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sexta-feira, 27 de março de 2026

CONTO DO JOÃO JOGADOR - IRMÃOS GRIMM - COM GABARITO

  Conto do João Jogador

                 Irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm Grimm).


Uma mulher e um homem tiveram um filho. Quando ele nasceu puseram-lhe o nome de João. Desde o tempo em que era pequeno até crescer, só queria jogar cartas.
Deixou então a casa dos pais para viajar, procurando quem quisesse jogar cartas com ele. Todos lhe chamavam João Jogador. Depois de ter ganho a todos dentro do seu reino, foi de reino em reino, sempre a jogar cartas. No jogo de cartas, ninguém lhe ganhava. Vivia como um rei.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhwoV7D_twv-lhRUZzQya6IwMo-ETxYVbocjmGD1RXMhUCU1UR6mfQLRJA4J0o3I1bbX-1bTaIRSjeyQ7klSNp-imW1XvHWmjTU3OYl2DCqUKow5yoBaqkqF2PzwlvdZKD-YQQVG94fjs5llQGrEogvM7WF-0JOQOl_3LRNImbNrJAb-OaQ7hYdAgLtH9g/s320/contosinfancialar2.jpg
 

Era muito vaidoso por causa disto. Um dia foi para terra estrangeira. Lá falou pomposamente de si mesmo, “Deixem saber que se um homem aparecer aqui para jogar eu não lhe viro as costas, deixem saber!” Assim que ele acabou de dizer estas palavras, apareceu à sua frente um gigante. O gigante disse-lhe “Amigo! Estás a desafiar-me? Eu aceito.”João disse-lhe “É o que desejo realmente.”
Os dois começaram a jogar. No início, o gigante começou a perder. Apostou as posses da sua casa, como ouro e prata, assim como todas as outras coisas, e tudo João ganhou. A seguir, apostou todas as outras posses e cavalos, os seus búfalos e porcos; João ganhou tudo. Depois o Gigante apostou a sua mulher, os seus filhos, os seus criados; João ganhou todos. Não havendo mais nada para apostar, o Gigante apostou um dos seus braços, depois o outro braço e perna e finalmente todo o corpo. Tudo João ganhou. Só lhe faltava a cabeça. Depois de pensar, o Gigante resolveu apostar a cabeça.
Então o Gigante começou a ganhar. Primeiro o Gigante recuperou o seu corpo. Depois ganhou de volta a sua mulher, os seus filhos, os criados de sua casa. Ganhou sucessivamente a João, até ele começar a perder tudo o que tinha ganho nos outros reinos. Não havendo mais nada a apostar João apostou então o seu corpo, que o Gigante também ganhou.
Depois disto, o Gigante disse a João “Amigo, agora és meu! Por isso, dentro de setes dias deves chegar a uma porta de ferro no meio das altas montanhas! Se não voltares eu mesmo irei à tua procura!” Dito isto o Gigante desapareceu.
João não sabia bem onde ficava esta terra. Depois de ter pensado, foi perguntar às pessoas. Talvez alguém soubesse onde era a terra da Alta Montanha e da Porta de Aço, mas ninguém sabia. Pensou “Talvez o Gigante me faça mal, porque está quase na altura dele aparecer.”
De manhã saiu outra vez. Decidiu perguntar aos animais. Talvez algum soubesse desta terra. Os animais responderam que não sabiam onde ficava esta terra. Enquanto falava com os animais levantou os olhos para o céu e viu uma águia voar na sua direção. João perguntou-lhe “ Hoy! Amiga águia, sabes onde fica a Montanha Grande e a Porta de Aço?”
A águia respondeu “ Sim sei! Vim agora mesmo de lá!”
João ficou radiante. Perguntou à águia se o podia levar até lá. A águia disse que sim, mas essa terra era muito distante, levaria três dias e três noites a lá chegar, por isso, seria necessário levar provisões. João perguntou-lhe quais eram as provisões necessárias, ao que a águia respondeu “ Um barril de água e um barril de carne. Avisas quando estiver tudo pronto e partiremos imediatamente.”
A águia disse-lhe, “ Bem, podemos ir já. Carregas as provisões e pões tudo em cima de mim e depois sobes. Partiram. Já no ar, a águia disse-lhe “ quando eu te disser fome tu serves-me água e quando eu te disser sede tu partes-me um pedaço de carne.”
Voaram tempos e tempos seguidos. De repente a águia exclamou “Estou com fome” e João retirou um pouco de água que deu à águia. Pouco tempo depois a águia disse “Estou com sede” e João cortou carne e deu-lha. Viajaram constantemente durante três dias e três noites. Ainda havia um pouco de água, mas já não havia carne. A águia sentiu que ele estava muito cansado então disse-lhe “Estou com sede”. João viu que não havia mais carne então cortou com uma faca uma porção da sua perna e deu à águia. Quando viu a carne a águia perguntou a João “ Que tipo de carne é esta com este sangue?”
João respondeu “ É a minha perna, porque já acabou a carne”.
A águia respondeu “Não posso comer da tua perna. Prefiro não comer nada. De qualquer forma ainda temos água suficiente para chegar ao nosso destino” Pouco depois chegaram à Alta Montanha e Porta de Aço. A águia levou João diretamente para casa do gigante no meio de uma montanha solitária, uma casa com uma única porta de aço. Ali, João agradeceu muito sinceramente à águia que partiu imediatamente.
Depois da águia ter partido, João encaminhou-se para a porta do Gigante. O próprio Gigante abriu-lhe a porta e disse-lhe “ Amigo, tens sorte! Caso contrário, serias posto entre os meus dentes. Olha! Já estava vestido para te ir procurar. Só faltava calçar os sapatos. Entra para poderes começar a trabalhar amanhã!”
Depois de ter entrado, o gigante mostrou-lhe toda a casa. Por último trouxe-o para um lugar por baixo do quarto da sua filha mais nova. “ Ficas aqui! Amanhã, às sete horas vens para ouvir as ordens.”
O gigante e a sua mulher tinham sete filhas, todas tão más como eles os dois. Só a mais nova tinha bom coração. Chamavam-lhe Bui Iku, mas o seu nome verdadeiro era Flor Branca. Ela tinha muito bom coração e fazia bem a toda a gente, por causa disso lhe deram aquele nome.
Às sete horas João foi ao quarto do gigante para ouvir as ordens que lhe disse “Tenho o desejo de comer mangas maduras. Amanhã as sete horas estás aqui com as mangas senão morres.”
Depois de ouvir isto João partiu imediatamente à procura das mangas. Procurou por todo o lado mas não encontrou nada porque ainda não era a estação delas. Á medida que o dia foi passando João preocupou-se muito e pensou que talvez no dia seguinte o gigante o fosse matar.
Durante a noite chorou e chorou e a filha mais nova ouviu-o chorar. À meia-noite, quando todos estavam deitados, ela veio ao quarto dele perguntar porque estava ele a chorar. Então ele contou-lhe o pedido que o pai lhe tinha feito e disse-lhe que durante todo o dia tinha percorrido aquela região à procura das mangas mas que não tinha encontrado nada, porque não era a estação delas. “ Talvez amanhã o teu pai me coma mesmo” Depois disto chorou com tanta força que Bui Iku começou também a chorar.
Depois disse-lhe “não tenhas medo. Agarra esta semente de manga e planta-a no chão. Depois os dois olharam juntos a semente que ele tinha plantado no chão e esperaram. Depressa uma árvore saiu do chão dando flor, e depois deu fruto. Eles continuaram a observar a árvore. Os frutos cresceram muito até amadurecerem e cairem no chão. Depois a rapariga mandou-o apanhar a fruta e dirigiu-se para o seu quarto, mas antes avisou-o “ Não contes nada a ninguém, isto fica entre os dois”.
Às sete horas João dirigiu-se aio quarto do gigante. O gigante veio abrir-lhe a porta e disse-lhe “Tens sorte João! Já não vais ser posto entre os meus dentes! Basta! Podes ir. Dentro de momentos vens cá para receber outra ordem. ”Ao meio-dia o Gigante chamou-o e disse-lhe “A minha mulher perdeu o seu anel de ouro no pântano perto da montanha. Deves ir procurá-lo e amanhã às sete horas trazes cá o anel, caso contrário, morres.”
João sabia que este pântano era muito grande e estava cheio de crocodilos. Ainda assim tentou lá ir, no entanto os crocodilos, muito ferozes não o deixaram aproximar e tentaram morder-lhe. João ao fim do dia voltou para o seu quarto e chorou baixinho, durante muito tempo. A meio da noite Bui Iku veio ao seu quarto e perguntou-lhe “João porque choras?” João então contou-lhe o que o gigante lhe tinha pedido e como tinha em vão tentado recuperar o anel, pois os crocodilos nem sequer o tinham deixado entrar na água. Bui Iku disse-lhe “ Não tenhas medo. Agarra o meu anel e põe-no no teu dedo, depois volta ao pântano e se algum crocodilo te quiser fazer mal mostra-lhe o meu anel. João voltou ao pântano e quando os crocodilos se dirigiram a ele, mostrou-lhes o anel fazendo com que todos se escondessem imediatamente nos seus ninhos. Entrou dentro do pântano e não demorou muito a encontrar o anel perdido.
Às sete horas em ponto dirigiu-se ao quarto do Gigante que quando viu o anel ficou muito admirado.

