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quarta-feira, 2 de abril de 2025

POESIA: PLENA NUDEZ - RAIMUNDO CORREIA - COM GABARITO

 Poesia: Plena nudez

             Raimundo Correia

Eu amo os gregos tipos de escultura:
Pagãs nuas no mármore entalhadas;
Não essas produções que a estufa escura
Das modas cria, tortas e enfezadas.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjinLTTNofp1tSO1rvfzgLvW5CJfRgqXh0SfWqDk9-EmzPH91Ka_HQR2KhlDU0R3jU1Ahp-LX2eo-LL8mHZssTaJN9nb2R7aTba3ChR6Q9bboNlRgcF-MvS_m07axzaPFXdXkhcrw2vqxYD5JKg4DXJKPEyyhBetF9zKpMPxrgmauJfHliKpHPk9JqfPTY/s320/png-transparent-statue-figurine-classical-sculpture-ancient-greek-sculpture-woman-people-stone-stone-carving-thumbnail.png



Quero um pleno esplendor, viço e frescura
Os corpos nus; as linhas onduladas
Livres: de carne exuberante e pura
Todas as saliências destacadas...

Não quero, a Vênus opulenta e bela
De luxuriantes formas, entrevê-la
De transparente túnica através:

Quero vê-la, sem pejo, sem receios,
Os braços nus, o dorso nu, os seios
Nus... toda nua, da cabeça aos pés!

CORREIA, Raimundo. Plena nudez. In: Poesia. 4. ed. Rio de Janeiro, Agir, 1976. p. 24. (Col. Nossos clássicos).

 Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. João Domingues Maia – Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 276.

Entendendo a poesia:

01 – Qual a principal característica da nudez que o eu lírico exalta no poema?

      O eu lírico exalta a nudez plena, sem artifícios ou disfarces, inspirada nas esculturas gregas clássicas. Ele valoriza a beleza natural do corpo humano, com suas linhas e formas exuberantes.

02 – Qual a crítica presente nos primeiros versos do poema?

      O eu lírico critica as produções artísticas da época, que ele considera "tortas e enfezadas", influenciadas pelas "modas" e pela "estufa escura" (possivelmente referindo-se aos padrões estéticos artificiais).

03 – Qual o ideal de beleza feminina que o eu lírico busca no poema?

      O eu lírico busca um ideal de beleza feminina que se manifeste em "pleno esplendor, viço e frescura", com "carne exuberante e pura" e "todas as saliências destacadas". Ele deseja contemplar a nudez feminina em sua totalidade, sem pudores ou restrições.

04 – Como a referência à Vênus contribui para a construção do poema?

      A referência à Vênus, deusa da beleza e do amor, reforça o ideal de perfeição e exuberância que o eu lírico busca. Ele não deseja ver a deusa através de uma "transparente túnica", mas em sua plena nudez, sem véus ou artifícios.

05 – Qual a importância da forma poética (o soneto) para a expressão do tema no poema?

      A forma do soneto, com seus versos decassílabos e rimas precisas, confere um tom solene e clássico ao poema, aproximando-o da estética greco-romana que o eu lírico exalta. A estrutura fixa do soneto também contribui para a intensidade da expressão do desejo do eu lírico pela contemplação da nudez plena.

 

 

POESIA: O ACENDEDOR DE LAMPIÕES - JORGE DE LIMA - COM GABARITO

 Poesia: O ACENDEDOR DE LAMPIOES

             Jorge de Lima

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!

Este mesmo que vem infatigavelmente,

Parodiar o sol e associar-se à lua

Quando a sombra da noite enegrece o poente!

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjMCt6FccCsDuh0gL-i1rVumYczqS8S-nd6sKj3xHIXg8Ku0F3qZdfhU76Zqchy8RZhyphenhyphenVjRqv4l-x-TD40SUR-khCjqze55FwUZF0FYdA3pcE9aofLbTHBK7OgUpddMsTS8vY1eZeVjaGlnWk2dmly4gA0xOvADW4LTNgWWBPsE1U-DfuSmGY9vfmxOjJE/s320/hqdefault.jpg


 

Um, dois, três lampiões, acende e continua

Outros mais a acender imperturbavelmente,

À medida que a noite aos poucos se acentua

E a palidez da lua apenas se presente.

