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quarta-feira, 2 de abril de 2025

POEMA: EU - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Poema: Eu

             Florbela Espanca

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEioIgOoDomQkHm8HuaE6hGA2vWOOtq67KvkxE5YrcFBbz9xTEmaElqz-kneN5SfHASsPqNTERzXFjjTZUEMHnTde40XrtA2Opdd50V9mdidgwPnN6r8IK_gYyOlTaCbOGAimRUic3uXM7KaBtuXYTyfNkGb50wwOxZCEjV0BWMhuXt2At09n4fabUVed2I/s320/hqdefault.jpg



Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

ESPANCA, Florbela. Apud MOISÉS< Massaud. A literatura portuguesa através dos textos. 9. ed. São Paulo, Cultrix, 1980. p. 470.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. Faraco & Moura – 1ª edição – 4ª impressão. Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 450.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal característica da identidade que o eu lírico constrói ao longo do poema?

      A principal característica é a de uma alma solitária e incompreendida, que se sente perdida no mundo e na vida. Ela se define como alguém que vaga sem rumo, irmã do sonho e portadora de uma dor profunda.

02 – Que imagens o eu lírico utiliza para descrever a própria existência?

      O eu lírico utiliza imagens como "sombra de névoa tênue e esvaecida" e "alma de luto" para descrever a própria existência, transmitindo uma sensação de fragilidade, melancolia e incompreensão.

03 – Qual a relação do eu lírico com a tristeza no poema?

      A tristeza é uma constante na vida do eu lírico, que se identifica como alguém que "chora sem saber por quê". Essa tristeza parece ser intrínseca à sua natureza, algo que a acompanha constantemente.

04 – Qual a reflexão final do eu lírico sobre a própria existência?

      No final do poema, o eu lírico questiona se não seria apenas uma "visão que Alguém sonhou", alguém que nunca a encontrou na vida. Essa reflexão final revela uma profunda solidão e a sensação de não pertencer ao mundo real.

05 – Como o poema reflete a subjetividade e o sentimentalismo característicos da poesia de Florbela Espanca?

      O poema é marcado por uma forte carga emocional e pela expressão de sentimentos íntimos, como a solidão, a tristeza e a incompreensão. A linguagem é carregada de imagens que evocam melancolia e sofrimento, características marcantes da poesia de Florbela Espanca.

 

 

POEMA: MANUCURE - FRAGMENTO - MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO - COM GABARITO

 Poema: Manucure – Fragmento

            Mário de Sá-Carneiro

[...]

Ah! mas que inflexões de precipício, estridentes, cegantes,
Que vértices brutais a divergir, a ranger,
Se facas de apache se entrecruzam
Altas madrugadas frias...
E pelas estações e cais de embarque,
Os grandes caixotes acumulados,
As malas, os fardos – pêle-mêle...
Tudo inserto em Ar,
Afeiçoado por ele, separado por ele
Em múltiplos interstícios
Por onde eu sinto a minh'Alma a divagar!...

– Ó beleza futurista das mercadorias!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvG_aMNHjTgOjZLnHm3SxTFObwtVpefdOLqKAWDXPgW1ww1cAbPiY_sgIDmC167rYCy04IPQbT-o8i1Oy6u0xK75qUEncZ5Bz4ZlSkFuEB8DbwfIcKrbnIPFEoPGaAv2r1si0R3m0n3s94r2WyAKvP67mi3Xqkz8ySF2UuMCL-_NxqXQph_redASGUsLU/s1600/images.jpg



– Serapilheira dos fardos,
Como eu quisera togar-me de Ti!
– Madeira dos caixotes,
Como eu ansiara cravar os dentes em Ti!
E os pregos, as cordas, os aros... –
Mas, acima de tudo,
como bailam faiscantes,
A meus olhos audazes de beleza,
As inscrições de todos esses fardos –
Negras, vermelhas, azuis ou verdes –
Gritos de atual e Comércio & Indústria
Em trânsito cosmopolita.

SÁ-CARNEIRO, Mário de. Manucure. In: MORNA, Fátima Freitas. A poesia de Orpheu. Lisboa, Editorial Comunicação, 1982. p. 156.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. Faraco & Moura – 1ª edição – 4ª impressão. Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 449.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a atmosfera geral criada pelos primeiros versos do poema?

