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segunda-feira, 23 de março de 2026

POEMA: PINTURA CORPORAL INDÍGENA - DANILO SOARES - COM GABARITO

 Poema: Pintura corporal indígena

             Danilo Soares

Carga gigante de interpretações,

Força enorme de representação

Da cultura do povo campeão

Em índoles e de conservações.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjeVUFtZgPFm1U_Ia14-C9vTqNjTRIGgtM8tgXtrBxuYFUbSI_eoEdW1Z69JS4a0oVIzi75v9qZSKlGb3pIncDDzdWxK8gv30VJri1z-m091DRUf5zf8geN_pOwYpCFR376hR1Z6d4lgRQ0wCzgRmlXWrbeBAI1NQ6N1MaYZ1dAtwrwXgQFIZzWuZEeMnE/s320/PINTURA.jpg


 

Alegra a pele de maneira artística.

Jenipapo se transforma em magia,

O pincel dança sob a poesia

E o indígena mantém a vida rica.

 

Livra alma e levanta a força do povo,

Assim empodera o desanimado

Desenterrando afeto que há enterrado.

 

Cada traço pintado é um riso novo!

Cada desenho é alívio à consciência

E torna-se a principal resistência.

SOARES, Danilo. Pintura corporal indígena. 14 maio 2019. Disponível em: https://www.instagram.com/p/B-r19upAYtM/. Acesso em: 05 nov. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 93.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal função da pintura corporal mencionada na primeira estrofe?

      De acordo com a primeira estrofe, a pintura corporal possui uma "carga gigante de interpretações" e uma "força enorme de representação". Ela funciona como um símbolo da cultura, da índole e da preservação do povo indígena.

02 – Quais elementos práticos e materiais da pintura são citados pelo autor?

      O poema menciona o jenipapo (fruto comumente usado para fazer a tinta preta) que "se transforma em magia" e o uso do pincel, que "dança sob a poesia" para alegrar a pele de maneira artística.

03 – De que forma a pintura corporal afeta o estado emocional e espiritual do indígena, segundo o texto?

      O autor afirma que a pintura "livra a alma", "levanta a força do povo" e "empodera o desanimado", sendo capaz de trazer à tona ("desenterrar") afetos que estavam esquecidos ou guardados.

04 – Como o poema relaciona a estética (o desenho) com o sentimento de alegria?

      Na última estrofe, o eu-lírico declara que "cada traço pintado é um riso novo", sugerindo que o ato de pintar e a beleza dos desenhos resultam em felicidade e alívio para a consciência.

05 – O que o autor quer dizer com o verso "E torna-se a principal resistência"?

      O verso sugere que a pintura corporal não é apenas um adorno, mas um ato político e cultural de afirmação. Ao manter seus costumes vivos e visíveis na pele, os povos indígenas resistem ao apagamento de sua cultura e reafirmam sua identidade diante do mundo.

 

 

 

domingo, 22 de março de 2026

POEMA: ODE PARA O FUTURO - JORGE DE SENA - COM GABARITO

 POEMA: Ode para o futuro

                     JORGE DE SENA

 

Falareis de nós como de um sonho.

Crepúsculo dourado. Frases calmas.

Gestos vagarosos. Música suave.

Pensamento arguto. Sutis sorrisos.

Paisagens deslizando na distância.

Éramos livres. Falávamos, sabíamos,

e amávamos serena e docemente.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQpvp517m2ayXTXbj4Ne6_h0H3lEesHaBhS62-Tm1rCdNiAjZ2gygaMlCDS_V-wx6oTc3Na0mkchyphenhyphenkHvTrtkZZ14P0A93yk2whKK-3wpElMB8MR-oE0T7vp8JFb7m3XlbNeeudr041YX0L_UrMFgHojrmu4V57UistDo0rH2ezgdu33WEcPiHBxsrkrKA/s320/3452172-dourado-crepusculo-amanhecer-ceu-antes-do-sol-ceu-fundo-foto.jpg
 

Uma angústia delida, melancólica,

sobre ela sonhareis.

