Mostrando postagens com marcador FÁBULA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FÁBULA. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de julho de 2026

FÁBULA: O LÍRIO - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: O Lírio

 

        Nas verdes margens do rio Ticino um belo lírio mantinha-se reto e alvo em sua haste, mirando o reflexo de suas brancas pétalas na água. A água ansiava possuir o lírio.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEighGdiYlIgbiff9EuROtMf2sYsVHNAPxCr_Ldjfntd1e76URww7Y1zvQGDLN35RJC30ySBViyaRAH6xqL7_wC0BJ_MDAWLExNfBis2ZSYvF9DFdorFO6UtdHPBzUGGJjja3HUSBlX_-kYQvHllo1wYe5jONCivkchTZ9y020oyf-oxyuyOXE7bUA6aGuU/s320/images.jpg


        A cada ondulação da superfície passava a imagem da linda flor branca. E o desejo da água voltava-se para as ondulações que ainda estavam por vir.

        E assim todo o rio começou a estremecer e a correnteza tornou-se rápida e turbulenta. A água não conseguiu arrancar o lírio, que mantinha-se firme no alto de sua forte haste, e então atirou-se furiosamente contra a margem, que foi arrastada pela inundação.

        E junto com a margem foi-se a linda e solitária flor.

        Moral: A paixão cega, obsessiva e violenta destrói aquilo que mais deseja possuir.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – Onde o lírio vivia e o que ele costumava fazer em sua rotina?

      O lírio vivia nas verdes margens do rio Ticino. Ele mantinha-se reto e alvo em sua haste, admirando o reflexo de suas próprias pétalas brancas na água do rio.

02 – Que sentimento o rio desenvolveu pelo lírio ao ver seu reflexo?

      O rio desenvolveu um desejo obsessivo de possuir o lírio. A cada nova ondulação na superfície que carregava a imagem da flor, o desejo da água se renovava e aumentava para as próximas ondas que viriam.

03 – Como o rio reagiu fisicamente à intensidade do seu próprio desejo?

      O rio começou a estremecer por inteiro, fazendo com que sua correnteza se tornasse extremamente rápida, turbulenta e violenta na tentativa de alcançar e tomar a flor para si.

04 – O que impediu o rio de arrancar o lírio diretamente em um primeiro momento?

      O lírio mantinha-se firme e seguro no alto de sua própria haste, que era muito forte, resistindo à força inicial da água que tentava arrancá-lo de onde estava.

05 – Diante da resistência da haste, qual foi a atitude furiosa do rio e qual foi a consequência final para o lírio?

      Sem conseguir arrancar a flor diretamente, a água atirou-se furiosamente contra a margem do rio, provocando uma inundação que arrastou a terra. Com a destruição da margem, o lírio perdeu sua base e foi levado junto pela correnteza, sendo destruído pelo próprio rio que o desejava.

 

 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

FÁBULA: A NEVE - LEOANRDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Neve

 

        No cume de uma montanha muito alta havia uma pedra. E na borda da pedra havia um floco de neve.

        A neve olhou para o Universo em torno e pôs-se a pensar consigo mesma:

        -- As pessoas devem achar que sou convencida e presunçosa, e é verdade! Como pode um pedacinho de neve, um mero floco de neve, como eu, permanecer aqui no alto sem sentir vergonha? 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWDkfIREIlOH7EHQylrRDI9P_qH_PJSwGEZSiWZRiWeWv0iABSHZ8RKE98_KPHcZwy4khEaR83szzk9BBbUBroi1U-mrGG4uyHHKoN7k1rZBB3-cnvQi7Nn-VCkED5-o2mfLzfMXsPMOGDxPiDW2r9W5QcoTuYsM45U7wMgvonvmUtJVPQ_x4rZt3f1oY/s320/images.jpg


Qualquer pessoa que olhe para esta montanha pode ver que todo o resto da neve está mais embaixo. Um pequenino floco de neve, como eu, não tem direito a alturas tão vertiginosas, e chego a merecer que o Sol faça comigo o mesmo que fez ontem com meus companheiros, derretendo-me com um simples olhar. Mas vou escapar á justa ira do Sol descendo para um nível mais apropriado para alguém tão pequeno como eu.

        Ao dizer isto, o pequenino floco de neve, rígido de frio, atirou-se do alto da pedra e rolou para baixo do cume da montanha. Porém quanto mais rolava maior se tornava. Em breve transformou-se numa grande bola de neve e depois em avalanche. Finalmente parou numa colina, e a avalanche era tão grande quanto a colina que ficava por baixo dela.

        E por isso, quando chegou o verão, essa foi a última neve a ser derretida pelo Sol.

        Moral: A verdadeira humildade eleva os pequenos, enquanto a soberba derruba os orgulhosos.

          Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – O que motivou o floco de neve a se atirar do cume da montanha?

      O floco de neve foi motivado pelo sentimento de humildade e autocrítica. Ele achava que era presunção de sua parte estar no ponto mais alto da montanha, enquanto o restante da neve estava mais abaixo, e temia a ira do Sol por estar em uma altura tão vertiginosa sendo tão pequeno.

02 – O que aconteceu com o floco de neve à medida que ele rolava montanha abaixo?

