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sexta-feira, 15 de maio de 2026

POEMA: PROFISSÕES - JOSÉ PAULO PAES - COM GABARITO

 Poema: Profissões

            José Paulo Paes

O marujo

Marinheiro pequenino

bebeu água ao se deitar.

Acordou de madrugada:

a sua cama era um mar.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgbllrZrGVIBFE3HKL7uc_vWAZK9YzOQKhMiGJd8viGGXogF4X7okn0KtuQMI7gAVrX_DQk8VW-j5fKhaqUBAs-Cshb9Cxedi4EYljUUAWDnXQYrtpKKJ6qmRWdrpK5i88mFYj3so2anpb-AKBze6EUg1-6vnhA2HHlbBqyV-ikhOzsQEQ-44zj0_fUhSU/s1600/MARUJO.jpg


O carpinteiro

Bate bate martelinho

mas não bata feito cego.

cuidado com o meu dedo q

ue o meu dedo não é prego.

O bombeiro

Blen blen blen blen

Quem vem? Quem vem?

É o bombeiro e vem ligeiro.

Alguém o chama para apagar a chama.

ele vem que vem blen blen blen blen.

PAES, José Paulo. Poemas para brincar. São Paulo: Ática, 1991.

Fonte: Rumo a novos Letramentos e Alfabetização. Ângela M. Chanoski-Gusso / Rossana A. Finau. 3º ano. 1ª edição, Curitiba, 2011. p. 100-101.

Entendendo o poema:

01 – No trecho "O marujo", o que aconteceu com a cama do personagem quando ele acordou?

      A cama dele se transformou em um mar. Isso aconteceu porque o "marinheiro pequenino" bebeu muita água antes de se deitar.

02 – Qual é o conselho ou alerta dado ao carpinteiro durante o seu trabalho?

      O alerta é para que ele bata o martelo com cuidado e não "feito cego", para não acertar o dedo de quem fala, já que o dedo não é um prego.

03 – No trecho "O bombeiro", como o autor utiliza as palavras para representar o som da sirene?

      O autor utiliza a onomatopeia "Blen blen blen blen" para imitar o som do sino ou da sirene do caminhão de bombeiros.

04 – O poema brinca com dois sentidos da palavra "chama" no trecho sobre o bombeiro. Quais são eles?

      O primeiro sentido é o do verbo chamar (alguém pede ajuda), e o segundo sentido é o de fogo (o incêndio que o bombeiro precisa apagar).

05 – O poema de José Paulo Paes utiliza o humor e a imaginação para falar sobre o trabalho. Dê um exemplo dessa característica no texto.

      Um exemplo é no trecho "O marujo", onde o autor usa a imaginação infantil ao transformar uma cama molhada (provavelmente por um "acidente" noturno após beber água) em um mar para um pequeno marinheiro.

 

 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

POEMA: CANÇÃO DO AFOGADO - JOSÉ PAULO PAES - COM GABARITO

 Poema: Canção do afogado

             José Paulo Paes

Esta corda de ferro
me aperta a cabeça,
não deixa meus braços
se erguerem no ar.
E o mar me rodeia,
afoga meus olhos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyy_93mBIBe0MxbfwMnlqSgyZ5eE8rCAgcp59MOKrrj-whho3kqk3gVCTpd4hgZ56XOXgLCAfPvXdYA_WK-VhY0ChwzRfnW5zWfJbzb0tr4ukzbqMmwfWWUiVyvbibhf3K7iwDUOzh0B7MqooxVhmXKLfSGPEO1fT8xBF8WO56O8QpGft9IXLyTjS_DnQ/s320/Foto-l%C3%A1grima.jpg


Maninha me salve
não posso chorar!

Minha mão está presa
na corda de ferro
e os dedos não tocam
a rosa que desce,
que afunda sorrindo
nas águas do mar.

Maninha me salve
não posso nadar!

Algas flutuam
por entre os cabelos,
meus lábios de sangue
palpitam na sombra

e a voz esmagada
não pode fugir.

Maninha me salve
não posso falar!