[...]

Ao meio-dia, o Gigante chamou-o e mostrando-lhe um cavalo selvagem disse-lhe “Amanhã às sete horas montas este cavalo e tens que o domar”. João achou que seria bastante difícil pois nunca tinha domado um cavalo selvagem. Foi para o quarto pensar como deveria fazer. A meio da noite, enquanto estava absorto nos seus pensamentos, Bui Iku veio ao seu encontro. Perguntou-lhe o que o preocupava, ao que ele respondeu “Até hoje nunca domei um cavalo, e não sei como fazê-lo”. A rapariga respondeu “João ouve-me, os meus pais sabem que eu sou responsável por tudo o que fizeste até agora, então pediram-te para domares o cavalo de forma a encontrares a morte. Mas não te preocupes. O cavalo é feito de nove de nós. O meu pai será a cabeça do cavalo, a minha mãe será o pescoço do cavalo, as minhas irmãs serão os lados do cavalo, e eu serei a cauda do cavalo. Assim, quando conduzires este cavalo deves-lhe dar muitas pancadas na cabeça, no pescoço, nas costas, em todo o cavalo. Dá-lhe uma verdadeira sova. Deves lembrar-te, não toques na cauda do cavalo. Faz como te digo e no fim veremos!”
Então de manhã cedo João foi montar o cavalo. Levou consigo uma cana e uma pequena faca. O cavalo fez tudo para o deitar abaixo, no entanto, João aguentou-se e bateu no cavalo com a cana e bateu ainda mais. Espetou a faca várias vezes na cabeça do cavalo e nas outras partes. Lutou muito até suor preto sair do cavalo. Quando viu isto parou, porque o cavalo não conseguia andar mais. Vendo o cavalo neste estado, João desmontou-o e foi para o seu quarto. Durante a noite Bui Iku veio ao seu quarto e disse-lhe “Estão todos muito doentes em minha casa. Esta é a melhor altura para fugir. Vai ao estábulo e traz de lá um cavalo. O cavalo que deves trazer é um cavalo magro que se chama Pensamento. Não tragas o mais gordo que se chama Vento. Não te demores! Vai depressa!”
Mas quando João chegou ao estábulo viu que o cavalo Pensamento era mesmo muito magro e pensou que não aguentasse com os dois. Então trouxe o cavalo mais gordo. Quando Bui Iku o viu disse-lhe muito assustada “ Não é este, o outro é mais rápido”, mas João respondeu-lhe que achava que o outro cavalo não aguentaria com os dois, por isso tinha trazido aquele. Bui Iku disse-lhe “ Não importa. Vamos já porque está quase a nascer o sol”. Antes de sairem, ambos puseram saliva dentro de uma casca de coco e puseram-no dentro do quarto de Bui Iku.. Depois partiram. Entretanto, o gigante chamou por Bui Iku. A saliva respondeu “Estou aqui! Estou aqui!”. Depois chamou por João e também a sua saliva respondeu “Estou aqui! Estou aqui!”. Assim continuou até ao amanhecer, até que a saliva secou. O gigante então chamou novamente. Como se ninguém respondesse a mulher do gigante cheia de medo disse-lhe “Eles fugiram”.
O gigante mandou espreitar nos quartos que estavam vazios.
Furioso, o gigante foi a procura deles. Montou o seu cavalo Pensamento. Ele só tinha uma coisa no pensamento, apanhá-los. Bui Iku e João, de repente, sentiram um vento muito forte e Bui Iku disse-lhe “Temos que nos esconder, porque o meu pai vem aí.” Então Bui Iku fez o cavalo mudar de direção e transformar-se num jardim. Transformou-se em vegetal e João pôs-se a regar o vegetal.
Quando o gigante chegou, entrou no jardim e perguntou a João, sem o reconhecer, se ele tinha visto um homem e uma mulher passar, montados num cavalo, por ali. João, fazendo de conta que não percebeu, respondeu-lhe que o seu vegetal era muito pequeno e não lhe poderia vender. Achando que o homem tinha percebido mal, interrogou-o outra vez. Obteve a mesma resposta. Perguntou ainda uma terceira vez e a resposta foi a mesma. Então o gigante voltou para casa.
Quando chegou a casa a mulher perguntou-lhe se tinha encontrado a filha e João. Ele disse que não. A única coisa que encontrei foi um senhor Ninguém, um vegetal e um jardim. Percebendo o que tinha acontecido, a mulher explicou-lhe que o jardim era o cavalo, o vegetal era a rapariga e o homem era João. Convenceu-o então a voltar a sair, pois deveria encontra-los na estrada, a fugir.
Então o gigante voltou à estrada e eles sentiram o vento regressar novamente. “Rápido temos que nos esconder” disse a rapariga. Bui Iku transformou o seu cavalo num tronco de palmeira . Ela transformou-se em ira e João começou a escavar no tronco.
Entretanto o gigante chegou e perguntou-lhe “ Hoy! Amigo! Viste um homem e uma mulher a cavalo passar por aqui? João respondeu “Não te posso vender sumo da palmeira porque só tenho um pouco.” Então o gigante perguntou-lhe outra vez a mesma coisa pensando que o homem não tinha percebido. Perguntou-lhe várias vezes até João enfurecido lhe responder que não lhe podia vender sumo de palmeira, por isso que se fosse embora!
Quando chegou a casa a mulher perguntou-lhe se tinha encontrado a filha e João. Ele disse que não, que só tinha encontrado um homem a raspar a casca de uma palmeira e contou-lhe o estranho episódio, dizendo-lhe que o homem pareceu muito zangado. Mais uma vez a mulher percebeu tudo e, explicando ao gigante, convenceu-o a voltar a procurá-los.
Bui Iku e João continuavam a viajar e entraram nos limites de uma terra cristã.
Bui Iku novamente sentiu o vento a soprar. Desta vez ela transformou o cavalo numa capela, transformou-se em sino e João no homem que toma conta da capela. De repente o gigante apareceu. Viu João e perguntou-lhe: “Hoy! Amigo! Talvez tenha visto uma mulher e um homem montados num cavalo a passar?” João respondeu “ Quer aceitar o cristianismo?” O gigante tornou “ Não amigo! Só lhe perguntei se viu passar por aqui uma mulher e um homem a cavalo?” João disse “Quer confessar-se?” E o gigante “Não!! Só perguntei se por acaso viu um homem e uma mulher a cavalo??!!” Então João respondeu “Você continua a querer perguntar, porque espera aqui?” Então João tocou o sino e as pessoas duma aldeia começaram a juntar-se à frente da Igreja. Vendo tanta gente, o gigante resolveu voltar a casa.
Mais uma vez, contou à mulher o que se tinha passado e mais uma vez ela lhe explicou quem eram na verdade o homem, o sino e a igreja. Mais uma vez o convenceu a voltar a procurar a filha e João. “ Mas desta vez irei contigo!!” disse a mulher.
Ditas estas palavras partiram. E João Jogador e Bui Iku que tinham regressado à sua viagem sentiram o vento levantar-se de novo, mas desta vez acompanhado por chuva. “Talvez desta vez a minha mãe também venha com meu pai. Acho que é isso que esta chuva quer dizer.” E quase ainda não tinha acabado de falar quando viu os pais aproximarem-se. “Bui Iko! Bui Iko!” gritou a mãe. Então Bui Iko disse a João “Depressa, dá-me a minha garrafa de água. A que carregamos conosco para beber.” João agarrou na garrafa e deu-lha. Ela abriu-a e começou a despejá-la no chão. De repente, a água começou a engrossar de caudal até se tornar numa ribeira cujas águas começaram a empurrar tudo com violência. O gigante e a sua mulher foram arrastados pelas águas para o mar e quando morreram, o vento parou e também parou a chuva.
Bui Iko e João continuaram a sua viagem até chegarem a uma grande cidade, nessa terra cristã, onde se estabeleceram. Rapidamente, se casaram, e trabalharam para o melhoramento de todos. Cedo, todos perceberam que eles eram boas pessoas.
Passado algum tempo, o rei daquela terra morreu, e como não tinha filhos, os homens sábios reuniram e tornaram o casal nos governantes do reino. Todos ficaram muito felizes com isto e celebraram convidando os reis dos reinos vizinhos para a festa que durou sete dias e sete noites. Muitos búfalos foram mortos durante as celebrações e quando estas acabaram Bui Iko e João Jogador começaram a governar o reino.
Todos ficaram felizes.