      À medida que rolava, o floco de neve foi acumulando mais neve e crescendo. Ele se transformou primeiro em uma grande bola de neve e, eventualmente, em uma enorme avalanche. 

03 – Onde a avalanche finalmente parou e qual era o seu tamanho naquele momento?

      A avalanche parou em cima de uma colina, e o seu tamanho tornou-se tão monumental que ela ficou tão grande quanto a própria colina que estava por baixo dela.

04 – Qual foi a consequência física do crescimento do floco de neve quando o verão chegou?

      Por ter se tornado uma massa de neve gigantesca (uma avalanche), aquela foi a última neve de toda a região a ser derretida pelo Sol quando o verão chegou.

05 – Como a atitude inicial do floco de neve ironicamente mudou o seu destino final?

      Ironicamente, ao tentar fugir do Sol e do topo para não ser destruído por sua "presunção", o floco de neve tomou uma atitude que o tornou gigante. Se tivesse ficado parado no topo como um simples floco, teria sido derretido rapidamente pelo Sol; ao descer com humildade, ganhou a resistência necessária para sobreviver por muito mais tempo.

 

 

 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

FÁBULA: A OSTRA E O CARANGUEJO - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Ostra e o Caranguejo

 

        Uma ostra estava apaixonada pela Lua. Sempre que a Lua cheia brilhava no céu ela passava horas olhando-a boquiaberta.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg_ef4cH0lETORz6cdkjUk_lq_aqpxjEhRKA0n1v5NadXWZvg0qHTMvTNqMmGLmEPrroM0_ouHyo-WVodIxr_afCi9P1hvCRMnItsXwZtgT4i3BcMURlmRz4r2JNKgk3wpHOqqGKGM-_UUA_3FkpQ7GWPGO9GG9gfA6K7_ywmK-iAzrnvaNin6ER4nUp6w/s320/a-ostra-e-a-perola.jpg


        Um caranguejo viu, de seu posto de observação, que durante a Lua cheia a ostra ficava completamente aberta, e decidiu comê-la.

        Na noite seguinte, quando a ostra se abriu, o caranguejo colocou um pedregulho dentro da concha.

        A ostra, imediatamente, tentou fechar-se novamente, porém o pedregulho impediu que assim o fizesse.

        Moral: Isso acontece a qualquer pessoa que abra a boca para contar seus segredos. Há sempre um ouvido à escuta.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

 

01 – Por que a ostra ficava com a concha completamente aberta durante a Lua cheia?

      A ostra estava apaixonada pela Lua. Por isso, sempre que a Lua cheia brilhava no céu, ela passava horas olhando para o alto, boquiaberta de admiração, o que a fazia abrir totalmente sua concha.

 

02 – O que o caranguejo planejou fazer ao observar o comportamento da ostra?

      O caranguejo percebeu que, ao ficar maravilhada com a Lua, a ostra se esquecia de sua segurança e ficava vulnerável. Ele aproveitou essa distração e decidiu que iria comê-la.

 

03 – Qual foi a estratégia utilizada pelo caranguejo para impedir que a ostra se protegesse?

      Na noite seguinte, assim que a ostra se abriu para olhar a Lua, o caranguejo colocou rapidamente um pedregulho dentro da concha dela, impedindo que ela conseguisse se fechar totalmente de novo.

 

04 – De acordo com a fábula, o que a ostra deveria ter feito para evitar o ataque do caranguejo?

      Ela deveria ter sido mais cautelosa e não ter se exposto tanto. Ao abrir totalmente sua concha e revelar sua vulnerabilidade (ou seu "segredo"), ela deu ao caranguejo a oportunidade perfeita para atacá-la.

 

05 – Como a moral apresentada no texto relaciona o comportamento da ostra com a vida humana?

       A moral alerta que o mesmo acontece com as pessoas que "abrem a boca" para contar seus segredos a qualquer um. Assim como o caranguejo usou a abertura da ostra para destruí-la, sempre existem pessoas mal-intencionadas ("ouvidos à escuta") prontas para usar nossos segredos e vulnerabilidades contra nós.

 

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

FÁBULA: A OSTRA E O CAMUNDONGO - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Ostra e o Camundongo

 

        Uma ostra viu-se, juntamente com um grande número de peixes, dentro da casa de um pescador, pouco distante do mar.

        -- Vamos todos morrer – pensou a ostra ao ver seus companheiros espalhados pelo chão, quase asfixiados.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi00WZQ5r4PARyKkAr1MDEp3HjVAjHxIYcAd-QqyNGl9j7uM3oGTWRSA7fNdNSYeUcQ39orlDBytv6cLfqvOuR77noB5n6_cKKzX378QIeQvMFb94cyYsahzDl1W6_DPvQ5jOm5XjWg2kQ_TmsswiKFDsXPTo5oXO_zUFGvdcugSRJzaYj375m0RBPhrEI/s320/images.jpg


        Um camundongo veio passando.

        -- Escute, camundongo! – disse a ostra – será que você pode fazer favor de me levar para o mar!

        O camundongo olhou para a ostra: era grande e bonita. Devia ser deliciosa.

