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domingo, 11 de outubro de 2026

POEMA: ENFIM, SÓ! - DORA LÚCIA ALCÂNTARA - COM GABARITO

 Poema: Enfim, só!

          Dora Lúcia Alcântara

Finalmente,

hoje trago a certeza

de não ser só.

Será isto maturidade?

Será isto autenticidade?

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjeUXtYWPu02K07W58AP-kPn6iJy3i1slpLyDWlwRgjlO45gg2k7zSkYpC-KFQMvMEzVUTeMz0DfdsfpWksQRzhJyH2cdR0YbIG8tq4m1l0G5T5mrSciPHf7aML88qOvJeGw5rGucr3KihPxt4lB-BkeURuneMIJHvkaFh6HO60lRdxT7Sn3dr_xzPdndc/s320/images.jpg 

 

Já não espero do outro,

ninguém me decepciona mais.

e assim, vivo leve e solta!

É bom dividir, doar, amar.

Mas ninguém me acolherá completamente.

Ninguém terá tudo a me dar...

E sem cobrar, irei trocar.

 

Dependo de mim,

do que fizer,

do que me der...

Vou sempre buscar

e nunca me saciar,

só assim poderei me amar,

libertar e

CRIAR!

Dora Lúcia Alcântara. 7 outubro 2000. Retirado do site: www.existencialismo.org.br

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 123.

Entendendo o poema:

01 – Como o título "Enfim, só!" se articula com a afirmação inicial da poetisa de ter a "certeza de não ser só"?

      Apesar de o título sugerir solidão, o poema ressignifica esse conceito para o de solitude (o estar bem consigo mesma). A autora percebe que não está verdadeiramente "só" porque encontrou em si mesma a sua própria companhia e força. Essa mudança de perspectiva traz a maturidade de entender que a plenitude vem de dentro, e não da dependência de terceiros.

02 – De que modo a perda das expectativas em relação aos outros gera a leveza mencionada na segunda estrofe?

      Quando a poetisa afirma que "já não espero do outro, ninguém me decepciona mais", ela liberta o outro da obrigação de suprir suas necessidades e a si mesma do ciclo de frustrações. Ao abandonar cobranças e expectativas irrealistas, a vida torna-se "leve e solta", permitindo relações mais autênticas, baseadas na troca espontânea e não na dependência.

03 – Como o poema equilibra a autonomia individual com a capacidade de se relacionar e amar os outros?

      O eu lírico não rejeita o convívio nem o afeto; pelo contrário, afirma que "é bom dividir, doar, amar". Contudo, reconhece com clareza que "ninguém terá tudo a me dar". O equilíbrio reside em amar e trocar sem cobranças, compreendendo que nenhum relacionamento externo pode substituir a autoaceitação e a responsabilidade pelo próprio bem-estar.

04 – Qual é o sentido do verso "Vou sempre buscar / E nunca me saciar" para o desenvolvimento pessoal da autora?

      A busca constante sem jamais se saciar representa o motor do crescimento e da evolução contínua. Para a autora, a satisfação plena e estática levaria à acomodação. O desejo ininterrupto de buscar e aprender é o que mantém a chama interior acesa, impulsionando a autoestima, a liberdade e o processo criativo.

05 – Qual é a relação entre a autoaceitação ("me amar") e a capacidade final de "libertar e CRIAR"?

      A autoaceitação e a independência emocional libertam o indivíduo do medo do julgamento alheio e da necessidade de aprovação. Somente quando a pessoa se torna dona de sua própria jornada ("dependo de mim") e se ama por inteiro é que ela alcança a verdadeira liberdade interior, condição essencial para dar asas à imaginação e ao ato criativo.

 

POEMA: NA ILHA POR VEZES HABITADA - JOSÉ SARAMAGO - COM GABARITO

 Poema: Na Ilha Por Vezes Habitada

           José Saramago

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites, manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.

Então sabemos tudo do que foi e será.

O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam.

Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2DYT5o3PHNnN75FGpBGcdxXXKLV1tuU2x3nuCJuMrbnmaBSh13CRJC9ONk62hiwMRGHlPjnWYn8czi4QUpU-Q8aV_zKf_w2tOutNFflYZHT12oGhJBRPe5IjSCW1mESpfgCM0nabV9_ZD6CXx6A6afvb-GrTKRKkNUECI15mGrKegr2aUzjJrkhf2rqI/s320/images.jpg


Com doçura.

Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a vontade e os limites.

Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos ossos dela.

Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres como a água, a pedra e a raiz.

Cada um de nós é por enquanto a vida.

Isso nos baste.

José Saramago. In: Provavelmente alegria. 3. ed. Editorial Caminho, Lisboa, 1985.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 123.

Entendendo o poema:

01 – O que simboliza a metáfora da "ilha por vezes habitada do que somos" no poema de Saramago?

      A "ilha" representa a interioridade humana, a alma ou a própria existência individual, marcada pelo isolamento e pela introspecção. Ao dizer que essa ilha é "por vezes habitada", o eu lírico sugere que nem sempre estamos plenamente conscientes ou presentes em nós mesmos; há momentos de alheamento e desconexão. Contudo, existem instantes de iluminação em que nos habitamos por inteiro, alcançando uma profunda compreensão da própria existência.

02 – Como o eu lírico caracteriza os momentos em que "não precisamos de morrer" e qual é o impacto desse estado na percepção do mundo?

      Esses momentos representam estados de plenitude, clareza e paz absoluta, nos quais o medo da finitude e a angústia da morte desaparecem temporariamente. Nesses instantes, o mundo parece "explicado definitivamente", trazendo uma sensação de transcendência e serenidade em que o indivíduo sente ter compreendido o sentido do passado e do futuro sem a necessidade de buscar respostas fora da vida presente.

03 – Qual é o significado poético e filosófico do gesto de levantar um "punhado de terra" e apertá-lo nas mãos "com doçura"?

      O gesto de segurar a terra simboliza a reconexão com a matéria, com a natureza e com a brevidade da condição humana. Ao apertá-la com doçura, o eu lírico aceita a vida como ela é, contida na simplicidade da matéria. A terra representa a "verdade suportável" — os contornos, as vontades e os limites da existência —, mostrando que a verdadeira sabedoria não está em alcançar o infinito, mas em reconhecer e acolher as próprias limitações humanas.

04 – De que modo o ato de ter "mordido a alma até aos ossos dela" conduz o indivíduo à verdadeira liberdade e à paz?

      A expressão "morder a alma até aos ossos" sugere uma vivência radical, profunda e sem subterfúgios do próprio ser, enfrentando as dores, contradições e verdades mais íntimas. A liberdade e a paz descritas por Saramago não surgem da ilusão ou da fuga, mas sim do autoconhecimento doloroso e corajoso. Quem mergulhou tão fundo em si mesmo ("viajou à roda do mundo infatigável") alcança o sorriso de quem se reconhece e aceita integralmente.

05 – Qual é a reflexão final trazida pelos versos "Cada um de nós é por enquanto a vida. / Isso nos baste"?

      A estrofe final traz uma mensagem de aceitação da finitude e de valorização do presente. A expressão "por enquanto" lembra a transitoriedade da existência, ressaltando que somos portadores temporários da vida. Ao concluir que "isso nos baste", o eu lírico propõe o desapego de pretensões grandiosas e a celebração do simples fato de existir. Viver o agora e ser a própria vida, mesmo que por um breve período, é o suficiente para dar sentido à experiência humana.

 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

POEMA: SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO

             Mário Quintana

 

Uma procissão de espantalhos,

pela miséria colorida,

pelos atalhos

vinha:

pediam vida, queriam vida!

E as suas caras eram trágicas

Porque tinham todas a mesma expressão

-- que era o mesmo que não terem

E tão insuportável era aquela cara única

que a polícia atirou em cima deles bombas

de gás hilariante.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg8RHFPiSXB2VlNnOjwQdhWBXYd9hYqKPQNwFATUR4SM2w5mPahid4db-byw-WfzseYuvAkIn4gGUj7infa4ZECtYTVQ_RQbOK-ZcB9_tfPagY7eOJ1-WZU5sT2UPHZTBKtDD0leZ8vlPsrruPkWcV6CPmAmWeP5-Ap7laUb939TkjrGSQqVPyblaqVvtM/s1600/images.jpg
  


Nenhum espantalho riu.

