sábado, 4 de abril de 2026

PARÁBOLA: O BAMBU AMADO - COM GABARITO

 Parábola: O Bambu amado


Um belo dia, numa plantação qualquer de bambus, o vento resolveu soprar e a brisa mansa desse ventinho permitia que o bambuzal se mexesse bastante desordenadamente de um lado para o outro e vice versa...era uma boa para os bambus que além de refrescar aproveitassem para dar uma destorcidinha no que estava parado!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEix-lFJWgh6R94L6gEikMqy6U_Vo8jgNxeJEV6gulJGZcBikVSJoO-liSu6PwbeeyWpJAA3v0ZPjCmDNyPU4BLwGYE9InK9rN4U90Nqin3bzVsKEwXoyexmNsgxieVHYED22hmZvVAADnZ8kQbcWSc4ySC7_s99GGdnVnBMlDamh_RNUI48T-o3dL0zYsQ/s1600/BAMBU.jpg


Mas como todo bambuzal que se preze, este não era diferente: havia um dono desse bambuzal que neste dia coincidentemente chegou junto com o vento. Qual foi a surpresa do bambuzal em ver o seu dono, todos no mesmo instante ficaram cheios de Alegria e destemor pois aquele que cuidava com tanto carinho deles chegava com seu sorriso para olhar sua estimada plantação! Porem havia no mesmo lugar ao lado um campo ermo, de difícil plantação, terra ressequida pertencente ao mesmo dono.
No bambuzal existia um bambu que era muito mais bonito e vivente que os outros. Existia nele uma diferença patente sobre o restante dos bambus que muitas vezes incomodava, mas era natural nele e, devido também toda a sua dedicação ao dono, se tornava cada vez mais diferente e bonito.
A Felicidade desse bambu era ver seu dono chegando e contemplando-o com esmero.
Porém, num certo dia de vento também, o bambu amado (porque amava demais também) foi surpreendido por seu dono tão querido numa proposta que há muito tempo ele esperava. Era chegada a hora do bambu servir e servir com a mesma dedicação que tinha desde o seu nascimento.
O dono do bambu chegou lá pelas 5 da tarde, olhou seu bambu amado, acariciou-o e lhe disse:

“BAMBU AMADO, CHEGOU O SEU TEMPO DE ME SERVIR E ESTE É O MOMENTO!”
O bambu ficou entusiasmadíssimo com tal proposta e na mesma correria que amava o dono, apressou-se em dizer: “SIM AMADO DONO, SE ME CHEGOU A HORA ESTOU AQUI!”

O dono sabia desse sim e logo amou mais ainda o bambu. Contudo, o dono do bambu teve que lhe falar sobre esse serviço especial e continuou dizendo: “MAS PARA QUE ME SIRVA, BAMBU AMADO, TENHO QUE LHE TIRAR DO LUGAR EM QUE VOCÊ ESTÁ!”
O bambu estranhou pois sabia que isso iria prejudicá-lo muito mas no mesmo instante disse ao dono: SABE DAS COISAS MEU DONO, E SABE DE MIM, ME ALEGRO E FAÇA COM QUE EU LHE SIRVA BEM!
O dono mais alegre ainda continuou: BAMBU AMADO, NÃO BASTA QUE TE ARRANQUE DE SEU LUGAR MAS VOU PRECISAR CORTÁ-LO COM UM FACÃO PARA PARTI-LO AO MEIO!
Surpreso, o bambu se pôs a tentar entender tal proposta e começou a fica um pouco triste pois sua beleza, seu encanto, suas firmezas, seu apoio, tudo seria tirado e isso lhe faria não ser mais o bambu que outrora brilhou! Porém, mesmo entristecido e sem entender precisou toda sua alegria já comprometida na satisfação que seu dono teria de um sim e não pensou mais: “SE ASSIM É QUE PRECISAS DE MIM QUE EU POSSA LHE ALEGRA, EIS-ME AQUI...PRONTO!”

O dono sabia disso e percebia que o bambu não estava tão alegre quanto o início da conversa, mas sabia da fidelidade do amado bambu. Não obstante o dono logo lhe disse sem muitas palavras: “AMADO BAMBU, MESMO QUE ME SIRVA AINDA PRECISO DIZER: NÃO LHE BASTA QUE O ARRANQUE E O CORTE COM UM FACÃO, É PRECISO QUE EU O SEQUE E DESCARACTERIZE TEUS JEITOS DE BAMBU, TUA BELEZA E MESMO TODA TUA ALEGRIA!”
O bambu, no silencio entristecido, derramava uma lágrima de dor profunda e de desentendimento. Já não sabia mais o porquê  disso tudo nem o porquê  de seu dono lhe queria assim. O maior sofrimento do bambu era por não entender esse amor que criou, permitiu que fosse o mais lindo e vistoso e de uma hora pra outra lhe pedia quase que a própria morte.
Qual foi sua surpresa antes de responder ao dono o mesmo indagou: “MAS AMADO BAMBU, MESMO DEPOIS DISSO TUDO VOU PRECISAR TIRA-TE A VIDA E NUNCA MAIS SERAS UM BAMBU!”