        -- Certamente – respondeu o camundongo, decidido a comê-la – mas você precisa abrir sua concha, porque assim, fechada desse jeito, não posso carregá-la.

        A ostra abriu cautelosamente a concha e o camundongo imediatamente meteu o focinho para abocanhá-la. Porém, em sua pressa, enfiou demais a cabeça e a ostra fechou-se, prendendo o roedor pelo pescoço. O camundongo deu um grito. Um gato ouviu, veio correndo e devorou-o.

        Moral: A ganância cega e a pressa excessiva levam à própria ruína.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

 

01 – Onde a ostra se encontrava no início da história e qual era o seu maior temor?

      A ostra estava dentro da casa de um pescador, que ficava pouco distante do mar. Ao ver os peixes espalhados pelo chão e quase asfixiados, seu maior temor era que todos eles — inclusive ela — fossem morrer.

 

02 – Que pedido a ostra fez ao camundongo quando este passou por perto?

      A ostra implorou para que o camundongo fizesse o favor de levá-la de volta para o mar, na esperança de salvar sua vida.

 

03 – Qual era a verdadeira intenção do camundongo ao aceitar ajudar a ostra?

      A intenção do camundongo não era ajudar. Ao ver que a ostra era grande e bonita, ele achou que ela devia ser deliciosa e decidiu que iria comê-la. Por isso, exigiu que ela abrisse a concha, inventando a desculpa de que não conseguiria carregá-la fechada.

 

04 – Como a ostra conseguiu se defender do ataque do camundongo?

      Quando a ostra abriu a concha cautelosamente, o camundongo enfiou a cabeça com muita pressa para abocanhá-la. Percebendo o perigo, a ostra fechou-se rapidamente, prendendo o roedor pelo pescoço.

 

05 – Qual foi o destino final do camundongo após ficar preso na concha?

      Ao ficar preso pelo pescoço, o camundongo deu um grito de dor ou desespero. Um gato que estava por perto ouviu o barulho, veio correndo e devorou o camundongo.

 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

FÁBULA: AS CHAMAS - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: As Chamas

        As chamas brilhavam há mais de um mês na fornalha do soprador de vidro, onde eram feitos vidros e garrafas.

        Um dia viram aproximar-se uma vela colocada num castiçal fino e brilhante. Imediatamente, com um desejo ardente, as chamas tentaram aproximar-se da linda vela.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvAfsoYsC4AM_6MVhu4OMGcIw1fauEuKVucAwjk7on6GKXh6I4hym1jzkh8783V2DpiIxHdxgIP-gIIdOVRw7xOocGzNEgD6gtSdKp0SzyHhckyss-m6vGsB81CNJ_FnjQ6ESOzYwDldfrhp73g9sSJyIN_99Ky2YiDjFgYDT73wY9nrenPB2FXxtjpOA/s320/DancingFlames.jpg 


        Uma delas, saltando da brasa que a alimentava, virou-se de costas para a fornalha e, passando através de uma pequenina fresta, atirou-se para cima da vela, devorando-a sofregamente.

        Porém a ávida chama logo consumiu a pobre vela e, não desejando morrer com ela, tentou voltar para a fornalha de onde havia fugido.

        Porém não conseguiu desgrudar-se da cera amolecida e, em vão, gritou para as outras chamas, pedindo socorro.

        A chama rebelde transformou-se numa sufocante fumaça, e deixou todas suas irmãs resplandecentes, com a perspectiva de uma vida longa e brilhante.

        Moral: A ganância, o egoísmo e a busca por prazeres imediatos destroem aquilo que cobiçam e isolam o indivíduo de sua fonte de segurança.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – Onde as chamas viviam inicialmente e há quanto tempo estavam lá?

      As chamas viviam e brilhavam há mais de um mês na fornalha de um soprador de vidro, local onde eram fabricados vidros e garrafas.

02 – O que despertou o desejo ardente de uma das chamas e a fez sair da fornalha?

      O desejo foi despertado quando as chamas viram aproximar-se uma linda vela colocada em um castiçal fino e brilhante. Atraída por ela, uma das chamas saltou de sua brasa alimentadora e escapou por uma pequena fresta para alcançá-la.

03 – O que aconteceu logo após a chama rebelde pular em cima da vela?

      A ávida chama devorou a vela sofregamente e, por ser um combustível limitado, acabou consumindo-a por completo rapidamente.

04 – Por que a chama não conseguiu retornar para a segurança da fornalha?

      Porque ela ficou presa na cera amolecida da vela que havia acabado de derreter. Sem conseguir desprender-se e sem combustível para se manter viva, ela não pôde retornar.

05 – Qual foi o destino final da chama rebelde em comparação ao de suas irmãs?

      A chama rebelde apagou-se, transformando-se em uma fumaça sufocante e escura. Enquanto isso, suas irmãs permaneceram unidas na fornalha, resplandecentes e seguras, com a perspectiva de uma vida longa e brilhante.

