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sábado, 21 de março de 2026

RELATO AUTOBIOGRÁFICO: COMO E PORQUE SOU ROMANCISTA - JOSÉ DE ALENCAR - COM GABARITO

 Relato Autobiográfico: Como e porque sou romancista

                                         José de Alencar

 

Minha mãe e minha tia se ocupavam com trabalhos de costuras, e as amigas para não ficarem ociosas as ajudavam. Dados os primeiros momentos à conversação, passava-se à leitura e era eu chamado ao lugar de honra.

Muitas vezes, confesso, essa honra me arrancava bem a contragosto de um sono começado ou de um folguedo querido; já naquela idade a reputação é um fardo e bem pesado.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhp6aTwgfj6kDIrD5qTtWqNRNheH1qDkzPqZmJbKT6aBU27NYiYkimJ49Ygf7p2m-l82jjryof6tsAhQ1q0U6v_j6CJTX8_1NB3DFx6NI-iNdId78MKvjiwU0NkeWmz4MnHPOtTAjFBBdWu96N0Gz8ZFsnh2HLrFULoqtWL4P9a7tKunk6i9ayKGXNQxsE/s1600/JOSE.jpg


Lia-se até a hora do chá, e tópicos havia tão interessantes que eu era obrigado à repetição. Compensavam esse excesso, as pausas para dar lugar às expansões do auditório, o qual desfazia-se em recriminações contra algum mau personagem, ou acompanhava de seus votos e simpatias o herói perseguido.

Uma noite, daquelas em que eu estava mais possuído do livro, lia com expressão uma das páginas mais comoventes da nossa biblioteca. As senhoras, de cabeça baixa, levavam o lenço ao rosto, e poucos momentos depois não puderam conter os soluços que rompiam-lhes o seio.

Com a voz afogada pela comoção e a vista empanada pelas lágrimas, eu também cerrando ao peito o livro aberto, disparei em pranto e respondia com palavras de consolo às lamentações de minha mãe e suas amigas.

Nesse instante assomava à porta um parente nosso, o Revd.º Padre Carlos Peixoto de Alencar, já assustado com o choro que ouvira ao entrar – Vendo-nos a todos naquele estado de aflição, ainda mais perturbou-se:

- Que aconteceu? Alguma desgraça? Perguntou arrebatadamente.

As senhoras, escondendo o rosto no lenço para ocultar do Padre Carlos o pranto e evitar seus 1remoques, não proferiram palavra. Tomei eu a mim responder:

- Foi o pai de Amanda que morreu! Disse, mostrando-lhe o livro aberto.

Compreendeu o Padre Carlos e soltou uma gargalhada, como ele as sabia dar, verdadeira gargalhada homérica, que mais parecia uma salva de sinos a repicarem do que riso humano. E após esta, outra e outra, que era ele inesgotável, quando ria de abundância de coração, com o gênio prazenteiro de que a natureza o dotara.

Foi essa leitura contínua e repetida de novelas e romances que primeiro imprimiu em meu espírito a tendência para essa forma literária [o romance] que é entre todas a de minha predileção?

Não me animo a resolver esta questão psicológica, mas creio que ninguém contestará a influência das primeiras impressões.

 

JOSÉ DE ALENCAR

Como e porque sou romancista. Campinas: Pontes, 1990.

 Entendendo o texto

01. Qual era o papel do jovem José de Alencar durante as reuniões de costura de sua mãe e tia?

a. Ele ajudava a costurar os vestidos e franjas das clientes.

b. Ele ocupava o "lugar de honra" para realizar a leitura de livros em voz alta para as senhoras.

c. Ele era responsável por servir o chá e os doces para as convidadas.

d. Ele ficava brincando no jardim para não atrapalhar o silêncio da casa.

02. No segundo parágrafo, o autor afirma que "a reputação é um fardo e bem pesado". O que ele quis dizer com isso?

a. Que ele se sentia muito importante e orgulhoso por ser um leitor famoso.

b. Que a obrigação de ler para os outros muitas vezes o tirava de momentos de lazer ou de sono que ele preferia ter.

c. Que os livros que ele carregava eram fisicamente muito pesados para uma criança.

d. Que ele tinha medo de errar a leitura e ser castigado pelo Padre Carlos.

03. Como o "auditório" (as senhoras que ouviam a leitura) reagia às histórias lidas por Alencar?

a. Com indiferença, pois elas preferiam focar apenas no trabalho da costura.

b. Com muita emoção, fazendo recriminações aos vilões e torcendo pelos heróis perseguidos.

c. Com sono, pois as leituras eram muito longas e cansativas.

d. Com risadas constantes, pois os livros escolhidos eram sempre de piadas.