E a rosa liberta,
a inefável rosa,
vai longe, vai longe.
Um gesto é inútil,
meu grito e meu pranto
inúteis também…

Maninha me salve
que eu vou naufragar!


José Paulo Paes, Os melhores poemas. 3. ed. São Paulo: Global, 2000, p. 59-60.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 91-92.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal metáfora presente no poema e o que ela representa?

      A principal metáfora é a da corda de ferro que aprisiona a cabeça do afogado. Essa corda representa as limitações e o sofrimento do sujeito poético, que se sente aprisionado e incapaz de se libertar de uma situação desesperadora. A corda simboliza a angústia, a falta de liberdade e a impossibilidade de expressar seus sentimentos.

02 – Qual a sensação transmitida pelos versos "Maninha me salve / não posso chorar!"?

      Esses versos transmitem uma profunda sensação de desespero e apelo por socorro. O afogado se volta para a figura materna, a "maninha", buscando conforto e proteção em um momento de extrema vulnerabilidade. A repetição do pedido "Maninha me salve" intensifica a urgência e a angústia da situação.

03 – Qual o significado da rosa no poema?

      A rosa representa a beleza, a vida e a esperança. No entanto, ao afundar nas águas, a rosa adquire um significado ambíguo. Por um lado, ela simboliza a fuga da realidade dolorosa, um desejo de transcender a situação de sofrimento. Por outro lado, a rosa que afunda pode representar a impossibilidade de alcançar a felicidade e a perda da esperança.

04 – Qual o papel da repetição da frase "Maninha me salve"?

      A repetição da frase "Maninha me salve" cria um ritmo intenso e desesperado, enfatizando a angústia do afogado. Essa repetição também revela a incapacidade do sujeito poético de se salvar sozinho, dependendo de um socorro externo que parece não chegar.

05 – Qual a relação entre o título do poema e seu conteúdo?

      O título "Canção do afogado" já antecipa o tema central do poema, que é a sensação de afogamento e a luta pela sobrevivência. A palavra "canção" sugere a expressão de um sofrimento intenso e desesperado através da poesia, enquanto "afogado" evoca a imagem de alguém que está prestes a morrer afogado.

06 – Qual a principal mensagem do poema?

      A principal mensagem do poema é a sensação de impotência diante da morte e do sofrimento. O afogado representa o ser humano em sua fragilidade, enfrentando a angústia da existência e a impossibilidade de escapar da dor. A poesia de José Paulo Paes, nesse caso, nos convida a refletir sobre a condição humana e a finitude da vida.

07 – Como você interpretaria os versos finais "Um gesto é inútil, / meu grito e meu pranto / inúteis também… / Maninha me salve / que eu vou naufragar!"?

      Os versos finais expressam a completa desesperança do afogado. A repetição de "inútil" enfatiza a ineficácia de qualquer tentativa de escapar da situação. O sujeito poético reconhece a impossibilidade de sua própria salvação e se entrega ao destino, reafirmando o pedido desesperado por socorro à "maninha". Esses versos transmitem uma profunda tristeza e a sensação de que a morte é inevitável.

 

 

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

POEMA: CONVITE - JOSÉ PAULO PAES - COM GABARITO

 Poema: CONVITE

             José Paulo Paes

Poesia é brincar com palavras

como se brinca com bola, papagaio, pião.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiTnmCQJz_YyJjIXIhaCa-8IHXo6ZpqzERaqvFa_ASIYFhe4mk3ET0D5nYxlAfwNZFx9nlS8U-L7SaDXEvkplJAmMTZ-XMNujF-q8Md7Bhb4VDaRO5eMqk9PtUjeqzOyH5c84NRE_28WSEd76ded5m8wZSBgQQDQbzexB86E_FP0aEEZdvCwL30j0_NJks/s320/piao.jpg

Só que bola, papagaio, pião

de tanto brincar se gastam.

 

As palavras não:

quanto mais se brinca com elas

mais novas ficam.

 

Como a água do rio

que é água sempre nova.

 

Como cada dia

que é sempre um novo dia.

 

Vamos brincar de poesia?