 

Triste ironia atroz o senso humano irrita:-

Ele que doira a noite ilumina a cidade,

Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

 

Tanta gente também nos outros insinua

Crenças, religiões, amor, felicidade,

Como este acendedor de lampiões da rua!

LIMA, Jorge de. Acendedor de lampiões. In: Poesias completas. Rio de Janeiro, Aguilar, 1974. v. 1. p. 62.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. João Domingues Maia – Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 358.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é a principal ironia presente no poema?

      A principal ironia é a de que o acendedor de lampiões, que ilumina a cidade, possivelmente vive na escuridão de sua própria casa. Essa ironia serve para criticar a hipocrisia e a desigualdade social.

02 – Como o trabalho do acendedor de lampiões é descrito no poema?

      O trabalho do acendedor é descrito como algo constante e infatigável. Ele acende os lampiões à medida que a noite cai, parodiando o sol e associando-se à lua, em um ciclo repetitivo.

03 – Qual a comparação feita no último verso do poema?

      O eu lírico compara o acendedor de lampiões àqueles que "insinuam crenças, religiões, amor, felicidade" aos outros, sugerindo que muitas vezes oferecemos aos outros o que nós mesmos não possuímos.

04 – Que tom o poema utiliza para descrever a realidade do acendedor de lampiões?

      O poema utiliza um tom de melancolia e ironia para descrever a realidade do acendedor. Há uma tristeza implícita na constatação da desigualdade e da hipocrisia presentes na sociedade.

05 – Qual a relevância do acendedor de lampiões como figura poética?

      O acendedor de lampiões simboliza a figura do trabalhador anônimo, que cumpre sua função sem reconhecimento, e ao mesmo tempo representa a contradição entre a aparência e a realidade, entre o que se oferece e o que se possui.

 

POESIA: A CAMÕES - MANUEL BANDEIRA - COM GABARITO

 

Poesia: A Camões

            Manuel Bandeira

Quando n’alma pesar de tua raça
A névoa da apagada e vil tristeza,
Busque ela sempre a glória que não passa,
Em teu poema de heroísmo e de beleza.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkaOU3GkUZhk2TX6xkvzjAQdWu3HpEZEm6ZfFh4mSOuyJh196kpSbALahibjWWjec1F8gG20HMFNXE82blp5yD8tE-UnAtSckFJH3w7mEu4dq0wqL2lqZWBh7_-v1_M1tNkTbOih6lxz-Z5ACz4KhSnXDkBsumzrw9YBkUAEvfRJkTTzYH8RqBHJRoDOA/s320/maxresdefault.jpg

Gênio purificado na desgraça,
Tu resumiste em ti toda a grandeza:
Poeta e soldado… Em ti brilhou sem jaça
O amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente
Da estirpe que em perigos sublimados
Plantou a cruz em cada continente,

Não morrerá, sem poetas nem soldados,
A língua em que cantaste rudemente
As armas e os barões assinalados.

BANDEIRA, Manuel. “A Camões”. In: Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro, José Olympio, 1970. p. 7.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. João Domingues Maia – Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 16 (Apresentação).

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o tema central do poema "A Camões" de Manuel Bandeira?

      O poema é uma homenagem a Luís de Camões, o grande poeta português, e exalta sua figura como símbolo da grandeza da língua portuguesa e do espírito heroico de Portugal.

02 – Como Manuel Bandeira descreve Camões no poema?

      Bandeira descreve Camões como um "gênio purificado na desgraça", um poeta e soldado que personificou a grandeza e o amor à pátria portuguesa. Ele destaca a força e a beleza da poesia de Camões, capaz de inspirar a alma portuguesa mesmo em momentos de tristeza.

03 – Qual é a importância da língua portuguesa no poema?

      A língua portuguesa é celebrada como um elo entre o passado heroico de Portugal e o presente. Bandeira afirma que, enquanto a poesia de Camões ecoar na mente dos portugueses, a língua permanecerá viva e forte.