Foi nesse instante que o bambu simplesmente parou e não disse uma só palavra! Mas seu dono continuou: “CONTUDO, BAMBU AMADO, VOU ARRANCAR-LHE O CORAÇÃO E TUDO O QUE NELE TEM, GUARDAREI ETERNAMENTE COMIGO E NUNCA ELE ME SERÁ ROUBADO. DE TUA CASCA TIRAREI O MELHOR: TEU CORAÇÃO...TEU TESOURO...TUA VIDA...SERÁS MAIS MEU DO QUE NESSA CONDIÇÃO DE BAMBU!”
Foi aí que o pobre bambu entendeu não os motivos do dono mas o tipo de Amor com Ele o amava e sustentado por esse desentendimento que compreende todas as coisas, o bambu se voltou em prantos mas com um suave e sereno e lhe disse bem baixo mas convictamente: “ENTENDO QUE ME ENTENDES, MEU DONO E TANTO QUE ME ROUBAS O MELHOR! SOU TEU PRISIONEIRO E FAZ DE MIM O QUE PRECISAS!”

Foi aí que o dono consumou seus desejos: Arrancou o bambu, cortou-lhe ao meio com um facão, secou-o e descaracterizou-o e já sem vida nenhuma física lhe tirou o coração e guardou-o consigo para que nunca mais fosse roubado! E o que era um vistoso e lindo bambu se tornava dois simples pedaços de coisa ressecada. Contudo, aquele nada se tornava o veículo de água para que se levasse umidade ao outro solo do dono que precisava de plantação e assim o saudoso bambu era o que de mais precioso o dono tinha!
Acredito que o dono também chorava nesse instante até de saudade do bambu mas tinha seu coração guardado e isso bastava ao dono!

Entendendo o texto

 

01. Qual era a principal característica que diferenciava o "bambu amado" dos outros bambus da plantação?

a. Ele era o mais alto e conseguia ver o que acontecia fora do bambuzal.

b. Ele era o mais bonito, vivente e possuía uma dedicação extrema ao seu dono.

c. Ele era o único capaz de resistir aos fortes ventos que sopravam às 5 da tarde.

d. Ele tinha a capacidade de falar e aconselhar os outros bambus menos experientes.

02. Por que o bambu começou a ficar triste durante a conversa com o dono?

a. Porque percebeu que o dono gostava mais do campo ermo e seco do que dele.

b. Porque o dono chegou atrasado para o momento da colheita e o vento já tinha passado.

c. Porque o dono revelou que, para servir, o bambu teria que perder sua beleza, sua forma e sua identidade original.

d. Porque ele não queria ser transformado em um objeto de decoração para a casa do dono.

03. Qual foi a condição final imposta pelo dono que deixou o bambu em silêncio e profunda dor?

a. A exigência de que o bambu deveria ser plantado em outra terra muito distante.

b. O fato de que o dono iria retirar-lhe a vida, tirar o seu coração e ele nunca mais seria um bambu.

c. A notícia de que ele seria vendido para outro proprietário que não cuidava bem das plantas.

d. A necessidade de o bambu aprender a crescer sem a ajuda da brisa e do sol.

04. O que o dono fez com o "coração" (o interior) do bambu após cortá-lo?

a. Jogou-o no campo ermo para que servisse de adubo para a nova plantação.

b. Devolveu-o à terra para que um novo e mais bonito bambu pudesse nascer.

c. Guardou-o eternamente consigo para que nunca fosse roubado.

d. Transformou-o em sementes para distribuir por todo o bambuzal.

05. Qual foi o propósito final do sacrifício do bambu, conforme revelado no desfecho da história?

a. Tornar-se um ornamento de luxo que o dono exibiria com orgulho.

b. Servir de lenha para aquecer o dono durante os dias de vento frio.

c. Provar aos outros bambus que a obediência é o único caminho para a beleza.

d. Tornar-se um canal (veículo) de água para levar umidade e vida ao solo seco e ermo do dono.