      Os primeiros versos criam uma atmosfera de vertigem e intensidade, com imagens de "precipício", "vértices brutais" e "facas de apache". Essa linguagem busca transmitir uma sensação de estranhamento e choque, característica da estética futurista.

02 – Como o poeta descreve os objetos presentes nas estações e cais de embarque?

      Os objetos, como "grandes caixotes", "malas" e "fardos", são descritos de forma caótica e desordenada ("pêle-mêle"). No entanto, o poeta encontra beleza nessa desordem, destacando a "beleza futurista das mercadorias".

03 – Qual a relação do eu lírico com os materiais dos objetos, como a "serapilheira dos fardos" e a "madeira dos caixotes"?

      O eu lírico expressa um desejo intenso de se conectar com esses materiais, como se quisesse se fundir com eles. Ele usa verbos como "tocar-me" e "cravar os dentes" para transmitir essa vontade de interação física e sensorial.

04 – Qual o fascínio do poeta pelas inscrições nos fardos?

      O poeta se encanta com as inscrições coloridas nos fardos, que ele descreve como "gritos de atual e Comércio & Indústria / Em trânsito cosmopolita". Essas inscrições representam a modernidade, o dinamismo e a globalização, temas centrais da estética futurista.

05 – Como o poema reflete a estética futurista?

      O poema reflete a estética futurista ao exaltar a velocidade, a modernidade e a industrialização. A linguagem é dinâmica e sensorial, com imagens que evocam movimento, ruído e cor. Além disso, o poema celebra a beleza dos objetos industriais e comerciais, como os fardos e as inscrições, que se tornam símbolos do progresso e da vida moderna.

 




POEMA: CRUZ NA PORTA DA TABACARIA! ÁLVARO DE CAMPOS - COM GABARITO

 Poema: Cruz na porta da tabacaria!

             Álvaro de Campos

Cruz na porta da tabacaria!

Quem morreu? O próprio Alves? Dou

Ao diabo o bem-estar que trazia.

Desde ontem a cidade mudou.

 
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjSLLJ1UAHDHDDJ6JZaLSU7XVJTpaZfibGcS-TJL-eHYeUMUCj_5ExJyPVF679MPgIezYQLXeqhqERtTGwHwUUFm7pbcr5MKt-RPP1CL4eKFc7-Ylo0FQogttr0qMi9BKHXFclaPSTunOEo60sGRx4SKuv7SOALEOTZmTbO45cEC9iOn5RKTkUvnWWMtmQ/s320/f605a9f693c66fa73837231c3291d40d.jpeg



 

Quem era? Ora, era quem eu via.

Todos os dias o via. Estou

Agora sem essa monotonia.

Desde ontem a cidade mudou.

 

Ele era o dono da tabacaria.

Um ponto de referência de quem sou

Eu passava ali de noite e de dia.

Desde ontem a cidade mudou.

 

Meu coração tem pouca alegria,

E isto diz que é morte aquilo onde estou.

Horror fechado da tabacaria!

Desde ontem a cidade mudou.

 

Mas ao menos a ele alguém o via,

Ele era fixo, eu, o que vou,

Se morrer, não falto, e ninguém diria.

Desde ontem a cidade mudou.

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993) - 46.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. Faraco & Moura – 1ª edição – 4ª impressão. Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 460.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a reação do eu lírico à morte do dono da tabacaria?

      O eu lírico expressa uma mistura de indiferença e estranhamento. Ele questiona quem morreu e menciona que a cidade mudou desde a morte, indicando uma perturbação na sua rotina e percepção do mundo.

02 – Como o eu lírico descreve a sua relação com o dono da tabacaria?

      A relação é de pura rotina e observação. O dono da tabacaria era uma figura constante no cotidiano do eu lírico, um "ponto de referência". A morte do homem quebra essa rotina, causando um sentimento de desorientação.

03 – Qual a reflexão do eu lírico sobre a própria existência em contraste com a do dono da tabacaria?

      O eu lírico contrasta a fixidez do dono da tabacaria, que era "fixo" e visto por todos, com a sua própria natureza errante. Ele reconhece que, se morresse, sua ausência seria menos notada, evidenciando um sentimento de insignificância.

04 – Qual o significado da repetição do verso "Desde ontem a cidade mudou"?

      A repetição do verso enfatiza o impacto da morte na percepção do eu lírico. A mudança na cidade simboliza a alteração na sua própria realidade, quebra da sua rotina e a sensação de que o mundo não é mais o mesmo.