A procissão continuou,

a procissão está agora em plena Estrada Real

enquanto

pelos atalhos

por toda a parte

por cima dos gramados

por cima dos corpos atropelados

os automóveis fogem como baratas.

 

Mário Quintana. Caderno H. São Paulo, Globo.

 

Entendendo o poema:

01 – Nesse texto, a ideia da “procissão de espantalhos” ora é indicada por verbos e expressões no singular, para marcar sua união; ora por verbos e expressões no plural, para marcar a quantidade de espantalhos. Transcreva um exemplo de cada caso.

      “Pelos atalhos 'vinha'”; "pediam 'vida' ", “‘queriam' vida".

 

02 – Esse emprego no singular e plural é um desvio do padrão culto da língua, pois, optando-se por uma concordância, seria de esperar que ela se mantivesse. Analise o poema com atenção e explique se o desvio deve ser considerado um erro um ou recurso expressivo.

      Evidentemente, trata-se de um desvio estilístico, é um recurso expressivo utilizado INTENCIONALMENTE pelo autor, portanto não há indícios de erro gramatical, já que o autor o fez para expressar melhor o sentido do poema.

 

03 – O que representam a "procissão de espantalhos" e a sua "mesma expressão" trágica no contexto social abordado pelo poema?

      A "procissão de espantalhos" simboliza as populações marginalizadas, invisíveis ou empobrecidas da sociedade ("miséria colorida"). O uso da figura do espantalho remete a algo feito de trapos, sem vida real, colocado apenas às margens. A "mesma expressão" (ou ausência de expressão individual) representa a perda da identidade e a desumanização causadas pela extrema pobreza e pela exclusão social, transformando a massa de esquecidos em uma figura única, trágica e uniforme.

 

04 – Qual é o significado da reação da polícia ao atirar bombas de gás hilariante e do fato de que "Nenhum espantalho riu"?

      A atitude da polícia representa a tentativa do Estado de alienar, conter ou mascarar a dor social por meio de uma falsa leveza ou repressão ironicamente maquiada (o gás hilariante em vez de uma solução real para a "falta de vida"). A reação nula — "Nenhum espantalho riu" — demonstra a profundidade da tragédia e da dor daquelas pessoas: a miséria e a desesperança são tão absolutas que nem mesmo o efeito coercitivo ou ilusório do gás consegue forçar um riso artificial.

 

05 – Como a metáfora final dos "automóveis que fogem como baratas" dialoga com a diferença entre as classes sociais no poema?

      A metáfora estabelece um forte contraste entre a elite/classe média motorizada e os caminhantes marginalizados. Enquanto os "espantalhos" marcham a pé pedindo vida, os automóveis trafegam velozes "por cima dos corpos atropelados", demonstrando a indiferença e a crueldade do progresso urbano. A comparação dos carros a "baratas" inverte a lógica do status: o automóvel, símbolo de poder e modernidade, é reduzido a um inseto repulsivo que foge de forma desordenada para ignorar a realidade social ao seu redor.

 

 

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

POEMA: PAROLAGEM DA VIDA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: Parolagem da Vida

           Carlos Drummond de Andrade

Como a vida muda.
Como a vida é muda.
Como a vida é nula.
Como a vida é nada.
Como a vida é tudo.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj_DiJZ58DPR0IrN0XuMYyz18lob5HlyPcvXpFyH6kL6LF-IXfBQC204ms-lbulyJRnIqVXFnlk5A5QMDMd9DrHeyY10hK2upKlGWg1wV1KL1JZdB7oRHN0RISOksAFnxFXuqOTB90m6IrI1HG-s39T-Cv-aVJCpevZka70yoUuOyXrpOhyphenhyphenlqkgASG0hxk/s1600/images.png



Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.
Como a vida é forte
em suas algemas.
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.
Como a vida é isto
misturado àquilo.
Como a vida é bela
sendo uma pantera
de garra quebrada.
Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora
de saber que é vida
e nunca nunca nunca
leva a sério o homem,
esse lobisomem.
Como a vida ri
a cada manhã
de seu próprio absurdo
e a cada momento
dá de novo a todos
uma prenda estranha.
Como a vida joga
de paz e de guerra
povoando a terra
de leis e fantasmas.
Como a vida toca
seu gasto realejo
fazendo da valsa
um puro Vivaldi.
Como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida
em flor e formiga
em seixo rolado
peito desolado
coração amante.
E como se salva
a uma só palavra
escrita no sangue
desde o nascimento:
amor, vidamor!

Carlos Drummond de Andrade. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988, p. 390.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 220.

Entendendo o poema:

01 – O título do poema utiliza a palavra "Parolagem" (verborragia, falação sem utilidade). Como essa escolha de título contrasta com a construção dos primeiros versos ("Como a vida muda. / Como a vida é muda...") e qual o efeito de sentido desse jogo fonético?

      A palavra "parolagem" sugere um excesso de palavras fúteis. Drummond usa essa ideia de forma irônica: o poema tenta definir a vida por meio de um acúmulo de tentativas linguísticas, mas esbarra na impossibilidade de enquadrá-la em um único conceito. Nos versos iniciais, o poeta joga com a paronímia entre as palavras "muda" (do verbo mudar) e "muda" (ausência de som/fala). Esse recurso demonstra a mobilidade inconstante da existência e, ao mesmo tempo, o seu silêncio enigmático diante das inquietações humanas, mostrando que a "parolagem" é a tentativa verbal do homem de dar sentido a algo que é mutável e calado.

02 – Ao longo de todo o poema, a vida é caracterizada por pares de opostos (antíteses e paradoxos), como em "Como a vida é nada. / Como a vida é tudo". Identifique outro paradoxo no texto e explique de que modo essa estrutura dialoga com a temática central da obra.

      Outro paradoxo marcante ocorre no verso "Como a vida é vida / ainda quando morte / esculpida em vida". Essa construção expressa que a finitude e a mortalidade fazem parte da própria substância do viver. A estrutura baseada em contradições é fundamental no poema porque reflete a visão drummondiana da existência como algo indecifrável, pleno de polaridades (tudo/nada, paz/guerra, ganho/perda). Para o poeta, a vida não é uma linha reta coerente, mas a convivência simultânea de forças antagônicas.

03 – Na estrofe "Como a vida é bela / sendo uma pantera / de garra quebrada", o eu lírico constrói uma metáfora singular para a beleza da vida. Qual é o significado da imagem da "pantera de garra quebrada"?

      A pantera é um animal associado à força, ao perigo, à selvageria e à elegância. No entanto, ao apresentá-la com a "garra quebrada", o poema insere o elemento da vulnerabilidade, do ferimento e da imperfeição. A beleza da vida, portanto, não reside em um estado intocado de perfeição ou controle, mas sim em sua capacidade de permanecer altiva, selvagem e fascinante mesmo quando ferida e fragilizada pelas adversidades da existência.

04 – Nos versos "Como a vida chora / de saber que é vida / e nunca nunca nunca / leva a sério o homem, / esse lobisomem", de que maneira o eu lírico caracteriza a figura humana e seu papel perante a existência?

      O homem é caracterizado ironicamente como um "lobisomem", metáfora que remete à sua dualidade, instabilidade e natureza bestial/irracional. A vida "nunca leva a sério o homem" porque as pretensões, vaidades e ilusões de controle da humanidade são insignificantes diante do fluxo maior do universo. A vida lamenta sua própria consciência de existir, enquanto assiste às contradições e ao papel quase caricato e trágico desempenhado pelo ser humano.

05 – Analise os versos "Como a vida toca / seu gasto realejo / fazendo da valsa / um puro Vivaldi". Qual é a metáfora presente no "realejo" e o que significa transformar a "valsa" em "Vivaldi"?