 

E as tempestades, as desordens, gritos,

violência, escárnio, confusão odienta,

primaveras morrendo ignoradas

nas encostas vizinhas, as prisões,

as mortes, o amor vendido,

as lágrimas e as lutas,

o desespero da vida que nos roubam

- apenas uma angústia melancólica,

sobre a qual sonhareis a idade de ouro.

 

E, em segredo, saudosos, enlevados6,

falareis de nós - de nós! - como de um sonho.

JORGE DE SENA

www.letras.ufrj.br

 

Entendendo o texto

01. Qual é a principal atitude do eu lírico em relação à forma como as gerações futuras perceberão o presente?

a.   O eu lírico espera que o futuro aprenda com os erros do presente para não repeti-los.

b.   O eu lírico expressa indiferença sobre como a história será contada nos séculos vindouros.

c.   O eu lírico acredita que o futuro entenderá perfeitamente todas as dores e lutas da época atual.

d.   O eu lírico prevê que o futuro verá o presente de forma idealizada e distorcida, como uma 'idade de ouro'.

02. No trecho 'Frases calmas. / Gestos vagarosos. Música suave.', qual figura de linguagem é predominante para construir a imagem que o futuro terá do presente?

a.   Onomatopeia, para reproduzir os sons da natureza descrita no poema.

b.   Assíndeto, através da omissão de conjunções para criar uma enumeração de imagens estáticas.

c.   Personificação, atribuindo sentimentos humanos à música e aos gestos.

d.   Hipérbole, para exagerar o barulho e a agitação da vida moderna.

03. A antítese é uma figura central no poema. Qual das oposições abaixo melhor representa o conflito entre a 'aparência' e a 'realidade' descrita por Jorge de Sena?

a.   A diferença entre o 'amor vendido' e as 'lágrimas' de quem sofre.

     b.   O contraste entre o 'crepúsculo dourado' (visão do futuro) e as 'prisões/mortes' (realidade vivida).

    c.   O embate entre as 'primaveras morrendo' e as 'encostas vizinhas'.

    d.   A oposição entre o 'segredo' e o ato de 'falar' mencionado na última estrofe.

04. Ao utilizar a expressão 'idade de ouro' para se referir ao modo como o futuro verá o presente, o eu lírico utiliza qual recurso expressivo?

a.   Eufemismo, para suavizar a dor das prisões citadas anteriormente.

b.   Ironia, pois o presente é marcado por violência e falta de liberdade, o oposto de uma era dourada.

c.   Metonímia, substituindo a parte (o ouro) pelo todo (a riqueza do presente).

d.   Pleonasmo, reforçando que o futuro será necessariamente melhor que o agora.

05. Qual é o efeito de sentido da repetição da expressão 'de nós' com pontos de exclamação na última estrofe?

a.   Indicar que o eu lírico está chamando as pessoas do futuro para um diálogo direto.

b.   Sugerir que o eu lírico tem dúvidas sobre quem são os verdadeiros responsáveis pelas 'tempestades'.

c.   Demonstrar a alegria do eu lírico por saber que será lembrado com carinho.

d.   Enfatizar a indignação ou o espanto do eu lírico diante da incompreensão futura sobre sua existência real.

 

POEMA: AI, PALAVRAS, AI, PALAVRAS - CECÍLIA MEIRELES - COM GABARITO

 POEMA:  Ai, palavras, ai, palavras

Que estranha potência a vossa!

 

Todo o sentido da vida

Principia a vossa porta:

O mel do amor cristaliza

Seu perfume em vossa rosa;

Sois o sonho e sois a audácia,

Calúnia, fúria, derrota...

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgG7dawaA1IAin602_HpAV4G_kkQDWXcU__vfEop_cwEZvZOuYR4Z8PkAMa1puGSQI-NBnc54TSWvaz8TmOVIc86c7UB158OpbrmrpUZbSeTOhkLAhBtgmmkyLV7q36L1M9xtWaIzYBgwJyl0YSvOtrgTM6FiyvbEZU2eUn1_dgYdVztmEyI8l_gZyeGeA/s1600/PALAVRAS.jpg

A liberdade das almas,

ai! Com letras se elabora...

e dos venenos humanos

sois a mais fina retorta:

frágil, frágil, como o vidro

e mais que o aço poderosa!