05 – Como o poema reflete a angústia existencial característica de Álvaro de Campos?

      O poema reflete a angústia existencial de Campos ao explorar temas como a solidão, a insignificância da vida e a falta de sentido. A morte do dono da tabacaria serve como um gatilho para reflexões sobre a própria mortalidade e a natureza transitória da existência.

 

POEMA: IGUAL-DESIGUAL - CARLOS DRUMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: Igual-desigual

             Carlos Drummond de Andrade

Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol
são iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.

Ninguém é igual a ninguém.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgSx57Yq9DYDqVZoeLfXCssKVIiG7hVTrz8w4nm34NRMmt8qUAEMKOEbsbRZ81GDn4OCa-V92AS7ZkZk7HRGGvHENsY-hxsPuCZ33_A0me67JBCeK6wkPBcJ_5YXjqmeFxBFYZtf1N3sAEinVtKifaqUGlgEQyrGYn5zIkvTGTB0D395rxRqzoOVNB9bMw/s320/hqdefault.jpg


 Carlos Drummond de Andrade, A Paixão medida (1980). 8 ed. Rio de Janeiro: Record, 2002, p. 77-78.

Fonte: Português. Uma proposta para o letramento. Magda Soares – 8º ano – 1ª edição. Impressão revista – São Paulo, 2002. Moderna. p. 171.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal contradição apresentada no poema?

      O poema explora a contradição entre a aparente igualdade de diversas experiências e elementos da vida, e a singularidade do ser humano.

02 – Quais exemplos de "igualdade" são citados no poema?

      O poema cita histórias em quadrinhos, filmes, best-sellers, campeonatos de futebol, partidos políticos, tendências da moda, experiências sexuais, formas poéticas, guerras, fomes, amores, rompimentos, a morte, criações da natureza e ações humanas.

03 – Qual a característica que o poeta destaca como única e individual?

      O poeta destaca a individualidade do ser humano, afirmando que "o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa".

04 – Como o poema descreve a individualidade humana?

      O poema descreve cada ser humano como "um estranho ímpar", enfatizando a singularidade e a diferença de cada pessoa.

05 – Qual o efeito da repetição da palavra "iguais" no poema?

      A repetição da palavra "iguais" reforça a ideia de uniformidade e monotonia, criando um contraste com a afirmação da individualidade humana.

06 – Qual a mensagem central do poema em relação à experiência humana?

      A mensagem central do poema é que, apesar das semelhanças nas experiências humanas, cada indivíduo é único e singular.

07 – Como o poema aborda a relação entre a natureza e o ser humano?

      O poema sugere que, embora todas as criações da natureza possam parecer iguais, o ser humano se destaca como um ser único e incomparável.

 

POEMA: SAUDADES - ELIAS JOSÉ - COM GABARITO

 Poema: Saudades

             Elias José

Tenho saudades de muitas coisas
do meu tempo de menininha:
sentar no colo do meu pai,
ninar boneca sem receios,
chorar de medo da morte da mãe,
sonhar com festa e bolo de aniversário,
cantar com os anjos na igreja,
ouvir as mágicas histórias de vovó,
brincar de pique, de corda e peteca,
acreditar em cegonhas, fadas e bruxas
e sobretudo no papai Noel.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhyCBiSpumMvJj-pWAEqysbblGqj-Y_R3-aWmuYiKPVMzbJxlP70UNT6-5lwKR5Bty5Ckle7JF5TNKZlk-11ucSAGdP78Ofp-K1Ll1qXyJ_c4mx1iT37P5Hfj51ZwOrANDL_N32vuW5g_NN9LhN55es33VVYQprXAELcVJahZXhfs40nu2lbNm7WrqlryI/s320/PAPAI%20NOEL.png



Será que quando for velhinha,
e já estiver caducando,
vou viver tudo de novo?

Cantigas de Adolescer. São Paulo: Atual, 1992. P.9.

Fonte: Livro – Português: Linguagem, 8ª Série – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 4ª ed. – São Paulo: Atual Editora, 2006. P. 30.

Entendendo o poema:

01 – Quais as principais lembranças da infância que a voz poética expressa no poema?

      A voz poética expressa saudades de momentos como sentar no colo do pai, brincar com bonecas, temer a perda da mãe, celebrar aniversários, cantar na igreja, ouvir histórias da avó, brincar ao ar livre e acreditar em figuras mágicas como Papai Noel.

