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sábado, 6 de junho de 2026

REPORTAGEM: CRIANÇAS NA DIREÇÃO - FRAGMENTO - RICARDO KOTSCHO - COM GABARITO

 Reportagem: Crianças na direção – Fragmento

            RICARDO KOTSCHO

        Nos confins da chapada do Araripe, em Nova Olinda, cidade sertaneja de 12 mil habitantes, a 580 quilômetros de Fortaleza (CE), esconde-se um pequeno império de arte e comunicação, a Fundação Casa Grande-Memorial do Homem Kariri.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjY7j1mr9B3mI68NkAEJOCeJb7Jl02O7s6iBiCY1o9SEc_zBINwUK-kdlGGXFd_3D1nDy3joiQGvHzyv45oHYTL6Kb8BMLvD9TUR3JVqfpDICpBJfwZTBAifTgmil7UY5CBvf6-uHFmfi-QzmTd33gxON-4-hIoG6TwJv2yPX58sqTms6RD4miofxQfrYI/s320/cariri1.jpg


        Não chega a ser uma Fundação Roberto Marinho, mas a Casa Grande é uma ONG que já tem rádio, televisão, jornal, editora, museu, grupos de teatro e de música. Detalhe: tudo é tocado por 70 crianças e adolescentes da cidade, artistas multimídia com idades que vão dos três aos 18 anos.

        Como dizem lá no sertão, a história para ser bem entendida tem de ser contada desde o começo. Neste caso, vem de muito antigamente, de quando foi construída a primeira casa grande nas terras dos índios kariri, em 1717.

        Comprada e reformada em meados do século passado pela família de Neco Trajano, avô de Francisco Alemberg de Souza, 36, o Alemberg Quindins, a casa foi abandonada em 1975 e estava servindo de banheiro público.

        Músico e pesquisador, Alemberg rodou o Brasil por dez anos, trabalhando ao lado da mulher, Rosiane Limaverde, 36, cantora e percussionista. Em 92, o casal voltou para Nova Olinda. Como precisasse de um canto para guardar o material recolhido durante as viagens, no rastro do universo geográfico dos kariri, Alemberg pediu a velha casa à família e ajuda à prefeitura para restaurá-la.

        Quem conta essa história nos mínimos detalhes aos visitantes que chegam a Nova Olinda são os adolescentes Alderiana Tavares Siebra e Francisco Cordeiro Teles, os dois com 13 anos. Entre outras funções, eles são também os guias do museu. "O povo mais antigo foi contando as histórias para a gente", explica Francisco.

        Escola e trabalho

        A ideia de criar a Escola de Comunicação da Meninada do Sertão surgiu ainda durante as obras, quando algumas crianças começaram a se interessar pelo trabalho de Alemberg e Rosiane. "O nosso maior desafio era trocar as enxadas das crianças que largavam a escola para trabalhar na lavoura pela tecnologia da comunicação", lembra Alemberg.

        Além da prefeitura, o projeto foi ajudado desde o começo pelo Unicef, o que permitiu ao Casa Grande montar os laboratórios de rádio, televisão e editoração. Outras parcerias foram surgindo com o governo do Ceará, universidades e, mais recentemente, com o Instituto Airton Senna.

        "Aqui tudo se cria, nada se copia. Casa Grande FM, a rádio que educa. Amanhã, à uma da tarde em ponto, volto com a melhor música infantil aqui no programa ‘Submarino Amarelo’. Boa tarde", anuncia ao microfone a locutora Jossamiris Alves Muniz, 9, ao lado da aprendiz Ana, 5, filha de Alemberg e Rosiane.

        Produção, operação e apresentação, além das vinhetas montadas em computador, tudo na FM 105.9, que alcança cinco cidades vizinhas, fica por conta de crianças como Jossamiris.

        Há três anos no ar, das 5h às 22h, a rádio comunitária Casa Grande apresenta o noticiário da cidade, também preparado pelas crianças, de meia em meia hora. A programação musical vai do jazz e blues à música clássica, cantoria de viola, MPB e ao forró de pé de serra. Um dos grandes sucessos é o "Baú do Raul", um programa só com músicas de Raul Seixas.

        Só podem participar das atividades multimídias crianças e adolescentes que frequentam a escola regular e tiram boas notas. "Aqui ninguém ganha dinheiro, só se ganha conhecimento. E quem comanda tudo é a meninada", diz Alemberg, orgulhoso da sua obra, enquanto caminha pelos bem arborizados jardins da casa. Em volta, atrás de cada porta, há sempre grupos estudando e trabalhando.

        Meires Moreira, 16, gerente da editora, mostra a uma turma de sete crianças como foram produzidas as 11 publicações da Casa Grande. "São revistas de histórias em quadrinhos com material pedagógico, que tratam desde educação sexual até campanha contra o fumo", diz a jovem. Além disso, a editora já imprimiu 28 edições do "Karirizinho", jornal quinzenal de circulação interna com tiragem de dez cópias.

        [...]
        Toda a comunicação visual dos diferentes núcleos da Fundação Casa Grande e do Memorial do Homem Kariri foi desenvolvida pelos próprios meninos e meninas da chapada do Araripe, que acabaram mesmo trocando a enxada pela tecnologia digital em menos de uma década.

KOTSCHO, Ricardo. Crianças na direção. Folha de São Paulo, 11 jul. 2001, p. E1.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 96-98.

Entendendo a reportagem:

01 – O que é a Fundação Casa Grande e onde ela está localizada?

      A Fundação Casa Grande-Memorial do Homem Kariri é uma ONG descrita como um "pequeno império de arte e comunicação" que possui rádio, televisão, jornal, editora, museu, além de grupos de teatro e música. Ela fica localizada nos confins da chapada do Araripe, em Nova Olinda, uma cidade sertaneja com 12 mil habitantes, a 580 quilômetros de Fortaleza (CE).

02 – Quem são os responsáveis por comandar e tocar as atividades da Fundação Casa Grande?