Reis, impérios, povos, tempos,

pelo vosso impulso rodam...

 

MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985 (fragmento).

 

Entendendo o texto

01. Logo no início do poema, o eu lírico utiliza uma interjeição ("Ai") e se dirige diretamente às palavras. Qual é o sentimento principal expresso em relação a elas?

a. Indiferença, pois as palavras não têm poder sobre a vida real.

b. Raiva, porque o autor esqueceu as palavras que desejava escrever.

c. Tédio, por considerar que falar é uma perda de tempo.

d. Admiração e espanto diante da "estranha potência" que as palavras possuem.

02. O poema afirma que as palavras são "o mel do amor", mas também "calúnia, fúria, derrota". O que essa oposição de ideias revela?

a. Que o autor está confuso e não sabe o que as palavras significam.

b. A natureza dual das palavras: elas podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal.

c. Que as palavras só servem para contar mentiras e ofensas.

d. Que o amor é a única coisa que as palavras conseguem explicar.

03. No verso "frágil, frágil, como o vidro / e mais que o aço poderosa!", encontramos uma figura de linguagem chamada Antítese (ideias opostas). O que essa comparação quer dizer?

a. Que as palavras quebram fisicamente quando são ditas com força.

b. Que o aço é o único material que pode resistir ao poder de um livro.

c. Que, embora as palavras pareçam simples e delicadas (frágeis), elas têm uma força capaz de mudar destinos e derrubar impérios.

d. Que o vidro é mais caro que o aço, assim como as palavras bonitas.

04. De acordo com a estrofe que menciona "Reis, impérios, povos, tempos", qual é o papel das palavras na história do mundo?

a. Elas são o impulso que faz as sociedades e a história se movimentarem e mudarem.

b. Elas são apenas barulhos que desaparecem com o tempo.

c. Elas servem apenas para os reis darem ordens aos seus soldados.

d. Elas impedem que os povos conheçam a verdade sobre o passado.

05. O verso "A liberdade das almas, ai! Com letras se elabora..." sugere que:

a. A liberdade só existe para as pessoas que sabem desenhar letras bonitas.

b. O pensamento, a escrita e a comunicação são ferramentas fundamentais para a conquista da liberdade humana.

c. A alma não precisa de palavras para ser livre, apenas de silêncio.

d. As letras são correntes que prendem as almas em livros antigos

POEMA: CANÇÃO DO AMOR PERFEITO - CECÍLIA MEIRELES - COM GABARITO

 POEMA: CANÇÃO DO AMOR PERFEITO

                Cecília Meireles

O tempo seca a beleza,

seca o amor, seca as palavras.

Deixa tudo solto, leve,

desunido para sempre

como as areias nas águas.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg70A2M7Sf1GtqM2B720a7bKtSaNo8entPFAQEfd8XI3LQOsd_teryLbDifxSuX_vCwsAf4ShMwcMfv6B_us2835EseM1RYGygxIzjBWnbFf3WC8FQBXS6CToLBgD1mqhdPcP9gXmErcSYWG4AcEhWoghVtL_l1kqTls3a4QExAaJhs31cCv5zdozmKaIA/s1600/CECILIA.jpg 
 

O tempo seca a saudade,

seca as lembranças e as lágrimas.

Deixa algum retrato, apenas,

vagando seco e vazio

como estas conchas das praias.

 

O tempo seca o desejo

e suas velhas batalhas.

Seca o frágil arabesco,

vestígio do musgo humano,

na densa turfa mortuária.

 

Esperarei pelo tempo

com suas conquistas áridas.

Esperarei que te seque,

não na terra, Amor-Perfeito,

num tempo depois das almas.

 

            (MEIRELES, C. "Antologia poética". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.)