02 – Qual a emoção central que permeia as lembranças da infância no poema?

      A emoção central é a nostalgia, um sentimento de saudade e carinho pelas experiências vividas na infância, marcadas pela inocência e simplicidade.

03 – Qual a pergunta reflexiva que encerra o poema?

      A pergunta final é se, na velhice, a voz poética terá a chance de reviver essas memórias da infância.

04 – O que a pergunta final revela sobre a relação da voz poética com o tempo e a memória?

      A pergunta revela um desejo de que o tempo seja cíclico, permitindo reviver as alegrias da infância na velhice, e uma valorização da memória como forma de conexão com o passado.

05 – Como o poema retrata a infância?

      O poema retrata a infância como um período de inocência, alegria e descobertas, marcado por momentos simples e afetuosos, além da crença em figuras mágicas e histórias encantadoras.

 

 

POEMA: NATURAL RETORNO - ULISSES TAVARES - COM GABARITO

 Poema: Natural retorno

             Ulisses Tavares

O passarinho que a poluição,

espantou sou eu que voa

para teus braços.

A água que a indústria sujou

sou eu que desemboca límpido

em sua barriga.

O mato que a cidade cortou

sou eu que cresce viçoso

em suas pernas.

O bicho que a civilização matou

sou eu que corre célere

para o seu corpo.

Nem tudo está perdido.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijpFLERLdDwYjiHQ8Ikz5q780Q-TbxqR-gYqUlM67Ahd3XiO0foLY-99UQPg59KEFFEztPBGWE8vdg1QI77KcfIgx3jC3L_33uYsU0cvE3DAkJP5l3KEC62S5Qk6DZ-oiMiTpwOA9yckTlu4puUKB_Jwls29MFFQYnxgiUkclF0k1ZxInD3-cv-rSr02o/s320/saude-mental-natureza_1740848857646.jpg


Diário de uma paixão. São Paulo: Geração Editorial, 2003.

Fonte: Livro – Português: Linguagem, 8ª Série – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 4ª ed. – São Paulo: Atual Editora, 2006. p. 41.

Entendendo o poema:

01 – Qual a temática central do poema?

      O poema aborda a relação entre o ser humano e a natureza, destacando a capacidade de renovação e retorno à pureza original, mesmo após a degradação causada pela ação humana.

02 – Quais as metáforas utilizadas no poema para representar essa relação?

      O poema utiliza metáforas como "passarinho que a poluição espantou", "água que a indústria sujou", "mato que a cidade cortou" e "bicho que a civilização matou" para representar a natureza que retorna ao seu estado puro e encontra refúgio no corpo da amada.

03 – Qual o significado do verso "Nem tudo está perdido"?

      Esse verso transmite uma mensagem de esperança e otimismo, sugerindo que, apesar dos danos causados pela humanidade, a natureza possui uma força intrínseca de renovação e que ainda há possibilidade de reconexão com o meio ambiente.

04 – Como o poema utiliza a imagem do corpo da amada?

      O corpo da amada é utilizado como um refúgio para a natureza, um local onde ela pode se purificar e renascer, simbolizando a união entre o ser humano e o meio ambiente.

05 – Qual a mensagem final do poema em relação à natureza e à humanidade?

      O poema transmite uma mensagem de que a natureza possui uma capacidade de renovação e que, apesar dos danos causados pela humanidade, ainda há esperança de reconexão e harmonia entre ambos.

 

sexta-feira, 28 de março de 2025

POEMA: SE SE MORRE DE AMOR! - FRAGMENTO - GONÇALVES DIAS - COM GABARITO

 Poema: Se se morre de amor! – Fragmento

             Gonçalves Dias

Se se morre de amor! — Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjWRwUIPa_ibYBfPShcj65mTJyK4opryyk2flO7hqIDpdcOFuu7tW44JW4nOwHyJfl2p6BpwYxGAVXw6zyWPR8oApr4kpjVvqp0lEkWSj11N-Mh33xEGmceb_wrkRXDewZOb1kXN2U4h0kHaTgpaOeFn0I9NjG1NSHFx1AVC_hs3LPb8GT8gzj5o6fIWDI/s320/maxresdefault.jpg



Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
N’um engano d’amor arrebatar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio,
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro
Clarão, que as luzes no morrer despedem!
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D’amor igual ninguém sucumbe à perda.

Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração — abertos,
Ao grande, ao belo; é ser capaz d’extremos,
D’altas virtudes, té capaz de crimes!
Compreender o infinito, a imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D’aves, flores, murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;

E á branda festa, ao riso da nossa alma
Fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes:
Isso é amor, e desse amor se morre!

[...]

DIAS, Gonçalves. Se se morre de amor!. In: Poesia brasileira, p. 27.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. Faraco & Moura – 1ª edição – 4ª impressão. Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 174-175.

Entendendo o poema:

01 – Qual a visão inicial do poeta sobre a morte por amor?

      O poeta inicialmente nega a possibilidade de morrer por amor, descrevendo o que ele considera ser uma mera "fascinação" passageira.

02 – Como o poeta descreve a "fascinação" que pode ser confundida com o amor?

      O poeta descreve a "fascinação" como algo que surge em ambientes festivos, sob a influência de luzes, música e beleza superficial, um engano que se desfaz com o fim da festa.

03 – Qual a diferença entre "fascinação" e o verdadeiro amor, segundo o poeta?

      A "fascinação" é vista como um delírio passageiro, enquanto o verdadeiro amor é descrito como uma experiência profunda e intensa, que abrange tanto a alegria quanto a dor.

04 – Quais as características do verdadeiro amor, de acordo com o poema?

      O verdadeiro amor é descrito como vida, capaz de extremos, conectado à natureza e a Deus, e que pode levar tanto à felicidade quanto à tristeza profunda.

05 – Como o poeta descreve a intensidade do verdadeiro amor?

      O poeta descreve o verdadeiro amor como uma experiência que pode levar à morte, tamanha a sua intensidade e profundidade.

06 – Qual a mensagem principal do poema em relação ao amor?

      A mensagem principal do poema é que o amor verdadeiro é uma experiência complexa e intensa, que vai além da paixão superficial e pode levar a extremos emocionais.

07 – De que forma Gonçalves Dias utiliza a linguagem para expressar a diferença entre "fascinação" e amor?

      Gonçalves Dias utiliza uma linguagem rica em contrastes e paradoxos, contrapondo a superficialidade da "fascinação" à profundidade e intensidade do verdadeiro amor, através de descrições detalhadas e emotivas.

 

 

POEMA: O AEROPLANO - LUÍS ARANHA - COM GABARITO

 Poema: O aeroplano

             Luís Aranha

Quisera ser um ás para voar bem alto

Sobre a cidade de meu berço!

Bem mais alto que os lamentos bronze

Das catedrais catalépticas;

Muito rente do azul quase a sumir no céu

Longe da casaria que diminui

Longe, bem longe deste chão de asfalto...

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgnK5XCodG7QLJWj_kRmW5fSPkVmODUnYqhpuOD7XEm1LdgR9pJYyzyMVUiwkJD-jQbHadRSudl1gZSvR6CyIjQv35ZFMDvA5xxeeJVMfdRcmvBf6LCFtnjfPj47iT62CM21kZyqEnZEydfwRqv4Tm9LsB1H8ruiILchhMC5HCqNI2WXgb0YigPO_r_tEA/s1600/AEROPLANO.jpg

Eu quisera pairar sobre a cidade!...

 

O motor cantaria

No anfiteatro azul apainelado

A sua roncante sinfonia...

Oh! voar sem pousar no espaço que se estira

Meu, só meu;

Atravessando os ventos assombrados

Pela minha ousadia de subir

Até onde só eles atingiram!...

 

Girar no alto

E em rápida descida

Cair em torvelinhos

Como ave ferida...

 

Dar cambalhotas repentinas

Loopings fantásticos

Saltos mortais

Como um atleta elástico de aço

 

O ranger rascante do motor...

No anfiteatro com painéis de nuvens

Tambor...

 

Se um dia

O meu corpo escapasse ao aeroplano,

Eu abriria os braços com ardor

Para o mergulho azul na tarde transparente...

Como seria semelhante

A um anjo de corpo desfraldado

Asas abertas, precipitado

Sobre a terra distante...

 

Riscando o céu na minha busca

Rápida e precisa,

Cortando o ar em êxtase no espaço

Meu corpo cantaria,

Sibilando

A sinfonia da velocidade.

 

E eu tombaria

Entre os braços abertos da cidade...