04. O que causou a cena de choro coletivo descrita no meio do texto?

a. Uma briga familiar que aconteceu durante o jantar.

b. A notícia real de que um parente próximo havia falecido naquela noite.

c. A comoção causada pela leitura de uma página triste do livro, que narrava a morte do pai de uma personagem (Amanda).

d. O medo que todos sentiram quando o Padre Carlos bateu à porta de repente.

05. Qual foi a reação do Padre Carlos ao descobrir o motivo de tanta aflição e choro na sala?

a. Ele ficou furioso porque as senhoras estavam perdendo tempo com bobagens.

b. Ele também começou a chorar, pois conhecia a personagem do livro.

c. Ele soltou uma "gargalhada homérica", achando graça da situação ao perceber que o choro era por causa de uma história de ficção.

d. Ele fez um sermão religioso sobre a importância de não ler romances.

06. De acordo com a parte final do texto, qual a importância que Alencar dá a essas leituras de infância?

a. Nenhuma, ele acredita que sua carreira de escritor não tem relação com o passado.

b. Ele acredita que essas "primeiras impressões" e a leitura contínua de novelas influenciaram sua tendência para ser romancista.

c. Ele acha que ler muito na infância o prejudicou nos estudos de psicologia.

d. Ele afirma que só começou a gostar de romances depois que ficou adulto e saiu de casa.

07. O texto menciona que Alencar lia com tanta "expressão" que chegava a ser interrompido por soluços. O que isso demonstra sobre a relação dele com o livro?

a. Que ele era um leitor mecânico e não entendia o que estava lendo.

b. Que ele se envolvia profundamente com a narrativa, sentindo a dor das personagens como se fosse real.

c. Que ele estava apenas fingindo para ganhar mais doces na hora do chá.

d. Que ele lia muito rápido para acabar logo e poder voltar a brincar.

 

 

terça-feira, 18 de março de 2025

RELATO PESSOAL: NAS RUAS DO BRÁS - FRAGMENTO - DRAUZIO VARELLA - COM GABARITO

 Relato pessoal: Nas ruas do Brás – Fragmento

            Drauzio Varella

        [...]       

        Aos domingos, folga de meu pai, pegávamos o bonde para visitar a tia Olímpia, irmã e confidente de minha mãe, em Santana. A tia morava com o marido e dois filhos numa chácara cercada de ciprestes, na rua Voluntários da Pátria, quase em frente á Caixa d’Água, perto da Padaria Morávia. Naquela região, havia muitas chácaras; produziam hortaliças que eram transportadas de carroça para as quitandas ou anunciadas aos gritos de porta em porta.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjDPEZghQTQ5dl_Dt6exfAKoWqf0w4FHDX5J2kHLmXIuVXXD3ftxaqSWaWE4XDS4LlLaQc2uWRevuhjIvhbnVb1MOkEwG37VtZtiSIDa7IBYhMxJFORp6tPtzPXI7wH5QJxsg12wOAlNLP_6dCD1JJN37UJ0CjbfOT-M3PAzpjsBusX3Ni03VnMZKE7Nqw/s320/RUA.jpg


        No começo da Voluntários da Pátria acabava o calçamento. Ali, junto à Padaria Polar, onde hoje há uma agência bancária, existia um bebedouro redondo, de bronze, com água para os cavalos que chegavam à cidade pela Zona Norte, depois de descerem a serra da Cantareira. Hoje, quem vê o bairro de Santana com a Caixa d’Água custa a acreditar que menos de cinquenta anos atrás existiam chácaras ali.

        Nessas reuniões familiares, eu encontrava meus primos queridos: dois filhos dessa tia e três do tio José, irmão mais velho da minha mãe. Sujos de terra, em bando pelos quatro cantos da chácara, trepávamos nas árvores, dávamos comida para os patos no laguinho, cortávamos capim-gordura para o Gualicho, o cavalo que puxava a charrete do meu tio, e jogávamos bola em gol de verdade, com trave de bambu do taquaral.

        Quando chegava a hora de ir embora, meus primos e eu chantageávamos minha mãe. para que ela me deixasse ficar lá até o domingo seguinte. Devíamos insistir tanto que às vezes eu acabava conseguindo. Era o máximo da felicidade.

        [...]

Drauzio Varella. Os balões. In: ______. Nas ruas do Brás. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2000. p. 34-35. (Memória e História).

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 189.

Entendendo o relato:

01 – Qual era o destino da família aos domingos?

      A família pegava o bonde para visitar a tia Olímpia em Santana.

02 – Onde ficava a chácara da tia Olímpia?

      A chácara ficava na rua Voluntários da Pátria, perto da Caixa d’Água e da Padaria Morávia.

03 – Como era a região de Santana naquela época?

      A região era repleta de chácaras que produziam hortaliças, transportadas por carroça para as quitandas.