04 – O que o poema sugere sobre o legado de Camões para a cultura portuguesa?

      O poema sugere que o legado de Camões transcende o tempo, servindo como fonte de inspiração e orgulho para as futuras gerações de portugueses. Sua poesia é vista como um símbolo da identidade nacional e da capacidade de superação diante das adversidades.

05 – Qual é o significado da expressão "as armas e os barões assinalados" no poema?

      Essa expressão é uma referência direta à obra-prima de Camões, "Os Lusíadas", que narra os feitos heroicos dos navegadores portugueses. No poema de Bandeira, ela simboliza a grandiosidade da epopeia portuguesa e a importância da obra de Camões como um marco da literatura em língua portuguesa.

 

 


POESIA: SONETO DO MAIOR AMOR - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Poesia: Soneto do maior amor

             Vinicius de Moraes

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh7nRHijxSJcuFb2j2OWTUVANJgOdeTBSZX1kTUCAt9T0t4TtMoDW9qaCT2uGtWaILi7aftiVglNtlp08q_PA0R_iW49tDB0RHNgwRFP8FslJydu80874mKi6PTJuuk7uueuC95EYovb05D381VqEcKwCpi89ofEPUzeMZhjqrSZvaQZDAH1gbn520kjeM/s320/hqdefault.jpg



E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu que quando toca, fere
E quando fere, vibra, mas prefere
Ferir a fenecer — e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

MORAES, Vinícius de. Soneto do maior amor. In: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1985. p. 202.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. João Domingues Maia – Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 362.

Entendendo a poesia:

01 – Qual a principal característica do amor descrito no poema?

      O amor descrito no poema é paradoxal e contraditório. O eu lírico expressa um amor que se manifesta de forma incomum, onde a alegria do amado causa tristeza e a tristeza, alegria.

02 – Como o eu lírico descreve a relação entre o amor e a dor?

      O eu lírico descreve uma relação intensa entre amor e dor. Ele afirma que seu amor fere quando toca, mas que essa ferida gera uma vibração, e que prefere ferir a definhar.

03 – Qual a importância da contradição na expressão do amor no poema?

      A contradição é essencial para expressar a complexidade do amor descrito. Ela revela um amor que não se encaixa em padrões convencionais, um amor que desafia a lógica e se manifesta de forma intensa e paradoxal.

04 – Como o eu lírico se sente em relação à "eterna aventura" do amor?

      O eu lírico se agrada mais da "eterna aventura" do amor, mesmo com suas dores e contradições, do que de uma vida sem essa paixão. Ele valoriza a intensidade do amor, mesmo que essa intensidade traga sofrimento.

05 – Qual a imagem final que o poema constrói do amor?

      A imagem final é de um amor "desassombrado, doido, delirante", que vive "numa paixão de tudo e de si mesmo". Essa imagem reforça a ideia de um amor intenso, avassalador e que se basta em sua própria complexidade.

POESIA: LI HOJE QUASE DUAS PÁGINAS - XXVIII - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poesia: Li hoje quase duas páginas – XXVIII

             Fernando Pessoa 

Li hoje quase duas páginas

Do livro dum poeta místico,

E ri como quem tem chorado muito.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjs-3aqZa2yr-CLlWZwai6-_cqMoviDg41K2VXLVt_PgcclRx3cfIRdcNc2Fd7baGOUxkt7JhXyy9s8-zMDdgnr_JeksPU_aIVgeRlAyKbnAbN92erKQKxS5O6Vzj8Qz51_7UyOyKaAlXp2RzSTZ-ngurY15JsKqSfV_d6m5YaJ-CV93IjdY1OGxFT8NsU/s320/maomc3a9-e-o-anjo-gabriel.jpg

Os poetas místicos são filósofos doentes,

E os filósofos são homens doidos.

 

Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem

E dizem que as pedras têm alma

E que os rios têm êxtases ao luar.

 

Mas as flores, se sentissem, não eram flores,

Eram gente;

E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;

E se os rios tivessem êxtases ao luar,

Os rios seriam homens doentes.

 

É preciso não saber o que são flores e pedras e rios

Para falar dos sentimentos deles.

Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,

É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.

Graças a Deus que as pedras são só pedras,

E que os rios não são senão rios,

E que as flores são apenas flores.

 

Por mim, escrevo a prosa dos meus versos

E fico contente,

Porque sei que compreendo a Natureza por fora;

E não a compreendo por dentro

Porque a Natureza não tem dentro;

Senão não era a Natureza.

PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1986. p. 153.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. João Domingues Maia – Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 422.

Entendendo a poesia:

01 – Qual a crítica central do poema em relação aos poetas místicos?

      A crítica central é que os poetas místicos antropomorfizam a natureza, atribuindo sentimentos e características humanas a elementos como flores, pedras e rios. Para Caeiro, essa visão é uma "doença filosófica" que distorce a realidade.

02 – Como o eu lírico define a sua relação com a natureza?

      O eu lírico afirma que compreende a natureza "por fora", ou seja, de forma objetiva e factual. Ele rejeita a ideia de uma natureza com "dentro", com sentimentos ou alma, defendendo uma visão concreta e imediata do mundo.

03 – Qual o significado da frase "Graças a Deus que as pedras são só pedras"?

      Essa frase expressa a satisfação do eu lírico com a realidade objetiva das coisas. Ele celebra a simplicidade e a concretude da natureza, livre de interpretações místicas ou sentimentais.

04 – Como a linguagem do poema contribui para a expressão da visão do eu lírico?

      A linguagem do poema é direta, clara e concisa, refletindo a objetividade e a racionalidade do eu lírico. Ele utiliza frases curtas e afirmativas, evitando metáforas complexas ou ambiguidades.

05 – Qual a importância deste poema dentro da obra de Fernando Pessoa?

      Este poema é fundamental para compreender a visão de mundo de Alberto Caeiro, um dos heterônimos mais importantes de Fernando Pessoa. Caeiro representa uma filosofia da objetividade e da simplicidade, em contraste com a complexidade e a introspecção de outros heterônimos como Ricardo Reis e Álvaro de Campos.

 

 

POESIA: A VERDADE - LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - COM GABARITO

 Poesia: A Verdade

             Luís Fernando Veríssimo

        O homem é o único animal que ri dos outros. O homem é o único animal que passa por outro e finge que não vê. É o único que fala mais do que papagaio. É o único que gosta de escargots (fora, claro, o escargot). É o único que acha que Deus é parecido com ele. E é o único 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9EnauXGTjMj7FkiH24JexYmuS8I4opXJnEKakGpqE4bBGHy6AAgtkHKCNgSZXReD0pYlamELr36mwkh-pHlJ5y92kY9TKMTpsHZRyPWJs9jhwREt08evfq-L6s-r-1cq8dS83hH_IS0R2I1a6AhJX0kxWdSouN8RUdCp7ToUo2LpNk3HBUyjfIvxxF1c/s1600/images.jpg


...que se veste

...que veste os outros

...que despe os outros

...que faz o que gosta escondido

...que muda de cor quando se envergonha

...que se senta e cruza as pernas

...que sabe que vai morrer

...que pensa que é eterno

...que não tem uma linguagem comum a toda espécie

...que se tosa voluntariamente

...que lucra com os ovos dos outros

...que pensa que é anfíbio e morre afogado

...que tem bichos

...que joga no bicho

...que aposta nos outros

...que compra antenas

...que se compara com os outros

        O homem não é o único animal que alimenta e cuida das suas crias, mas é o único que depois usa isso para fazer chantagem emocional.

Não é o único que mata, mas é o único que vende a pele.

Não é o único que mata, mas é o único que manda matar.

E não é o único...

...que voa, mas é o único que paga para isso

...que constrói casa, mas é o único que precisa de fechadura

...que foge dos outros, mas é o único que chama isso de retirada estratégia.

...que trai, polui e aterroriza, mas é o único que se justifica

...que engole sapo, mas é o único que não faz isso pelo valor nutritivo

...que faz sexo, mas é o único que faz um boneco inflamável da fêmea

...que faz sexo, mas é o único que precisa de manual de instrução.