 Entendendo o texto

01. No início da história, qual era a principal característica de João que o levou a viajar por muitos reinos?

a. O seu desejo de se tornar um cavaleiro real.

b. A sua enorme generosidade com os pobres.

c. A sua obsessão e habilidade em jogar cartas.

d. A sua vontade de encontrar uma esposa gigante.

02. O que aconteceu quando João desafiou o Gigante para uma partida de cartas em terra estrangeira?

a. João ganhou facilmente desde o início e ficou com a cabeça do Gigante.

b. O Gigante desistiu do jogo por medo da fama de João.

c. João começou a ganhar tudo, mas o Gigante acabou por recuperar as posses e ganhar o próprio corpo de João.

d. Eles empataram e decidiram viajar juntos para a Montanha Grande.

03. Durante a viagem com a águia, João demonstrou um grande sacrifício pessoal. O que ele fez quando a carne das provisões acabou?

a. Ele decidiu voltar para casa e desistir da viagem.

b. Ele caçou um animal selvagem enquanto voavam.

c. Ele cortou um pedaço da sua própria perna para dar à águia.

d. Ele convenceu a águia a comer apenas os barris de água.

04. Flor Branca (Bui Iku), a filha mais nova do Gigante, ajudou João em várias tarefas impossíveis. Qual foi o primeiro milagre que ela realizou por ele?

a. Ela encontrou o anel de ouro no pântano dos crocodilos.

b. Ela fez uma semente de manga crescer, florescer e dar frutos em apenas uma noite.

c. Ela transformou João num gigante para ele lutar contra o pai dela.

d. Ela deu-lhe uma espada mágica para domar o cavalo selvagem.

05. Por que Flor Branca ficou assustada quando viu que João tinha escolhido o cavalo gordo (Vento) em vez do magro (Pensamento) para a fuga?

a. Porque o cavalo gordo era muito lento e preguiçoso.

b. Porque o cavalo magro, chamado Pensamento, era na verdade o mais rápido.

c. Porque o cavalo gordo pertencia à mãe dela e era amaldiçoado. D. Porque o estábulo estava trancado e o Gigante ia ouvir o barulho.

06. Durante a perseguição, Flor Branca usou o seu poder de transformação para enganar o Gigante. Quais foram as três transformações que eles usaram?

a. Uma pedra, uma árvore e um rio.

b. Um jardim/vegetal, um tronco de palmeira/sumo e uma igreja/sino.

c. Um pássaro, uma nuvem e um castelo de cristal.

d Uma estátua de ouro, um barco e uma ponte de aço.

07. Como terminou a perseguição do Gigante e da sua mulher contra João e Flor Branca?

a. O Gigante pediu perdão e abençoou o casamento dos dois.

b. João usou as suas cartas mágicas para prender os gigantes numa caverna.

c. Flor Branca despejou uma garrafa de água que se transformou numa ribeira violenta, arrastando os pais para o mar.

d. Eles chegaram à terra cristã e os gigantes não puderam entrar por causa da porta de aço.

 


 

CONTO: BRANCA DE NEVE E ROSA VERMELHA (FRAGMENTO) - IRMÃOS GRIMM - COM GABARITO

CONTO: BRANCA DE NEVE E ROSA VERMELHA(FRAGMENTO)

               IRMÃOS GRIMM

 

UMA POBRE VIÚVA VIVIA ISOLADA NUMA PEQUENA CABANA. EM SEU JARDIM HAVIA DUAS ROSEIRAS: EM UMA FLORESCIA ROSAS BRANCAS, E, NA OUTRA, ROSAS VERMELHAS. A MULHER TINHA DUAS FILHAS QUE SE PARECIAM COM AS ROSEIRAS: UMA CHAMAVA-SE BRANCA DE NEVE; A OUTRA ROSA VERMELHA. AS CRIANÇAS ERAM OBEDIENTES E TRABALHADEIRAS. BRANCA DE NEVE ERA MAIS SÉRIA E MAIS MEIGA QUE A IRMÃ. ROSA VERMELHA GOSTAVA DE CORRER PELOS CAMPOS; BRANCA DE NEVE PREFERIA FICAR EM CASA AJUDANDO A MÃE. AS DUAS CRIANÇAS AMAVAM-SE MUITO E QUANDO SAÍAM JUNTAS, ANDAVAM DE MÃOS DADAS.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhTYnUpaq4QiiNjvlKZy0JPIxmcSsszf8Fqa5vMkG1h-ytrItguQjE2EKnue3Z6jzsXIZDq_CIaNxOVK4a6ngboASlqniv7TZPsf_dg2ubNxOrGCqqiCNLvSsL7vRmjTqxQGJMlfwCAExlokrGb9055w7z0pzyAdS0PjUQBd3jAaWnYUaybSx4U5VENF7U/s320/BRANCA.jpg


ELAS PASSEAVAM SOZINHAS NA FLORESTA, COLHENDO AMORAS. OS ANIMAIS NÃO LHES FAZIAM MAL NENHUM E SE APROXIMAVAM DELAS SEM TEMOR. NUNCA LHES ACONTECIA MAL ALGUM. SE A NOITE AS SURPREENDIA NA FLORESTA ELAS SE DEITAVAM NA GRAMA E DORMIAM.

[...]

AS MENINAS MANTINHAM A CABANA DA MÃE BEM LIMPA. DURANTE O VERÃO, ERA ROSA VERMELHA QUE TRATAVA DOS ARRANJOS DA CASA E NO INVERNO, ERA BRANCA DE NEVE. À NOITE, QUANDO A NEVE CAÍA BRANQUINHA E MACIA, BRANCA DE NEVE FECHAVA OS TRINCOS DA PORTA.


À NOITE SENTAVAM PERTO DA LAREIRA E ENQUANTO A MÃE LIA EM VOZ ALTA UM GRANDE LIVRO AS MÃOZINHAS DAS MENINAS FIAVAM; AOS PÉS DELAS, DEITAVA-SE UM CARNEIRINHO, E ATRÁS, EM CIMA DO POLEIRO, UMA POMBA MUITO BRANCA DORMIA COM A CABEÇA ENTRE AS ASAS.


UMA NOITE, QUANDO ESTAVAM ASSIM TRANQUILAMENTE, OUVIRAM BATER À PORTA E A MÃE MANDOU ROSA VERMELHA ABRIR A PORTA POIS DEVIA SER ALGUÉM PROCURANDO ABRIGO.