04 – O que havia no começo da rua Voluntários da Pátria?

      No começo da rua, havia um bebedouro de bronze para os cavalos que vinham da Zona Norte.

05 – Quais atividades o autor e seus primos faziam na chácara?

      Eles brincavam na terra, subiam em árvores, alimentavam patos, cortavam capim para o cavalo e jogavam bola.

06 – O que o autor e seus primos faziam antes de ir embora?

      Eles chantageavam a mãe do autor para que ele pudesse ficar na chácara até o domingo seguinte.

07 – Qual era o sentimento do autor em relação aos domingos na chácara?

      Era o máximo da felicidade para o autor.

 

quarta-feira, 5 de março de 2025

RELATO: A ARTE DE PINTAR - LUÍS DONISETE BENZI GRUPIONI - COM GABARITO

 Relato: A arte de pintar

           Luís Donisete Benzi Grupioni

        A algazarra das crianças pequenas e a voz estridente de algumas mulheres xikrin – índios que habitam o sul do Pará – indicam que o grupo que ontem tinha saído bem cedo para apanhar batata-doce, inhame, milho, mandioca e mamão, na roça, hoje está na aldeia. Pouco a pouco, um grupo de mulheres vai se reunindo na casa da mulher chefe, para fazer juntas a primeira refeição do dia e iniciarem mais uma sessão de pinturas coletivas. Mais ou menos a cada oito dias, as mulheres casadas e que têm filhos se reúnem para pintar umas às outras, organizando-se em pequenos grupos, de acordo com a idade e com a quantidade de filhos. Num canto da casa, mulheres jovens com um filho ou dois; noutro, as mais velhas com três ou quatro filhos, todas comendo frutos trazidos da roça.

FONTE: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjTbJzGCeHZgW4ceoDI9EFRHXlpusPFvSeMKXvCGgQ_xBHvFJaclmWAXnNp94YHXHlnpBR_OM_C_7gg6KdORtmeeqZo3kI2fnK0HZfI_cHcuDEBWiAsg3ystu-awpqjUdLwelr8i9XFOzJcnG77KPA958aSB6k_JbgFLUY0Ef7eoP26AJbg-8bRpBw0lsU/s320/guarani-sao-paulo-pro-indio.jpg


        É a primeira vez que Irepu toma parte numa dessas sessões de pintura. Por ter um filho recém-nascido e já haver cumprido o período de resguardo – que pai e mãe devem respeitar após o nascimento dos filhos –, ela pode ingressar na categoria das jovens mulheres com filhos. Assim, Irepu vai participar da sessão, pintando uma companheira e sendo pintada por ela.

        Ao longo de toda a vida as mulheres xikrin vão se aperfeiçoando na arte e na técnica de pintar o corpo, uma atividade de grande interesse e importância na sociedade em que vivem. Crianças pequenas pintam abóboras e bonecas de plástico que são levadas para a aldeia. Quando atingem os 10 ou 12 anos, suas mães permitem que pintem seus irmãos menores. Assim, quando uma moça tem seu primeiro filho, ela já sabe pintar. Em sua casa, longe do olhar crítico das mulheres mais velhas, ela embala seu bebê ao som das cantigas de seu povo e de pinceladas de tinta. É pintando o filho e observando as mulheres mais velhas pintando outras mulheres da mesma categoria de idade que uma Xikrin vai se aperfeiçoando no domínio da técnica de pintar. Isto exige muito tempo e prática. É preciso adquirir segurança no uso do pincel e aprender noções de proporção. Pintando regularmente seus filhos, as mulheres vão “treinando a mão” e aprendendo que, para os Xikrin, gastar horas pintando o filho é uma demonstração de carinho e interesse.

        Na casa da mulher do chefe as mulheres conversam. O momento da pintura é sempre de descontração, prazer, divertimento e também de muitas fofocas, quando se colocam os assuntos em dia. Discutem sobre vários desenhos possíveis e então se decidem sobre o motivo da pintura que farão hoje. A pintura é igual para todas e o desenho é o mesmo no rosto e no corpo. Formando triângulos, quadrados ou executando linhas retas paralelas, elas elaboram os vários desenhos que representam animais e plantas. Uma amiga de Irepu começa a pintar seu rosto, usando uma pequena lasca de taquara que lhe serve como pincel. Com traços firmes, fazendo o desenho do jabuti, que foi escolhido. O deslizar do pincel no rosto produz uma agradável sensação de frescor. Numa pequena cuia de cabaça está a tinta, preparada por algumas mulheres com a mistura de jenipapo mascado, carvão e um pouco de água.