      Todas as atividades e núcleos da Fundação são tocados por 70 crianças e adolescentes da própria cidade. Eles atuam como artistas multimídia e suas idades variam dos três aos 18 anos.

03 – Qual era o estado da "casa grande" antes de ser restaurada por Alemberg Quindins e Rosiane Limaverde?

      A casa, construída originalmente em 1717 nas terras dos índios kariri e reformada no século passado pelo avô de Alemberg, havia sido abandonada em 1975 e estava servindo como banheiro público antes da restauração.

04 – Como surgiu a ideia de criar a "Escola de Comunicação da Meninada do Sertão"?

      A ideia surgiu durante as obras de restauração da velha casa, quando algumas crianças da região começaram a demonstrar interesse pelo trabalho de pesquisa e recolhimento de materiais que estava sendo feito por Alemberg e Rosiane.

05 – Qual foi o maior desafio apontado por Alemberg Quindins no início do projeto?

      O maior desafio era social e educativo: consistia em trocar as enxadas das crianças — que costumavam abandonar a escola regular para trabalhar na lavoura — pela tecnologia da comunicação.

06 – Quais são os requisitos obrigatórios para que as crianças e adolescentes possam participar das atividades multimídia da ONG?

      De acordo com o texto, só podem participar das atividades da Fundação Casa Grande os jovens e crianças que frequentam regularmente a escola tradicional e que tiram boas notas. Além disso, o trabalho não é remunerado ("ninguém ganha dinheiro, só se ganha conhecimento").

07 – O que a gerente Meires Moreira, de 16 anos, revela sobre as publicações produzidas pela editora da Fundação?

      Meires explica que a editora produziu 11 publicações, que consistem em revistas de histórias em quadrinhos com conteúdo pedagógico, abordando temas importantes como educação sexual e campanhas contra o fumo. Além disso, a editora também imprime o "Karirizinho", um jornal quinzenal de circulação interna.

 

 

REPORTAGEM: A PUBERDADE - A IDADE DO DESAJEITAMENTO - VIRGINIE DUMONT - COM GABARITO

 Reportagem: A puberdadeA idade do desajeitamento

           Virginie Dumont

        A idade do desajeitamento

        Na puberdade os referenciais corporais mudam. É comum termos um andar desengonçado e gestos desastrados.

        As grandes transformações do corpo que acontecem na puberdade são desencadeadas por um sinal produzido pelos hormônios, que são fabricados pela hipófise, uma pequena glândula do cérebro. Ainda não se sabe muito bem por que este sinal é dado em um momento e não em outro.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgz-zmz2svFMMJKeckwjHC1DuqK7pSQlhJhbw1Qmoboddp_NsxolAs_-mV-rnf3QUmOSIFi1gi1KUnrbxrlADuDYFV9SrxNG4KMUzzxypEaePB-iBONO1E66rfOdF13n1LDYogn-98DUZ5TuVdYruI9Yy2WkWfsX9GUoJHsfjKb3mm8Yn6zjPLraqzvPlo/s320/14cb41e3-2127-4410-b573-4e19f6ac0f83.jpg


        O que é hormônio

        “Hormônio” vem de uma palavra grega que significa excitar. É uma substância elaborada por uma glândula, em uma pequeníssima quantidade (alguns bilionésimos de grama às vezes são suficientes). O hormônio é transportado pelo sangue e age sobre um determinado órgão, estimulando-o, excitando-o. Faz o papel de um mensageiro que assegura a transmissão de informações de um órgão para outro. Existem hormônios sexuais masculinos e femininos, hormônios de crescimento e muitos outros.

        As trocas com a minha família

        A puberdade, que diz respeito ao corpo, vem acompanhada de mudanças no jeito de pensar e agir. A partir dos 12-13 anos, estabelecemos relações diferentes com nossos pais: somos capazes de ter nossa própria opinião e de ser mais independentes. Pode acontecer de fazermos julgamentos críticos sobre eles e de não concordarmos com eles de forma a nos sentirmos incompreendidos. Entretanto, esses conflitos desagradáveis são necessários para afirmarmos nossa identidade. O essencial é não rompermos a comunicação.

DUMONT, Virginie & MONTAGNAT, Serge. Questões de amor 11-14 anos. São Paulo, Callis, 1998. p. 12, 13 e 36.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 169-170.

Entendendo a reportagem:

01 – Por que o período da puberdade é frequentemente associado a um andar desengonçado e a gestos desastrados, segundo o texto?

      O texto explica que isso acontece porque, na puberdade, os referenciais corporais mudam devido às grandes transformações físicas pelas quais o corpo passa, o que justifica o título de "a idade do desajeitamento".

02 – De acordo com a reportagem, o que desencadeia as grandes transformações do corpo na puberdade e qual órgão é responsável por esse comando inicial?

      As transformações são desencadeadas por um sinal produzido pelos hormônios. A responsável por fabricar e emitir esse sinal é a hipófise, descrita como uma pequena glândula localizada no cérebro.

03 – Explique a origem etimológica da palavra "hormônio" e qual é a principal função que essa substância desempenha no organismo, conforme o texto.

      A palavra "hormônio" vem de um termo grego que significa "excitar". A sua principal função é atuar como um mensageiro que garante a transmissão de informações entre os órgãos, agindo sobre um órgão específico para estimulá-lo ou excitá-lo.

04 – O texto menciona que os hormônios atuam em quantidades extremamente pequenas. Que trecho do texto comprova essa afirmação?

      O trecho que comprova isso é: "[...] em uma pequeníssima quantidade (alguns bilionésimos de grama às vezes são suficientes)."

05 – De que maneira as relações familiares mudam a partir dos 12-13 anos e qual é a importância dos conflitos que surgem nessa fase?

      A partir dessa idade, os jovens passam a ter opiniões próprias, tornam-se mais independentes e começam a fazer julgamentos críticos sobre os pais, o que pode gerar discordâncias. Segundo o texto, esses conflitos desagradáveis são necessários para que o jovem afirme sua própria identidade, sendo essencial apenas que a comunicação entre eles não seja rompida.