 

 

FÁBULA: A NAVALHA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Navalha

 

        Era uma vez uma navalha de excelente qualidade, que morava numa barbearia. Um dia em que a loja estava vazia ela resolveu dar uma voltinha. Soltou-se do cabo e saiu para apreciar o lindo dia de primavera.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdsYOUb4CjdMVGO7U6jiGD17ASgtwy4EG8eVMnugg8Y0QGv1zzFrQ1IxrQiAi9vAAv8Umuv_4e-T43HfDY6Wgc5wDZCvLUJvc3fKmsIszm0hIYedrd0rUM9m5XKrO6UcJTU4AYWYPGQw1fhCb2T4t1u760_WFwlc8vMZgQgXie3cONudtzdfZRebBPpYo/s320/91nzV5BbErL._AC_UF1000,1000_QL80_.jpg


        Quando a navalha viu o reflexo do Sol em si mesma, ficou surpresa e encantada. A lâmina de aço lançava uma luz tão brilhante que, subitamente, com excessivo orgulho, a navalha disse a si mesma:

        -- E eu vou voltar para aquela loja de onde acabei de fugir? É claro que não! Os deuses não podem querer que uma beleza tal como a minha seja desonrada desta maneira. Seria loucura ficar aqui cortando as barbas ensaboadas daqueles camponeses, repetindo sem cessar a mesma tarefa mecânica! Será que minha beleza foi realmente feita para um trabalho desses? Certamente não! Vou esconder-me num local secreto e passar o resto da vida em paz.

        E em seguida foi procura um esconderijo onde ninguém a visse.

        Passaram-se meses. Um dia a navalha teve vontade de respirar ar fresco. Saiu cautelosamente de seu refúgio e olhou para si mesma.  Ai, que acontecera? A lâmina estava horrorosa, parecendo uma serra enferrujada, e não refletia mais a luz do Sol.

        A navalha ficou muito arrependida pelo que havia feito, e lamentou amargamente a irreparável perda, dizendo:

        -- Oh, como teria sido melhor se eu tivesse conservado em forma a minha linda lâmina, cortando barbas ensaboadas! Minha superfície teria permanecido brilhante e minha borda afiada! Agora aqui estou eu, toda corroída e coberta de uma horrível ferrugem! E não há nada a fazer!

        Moral: O triste fim da navalha é o mesmo que sucede às pessoas inteligentes que preferem ser preguiçosas a usar seus talentos. Essas pessoas, assim como a navalha, perdem o brilho e a parta afiada de seu intelecto, sendo logo corroídas pela ferrugem da ignorância.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – O que motivou a navalha a fugir da barbearia e abandonar o seu trabalho cotidiano?

      A navalha foi motivada pelo excessivo orgulho e pela vaidade. Ao ver o reflexo do Sol em sua lâmina de aço e notar como ela brilhava, ela se julgou bela e superior demais para realizar o trabalho mecânico e repetitivo de cortar as barbas dos camponeses. Ela considerou que aquela função desonrava a sua beleza e preferiu se esconder para viver em paz.

02 – De que maneira a passagem do tempo no esconderijo afetou a integridade física da navalha? Descreva o que ela encontrou ao sair do refúgio.

      O tempo passado no ócio e no isolamento destruiu as qualidades físicas da navalha. Ao sair do refúgio para respirar ar fresco após meses escondida, ela percebeu que sua lâmina estava horrorosa, parecida com uma serra enferrujada, e que já não refletia mais a luz do Sol, perdendo completamente o seu brilho e o seu corte original.

03 – Após perceber o seu novo estado, qual foi o arrependimento manifestado pela navalha? O que ela concluiu sobre a sua antiga rotina de trabalho?

      A navalha lamentou amargamente ter fugido e percebeu que o trabalho na barbearia, embora repetitivo, era justamente o que a mantinha em boa forma. Ela concluiu que se tivesse continuado a cortar as barbas ensaboadas, sua superfície teria permanecido brilhante e sua borda afiada, em vez de terminar totalmente corroída pela ferrugem.

04 – A moral do texto estabelece uma analogia (comparação). Como essa relação é feita entre os elementos da história e as características humanas?

      A fábula associa as qualidades físicas da navalha (o brilho e o corte afiado) à inteligência e aos talentos humanos. Da mesma forma, a "ferrugem" que corrói o metal é comparada à ignorância que consome a mente das pessoas que escolhem a preguiça e o ócio em vez de exercitarem e utilizarem suas capacidades no dia a dia. 

05 – A partir da leitura da fábula, qual é a principal lição que o autor deseja transmitir sobre a utilidade e a prática do nosso intelecto e talentos?

      A principal lição é a de que o talento e a inteligência não têm valor se forem mantidos isolados ou inativos; eles precisam ser praticados constantemente. Assim como o ferro precisa do trabalho para não enferrujar, as habilidades humanas exigem esforço e utilidade contínua, caso contrário, definham e são destruídas pelo comodismo e pela falta de uso.

