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quarta-feira, 8 de julho de 2026

POEMA: MÃE - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: Mãe 

            Mário Quintana

 

Mãe... São três letras apenas

As desse nome bendito:

Também o Céu tem três letras...

E nelas cabe o infinito.

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiIq5s4rcdrT2aOHNvj38Ceh8JwhbKbN2FDxdxeQj8zgCMxJIRcQdFiNRAAehQV_9fY9zKcPEp0skKPGwU8lRaazi8BE9pkyTJZsJCR2tdwej4gD2XAS2sbYK6f8rYvzRfRr9goIEj1PmJW_1rtWvKgD9dO87IUvNNfuzSaDiHKdOHYVhgTGI3tBlqvkz0/s320/maxresdefault.jpg 



Para louvar nossa mãe,

Todo o bem que se disse

Nunca há de ser tão grande

Como o bem que ela nos quer...

Palavra tão pequenina,

Bem sabem os lábios meus

Que és do tamanho do Céu

E apenas menor que Deus!

Mário Quintana. Mãe.

 

Entendendo o poema:

01 – Qual é a associação que o poeta faz com o número de letras da palavra "Mãe"?

      O poeta destaca que a palavra "Mãe" tem apenas três letras e faz uma analogia com a palavra "Céu", que também possui três letras. Com isso, ele mostra que, apesar de ser um nome curto, carrega um significado imenso.

02 – De acordo com a primeira estrofe, o que cabe dentro das três letras da palavra "Céu" (e, por extensão, na palavra "Mãe")?

      O poeta afirma que nessas três letras "cabe o infinito", sugerindo que o amor e a importância da mãe não têm limites ou barreiras, assim como o próprio universo.

03 – Como o poeta compara os elogios do mundo com o amor real que uma mãe sente?

      Na segunda estrofe, ele diz que todo o bem que as pessoas já disseram para louvar as mães nunca será tão grande quanto o bem (o amor e o carinho) que a própria mãe deseja e sente por seus filhos. O amor materno supera qualquer homenagem em palavras.

04 – Na última estrofe, o que os "lábios" do eu lírico sabem sobre a palavra mãe?

      Os lábios sabem que a palavra "mãe", embora seja "tão pequenina", tem a grandeza e o "tamanho do Céu", sendo superada em importância e magnitude apenas por Deus.

05 – Qual é a mensagem central ou o tema principal do poema de Mário Quintana?

      O tema central é a grandiosidade e a infinitude do amor materno. O poema exalta a figura da mãe como algo sagrado e imensurável, mostrando o contraste poético entre a simplicidade de uma palavra de apenas três letras e a imensidão do sentimento que ela representa.

 

 

terça-feira, 7 de julho de 2026

POEMA: TORRE AZUL - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: TORRE AZUL

 

É preciso construir uma torre

-- uma torre azul para os suicidas.

Têm qualquer coisa de anjo esses suicidas voadores,

qualquer coisa de anjo que perdeu as asas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgrUgTPv8XNif40mMx9i4LPHwMXyDRMlQZ8BgiuyF8TpjVfRFfdn6Ja2A_cxlCnGQU4rv6wojJlm_QokDMBw3yVHFMnTop5T2vXhFqy76sGBO1RRVBt4_i9dtH1W65I-daDKMcqAnHRM2jcxUkSX5ajRb1RXaukrGhigBf4J_bWUCDGysyi-mB8Ii8wryM/s320/images.jpg


É preciso construir-lhes um túnel

-- um túnel sem fim e sem saída

e onde um trem viajasse eternamente

como uma nave em alto-mar perdida.

 

É preciso construir uma torre…

É preciso construir um túnel…

É preciso morrer de puro,

puro amor!… 

Mario Quintana. Poema do livro Baú de Espantos, retirado de Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 587.

Entendendo o poema:

01 – Como o eu lírico caracteriza as pessoas que decidem tirar a própria vida?

a)   Anjos que perderam as asas.

b)   Pássaros que não sabem voar.

c)   Viajantes de um mundo azul.

c)   Seres que odeiam a existência.