 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

REPORTAGEM: CRIANÇAS NA DIREÇÃO - FRAGMENTO - RICARDO KOTSCHO - COM GABARITO

 Reportagem: Crianças na direção – Fragmento

            RICARDO KOTSCHO

        Nos confins da chapada do Araripe, em Nova Olinda, cidade sertaneja de 12 mil habitantes, a 580 quilômetros de Fortaleza (CE), esconde-se um pequeno império de arte e comunicação, a Fundação Casa Grande-Memorial do Homem Kariri.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9gRqz4wG9ai3qY3Qj5H0mBwJzS_hTdJgoCggJLAqxD_0BsqJte_YJ3HO5V2w8LYhqt5ZOsB5JSnK0Y9ivX_iT_32zpICWjVC1y4IStAgpmQJs_1pGljAnnxbyz9cha84dlfgB41l3257O-9OWpOF04EaNzPja7U7hlCyRWHEHp6cdVp9Sf-8FZjckw4k/s1600/images.jpg 


        Não chega a ser uma Fundação Roberto Marinho, mas a Casa Grande é uma ONG que já tem rádio, televisão, jornal, editora, museu, grupos de teatro e de música. Detalhe: tudo é tocado por 70 crianças e adolescentes da cidade, artistas multimídia com idades que vão dos três aos 18 anos.

        Como dizem lá no sertão, a história para ser bem entendida tem de ser contada desde o começo. Neste caso, vem de muito antigamente, de quando foi construída a primeira casa grande nas terras dos índios kariri, em 1717.

        Comprada e reformada em meados do século passado pela família de Neco Trajano, avô de Francisco Alemberg de Souza, 36, o Alemberg Quindins, a casa foi abandonada em 1975 e estava servindo de banheiro público.

        Músico e pesquisador, Alemberg rodou o Brasil por dez anos, trabalhando ao lado da mulher, Rosiane Limaverde, 36, cantora e percussionista. Em 92, o casal voltou para Nova Olinda. Como precisasse de um canto para guardar o material recolhido durante as viagens, no rastro do universo geográfico dos kariri, Alemberg pediu a velha casa à família e ajuda à prefeitura para restaurá-la.

        Quem conta essa história nos mínimos detalhes aos visitantes que chegam a Nova Olinda são os adolescentes Alderiana Tavares Siebra e Francisco Cordeiro Teles, os dois com 13 anos. Entre outras funções, eles são também os guias do museu. "O povo mais antigo foi contando as histórias para a gente", explica Francisco.

        Escola e trabalho

        A ideia de criar a Escola de Comunicação da Meninada do Sertão surgiu ainda durante as obras, quando algumas crianças começaram a se interessar pelo trabalho de Alemberg e Rosiane. "O nosso maior desafio era trocar as enxadas das crianças que largavam a escola para trabalhar na lavoura pela tecnologia da comunicação", lembra Alemberg.

        Além da prefeitura, o projeto foi ajudado desde o começo pelo Unicef, o que permitiu ao Casa Grande montar os laboratórios de rádio, televisão e editoração. Outras parcerias foram surgindo com o governo do Ceará, universidades e, mais recentemente, com o Instituto Airton Senna.

        "Aqui tudo se cria, nada se copia. Casa Grande FM, a rádio que educa. Amanhã, à uma da tarde em ponto, volto com a melhor música infantil aqui no programa ‘Submarino Amarelo’. Boa tarde", anuncia ao microfone a locutora Jossamiris Alves Muniz, 9, ao lado da aprendiz Ana, 5, filha de Alemberg e Rosiane.

        Produção, operação e apresentação, além das vinhetas montadas em computador, tudo na FM 105.9, que alcança cinco cidades vizinhas, fica por conta de crianças como Jossamiris.

        Há três anos no ar, das 5h às 22h, a rádio comunitária Casa Grande apresenta o noticiário da cidade, também preparado pelas crianças, de meia em meia hora. A programação musical vai do jazz e blues à música clássica, cantoria de viola, MPB e ao forró de pé de serra. Um dos grandes sucessos é o "Baú do Raul", um programa só com músicas de Raul Seixas.

        Só podem participar das atividades multimídias crianças e adolescentes que frequentam a escola regular e tiram boas notas. "Aqui ninguém ganha dinheiro, só se ganha conhecimento. E quem comanda tudo é a meninada", diz Alemberg, orgulhoso da sua obra, enquanto caminha pelos bem arborizados jardins da casa. Em volta, atrás de cada porta, há sempre grupos estudando e trabalhando.

        Meires Moreira, 16, gerente da editora, mostra a uma turma de sete crianças como foram produzidas as 11 publicações da Casa Grande. "São revistas de histórias em quadrinhos com material pedagógico, que tratam desde educação sexual até campanha contra o fumo", diz a jovem. Além disso, a editora já imprimiu 28 edições do "Karirizinho", jornal quinzenal de circulação interna com tiragem de dez cópias.

        [...]
        Toda a comunicação visual dos diferentes núcleos da Fundação Casa Grande e do Memorial do Homem Kariri foi desenvolvida pelos próprios meninos e meninas da chapada do Araripe, que acabaram mesmo trocando a enxada pela tecnologia digital em menos de uma década.

KOTSCHO, Ricardo. Crianças na direção. Folha de São Paulo, 11 jul. 2001, p. E1.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 96-98.

Entendendo a reportagem:

01 – O que é a Fundação Casa Grande e onde ela está localizada?

      A Fundação Casa Grande-Memorial do Homem Kariri é uma ONG descrita como um "pequeno império de arte e comunicação" que possui rádio, televisão, jornal, editora, museu, além de grupos de teatro e música. Ela fica localizada nos confins da chapada do Araripe, em Nova Olinda, uma cidade sertaneja com 12 mil habitantes, a 580 quilômetros de Fortaleza (CE).

02 – Quem são os responsáveis por comandar e tocar as atividades da Fundação Casa Grande?