Poesia numa hora dessas? Porto Alegre: L&PM. p. 19.

Fonte: Livro – Português: Linguagem, 8ª Série – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 4ª ed. – São Paulo: Atual Editora, 2006. p. 46.

Entendendo a poesia:

01 – Qual a principal característica do ser humano destacada no início do poema?

      O poema destaca que o ser humano é o único animal que ri dos outros, evidenciando uma faceta crítica e satírica sobre a natureza humana.

02 – Quais as ações humanas listadas no poema que evidenciam comportamentos únicos da espécie?

      O poema lista diversas ações como vestir-se e vestir outros, fazer o que gosta escondido, mudar de cor ao sentir vergonha, cruzar as pernas ao sentar, ter consciência da própria mortalidade e acreditar na eternidade, entre outras.

03 – Qual a crítica presente nos versos que abordam a relação do ser humano com outros animais?

      O poema critica a exploração animal, destacando que o ser humano é o único que vende a pele de animais que mata e que usa a relação com suas crias para chantagem emocional.

04 – Como o poema aborda a relação do ser humano com a natureza?

      O poema critica a arrogância humana ao destacar que o ser humano se considera anfíbio e morre afogado, além de ser o único que polui e aterroriza o meio ambiente, justificando suas ações.

05 – Qual a visão do poema sobre o comportamento humano em relação ao sexo?

      O poema satiriza a complexidade humana ao mencionar que o ser humano precisa de manual de instruções para o sexo e cria bonecos infláveis como representação da fêmea.

06 – Qual o tom predominante do poema?

      O tom predominante do poema é satírico e crítico, utilizando o humor para evidenciar as contradições e absurdos do comportamento humano.

07 – Qual a mensagem central do poema?

      A mensagem central do poema é uma reflexão crítica sobre a natureza humana, destacando a complexidade, as contradições e os comportamentos únicos da espécie, muitas vezes de forma satírica e irônica.

 

sexta-feira, 28 de março de 2025

POESIA: PARA MASCAR COM CHICLETS - (FRAGMENTO) - JOÃO CABRAL DE MELO NETO - COM GABARITO

 Poesia: Para Mascar Com Chiclets – Fragmento

            João Cabral de Melo Neto

Quem subiu, no novelo do chiclets,

ao fim do fio, ou do desgastamento,

sem poder não sacudir fora, antes,

a borracha infensa e imune ao tempo;

imune ao tempo ou o tempo em coisa,

em pessoa, encarnado nessa borracha,

de tal maneira, e conforme ao tempo,

o chiclets ora se contrai, ora se dilata,

e consubstante ao tempo, se rompe,

interrompe, embora logo se remende,

e fique a romper-se, a remendar-se,

sem usura nem fim, do fio de sempre.

No entanto quem, e saberente que ele

não encarna o tempo em sua borracha,

quem já ficou num primeiro chiclets,

sem reincidir nessa coisa (ou nada).

[...]

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2M6bpVG4Q1fDyO_Z2_S2O8_NBf5rZkmRNhlpKV8dNqMB7X2Yo9uYGYkWcHgTixr5UKz_gIaSWYUk4sckvUNd6kLnxZB5JpTe7C1QXJxrO1FR8lydEkf3nbnxuBIvSmSU4rbIz2hfWFsvbH3cju7SBzcOY5mgE4XNAQ_VmLambljl6HLW27jzz3Tf8wKA/s320/CHICLETS.jpeg


Melo neto, João Cabral de. Obra completa. Rio de Janeiro, Aguilar, 1994.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. Faraco & Moura – 1ª edição – 4ª impressão. Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 403.

Entendendo a poesia:

01 – Qual a metáfora central do poema?

      A metáfora central do poema é a do chiclete como representação do tempo e da experiência humana. O chiclete, com sua capacidade de se esticar, romper e remendar, simboliza a natureza efêmera e contínua do tempo.

02 – Como o tempo é personificado no poema?

      O tempo é personificado na borracha do chiclete, que se contrai, dilata, rompe e remenda, refletindo a natureza mutável e cíclica do tempo.

03 – Qual a reflexão sobre a experiência humana presente no poema?