        Depois de pintar o rosto de Irepu, sua companheira cobre-lhe o corpo todo com tinta aplicada com a mão e em seguida passa um pente para formar as listas. Enquanto espera a pintura secar e a volta da companheira que tinha ido em casa buscar um abano de palha, Irepu pega o filho, que estava com sua irmã, para amamentá-lo. Ele rapidamente adormece em seu colo e ela pode então retribuir a pintura na amiga, que já tinha voltado.

        Terminada a sessão de pintura, as mulheres voltam para suas casas. Algumas continuam tomando conta das crianças, enquanto outras vão preparar comida. Com o entardecer, elas se juntam novamente, agora na frente da casa da mulher do chefe. Dali observam os jovens trazerem folhas de palmeira-buriti bem verdes, que são colocadas no meio da praça, onde se sentam os rapazes e os mais velhos, formando o conselho dos homens da aldeia. Hoje, Irepu não está prestando atenção ao que é dito no centro da aldeia, mas admirando o filho, todo pintado, que dorme docemente nos seus braços, escutando os comentários que outras mulheres fazem sobre a pintura que ela realizou em sua amiga. Irepu se sente diferente, pois hoje se iniciou numa nova fase de uma das artes mais apreciadas pelas mulheres xikrin: a arte de pintar-se.

GRUPIONI, Luís D. B. Viagem ao mundo indígena. São Paulo, Berlendis & Vertecchia, 1997. p. 15-20. (Coleção Pawana).

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 90-92.

Entendendo o relato:

01 – Quem são os Xikrin e onde eles habitam?

      Os Xikrin são índios que habitam o sul do Pará.

02 – Com que frequência as mulheres Xikrin casadas se reúnem para pintar?

      As mulheres casadas e que têm filhos se reúnem aproximadamente a cada oito dias para pintar umas às outras.

03 – Qual é o período de resguardo mencionado no relato?

      O período de resguardo é o tempo que pai e mãe devem respeitar após o nascimento dos filhos, durante o qual eles evitam certas atividades.

04 – Como as mulheres Xikrin aprendem a arte de pintar o corpo?

      As mulheres Xikrin começam a aprender a arte de pintar o corpo desde pequenas, pintando abóboras e bonecas. Quando atingem os 10 ou 12 anos, podem pintar seus irmãos menores, e continuam praticando ao longo da vida.

05 – Qual é o significado de pintar os filhos para as mulheres Xikrin?

      Para os Xikrin, gastar horas pintando o filho é uma demonstração de carinho e interesse. É também uma forma de treinar a técnica de pintura.

06 – Que tipos de desenhos as mulheres Xikrin fazem em suas pinturas?

      As mulheres Xikrin fazem desenhos que representam animais e plantas, como triângulos, quadrados e linhas retas paralelas.

07 – Como é a sessão de pintura na casa da mulher do chefe descrita no relato?

      A sessão de pintura é um momento de descontração, prazer e divertimento, com muitas conversas e fofocas. As mulheres discutem sobre os desenhos possíveis e escolhem o motivo da pintura que farão. A pintura é igual para todas.

 

sábado, 3 de agosto de 2024

RELATO: ESCOLA ANTIGA - RACHEL DE QUEIROZ - COM GABARITO

Relato: ESCOLA ANTIGA

             Rachel de Queiroz

        Isto se passava lá pela década de 1920. 

        Toda tarde, ao encerrar as aulas, naquela escola do Alagadiço, em Fortaleza, se dava a sabatina da tabuada. (Vocês sabem o que é? É a tabela das quatro operações, com números de um a dois algarismos). As crianças decoravam a tabuada em voz alta, cantando assim:

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoJ_ISPIK_sohLGsl9SW6jg8lCVth76jcw3iU3-VIUMzAK3F5MPjOgNJyYZLPSoKQ5RVXyw-hVIa_eUDjKUn205R38vwg5D56qlgwOllJfJeSlDnnO1b_dU4u5osriw6usYa9bN3zv14kgU5ZronOXyAlh80FPnPcE19te5kPyqwuACYll0rPf3v9o1Hc/s320/TABUADA.jpg


        “Duas vezes um, dois. Duas vezes dois, quatro. Duas vezes três, seis”, etc, etc. Na hora da sabatina, os alunos de toda a classe formavam, de pé, uma roda, com a palmatória à vista, na mão da professora. Somar e diminuir era fácil, mas, quando chegava a tabuada de multiplicar, era um perigo. A casa do sete, por exemplo, era a mais difícil: “Sete vezes seis, sete vezes oito” – já sabe, o coitado que errava, a professora mandava o seguinte corrigir e, se ele acertasse, tinha direito de dar um bolo de palmatória na mão do que errou. Doía como fogo.