 

02 – Qual é a função simbólica da 'Torre Azul' mencionada no texto?

a)   Uma prisão para punição.

b)   Um refúgio de acolhimento.

c)   Um farol para os vivos.

d)   Um monumento de vitória.

 

03 – Que característica fundamental define o 'túnel' sugerido no poema?

a)   A inexistência de uma saída.

b)   A brevidade do seu percurso.

c)   A presença de luz intensa.

d)   O barulho constante do mar.

 

04 – A que o trem que viaja pelo túnel é comparado pelo autor?

a)   Vento em campo aberto.

b)   Anjo em busca de asas.

c)   Nave em alto-mar perdida.

d)   Estrela em queda livre.

 

05 – De acordo com o último verso, qual é o motivo final para tal entrega ou estado?

a)   Por puro amor.

b)   Por medo do fim.

c)   Por tédio da vida.

d)   Por falta de luz.

 

 

 

 

 

 

sábado, 16 de maio de 2026

POEMA: CANÇÃO DE PRIMAVERA - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: Canção de primavera

              Mário Quintana

 

Um azul do céu mais alto

do vento a canção pura

me acordou num sobressalto

como a outra criatura...

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinTShIaORiu1UiXnC-3JAtvPu-55fWzbRWUQkxZJM8E7yS-ws8_6q568wfh_CJLwf-lpiQd-EOojbtaJtPzItSVe8U9IcPgjbAiXLTK6KafMmsk2A5mDrXBsj1j4y78Xa9rmhmVVifXrs_zPVXRTfTeX9Pp-2aP2ioJZY5k4f5u7qXSyHy9UwK9OQmq94/s1600/CEU.jpg

Só conheci meus sapatos

me esperando, amigos fiéis,

tão afastado me achava

dos meus antigos papéis!

 

Dormi, cheio de cuidados

como um barco de soçobrando,

por entre uns sonhos pesados

que nem morcego voejando...

 

Quem foi que ao rezar por mim

mudou o rumo da vela

para que eu desperte, assim,

como dentro de uma tela?

 

Um azul do céu mais alto,

do vento a canção mais pura

e agora... este sobressalto...

esta nova criatura!

 

Entendendo o poema

01. No primeiro verso do poema, o eu lírico descreve o céu como um "azul do céu mais alto". Identifique o adjetivo presente nesse trecho e explique qual é a função dele na caracterização do cenário.

O adjetivo é "alto". A função dele é caracterizar o substantivo "céu", transmitindo uma ideia de imensidão e clareza, ajudando a construir a atmosfera de despertar e renovação da primavera.

02. Na segunda estrofe, o poeta utiliza a expressão "amigos fiéis" para se referir aos seus sapatos. O adjetivo "fiéis" está no plural para concordar com qual substantivo? Explique por que o autor escolheu esse adjetivo para descrever um objeto.

O adjetivo "fiéis" concorda com o substantivo "sapatos" (que também está no plural). O autor escolheu esse adjetivo para personificar os sapatos, sugerindo que eles são companheiros constantes que estão sempre ali para o dono, assim como bons amigos.

03. No trecho "por entre uns sonhos pesados", identifique o adjetivo e explique como ele ajuda o leitor a entender a sensação do eu lírico durante o sono.

O adjetivo é "pesados". Ele ajuda o leitor a entender que o sono não foi tranquilo; os sonhos eram angustiantes, difíceis ou cansativos, criando um contraste com a leveza da manhã de primavera que vem em seguida.

04. Na última estrofe, o eu lírico se define como uma "nova criatura". Compare essa expressão com o trecho da primeira estrofe ("outra criatura"). O que a mudança para o adjetivo "nova" revela sobre o sentimento do poeta ao final do poema?

O adjetivo "nova" revela um sentimento de transformação e recomeço. Enquanto "outra" apenas indica uma diferença, "nova" reforça a ideia de que o eu lírico se sente revigorado, fresco e transformado pela "canção de primavera", como se tivesse acabado de nascer para um momento melhor.