      O poema reflete sobre a tendência humana de repetir experiências, mesmo sabendo que elas não encarnam a essência do tempo. A pergunta "quem já ficou num primeiro chiclets, sem reincidir nessa coisa (ou nada)" sugere a dificuldade de romper com padrões repetitivos.

04 – Qual a visão do poeta sobre a natureza do tempo?

      O poeta apresenta uma visão do tempo como algo que está em constante movimento, transformação e renovação. O tempo é visto como uma força que molda a experiência humana, mas que não pode ser completamente compreendida ou controlada.

05 – Qual a importância da repetição no poema?

      A repetição de palavras e frases, como "imune ao tempo", "romper-se, a remendar-se" e "fio de sempre", enfatiza a natureza cíclica do tempo e a persistência da experiência humana. A repetição também cria um ritmo que imita o movimento contínuo do chiclete e do tempo.

 

domingo, 23 de março de 2025

POESIA: RIO NA SOMBRA - CECÍLIA MEIRELES - COM GABARITO

 Poesia: Rio na sombra

            Cecília Meireles

Som

frio.

 

Rio

Sombrio.

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgbvJtEZKRaoTEO3YiM_2pKdY2gY5aNxAmps-9BZGHQJYdBBMEd44uHBriWn2iL54u1GOSCZgSs7kUgGq4vlRH1w7OF3bKuDWubIvNrlgrhHXq2EPAD6F06r5iHti1WeoFJENGryvoOHAub5OjLmzOeQVqxGTH_fCZwUN07Km5Pi6GVxGYRcH209W4Mw8s/s320/SOMBRIO.jpg

O longo som

do rio

frio.

 

O frio

bom

do longo rio.

 

Tão longe,

tão bom,

tão frio

o claro som

do rio

sombrio!

Cecília Meireles, op. cit. p. 727.

Fonte: Lições de texto. Leitura e redação. José Luiz Fiorin / Francisco Platão Savioli. Editora Ática – 4ª edição – 3ª impressão – 2001 – São Paulo. p. 344-345.

Entendendo a poesia:

01 – Qual a atmosfera predominante no poema?

      A atmosfera predominante é de mistério e melancolia, criada pela repetição das palavras "sombrio" e "frio", que evocam uma sensação de escuridão e solidão.

02 – Qual a importância da sonoridade no poema?

      A sonoridade é essencial no poema, com a repetição dos sons "o" e "r" criando um ritmo lento e hipnótico, que imita o fluir do rio e intensifica a sensação de mistério.

03 – Qual o significado do contraste entre "frio" e "bom" no poema?

      O contraste entre "frio" e "bom" sugere uma ambiguidade na relação com o rio, que pode ser ao mesmo tempo assustador e reconfortante, representando talvez a dualidade da natureza ou das emoções humanas.

04 – Como a repetição de palavras contribui para o efeito do poema?

      A repetição de palavras como "rio", "som", "frio" e "sombrio" cria um efeito de eco, reforçando a atmosfera misteriosa e a sensação de imersão no ambiente do rio.

05 – Qual a interpretação possível para a expressão "claro som do rio sombrio"?

      A expressão paradoxal "claro som do rio sombrio" pode representar a beleza melancólica do rio, ou a ideia de que mesmo na escuridão e no mistério, há uma beleza sutil e luminosa.

 

 

terça-feira, 18 de março de 2025

POESIA: NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poesia: NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO

            Carlos Drummond de Andrade

Um sabiá

na palmeira, longe.

Estas aves cantam 

um outro canto.  

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxPR5Y-1G9Y2-rs7KZ7lpm5LWOqXIcMGGoRoKcJ1XHN6UW4CpyLgyVeazkpj2MEIodKI-S8WIyp9L2lt_3gHAFUIVrYeDe5zn3fRLaqdHUzC_P6IHLg0hEgyQOTdQBhQew0-uQOWbg1tceU4iK8OqXBurr-1dhtQf37zjQy8s6_wCEiBVzEnNWrK3qbYw/s320/SABIA.jpg

O céu cintila 

sobre flores úmidas. 