        Sempre havia os sabidinhos que decoravam tudo e davam bolo nos outros. Mas recordo um grandalhão chamado Alcides que não acertava jamais. Mas não chorava nunca, podia levar vinte bolos, mordia os beiços e aguentava firme. Quando chegava em casa, estava com as palmas inchadas e tinha que botar as mãos de molho na água de sal.

        Algum tempo depois, inaugurou-se a chamada “ESCOLA NOVA”. Acabaram com a tabuada, com a sabatina e com a palmatória.

        Acho que foi boa ideia.

                Escola Antiga. Rachel de Queiroz. In: Memórias de menina. Rio de Janeiro, Editora José Olympio, 2003, @ by herdeiros de Rachel de Queiroz. p. 7-8.

Fonte: Encontros – Língua Portuguesa – Isabella Carpaneda – 5º ano – Ensino fundamental anos iniciais. FTD – São Paulo – 1ª edição. 2018. p. 80-81.

Entendendo o relato:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Bolo: no texto, quer dizer pancada dada na mão aberta.

·        Escola nova: movimento do início do século passado que defendia uma escola pública e gratuita para todos.

·        Palmatória: pequena peça circular de madeira com cinco orifícios dispostos em cruz e com um cabo, com a qual se castigavam pessoas, de escravos a escolares, batendo-lhes com ela na palma da mão.

·        Sabatina: prova para medir o conhecimento sobre alguma coisa.

02 – Em que década se passa o relato "Escola Antiga" de Rachel de Queiroz?

      O relato se passa na década de 1920.

03 – O que é a sabatina da tabuada mencionada no texto?

      A sabatina da tabuada era uma atividade diária em que as crianças decoravam e recitavam em voz alta a tabela das quatro operações matemáticas, especialmente a tabuada de multiplicação.

04 – Como as crianças decoravam a tabuada?

      As crianças decoravam a tabuada cantando em voz alta, por exemplo: “Duas vezes um, dois. Duas vezes dois, quatro. Duas vezes três, seis”, etc.

05 – O que acontecia durante a sabatina quando um aluno errava uma resposta?

      Quando um aluno errava uma resposta, a professora mandava o aluno seguinte corrigir. Se ele acertasse, tinha o direito de dar um golpe com a palmatória na mão do aluno que errou.

06 – Qual era a parte mais difícil da tabuada para os alunos, segundo o texto?

      A parte mais difícil da tabuada para os alunos era a casa do sete, por exemplo: “Sete vezes seis, sete vezes oito”.

07 – Quem era Alcides e qual era sua característica marcante durante as sabatinas?

      Alcides era um aluno grandalhão que nunca acertava a tabuada. Sua característica marcante era que, apesar de levar muitos golpes de palmatória, ele nunca chorava e suportava a dor com firmeza.

08 – O que mudou com a inauguração da "ESCOLA NOVA"?

      Com a inauguração da "ESCOLA NOVA", acabaram com a tabuada, a sabatina e à palmatória, trazendo um novo método de ensino que a autora considera uma boa ideia.

 

 

 

sábado, 25 de maio de 2024

RELATO: HISTÓRIA DE VINÍCIUS CAMPOS DE OLIVEIRA - COM GABARITO

 Relato: História de Vinícius Campos de Oliveira


        "Tudo começou na verdade... f... com o meu irmão, meu irmão mais velho, né? Ele começou a trabalhar no aeroporto Santos Dumont primeiro do que eu, antes de mim, é... como engraxate, porque já tinha uns outros... outros amigos ali da área...

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiyvggFXu0-q4bLb_lWjEqb4bNCZSeOUMCYb8PTChh_zOU6evvrCrwio2ugYc3uV0aLnTGWx0A2_OVXsYDhHosh0fBXnM6kL0odNOCctFM8SZgdCdC3Z1Ew3omQUuRX0iIpkjTKrs1PqIlAH1iFsuNQAcnRkx-MOPWGogKILUphjtiZCekIbcwtBXG_IuM/s1600/RJ.jpg


        Teve um momento, um dia, em que eu tava dentro do saguão, e aí por um acaso o Walter Salles, né?, o diretor do filme, ele tava... é... ia pegar uma ponte aqui pra São Paulo e... resolveu parar na lanchonete pra fazer um lanche e ele era o último da fila, mas, evidentemente, eu não sabia quem era o Walter Salles é... e eu... mas eu o vi de longe, no fi... no final da fila, pensei “ah, vou chegar até esse rapaz pra ver se eu consigo engraxar o sapato dele, né?” e quando eu fui me aproximando, eu percebi que ele tava de tênis. E... eu falei “ah, bom, de tênis não... não dá pra fazer o serviço, né?”. E aí na hora que eu dei as costas pra ir embora, eu parei pra pensar cinco segundos e falei “ah, acho que eu vou voltar lá e pedir pra esse cara me pagar um sanduíche”. Foi quando eu voltei e perguntei se ele podia me pagar um hambúrguer, tal, uma Coca-cola. Ele falou “claro”. E, aí, depois que ele terminou de comer, ele foi falar comigo, né?, perguntar se eu queria... fazer um teste pra um filme. É... eu falei “ah, claro, tudo bem”, mas eu não sabia o que era, né? Ele perguntou se eu conhecia cinema, se eu já tinha feito alguma coisa. E eu falei: “não, não sei o que que é. E eu nunca fui ao cinema também, então não tenho ideia do que cê... esteja falando”. Ele falou: “bom, então se você puder ir nesse lugar, nesse dia, nessa data, nesse horário, você vai lá fazer um testezinho e a gente conversa melhor”.