 

 

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

POESIA: AS LUAS - MARIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poesia: As LUAS

 

Andou fazendo nevoeiro. De noite...

que lindo! Parece que estiveram passando borracha na paisagem.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjkzxruxhEA62E7B7KIsItOvP5hUc0g_TK3OE9llSGM_Y64P7HhjIgBxVoUyqViyBgMUEg-0og3Oc-sXPduawCTrUKM52icGXPglxcLz1mbOUL0KOBDmPk8fmTqjl5eXKS8TLDjrksZCRPz6c9N0FrhFTJ2e49MCk1C323iqLNa1uw7ICNtqPU1ZYF50eY/s320/NEVOEIRO.jpg


Apenas sobravam os lampiões. Minto! Só os focos dos lampiões

sobravam, luas soltas no ar. De modo que ontem pela madrugada

eu ia andando por uma noite cheia de luas. Tu nem imaginas o

que é uma noite com uma porção de luas... A gente...

-- Já sei! Fizeste um poema...

-- Não. Caí num buraco.

Mario Quintana. Porta Giratória. São Paulo, Globo, 1988.

Fonte: Português – 1º grau – Descobrindo a gramática 8. Gilio Giacomozzi; Gildete Valério; Cláudia Reda Fenga. São Paulo. FTD, 1992. p. 69.

Entendendo a poesia:

01 – Como a poesia descreve o efeito da neblina na paisagem?

      A poesia descreve a neblina como se alguém tivesse "passando borracha na paisagem", apagando os contornos e deixando apenas os pontos de luz visíveis.

02 – O que o eu lírico compara aos pontos de luz que sobraram na noite com neblina?

      O eu lírico compara os focos dos lampiões, que eram os únicos pontos de luz visíveis, a "luas soltas no ar".

03 – Qual foi a sensação do eu lírico ao andar por essa noite?

      O eu lírico se sentiu como se estivesse caminhando por "uma noite cheia de luas". A experiência é tão extraordinária que ele diz que a pessoa com quem fala "nem imagina" o que é isso.

04 – No final do poema, qual é a suposição da outra pessoa sobre a experiência do eu lírico?

      A outra pessoa, após ouvir a descrição poética da noite, supõe que o eu lírico "fez um poema".

05 – Qual é a resposta final e surpreendente do eu lírico, que quebra a expectativa do leitor?

      A resposta final do eu lírico é "Não. Caí num buraco." Essa resposta inesperada e cômica quebra a atmosfera poética criada e traz um contraste com a beleza da cena descrita.

 

 

quarta-feira, 25 de junho de 2025

POESIA: O POETA COMEÇA O DIA - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poesia: O poeta começa o dia

             Mário Quintana

Pela janela atiro meus sapatos, meu ouro, minha alma ao meio da rua.
Como Harum-al-Raschid, eu saio incógnito, feliz de desperdício...
Me espera o ônibus, o horário, a morte – que importa?

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgbzB2SNERIuDwlfpOTNKEnRHOI4ZtD9h22HlPjVcxoFW8C2VJMTQCgUyXDjRDRwn2RQTnfe04NY8f8BJEyHM9uRkJF6x4PANnvdk3s65J6WercwzIobpgmudZPZPWXRYycZpEceNRCyB0s1EQNatjgnPx_XGdwaIE0VrKM9sNB13ZM8YMG5x3RPSss-L4/s320/71XVRUY9MGL._UF1000,1000_QL80_.jpg


Eu sei me teleportar: estou agora
Em um Mercado Estelar... e olha!
Acabo de trocar
-- em meio aos ruídos da rua
alheio aos risos da rua –
todas as jubas do Sol

por uma trança da Lua!

Quintana, Mário. 80 anos de poesia. 13. ed. São Paulo: Globo, 2008. p. 165.

Fonte: Língua Portuguesa: Singular & Plural. Laura de Figueiredo; Marisa Balthasar e Shirley Goulart – 6º ano – Moderna. 2ª edição, São Paulo, 2015. p. 166.

Entendendo a poesia:

01 – O que o ato de "atirar" sapatos, ouro e alma pela janela simboliza no poema?