Vozes na mata, 

e o maior amor. 

 

Só, na noite, 

seria feliz: 

um sabiá, 

na palmeira, longe. 

 

Onde é tudo belo 

e fantástico, 

só, na noite, 

seria feliz. 

(Um sabiá,

na palmeira, longe.) 

 

Ainda um grito de vida e 

voltar 

para onde é tudo belo 

e fantástico: 

a palmeira, o sabiá, 

o longe.

Carlos Drummond de Andrade. Reunião: 10 livros de poesia. 6. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974. p. 94-95.

Fonte: Lições de texto. Leitura e redação. José Luiz Fiorin / Francisco Platão Savioli. Editora Ática – 4ª edição – 3ª impressão – 2001 – São Paulo. p. 69.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é a relação do poema com a "Canção do Exílio" de Gonçalves Dias?

      O título "Nova Canção do Exílio" já indica uma relação direta com o poema de Gonçalves Dias. No entanto, Drummond subverte o idealismo romântico do poema original, apresentando um exílio mais melancólico e introspectivo.

02 – Qual é o significado da repetição do verso "Um sabiá na palmeira, longe"?

      A repetição desse verso reforça a ideia de distanciamento e saudade. O sabiá e a palmeira, símbolos da pátria, estão "longe", representando a distância física e emocional do eu lírico em relação ao seu lugar de origem.

03 – Como o eu lírico se sente em relação ao lugar onde está exilado?

      O eu lírico reconhece a beleza do lugar onde está, com "flores úmidas" e "vozes na mata". No entanto, ele não se sente completamente feliz, pois sente falta de sua terra natal.

04 – Qual é o papel da noite no poema?

      A noite é um momento de introspecção e melancolia para o eu lírico. É quando ele se sente mais solitário e a saudade se intensifica. No entanto, é também na noite que ele encontra um tipo de felicidade, na memória da sua terra.

05 – Qual é o significado da expressão "onde é tudo belo e fantástico"?

      Essa expressão pode ser interpretada de duas maneiras: como uma referência à idealização da pátria, vista como um lugar perfeito, ou como uma referência à beleza do lugar onde o eu lírico está exilado, que o encanta, mas não o completa.

06 – Qual é a mensagem final do poema?

      A mensagem final do poema é de esperança e desejo de retorno. O "grito de vida" representa a força do eu lírico em superar a saudade e a vontade de voltar para o lugar onde ele se sente verdadeiramente feliz.

07 – Quais são os principais sentimentos expressos no poema?

      Os principais sentimentos expressos no poema são a saudade, a melancolia, a solidão e a esperança. O eu lírico sente falta de sua terra natal, mas mantém a esperança de um dia retornar.

 

 

domingo, 9 de março de 2025

POESIA: BRAZ MACACÃO - (FRAGMENTO) - CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE - COM GABARITO

 Poesia: BRAZ MACACÃO – Fragmento

            A Alfredo Reis Junior.

Apois sim: se o seu doutô
nhô môço e seu capitão,
nhá dôna e seu coroné
e mais o patrão quizé
a minha históra iscutá,
não faço questã... E, inté,
posso agora cumeçá.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhIstImSNfRiIAU9CvKQt_BsOYpxwyiYu1fpyvIOevD_QeKjMSgWWJtDFxfsM4duDLZ4DlkH0X4sVuOPaTb0kZoj3AjjmxAilMIJmbGQvLUh-X-_DcwIrfGFnz5q8XHAC6odZdtM-x8mxDXLgueZBACp69K7ONOXb5Cb_aYIAk-qNPydW17flUV9RNQlN4/s320/linguagem-coloquial.png



Digo a mêcê, dende já,
que eu levei a vida intêra
pulos sertão, a viajá.
Os sertão lá do Ceará,
de Pernambuco e Bahia,
Paraíba e Maranhão,
cunhêço, cumo cunhêço
os dêdo aqui destas mão.
Mas porém sou naturá
d’outras terra, meu patrão.

N’um rancho todo cercado
d’um roçadão de mandióca,
d’um grande mandiocá,
eu naci im trinta e nove,
na serra de Ibitipóca,
que é lá prás Mina Gerá.
Apois oitenta janêro
carrégo aqui neste peito,
que é um véio jequitibá.