 

 

FÁBULA: A NOZ E O CAMPANÁRIO - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Noz e o Campanário

         Um corvo pegou uma noz e levou-a para o topo de um alto campanário. Segurando a noz com as patas começou a bicá-la para abri-la. Porém subitamente a noz rolou para baixo e desapareceu numa fresta do muro.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEir4NdnAdG6j_xeUVz1hbG8ozusYWkjQa8uGqn198hp-82g8SkBmOEJt_LzMzLKpROhKKfV-NNlKfszBLMcJBqHnfZ4rsTbD3vhPK7s3L36EbA1uXs4Od6WoBn4F-NJl2Hh4uvVuNLXaYlyofZpcPRvgV9T8Bfv6Bl-Mp8VE1f8pwLYR4AinK8GRR1iZV0/s320/noz_pecan.jpg


        -- Muro, meu bom muro – suplicou a noz, percebendo que estava livre do bico do corvo – pelo amor de Deus, que foi tão bom para você, fazendo-o alto e forte, e enriquecendo-o com esses belos sinos de tão belo som, salve-me, tenha pena de mim! Meu destino era cair entre os velhos ramos de meu pai – prosseguiu a noz – permanecer no rico solo coberto de folhas amarelas. Por favor, não me abandone! Quando eu estava sendo atacada pelo terrível bico daquele corvo feroz, fiz um voto. Prometi que, se Deus me permitisse escapar, eu passaria o resto de minha vida dentro de uma frestinha.

        Os sinos, num doce murmúrio, avisaram o campanário que tomasse cuidado porque a noz podia ser perigosa. Porém o muro, teve compaixão e decidiu abrigá-la, deixando-a ficar onde havia caído.

        Porém dentro em breve a noz começou a abrir e a estender raízes nas frestas da pedra. Em seguida as raízes forçaram caminho por entre os blocos de pedra e surgiram galhos que saíam pela fresta. Os galhos cresceram, tornaram-se mais fortes e estenderam-se para o alto, acima do topo da torre. E as raízes, grossas e enroscadas, começaram a fazer buracos nos muros, empurrando para fora todas as velhas pedras.

        O muro percebeu, tarde demais, que a humildade da noz e seu voto de ficar escondida numa fresta não eram sinceros. E arrependeu-se de não ter dado ouvido aos sinos.

        A nogueira continuou a crescer e o muro, o pobre muro, desmoronou e ruiu.

        Moral: Cuidado com a falsa humildade daqueles que se fazem de vítimas apenas para conseguir um espaço.

 

   Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – Como a noz foi parar na fresta do muro do campanário?

      A noz foi levada até o topo do campanário por um corvo, que pretendia comê-la. Enquanto o corvo tentava abri-la com o bico, a noz escorregou de suas patas, rolou para baixo e acabou caindo e desaparecendo dentro de uma fresta do muro.

02 – Qual foi a promessa (ou voto) que a noz fez ao muro para convencê-lo a lhe dar abrigo?

      A noz implorou por piedade e afirmou ter feito um voto de que, se Deus a salvasse do bico do corvo, ela passaria o resto de sua vida escondida e quietinha dentro daquela frestinha, sem causar problemas. 

03 – Quem tentou alertar o campanário sobre o perigo de abrigar a noz?

      Foram os sinos. Num doce murmúrio, eles avisaram o campanário para que tomasse cuidado, pois a noz poderia ser perigosa. No entanto, o muro sentiu compaixão e ignorou o aviso.

04 – O que aconteceu quando a noz começou a crescer dentro da fresta do muro?

      A noz se abriu e começou a fincar raízes e a soltar galhos. Com o tempo, as raízes grossas forçaram caminho entre os blocos de pedra, abrindo buracos e empurrando as velhas pedras para fora, enquanto os galhos cresceram tanto que ultrapassaram o topo da torre.

05 – Qual foi o destino final do muro por ter abrigado a noz?

      O muro percebeu tarde demais que a noz havia mentido sobre sua suposta humildade. A nogueira continuou crescendo com tanta força que o pobre muro não resistiu à pressão das raízes, acabou desmoronando e ruiu completamente.

 

FÁBULA: A PULGA E O CARNEIRO - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Pulga e o Carneiro

        Certo dia, uma pulga que morava no pelo macio de um cachorro, sentiu um agradável cheiro de lã.

        -- Que será isso?

        Deu um salto e viu que o cachorro adormecera encostado à pele de um carneiro.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0n58U05DcoCIg5Vg40CRlBAg_XimPyluqTW1SnsGCRs8V2vi_oWsC3Vb8k_-V0MJ1D4S4pSlWKu37v5oWU5tft-7dolliZRKYj14c8ho8No6J865GZbcgYj1aFaTZtwALzMa4KhkGfZLsHdAGkJwHCqI7tvrCxAK88FigeInzRq_Ie3NRrknQtKmcRYo/s320/ovelhas-carneiro-cordeiro-saiba-quais-sao-as-diferencas%20(1).jpg


        -- Esta pele é exatamente o que preciso – disse a pulga – é mais espessa e mais macia, e principalmente mais segura. Não corro o risco de ser encontrada pelas patas e pelos dentes do cachorro, que a toda hora me procuram. E a pele do carneiro deve ser, certamente, mais agradável.

        Então, sem mais pensar, a pulga mudou-se de casa, saltando das costas do cachorro para a pele do carneiro. Porém a lã era espessa, tão espessa que era difícil atravessá-la para chegar até a pele. Tentou e tornou a tentar, separando pacientemente os fios, procurando laboriosamente um caminho. Finalmente atingiu as raízes dos pelos, mas eles eram tão juntos que ficavam praticamente encostados uns nos outros. A pulga não encontrou sequer um furinho através do qual pudesse atingir a pele do animal.