      Todas as atividades e núcleos da Fundação são tocados por 70 crianças e adolescentes da própria cidade. Eles atuam como artistas multimídia e suas idades variam dos três aos 18 anos.

03 – Qual era o estado da "casa grande" antes de ser restaurada por Alemberg Quindins e Rosiane Limaverde?

      A casa, construída originalmente em 1717 nas terras dos índios kariri e reformada no século passado pelo avô de Alemberg, havia sido abandonada em 1975 e estava servindo como banheiro público antes da restauração.

04 – Como surgiu a ideia de criar a "Escola de Comunicação da Meninada do Sertão"?

      A ideia surgiu durante as obras de restauração da velha casa, quando algumas crianças da região começaram a demonstrar interesse pelo trabalho de pesquisa e recolhimento de materiais que estava sendo feito por Alemberg e Rosiane.

05 – Qual foi o maior desafio apontado por Alemberg Quindins no início do projeto?

      O maior desafio era social e educativo: consistia em trocar as enxadas das crianças — que costumavam abandonar a escola regular para trabalhar na lavoura — pela tecnologia da comunicação.

06 – Quais são os requisitos obrigatórios para que as crianças e adolescentes possam participar das atividades multimídia da ONG?

      De acordo com o texto, só podem participar das atividades da Fundação Casa Grande os jovens e crianças que frequentam regularmente a escola tradicional e que tiram boas notas. Além disso, o trabalho não é remunerado ("ninguém ganha dinheiro, só se ganha conhecimento").

07 – O que a gerente Meires Moreira, de 16 anos, revela sobre as publicações produzidas pela editora da Fundação?

      Meires explica que a editora produziu 11 publicações, que consistem em revistas de histórias em quadrinhos com conteúdo pedagógico, abordando temas importantes como educação sexual e campanhas contra o fumo. Além disso, a editora também imprime o "Karirizinho", um jornal quinzenal de circulação interna.

 

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

REPORTAGEM: "NÃO ESCREVEMOS PARA PESSOAS, ESCREVEMOS COM ELAS", DIZ SÉRGIO VAZ SOBRE COOPERIFA - FRAGMENTO - COM GABARITO

 Reportagem: Não escrevemos para pessoas, escrevemos com elas’, diz Sérgio Vaz sobre Cooperifa – Fragmento

Por: Gisele Alexandre – Publicado em 10.11.2018 | 9:54 | Alterado em 13.11.2018 | 14:23

        Em 2007, os poetas Sérgio Vaz, 54, e Marco Pezão, 67, atuantes nas periferias da zona sul de São Paulo queriam fazer algo diferente para ampliar a divulgação de artistas do bairro e descentralizar o acesso à cultura: criar uma Semana de Arte Moderna da Periferia.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgXiIInjUHGH2nrgix_UMsuXEXGLF-QGvreBhEPSuuS_BeGFGa9CG80uKg-jrI9xh9GFcIXUQJZ5L8hWfs-3t0LuXnsaeLdGyMYA5Fh6idXvr0ny44kmb9dq3edSENlsaZc9gJ4TIJ5Q4DZyI30WTJ_-k5ipmzhlj1Fx-A6QK7Ef1H5ZM5xv9tz3HQ6Soo/s320/COOPERIFA.jpg

        A referência era o movimento realizado na década 1920 e que marca a história de São Paulo pelo chamado modernismo brasileiro. Foi assim que nasceu a Mostra Cultural da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia). “Criamos a mostra com objetivo de revelar os nossos artistas juntando com artistas do centro, sempre com a ideia de agregar e construir pontes”, conta Sérgio Vaz.

        [...]

        Os organizadores contam que as atividades artísticas planejadas para a Mostra Cultural estão sempre comprometidas com a cidadania, já que a cultura é abordada como direito humano fundamental. Os temas refletem dificuldades diárias vividas por quem mora nas periferias. “A mostra é de nós pra nós, essa é a diferença. Nela conseguimos mostrar pros nossos artistas, pras nossas crianças, pros nossos professores, pras nossas comunidades – são várias –, que nós somos possíveis”, diz Rose Dorea, 45, uma das organizadoras da Mostra e musa da Cooperifa. “O dia que a periferia descobrir a força que tem, ela muda o país”, completa.

        [...]

        O sarau antecede a mostra. A estreia foi em 2001 em um bar no Taboão da Serra, na Grande São Paulo, e nasceu do desejo de ter um espaço para troca de experiências, esperanças e perspectivas usando como instrumento a arte e, principalmente, a poesia.

        Em 2003, o evento mudou para São Paulo, no distrito do Jardim São Luís, onde até hoje todas as terças-feiras reúne cerca de 400 adultos e crianças para saborear poesia. “A Cooperifa é consciência e atitude. É uma emoção única ver crianças declamando. Acredito que nós estamos criando nosso futuro, uma nova sociedade”, conta Rose. “A Cooperifa é minha vida, meu porto seguro, onde eu posso dizer o que eu penso e posso respirar”, finaliza Rose.

        No último dia 6 de novembro, os organizadores da Cooperifa prepararam uma edição especial para comemorar os 17 anos de existência. Ou resistência, como gostam de dizer. O Bar do Zé Batidão estava cheio, eram mais de 60 poetas e poetisas inscritos para declamar.

        Um dos participantes era Joh Contenção, 31. Poeta, compositor e rapper, ele mora no Jardim Letícia, também no distrito do Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo. “Frequento a Cooperifa há dois anos e meio e pra mim ela serve como um refúgio da opressão diária”, afirma. “Posso dizer que nesses últimos tempos a Cooperifa tem sido uma mãe e um pai pra mim, porque aqui me sinto acolhido e quando eu saio estou renovado”, ressalta Joh.

        Além dos organizadores já conhecidos no sarau, cada semana serve para ver uma renovação e encontrar novos admiradores do espaço. Alguns vêm de longe. [...]. “A Cooperifa é um lugar onde todo mundo aprende e ninguém ensina”, ressalta Sérgio Vaz. Além da Mostra Cultural e do Sarau, Sérgio Vaz e a Cooperifa também são produtores de outros eventos na periferia da zona sul.