      O ato de "atirar" sapatos, ouro e alma pela janela simboliza um desapego radical do poeta em relação aos bens materiais e às preocupações terrenas. É uma libertação das convenções e valores mundanos para abraçar uma existência mais livre e imaginativa.

02 – A que figura histórica o poeta se compara e o que essa comparação sugere sobre sua atitude?

      O poeta se compara a Harum-al-Raschid, um califa lendário conhecido por suas incursões incógnitas entre o povo para observar a vida e buscar conhecimento. Essa comparação sugere que o poeta também busca uma experiência autêntica e sem amarras, agindo de forma "incógnita" e "feliz de desperdício" para absorver a essência do mundo ao seu redor, sem se prender a expectativas ou julgamentos.

03 – Como o poeta lida com as pressões do cotidiano, como "o ônibus, o horário, a morte"?

      O poeta demonstra uma indiferença em relação às pressões do cotidiano. Ele afirma que "o ônibus, o horário, a morte – que importa?", revelando que sua mente transcende essas preocupações mundanas. Ele se vale da capacidade de teleportar-se (metaforicamente, através da imaginação) para escapar da rotina e das limitações da realidade.

04 – Qual é o lugar "mágico" para onde o poeta se teleporta e o que ele faz nesse local?

      O poeta se teleporta para um "Mercado Estelar". Nesse local inusitado, ele realiza uma troca fantástica: "todas as jubas do Sol por uma trança da Lua!" Isso reforça a ideia de que a imaginação do poeta o leva a lugares extraordinários, onde a lógica comum é subvertida e o valor está na beleza e na fantasia, não no material.

05 – Qual é a principal mensagem que o poema transmite sobre a natureza da poesia e a mente do poeta?

      O poema transmite a mensagem de que a poesia é um portal para a liberdade e a imaginação ilimitada. A mente do poeta não se conforma com as trivialidades e as limitações da vida comum; ela busca a transcendência e a capacidade de transformar a realidade através da fantasia. Mesmo em meio ao barulho e à rotina da rua, o poeta é capaz de criar seu próprio universo de significados e maravilhas.

 

 

domingo, 1 de junho de 2025

POEMA: OS CORTEJOS - MÁRIO DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: Os cortejos

             Mário de Andrade

Monotonias das minhas retinas...

Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...

Todos os sempres das minhas visões! "Bon Giorno, caro".

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh5oBec4uoOuK4I1zlfWTmaL33TxJJw8eKWiCsy9bmo8GHeptXRnb4Ab6ZY2S9oSkwmTFJkrbqUTT3z6huSNXhjR2RkVJj0jSD46y4A48fekT79zEC3NPUNpNmcgFkKwLOmlcHcLNTcxfgPBGMYArMzvDpbIYTviThvDrw3g9BJ9nwj2Nc-CNDYsxysdKI/s320/cortejo-ao-mar-fotos-carlos-de-los-santos-1-720x475.jpg

Horríveis as cidades!

Vaidades e mais vaidades...

Nada de asas! Nada de poesia! Nada de alegria!

Oh! os tumultuários das ausências!

Paulicéia — a grande boca de mil dentes;

e os jorros dentre a língua trissulca

de pus e de mais pus de distinção...

Giram homens fracos, baixos, magros...

Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...

 

Estes homens de São Paulo,

todos iguais e desiguais,

quando vivem dentro dos meus olhos tão ricos,

parecem-me uns macacos, uns macacos.

Poesias completas. São Paulo: Círculo do Livro. s. d. p. 40.

Fonte: Livro – Português: Linguagens, 3ª Série – Ensino Médio – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 9ª ed. – São Paulo: Saraiva Editora, 2013. p. 95.

Entendendo o poema:

01 – Qual a sensação inicial expressa pelo eu lírico em relação às suas próprias percepções ("Monotonias das minhas retinas...") e como ele descreve o movimento das pessoas que observa?

      A sensação inicial expressa pelo eu lírico é de monotonia em suas próprias percepções ("Monotonias das minhas retinas..."). Ele descreve o movimento das pessoas que observa como "Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...", sugerindo um fluxo contínuo, talvez repetitivo e inquietante, de indivíduos.