        Eu voltei pra casa, contei pra minha mãe a história, a situação, ela não tinha entendido nada, porque também ela não sabia o que era, não entendia da coisa. Ficou superpreocupada porque era um momento em que... é... tava muito forte a coisa de... de... raptar crianças e aí vender os órgãos, essa coisa toda. Esse negócio tava saindo direto na mídia, e... e aí eu não fui. Simplesmente esqueci e os dias passaram, até que um dia, também fim da tarde, eu andando do lado de fora do aeroporto, me para uma Kombi do lado e aí descem duas pessoas, perguntando se eu era o Vinícius. E eu falei: “ah, sou, sou eu, sim”. E, aí, que eles contaram a história do Walter: “A gente veio aqui a pedido do Walter, estamos o dia inteiro te caçando no aeroporto. Ele quer que você faça o teste” e... foi quando tudo deu certo. Acabou dando certo e, aí, a gente começou a filmar o Central, enfim, é... antes de filmar eu conheci a Fernanda, claro, ensaiei um pouco com ela pra pegar intimidade e... foi quando aconteceu o Central."

Disponível em: http://www.museudapessoa.net/pt/conteudo/historia/a-carta-inerente-3085. Acesso em: 2 out. 2015.

Fonte: Língua Portuguesa. Se liga na língua – Literatura – Produção de texto – Linguagem. Wilton Ormundo / Cristiane Siniscalchi. 1 Ensino Médio. Ed. Moderna. 1ª edição. São Paulo, 2016. p. 195-197.

Entendendo o relato:

01 – As informações temporais são parte importante de um relato.

a)   Escreva no caderno os fatos que marcam o início e o final do período abarcado pelo relato de Vinícius.

Início: trabalho no aeroporto como engraxate; final: início das filmagens.

b)   Explique a função da referência ao irmão mais velho no início do texto.

A referência ao irmão explica por que Vinícius passou a trabalhar no aeroporto onde foi visto pelo diretor de cinema.

c)   Que expressões temporais foram empregadas para indicar o momento da ação central desse relato? Elas são precisas?

As expressões “um momento, um dia”, que não são precisas.

02 – O relato narra o encontro do falante com o diretor de cinema Walter Salles.

a)   Que informações justificam o uso de “evidentemente” no trecho “mas, evidentemente, eu não sabia quem era o Walter Salles?

Na continuação do relato, Vinícius informa que nunca tinha ido ao cinema nem tinha qualquer intimidade com a área e, portanto, não teria como reconhecer o diretor.

b)   Que imagem do diretor o ouvinte constrói a partir do relato? Como ela é construída?

A de um jovem generoso e simples. A imagem é construída pela descrição física do diretor, que calçava tênis e é chamado de “rapaz”, o que evidencia sua simplicidade e juventude, e por seu comportamento, pois atendeu ao pedido do menino, o que mostra sua generosidade.

03 – Como a condição financeira do falante é evidenciada ao longo do relato? Por que ela ganha destaque?

      O falante menciona que trabalhava como engraxate, assim como seu irmão, o que indica ser ele de família pobre, algo confirmado pelo fato de pedir o lanche a um desconhecido e por jamais ter ido ao cinema. trata-se de uma informação importante para entendermos o efeito, na vida do falante, daquele encontro com o jovem diretor.

04 – No último período do relato, o tom de voz do falante vai progressivamente diminuindo e ele termina a fala em um tom bastante baixo. O que isso pode significar?

      O relato tem por foco o momento em que o garoto foi descoberto pelo diretor e convidado a fazer o teste e não a explicação sobre as filmagens, que constitui uma informação menos relevante dentro do recorte específico que ele propôs. Assim, o tom de voz baixo parece indicar que o relato está sendo concluído.