      O "gasto realejo" simboliza a rotina repetitiva, gasta e ordinária da existência. No entanto, a vida possui a capacidade de sublimar essa repetição mecânica: ao transformar uma simples "valsa" (música popular/dançante) em um "puro Vivaldi" (referência à alta música clássica e complexa), o poema indica a capacidade da existência de extrair arte, transcendência e sublime daquilo que é banal e desgastado no cotidiano.

06 – Na estrofe final, o eu lírico afirma que a vida é "sempre renascida / em flor e formiga / em seixo rolado / peito desolado / coração amante". De que forma a enumeração desses elementos representa a manifestação da vida?

      A enumeração reúne elementos do reino vegetal (flor), animal (formiga), mineral (seixo rolado) e subjetivo/humano (peito desolado, coração amante). Essa diversidade demonstra que a vida não se restringe à experiência humana nem às emoções nobres; ela é uma força impessoal, democrática e contínua que se renova em qualquer matéria ou estado, seja no sofrimento ("peito desolado") ou no afeto ("coração amante").

07 – O poema culmina nos versos "E como se salva / a uma só palavra / escrita no sangue / desde o nascimento: / amor, vidamor!". Qual é o papel da palavra "amor" e da neologização "vidamor" na conclusão da poesia?

      Após catalogar os absurdos, dores, ironias e contradições da existência, o poema encontra sua síntese e redenção na força do amor. A fusão vocabular neológica "vidamor" unifica visceralmente as duas instâncias: a vida só ganha sentido e salvação quando fundida intrinsecamente ao amor. Esse sentimento é apresentado como algo gravado biologicamente e existencialmente na essência humana ("escrita no sangue desde o nascimento"), funcionando como a resposta final para vencer o absurdo do mundo.

 

domingo, 23 de agosto de 2026

POEMA: O QUE NÓS VEMOS DAS COUSAS SÃO AS COUSAS - ALBERTO CAEIRO - COM GABARITO

 Poema: O que nós vemos das cousas são as cousas

        Alberto Caeiro

O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg97oFbl5wSK7T0yWLSk4LCIU4J-yFj_zdwJy-aOv9pe_RGPKvemxgqntAEoGL_gMSnwvyNbYmY6atPprjewEqN3v3_29Rjb-Fub3ZEhOq6fySDqG0U0nntgU3Toc99YOZH8imh-C9gLpJQN66IDPbvuFd3cNbNFPPvJwsufIsHTr0uQXFHxwtzWtKmKM4/s1600/images%20(1).jpg



Fernando Pessoa. In: Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 217.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 89.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a premissa filosófica fundamental defendida por Alberto Caeiro na primeira estrofe do poema?

a) A negação do dualismo entre a aparência e a essência das coisas.

b) A supremacia da razão sobre as impressões sensoriais imediatas.

c) A impossibilidade de alcançar o conhecimento através dos sentidos.

d) A busca por um significado oculto e transcendente na natureza.

02 – Segundo a segunda estrofe, qual é o principal obstáculo que impede o ser humano de atingir a verdadeira percepção da realidade?

a) A limitação biológica dos órgãos dos sentidos como olhos e ouvidos.

b) A interferência do pensamento racional no ato de contemplação.

c) A recusa em aceitar interpretações simbólicas e metafóricas.

d) A escassez de elementos naturais disponíveis para observação.

03 – O que a metáfora 'trazer a alma vestida' simboliza no contexto do poema?

a) A incapacidade de expressar emoções puras na escrita literária.

b) A modéstia moral e a religiosidade profunda do sujeito poético.

c) A proteção do espírito humano contra as intempéries do mundo.

d) O peso das construções culturais, filosóficas e abstrações intelectuais.

04 – Qual processo é caracterizado no poema pela expressão 'uma aprendizagem de desaprender'?

a) O abandono do convívio social em busca de um isolamento monástico.

b) A rejeição formal do uso de regras gramaticais e métricas na poesia.

c) O desmonte de conceitos abstratos para recuperar a visão simples da natureza.

d) O esquecimento das memórias da infância para alcançar a maturidade.

