebidas.

05 – Podemos afirmar que o terceiro parágrafo trata: do poder da propaganda, das relações entre o poder público e a sociedade e da reação da sociedade. Que trechos do parágrafo confirmam ou não essas afirmativas?
      Sim, porque fala da interferência ou não do poder público e da reação contra as mulheres insustentáveis.

06 – “Sempre houve, na história da humanidade, padrões de beleza”. Que argumentos o autor usa para mostrar que “agora” o problema se agravou?
      Observar que praticamente todo o parágrafo é construído pelos argumentos.

07 – Cite pelo menos três consequências da “Cultura das celebridades”.
      O parágrafo é constituído de frases contendo as consequências: casos frequentes de anorexia, cirurgias plásticas em crianças e adolescentes por motivos estéticos e o fato do país ser um dos campeões em cirurgias plásticas.

08 – De que outro recurso o autor lança mão para fundamentar sua argumentação?
      O autor cita um dado sobre as pesquisas (650 mil cirurgias realizadas) e 15% em crianças e adolescentes.

09 – Que solução o autor aponta para diminuir o problema abordado no texto?
      Mostra a necessidade da educação de valores: discutir o conceito de beleza e relativizar a estética.

10 – Observe o uso das aspas nos trechos a seguir e responda se elas foram usadas com o mesmo objetivo nas duas ocorrências:
a)   O Parlamento espanhol aprovou, na semana passada, lei que proíbe publicidade na TV, com exaltações ao “culto do corpo” – a proibição vale das 6hs às 22hs, destinada, supostamente, a proteger crianças e adolescentes.
b)   “A publicidade que associa a imagem do sucesso com fatores como peso ou estética incita a discriminação social pela condição física”.
      Chamar atenção dos alunos para o uso diferente das aspas. Na letra “a”, marca o sentido conotativo da expressão empregada. Na letra “b”, refere-se ao argumento que sensibilizou os espanhóis e levou à criação da lei.

11 – O professor relê com os alunos o fragmento da questão 10, letra (a), e pede-lhes que digam qual termo foi usado para indicar que o que se diz sobre a proibição não é a opinião do autor do texto.
      Espera-se que o leitor perceba que o termo “supostamente” não consta da lei.