quinta-feira, 27 de agosto de 2026

POESIA: - ME PAULO ALBERTO M. MONTEIRO DE - COM GABARITO

 Poesia: - Me

Gargal(h)o de mim

Lúcido-me tolo.

Olhos de análise, tudo sei

Menos o mim. Desminto-me.

Me mito ou me mato

Em suor e de lírio

Não sei se sei, se sou ou suo.

Cego, só ego sou

Cogito ergo sum.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgd82rdNBJlhSy6gX-R4Q8CVEX7hyphenhyphenUFWE8X2y5mJze402fNn8xMNCZT_iTLWkiBim7AFvcmh5aBhoA4IeH6m_6RvMhyphenhyphenEhIHY8SMQxhb-2IVLoth5uF0eU-EUv9tBbsN8Nxs30l_4D0AGhOEExVU-JZ1E7lTb366zSLyXWKWPqD4fuTJym2N9RMOQFt6fYc/s320/images.jpg


Inciente de mim

Não posso verme.

Imparcial, petulante,

Soslaio-me, infrutífero

E fero, voraz, implacável,

Tombo, incapaz-me 

Delirante luz.

BARROS, Paulo Alberto M. Monteiro de (Artur da Távola). Calentura.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o tema central abordado no poema e como ele se relaciona com o título "-Me"?

      O tema central é a crise de identidade, a busca pelo autoconhecimento e a divisão do "eu". O título "-Me" e o uso constante do pronome oblíquo reflexivo evidenciam essa introspecção e a tentativa do eu lírico de analisar a si próprio como objeto de estudo.

02 – Como a frase filosófica "Cogito ergo sum" (Penso, logo existo), de René Descartes, é ressignificada e ironizada no poema?

      O eu lírico contrapõe o racionalismo de Descartes à sua própria ignorância e cegueira sobre si mesmo ("Olhos de análise, tudo sei / Menos o mim"). O pensamento lógico não o ajuda a se compreender, transformando o "Penso, logo existo" em um estado de dúvida e egocentrismo ("Cego, só ego sou").

03 – Qual o efeito de sentido produzido pelos jogos de palavras e sonoridades nos versos "Me mito ou me mato / Em suor e de lírio" e "Não sei se sei, se sou ou suo"?

      O poema utiliza aliterações, assonâncias e jogos de palavras (como "delírio" desmembrado em "de lírio") para expressar a confusão mental, a angústia existencial e o delírio do eu lírico, cujas certezas se dissolvem em dúvida sobre sua própria existência e sentimentos.

04 – De que forma o eu lírico explora a neologização e a inversão da colocação pronominal para expressar a tentativa de autoanálise?

      O poeta cria estruturas incomuns, como unir pronomes a adjetivos e substantivos (ex: "Lúcido-me tolo", "Incapaz-me"), ou usar o pronome antes de verbos que não admitem próclise na norma padrão ("Gargal(h)o de mim"). Isso reflete a tentativa constante, porém frustrada, de voltar a ação verbal contra si mesmo.

05 – Qual é a contradição vivida pelo eu lírico expressa nos versos finais do poema?

      A contradição está no fato de o eu lírico se ver como alguém "imparcial", "petulante" e analítico, mas ao mesmo tempo "incapaz" e "infrutífero" de enxergar a si mesmo. Ele cai/tomba diante de uma "delirante luz", demonstrando que excesso de análise não traz lucidez, mas sim cegueira e desintegração do "eu".

 



 

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