Mostrando postagens com marcador DICIONÁRIO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador DICIONÁRIO. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de junho de 2026

DICIONÁRIO MINEIRÊS-PORTUGUÊS - COM GABARITO

 Dicionário mineirês-português


Ispía só qui trem engraçadimais! Prestenção...

PRESTENÇÃO – É quano eu tô falano iocê num tá ovino.

CADIQUÊ? – Assim, tentanu intendê o motivo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgT48TCflZisxuhtNxtjkIVrTJHwWwW2CjAeJFtzDnrSE71OscIQJ9p7sT_BG74Y87nQoP8-ECA2FTU_BF3Gbi-XDA-fnzynE5kmDaWe9uE1qYy2WcQI548XXTsfpnEbWi7MDJcXIjHVrzTlrPo4crdbVos6SvxY_HxBEBr25EVWVPGnrhqpUSwW0axQkk/s320/hq720.jpg


CADIM – É quano eu num quero muito, só um poquim. 

DEU – O mez qui “di mim”. Ex.: Larga deu, sô!

SÔ – Fim de quarqué frase. Qué exêmpro tamém? Óia: Cuidádaí, sô!

DÓ – O mez qui “pena”, “cumpaxão”: “Ai qui dó, gentch”.

NIMIM – O mez qui in eu. Exempro: Nóóó, cê vivi garrado nimim, trem! Larga deu, sô!

NÓÓÓ – Num tem nada qui vê cum laço pertado, não! O mez qui “nossa!”. Vem de Nóóó-sinhora!

PELEJANU – O mez qui tentanu: Tô pelejanu cuêsse diacho né di hoje!

MINERIM – Nativo duistadiminnss.

UAI – Uai é uai, sô! Uai!

ÉMÊZZZ?! – Minerim querêno cunfirmá.

NÉMÊZZZ?! – Minerim querêno sabê si ocê concorda.

OIAQUI – Minerim tentano chamá atenção prarguma coizz.

PÃO DI QUEJU – Iosscêis sabe! Cumida fundamentar qui disputa cum tutu a preferença dus minêro.

TUTU – Mistura de farinha di mandioca (ô di mio) cum fejão massadim. Bom dimais da conta, gentch!!...

TREIM – Qué dizê quarqué coizz qui um minerim quizé! Ex: “Já lavei us trem!”; “Qui trem bão!”.

NNN – Gerúndio du minerêis. Ex: “Eles tão brincannn”; “Cê tá innn, eu tô vinnn”.

PÓ PÔ – O mez qui pó colocá.

POQUIM – Só um poquim, pra num gastá muito.

JISGIFORA – Cidadi pertin du Ridijanero. Cunfunde a cabeça do minerim que pensa qui é carioca.

DEUSDE – Desde. Ex: “Eu sô magrelin deusde rapazin!”.

ISPÍA – Nome popular da revista VEJA.

ARREDA – Verbu na form imperativ (danu órdi), paricido cum sai. “Arredaí, sô!”.

IM – Diminutivo. Ex: lugarzim, piquininim, vistidim, etc.

DENDAPIA – Dentro da pia.

TRADAPORTA – Atrás da porta.

BADACAMA – Debaixo da cama.

PINCOMÉ – Pinga com mel.

ISCODIDENTE – Escova de dente.

PONDIÔNS – Ponto de ônibus.

SAPASSADO – Sábado passado.

VIDIPERFUME – Vidru de perfume.

ÓIPROCÊVÊ (ou OPCV) – Óia pra você vê.

TISSDAÍ – Tira ISS daí.

CAZOPÔ – Caixa de isopor.

ISTURDIA – Otru dia.

PRONOSTAÍNO? – Pra onde nós tamo indo?

CÊ SÁ SÊSSE ONS PASS NASSAVASS? – Você sabe se esse ônibus passa na Savassi?

Entendendo o dicionário:

01 – Como funciona o fenômeno da aglutinação (junção de várias palavras) no dialeto mineiro, segundo o texto? Dê exemplos.

      O "mineirês" tem uma forte tendência de juntar várias palavras de uma frase em um único bloco fonético, eliminando sílabas e espaços. O texto exemplifica isso perfeitamente com expressões como "Dendapia" (Dentro da pia), "Badacama" (Debaiço da cama), "Pondiôns" (Ponto de ônibus) e a famosa pergunta de trânsito: "Cê sá sêsse ons pass nassavass?" (Você sabe se esse ônibus passa na Savassi?).

02 – De acordo com o dicionário, qual é a origem da interjeição "NÓÓÓ" e o que ela significa?

      A expressão "NÓÓÓ" não tem nenhuma relação com um nó apertado (laço). Ela significa o mesmo que "Nossa!" e funciona como uma expressão de espanto ou surpresa. O dicionário explica que ela é, na verdade, uma abreviação da exclamação religiosa "Nossa Senhora!" ("Nóóó-sinhora!").

03 – Por que a palavra "TREIM" (trem) é considerada o termo mais versátil do vocabulário mineiro?

      Porque ela funciona como um "coringa" linguístico. Segundo o texto, "trem" pode significar qualquer coisa que o mineiro quiser. Pode se referir a objetos físicos ("Já lavei us trem!"), a situações, sentimentos ou qualidades ("Qui trem bão!"), ou até a pessoas ("cê vivi garrado nimim, trem!").

04 – Como o dicionário define as regras gramaticais do gerúndio e do diminutivo no "mineirês"?

      No gerúndio, o mineiro elimina as letras "d" e "o" do final das palavras, prolongando o som do "n" ("NNN"), como em "brincannn" ou "innn". Já para o diminutivo, utiliza-se apenas o sufixo "IM" (em vez de "inho"), resultando em palavras encurtadas como "lugarzim", "piquininim" e "cadim" (um bocado pequeno).

05 – Qual é a piada geográfica e cultural que o texto faz em relação à cidade de "Jisgifora" (Juiz de Fora)?

      O texto brinca que Juiz de Fora é uma "cidadi pertin du Ridijanero" (perto do Rio de Janeiro) e que isso acaba confundindo a cabeça dos seus habitantes nativos (os "minerins"), que, devido à proximidade geográfica e ao sotaque influenciado, às vezes pensam que são cariocas.

06 – Qual é a diferença de intenção entre as expressões "ÉMÊZZZ?!" e "NÉMÊZZZ?!" na comunicação do mineiro?

      Embora parecidas, elas têm objetivos diferentes: "ÉMÊZZZ?!" (É mesmo?!) é usada quando o mineiro está surpreso e querendo confirmar uma informação que acabou de ouvir. Já "NÉMÊZZZ?!" (Não é mesmo?!) é usada quando ele quer saber se a outra pessoa concorda com o que ele está dizendo.

07 – Com base no texto, como a culinária mineira é representada e quais são os pratos considerados fundamentais?

      A culinária é tratada como algo sagrado e culturalmente central. O texto destaca o "Pão di queju" como uma comida fundamental e o "Tutu" (mistura de farinha com feijão amassado), mencionando que ambos disputam a preferência absoluta dos mineiros por serem descritos como "bom dimais da conta".