        Cansada, banhada em suor e profundamente desapontada, a pulga resignou-se a voltar para o cachorro. Porém o cachorro não estava mais lá.

        Pobre pulga! Chorou dias a fio de arrependimento por seu erro.

        Moral: Não abandone o que é seguro e garantido por uma ilusão de maior facilidade ou conforto sem antes conhecer a realidade.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 Entendendo a fábula:

01 – O que despertou o interesse da pulga em mudar de lugar no início da história?

      A pulga sentiu um cheiro agradável de lã e, ao dar um salto, percebeu que o cachorro em que morava estava dormindo encostado em um carneiro. Ela achou que a pele do carneiro seria mais espessa, macia, segura e agradável do que a do cachorro.

02 – Quais eram as desvantagens de morar no cachorro, segundo o ponto de vista da pulga?

      O cachorro estava constantemente tentando pegá-la com as patas e com os dentes, o que fazia com que a pulga corresse o risco frequente de ser encontrada e destruída. 

03 – Que dificuldades a pulga encontrou ao tentar se estabelecer na pele do carneiro?

      A lã do carneiro era tão espessa e os pelos eram tão juntos e encostados uns nos outros que a pulga teve imensa dificuldade para atravessá-los. Ela não conseguiu encontrar sequer um pequeno espaço ou furo para alcançar a pele do animal e se alimentar.

04 – O que a pulga decidiu fazer após fracassar na tentativa de alcançar a pele do carneiro?

      Cansada, suada e profundamente desapontada com a realidade da lã do carneiro, ela resolveu desistir e voltar para o pelo do cachorro, onde já estava acostumada a viver.

05 – Por que a história termina de forma triste para a pulga?

      Porque quando a pulga decidiu voltar, o cachorro já havia ido embora e não estava mais lá. Ela acabou ficando sem nenhuma das duas opções, restando-lhe apenas o choro e o arrependimento por seu erro impulsivo.

 

 

FÁBULA: A RAPOSA E A PEGA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Raposa e a Pega

 

        Certo dia uma raposa esfomeada viu-se debaixo de uma árvore sobre a qual estava pousado um bando de barulhentas pegas.

        Escondendo-se para não ser vista, a raposa pôs-se a observar. Notou que os pássaros mantinham-se constantemente em busca de alimento e não temiam sequer pousar sobre cadáveres de animais a fim de bicá-los.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgdCTPCDMtGQ6dc5x_AXNiyQj6nBvR39xOh_7AtcXEIhlslKBZhRKt5HfuxyOfOrY4d2DMsLSgVI5VSdVynjy30ZiqiJ6a0XD1hHjIExGW47__XA05iuOic2zay4YfpoPX4KJABcZzx0GZgD_j9fzhpdieThCnEpXWhhmuT9iS3t6AHNtQuoiGv9SpdO_I/s1600/PEGA.jpg


        -- Vou fazer uma experiência – disse a raposa para si mesma.

        Cautelosamente, no maior silêncio, deitou-se no chão e permaneceu imóvel, de boca aberta, como se estivesse morta.

        Breve uma pega a viu e imediatamente voou para o chão.

        Aproximou-se da raposa e, pensando que ela estava morta, pôs-se a bicar-lhe a língua.

        Porém a pega deveria ter sido mais prudente, pois a raposa a apanhou.

        Moral: A falta de cuidado e a audácia excessiva diante do perigo podem ser fatais.

 

         Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – O que a raposa observou no comportamento das pegas enquanto estava escondida sob a árvore?

      A raposa notou que as pegas faziam muito barulho, estavam constantemente em busca de comida e eram tão destemidas que não hesitavam em pousar e bicar o cadáver de animais mortos para se alimentar.

02 – Qual foi o plano ("experiência") elaborado pela raposa para conseguir capturar uma das aves?

      Sabendo que as pegas se alimentavam de animais mortos, a raposa deitou-se no chão com cautela, em completo silêncio, e permaneceu imóvel de boca aberta, fingindo estar morta para atrair os pássaros.

03 – O que a primeira pega fez ao avistar a raposa imóvel no chão?

      Pensando que a raposa realmente estivesse morta, a pega voou imediatamente para o chão, aproximou-se sem medo e começou a bicar a língua da raposa.

04 – Qual foi o erro crucial da pega que causou a sua captura?

      O erro da pega foi a total falta de prudência. Ela confiou na aparência de morte da raposa e aproximou-se demais de sua boca (uma zona de extremo perigo), abaixando totalmente a guarda.

05 – Como a história termina para a pega e o que isso demonstra sobre a raposa?

      A história termina com a raposa capturando a pega no momento em que esta bicava sua língua. Isso demonstra a grande astúcia, paciência e capacidade de encenação da raposa, que soube usar o próprio hábito de sua presa como uma armadilha perfeita.