José Paulo Paes. Poemas para brincar. São Paulo: Ática, 1990.

Fonte: Livro – Português: Linguagem, 6ª Série – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 2ª ed. – São Paulo: Atual Editora, 2002. p. 202.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal comparação que o poeta faz no início do poema?

      O poeta compara a poesia com brincadeiras como jogar bola, empinar papagaio e brincar de pião. Essa comparação serve para mostrar que a poesia é uma atividade lúdica e prazerosa, assim como essas brincadeiras da infância.

02 – O que acontece com os objetos de brincadeira e com as palavras quando usamos muito?

      Os objetos de brincadeira, como a bola, o papagaio e o pião, se desgastam com o uso. Já as palavras, ao contrário, se renovam e ganham novos significados quanto mais são utilizadas.

03 – Qual a metáfora utilizada para ilustrar a renovação das palavras?

      O poeta utiliza a metáfora da água do rio para ilustrar a renovação das palavras. Assim como a água do rio está sempre se movimentando e se renovando, as palavras também se transformam e adquirem novos significados ao longo do tempo.

04 – Qual o convite que o poeta faz ao leitor?

      O poeta convida o leitor a brincar de poesia, ou seja, a explorar a linguagem de forma criativa e divertida. Ele sugere que a poesia é uma atividade acessível a todos e que pode trazer muitos prazeres.

05 – Qual a principal mensagem do poema?

      A principal mensagem do poema é que a poesia é uma forma de expressão que nos permite brincar com as palavras, explorando seus diversos significados e sonoridades. Além disso, a poesia é uma atividade que nos renova e nos conecta com o mundo de uma forma mais profunda e significativa.

 

 

 

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

POESIA: SEM BARRA - JOSÉ PAULO PAES - COM GABARITO

 Poesia: Sem Barra

            José Paulo Paes

 Enquanto a formiga

Carrega comida
Para o formigueiro,
A cigarra canta,
Canta o dia inteiro. 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgcWszlYM7pjw6DOMV89YJqIJFM1tuAexyd82c8X9uSLlqhVyMHU0J3rD1qRDB_U6FyO6WMLSSFYOG-S5gTdUZGHUBSYLumg-nZNcPmvQ8NuJQpr-mDHo3IlT5vlL8izkrwhPJTGPGqf3H6ewFHzA4JkwcypDv6MOiOwQPAYwqKXxz1cDcptEiz5gOKBnw/s1600/cigarra.jpg


A formiga é só trabalho.
A cigarra é só cantiga. 

Mas sem a cantiga
da cigarra
que distrai da fadiga,
seria uma barra
o trabalho da formiga.

José Paulo Paes. In: Henriqueta Lisboa et alii. Varal de poesia. São Paulo: Ática, 2003. p. 50.

Fonte: Livro – Português: Linguagens, 6º ano. William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. 7ª edição reformulada – São Paulo: ed. Saraiva, 2012. p. 23.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o contraste estabelecido entre a formiga e a cigarra no poema?

      No poema, a formiga é associada ao trabalho constante, enquanto a cigarra é ligada ao canto e à diversão. A formiga representa o esforço e a produção, enquanto a cigarra simboliza o lazer e o entretenimento.

02 – Qual é a função da cigarra no poema?

      A cigarra, com seu canto, desempenha o papel de aliviar a fadiga do trabalho da formiga. Sem o canto da cigarra, o trabalho da formiga seria muito mais pesado e difícil de suportar.

03 – O que o poema sugere sobre o equilíbrio entre trabalho e lazer?

      O poema sugere que tanto o trabalho (representado pela formiga) quanto o lazer (representado pela cigarra) são importantes e se complementam. O canto da cigarra ajuda a tornar o trabalho da formiga mais suportável, sugerindo que o lazer é necessário para equilibrar a vida.

04 – Qual é a crítica implícita ao modo de vida baseado apenas no trabalho?

      A crítica implícita no poema é que uma vida apenas de trabalho, sem momentos de descanso ou lazer, seria exaustiva e difícil. O poema valoriza o papel da cigarra, mostrando que a diversão e o descanso são essenciais para aliviar a pressão do trabalho.