Entendendo o texto

01. De acordo com a primeira estrofe, o que o tempo faz com a beleza, o amor e as palavras?

a. Ele faz com que fiquem mais fortes e unidos.

b. Ele os "seca", deixando tudo solto e desunido.

c. Ele os transforma em pedras preciosas no fundo do mar.

d. Ele faz com que as pessoas esqueçam como falar. Resposta: B

02. Na segunda estrofe, o autor compara o que sobra das lembranças (um retrato seco e vazio) com qual elemento da natureza?

a. Com as nuvens do céu.

b. Com as flores do campo.

c. Com as conchas das praias.

d. Com as árvores da floresta.

03. O uso constante da palavra "seca" ao longo do poema serve para mostrar que o tempo:

a. Desgasta e apaga os sentimentos e as coisas vivas.

b. É como uma chuva que limpa tudo.

c. Ajuda as plantas a crescerem mais rápido.

d. Deixa as pessoas mais felizes e animadas. Resposta: B

04. Na última estrofe, a voz que fala no poema diz que vai "esperar pelo tempo". O que ela espera que aconteça com o "Amor-Perfeito"?

a. Que ele nunca mude e continue sempre igual.

b. Que ele seja plantado na terra para virar uma flor.

c. Que o tempo também o seque, mas em um momento "depois das almas".

d. Que ele desapareça imediatamente para não sofrer.

05. Qual é o sentimento principal que o poema transmite sobre a passagem do tempo?

a. Alegria e entusiasmo com as novidades.

b. Melancolia e uma sensação de que nada dura para sempre.

c. Raiva e revolta contra a natureza.

d. Medo de animais que vivem na água e na areia.

 

 

 

 

POEMA: O SOBREVIVENTE - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: O sobrevivente

              Carlos Drummond de Andrade

 

            Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.

            Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia.

            O último trovador morreu em 1914.

            Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.

           

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgxuygoD3TP9_j9DhAeNFHdFWBDd4NgMlGAc3ijmsBWY_0AZw0DljSvD0VmC2SAJjvaQIc7y_Uw4Od5ozbxoPHtBy3h0pL9C1Qnq586er3yXxPoHw0uZRJpLLtlOi_wQHKo5rv_bqbHzWUBPvslZOAzJ1pzB6qf9rWPR-XND1jDIKZ2e-274pGeNJEYYaI/s1600/CARLOS.jpg

            Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.

            Se quer fumar um charuto aperte um botão.

            Paletós abotoam-se por eletricidade.

            Amor se faz pelo sem-fio.

            Não precisa estômago para digestão.

           

            Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta

            muito para atingirmos um nível razoável de cultura.

            Mas até lá, felizmente, estarei morto.

           

            Os homens não melhoraram

            e matam-se como percevejos.

            Os percevejos heroicos renascem.

            Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.

            E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

 

            (Desconfio que escrevi um poema.)

 

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.

Entendendo o texto 

01. Por que o eu lírico (quem fala no poema) afirma ser "impossível" compor um poema "a essa altura da evolução"?

a. Porque as pessoas esqueceram como escrever à mão.

b. Porque não existem mais papéis ou canetas no mundo moderno. c. Porque a poesia foi proibida por uma lei internacional em 1914.

d. Porque ele acredita que a humanidade se tornou mecânica e perdeu a sensibilidade poética.

02. O poema menciona que existem "máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples". Qual é a crítica do autor nesse trecho?

a. Ele está elogiando como a tecnologia facilita a vida das pessoas.  b. Ele critica o exagero tecnológico que substitui gestos humanos e simples por botões e eletricidade.

c. Ele sugere que as pessoas deveriam aprender a consertar essas máquinas.

d. Ele afirma que as máquinas são necessárias para o amor e a digestão.

03. Na estrofe que fala sobre os homens que "matam-se como percevejos", o autor está se referindo a qual aspecto da humanidade?

a. À violência e à falta de valor que se dá à vida humana, especialmente em tempos de guerra.

b. À higiene pessoal e ao cuidado com os insetos.

c. Ao fato de os homens estarem ficando cada vez menores.

d. À inteligência dos seres humanos, que supera a dos insetos.

