Poesia: Plena nudez
Raimundo
Correia
Eu amo os gregos tipos de escultura:
Pagãs nuas no mármore entalhadas;
Não essas produções que a estufa escura
Das modas cria, tortas e enfezadas.

Quero um pleno esplendor, viço e frescura
Os corpos nus; as linhas onduladas
Livres: de carne exuberante e pura
Todas as saliências destacadas...
Não quero, a Vênus opulenta e bela
De luxuriantes formas, entrevê-la
De transparente túnica através:
Quero vê-la, sem pejo, sem receios,
Os braços nus, o dorso nu, os seios
Nus... toda nua, da cabeça aos pés!
CORREIA, Raimundo.
Plena nudez. In: Poesia. 4. ed. Rio de Janeiro, Agir, 1976. p. 24. (Col. Nossos
clássicos).
Fonte: Português. Série novo ensino médio.
Volume único. João Domingues Maia – Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 276.
Entendendo a poesia:
01 – Qual a principal
característica da nudez que o eu lírico exalta no poema?
O eu lírico
exalta a nudez plena, sem artifícios ou disfarces, inspirada nas esculturas
gregas clássicas. Ele valoriza a beleza natural do corpo humano, com suas
linhas e formas exuberantes.
02 – Qual a crítica presente
nos primeiros versos do poema?
O eu lírico
critica as produções artísticas da época, que ele considera "tortas e
enfezadas", influenciadas pelas "modas" e pela "estufa
escura" (possivelmente referindo-se aos padrões estéticos artificiais).
03 – Qual o ideal de beleza
feminina que o eu lírico busca no poema?
O eu lírico busca
um ideal de beleza feminina que se manifeste em "pleno esplendor, viço e
frescura", com "carne exuberante e pura" e "todas as
saliências destacadas". Ele deseja contemplar a nudez feminina em sua
totalidade, sem pudores ou restrições.
04 – Como a referência à Vênus
contribui para a construção do poema?
A referência à
Vênus, deusa da beleza e do amor, reforça o ideal de perfeição e exuberância
que o eu lírico busca. Ele não deseja ver a deusa através de uma
"transparente túnica", mas em sua plena nudez, sem véus ou
artifícios.
05 – Qual a importância da
forma poética (o soneto) para a expressão do tema no poema?
A forma do soneto, com seus versos
decassílabos e rimas precisas, confere um tom solene e clássico ao poema,
aproximando-o da estética greco-romana que o eu lírico exalta. A estrutura fixa
do soneto também contribui para a intensidade da expressão do desejo do eu
lírico pela contemplação da nudez plena.