 

 

FÁBULA: A SERPENTE E OS PÁSSAROS - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Serpente e os Pássaros

 

        Não havia mais tantos pássaros no bando quanto anteriormente. Cada dia um deles desaparecia misteriosamente, sem ninguém notar como. O líder do bando não conseguia encontrar explicação alguma.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZKfJUNXagfqX9SAw2fiM6RqTjQJwZbpTDlDdyyG_eQKwVhZEmV3-U9hk4ALWgYGx4LOGKcy4LNJcH3toQ26Cd5Y_IbToFw2QvtV7qE0ZZpe0sVKqME-WYY6ure6bn8KTjIxKMRBc4itatSXLd6jk75v1rSjl562-WwFSzjMkR2RNb9y1NJ5pAQWDYD2Q/s1600/images.jpg


        Certa manhã, em vez de voar na frente, colocou-se em último lugar, a fim de poder vigiar seus companheiros.

        Voaram, como sempre, em direção a uma floresta distante. Ao passarem por cima de uma colina o líder notou que o ordenado bando separou-se, como se atingido por um forte vento. A maioria dos pássaros tornou a formar uma fila ordenada. Porém dois dos mais jovens prosseguiram numa rota diferente, como se atraídos por alguma força invisível.

        E subitamente o líder viu a serpente. Era muito comprida e tinha diversos anéis.

        Todas as manhãs ficava escondida na grama, à espera da passagem do bando. Então abria a boca e aspirava com força, sugando os pássaros para dentro de sua boca.

        Tendo descoberto o perigo, o sábio líder, desse dia em diante, conduziu o bando por outra rota e a serpente nunca mais apanhou nenhum deles.

        Moral: O verdadeiro líder protege seu grupo através da observação atenta e da prudência.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – Qual era o mistério que intrigava o líder do bando de pássaros no início da história?

      O mistério era o desaparecimento diário e inexplicável de vários pássaros do bando. A cada dia, um deles sumia sem que ninguém notasse como ou por quê.

02 – Que estratégia o líder utilizou para descobrir o que estava acontecendo com seus companheiros?

      Em vez de voar na frente liderando a fila como de costume, ele decidiu colocar-se na última posição do bando naquela manhã, o que lhe permitiu vigiar todos os companheiros de trás e observar qualquer irregularidade.

03 – O que o líder notou de estranho quando o bando sobrevoou uma colina?

      Ele notou que o bando se desordenou momentaneamente, como se tivesse sido atingido por um vento forte. Em seguida, viu que dois dos pássaros mais jovens saíram da rota correta e foram desviados, como se estivessem sendo atraídos por uma força invisível.

04 – Como a serpente conseguia capturar os pássaros que voavam alto?

      A serpente se escondia na grama da colina todas as manhãs esperando o bando passar. Quando eles ficavam exatamente em cima dela, ela abria a boca e aspirava o ar com tanta força que acabava sugando os pássaros diretamente para dentro de sua garganta.

05 – Qual foi a atitude tomada pelo líder após descobrir o segredo da serpente e qual foi o resultado?

      Sendo um líder sábio, ele mudou definitivamente o trajeto do bando a partir daquele dia, conduzindo os pássaros por uma rota alternativa e segura. Como resultado, a serpente nunca mais conseguiu capturar nenhum membro do bando.

 

 

 

FÁBULA: A TOUPEIRA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Toupeira

        Uma toupeira estava passeando em baixo da terra ao longo das longas galerias subterrâneas que sua família havia escavado durante muitos anos de trabalho.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEioPLh0H0QHJ9r1WsWttQqnnm2b31sS8DjntqcndZDE_aLKWCy03OKc_VjQo9LmPYKwWvHs1oM4fSRTXqz963T0ZiFZNJi0YXoONzVDPcN7kcPjSYYGU4D97Ci1bAIWgI-kJGhYtyqUwAqQKtgsjTgm45Y6xsqdizpPyZ1cuEqldhdT2sjSzyCDgtc_KYE/s320/toupeira-168741977.jpg


        Andou para a frente e para trás, subiu ao último andar e desceu até o porão como se enxergasse perfeitamente bem. Na realidade, assim como todas as toupeiras, ela tinha olhos muito pequeninos e não via quase nada.

        Finalmente chegou a um caminho que não conhecia e prosseguiu adiante!

        -- Pare! – gritou uma voz vinda do andar inferior – essa galeria conduz ao exterior e é perigosa!

        Porém a toupeira continuou a subir até chegar a um monte de terra.

        Levantou o focinho e emergiu. Porém a brilhante luz do Sol cegou-lhe os olhos e ela correu de volta para a escuridão de seu abrigo.

        Moral: A teimosia e o orgulho de ignorar os avisos de perigo nos levam a sofrer as consequências de nossas próprias limitações.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – Como a toupeira conseguia se locomover tão bem pelas galerias subterrâneas de sua família?

      Ela andava perfeitamente bem para a frente, para trás, subindo e descendo os andares porque aquelas eram as longas galerias que sua família havia escavado durante muitos anos de trabalho, tornando o ambiente familiar para ela, apesar de sua quase total cegueira.

02 – Qual é a característica física das toupeiras mencionada no texto que limita a visão delas?

      O texto menciona que, assim como todas as toupeiras, ela tinha olhos muito pequeninos e não conseguia enxergar quase nada.