04. O que o autor quer dizer com o verso: "Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado"?

a. Que o mundo está ficando vazio porque as pessoas estão morrendo.

b. Que não há mais espaço físico para construir casas no planeta. c. Que as máquinas expulsaram os homens de suas moradias.

d. Que, embora o mundo esteja difícil e ruim de se viver (inabitável), a população continua crescendo.

05. No final do poema, entre parênteses, o autor escreve: "(Desconfio que escrevi um poema.)". Qual é o efeito dessa frase? a. Ela mostra que o autor esqueceu o que estava fazendo durante a escrita.

b. Ela cria uma ironia, pois, após dizer que era impossível escrever poesia, ele percebe que acabou criando uma.

c. Ela serve para pedir desculpas ao leitor por ter escrito um texto tão longo.

d. Ela indica que o texto, na verdade, é uma notícia de jornal e não um poema.

 

POEMA: GILBERTO MENDONÇA TELES - COM GABARITO

 Poema: Língua

              GILBERTO MENDONÇA TELES

 

Esta língua é como um elástico

que espicharam pelo mundo.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjq5PGnRcDSN9BoiOX5lCAryQXO7c_PxAPAgP8DCY8rRhK_pDv6sNzH-GHICzylEpCmy4CxRmGwbRoM3MBA9ntGzrEXQnKCCVMJu0wxP5rfo90ovgCByyRoFsyrwpT5HFX7oqlLTXFU8UZP2P_IG4lYhyjRr0uUqNFr3zN1fQqwLvcBIngqyX5M36OUT5Q/s320/dicas-portugues-redacao-1-e1691775140396.jpg 

No início era tensa,

de tão clássica.

 

Com o tempo, se foi amaciando,

foi-se tornando romântica,

incorporando os termos nativos

e amolecendo nas folhas de bananeira

as expressões mais sisudas.

 

Um elástico que já não se pode

mais trocar, de tão usado;

nem se arrebenta mais, de tão forte.

 

Um elástico assim como é a vida

que nunca volta ao ponto de partida.

 

GILBERTO MENDONÇA TELES

Hora aberta: poemas reunidos. Rio de Janeiro: José Olympio; Brasília: INL, 1986.  

 

Entendendo o texto

01. No poema, a língua é comparada a um elástico. Qual é o motivo principal dessa comparação?

a. Porque a língua é feita de borracha e pode quebrar facilmente.

b. Porque a língua é pequena e só pode ser usada em um único país.

c. Para indicar que a língua é algo difícil de aprender e muito apertado.

d. Para mostrar que a língua é flexível, se estica pelo mundo e se adapta a diferentes lugares.

 

02. O autor afirma que, no início, a língua era "tensa, de tão clássica". O que isso sugere sobre a língua antigamente?

a. Que ela era mais rígida, formal e seguia regras muito severas.

b. Que ela era muito engraçada e cheia de gírias modernas.

c. Que ninguém conseguia falar a língua porque ela era muito curta.

d. Que ela era falada apenas por pessoas românticas e calmas.

03. O que o poema quer dizer quando fala que a língua foi "incorporando os termos nativos"?

a. Que a língua expulsou as palavras que já existiam nos novos lugares.

b. Que a língua parou de mudar quando chegou às folhas de bananeira.

c. Que a língua portuguesa se misturou e aceitou palavras de povos indígenas e locais (como no Brasil).

d. Que os termos nativos estragaram a beleza da língua clássica.

04. De acordo com a quarta estrofe, por que esse "elástico" (a língua) não se arrebenta mais?

a. Porque ele foi fabricado com um material muito caro.

b. Porque a língua se tornou forte de tanto ser usada e transformada pelas pessoas.

c. Porque as pessoas pararam de falar a língua para que ela não gastasse.

d. Porque ele foi guardado dentro de um livro para ninguém mexer.

05. Na última estrofe, o autor compara a língua com a "vida". Qual é a semelhança entre as duas segundo o texto?

a. Ambas são chatas e nunca mudam o caminho.

b. Ambas são curtas e acabam rapidamente como um elástico velho.

c. Ambas só podem ser entendidas por poetas e professores.

d. Ambas estão sempre mudando e nunca voltam exatamente ao que eram no ponto de partida.