        O Cinema na Laje promove exibições gratuitas de documentários e filmes alternativos para a comunidade; o Festival Várzea Poética, que oferece camisas para times de futebol de várzea que se comprometem a participar do Sarau; o Poesia no Ar, que espalha poesias pela cidade de São Paulo dentro de bexigas voadoras no mês de abril; o Chuva de Livros, que faz distribuição gratuita de centenas de livros; e o Ajoelhaço que no dia 8 de março (Dia Internacional das Mulheres) convida homens a se ajoelharem para pedir perdão às mulheres por séculos de machismo.

        “Acho que a nossa cara é estar junto com a comunidade, não importa onde ela esteja. Se está na favela, na escola ou no campo de várzea. Nós não escrevemos para as pessoas, escrevemos com as pessoas. Então acho que é isso que a gente está aprendendo: falar com e não para”, finaliza Sérgio Vaz.

ALEXANDRE, Gisele. ‘Não escrevemos para pessoas, escrevemos com elas’, diz Sérgio Vaz sobre Cooperifa. Mural, 10 nov. 2018. Disponível em: https://www.agenciamural.org.br/nao-escrevemos-para-pessoas-escrevemos-com-elas-diz-Sérgio-Vaz-sobre-cooperifa. Acesso em: 2 mar. 2021.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 41.

Entendendo a reportagem:

01 – Quem são os fundadores da Cooperifa e qual era o objetivo inicial ao criar a Mostra Cultural?

      Os fundadores são os poetas Sérgio Vaz e Marco Pezão. O objetivo era ampliar a divulgação de artistas do bairro, descentralizar o acesso à cultura e criar uma "Semana de Arte Moderna da Periferia", unindo artistas locais aos do centro para construir pontes.

02 – Qual é a principal referência histórica para a criação da Mostra Cultural da Cooperifa?

      A referência é a Semana de Arte Moderna de 1922, movimento que marcou o modernismo brasileiro em São Paulo.

03 – Por que Rose Dorea afirma que a mostra é "de nós pra nós" e qual o impacto disso na comunidade?

      Porque a mostra é feita pela própria periferia para o seu povo (artistas, crianças, professores). O impacto é mostrar para a comunidade que eles são "possíveis" e que, ao descobrir sua força, a periferia pode mudar o país.

04 – Como e onde nasceu o Sarau da Cooperifa?

      O sarau nasceu em 2001, em um bar no Taboão da Serra (Grande São Paulo), motivado pelo desejo de criar um espaço para troca de experiências e esperanças através da arte e da poesia.

05 – Além do Sarau e da Mostra Cultural, cite e explique dois outros projetos realizados por Sérgio Vaz e pela Cooperifa.

      O aluno pode escolher dois entre estes:

      Cinema na Laje: Exibição gratuita de documentários e filmes alternativos.

      Chuva de Livros: Distribuição gratuita de centenas de livros.

      Ajoelhaço: Ato no Dia Internacional das Mulheres onde homens pedem perdão pelo machismo.

      Festival Várzea Poética: Doação de camisas para times de várzea que participam do sarau.

      Poesia no Ar: Distribuição de poesias em bexigas voadoras pela cidade.

06 – O que significa a frase de Sérgio Vaz: "A Cooperifa é um lugar onde todo mundo aprende e ninguém ensina"?

      Significa que o espaço é baseado na horizontalidade e na troca mútua de conhecimentos, onde não há uma hierarquia acadêmica tradicional, mas sim um aprendizado coletivo através da convivência e da arte.

07 – Qual é a diferença fundamental, segundo Sérgio Vaz, entre escrever "para" as pessoas e escrever "com" as pessoas?

      Escrever "com" as pessoas significa estar junto à comunidade (na favela, na escola ou no campo), ouvindo suas dores e vivências, tornando a arte um processo coletivo de diálogo e construção conjunta, em vez de uma produção isolada entregue a um público passivo.

 

 

REPORTAGEM: A GRANDIOSIDADE DA BIENAL DO LIVRO DE SÃO PAULO EM NÚMEROS - FRAGMENTO - ELIS ROUSE - COM GABARITO

 Reportagem: A grandiosidade da Bienal do Livro de São Paulo em números – Fragmento

           Elis Rouse

        [...]

        Nos 10 dias de evento, em 1.500 horas de programação, a Bienal do Livro de São Paulo registrou a presença de 663 mil pessoas, sendo 100 mil alunos. Gente do Brasil inteiro circulou pelos corredores do pavilhão da Bienal, enfrentou longas viagens, pelo simples prazer de prestigiar o evento. [...]

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgM-K75l5IstkknwODFSTU6wKSlQiTiltTPZoAfSg8jE1kG8g4ZMTo8k5RWpH3AwmD7cnFEpa8fhJRzpqBJC9mVglq8JRoCNZXN1YsgcIXk9VrRlno8JHM693aDmxQ6XC40T2N5kSN4qNGeceTEr3z8nzOevMe0dtC0Ny9SeM0ired10idQ8hjdkRXyNC4/s320/LIVRO.jpg


        As apoiadoras do evento não economizaram e trouxeram mega estandes. As lojas Americanas, apoiadora cultural, preparou um estande 250 m², trazendo, além de livros, diversos itens de conveniência , games, artigos de papelaria, e a cabine de realidade virtual do filme “Jogador Nº 1” [...]

        O público ficou abaixo do esperado pela Câmara Brasileira do Livro, uma das organizadoras, que previa 700 mil pessoas. No entanto, o ticket médio individual, ou seja, o gasto médio por pessoa, foi de R$ 161,57, um aumento de 33% em relação à edição de 2016. [...].

        Para a Bienal do Livro de São Paulo, foram investidos cerca de R$ 32 milhões, apesar das filas, da superlotação e dos preços dos alimentos. [...] A Bienal do Livro de São Paulo é um evento que prova que vale a pena investir em literatura [...]. Eventos como este, além de promover a literatura, a cultura e a educação, selam um compromisso com os leitores e renovam a paixão pela leitura.

