Artigo de opinião: Os
quadrinistas atuais – Fragmento
Do final dos anos 60 para cá,
quadrinistas brasileiros têm lançado personagens interessantes: O Pato de Ciça
(uma das pocas desenhistas de sucesso entre nós); Capitão Cipó, de Daniel
Azulay; Rango, de Edgar Vasques, e muitos outros.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZgCj7stmMvhNLh6I8vdpj1cqmCCW5H1S8TigHr4K4Wllzjh5qbXHBgYlR2UU7uxt85MezxH6eDz7zrMZcvCPaXeWyf9X0PneCaQBzKGGrykLIREkd2AHnxcx3MdU4AD9bgp-U_u4qKfE8SXY9FeaMrWCLnOvEQgoRoIZAqwv7xkJKfzhJYevXMXcYz0I/s1600/pato.jpg Capitão Cipó, considerado uma
obra-prima dos quadrinhos brasileiros, estreou como tira diária no jornal
Correio da Manhã, em 1968. É uma sátira ao Super-Homem. O personagem, mistura
desse herói com o Batman, carrega, em seu cinto de utilidades, um monte de quinquilharias,
como pípulas anticoncepcionais, bombons e isqueiros sem fluido. Quando não está
atuando como herói, o Capitão Cipó usa o disfarce de Irineu Pedrosa, um
apresentador de televisão.
Infelizmente, não temos espaço
suficiente para detalhar toda a produção brasileira. Esperando não cometer
muitas injustiças, vamos mencionar os artistas que estão em maior evidência.
Assim, citamos Angeli, que nos brindou com os personagens Skrotinhos, Rê
Bordosa e Bibelô, entre outros; Laerte, com a série Piratas do Tietê, uma
crítica aos nossos costumes; e Glauco, criador dos Neuras, Geraldão e Dona
Marta. [...]
Devem-se registrar, também, Alain Voss,
Miguel Paiva e Sérgio Macedo, autores que fazem sucesso na Europa com
personagens tipicamente brasileiros.
Leila R. Iannone e
Roberto A. Iannone. O mundo das histórias em quadrinhos. São Paulo, Moderna,
1994.
Fonte: Língua
portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD.
São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 166.
Entendendo o artigo:
01
– O autor menciona que o Capitão Cipó é uma sátira a heróis norte-americanos
conhecidos. De que maneira as características desse personagem constroem essa
sátira?
A sátira é
construída pela ironia e pelo contraste com os heróis originais. Em vez de
possuir apetrechos tecnológicos ou armas poderosas como o Batman, o Capitão
Cipó carrega em seu cinto de utilidades "quinquilharias" cotidianas e
inúteis para o combate ao crime, como pílulas anticoncepcionais, bombons e
isqueiros sem fluido. Além disso, seu alter ego, Irineu Pedrosa, é um
apresentador de televisão, ironizando o disfarce tradicional de identidades
secretas discretas.
02
– Qual é a justificativa apresentada pelo autor para não aprofundar a análise
de toda a produção de quadrinhos brasileira no texto?
O autor justifica
que não o faz por falta de espaço suficiente no texto ("Infelizmente, não
temos espaço suficiente para detalhar toda a produção brasileira"). Para
contornar essa limitação e tentar não cometer injustiças, ele opta por focar a
abordagem nos artistas que estão em maior evidência no momento.
03
– De acordo com o texto, qual é a principal característica ou objetivo da série
Piratas do Tietê, da quadrinista Laerte?
A principal
característica da série Piratas do Tietê descrita no fragmento é o seu caráter
satírico e social, funcionando explicitamente como uma crítica aos costumes da
sociedade brasileira.
04
– O fragmento cita os autores Alain Voss, Miguel Paiva e Sérgio Macedo. Qual é
o diferencial do trabalho desses artistas destacado pelo autor?
O diferencial
desses autores é o sucesso internacional alcançado por eles. O autor destaca
que eles conseguem fazer sucesso no continente europeu utilizando personagens
que carregam uma identidade e características tipicamente brasileiras.
05
– A partir da leitura do primeiro parágrafo, o que o autor sinaliza sobre a
presença feminina no cenário de sucesso dos quadrinhos brasileiros até o momento
de escrita do texto?
O autor sinaliza
que a presença feminina em patamar de destaque era uma exceção na época. Ao
mencionar a personagem "O Pato", de Ciça, ele faz o parêntese de que
ela é "uma das poucas desenhistas de sucesso entre nós", evidenciando
que o meio era majoritariamente dominado por homens.
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