05 – Como o eu lírico posiciona a sua visão de mundo frente à tradição poética convencional na última estrofe?

a) Defendendo a atribuição de virtudes humanas aos fenômenos da natureza.

b) Exaltando as figuras de linguagem tradicionais como revelação da verdade.

c) Substituindo os símbolos clássicos por novas alegorias filosóficas.

d) Recusando as atribuições metafóricas e reduzindo os elementos à sua existência física.

 

POEMA: NÃO SEI. FALTA-ME UM SENTIDO, UM TACTO - ÁLVARO DE CAMPOS - COM GABARITO

 Poema: Não sei. Falta-me um sentido, um tacto

            Álvaro de Campos

Não sei. Falta-me um sentido, um tacto

Para a vida, para o amor, para a glória...

Para que serve qualquer história,

Ou qualquer facto?

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxizCk_ocrqq5ckLE01LJWHxgcCnVejrsxoPZr1Zdi0nLAah-57TM-5HDOX3EIPgZBhpSc6Mc2CQjZhSnlKrjgv19zoA-h-T95vFs-tSLXtHwcWIVZqGTBGm_-etkYos1qBK0HIxEKJtllfv3D0si0ksUECGtYB26LZZMZFU77RpMG80B5mNCKq5r0kFY/s320/images.jpg
 
 

Estou só, só como ninguém ainda esteve,

Oco dentro de mim, sem depois nem antes.

Parece que passam sem ver-me os instantes,

Mas passam sem que o seu passo seja leve.

 

Começo a ler, mas cansa-me o que inda não li.

Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir.

O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir

É tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi.

 

Não ser nada, ser uma figura de romance,

Sem vida, sem morte material, uma ideia,

Qualquer coisa que nada tornasse útil ou feia,

Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe.

Fernando Pessoa. In: Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 356.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 85.

Entendendo o poema:

01 – Em qual das fases estilísticas do heterónimo Álvaro de Campos este poema melhor se enquadra?

a) Fase de celebração do futurismo moderno.

b) Fase de abulia e pessimismo existencial.

c) Fase de exaltação da natureza rural.

d) Fase de regresso à infância e nostalgia.

02 – Qual sentimento do eu lírico é sintetizado pela metáfora do verso 'Oco dentro de mim'?

a) A frustração financeira resultante de ambições fracassadas.

b) O esvaziamento interior e a perda de referências temporais.

c) O desejo iminente de construir uma nova identidade.

d) A raiva intensa provocada pela rejeição amorosa.

03 – O que caracteriza a relação do sujeito poético com o ato de pensar e sentir na terceira estrofe do poema?

a) A antecipação dolorosa e o cansaço prévio das experiências.

b) A busca incansável por novos conhecimentos e aprendizados.

c) A satisfação plena com as conclusões lógicas do raciocínio.

d) O entusiasmo infantil diante das possibilidades de sonhar.

04 – Na última estrofe, por que o eu lírico expressa o desejo de 'ser uma figura de romance'?

a) Para escapar às dores da existência e da finitude física.

b) Para manipular o destino de outras pessoas reais.

c) Para viver grandes aventuras e paixões dramáticas.

d) Para conquistar a fama e o reconhecimento literário.

05 – De acordo com a segunda estrofe, de que maneira o eu lírico percebe o transcorrer do tempo?

a) Como uma ilusão criada pela mente para enganar a razão.

b) Como um fluxo rápido que traz alívio imediato às dores.

c) Como uma oportunidade constante de renovação pessoal.

d) Como um fardo pesado que transcorre de forma indiferente.

 

 

 

POEMA: O LUAR ATRAVÉS DOS ALTOS RAMOS - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: O luar através dos altos ramos

           Fernando Pessoa

O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.


Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos.