 

Ser aviador para voar bem alto!

ARANHA, Luís. Cocktails. Org. por Nelson Archer e Raul Moreira Leite. São Paulo, Brasiliense, 1984. p. 95-96.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. Faraco & Moura – 1ª edição – 4ª impressão. Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 301-302.

Entendendo o poema:

01 – Qual o desejo do eu lírico no poema?

      O eu lírico expressa o desejo de ser um aviador para voar alto sobre a cidade onde nasceu.

02 – Como o eu lírico descreve a cidade vista de cima?

      A cidade vista de cima parece diminuir, e o eu lírico deseja se afastar do "chão de asfalto", buscando a vastidão do céu azul.

03 – Qual a comparação feita com o som do motor do avião?

      O som do motor é comparado a uma "roncante sinfonia" em um "anfiteatro azul apainelado", que seriam as nuvens.

04 – Que sensações o eu lírico imagina ao voar?

      O eu lírico imagina a sensação de liberdade, de atravessar os ventos e de realizar manobras radicais no ar, como "loopings fantásticos" e "saltos mortais".

05 – Qual a imagem utilizada para descrever a queda do corpo do eu lírico do avião?

      A queda do corpo é comparada à de um "anjo de corpo desfraldado", com "asas abertas", precipitando-se sobre a terra.

06 – Como o eu lírico descreve a sensação de velocidade durante o voo?

      O corpo do eu lírico "cantaria" e "sibilando a sinfonia da velocidade", expressando o êxtase de cortar o ar no espaço.

07 – Qual o destino final do eu lírico no poema?

      O eu lírico imagina tombar "entre os braços abertos da cidade", sugerindo uma união poética entre o homem e seu local de origem.

 

 

domingo, 23 de março de 2025

POEMA: DEBUSSY - MANUEL BANDEIRA - COM GABARITO

 Poema: Debussy

             Manuel Bandeira

Para cá, para lá...
Para cá, para lá...
Um novelozinho de linha...
Para cá, para lá...
Para cá, para lá...
Oscila no ar pela mão de uma criação
(Vem e vai...)
Que delicadamente e quase a adormecer o balança
— Psiu... —
Para cá, para lá...
Para cá e...
— O novelozinho caiu.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYEXJ1K-oZhPwSzIf-ld7WYQmSZiiLPoRXPry4rfWr8j-W-s-kkM_TR-bD4kDcLAmm3NsTlr3xvogvopTI0M4sXbWZRNRTE_rO4yVNkQYC3X4WamPH0fNP4RZQ6TFQvlkG6CI5ukJfzsB4NqMDdnYNEjC_PHwLi-FrjP-pt039NdUBZWfaALPw3ka0O30/s320/gato_novelo.jpg


Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira. 4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973. p. 64.

Fonte: Lições de texto. Leitura e redação. José Luiz Fiorin / Francisco Platão Savioli. Editora Ática – 4ª edição – 3ª impressão – 2001 – São Paulo. p. 351.

Entendendo o poema:

01 – Qual a atmosfera predominante no poema?

      A atmosfera predominante é de delicadeza e fragilidade, evocada pela imagem do novelo de linha oscilando no ar e pela referência à música de Debussy, conhecida por sua sutileza e nuances.

02 – Qual a importância da sonoridade no poema?

      A sonoridade é essencial, com a repetição dos sons "para cá, para lá" criando um ritmo suave e hipnótico, que imita o movimento do novelo e a melodia da música.

03 – Qual o significado da expressão "criação" no poema?

      A "criação" pode ser interpretada como uma figura feminina, talvez uma criança ou uma musa, que manipula o novelo com delicadeza, como se estivesse criando uma melodia ou um momento de beleza efêmera.

04 – Como o poema dialoga com a música de Debussy?

      O poema busca capturar a essência da música de Debussy, conhecida por sua atmosfera onírica e pela exploração de sonoridades sutis e delicadas. A repetição e a simplicidade das palavras remetem à musicalidade do compositor francês.

05 – Qual a interpretação possível para a queda do novelo no final do poema?

      A queda do novelo pode simbolizar a fragilidade da beleza e a brevidade dos momentos de encantamento. Ela também pode representar o fim de um sonho ou de uma melodia, deixando um rastro de silêncio e melancolia.