03 – Que aviso a toupeira recebeu ao entrar em um caminho desconhecido?

      Uma voz vinda do andar inferior gritou para que ela parasse, alertando que aquela nova galeria conduzia ao exterior e que aquilo era perigoso.

04 – Como a toupeira reagiu ao aviso recebido do andar inferior?

      Ela ignorou o aviso por completo. Movida pela curiosidade ou pela teimosia, continuou a subir a galeria até alcançar um monte de terra na superfície.

05 – O que aconteceu com a toupeira ao emergir na superfície e qual foi sua reação imediata?

      Ao levantar o focinho e emergir na superfície, a brilhante luz do Sol cegou completamente os seus olhos sensíveis. Assustada e machucada pela claridade, ela correu imediatamente de volta para a escuridão protetora de seu abrigo subterrâneo.

 

 

domingo, 28 de junho de 2026

FÁBULA: A PARREIRA E A VELHA ÁRVORE - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Parreira e a Velha Árvore 

        Uma parreira, a fim de sentir-se mais segura, apoiou-se fortemente numa velha árvore. Suas companheiras, agarradas às estacas que o vinhateiro havia colocado com essa finalidade, perguntaram:

        -- Por que você escolheu uma velha árvore para se apoiar? E se ela morrer, que vai fazer você?

        A parreira, tranquila e satisfeita com sua escolha, não tomou conhecimento das companheiras. Agarrou-se ainda mais fortemente ao velho tronco, certa de que viveria mais tempo que todas as outras vinhas.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjGWqTr91Yo1YkmNeY0BP9pU0_KTajwD2u6XuhiTvNBj4p9FrQPCHMNGUHMwF7Qr7kQq10lyWVty7_30TtbYHWzbZINPoZqeDW0Cuiw1ZYVQMV4GNrBiIes2p5FJp2q2O8xKnCmCNteyzpXR9ocrCn4b2jfpErsvgHIckjGdsJu-DY4YTJTMUx5qujYM1o/s1600/images.jpg 


        Porém a árvore vivera muitos anos. Era tão velha que não aguentava mais. Estremecia ao menor sopro de vento e muitos de seus galhos já estavam secos e mortos. Um dia, finalmente, caiu com grande estrondo e ficou deitada na grama. A tola parreira, sempre envolvendo-a, caiu ao chão junto com ela.

        Moral: Buscar proteção naquilo que já está decadente ou sem vida própria nos leva inevitavelmente à queda.

 

Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

Entendendo a fábula:

 

01 – Por que a parreira escolheu a velha árvore em vez das estacas colocadas pelo vinhateiro, e o que essa escolha representava para ela?

      A parreira escolheu a velha árvore porque buscava uma sensação de maior segurança e grandiosidade. Para ela, o tronco robusto e antigo da árvore parecia muito mais imponente e duradouro do que as simples estacas de madeira dispostas pelo vinhateiro. Essa escolha representava a busca por uma proteção que ela julgava ser superior e eterna, trazendo-lhe orgulho e tranquilidade inicial.

02 – Qual foi o alerta feito pelas outras parreiras e como a parreira protagonista reagiu a ele? O que essa reação demonstra sobre a sua personalidade?

      As companheiras questionaram o motivo de ela escolher uma árvore tão antiga e alertaram para o risco de a árvore morrer, deixando-a sem sustentação. A parreira ignorou o aviso, demonstrando arrogância e teimosia. Em vez de refletir sobre o conselho, ela se agarrou ainda mais forte ao tronco, o que revela uma postura de soberba e uma falsa sensação de infalibilidade.

03 – Como o autor descreve o estado real da velha árvore antes de sua queda? Que contraste essa descrição cria com a percepção da parreira?

      O autor descreve a árvore como alguém que já havia vivido muitos anos e não aguentava mais o próprio peso: ela estremecia com qualquer vento fraco e já possuía vários galhos secos e mortos. Isso cria um contraste irônico com a percepção da parreira, que via na árvore um símbolo de imortalidade e força, mostrando que a planta estava cega pela sua própria escolha e incapaz de enxergar a realidade óbvia da decadência.

04 – De que forma o desfecho da fábula justifica o uso do adjetivo "tola" para qualificar a parreira no último parágrafo?

      O desfecho justifica o termo "tola" porque a parreira acabou caindo ao chão junto com a árvore quando esta desabou. Ela se apegou tanto à sua ilusão de segurança que preferiu afundar com o seu apoio a reconhecer o erro a tempo de se salvar. A sua falta de discernimento e a insistência em permanecer vinculada a algo que já estava morrendo selaram o seu próprio fracasso.

05 – Trazendo a fábula para as relações humanas atuais, que tipo de comportamento ou situação social a atitude da parreira exemplifica?

      A atitude da parreira exemplifica situações em que pessoas se agarram cegamente a tradições obsoletas, a instituições falidas, a empregos sem futuro ou a relacionamentos tóxicos e desgastados apenas por medo de mudar ou por uma falsa sensação de status e segurança. Assim como a parreira rejeitou o suporte prático e seguro (as estacas do vinhateiro), muitas pessoas rejeitam caminhos novos e realistas para insistir em apoios que claramente estão prestes a ruir.