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhp3-7Eyh-LbstAJvANwPC_wf7oS6CsBSF-q-nvGUPxBhjxzlikL7i3VIPgiKhGnEXUDC1HAF6ZsaMDsi-jdrqbWlpUlaHTb0Q4fZBb8cc-KmvZYiUSby251e8Uayv49jtcOorgHc7x9KeHtZKnc3iy2-ksbHK9-ZwMfiypdvNhvO8r_QW27t-__sZGNXQ/s320/images.jpg

Fernando Pessoa. In: Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 222.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 90.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal crítica feita à tradição poética convencional na primeira estrofe do poema?

a) A atribuição de significados simbólicos e transcendentes aos fenômenos naturais.

b) O uso recorrente de descrições visuais puramente objetivas sobre a paisagem.

c) A valorização excessiva da forma métrica em detrimento do conteúdo poético.

d) A incapacidade de expressar emoções humanas profundas por meio da linguagem.

02 – O uso reiterado do verso 'O luar através dos altos ramos' ao longo de todo o texto produz qual efeito de sentido?

a) A negação de uma dimensão metafísica para além da própria realidade física observada.

b) A demonstração de uma limitação vocabular do eu lírico para descrever o cenário.

c) A construção de uma atmosfera de mistério e desolação típica do romantismo.

d) A tentativa de convencer o leitor sobre a complexidade oculta da natureza.

03 – De que maneira a expressão 'que não sei o que penso' reflete a postura do sujeito poético?

a) Pela dúvida metódica que busca provar a inexistência dos objetos materiais.

b) Pela confissão de uma angústia existencial provocada pela ignorância do mundo.

c) Pelo desejo de alcançar o conhecimento teórico por meio do estudo filosófico.

d) A recusa do intelectualismo e a valorização da percepção direta da realidade.

04 – Explique qual a função da repetição insistente, presente nesses versos.

      Por meio da repetição, o eu lírico enfatiza que não há nada além do que se pode ver e, assim, divulga a ideia de que nada existe além dos nossos sentidos.

 

 

 

 

POEMA: NEVOEIRO - FRAGMENTO - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: NEVOEIRO – Fragmento

           Fernando Pessoa

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,

Define com perfil e ser

Este fulgor baço da terra

Que é Portugal a entristecer —

Brilho sem luz e sem arder

Como o que o fogo-fátuo encerra.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJaTKL7eQf4eqhgDFwfabw-TsZNgkggfC8BMliCty9F4kv0Rkc-MgByqyHsZdCsEyAH0Ep9bfkNyCgN76MToUDYOKcc8LygqhXunqvYXcN4EIYf_KQL6MP_SsdUBaptUTg9mEeDvOalk0I2nTm3RZj9c-rrNDsZudDDhRKc-LrPoqsoKYDq0DItXufT-k/s320/images.jpg 

Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

 

É a hora! [...].

Fernando Pessoa. In: Obra poética (com atualização ortográfica). Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 89.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 94.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o tema central do poema "Nevoeiro" e qual é o estado de Portugal descrito pelo poeta?

      O tema central é a decadência, a indefinição e a perda de identidade da nação portuguesa em seu presente histórico. O poeta descreve Portugal como um país num estado de torpor, incerteza e estagnação, simbolizado pela imagem do "nevoeiro" — uma atmosfera em que "tudo é disperso" e "nada é inteiro".

02 – O que significa a metáfora do "fogo-fátuo" na primeira estrofe?

      O "fogo-fátuo" é um brilho ilusório, sem luz real e sem calor para aquecer ou transformar ("brilho sem luz e sem arder"). A metáfora reflete a situação de Portugal, que vive de glórias do passado, mas na atualidade apresenta apenas um brilho falso e sem força vital, representando o "fulgor baço da terra".

03 – Como os anáforas e as negações ("Nem...", "Ninguém...", "Tudo...") contribuem para o sentido da segunda estrofe?

      O uso repetido de termos negativos e generalizantes reforça a ideia de indefinição, ignorância e crise moral que assola o povo. Ao dizer que "ninguém sabe", "ninguém conhece" e que "tudo é incerto", Pessoa enfatiza o extravio da alma coletiva portuguesa e o desorteio espiritual e político da nação.

04 – Qual é o significado simbólico do verso final "É a hora!" dentro do contexto da obra Mensagem?