AO ABRIR A PORTA ROSA VERMELHA VIU UM ENORME URSO QUE COLOCOU A GRANDE CABEÇA ATRAVÉS DA ABERTURA. ELA SOLTOU UM GRITO E CORREU PARA O QUARTO; O CORDEIRINHO  PÔS-SE A BALIR, A POMBA A VOAR, E BRANCA DE NEVE SE ESCONDEU ATRÁS DA CAMA DA MÃE.

-NÃO TENHAM MEDO, - FALOU O URSO - ESTOU GELADO ME DEIXEM AQUECER PERTO DA LAREIRA.

-POBRE ANIMAL, DISSE A MÃE, - CHEGUE PERTO DO FOGO, MAS CUIDADO PARA NÃO SE QUEIMAR.

ENTÃO A MÃE CHAMOU AS MENINAS. ELAS VOLTARAM E, POUCO A POUCO, APROXIMARAM-SE O CORDEIRINHO E A POMBA, SEM MEDO.

-MENINAS - DISSE O URSO - POR FAVOR TIREM A NEVE QUE TENHO NAS COSTAS!

AS MENINAS PEGARAM A VASSOURA E LIMPARAM O SEU PELO; EM SEGUIDA, O URSO ESTENDEU-SE DIANTE DO FOGO, GRUNHINDO SATISFEITO. NÃO DEMOROU MUITO, ELAS PUSERAM-SE A BRINCAR COM ELE. PUXAVAM O PELO COM AS MÃOS, SUBIAM  NAS SUAS COSTAS OU BATIAM NELE COM UMA VARINHA. ELE SÓ RECLAMOU QUANDO ELAS SE EXCEDERAM.

- ROSA VERMELHA E BRANCA DE NEVE, ELE DISSE – TRATEM O VISITANTE COMO SE DEVE!

QUANDO CHEGOU A HORA DE DORMIR E AS MENINAS FORAM DEITAR-SE, A MÃE DISSE AO URSO:

-FIQUE PERTO DO FOGO E VOCÊ ESTARÁ AO ABRIGO DO FRIO E DO MAU TEMPO.

LOGO QUE AMANHECEU, AS MENINAS ABRIRAM A PORTA AO URSO E ELE SE FOI PARA A FLORESTA, CORRENDO SOBRE A NEVE. A PARTIR DESSE DIA, ELE VOLTOU TODAS AS NOITES, À MESMA HORA. ESTENDIA-SE DIANTE DO FOGO E ELAS BRINCAVAM COM ELE.

CHEGOU A PRIMAVERA E TUDO SE COBRIU DE VERDE, ENTÃO O URSO DISSE A BRANCA DE NEVE QUE TINHA QUE IR EMBORA E NÃO VOLTARIA DURANTE O VERÃO, POIS TINHA QUE PROTEGER SEUS TESOUROS DOS MAUS ANÕES. NO INVERNO ELES PERMANECIAM NAS TOCAS; MAS QUANDO O SOL DERRETE A NEVE ELES SAEM E ROUBAM TUDO O QUE PODEM; ESCONDENDO EM SUAS CAVERNAS.

ELA FICOU MUITO TRISTE E QUANDO ABRIU A PORTA PARA O URSO PASSAR, ELE ESFOLOU A PELE NA LINGUETA DA FECHADURA, E BRANCA DE NEVE VIU O BRILHO DE OURO, MAS NÃO TEVE CERTEZA.

ALGUM TEMPO DEPOIS, A MÃE MANDOU AS MENINAS APANHAREM GRAVETOS NA FLORESTA. LÁ CHEGANDO, VIRAM UMA ÁRVORE CAÍDA AO SOLO, E NO TRONCO, ENTRE A RELVA, QUALQUER COISA SE AGITAVA, PULANDO DE UM LADO PARA O OUTRO. AO SE APROXIMAREM, VIRAM UM ANÃO DE ROSTO ACINZENTADO, ENVELHECIDO E ENRUGADO, COM UMA BARBA BRANCA MUITO COMPRIDA. A PONTA DA BARBA ESTAVA PRESA NUMA FENDA DA ÁRVORE. AO VÊ-LO ROSA VERMELHA PERGUNTOU COMO SUA BARBA FICARA PRESA NA ÁRVORE.

-SUA ESTÚPIDA!- RESPONDEU O ANÃO; - EU QUIS PARTIR ESTA ÁRVORE PARA TER LENHA MIÚDA NA COZINHA, PORQUE, COM PEDAÇOS GRANDES, O POUCO QUE POMOS NAS PANELAS QUEIMA LOGO; NÓS NÃO PRECISAMOS DE TANTA COMIDA COMO VOCÊS, GENTE ESTÚPIDA E GULOSA! TINHA INTRODUZIDO O MEU MACHADO NO TRONCO, MAS A MADEIRA É MUITO LISA, O MACHADO SALTOU E A ÁRVORE FECHOU-SE TÃO DEPRESSA PRENDENDO MINHA LINDA BARBA. PAREM DE FICAR SÓ OLHANDO,  SUAS BOBONAS E ME AJUDEM LOGO A  SAIR DAQUI!

AS MENINAS FIZERAM MUITA FORÇA PARA LIVRAR O HOMENZINHO, MAS NÃO CONSEGUIRAM DESPRENDER A BARBA, ENTÃO ROSA VERMELHA DISSE QUE PRECISARIAM DE AJUDA.

-SUAS TOLAS, - GRITOU O ANÃO, - CHAMAR MAIS GENTE? NÃO PODEM TER UMA IDEIA MELHOR?

-NÃO FIQUE NERVOSO, - DISSE BRANCA DE NEVE. - VOU RESOLVER ISTO.

TIROU DO BOLSO UMA TESOURINHA E CORTOU A PONTA DA BARBA. AO SE VER LIVRE, O ANÃO AGARROU UM SACO CHEIO DE OURO ESCONDIDO NAS RAÍZES DA ÁRVORE E, PÔS ÀS COSTAS, SEM AGRADECER, SAIU RESMUNGANDO:

-SUAS BRUTAS! CORTARAM-ME A PONTA DE MINHA LINDA BARBA! VÃO PAGAR CARO POR ISSO!

PASSADO ALGUM TEMPO, BRANCA DE NEVE E ROSA VERMELHA FORAM PESCAR PEIXES PARA O JANTAR. QUANDO CHEGARAM PERTO DO RIO, VIRAM UMA ESPÉCIE DE GAFANHOTO GRANDE SALTITANDO À BEIRA D'ÁGUA. CORRERAM ATÉ LÁ E RECONHECERAM O ANÃO.

ROSA VERMELHA PERGUNTOU:

 - VOCÊ QUER SE JOGAR NA ÁGUA?

 -NÃO SOU TÃO BURRO! - GRITOU O ANÃO. – É ESSE  PEIXE QUE ME ARRASTA PARA A ÁGUA.

PARA PESCAR O ANÃO LANÇOU A LINHA, MAS O VENTO ENROSCOU SUA BARBA NA LINHA E, NESSE MOMENTO, UM GRANDE PEIXE MORDEU A ISCA DO ANZOL E SUAS FORÇAS NÃO ERAM SUFICIENTES PARA MANTÊ-LO FORA DA ÁGUA, MESMO AGARRANDO-SE AOS RAMOS.

 AS MENINAS SEGURARAM O ANÃO PARA DESEMBARAÇAR SUA BARBA, MAS FOI NECESSÁRIO USAR MAIS UMA VEZ A TESOURINHA E CORTAR OUTRO PEDAÇO DA BARBA. ELE GRITOU, ZANGADO:

-ISSO SÃO MODOS, SUAS PATAS CHOCAS, DE DESFIGURAR A CARA DE UMA PESSOA? JÁ NÃO BASTAVA CORTAREM MINHA BARBA DA OUTRA VEZ, AGORA CORTARAM A PARTE MAIS BONITA!