 

 

POEMA: UM SONHO - FRAGMENTO - EUGÊNIO DE CASTRO - COM GABARITO

 Poema: Um Sonho – Fragmento

             Eugênio de Castro

Na messe , que enlourece, estremece a quermesse...
O sol, celestial girassol, esmorece...
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo a fina flor dos fenos...

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvNPVuLfI6VD-JA9embvWDTZpskK_bjRdsyUN8OFzpcUuGGmJZrHuHGC5oYcvpzpjngj-Fk747VO4Q-3ch1EwLCm5mNFQAf3JDhs0675oZq44Gnz1s5B09OaiXkyBSoS0Wyv-pKo1gLvWjG41omdqmFa_M1ga8LGBsx4KlIwUDnYm0iN0R9dE1jEaGzIE/s1600/FLOR.jpg



As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crótalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em Suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves
Suaves...

Flor! enquanto na messe estremece a quermesse
E o sol, o celestial girassol, esmorece,
Deixemos estes sons tão serenos e amenos,
Fujamos, Flor! à flor destes floridos fenos...

Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...

[...]

Eugênio de Castro. Apub: AMORA, A. Soares. Presença da literatura portuguesa. 4. ed. São Paulo: Difei, 1974. p. 38-39.

Fonte: Lições de texto. Leitura e redação. José Luiz Fiorin / Francisco Platão Savioli. Editora Ática – 4ª edição – 3ª impressão – 2001 – São Paulo. p. 360.

Entendendo o poema:

01 – Qual a atmosfera predominante no poema?

      A atmosfera predominante é onírica e decadente, com elementos sensoriais intensos que evocam um ambiente de festa noturna em declínio.

02 – Qual a importância da sonoridade no poema?

      A sonoridade é essencial, com a repetição de sons como "s", "l" e "m" criando um ritmo musical e hipnótico, que contribui para a atmosfera de sonho e encantamento.

03 – Quais imagens sensoriais se destacam no poema?

      As imagens sensoriais que se destacam são visuais (o sol esmorecendo, as estrelas brilhando), auditivas (o som dos instrumentos musicais) e olfativas (a flor dos fenos), criando uma experiência sensorial completa para o leitor.

04 – Qual o significado da expressão "celestial girassol" em relação ao sol?

      A expressão "celestial girassol" personifica o sol, comparando-o a uma flor gigante que acompanha o movimento do céu, reforçando a ideia de um ambiente mágico e onírico.

05 – Qual a interpretação possível para o convite de fuga no final do fragmento?

      O convite de fuga pode representar o desejo de escapar da realidade decadente e encontrar refúgio em um mundo de beleza e sonho, simbolizado pela "flor dos floridos fenos".

 

 

POEMA: FÁBULA DE UM ARQUITETO - JOÃO CABRAL DE MELO NETO - COM GABARITO

 Poema: Fábula de um Arquiteto

             João Cabral de Melo Neto

A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e teto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjqt6LhYMEA6jUrnC4u2V2kVnctg3i1a5GpQ4-j6vy4OI4tfEwEh2I_0KaP7xpdeoyVpQy4DQOrijx1d5f-vEf3kIz-PyfqR5KRAZTA3xfqRVayPBmmut_6_89g5bIvscbCr_a4vmUbO_Siav6lwfxb5GK1t1vrfDr_mxiKIcQ0FSDUab0zZsq3CJbqInI/s320/O-que-faz-um-arquiteto.jpg



Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até refechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.

João Cabral de Melo Neto. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 345-346.

Fonte: Lições de texto. Leitura e redação. José Luiz Fiorin / Francisco Platão Savioli. Editora Ática – 4ª edição – 3ª impressão – 2001 – São Paulo. p. 362.

Entendendo o poema:

01 – Qual a metáfora central do poema e o que ela representa?

      A metáfora central é a da arquitetura como construção de "portas", representando a criação de espaços de abertura, liberdade e comunicação entre os homens. O poema contrasta essa visão com a arquitetura de "muros", que simboliza o isolamento e a opressão.

02 – Como o poema descreve a mudança na visão do arquiteto?

      Inicialmente, o arquiteto é idealista, buscando criar espaços que promovam a liberdade e a razão. No entanto, ele se torna amedrontado pela própria liberdade que criou e passa a construir espaços fechados e opressivos, revertendo ao isolamento.

03 – Qual a crítica social presente no poema?