      O verso "É a hora!" representa o chamado para o despertar e para a regeneração espiritual da nação. Apesar do cenário desolador do "nevoeiro", a expressão marca o ápice do Sebastianismo: o momento de superação da estagnação para a construção de um novo império espiritual (o Quinto Império).

05 – Em qual das três partes da obra Mensagem o poema "Nevoeiro" está localizado e qual a sua importância estrutural?

      "Nevoeiro" é o poema que encerra a terceira e última parte do livro Mensagem, intitulada "O Encoberto". Sua importância estrutural reside no fato de fechar o ciclo de glorificação do passado e constatação da decadência presente, deixando a porta aberta, na última linha, para o futuro redentor de Portugal.

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

POEMA: ODE MARÍTIMA - FRAGMENTO - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: Ode Marítima – Fragmento

          Fernando Pessoa

[...]

Maravilhosa vida marítima moderna,
Toda limpeza, máquinas e saúde!
Tudo tão bem arranjado, tão espontaneamente ajustado,
Todas as peças das máquinas, todos os navios pelos mares,
Todos os elementos da atividade comercial de exportação e importação
Tão maravilhosamente combinando-se
Que corre tudo como se fosse por leis naturais,
Nenhuma coisa esbarrando com outra!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiORoDyd6m_Wz0WBvwZfAx1Aye3SyS5-X5wYF664WbL03bhoF_yzP8vQ9R_OWKYhxKvZtmI3XmYFUhSC4AcYqAh8ooTyfUa9Y6RiC5HNCrmtIxhsm2KvY7QTU6npgXucpgqypkpxQIzqOvJkxtyCkdhbrnTS7F2qEs3NBfkEtmRXycyinTJpohgvRKwaO8/s1600/images.jpg



Nada perdeu a poesia. E agora há a mais as máquinas
Com a sua poesia também, e todo o novo género de vida
Comercial, mundana, intelectual, sentimental, [...]

Os portos cheios de vapores de muitas espécies!
Pequenos, grandes, de várias cores, com várias disposições de vigias,
De tão deliciosamente tantas companhias de navegação! [...]

A mistura de gente a bordo dos navios de passageiros
Dá-me o orgulho moderno de viver numa época onde é tão fácil
Misturarem-se as raças, transporem-se os espaços, ver com facilidade todas as coisas,
E gozar a vida realizando um grande número de sonhos. [...]

Fernando Pessoa. In: Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. p. 332-333.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 83.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a postura do eu lírico em relação ao mundo moderno e à tecnologia no início do trecho?

      O eu lírico demonstra um sentimento de fascínio e admiração. Ele exalta a "maravilhosa vida marítima moderna" destacando a limpeza, a eficiência das máquinas, a organização da atividade comercial de exportação/importação e a perfeita articulação entre as peças e os navios.

02 – Segundo o eu lírico, o surgimento das máquinas destruiu a poesia tradicional? Justifique com um elemento do texto.

      Não. O eu lírico afirma categoricamente que "nada perdeu a poesia". Para ele, a modernidade trouxe uma nova dimensão poética, agregando às coisas a "poesia das máquinas" e todo um novo estilo de vida comercial, intelectual e sentimental.

03 – Como o funcionamento das máquinas e das rotas de exportação/importação é comparado pelo poeta?

      A harmonia e a precisão do sistema comercial e mecânico são tão perfeitas que, segundo o poeta, tudo funciona "como se fosse por leis naturais", sem que nenhuma peça ou elemento esbarre ou entre em conflito com o outro.

04 – De que modo o eu lírico descreve os portos e os navios que neles circulam?

      Os portos são descritos como locais dinâmicos e vibrantes, cheios de vapores de diversas espécies, cores, tamanhos e arranjos de vigias, pertencentes a uma deliciosa variedade de companhias de navegação.

05 – Por que a mistura de passageiros a bordo dos navios desperta orgulho no eu lírico em relação à sua época?

      A convivência e o trânsito de pessoas a bordo despertam o "orgulho moderno" porque simbolizam a facilidade da época em promover a mistura de raças, a superação das distâncias geográficas ("transporem-se os espaços"), a ampliação do olhar e a realização prática de uma grande quantidade de sonhos.