[...]

Catullo da Paixão Cearense. Braz Macacão. In: Guimarães Martins (Org.). Luar do Sertão e outros poemas escolhidos. Rio de Janeiro: Ediouro, [s.d.] p. 143.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 29.

Entendendo a poesia:

01 – Qual a origem do personagem Braz Macacão?

      Braz Macacão nasceu na serra de Ibitipoca, em Minas Gerais, em um rancho cercado por um grande plantio de mandioca.

02 – Que tipo de vida Braz Macacão levava?

      Braz Macacão levava uma vida de viajante pelos sertões do Nordeste brasileiro, conhecendo lugares como Ceará, Pernambuco, Bahia, Paraíba e Maranhão.

03 – Qual a idade de Braz Macacão no poema?

      Braz Macacão tinha oitenta anos no poema, como ele mesmo diz: "Apois oitenta janêro/carrégo aqui neste peito".

04 – A quem Braz Macacão se dirige ao contar sua história?

      Braz Macacão se dirige a pessoas de diferentes posições sociais, como "doutô môço", "capitão", "dôna", "coroné" e "patrão", demonstrando que sua história é para todos.

05 – Como Braz Macacão descreve seu conhecimento dos sertões?

      Braz Macacão compara seu conhecimento dos sertões com o conhecimento que tem dos seus próprios dedos, enfatizando a profundidade de sua experiência: "cunhêço, cumo cunhêço/os dêdo aqui destas mão".

 

 

POESIA: IGREJA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poesia: Igreja

            Carlos Drummond de Andrade

Tijolo
areia
andaime
água
tijolo.
O canto dos homens trabalhando trabalhando
mais perto do céu
cada vez mais perto
mais
— a torre.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgrkswwxc09nfSqlEra0C7wkjYSR4_XO825V57TqmwLH9hYBxa1y-XAYXg6zsXzJ06OnaaJh0F_1JFB18sifEfSR_fQep7ZlEpzDUx8lFKCO1pmnE4MFoFISbWbHU1K1vGvGtID-XbperMMSh-3lgieAyrjuy207sLQt_S-2KCz-TT5Xvzc2P9FeqpAhqU/s1600/IGREJA.jpg



E nos domingos a litania dos perdões, o murmúrio das invocações.
O padre que fala do inferno
sem nunca ter ido lá.
Pernas de seda ajoelham mostrando geolhos.
Um sino canta a saudade de qualquer coisa sabida e já esquecida.
A manhã pintou-se de azul.
No adro ficou o ateu,
no alto fica Deus.
Domingo...
Bem bão! Bem bão!
Os serafins, no meio, entoam quii ieleisão.

Carlos Drummond de Andrade. Igreja. In:_____. Reunião: 10 livros de poesia. 5 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 68.

Entendendo a poesia:

01 – Qual a temática principal do poema?

      O poema explora a dualidade entre o trabalho árduo da construção da igreja e a espiritualidade presente nos rituais religiosos que ali ocorrem.

02 – Como o poema descreve o processo de construção da igreja?

      O poema descreve o processo de construção da igreja de forma concisa e objetiva, listando os materiais e ações envolvidos: "Tijolo / areia / andaime / água / tijolo. / O canto dos homens trabalhando trabalhando / mais perto do céu / cada vez mais perto / mais — a torre."

03 – Qual a crítica presente na fala do padre?

      A crítica presente na fala do padre é que ele fala do inferno sem nunca ter estado lá, sugerindo uma desconexão entre a teoria religiosa e a experiência real.

04 – O que representa a figura do ateu no adro da igreja?

      A figura do ateu no adro da igreja representa a presença da dúvida e da descrença em um ambiente religioso, contrastando com a fé dos demais presentes.

05 – Qual a atmosfera predominante nos versos finais do poema?

      Os versos finais do poema criam uma atmosfera de tranquilidade e aceitação, com a expressão "Bem bão! Bem bão!" e o canto dos serafins, sugerindo uma conciliação entre o humano e o divino.