terça-feira, 30 de junho de 2026

NOTÍCIA: TIROS NO DAKOTA - MARLEINE COHEN - COM GABARITO

 Notícia: Tiros no Dakota

 

        Um, dois, três... cinco tiros na noite de 8 de dezembro de 1980, em Nova York. Estilhaços de vidro.

        Um homem — casaco de couro, óculos e um punhado de fitas cassete debaixo do braço — esboça, cambaleante, seus últimos passos em direção ao Edifício Dakota. Por fim, cai, não longe da arcada externa do edifício, diante do porteiro do prédio, Jay Hastings.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj8we79jAI9yqn1vzynSTq6rhDNck7XwFrtNrSvAj7QaKVxHht0vVPG8vC5zAxng5w5J_kMM_WIQIiIelOZ7HtpARY-pMBw9_pfEmHM4K8rqTOeOSMSJqXs4He8r_CKSJePY7dH7XPVcPApMTafZC37f9bJah-iYqaYNUv3jefbweIzVQOY5Bd856mrbCQ/s320/images.jpg
 

        — Fui baleado! — consegue balbuciar. Contorce-se, tosse, vomita sangue, pedaços de tecido.

        Interrompendo a leitura de um livro, no elegante pequeno hall de mogno do Dakota, Jay Hastings, estarrecido, aciona o alarme para chamar a polícia e corre para junto do corpo agonizante.

        Tira-lhe os óculos, que parecem fazer pressão sobre seu rosto, despe-se de seu paletó azul e o cobre. O sangue jorra em abundancia do peito — por isso, tira a gravata para fazer um torniquete, mas não há como fazer torniquete algum.

        Retorna ao seu posto, apanha o telefone, disca 911 para pedir uma ambulância, um médico, ajuda.

        De volta, ajoelha-se: olha com ternura para aquele homem cujas canções embalaram sua juventude, negando-se mentalmente a inserir aquela cena na sua extensa coleção de lembranças:

        — Tudo bem; você vai ficar bom — implora.

        23 de outubro de 1980, Havaí: um jovem alto e de compleição forte, 25 anos, pede afastamento do condomínio de alto luxo em Honolulu, onde trabalha como segurança. Ele assina a demissão com um nome falso e, quando lhe perguntam se quer outro emprego, simplesmente responde:

        — Não, já tenho um trabalho para fazer.

        Quatro dias depois, graças à sua antiga ocupação, adquire sem muita dificuldade um revólver calibre 38 numa casa de armas localizada a um quarteirão da chefatura de polícia da capital havaiana, e segue para Nova Iorque.

        Na frente do Dakota, enquanto espera pelo seu ídolo no pátio reservado aos fãs dos moradores do prédio, as horas se arrastam, naquela segunda-feira.

        Finalmente, quando ele passa, a caminho do estúdio Hit Factory, onde estava sendo aguardado pelo produtor Jack Douglas para mixar a música Walking on Thin Ice, com guitarras e teclados bem ao estilo disco music, estende-lhe o disco Double Fantasy e pede um autógrafo.

        Agradece, mas não vai embora: são quase 17h — a noite será longa.

        Para se distrair, leva debaixo do braço um livro empolgante — O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger, no qual se identificou cegamente com o personagem principal, um adolescente revoltado que odeia falsidade. Se preciso, farão companhia um ao outro, madrugada adentro.

        Mas eis que a limusine que o levara volta em pouco tempo. Para na frente do Dakota; a porta se abre.

        Acompanhado da mulher, o homem de óculos e blusão de couro não demorou muito: passava das 22 horas quando se despediu da equipe do estúdio, prometendo voltar na manhã seguinte. Dispensou até mesmo o jantar marcado no restaurante Stage Deli e decidiu voltar para casa: queria ver o filho, Sean, antes que ele dormisse.

        O homem desce do carro; o jovem o interpela pelo nome:

        — Mister...?

        A miopia os aproxima na escuridão.

        Então, o desconhecido saca a arma do casaco, agacha-se na posição de tiro e dispara, quase a queima-roupa.

        Um, dois, três... cinco tiros na noite de 8 de dezembro de 1980, em Nova York.

        Gritos desesperados, uma sirene, uma radiopatrulha rasgando a cidade a caminho do St. Luke's Roosevelt Hospital.

        No pátio reservado aos fãs dos moradores do Dakota, Mark David Chapman, cidadão norte-americano, aguarda calmamente a polícia: quando Steve Spiro, primeiro policial a chegar ao local do crime, apareceu, Mark deixou cair o revólver, não ofereceu resistência, entregou-se.

        — Você sabe o que fez? — pergunta-lhe um dos porteiros do Dakota.

        — Eu matei John Lennon.

 

COHEN, Marleine. John Lennon. São Paulo: Globo, 2007. p. 9-11. (Col. Personagens que Marcaram Época). (Adaptado).

Entendendo a notícia:

01 – Quando e onde ocorreu o crime narrado no texto?

      O crime aconteceu na noite de 8 de dezembro de 1980, em frente ao famoso Edifício Dakota, na cidade de Nova York.

02 – Quem foi a primeira pessoa a socorrer a vítima e quais providências imediatas ela tomou?

      Foi o porteiro do prédio, Jay Hastings. Ele acionou o alarme para chamar a polícia, correu até o corpo agonizante, tirou os óculos da vítima, cobriu-a com seu próprio paletó azul e discou para o 911 pedindo uma ambulância e apoio médico.

03 – Qual foi a justificativa que o assassino deu ao se demitir de seu emprego no Havaí, semanas antes do crime?

      Ao pedir afastamento e assinar sua demissão com um nome falso em Honolulu (onde trabalhava como segurança), perguntaram-lhe se ele queria outro emprego. Ele respondeu friamente: "Não, já tenho um trabalho para fazer".

04 – O que aconteceu no primeiro encontro entre John Lennon e o assassino por volta das 17h daquela segunda-feira?

      O assassino abordou John Lennon quando este saía a caminho do estúdio de gravação. Ele estendeu o álbum Double Fantasy e pediu um autógrafo ao músico, que o atendeu.

05 – Qual livro o assassino carregava consigo para se distrair e por que ele se identificava com a obra?

      Ele carregava o livro O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger. Ele se identificava cegamente com o personagem principal da obra, um adolescente revoltado que odiava a falsidade.

06 – Por que John Lennon resolveu voltar cedo do estúdio naquela noite, recusando inclusive um jantar agendado?

      John Lennon passava das 22h quando se despediu da equipe do estúdio Hit Factory. Ele dispensou o jantar que havia marcado no restaurante Stage Deli porque decidiu ir direto para casa para ver seu filho, Sean, antes que o menino dormisse.

07 – Como o assassino reagiu logo após efetuar os cinco disparos e qual foi a sua declaração ao porteiro do prédio?

      Mark David Chapman reagiu com total frieza e calma. Ele deixou a arma cair, não ofereceu nenhuma resistência e aguardou pacificamente a chegada da polícia. Ao ser questionado por um dos porteiros se sabia o que tinha feito, respondeu simplesmente: "Eu matei John Lennon".

 

 

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