        [...].

ROUSE, Elis. A grandiosidade da Bienal do Livro de São Paulo em números. Disponível em: https://www.literalmenteuai.com.br/Bienal-do-Livro-de-São-Paulo-em-números. Acesso em: 1º mar. 2021.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 31-32.

Entendendo a reportagem:

01 – Qual foi o público total registrado nos 10 dias de evento e quantos desse total eram estudantes?

      O evento registrou a presença de 663 mil pessoas, sendo que 100 mil eram alunos.

02 – O público presente atingiu a expectativa inicial da Câmara Brasileira do Livro? Explique.

      Não. O público de 663 mil pessoas ficou abaixo da previsão dos organizadores, que esperavam a presença de 700 mil pessoas.

03 – O que aconteceu com o ticket médio individual (gasto por pessoa) em comparação à edição de 2016?

      O ticket médio foi de R$ 161,57, o que representou um aumento de 33% em relação ao gasto médio da edição de 2016.

04 – Além de livros, quais outras atrações e produtos foram citados no estande das Lojas Americanas?

      O estande ofereceu itens de conveniência, games, artigos de papelaria e uma cabine de realidade virtual do filme “Jogador Nº 1”.

05 – Qual foi o valor investido na Bienal do Livro de São Paulo e quais foram os pontos negativos mencionados, apesar do sucesso do evento?

      Foram investidos cerca de R$ 32 milhões. Os pontos negativos destacados foram as filas, a superlotação e os preços elevados dos alimentos.

 

domingo, 3 de maio de 2026

REPORTAGEM: ARTISTAS DE BH GANHAM AS RUAS PARA LEVAR CULTURA AO PÚBLICO E GARANTIR GANHA-PÃO - FRAGMENTO - BERNARDO ALMEIDA - COM GABARITO

 Reportagem: Artistas de BH ganham as ruas para levar cultura ao público e garantir ganha-pão – Fragmento

Bernardo Almeida

Publicado em 01/06/2019 às 21:30.

        “Viver do chapéu” é um desafio motivado pela noção de tornar a arte acessível a todos, pelas necessidades financeiras ou por um movimento natural de quem inicia a carreira artística nas ruas e dali não se imagina fora. Em Belo Horizonte esses artistas estão por toda parte, mas são mais facilmente encontrados em praças, parques, sinais de trânsito ou enchendo de cultura os arredores da feira de artesanato da avenida Afonso Pena, aos domingos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNRpomvJl84E6LwFn7LY5grXtWW9q0qacUYVDbHTw3iJE3qz-qE6CAnXuEAKzHOTmVR592XpKP0FXISKcO8vifpM-qguWGU9hvjlejlybzeHHZE4su78NWY0E5PHSRBVb-hnXg0px_hR_KDyIhQXJqw1AKfpSPzv1mxxafUfPHFtvx_kjZQEEA5JMUoMM/s320/CULTURA.jpg


        As origens e a faixa etária variam, como no caso do saxofonista Tanure Lisboa, de 48 anos. [...]

        Tanure iniciou as apresentações na rua por necessidades financeiras há cinco anos, mesma época em que o violinista e acordeonista Mateus Henrique Vitório, hoje com 22. [...].

        [...] “Vivo de arte de rua, sempre trabalhei com isso. Comecei na época em que estudava. Hoje o gosto musical enveredou muito para sertanejo universitário, funk, e procuro levar (ao público) um Moacyr Braga, uma valsa-choro, baião, músicas francesas e argentinas”, explica Mateus, que recebe reações bastante emotivas no meio do corre-corre. “Muita gente me procura para agradecer, tem quem chore, ou pare para dizer que eu mudei a vida deles”.

        [...]

Bernardo Almeida. Artistas de BH ganham as ruas para levar cultura ao público e garantir ganha-pão. Hoje em dia, 3 jun. 2019. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/almanaque/Artistas-de-BH-ganham-as-ruas-para-levar-cultura-ao-p%C3%BAblico-e-egarantir-ganha-p%C3%A3o-1.718131. Acesso em: 22 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 240.

Entendendo a reportagem:

01 – De acordo com o texto, o que motiva os artistas de Belo Horizonte a "viver do chapéu"?

      A motivação é variada: passa pelo desejo de tornar a arte acessível a todas as pessoas, por necessidades financeiras imediatas ou, ainda, por ser um movimento natural de quem inicia a carreira nas ruas e opta por permanecer nesse ambiente.

02 – Quais são os locais em Belo Horizonte onde esses artistas de rua são encontrados com maior facilidade?

      Eles estão presentes em toda a cidade, mas concentram-se principalmente em praças, parques, sinais de trânsito e no entorno da feira de artesanato da Avenida Afonso Pena, especialmente aos domingos.

03 – Qual é a principal diferença de perfil mencionada entre os músicos Tanure Lisboa e Mateus Henrique Vitório?

      A principal diferença citada é a faixa etária. Tanure Lisboa tem 48 anos, enquanto Mateus Henrique Vitório tem 22 anos, demonstrando que a arte de rua em BH atrai pessoas de diferentes gerações.

04 – Como o músico Mateus Henrique Vitório busca se diferenciar do cenário musical comercial atual?

      Enquanto o gosto popular atual pende para o sertanejo universitário e o funk, Mateus opta por um repertório mais clássico e diversificado, incluindo gêneros como valsa-choro, baião, músicas francesas, argentinas e obras de Moacyr Braga.

05 – Qual é o impacto do trabalho de Mateus Henrique Vitório no público que circula pelas ruas?

      O impacto é profundamente emocional. Apesar do "corre-corre" da cidade, muitas pessoas param para agradecer, algumas chegam a chorar e há quem relate que a música apresentada mudou suas vidas naquele momento.