02 – Como o eu lírico expressa sua aversão às cidades na segunda estrofe? Quais elementos ele associa a essa crítica?

      O eu lírico expressa sua aversão às cidades chamando-as de "Horríveis!" e as associa a "Vaidades e mais vaidades...". Ele sente falta de elementos que considera essenciais, como "Nada de asas! Nada de poesia! Nada de alegria!". A cidade é vista como um lugar de "tumultuários das ausências", onde algo fundamental está faltando.

03 – Que imagem forte e negativa o eu lírico utiliza para descrever a cidade de São Paulo ("Paulicéia")?

      O eu lírico utiliza a imagem forte e negativa de "Paulicéia — a grande boca de mil dentes; / e os jorros dentre a língua trissulca / de pus e de mais pus de distinção...". Essa metáfora apresenta a cidade como uma entidade voraz e doentia, com uma linguagem corrompida pela superficialidade e pela busca incessante por distinção social.

04 – Como o eu lírico descreve fisicamente os homens de São Paulo que observa, e a que comparação depreciativa ele os associa quando os vê através de seus "olhos tão ricos"?

      O eu lírico descreve fisicamente os homens de São Paulo como "fracos, baixos, magros...". Quando os observa através de seus "olhos tão ricos", ele os associa a uma comparação depreciativa, chamando-os de "uns macacos, uns macacos", sugerindo uma visão de inferioridade, imitação ou falta de individualidade.

05 – Qual a principal crítica social e/ou existencial que parece emergir do poema "Os Cortejos"?

      A principal crítica que emerge do poema parece ser uma crítica à superficialidade, à monotonia e à falta de autenticidade da vida urbana moderna, especialmente em São Paulo. O eu lírico expressa um profundo desencanto com as vaidades sociais, a ausência de poesia e alegria, e a aparente homogeneização e perda de individualidade dos habitantes da cidade, vistos como seres repetitivos e até mesmo animalescos. O poema revela um olhar crítico e desiludido sobre a sociedade e a condição humana no contexto urbano.

 

 

POEMA: O GATO - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: O GATO

             Mário Quintana

O gato chega à porta do quarto onde escrevo...
Entrepara... hesita... avança...
Fita-me.
Fitamo-nos.
Olhos nos olhos...
Quase com terror!
Como duas criaturas incomunicáveis e solitárias
que fossem feitas cada uma por um Deus diferente.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhELi7a90tErOi9chfbTAr-E77rhOgkzS9S9eSeoO_TchAOlHsX_3tII5W0XEFqK9M3XJs1ygXkQsujgq7e6bEnNmQNEoE6bPWhWxc_VbY42JA-913pdQ51Zr3y0dblpjyCQxVUYWm-xfdbrnSnhdpIK9XueX3p3SQx2D-CsF1nNMW-NqHjrLxCSug-C3A/s320/vida-de-gato.jpg


Mario Quintana. Preparativos de viagem. São Paulo: Globo, 1997. p. 25.

Fonte: Livro – Português: Linguagens, 3ª Série – Ensino Médio – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 9ª ed. – São Paulo: Saraiva Editora, 2013. p. 204.

Entendendo o poema:

01 – Descreva a progressão da chegada do gato ao quarto do eu lírico, destacando os verbos utilizados.

      A chegada do gato é descrita em etapas, com verbos que indicam cautela e hesitação: "chega", "Entrepara", "hesita", "avança". Essa progressão lenta e gradual cria uma atmosfera de expectativa e um certo estranhamento no encontro.

02 – Qual a ação recíproca que ocorre entre o eu lírico e o gato após a entrada do animal no quarto?

      Após a entrada do gato, ocorre uma troca de olhares intensa: "Fita-me. / Fitamo-nos. / Olhos nos olhos...". Essa ação recíproca estabelece um momento de conexão visual direta entre os dois seres.

03 – Que emoção é quase explicitamente mencionada em relação a esse encontro visual?

      A emoção quase explicitamente mencionada em relação a esse encontro visual é o "terror". Essa palavra forte sugere um sentimento de estranheza profunda ou até mesmo de reconhecimento de algo desconhecido e potencialmente perturbador no outro.