PEGANDO UM SACO DE PÉROLAS, ESCONDIDO NUMA TOUCEIRA ELE SUMIU ATRÁS DE UMA PEDRA.

POUCO TEMPO DEPOIS, A MÃE MANDOU AS MENINAS À CIDADE COMPRAR LINHA, AGULHAS, CORDÕES E FITAS. O CAMINHO PASSAVA  POR UMA PLANÍCIE DE ROCHEDOS. LÁ VIRAM UM GRANDE PÁSSARO PAIRANDO NO AR, QUE DEPOIS DE DESCREVER UM CÍRCULO CADA VEZ MENOR, FOI DESCENDO, ATÉ CAIR SOBRE UM ROCHEDO NÃO MUITO DISTANTE. NO MESMO INSTANTE OUVIRAM UM GRITO. CORRERAM E VIRAM COM HORROR QUE A ÁGUIA SEGURAVA NAS GARRAS O SEU VELHO CONHECIDO, O ANÃO, E SE DISPUNHA A CARREGÁ-LO PELOS ARES. AS MENINAS SEGURARAM O ANÃO COM TODAS AS FORÇAS, E PUXA DE CÁ E PUXA DE LÁ, POR FIM A ÁGUIA TEVE DE LARGAR A PRESA. QUANDO O ANÃO VOLTOU A SI DO SUSTO, GRITOU-LHES COM VOZ ESTRIDENTE:

-NÃO PODEM ME TRATAR COM MAIS CUIDADO? ESTRAGARAM O MEU CASACO! SUAS PALERMAS!

DEPOIS PEGOU UM SACO CHEIO DE PEDRAS PRECIOSAS E DESLIZOU PARA DENTRO DA CAVERNA, ENTRE OS ROCHEDOS. SEM SE INCOMODAR COM SUA INGRATIDÃO, ELAS FORAM PRA CIDADE.

AO REGRESSAREM PELA FLORESTA, ELAS SURPREENDERAM O ANÃO, QUE TINHA DESPEJADO O SACO DE PEDRAS PRECIOSAS NUM LUGAR LIMPINHO. OS RAIOS DO SOL CAIAM SOBRE AS PEDRAS, FAZENDO-AS BRILHAR TANTO, QUE AS MENINAS, DESLUMBRADAS, PARARAM PARA AS ADMIRAR.

-QUE FAZEM AÍ DE BOCA ABERTA? - BERROU O ANÃO; SEU ROSTO ACINZENTADO ESTAVA VERMELHO DE RAIVA. IA CONTINUAR XINGANDO, QUANDO SE OUVIU UM GRUNHIDO SURDO E, UM ENORME URSO NEGRO SAIU DA FLORESTA.

O ANÃO DEU UM PULO DE MEDO, MAS NÃO TEVE TEMPO DE ALCANÇAR UM ESCONDERIJO: O URSO CORTOU-LHE O CAMINHO. ENTÃO ELE IMPLOROU:

-QUERIDO URSO EU LHE DAREI TODOS OS MEUS TESOUROS! DEIXE EU VIVER! VOCÊ NEM ME SENTIRÁ ENTRE SEUS DENTES. PEGUE ESSAS DUAS MENINAS GORDINHAS PARA O SEU ESTÔMAGO!  O URSO NÃO OUVIU SUAS PALAVRAS; DEU-LHE UMA FORTE PATADA QUE O ESTENDEU NO CHÃO.

AS MENINAS FUGIRAM, MAS O URSO CHAMOU OS SEUS NOMES E ELAS RECONHECERAM A SUA VOZ E PARARAM. QUANDO O URSO AS ALCANÇOU, CAIU A SUA PELE E, SURGIU UM FORMOSO RAPAZ, TODO VESTIDO DE TRAJES DOURADOS.

-SOU FILHO DE PODEROSO REI, - DISSE ELE - ESTE ANÃO MAU ME CONDENOU A VIVER PELA FLORESTA SOB A FORMA DE UM URSO DEPOIS DE TER ROUBADO OS MEUS TESOUROS E SÓ COM SUA MORTE EU PODERIA ME LIBERTAR.

BRANCA DE NEVE, POUCO TEMPO DEPOIS, CASOU COM O PRÍNCIPE E ROSA VERMELHA COM SEU IRMÃO. PARTILHARAM, ENTRE TODOS, OS TESOUROS QUE O ANÃO TINHA ACUMULADO NA CAVERNA E A VELHA MÃE VIVEU AINDA MUITOS ANOS TRANQUILA E FELIZ JUNTO DE SUAS QUERIDAS FILHAS E AS DUAS ROSEIRAS QUE FORAM PLANTADAS DIANTE DA JANELA DO SEU QUARTO. E TODOS OS ANOS ELAS CONTINUARAM A DAR AS MAIS LINDAS ROSAS BRANCAS E VERMELHAS.

                                                                               IRMÃOS GRIMM

  Entendendo o texto

01. No início da história, o texto descreve a personalidade das duas irmãs. Como elas se diferenciavam em suas tarefas e gostos?

a. Rosa Vermelha era séria e meiga; Branca de Neve gostava de correr pelos campos.

b. Ambas detestavam morar na cabana e queriam viver na cidade. c. Branca de Neve era mais séria e preferia ajudar a mãe em casa; Rosa Vermelha era mais ativa e gostava de correr ao ar livre.

d. Rosa Vermelha cuidava da casa no inverno e Branca de Neve cuidava no verão.

02. Quando o urso bateu à porta da cabana pela primeira vez em uma noite de inverno, qual foi a reação inicial das meninas e dos animais?

a. Elas o convidaram imediatamente para entrar e tomar sopa.

b. Elas ficaram com medo; Rosa Vermelha correu para o quarto e Branca de Neve se escondeu.

c. O carneirinho e a pomba atacaram o urso para defender a casa. d. A mãe expulsou o animal com uma vassoura para proteger as filhas.

03. Por que o urso precisou ir embora da cabana quando a primavera chegou?

a. Porque ele não gostava do calor e precisava procurar um lugar frio.

b. Porque ele precisava hibernar dentro de uma caverna escura.

c. Porque ele precisava caçar alimentos que só apareciam no verão.

d. Porque ele precisava proteger seus tesouros contra os anões malvados que saíam de suas tocas.

04. Em todas as vezes que as irmãs ajudaram o anão (na árvore, no rio e com a águia), como ele reagiu ao ser salvo?

a. Ele foi muito grato e dividiu seu ouro com as meninas.

b. Ele convidou as meninas para conhecerem sua caverna de tesouros.

c. Ele foi ingrato e grosseiro, reclamando de sua barba cortada ou de seu casaco estragado.

d. Ele fugiu em silêncio sem dizer uma única palavra.

05. Como o feitiço que transformava o príncipe em urso foi finalmente quebrado?

a. Quando Branca de Neve deu um beijo no focinho do urso.

b. Com a morte do anão malvado, que havia roubado os tesouros e condenado o príncipe.

c. Quando as meninas usaram a tesourinha mágica para cortar toda a barba do anão.

d. Quando a mãe das meninas leu o grande livro de magia perto da lareira.

06. O que o anão tentou fazer para se salvar quando foi encurralado pelo urso na floresta?

a. Tentou lutar contra o urso usando seu machado de ouro.

b. Ofereceu todos os seus tesouros e sugeriu que o urso comesse as duas meninas em seu lugar.

c. Pediu desculpas ao príncipe e devolveu a coroa imediatamente.  d. Usou sua barba comprida para amarrar as patas do urso.

07. O final do conto mostra a recompensa pela bondade das irmãs. Como terminou a história da família?

a. Branca de Neve e Rosa Vermelha casaram-se com o príncipe e seu irmão, e viveram felizes com a mãe.

b. Elas voltaram para a cabana e decidiram nunca mais entrar na floresta.

c. A mãe das meninas tornou-se a nova rainha da montanha.

d. Elas abriram uma loja de flores na cidade para vender as rosas brancas e vermelhas.