05 – Como o título "Sem Barra" se relaciona com a mensagem do poema?

      A expressão "sem barra" pode ser interpretada como "sem dificuldades excessivas". O poema mostra que, sem o canto da cigarra (lazer), o trabalho da formiga seria uma "barra" (ou seja, algo muito difícil). Portanto, o título sugere que o equilíbrio entre trabalho e lazer é necessário para evitar que a vida se torne insuportável.

 

 

POEMA: INFÂNCIA - JOSÉ PAULO PAES - COM GABARITO

 Poema: Infância

             José Paulo Paes

Eu tenho oito anos e já sei ler e escrever.

Por isso ganhei de presente a história de Peter Pan.

As aventuras dele com o Capitão Gancho e o jacaré que

engoliu um relógio até que são engraçadas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj1WAOqBmDBKssBv-k1kvyAp9LohbzL64n1V3rT6G4YGhrBRZqt6gDAF738gCuaJ32CXclVbY1U04c8DhUoNRSVPXLooU12aHkm6eeP6slcp54LrteCsosdxWWsWLCe-BDvvYlLZWG67XnXyn0PEBssE4gLEg1Tt-VeEFQ3ZTT1SjSEweLvuRC31qaoh5A/s320/PETER.jpg


Mas achei uma bobagem aquela mania do Peter Pan

de querer ficar sempre menino.

Já imaginaram se todos quisessem ficar sempre pequenos

e nunca mais crescer?

Aí quem ia cuidar da gente? Fazer comida, passar pito,

mandar tomar banho, dizer que é hora de ir para cama?

Sarar a gente da dor de barriga e de dor de dente?

In: Henriqueta Lisboa et alii. Varal de poesia. 1. ed. São Paulo: Ática, 2003. p. 35.

Fonte: Livro – Português: Linguagens, 6º ano. William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. 7ª edição reformulada – São Paulo: ed. Saraiva, 2012. p. 56.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a visão do eu lírico sobre a história de Peter Pan?

      O eu lírico acha as aventuras de Peter Pan engraçadas, mas considera uma bobagem o desejo do personagem de querer ficar sempre menino.

02 – O que o eu lírico já sabe fazer aos oito anos?

      Aos oito anos, o eu lírico já sabe ler e escrever.

03 – O que o eu lírico questiona em relação à ideia de nunca crescer?

      Ele questiona como seria se todos quisessem ficar sempre pequenos, refletindo sobre quem cuidaria deles, prepararia comida, e daria orientações, como mandar tomar banho ou ir para a cama.

04 – Como o eu lírico se sente em relação à necessidade de crescer?

      O eu lírico parece valorizar o crescimento, pois reconhece a importância de adultos que cuidam das crianças e fazem tarefas importantes.

05 – Quais exemplos de cuidados o eu lírico menciona que os adultos proporcionam?

      Ele menciona que os adultos fazem comida, mandam tomar banho, cuidam quando há dor de barriga ou dor de dente, e dão ordens, como mandar ir para a cama.

 

 

domingo, 7 de abril de 2024

POEMA: ELOGIO DA MEMÓRIA - JOSÉ PAULO PAES - COM GABARITO

 Poema: Elogio da memória

              José Paulo Paes 

O funil da ampulheta

apressa, retardando-a

a queda

da areia.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjGYGQqlxNLPn5WKsc5ULfpfgGfwXlEGEVu2hxXkOquqfsICneu32CrMvYIRVbsoFSSglV84g-Ubstlp9xDZem5f8LJwL9APWGufznCV97jg5cQm4t9bD8VgNy8B9nYwPJDjFgIF3JdjQIg8t6pPGSc0DcHDqr5Zbz9UNIcc19gkljZQNb3TECY0pGy9l4/s320/AMPULHETA.jpg


Nisso imita o jogo

manhoso

de certos momentos

que se vão embora

quando mais queríamos

que ficassem.

PAES, José Paulo. Socráticas: poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 49.