      O poema critica a tendência humana de buscar segurança e controle, mesmo que isso signifique sacrificar a liberdade e a comunicação. Ele aborda a relação entre poder e espaço, mostrando como a arquitetura pode ser usada para oprimir ou libertar.

04 – Qual a importância da linguagem concreta e precisa no poema?

      João Cabral de Melo Neto utiliza uma linguagem precisa e objetiva, com termos técnicos de arquitetura, para construir a metáfora e transmitir sua mensagem de forma clara e concisa. Essa escolha estilística reforça a ideia de que a poesia pode ser construída com a mesma precisão de uma obra arquitetônica.

05 – Qual a interpretação possível para o final do poema, com a imagem do homem como "feto" em uma "capela útero"?

      O final do poema sugere um retorno ao estado de dependência e segurança, onde o homem se refugia em um espaço fechado e controlado, abdicando da liberdade e da autonomia. Essa imagem pode representar a busca por conforto e proteção, mesmo que isso signifique abrir mão da individualidade.

 

 

POEMA: A SANTA INÊS - FRAGMENTO - JOSÉ DE ANCHIETA - COM GABARITO

 Poema: A Santa Inês – Fragmento

             José de Anchieta

I

Cordeirinha linda,
como folga o povo
porque vossa vinda
lhe dá lume novo!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgwZtWbR_ZMmlye1dqbxUxKfBiSQAox7haST8oAlcVuhLFIKpzky_G76I13aokT1rMwL50YsM90J9dWnWnl2wihEkdA8ID_cVeh7uE7CzxHyaTMQb2qcqMc4v8_Oncx7SXNTLbF3uZZ97olaAA2KwsQkbU0hP73b21sMDbEA4UpxlJQByuOsKZcTrjxDsY/s320/INES.jpg


Cordeirinha santa,
de Iesu querida,
vossa santa vinda
o diabo espanta.

Por isso vos canta,
com prazer, o povo,
porque vossa vinda
lhe dá lume novo.

Nossa culpa escura
fugirá depressa,
pois vossa cabeça
vem com luz tão pura

Vossa formosura
honra é do povo,
porque vossa vinda
lhe dá lume novo.

Virginal cabeça
pola fé cortada,
com vossa chegada,
já ninguém pereça.

Vinde mui depressa
ajudar o povo,
pois com vossa vinda
lhe dais lume novo.

Vós sois, cordeirinha,
de Iesu formoso,
mas o vosso esposo
já vos fez rainha.

Também padeirinha
sois de nosso povo,
pois, com vossa vinda,
lhe dais lume novo.

[...].

José Anchieta. Poesias. Transcrição, trad. e notas de Martins, M. L. de Paula. São Paulo, Museu Paulista, 1954. p. 381.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. João Domingues Maia – Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 135.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a figura central do poema e como ela é retratada?

      A figura central é Santa Inês, retratada como uma "cordeirinha linda" e "santa", associada à pureza, à fé e à luz divina.

02 – Qual é o efeito da chegada de Santa Inês sobre o povo, segundo o poema?

      A chegada de Santa Inês traz "lume novo" ao povo, ou seja, luz e esperança, afastando a "culpa escura" e espantando o diabo.

03 – Qual é o significado da imagem da "cabeça cortada" de Santa Inês?

      A imagem remete ao martírio de Santa Inês, que foi decapitada por sua fé. No poema, esse sacrifício é visto como um ato de redenção que impede a perdição do povo.

04 – Como Santa Inês é relacionada a Jesus Cristo no poema?

      Santa Inês é chamada de "cordeirinha de Iesu formoso", estabelecendo uma ligação com Jesus, o cordeiro de Deus. Além disso, ela é considerada esposa de Jesus, que a fez rainha.

05 – Qual é o papel de Santa Inês em relação ao povo, segundo o poema?

      Santa Inês é vista como protetora e auxiliadora do povo, trazendo luz, esperança e salvação. Ela é chamada de "padeirinha", o que significa que ela é responsável por prover o pão da vida para o povo.

06 – Quais são os principais temas abordados no poema?

      Os principais temas são a fé cristã, o martírio, a pureza, a redenção e a proteção divina.

07 – Qual é o tom geral do poema e qual é o seu objetivo?

      O tom geral do poema é de louvor e devoção. O objetivo é celebrar a figura de Santa Inês, exaltar suas virtudes e pedir sua intercessão em favor do povo.