 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

RELATO PESSOAL: INVENTANDO MODA - ANA PAULA XONGANI - COM GABARITO

 Relato pessoal: Inventando moda

                         Ana Paula Xongani

        Meu nome é Ana Paula Mendonça Costa Pedro Ferro, mas o nome que eu uso é Ana Paula Xongani. Toda a minha família é negra. Das vezes que eu fui pra Moçambique, as pessoas perguntavam se eu era angolana. Eu me reconheço nas características das angolanas, mas não tenho certeza. Meu pai e minha mãe moravam na zona Leste de São Paulo, e eles se conheceram no ônibus. Minha mãe sempre pegava o mesmo ônibus pra ir pra escola e um primo do meu pai pegava o mesmo ônibus. Ele se encantou com a minha mãe e comentou com o meu pai. Meu pai quis ver de perto e eles se apaixonaram.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj01waVODbRcHcBg3N28PIthimwYCrUDZqLWT1BkjJCUlWXQ-65Z6wYEOMAbiDBYtDMn5MFDR8-NHJqNdWEdUf15rkGJc64zm3K19W-XMIjpesiZWIX0L-F-4SAyPh8j1gQ6gMZDTWVaMhCBLq_FcTZy06JKWvlaaniHBF9k32aykThfPFo0RlciA7Xfr0/s320/casal.png


        [...]

        Eu fui muito cuidada por toda a minha família, minha mãe, meu pai e meu irmão. Lembro muito das brincadeiras que o meu irmão fazia comigo, ele interpretava vários personagens. Lembro também de brincar muito com os meus amigos do prédio. Tinha algumas famílias negras no nosso condomínio e os pais criaram um elo, onde todo mundo era padrinho e madrinha de alguém. Então as crianças cresceram juntas, como primos. Nessa época, minha mãe começou o processo de militância negra, e lembro que meus amigos eram filhos de militantes. E eu ia com ela nos encontros e ficava bagunçando com os meus amigos. E era um lugar onde eu me fortalecia enquanto menina negra, era um lugar onde eu era bonita, todos eram iguais.

        [...]

        Minha escola foi bem difícil, passei por muitas experiências de racismo, e eu também era disléxica, tinha muita dificuldade de aprendizado. Foi um momento difícil de isolamento, eu era a única menina negra da classe, não podia falar o que eu queria, ser o que eu queria. Mas fora da escola eu me sentia bem, participava de um coral infantojuvenil de música afro-brasileiras, fazia artes plásticas, dança, teatro, jazz, natação, participava dos projetos sociais junto com a minha mãe. Era legal porque a minha família era muito unida, aonde um ia, todo mundo ia.

        Eu fiz faculdade [...], e lá eu sofri o pior racismo da minha vida. Eu era invisível, os professores nem liam meus trabalhos, me davam respostas rasas pra tudo que eu perguntava. [...]

        Nenhum professor quis me orientar, mas meu companheiro e nossos amigos fizemos tudo juntos, eles me orientaram, me ajudaram com a organização, com a apresentação. No dia da apresentação, eu fui preparada. Não teve como eu ser invisível ali, todo mundo tinha que assistir. No fim da minha apresentação, eu fiz um discurso enorme contando tudo o que eu passei, chorei tanto que lavei minha alma, dei nome para todos os bois. [...]

        Depois disso eu casei e fui pra Moçambique, e lá pude me conectar com muitas coisas, resgatar minha ancestralidade. Lá eu descobri que eu podia ter dread, uma referência que eu não tinha em lugar nenhum. Lá também eu descobri os tecidos africanos, e a partir daí tudo mudou. Levei vários tecidos de lá pra São Paulo, e eu e minha mãe começamos a fazer roupas com eles. Assim nasceu [...] a nossa marca de produtos para as mulheres pretas, pensando no corpo delas, coisa que marca nenhuma fazia. Eu mesma tive que parar de fazer natação na minha infância porque não existia uma touca em que coubesse o meu cabelo. Eu e minha mãe paramos de andar de moto porque não tem um capacete em que caibam os nossos cabelos. Então quando a gente começou a perceber que a gente podia cuidar desse corpo, dessa mulher negra, e que a moda podia comunicar e consolidar essa luta do negro no Brasil, a gente teve certeza de que era isso que tínhamos que fazer, e fazemos até hoje.

Ana Paula Xangani. Em: Museu da Pessoa. Disponível em: https://acervo.museudapessoa.org/pt/conteudo/historia/inventando-moda-120966/colecao/115736. Publicado em: 27 dez. 2016. Acesso em: 17 maio 2021. Fragmento.

Fonte: Coleção Desafio Língua Portuguesa – 5° ano – Anos Iniciais do Ensino Fundamental – Roberta Vaiano – 1ª edição – São Paulo, 2021 – Moderna – p. MP148-152.

Entendendo o relato pessoal:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Moçambique: país localizado no Sudeste da África.

·        Angolana: pessoa nascida em Angola, país no Sul da África.

