segunda-feira, 29 de junho de 2026

FÁBULA: A NOZ E O CAMPANÁRIO - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Noz e o Campanário

         Um corvo pegou uma noz e levou-a para o topo de um alto campanário. Segurando a noz com as patas começou a bicá-la para abri-la. Porém subitamente a noz rolou para baixo e desapareceu numa fresta do muro.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEir4NdnAdG6j_xeUVz1hbG8ozusYWkjQa8uGqn198hp-82g8SkBmOEJt_LzMzLKpROhKKfV-NNlKfszBLMcJBqHnfZ4rsTbD3vhPK7s3L36EbA1uXs4Od6WoBn4F-NJl2Hh4uvVuNLXaYlyofZpcPRvgV9T8Bfv6Bl-Mp8VE1f8pwLYR4AinK8GRR1iZV0/s320/noz_pecan.jpg


        -- Muro, meu bom muro – suplicou a noz, percebendo que estava livre do bico do corvo – pelo amor de Deus, que foi tão bom para você, fazendo-o alto e forte, e enriquecendo-o com esses belos sinos de tão belo som, salve-me, tenha pena de mim! Meu destino era cair entre os velhos ramos de meu pai – prosseguiu a noz – permanecer no rico solo coberto de folhas amarelas. Por favor, não me abandone! Quando eu estava sendo atacada pelo terrível bico daquele corvo feroz, fiz um voto. Prometi que, se Deus me permitisse escapar, eu passaria o resto de minha vida dentro de uma frestinha.

        Os sinos, num doce murmúrio, avisaram o campanário que tomasse cuidado porque a noz podia ser perigosa. Porém o muro, teve compaixão e decidiu abrigá-la, deixando-a ficar onde havia caído.

        Porém dentro em breve a noz começou a abrir e a estender raízes nas frestas da pedra. Em seguida as raízes forçaram caminho por entre os blocos de pedra e surgiram galhos que saíam pela fresta. Os galhos cresceram, tornaram-se mais fortes e estenderam-se para o alto, acima do topo da torre. E as raízes, grossas e enroscadas, começaram a fazer buracos nos muros, empurrando para fora todas as velhas pedras.

        O muro percebeu, tarde demais, que a humildade da noz e seu voto de ficar escondida numa fresta não eram sinceros. E arrependeu-se de não ter dado ouvido aos sinos.

        A nogueira continuou a crescer e o muro, o pobre muro, desmoronou e ruiu.

        Moral: Cuidado com a falsa humildade daqueles que se fazem de vítimas apenas para conseguir um espaço.

 

   Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – Como a noz foi parar na fresta do muro do campanário?

      A noz foi levada até o topo do campanário por um corvo, que pretendia comê-la. Enquanto o corvo tentava abri-la com o bico, a noz escorregou de suas patas, rolou para baixo e acabou caindo e desaparecendo dentro de uma fresta do muro.

02 – Qual foi a promessa (ou voto) que a noz fez ao muro para convencê-lo a lhe dar abrigo?

      A noz implorou por piedade e afirmou ter feito um voto de que, se Deus a salvasse do bico do corvo, ela passaria o resto de sua vida escondida e quietinha dentro daquela frestinha, sem causar problemas. 

03 – Quem tentou alertar o campanário sobre o perigo de abrigar a noz?

      Foram os sinos. Num doce murmúrio, eles avisaram o campanário para que tomasse cuidado, pois a noz poderia ser perigosa. No entanto, o muro sentiu compaixão e ignorou o aviso.

04 – O que aconteceu quando a noz começou a crescer dentro da fresta do muro?

      A noz se abriu e começou a fincar raízes e a soltar galhos. Com o tempo, as raízes grossas forçaram caminho entre os blocos de pedra, abrindo buracos e empurrando as velhas pedras para fora, enquanto os galhos cresceram tanto que ultrapassaram o topo da torre.

05 – Qual foi o destino final do muro por ter abrigado a noz?

      O muro percebeu tarde demais que a noz havia mentido sobre sua suposta humildade. A nogueira continuou crescendo com tanta força que o pobre muro não resistiu à pressão das raízes, acabou desmoronando e ruiu completamente.

 

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