Fábula: A Parreira e a Velha Árvore
Uma
parreira, a fim de sentir-se mais segura, apoiou-se fortemente numa velha
árvore. Suas companheiras, agarradas às estacas que o vinhateiro havia colocado
com essa finalidade, perguntaram:
-- Por que você escolheu uma velha árvore para se apoiar? E se ela
morrer, que vai fazer você?
A
parreira, tranquila e satisfeita com sua escolha, não tomou conhecimento das
companheiras. Agarrou-se ainda mais fortemente ao velho tronco, certa de que
viveria mais tempo que todas as outras vinhas.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjGWqTr91Yo1YkmNeY0BP9pU0_KTajwD2u6XuhiTvNBj4p9FrQPCHMNGUHMwF7Qr7kQq10lyWVty7_30TtbYHWzbZINPoZqeDW0Cuiw1ZYVQMV4GNrBiIes2p5FJp2q2O8xKnCmCNteyzpXR9ocrCn4b2jfpErsvgHIckjGdsJu-DY4YTJTMUx5qujYM1o/s1600/images.jpg Porém
a árvore vivera muitos anos. Era tão velha que não aguentava mais. Estremecia
ao menor sopro de vento e muitos de seus galhos já estavam secos e mortos. Um
dia, finalmente, caiu com grande estrondo e ficou deitada na grama. A tola
parreira, sempre envolvendo-a, caiu ao chão junto com ela.
Moral:
Buscar proteção naquilo que já está decadente ou sem vida própria nos leva
inevitavelmente à queda.
Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).
Entendendo a fábula:
01 – Por que a
parreira escolheu a velha árvore em vez das estacas colocadas pelo vinhateiro,
e o que essa escolha representava para ela?
A parreira escolheu a velha árvore porque buscava uma sensação de maior segurança e grandiosidade. Para ela, o tronco robusto e antigo da árvore parecia muito mais imponente e duradouro do que as simples estacas de madeira dispostas pelo vinhateiro. Essa escolha representava a busca por uma proteção que ela julgava ser superior e eterna, trazendo-lhe orgulho e tranquilidade inicial.
02 – Qual foi o
alerta feito pelas outras parreiras e como a parreira protagonista reagiu a
ele? O que essa reação demonstra sobre a sua personalidade?
As companheiras
questionaram o motivo de ela escolher uma árvore tão antiga e alertaram para o
risco de a árvore morrer, deixando-a sem sustentação. A parreira ignorou o
aviso, demonstrando arrogância e teimosia. Em vez de refletir sobre o conselho,
ela se agarrou ainda mais forte ao tronco, o que revela uma postura de soberba
e uma falsa sensação de infalibilidade.
03 – Como o autor
descreve o estado real da velha árvore antes de sua queda? Que contraste essa
descrição cria com a percepção da parreira?
O autor descreve a árvore como alguém que já havia vivido muitos anos e não aguentava mais o próprio peso: ela estremecia com qualquer vento fraco e já possuía vários galhos secos e mortos. Isso cria um contraste irônico com a percepção da parreira, que via na árvore um símbolo de imortalidade e força, mostrando que a planta estava cega pela sua própria escolha e incapaz de enxergar a realidade óbvia da decadência.
04 – De que forma o
desfecho da fábula justifica o uso do adjetivo "tola" para qualificar
a parreira no último parágrafo?
O desfecho justifica o termo "tola" porque a parreira acabou caindo ao chão junto com a árvore quando esta desabou. Ela se apegou tanto à sua ilusão de segurança que preferiu afundar com o seu apoio a reconhecer o erro a tempo de se salvar. A sua falta de discernimento e a insistência em permanecer vinculada a algo que já estava morrendo selaram o seu próprio fracasso.
05 – Trazendo a
fábula para as relações humanas atuais, que tipo de comportamento ou situação
social a atitude da parreira exemplifica?
A atitude da parreira exemplifica situações em que pessoas se
agarram cegamente a tradições obsoletas, a instituições falidas, a empregos sem
futuro ou a relacionamentos tóxicos e desgastados apenas por medo de mudar ou
por uma falsa sensação de status e segurança. Assim como a parreira rejeitou o
suporte prático e seguro (as estacas do vinhateiro), muitas pessoas rejeitam
caminhos novos e realistas para insistir em apoios que claramente estão prestes
a ruir.
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