 

 

  

CONTO: FLOR DE MAIO - MARIA CRISTINA FURTADO (ADAPTAÇÃO) - COM GABARITO

 Conto: Flor de Maio

Maria Cristina Furtado ( Adaptação )

 

A borboleta nascera sem um pedaço das asas. Não podia andar, não podia voar. Ficou ali, na beira do caminho, desesperada e chorando muito, até aparecer uma formiga:

- Que aconteceu, linda borboleta? Por que você está chorando tanto?

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjfQxa1PzR_YphUQh4ZBRGkD3tuBaNIKll9_8c5Ac5vTDpNUsHHwhq3VHYHXHaXGiJyRBMG92LgkuqXpay9xjEU5FDPV8WgAuhoZSxVU42FDSl9bGgesL7-LtEQxf_3-wav793OKIGCJFKiGuFiuowVQslK-PMIZOzsg9dR5GaCwzE1pdj8-wsHkV9pb8/s320/BORBOLETA.jpg


- Jogaram inseticida em meu casulo. Não morri, mas minha asa cresceu defeituosa, por isso não consigo voar e muito menos andar, pois perco o equilíbrio e caio.

Antes que a formiga dissesse qualquer coisa, chegou junto delas uma cigarra tocando viola e cantando. A formiga narrou para a recém-chegada a trágica história da borboleta e a cigarra logo encontrou uma maneira de ajudar.

- Vamos procurar uma varinha e fazer dela uma muleta, para que nossa nova amiguinha possa andar. Depois nós a levaremos ao Doutor Grilo, a fim de que ele conserte sua asa.

Assim fizeram. Porém, o Doutor Grilo nada pôde fazer para a infeliz e recomendou-lhes que fossem à procura de um mágico que morava no alto da montanha.

- Talvez ele consiga sará-la, mas, para chegar até ele, vocês têm que superar o medo.

- O medo! – se espantaram. – Mas como?

- Ele tem um grande e esperto sapo que devora qualquer inseto que por lá aparece. O sapo sente cheiro de medo e, através de seu faro apuradíssimo, descobre o invasor e devora-o.

- Vamos desistir – disse a borboleta.

- De jeito nenhum, estamos tentando salvá-la e conseguiremos – disseram, por sua vez, a formiga e a cigarra.

Não quero arriscar a vida de vocês. Já fizeram muito por mim. Com essa muleta poderei andar e conseguir alimento.

- Nem pense nisso. A vida de uma borboleta é voar. Tentaremos até o fim-insistiu a cigarra.

E lá foram as três, tentando dominar o medo que os apavorava.

Já era tarde, quando chegaram ao alto da montanha. Logo viram o guardião dormindo a um canto do bosque. Pé ante pé, procuraram andar silenciosamente.

- Quem está aí? Sinto cheiro de medo. Acho que vou matar, agora, minha fome.

A formiga, muito esperta e matreira, foi logo respondendo.

- Não há ninguém aqui: É apenas o ronco de seu estômago que o acordou.

O sapo voltou a dormir e elas atravessaram aquela parte do bosque.

- Boa tarde, senhoritas. Que desejam?

- O senhor deve ser o mágico. Estamos aqui à procura de um tratamento para mim. Veja, falta-me uma parte de uma das minhas asas.

- Não sou mágico, apenas um grande estudioso, que se tornou apenas sábio e as pessoas confundem sabedoria com mágica.

- O doutor examinou a asa partida da infeliz e disse-lhe que em maio nasceria uma flor de pétalas finas e delicadas e então ele tentaria operá-la, costurando-lhe, na asa, a pétala dessa flor.

As três ficaram morando no alto da montanha até chegar o mês de maio.

Numa manhã de sol claro e céu azul, o doutor Coruja acordou com o grande alvoroço que vinha do bosque. Curioso, foi verificar o motivo daquela algazarra.

Os habitantes do bosque festejavam o nascimento da bela flor de maio.

O sábio chamou imediatamente a borboleta, colocou-a na mesa de operação e iniciou o trabalho.

Do lado de fora, a expectativa era geral.

Depois de algum tempo, a borboleta saiu amparada pelas duas fiéis amigas. Em seguida subiu numa pedra e tentou voar. Não conseguiu mas não desanimou. Tentou várias vezes, até que, ajudada por uma suave brisa, pairou no ar e saiu voando.

A formiga comentou:

- Coitadinha, vejam como voa torta!

Imediatamente, a borboleta cantou:

“Se você vir uma borboleta voando torta, não ria, não tenha pena. Sou eu, a superar a mim mesma...”

FONTE:https://professoraivaniferreira.blogspot.com/2011/03/texto-flor-de-maio.html

 

Entendendo o texto

 

01. Qual foi a causa do defeito na asa da borboleta, segundo o relato dela para a formiga?

a. Ela caiu do casulo antes do tempo.

b. Um pássaro a atacou enquanto ela dormia.

c. Jogaram inseticida em seu casulo.

d. Ela nasceu em uma época de muito frio.

02. Qual foi a primeira solução improvisada pela cigarra para ajudar a borboleta a se locomover?

a. Carregá-la nas costas até a montanha.

b. Usar uma varinha para fazer uma muleta.

c. Pedir para o sapo levá-la no colo.

d. Fabricar uma asa de papel e cola.

03. O Doutor Grilo afirmou que, para chegar ao sábio, os insetos precisariam superar um grande desafio. Que desafio era esse?

a. Atravessar um rio muito fundo.

b. Escalar a montanha sem descansar.

c. Enfrentar o medo de um sapo que comia insetos.

d. Encontrar uma flor que só nasce à noite.

04. Como a formiga conseguiu enganar o sapo guardião quando ele acordou sentindo o cheiro de medo?

a. Ela disse que o barulho era apenas o ronco do estômago do próprio sapo.

b. Ela ofereceu um banquete de folhas para ele.

c. Ela fingiu ser um animal muito maior e perigoso.

d. Ela cantou uma música de ninar para ele dormir profundamente.

05. O personagem que morava no alto da montanha faz uma correção sobre sua identidade. O que ele afirma ser?

a. Um mágico poderoso com varinha de condão.

b. Um médico especialista em cirurgias plásticas.

c. Um grande estudioso que se tornou sábio.

d. Um botânico que cultivava flores raras.

06. Que elemento da natureza foi utilizado pelo sábio para completar a asa da borboleta?

a. Uma folha de árvore bem verde.

b. Uma pétala de uma flor de maio.

c. Uma teia de aranha muito resistente.

d. Um pedaço da asa de outra borboleta.

07. No final da história, qual é a principal mensagem transmitida pelo canto da borboleta?

a. Que ela estava triste por voar de um jeito estranho.

b. Que ela precisava de novas amigas para ajudá-la.

c. Que o importante era a sua capacidade de superação, apesar das limitações.

d. Que o doutor não fez um bom trabalho na operação.

 

 

 

 

domingo, 22 de março de 2026

CONTO: O ENCANTAMENTO - BARROS FERREIRA - COM GABARITO

CONTO: O ENCANTAMENTO

                Barros Ferreira

    Júlio olhou. Ali estava a cena de que muito ouvira falar e lhe contestava a veracidade. No alto da copa retorcida de uma goiabeira, estava um bem-te-vi aflito, condenado à morte. Um fio invisível prendia-o e puxava-o inexoravelmente. Ele piava numa extrema aflição. Sabia que ia morrer, mas não conseguia libertar-se.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNcOXqgSs4mMprP8H5aPHumiTnTK4p6yYLWlktUv0EfAKIOa8vpTD23FfQCdiPmAiTJJKmLY9UHsMKkDuuV_C02L03dFxFNj9yfumPU-fm1gElbiFOaKtUovRyUzqvOsUDuqnVxWM-znsQCFnB-T3zj2VRxKaaI6B5hGc4kmEGYAUIR_op-aQlanGUasA/s320/BEM%20TE%20VI.jpg
 

   Embaixo, de cabeça erguida e coleante, estava uma jararaca. Seu olhar fixo prendia o pobre bem-te-vi, que não conseguia livrar-se daquele encantamento. O réptil forçava o pássaro a descer. Hipnotizara-o. Mantinha-o preso desde o momento em que a ave, curiosa, baixara o olhar para verificar a origem do farfalhar, que se levantava do chão. Os dois olhares cruzaram-se. O réptil prendeu o pássaro. Fulminara-lhe a vontade. Não podia mais voar. E piando plangentemente pulou para o ramo que estava logo abaixo do seu pequeno corpo.