04 – Qual a comparação utilizada pelo eu lírico para descrever a sensação de distância e incompreensão mútua entre ele e o gato?

      O eu lírico compara a sensação de distância e incompreensão mútua à de "duas criaturas incomunicáveis e solitárias / que fossem feitas cada uma por um Deus diferente". Essa comparação enfatiza a ideia de origens distintas e, consequentemente, de uma barreira fundamental na comunicação e na compreensão entre os dois seres.

05 – Qual a principal reflexão ou sentimento que o poema evoca sobre a natureza da comunicação e da solidão, mesmo em um encontro aparentemente simples?

      O poema evoca uma reflexão sobre a complexidade da comunicação e a persistência da solidão, mesmo em um encontro direto. A troca de olhares, apesar de intensa, não elimina a sensação de estranhamento e incomunicabilidade. A comparação com criaturas feitas por "Deus diferente" sugere uma barreira essencial que transcende a simples interação física, revelando a potencial solidão intrínseca a cada ser, mesmo na presença do outro.

 

 

quarta-feira, 9 de abril de 2025

POEMA: SE UM POETA FALAR GATO - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: Se um poeta falar num gato

             Mário Quintana

Se o poeta falar num gato, numa flor,
Num vento que anda por descampados e desvios
E nunca chegou à cidade...
Se falar numa esquina mal e mal iluminada...
Numa antiga sacada... num jogo de dominó...
Se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo
[que morriam de verdade...
Se falar na mão decepada no meio de uma escada de caracol...
Se não falar em nada
E disser simplesmente tralalá... Que importa?
Todos os poemas são de amor!

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhuXMZ1bON9UQyI13q8x3dn7H3RlWYuDsHluJ2ciPr-eqgSEqRjQixX2Lb54Eh4cJcaikGJ-VkI-KR7WxPOU1AdOPym5DiySnQTHOYLJYaOvA0ky2XR4dKz_tfLBCpHZWMlZxxlbvFKjI79jENVMc7UV23F4fce9zvFisx9AHJtFhkuhB6CFfxcpxkOciU/s320/gato-para-colorir1.jpg


Antologia poética. Porto Alegre: Globo, 1972. p. 105.

Fonte: Livro – Português: Linguagem, 8ª Série – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 4ª ed. – São Paulo: Atual Editora, 2006. p. 65.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o tema central do poema?

      O tema central do poema é a universalidade do amor na poesia. Mário Quintana sugere que, independentemente do assunto abordado, todos os poemas, em sua essência, são manifestações de amor.

02 – Que tipo de imagens o poeta evoca no poema?

      O poeta evoca imagens simples e cotidianas, como um gato, uma flor, o vento, uma esquina mal iluminada, uma sacada antiga, um jogo de dominó, soldadinhos de chumbo e uma escada de caracol. Essas imagens criam uma atmosfera nostálgica e melancólica.

03 – Qual o significado da expressão "tralalá" no poema?

      A expressão "tralalá" representa a liberdade poética. Mário Quintana sugere que, mesmo que o poeta não expresse nada concreto, a essência do poema ainda será o amor.

04 – O que o poema sugere sobre a relação entre a poesia e a vida cotidiana?

      O poema sugere que a poesia pode encontrar beleza e significado nas coisas mais simples da vida cotidiana. As imagens evocadas no poema são todas retiradas do dia a dia, mostrando que a poesia está presente em todos os lugares.

05 – Qual a mensagem principal que Mário Quintana transmite com esse poema?

      A mensagem principal é que o amor é a força motriz por trás de toda a criação poética. Mesmo quando os versos parecem tratar de assuntos diversos, o sentimento que os permeia é sempre o amor.

 

 

 

POEMA: OS DEGRAUS - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: OS DEGRAUS

             Mário Quintana

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgBeKW_sbzqqn5JWqBqCC7l0TgGp6J6IM5Y3aaSGa_qV9uyDHacZu4Xz53qB2v_P0DSKp7t7RIEU0EOO7y4VvUGLTqEGNuiJjZ-CglZJPi-ztVZgGIZME261-qjU9wXn3qpSCo7CMphWjaHscpiKZrf8oRSVj9mTiK-Cdi3joqn-T4XFxEJlhd6PkWXSOE/s320/degraus1.jpg

Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

Mário Quintana. Antologia poética. Porto Alegre: L&PM, 2003. p. 94.