 

 

domingo, 12 de abril de 2026

REPORTAGEM: O QUE É EDUCAÇÃO DE QUALIDADE? - FRAGMENTO - ROSA MARIA TORRES - COM GABARITO

 Reportagem: O que é educação de qualidade? – Fragmento

             Rosa Maria Torres

        Qualidade, associada á educação, é entendida e trabalhada de muitas maneiras. [...]

        As famílias e os políticos tendem aa se ater ao que está logo à vista: a infraestrutura.

        Assumem – equivocadamente – que se o prédio é moderno, a educação no seu interior é boa. E, ao contrário: se o lugar é precário ou a educação se faz ao ar livre, presumem – erroneamente – que a educação é má. Ultimamente, as tecnologias são cobiçadas: ter computadores e internet na escola é sinônimo de modernidade (ainda que usem pouco ou mal) e de emprego no futuro. Não obstante, se pode fazer uma educação péssima em meio aos aparatos eletrônicos e uma educação excelente sem cabos, mas próximas das pessoas e da natureza. [...] A avaliação está na moda. Muitos creem que quanto mais avaliação – de alunos, docentes, estabelecimentos etc. – melhor. Isso não é necessariamente assim. [...]

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiZfsFPBJWgsS5k2lQj6X0vRWiQ_FKzf0ZB6bDsqMym8UR4ZzOkdUs7FCurbzVm5WurXNUHa9DU0GUGJab7gdyklm1OjaaR7OD8yN2XinFVdS4ktIn4JRj6iN5JBL62L7qEFGzuEvum-YE2_-H_R2LnKV6jmwQKiooiUHnDn6SVvWO9lHxQ8Lix1Rnegs8/s320/EDUCA%C3%87%C3%83O.jpg 
 

        Também é difundida a ideia de que a educação pública é ruim e a privada boa. Há, no entanto, péssima educação privada (mesmo se é muito cara) e boa educação pública.

        Muito – pobres e ricos – dizem que é boa a escola que oferece uma segunda língua prestigiosa. [...] Para os pobres, muitas vezes, a qualidade da escola passa simplesmente por uma comida segura por dia, um professor ou uma professora que não falte, que não maltrate muito e que, oxalá, ao menos entenda a língua dos alunos. [...] O afeto, o interesse, o amor pela leitura, o gosto de aprender e a ausência de medo são ingredientes indispensáveis para uma educação de qualidade em qualquer idade. Avançar na direção de uma educação de qualidade implica, justamente, que a cidadania se informe melhor a fim de saber por que e como reivindicá-la.

TORRES, Rosa Maria. O que é educação de qualidade? Portal Aprendiz, 18 jun. 2014. Disponível em: https://portal.aprendia.uol.com,br/2014/06/18/o-que-e-educacao-de-qualidade/. Acesso em: 31 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 194.

Entendendo a reportagem:

01 – De acordo com o texto, qual é o equívoco comum cometido por famílias e políticos ao avaliarem a qualidade educacional?

      O equívoco é focar apenas na infraestrutura física. Eles assumem que prédios modernos garantem automaticamente uma boa educação e que instalações precárias significam uma educação ruim, o que o texto classifica como uma conclusão errônea.

02 – Como a autora analisa a presença de tecnologias (computadores e internet) nas escolas?

      Ela afirma que as tecnologias são frequentemente vistas como sinônimo de modernidade e garantia de emprego futuro. No entanto, ressalta que é possível ter uma educação péssima mesmo com aparatos eletrônicos, se forem usados pouco ou mal, enquanto uma educação excelente pode ocorrer sem esses recursos, desde que próxima das pessoas e da natureza.

03 – O que o texto diz sobre a relação entre a quantidade de avaliações e a qualidade do ensino?

      O texto menciona que a avaliação "está na moda" e que muitos acreditam que quanto mais se avalia alunos e docentes, melhor. Contudo, a autora contesta essa ideia, afirmando que isso não é necessariamente verdade.

04 – Como a reportagem desconstrói o preconceito entre o ensino público e o privado?

      A autora desmente a ideia difundida de que a educação pública é sempre ruim e a privada é sempre boa. Ela argumenta que existe educação privada de péssima qualidade (mesmo sendo cara) e educação pública de boa qualidade.

05 – Quais são as expectativas de qualidade escolar citadas para as famílias pobres, segundo o fragmento?

      Para as famílias pobres, a qualidade muitas vezes é medida por necessidades básicas: ter ao menos uma refeição garantida por dia, um professor que não falte, que não maltrate os alunos e que consiga compreender a língua/realidade dos estudantes.

06 – Além dos recursos materiais, quais são os "ingredientes indispensáveis" para uma educação de qualidade mencionados pela autora?

      Os ingredientes essenciais são subjetivos e humanos: o afeto, o interesse, o amor pela leitura, o gosto de aprender e a ausência de medo no ambiente escolar.

07 – Qual é a condição necessária para que a sociedade possa avançar na direção de uma educação de qualidade?

      Segundo o encerramento do texto, é necessário que a cidadania se informe melhor para que saiba exatamente por que e como reivindicar uma educação que vá além das aparências.

 

REPORTAGEM: ARTE NA RUA PODE AJUDAR RECUPERAÇÃO DO SETOR NO PÓS-PANDEMIA, DIZ PRODUTOR CULTURAL - JORGE FREIRE - COM GABARITO

 Reportagem: Arte na rua pode ajudar recuperação do setor no pós-pandemia, diz produtor cultural

        Jorge Freire aposta que solução da crise nessa área passa pela ocupação de espaços públicos

        RIO — O futuro das artes pode estar no caminho de volta às suas origens. Ruas, praças, parques e outros espaços ao ar livre ocupados com espetáculos de dança, música e teatro é o que o ator e produtor cultural Jorge Freire espera ver quando a pandemia da Covid-19 passar e o artista puder ir aonde o povo está. Esse cenário democratizaria o acesso às manifestações artísticas no momento em que tudo leva a crer que os ingressos para eventos estarão com os preços elevados, efeito inevitável da redução das plateias em locais fechados. Mas para que o desejo deste morador da Tijuca se torne realidade, é preciso que haja políticas públicas nesse sentido.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlasgkI-_fyPcUvPz-NH5tjT-lV1a-H1rak_5ETV94AeKrI-hQnCefa8al8mDF4C9-M1CQr8nzxBq03nMGElqntXPPQ4sAenqcYwUZs20p0IjKTtZUsCnYIB6mzYanQqjkCMGaP_SzhYLq5K-tWTdNiLQnku1p8qwPs5NbPg0MaeGKleSoy5z0Vjrp6fM/s320/RUA.jpg 