     Júlio teve ímpetos de matar a cobra. Mas um desejo cruel de assistir ao desfecho o manteve imóvel.

     O bem-te-vi deu novo pio e novo salto. Não era mais o seu canto vibrante, agudo, que traspassava a mata. Tinha algo de um grito plangente, de um apelo de socorro que quebrasse o mortal encantamento. Júlio teve pena do pássaro. Sabia que bastaria uma pedrada ou apenas um grito pra libertar o bem-te-vi, pois a serpente procuraria ver de onde partia o perigo. Também o réptil estava sujeito ao medo. E desde que voltasse a cabeça interromperia a sujeição hipnótica. A ave poderia fugir. Mas a sua curiosidade era maior. Queria ver o fim.

    E esse não tardou. O bem-te-vi soltou um pio ainda mais plangente e com as asas abertas pousou no chão.

    A jararaca moveu-se lentamente, num avanço cauteloso. Estava agora a pouco mais de um metro da ave aterrorizada.

   Mentalmente, Júlio torceu para que o pássaro reagisse e levantasse voo. Supunha, ainda, que a ave não percebera o réptil, confundido com o chão devido ao desenho da pele e cor de massapé. Mas não havia possibilidade de engano. A jararaca conseguira hipnotizar a ave, quando acertara o seu frio olhar, mortal, no olhar do pássaro, que imprudentemente espiara do alto para verificar o que era aquela mancha amarela a mover-se. E fora como se uma flecha lhe penetrasse no cérebro, matando- lhe a vontade. A fome do réptil mantinha-o preso, com firmeza. O bem-te-vi soltou mais um pio triste. A cobra avançou mais um palmo.

    No íntimo de Júlio, travou-se dura batalha entre a misericórdia e a curiosidade. O coração pulsava-lhe doidamente. Parecia ouvir-lhe as pancadas como se fosse na pele de um tambor. O pássaro desengonçado, o bico aberto, as asas distendidas, deu um passo em direção à jararaca, soltando o pio estrídulo, que traduzia o desespero do condenado à perda da vida.

   Foi então que no coração de Júlio reboou urna pancada mais forte. Venceu o sentimento de solidariedade com os mais fracos. Deitou a mão frenética a um galho seco. O estalido forte do lenho que parte foi acompanhada de um berro!        — Desgraçada!

 Ao mesmo tempo, o galho partido caía pesadamente no tronco da jararaca, que ficou aturdida.

  Quebrara-se o encanto malévolo.

  O bem-te-vi, liberto do olhar, que o mantinha cativo, ruflou as asas e disparou num voo fulminante, como flecha saída do arco. Surpreendida e contundida, a cobra desfez as suas roscas e coleou com rapidez a refugiar-se em um lugar de capim alto, onde ficaria mais segura.

   Erguendo o olhar para o céu, onde grossas nuvens eram tangidas pelo vento, Júlio exclamou, satisfeito consigo mesmo:

 — Puxa! Foi mesmo na horinha!

                                                                         (Barros Ferreira)

Entendendo o texto 

01. No início do texto, o bem-te-vi é descrito como "condenado à morte". Por que ele não conseguia voar para longe?

a. Porque ele estava com uma das asas quebradas por causa de um galho.

b. Porque ele estava sob um "encantamento" ou hipnose causado pelo olhar fixo da jararaca.

c. Porque ele decidiu que queria enfrentar a cobra para proteger seu ninho.

d. Porque ele estava preso em um visgo invisível colocado por caçadores

02. Qual foi o conflito interno vivido pelo personagem Júlio ao observar a cena?

a. Ele estava em dúvida se matava a cobra para comê-la ou se a deixava fugir.

b. Ele sentia medo de que a cobra o atacasse caso ele se aproximasse.

c. Ele travou uma batalha entre a misericórdia (pena do pássaro) e a curiosidade cruel de ver o final da cena.

d. Ele não sabia se o bem-te-vi era um pássaro verdadeiro ou apenas uma ilusão da mata.

03. O texto afirma que a jararaca também estava "sujeita ao medo". O que seria necessário para quebrar o encanto hipnótico sobre o pássaro?

a. Que o pássaro fechasse os olhos por alguns segundos.

b. Que algo fizesse a serpente voltar a cabeça, interrompendo o contato visual.

c. Que o sol se escondesse atrás das nuvens, escurecendo a mata. d. Que Júlio desse comida para a cobra para que ela perdesse a fome.

04. Como o comportamento do pássaro mudou à medida que ele descia da goiabeira?

a. Seu canto tornou-se um pio plangente, um grito de socorro de quem perdeu a vontade própria.

b. Ele começou a cantar mais alto e vibrante para assustar a jararaca.

c. Ele ficou em silêncio absoluto para tentar se esconder entre as folhas.

d. Ele começou a bicar os próprios pés para tentar acordar do sono.

05. O que finalmente motivou Júlio a agir e interromper a cena?

a. O medo de que a cobra ficasse ainda maior depois de comer o pássaro.

b. O barulho de outras pessoas chegando na mata.

c. O fato de a cobra ter tentado atacar o próprio Júlio.

d. A vitória do sentimento de solidariedade com os mais fracos sobre a sua curiosidade.

06. De que forma Júlio conseguiu libertar o bem-te-vi?

a. Ele deu um tiro de espingarda na cabeça da jararaca.

b. Ele jogou um galho seco no tronco da cobra e soltou um berro, quebrando a concentração dela.

c. Ele subiu na goiabeira e pegou o pássaro com as mãos.

d. Ele assobiou tão alto que a cobra ficou atordoada com o som.

07. Qual foi o desfecho da história para os dois animais envolvidos?

a. O bem-te-vi fugiu em um voo veloz e a cobra se refugiou, ferida e surpresa, no capim alto.

b. O bem-te-vi atacou a cobra depois de liberto e a jararaca morreu. 

c. A cobra conseguiu picar o pássaro antes de Júlio intervir, mas Júlio a matou depois.

d. Júlio levou o bem-te-vi para casa para cuidar dele e a cobra fugiu para a floresta.

 

  

sábado, 21 de março de 2026

CONTO(FRAGMENTO): ASA CURTA - GILBERTO MANSUR - COM GABARITO

 CONTO(FRAGMENTO): ASA CURTA

   Asa Curta era um passarinho já muito velho, mas que ainda não sabia voar. Ele tinha aprendido, em seus oito anos de vida, muita coisa que passarinho nenhum desse mundo nunca haveria de saber.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiiM9zO5BguBlmMgW9phamzRJm9EJLOfeDWYOPNTU29Z2sHj2Bwp4OfwAFEpTJcfBPj5I6JtWZEQfr_pUUK96L0pGKg_MHVwcy6lAQgjUDJcDXfIZRSd_ykjed7BszqTPnMGYM7gsgXKnXnu2T-Qa2JZ9yMCFrRoJ6VewA4fY53c_6HQk49WMG-h2WqOl8/s320/ASA.jpg


 Quem já viu passarinho nadar? – e esse nadava; quem já viu passarinho ler um livro? – e esse lia; quem já viu passarinho dançar? – e esse dançava tudo que é dança que gente sabe dançar: samba que nem o brasileiro, tango que nem o argentino, polca como os russos, valsa como os austríacos, baião e xaxado que nem os nordestinos, rock, tuíste, iê-iê-iê e essas danças todas que os americanos já inventaram. Até mesmo algumas que ninguém nunca dançou, que ele mesmo tinha inventado e até batizado: o saracoteio, o vira-e-mexe, o passo-do-passarinho, a dança-do-bico-pro-ar...