Fonte: Livro – Português: Linguagem, 8ª Série – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 4ª ed. – São Paulo: Atual Editora, 2006. p. 130.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o tema central do poema?

      O tema central do poema é a exploração do mistério da vida e a importância de permanecer no presente. Mário Quintana sugere que a busca por respostas em outros lugares (sonhos ou planos superiores) pode ser perigosa e que o verdadeiro mistério reside na experiência cotidiana.

02 – Qual o significado da metáfora dos "degraus do sonho"?

      A metáfora dos "degraus do sonho" representa a busca por conhecimento ou experiências que estão além da realidade imediata. O poeta adverte para não se aventurar nesse território, pois pode despertar "monstros", ou seja, enfrentar medos e angústias desconhecidas.

03 – Como a imagem dos "sótãos" contribui para o significado do poema?

      A imagem dos "sótãos" simboliza os lugares onde os "deuses" ocultam seus enigmas, representando os planos superiores da existência, onde se busca respostas para os mistérios da vida. O poeta adverte que esses lugares podem ser perigosos, pois os "deuses" usam máscaras, escondendo a verdade.

04 – Qual a mensagem principal do verso "O mistério está é na tua vida"?

      Esse verso é a chave para a interpretação do poema. Mário Quintana sugere que a busca por respostas para os mistérios da vida em outros lugares é inútil, pois o verdadeiro mistério reside na própria experiência cotidiana. O poeta convida o leitor a apreciar a vida em sua totalidade, com seus mistérios e incertezas.

05 – Qual o significado da expressão "E é um sonho louco este nosso mundo"?

      Essa expressão final do poema reforça a ideia de que a vida é um mistério insondável. O poeta reconhece a natureza caótica e imprevisível do mundo, mas convida o leitor a abraçar essa loucura e a encontrar beleza e significado na experiência cotidiana.

 

sexta-feira, 28 de março de 2025

CONTO: CONTO DE TODAS S CORES - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Conto: Conto de todas as cores

           Mário Quintana

        Eu já escrevi um conto azul, vários até. Mas este é um conto de todas as cores. Porque era uma vez um menino azul, uma menina verde, um negrinho dourado e um cachorro com todos os tons e entretons do arco-íris.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjjOGpvNWGoqb-wWTBEQ05-D0E4uKzi658beSNewtXc3Mtipg2EicopHWttBO4y0uJWRAdlU3TM7kgdsKXNFgvBf7xZXWNEI1VjbMc3w7diQOi6XrLPnmEchxBr-Q1E-cvr6hM473Ql_01O5h4gzQ8MC1VN-34s3t1PHUrgVFvBK2hdxpNesY-NA5XvXO8/s1600/1469963_661473227238343_1256354448_n.jpg


        Até que apareceu uma Comissão de Doutores, os quais, por mais que esfregassem os nossos quatro amigos, viram que não adiantava... E perguntaram se aquilo era de nascença ou se... 

        -- Mas nós não nascemos – interrompeu o cachorro. – Nós fomos inventados!

QUINTANA, Mário. A Vaca e o Hipogrifo. 3. ed. Porto Alegre, L&PM, 1979. p. 34.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. Faraco & Moura – 1ª edição – 4ª impressão. Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 33.

Entendendo o conto:

01 – Qual a característica peculiar dos personagens no conto de Mário Quintana?

      Os personagens possuem cores incomuns: um menino azul, uma menina verde, um negrinho dourado e um cachorro com todas as cores do arco-íris.

02 – Quem aparece para interagir com os personagens e qual a reação deles?

      Uma Comissão de Doutores aparece e tenta, sem sucesso, mudar as cores dos personagens.

03 – Qual a resposta inusitada do cachorro quando questionado sobre a origem das cores?