 

POEMA: CASABLANCA - ANA CRISTINA CESAR - COM GABARITO

 Poema: Casablanca

               Ana Cristina Cesar

Te acalma, minha loucura!

Veste galochas nos teus cílios tontos e habitados!

Este som de serra de afiar as facas

não chegará nem perto do teu canteiro de taquicardias...

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjxhPjPmHLc3SIaPQEQ7wwwZp_p_mTYkqAxyvuXc3zmzqX8FsySmMrD_rtvP94C9Siw69xeWsQbDg9VyOojGUQTApUGK_WTiE8MdvxKVSrNBGUkUbG3MWsWPT4C7JHbyo6ukOkHH6UpsYZxZElii5e84IzjdksPxxxlJ72E3pQ8HW9KWk5UMLOIi3SJPeM/s320/Ana-Cristina-Cesar-II.jpg

Estas molas a gemer no quarto ao lado

Roberto Carlos a gemer nas curvas da Bahia

O cheiro inebriante dos cabelos na fila em frente no cinema...

 

As chaminés espumam pros meus olhos

As hélices do adeus despertam pros meus olhos

Os tamancos e os sinos me acordam depressa na madrugada feita de binóculos de gávea

e chuveirinhos de bidê que escuto rígida nos lençóis de pano

 

CESAR, Ana Cristina. A teus pés. São Paulo: Brasiliense, 1982, p.60.

Entendendo o texto

01. Logo no primeiro verso, o eu lírico se dirige à própria "loucura" pedindo calma. Qual figura de linguagem predomina nesse trecho ao falar com um sentimento como se fosse uma pessoa?

a. Personificação (ou Prosopopeia), pois atribui comportamento humano a um sentimento abstrato.

b. Onomatopeia, pois o autor está imitando o som de um grito de loucura.

c. Eufemismo, pois o autor está tentando suavizar uma notícia muito triste.

d. Hipérbole, pois há um exagero evidente sobre o tamanho da loucura.

02. Como se caracteriza a postura do eu lírico em relação ao ambiente que o cerca (o quarto ao lado, o cinema, o som da serra)? a. Uma postura de total indiferença, como se não ouvisse ou sentisse nada.

b. Uma postura de extrema sensibilidade, onde sons, cheiros e movimentos provocam reações físicas e emocionais (como a "taquicardia").

c. Uma postura de felicidade plena e gratidão pelas máquinas modernas.

d. Uma postura de sono profundo, indicando que o eu lírico está sonhando com a Bahia.

03. No verso "Este som de serra de afiar as facas / não chegará nem perto do teu canteiro de taquicardias", a expressão destacada sugere que:

a. O eu lírico gosta de jardinagem e cultiva flores no quarto.

b. O barulho da serra é mais calmo que o som dos pássaros no canteiro.

c. O eu lírico está em um hospital esperando por uma cirurgia cardíaca.

d. O coração do eu lírico está agitado (acelerado) devido a uma forte ansiedade ou emoção interna.

04. O poema utiliza referências à cultura popular e ao cotidiano ("Roberto Carlos", "cinema", "chuveirinhos de bidê"). Qual é o efeito dessas imagens na estrutura do poema?

a. Elas servem para criar uma narrativa histórica sobre a evolução da música brasileira.

b. Elas criam uma colagem de memórias e sensações fragmentadas, típicas da poesia moderna, unindo o banal ao emocional.

c. Elas provam que o eu lírico não gosta de cinema nem de música romântica.

d. Elas são usadas para confundir o leitor e impedir que o poema seja compreendido.

05. Na última estrofe, o eu lírico menciona termos como "hélices do adeus" e "madrugada feita de binóculos". O que essas metáforas indicam sobre o estado emocional do eu lírico?

a. Um estado de vigilância e despedida, como se estivesse atento a algo que parte ou que precisa ser observado de longe.

b. Um desejo de viajar de navio ou avião para passar as férias em Casablanca.

c. Uma sensação de alegria por acordar cedo com o som dos sinos e tamancos.

d. Uma certeza de que o futuro será claro e sem nenhuma complicação emocional.