  E havia ainda muita coisa mais que o Asa Curta fazia, diferente de tudo quanto os outros passarinhos sabiam fazer. Ele era mesmo um artista, desses de ganhar prêmio em programa de televisão: dava cambalhota como gente de circo, levantava galho de árvore com uma pata só, imitava voz de homem e voz de mulher, assoviava comendo alpiste...

Mas de que adiantava fazer tudo isso – e muito mais, que ele só não fazia porque senão os outros iam pensar que ele era um passarinho louco – , de que adiantava tudo isso, se ele não sabia fazer o que o mais novo e o mais analfabeto passarinho de qualquer floresta ou de qualquer cidade era capaz de fazer? De que adiantava ser o passarinho mais famoso que já houve na terra dos passarinhos, se ele não sabia voar?

  – Não adianta nada! – queixava-se o velho Asa Curta, em conversas com Andorinha Veloz, sua maior amiga e a única criatura que conhecia esse seu segredo de não saber voar. – Mas você é o passarinho mais perfeito que todo o mundo já viu, Asa Curta! Sabe fazer casa como o João de Barro, canta que nem um Curió. E, depois, é artista de dar inveja a toda a gente.

  É, a Andorinha Veloz tinha razão: ele podia fazer tudo isso, mas não se sentia nem um pouco feliz porque não era capaz de voar. E por isso ele tinha poucos amigos: como ia ter coragem de dizer para eles que não sabia voar? Por isso ele nunca tinha pensado em se casar: depois, como ia fazer para ensinar seus filhotes a voar, e para arranjar comida pra eles e pra sua mulher? (...)

 Mas tristeza mesmo ele tinha era quando seus amigos chegavam de viagem. Um dia era o Pardal Ambulante, que tinha visitado a Argentina e corria logo pra contar ao Asa Curta:

 – Mas é impressionante, companheiro, como que o povo lá dança tango igualzinho você sabe dançar.

  No outro dia, era o Pica-Pau Leva-e-Traz, que tinha ido até a Rússia vender pau-brasil e comprar madeira russa para os pica-paus brasileiros.

 – Nossa, Asa Curta, eu vi o pessoal dançando na rua uns troços do mesmo jeito que você dança aqui.

 Era a polca, que Asa Curta tinha aprendido a dançar lendo uns livros russos. Ele morria de vontade de ver como é que cada povo dançava a sua dança, mas não podia chegar a lugar nenhum só andando. E então, quando os outros passarinhos lhe perguntavam por que ele não viajava também, Asa Curta saía sempre com desculpas:

 Eu já estou velho, não aguento mais essas viagens. 

Ou, então, era obrigado a dizer uma mentira qualquer: 

– Eu já viajei muito quando era moço, aprendi muita coisa. Agora prefiro ficar por aqui mesmo.

 Mas fazia uma cara tão triste nesses momentos, que todos percebiam a mentira e que ele estava é com muita vontade de viajar também. Então, por que motivo não viajava? Só a Andorinha Veloz sabia, mas não contava a ninguém; ficava só consolando o amigo. E quando voltava de uma viagem, não trazia só notícias para o Asa Curta, traz também presentes, livros, revistas e fotografias. E assim Asa Curta ficava sabendo mais ainda das coisas.

 Mas isso era pouco: ele já estava cansado desse conhecimento só de livros, de revistas e de fotografias. Queria ir também aos lugares, conhecer os passarinhos de lá conversar com eles, ver as coisas com seus próprios olhos sentir o mundo com seu próprio bico.

 (MANSUR, Gilberto. Um outro jeito de voar. Belo Horizonte: Formato, 1989.)

 

Entendendo o texto

01. Qual é o grande segredo e a principal causa da tristeza de Asa Curta?

a. Ele não conseguia aprender a dançar o tango argentino.

b. Apesar de ser um artista talentoso e saber fazer muitas coisas, ele não sabia voar.

c. Ele tinha medo de altura e por isso preferia nadar no rio.

d. Ele era um passarinho muito jovem que ainda não tinha idade para sair do ninho

02. O texto lista diversas habilidades extraordinárias de Asa Curta. Qual dessas ações é algo que "passarinho nenhum desse mundo" costuma fazer?

a. Cantar de manhã cedo para acordar a floresta.

b. Construir ninhos em árvores altas usando gravetos.

c. Ler livros, nadar e dançar ritmos como samba, polca e rock.

d. Comer alpiste e voar para longe quando sente perigo.

03. Quem é a única personagem que conhece o segredo de Asa Curta e tenta consolá-lo?

a. O Pica-Pau Leva-e-Traz, que viaja para a Rússia.

b. O Pardal Ambulante, que conhece a Argentina.

c. A Andorinha Veloz, sua maior amiga.

d. O João de Barro, que o ensinou a construir casas.

04. Por que Asa Curta evitava se casar e ter poucos amigos, segundo a narrativa?

a. Porque ele era muito orgulhoso e se achava melhor que os outros.

b. Por medo e vergonha de que descobrissem que ele não sabia voar e não poderia ensinar seus filhotes.

c. Porque ele passava o dia todo viajando pelo mundo para fazer shows.

d. Porque ele preferia morar sozinho em sua biblioteca lendo livros russos.

05. Como Asa Curta aprendeu a dançar ritmos de países distantes, como a polca russa, se ele não podia viajar para fora?

a. Assistindo a programas de dança na televisão dos homens.

b. Através da leitura de livros sobre a cultura desses povos.

c. Ouvindo o rádio de um lavrador que morava perto da floresta.

d. Tendo aulas particulares com a Andorinha Veloz.

06. Qual é a reação de Asa Curta quando os outros passarinhos contam sobre as viagens que fizeram?

a. Ele fica feliz e pede para eles o levarem na próxima viagem.

b. Ele sente uma tristeza profunda ("morria de vontade de ver"), mas inventa desculpas para não revelar sua limitação.

c. Ele finge que já conhece todos esses lugares e conta mentiras.    d. Ele começa a dançar para mostrar que é mais talentoso que os estrangeiros.

07. A frase "De que adiantava ser o passarinho mais famoso [...] se ele não sabia voar?" sugere que:

a. Voar é a habilidade mais inútil para um pássaro artista.

b. Para o personagem, o talento e a fama não substituíam a necessidade de exercer sua natureza essencial (voar).

c. Asa Curta preferia ser um homem em vez de ser um passarinho.    d. A fama traz muita infelicidade para quem vive na floresta.

 

08. Após leitura atenta do texto, é CORRETO afirmar que Asa Curta

a. vive um dilema muito grande por ser diferente, mas não deixa de fazer absolutamente nada do que os outros pássaros fazem.

b. acostumou-se com sua diferença, não vendo mais necessidade de ser igual ou parecido com os outros pássaros.

c. dedica-se a levar uma vida plena de realizações, embora deseje, também, realizar os feitos que sua diferença o impedem de fazer.

d. acostumou-se a ser diferente e, mesmo não podendo fazer tudo, sente-se realizado e feliz.

e. vive um dilema grande, uma vez que sua diferença o isolou do convívio com os demais pássaros.

 

09. Quanto à conduta de Asa Curta, conclui-se que ele é um pássaro

a. vivaz, sem conflitos e que não se importa com a opinião alheia.

b. autêntico, feliz e plenamente realizado.

c. confiante, alegre e, apesar de suas limitações, satisfeito com a vida.

d. ativo, inteligente e preocupado com a opinião dos outros em relação a suas atitudes.

e. criativo, autêntico e acomodado em sua realidade.

 

10. A palavra “queixava-se” não poderia ser substituída, no contexto, por

a. orgulhava-se.

b. lamentava-se.

c. desgostava-se.

d. lastimava-se.

e. lamuriava-se.

 

11. Com base na leitura do texto, a proposição INCORRETA é que

a. “mas” introduz uma ideia de oposição.

b. o termo “tudo isso” se refere ao fato de Asa Curta poder voar.

c. a palavra “quando” expressa a mesma circunstância da expressão “um dia”.

d. a palavra “se” estabelece, no contexto, uma ideia de condição.

e. o vocábulo “amiga” refere-se a Andorinha Veloz.