      O cachorro afirma que eles não nasceram, mas foram inventados.

04 – Qual a possível interpretação da presença da "Comissão de Doutores" na história?

      A Comissão de Doutores pode representar a sociedade e suas normas, que tentam padronizar e homogeneizar os indivíduos, desconsiderando a diversidade.

05 – Qual a principal mensagem que Mário Quintana transmite com este conto?

      A mensagem central do conto é uma celebração da diversidade e da individualidade, além de uma crítica à tentativa de padronização imposta pela sociedade.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

POEMA: O CIRCO - O MENINO - A VIDA - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: O CIRCO – O MENINO – A VIDA

             Mário Quintana

A moça do arame 

Equilibrando a sombrinha 

Era de uma beleza instantânea e fulgurante! 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiThIwUCXHq14Zrxz7PXxN16Mu_GvTAiNLfbStUnMylyACFz-PjFTFO3hqCToN5cVY3Vvmm-4rzdpnNGzEPiB713TC4v3F4rWWnuJQjtD3TDTl_bplV_-Uk8wVKy-KsfIlRR9ghJj1C6wj2_1RGZCKLIdB2_i4hnE3ld5Qt6GugHkGDjatpot6tMFHju6s/s1600/CHUVA.jpg


A moça do arame ia deslizando e despindo-se. 

Lentamente. 

Só para judiar. 

E eu com os olhos cada vez mais arregalados 

Até parecerem dois pires:

Meu tio dizia:

“Bobo!” 

Não sabes 

Que elas sempre trazem uma roupa de malha por baixo? 

(Naqueles voluptuosos tempos não havia nem maiôs nem biquínis...) 

Sim! Mas toda a deliciante angústia dos meus olhos virgens

Segredava-me 

Sempre: 

“Quem sabe?”

Eu tinha oito anos e sabia esperar.

Agora não sei esperar mais nada 

Desta nem da outra vida.

No entanto

O menino 

(que não sei como insiste em não morrer em mim) 

ainda e sempre 

apesar de tudo 

apesar de todas as desesperanças,

o menino 

às vezes

segreda-me baixinho 

“Titio, quem sabe?...”

Ah, meu Deus, essas crianças!

Mario Quintana. Nova antologia poética. 2. ed. Porto Alegre: Globo, 1987, p. 86-87.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 32-33.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal sensação que o eu lírico experimenta ao observar a moça do arame?

      O eu lírico experimenta uma intensa e fulgurante beleza, misturada com uma crescente expectativa e desejo. A moça, com seus movimentos lentos e sensuais, desperta nele uma curiosidade quase infantil, aguçada pela incerteza sobre o que se esconde por baixo de suas roupas.

02 – Qual o papel do tio na percepção do eu lírico?

      O tio representa a figura da razão e da experiência, tentando conter a imaginação do menino e apresentar uma visão mais realista da situação. Ele tenta desmistificar a beleza da moça, revelando a roupa de malha por baixo, mas não consegue apagar a fantasia do sobrinho.

03 – Como a visão de criança e a visão de adulto se contrapõem no poema?

      A visão de criança é marcada pela imaginação, pela esperança e pela capacidade de esperar. O menino acredita que tudo é possível e se encanta com a beleza e o mistério da moça. Já a visão de adulto é mais realista e pragmática, marcada pela experiência e pela consciência das limitações.

04 – Qual o significado da frase "Agora não sei esperar mais nada"?

      Essa frase revela uma sensação de desencanto e perda da capacidade de sonhar. O eu lírico adulto, ao contrário do menino, perdeu a esperança e a capacidade de esperar pelo futuro, sentindo-se frustrado e desiludido.

05 – Qual a mensagem final do poema?

      O poema transmite uma mensagem sobre a passagem do tempo e a perda da inocência. A criança, com sua capacidade de imaginar e esperar, representa a esperança e a beleza da vida. No entanto, a vida adulta traz consigo a desilusão e a perda da capacidade de sonhar. Apesar disso, o poema sugere que a criança interior nunca morre completamente, e que a esperança pode renascer, mesmo nos momentos mais difíceis.