Fonte: Língua Portuguesa. Se liga na língua – Literatura – Produção de texto – Linguagem. Wilton Ormundo / Cristiane Siniscalchi. 1 Ensino Médio. Ed. Moderna. 1ª edição. São Paulo, 2016. p. 17.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a imagem utilizada pelo poeta para descrever o tempo no poema "Elogio da memória" de José Paulo Paes?

      O poeta utiliza a imagem do funil da ampulheta para descrever o tempo.

02 – Qual é a função do funil da ampulheta de acordo com o poeta?

      O funil da ampulheta apressa a queda da areia, mas ao mesmo tempo a retarda.

03 – Como o poeta compara o funil da ampulheta aos momentos da vida?

      O poeta compara o funil da ampulheta ao "jogo manhoso de certos momentos que se vão embora quando mais queríamos que ficassem".

04 – Qual é o sentimento expresso pelo poeta em relação aos momentos que se vão embora?

      O poeta expressa o desejo de que certos momentos permaneçam mais tempo ao invés de passarem rapidamente.

05 – O que a imagem do funil da ampulheta representa em termos de passagem do tempo?

      A imagem do funil da ampulheta representa a dualidade do tempo, que parece acelerar e ao mesmo tempo retardar o fluir dos momentos.

06 – Qual é a importância da memória neste poema?

      A memória é essencial no poema pois permite reter e valorizar os momentos que o tempo ameaça levar embora rapidamente.

07 – Como o poeta sugere lidar com a fugacidade dos momentos preciosos na vida?

      O poeta sugere que a memória desempenha um papel crucial ao reter e valorizar esses momentos, permitindo-nos apreciá-los mesmo após terem passado.

 

 

POEMA: O BIFE - JOSÉ PAULO PAES - COM GABARITO

 Poema: O bife 

              José Paulo Paes 

Onde é 

que está 

meu bife? 

Fugiu do açougue 

sumiu da cozinha 

no prato não acho 

quem sabe me diga: 

será que meu bife 

está noutra barriga? 

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHRs79EUXJSh_6m3Iei_YJss4wBllx2gwDmUylcFVDosHF5tthhh4QdMvaxjPycE1RhGTfiDvUvF_qex_HuFQakD0RKD4AHZT8GYgibIp5XN3yyJ5EwTLpbmMmB1xooXROddhLqhJxqdY6-KDx43jJ9s4y0FK8dL6LupFE8wYl0kepY-inoMumuj5R35g/s320/BIFE.jpg

Meu bife 

era 

a cavalo: 

um ovo estalado 

com batata frita. 

Porém me lembrei: 

sendo bife a cavalo 

fugiu no galope 

não vou mais achá-lo. 

José Paulo Paes. Lé com cré. São Paulo: Ática, 1993.

Fonte: Livro – Português: Linguagem, 6ª Série – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 2ª ed. – São Paulo: Atual Editora, 2002. p. 224.

Entendendo o poema:

01 – O que o autor está procurando no poema "O Bife" de José Paulo Paes?

      O autor está procurando por seu bife desaparecido.

02 – O que significa "bife a cavalo" no poema?

      "Bife a cavalo" significa um bife acompanhado de ovo estalado e batata frita.

03 – Por que o autor não consegue encontrar seu bife no prato?

      Porque o bife desapareceu da cozinha e do prato.

04 – O que o autor sugere ao questionar se seu bife está "noutra barriga"?

      O autor sugere a possibilidade de que outra pessoa possa ter comido seu bife.

05 – Qual é a sensação do autor ao perceber que seu bife "fugiu no galope"?

      O autor sente que perdeu seu bife de forma rápida e inesperada.

06 – Como o autor descreve o bife que ele perdeu?

      O autor descreve o bife como sendo servido a cavalo, ou seja, com ovo estalado e batata frita.

07 – Qual é o tom predominante do poema "O Bife" de José Paulo Paes?

      O tom predominante é humorístico e irônico, caracterizado pela frustração cômica do autor ao perder seu bife.