·        Militância negra: atividade de quem é militante, pessoa que atua em defesa de uma causa; no caso, a luta contra o racismo em suas diversas formas.

·        Disléxica: pessoa que sofre de um distúrbio de aprendizagem caracterizado pela dificuldade de leitura.

·        Ancestralidade: características e história que vêm dos antepassados.

·        Dread: penteado na forma de mechas emaranhadas.

02 – Quem é o autor do relato?

      Ana Paula Mendonça Costa Pedro Ferro.

a)   Qual é o nome que ela usa?

Ana Paula Xongani.

b)   Na língua changana, falada em Moçambique, o nome Xongani tem um significado similar a “se enfeitem”, “fiquem bonitas(os)”. Na sua opinião, por que a autora do texto usa Xongani como sobrenome?

Ao usar esse nome junto ao seu, a autora do texto demonstra o afeto que tem por sua própria identidade e por Moçambique.

03 – Logo no primeiro parágrafo, a autora menciona características da família e dela também. Que características são essas?

      Ela menciona que toda a sua família é negra e que ela tem traços de pessoas angolanas.

04 – Escolha a alternativa que explica por que ela apresentou essas características logo no início do relato.

(  ) Ela não tinha qualquer intenção especial ao apresentar essas características.

(X) Para ela, ser negra e reconhecer que sua história está ligada à história de seus ascendentes africanos é importante por ter uma influência marcante em sua vida.

(  ) Ela apresentou essas características logo no início por considerar que eram menos importantes do que o resto de sua história.

05 – No segundo parágrafo, ela afirma:

        “E era um lugar onde eu me fortalecia enquanto menina negra, era um lugar onde eu era bonita, todos eram iguais”.

·        Por que ela se sentia dessa forma nos encontros de militância de que participava com a mãe? Escolha a alternativa correta.

(X) Como esses encontros tratavam do combate ao preconceito, era natural que ela se sentisse valorizada e em um ambiente de harmonia.

(  ) Porque ela podia brincar com os amigos.

(  ) Porque ela também tinha o desejo de ser militante.

06 – No terceiro parágrafo, Ana Paula conta como se sentia na escola. Releia a frase a seguir.

        “Foi um momento difícil de isolamento, eu era a única menina negra da classe, não podia falar o que eu queria, ser o que eu queria”.

a)   Por que ela se sentia dessa forma?

Porque sofria muitas experiências de racismo e por ter dificuldades de aprendizagem.

b)   E fora da escola, como ela se sentia? Por quê?

Ela se sentia bem, acolhida pela família e pela comunidade em que vivia, e realizava muitas atividades.

c)   E você, como se sente dentro e fora da escola? Por quê?

Resposta pessoal do aluno.

07 – Ana Paula afirma que sofreu racismo na faculdade. Releia:

        “Eu era invisível, os professores nem liam meus trabalhos, me davam respostas rasas pra tudo que eu perguntava”.

a)   Como você entende a afirmação “Eu era invisível”?

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Ela era ignorada pelos professores.

b)   Você já se sentiu invisível em alguma situação? Se sim, o que aconteceu?

Resposta pessoal do aluno.

08 – Ao viajar para Moçambique, Ana Paula fez descobertas. Assinale a alternativa correta.

(X) Em Moçambique, Ana Paula aprendeu a valorizar a cultura de seus ancestrais africanos e hábitos atuais, como usar dread, que no Brasil podiam ser considerados incomuns.

(  ) Em Moçambique, Ana Paula resgatou ancestrais e aprendeu a usar dread e tecidos africanos.

09 – Ana Paula trouxe tecidos africanos para São Paulo. O que ela e a mãe fizeram com esses tecidos?

        Criaram uma marca de roupas adequadas ao corpo das mulheres negras.

·        Ana Paula afirma que nenhuma marca fazia o que ela e sua mãe se dispuseram a fazer. Qual seria a causa disso?

Provavelmente, era por causa do preconceito e do racismo.

10 – Releia o trecho a seguir:

        “[...] No fim da minha apresentação, eu fiz um discurso enorme contando tudo o que eu passei, chorei tanto que lavei minha alma, dei nome para todos os bois. [...]”.

a)   Os trechos destacados devem ser entendidos em sentido literal ou figurado? Explique sua resposta com base no boxe abaixo.

·        Sentido literal: sentido próprio das palavras, registrado em dicionário.

·        Sentido figurado: novo sentido que as palavras ganham em um contexto.

Os trechos em destaque devem ser entendidos em sentido figurado, pois Ana Paula não lavou a própria alma ou nomeou bois.

b)   Reescreva o trecho citado, substituindo as partes em destaque por outras equivalentes.

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: No fim [...] chorei tanto que desabafei, indiquei/nomeei cada pessoa responsável pelo racismo que sofri.