Poema: Eu
Florbela
Espanca
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
ESPANCA, Florbela. Apud
MOISÉS< Massaud. A literatura portuguesa através dos textos. 9. ed. São
Paulo, Cultrix, 1980. p. 470.
Fonte: Português. Série
novo ensino médio. Volume único. Faraco & Moura – 1ª edição – 4ª impressão.
Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 450.
Entendendo o poema:
01 – Qual é a principal
característica da identidade que o eu lírico constrói ao longo do poema?
A principal
característica é a de uma alma solitária e incompreendida, que se sente perdida
no mundo e na vida. Ela se define como alguém que vaga sem rumo, irmã do sonho
e portadora de uma dor profunda.
02 – Que imagens o eu lírico
utiliza para descrever a própria existência?
O eu lírico
utiliza imagens como "sombra de névoa tênue e esvaecida" e "alma
de luto" para descrever a própria existência, transmitindo uma sensação de
fragilidade, melancolia e incompreensão.
03 – Qual a relação do eu
lírico com a tristeza no poema?
A tristeza é uma
constante na vida do eu lírico, que se identifica como alguém que "chora
sem saber por quê". Essa tristeza parece ser intrínseca à sua natureza,
algo que a acompanha constantemente.
04 – Qual a reflexão final do
eu lírico sobre a própria existência?
No final do
poema, o eu lírico questiona se não seria apenas uma "visão que Alguém
sonhou", alguém que nunca a encontrou na vida. Essa reflexão final revela
uma profunda solidão e a sensação de não pertencer ao mundo real.
05 – Como o poema reflete a
subjetividade e o sentimentalismo característicos da poesia de Florbela
Espanca?
O poema é marcado
por uma forte carga emocional e pela expressão de sentimentos íntimos, como a
solidão, a tristeza e a incompreensão. A linguagem é carregada de imagens que
evocam melancolia e sofrimento, características marcantes da poesia de Florbela
Espanca.