 

 

sábado, 2 de abril de 2022

POEMA: LISBOA - AVENTURAS - JOSÉ PAULO PAES - COM GABARITO

Poema: Lisboaaventuras  

          José Paulo Paes


Tomei um expresso                      Cheguei de foguete

Subi num bonde                            Desci de um elétrico

Pedi cafezinho                               Serviram-me uma bica

Quis comprar meias                      Só vendiam peúgas

Fui dar à descarga                        Disparei um autoclisma

Gritei "ó cara!"                               Responderam-me “ó pá!”

                                                      Positivamente

As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá

Os melhores poemas de José Paulo Paes. 5. ed. São Paulo: Global, 2003. p. 166.

Fonte: Gramática Reflexiva – 6° ano – Atual Editora – William & Thereza – 2ª edição reformulada – São Paulo. 2008. p. 54-5.

Entendendo o poema:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Expresso: trem que vai do ponto de origem ao seu destino sem fazer paradas ou parando muito pouco.

·        Gorjear: ação de cantar ou chilrear própria de aves canoras.

02 – O poema contrapõe algumas palavras e expressões utilizadas no Brasil e as formas correspondentes a elas em Portugal. Relacione as formas brasileiras e as formas lusitanas correspondentes.

      Expresso (trem) – foguete; Bonde – elétrico; Cafezinho – bica; Meias – peúgas; Descarga – autoclisma; “ó cara” – “ó pá”.

03 – O título do poema faz pensar em aventuras que alguém tenha vivido. Levante hipóteses: Em que consistiram essas aventuras? Onde elas ocorreram?

      Essas Aventuras aconteceram em Lisboa, Portugal. O tipo de aventura a que ele se refere pode estar relacionada às diferenças culturais e linguísticas entre ele e o povo de Lisboa.

04 – Na segunda coluna do poema, há uma palavra que introduz uma conclusão.

a)   Qual é essa palavra?

Positivamente.

b)   Que ideia essa palavra expressa: modo, afirmação, negação ou dúvida?

Ela dá a ideia de afirmação.

05 – No último verso, o poema de José Paulo Paes estabelece uma relação intertextual com o poema “Canção do exílio”, escrito em 1843 pelo poeta brasileiro Gonçalves Dias, quando ele se encontrava em Portugal, cursando a Universidade. Leia alguns versos desse poema: “Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá. / As aves, que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá”. Levando em conta a intertextualidade existente entre os dois textos:

a)   Explique o título do poema de José Paulo Paes.

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: O título pode sugerir as aventuras e descobertas do poeta na língua lusitana.

b)   Interprete os dois últimos versos desse poema.

A citação dos versos de Gonçalves Dias reforça a ideia de que há muitas diferenças entre Portugal e Brasil, inclusive no uso da língua portuguesa.


domingo, 27 de fevereiro de 2022

POEMA: MADRIGAL - JOSÉ PAULO PAES - COMPARAÇÃO/ZEUGMA - COM GABARITO

 Poema: Madrigal

               José Paulo Paes


Meu amor é simples, Dora,

Como a água e o pão.


Como o céu refletido

Nas pupilas de um cão.

José Paulo Paes. O melhor poeta da minha rua. São Paulo: Ática, 2008. p. 53.

Fonte: Gramática Reflexiva 8° ano – Atual Editora – William & Thereza – 3ª edição São Paulo 2012. p. 115.

Entendendo o poema:

01 – No poema, há duas comparações. Quais são elas?

      As comparações dizem respeito à simplicidade do amor, que é comparada à simplicidade do pão e da água e, depois, à simplicidade do céu refletido nas pupilas de um cão.

02 – Nas comparações, que expressão é omitida?

      A expressão é / são simples em “Como (são simples) a água e o pão” e “Como (é simples) o céu refletido”.

03 – Qual é o nome da figura de sintaxe correspondente à omissão verificada no poema?

      Zeugma; a expressão é / são simples, omitida no poema, é expressa no 1° verso.

04 – Releia o poema, inserindo nele as expressões subentendidas. Se o autor não empregasse essa figura de sintaxe, que consequência isso traria para o texto?

      O texto ficaria repetitivo e as imagens perderiam em expressividade poética.