        — A ocupação do espaço público é uma vocação natural do carioca, sobretudo nos subúrbios. Acredito que a reconstrução do setor pós-pandemia pode estar no incentivo à efervescência cultural que acontece, por exemplo, em Madureira, e que pode se fazer presente em outros bairros da Zona Norte. A Praça Varnhagem, na Tijuca, tem uma grande ebulição gastronômica, mas pode ganhar investimentos públicos em economia criativa. Por que não? O acesso à cultura é um direito constitucional que sob hipótese alguma está abaixo de outros direitos, como saúde e educação. A capacidade criativa brasileira é nosso maior patrimônio cultural, e é dever dos governantes potencializá-la.

        Mais do que um direito constitucional, a cultura é uma necessidade básica para a existência humana e um motor de peso para a economia nas esferas municipal, estadual e federal, assegura Freire:

        — A arte é essencial não só para nos salvar do tédio imposto por essa crise causada pelo novo coronavírus, mas também para nos levar à reflexão, nos unir como povo, pavimentar uma identidade nacional que faz o retrato do que somos. Não podemos perder a dimensão que a cultura tem, em especial no Rio, onde o turismo, o carnaval, a música, são importantes vetores econômicos no campo do entretenimento. Não dá para abrir mão da cultura, achar que esse setor é algo menor. Não é! O que seriam dos Estados Unidos se não fosse o cinema americano? Foi a sétima arte que levou para o mundo inteiro a vontade de consumir o que eles consomem.

        Como cidadão, ator e produtor cultural, Freire luta para que a cultura seja colocada no patamar que lhe é de direito.

        — A certeza que fica em meio a essa crise é que, mais do que nunca, as políticas culturais precisam entrar em curso. Financiamento público para a arte é uma questão urgente para que se possa recomeçar. Esse setor paga imposto, movimenta a economia, enfim, merece respeito por parte de qualquer governo. Só para se ter uma ideia em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), a cultura arrecada mais do que a indústria têxtil brasileira. A cultura é bem público feito por particular, então a expectativa é que o estado assuma a sua função de fazer valer a Constituição — diz.

        Apesar de ser um crítico das políticas públicas em relação ao setor, Freire vê com bons olhos o auxílio emergencial que vai beneficiar profissionais da cultura e pequenos espaços de espetáculos:

        — Essa é uma ajuda necessária e mais do que bem-vinda, porque muita gente dessa área está enfrentando uma grave crise financeira, muitos com risco até de passar fome. Mas não posso deixar de registrar que o dinheiro é pouco diante de todas as perdas que tivemos.

JESUS, Regiane. Arte na rua pode ajudar recuperação do setor no pós-pandemia, diz produtor cultural. O Globo, 15 jul. 2020. Disponível em: https://oglobo.com/rio/bairros/arte-na-rua-pode-ajudar-recuperacao-do-setor-no-pos-pandemia-diz-produtor-cultural-1-24523336. Acesso em: 22 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 230-231.

Entendendo a reportagem:

01 – Qual é a principal aposta de Jorge Freire para a recuperação do setor cultural após a pandemia?

      A principal aposta é a ocupação de espaços públicos ao ar livre, como ruas, praças e parques, com espetáculos de dança, música e teatro. Para ele, o futuro das artes pode estar justamente no retorno às suas origens, onde o artista vai "aonde o povo está".

02 – Por que a ocupação de espaços abertos é vista como uma forma de democratizar o acesso à cultura no pós-pandemia?

      Porque a tendência é que os ingressos para eventos em locais fechados fiquem mais caros, devido à redução obrigatória das plateias por questões de segurança. A arte na rua elimina essa barreira financeira, permitindo que mais pessoas tenham acesso às manifestações artísticas.

03 – Quais regiões do Rio de Janeiro são citadas como exemplos de vocação para a ocupação do espaço público?

      O produtor cita os subúrbios da Zona Norte, com destaque para a efervescência cultural de Madureira e a ebulição gastronômica da Praça Varnhagem, na Tijuca, sugerindo que estes locais deveriam receber investimentos públicos em economia criativa.

04 – Como Jorge Freire justifica a importância da cultura em relação aos direitos garantidos pela Constituição?

      Ele afirma que o acesso à cultura é um direito constitucional que não deve ser considerado inferior a outros direitos, como saúde e educação. Freire ressalta que é dever dos governantes potencializar a capacidade criativa brasileira, que ele define como nosso "maior patrimônio".

05 – Qual é o argumento econômico utilizado pelo produtor para defender o investimento no setor cultural?

      Freire destaca que a cultura é um importante vetor econômico que movimenta o entretenimento, o turismo e o carnaval. Ele revela um dado comparativo relevante: em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), o setor cultural arrecada mais do que a indústria têxtil brasileira.

06 – Que exemplo internacional é citado no texto para ilustrar a influência da arte na economia e no consumo?

      O produtor cita o cinema americano (a sétima arte). Ele argumenta que foi através dos filmes que os Estados Unidos conseguiram exportar para o mundo inteiro o desejo de consumir seus produtos e sua cultura.

07 – Qual é a opinião de Jorge Freire sobre o auxílio emergencial destinado aos profissionais da cultura?

      Ele vê o auxílio como uma medida necessária e bem-vinda, já que muitos profissionais enfrentam uma crise financeira grave. No entanto, faz uma ressalva crítica: pontua que o valor destinado é pequeno diante de todas as perdas sofridas pelo setor durante a pandemia.