 

domingo, 1 de agosto de 2021

POEMA: OS INCONFIDENTES(I) - JOSÉ PAULO PAES - COM GABARITO

 POEMA: Os inconfidentes (I)

    José Paulo Paes


Vila Rica, Vila Rica,

Cofre de muita riqueza:

Ouro de lei no cascalho,

Diamantes à flor do chão.

Num golpe só da bateia,

Nosso bem ou perdição.


Vila Rica, Vila Rica,

Ninho de muito vampiro:

O padre com pés de altar,

O bispo com sua espórtula,

O ouvidor com seu despacho

E o povo feito capacho.


Vila Rica, Vila Rica,

Teatro de muito som:

Cláudio no seu clavicórdio,

Alvarenga em sua flauta,

Gonzaga na sua lira.

Vozes doces, mesa lauta.


Vila Rica, Vila Rica,

Masmorra de muita porta:

Para negro fugitivo,

Para soldado rebelde,

Para poeta e poemas,

Nunca faltaram algemas.


Vila Rica, Vila Rica,

Forja de muito covarde:

Só o corpo mutilado

De um bravo e simples alferes

Te salva e te justifica

Vila Rica vil e rica.

(O melhor poeta da minha rua. São Paulo: Ática, 2008. p. 97-8.)

Fonte: Livro- Português: Linguagem, 2/ William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 11.ed – São Paulo: Saraiva, 2016.p.347.

 Fonte da imagem - https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Flpslucasps.itch.io%2Fos-inconfidentes&psig=AOvVaw2J86Z0iGiDqV0QPS8SwhwR&ust=1627948974812000&source=images&cd=vfe&ved=0CAsQjRxqFwoTCIikh92EkfICFQAAAAAdAAAAABAD

1.Glossário

alferes: antigo posto militar no Exército brasileiro, equivalente ao de segundo-tenente, hoje.

bateia: recipiente de madeira ou metal utilizado no garimpo.

clavicórdio: antigo instrumento musical formado por cordas e teclado.

espórtula: esmola.

inconfidentes: participantes da Inconfidência Mineira.

lauta: farta, abundante.

 

2. O verso “Vila Rica, Vila Rica” se repete no início de todas as estrofes do poema.

a) Quem é o interlocutor do eu lírico? Justifique sua resposta.

A cidade de Vila Rica (hoje Ouro Preto), conforme mostra o emprego do pronome te (2ª pessoa), no penúltimo verso da última estrofe.

b) Qual é a função sintática do termo “Vila Rica”, em cada estrofe?

Vocativo.

3. Observe as expressões que constituem o 2º verso de cada estrofe, empregadas em referência a Vila Rica.

a) Quais são essas expressões?

“Cofre de muita riqueza”; “Ninho de muito vampiro”; “Teatro de muito som”; “Masmorra de muita porta”; “Forja de muito covarde”.

 

b) Que papel semântico elas têm?

O de acrescentar sentidos à cidade de Vila Rica.

c) Que função sintática elas desempenham?

Aposto.

4. O último verso, “Vila Rica vil e rica”, resume o poema inteiro.

a) Quais estrofes do poema se referem à vileza dos habitantes da cidade?

2ª, 4ª e 5ª.

b) Quais descrevem a “riqueza” da cidade?

1ª e 3ª.

c) Que fato histórico o poema procura descrever nessas cinco estrofes?

O episódio da Inconfidência Mineira, ocorrido em, Vila Rica, hoje Ouro Preto.

d) Troque ideias com os colegas: Qual é a função sintática de “Vila Rica vil e rica”?

Professor: Abra a discussão com a classe, pois há duas possibilidades de resposta. Em princípio, pode ser um vocativo, a mesma função que “Vila Rica, Vila Rica” vinha exercendo nos versos anteriores; nesse caso, o termo vil e rica seria constituído por adjuntos adnominais de Vila Rica. Contudo, considerando-se o verbo ser subentendido, Vila Rica seria sujeito, e vil e rica seria predicativo do sujeito: “Vila Rica, (és) vil e rica”.