Autobiografia: O menino de Brodósqui – Fragmento
“Saí das águas do mar
E nasci no cafezal de terra
roxa.
Passei a infância
No meu povoado arenoso.
Andei de bicicleta e em
Cavalo em pelo. Tive medos
E sonhei. Viajei pelo espaço.”
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgexj-12LK-R34VPHoelocWaL7Yy609rtWu7jSrqHjNRK9-W8OteFCG4wNOsORCS6zoCt1fI7ze1_WdHoIhStMXEhOiW7bi8BCxx8nUEEyWmFHHmTB3aLbX6NwQHMUNcmrN3r03nZd9L20DNoZsAB-PHsildR38eOA7AL9hUZLGmXDlGOoYJKXxHISeQgA/s1600/images.jpg Nasci numa fazenda de café. Meus pais
trabalhavam na terra. Não tenho nenhuma lembrança dali.
Mudaram-se da fazenda Santa Rosa para a
estação de Brodósqui – onde não havia ainda povoado; eu devia ter uns dois anos
de idade.
No novo local viviam, com meus pais,
minha avó paterna, um tio e uma tia, ambos irmão do meu pai. [...]
Nosso brinquedos eram variados,
conforme o mês, e também havia os para o dia e os para noite. Para o dia eram:
gude, pião, arco, avião, papagaio, diabolô, bilboquê, ioiô, botão, balão, malha
e futebol. Para a noite: pique, barra-manteiga, pulando carniça, etc. tinha o
cabelo branco e apelidavam-me de vovô. Gostava muito de ir na garupa de
cavaleiros. Gostava de deitar-se na grama e olhar as estrelas, era um grande prazer. Havia também
as histórias de Dona Iria, senhora portuguesa, mãe de muitos filhos e muito boa
pessoa; à noite, sentados no chão ao seu redor, ficávamos atentos, ouvindo as
histórias: Roberto do Diabo, Roldão, Carlos Magno, reis, príncipes e princesas.
Que lindas eram as suas histórias e que bom era esse tempo.
Eram belas as manhãs frias na época da
apanha de café e delicioso o canto dos carros de boi transportando as sacas da
colheita. Quantas vezes adormecíamos sobre as sacas da colheita. A luz do sol
parecia mais forte. Era somente para nós. Ia pela estrada afora o carro
vagaroso, cantando. Dormíamos cheios de felicidade. Sonhávamos sempre, dormindo
ou não. Nossa imaginação esvoaçava pelo firmamento. Fantasias forjadas, olhando
as nuvens brancas, mais brancas do que a neve. Tudo se movia ao nosso redor
como um passe de mágica. Belas eram as flores silvestres. Conhecíamos bem os
pássaros, as formigas, as seriemas, as saracuras e os tatus. Quando víamos no
chão um orifício, sabíamos a que bicho pertencia. Conhecíamos também a maioria
das árvores e arbustos, sabíamos suas serventias para as doenças; as chuvas e o
arco-íris, as nuvens, as estrelas, a lua, o vento e o sol eram-nos familiares. O
contato com os elementos moldava nossa imaginação e enchia nosso coração de
ternura e esperança. [...].
PORTINARI, Candido. O
menino de Brodósqui. In: PORTINARI, Candido. Retalhos da minha vida de
infância. Org. e consult. Técnica: Projeto Portinari: São Paulo, 2001.
Fonte: Maxi: Séries
Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1. ed. São Paulo: Somos Sistemas
de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 5-6.
Entendendo a autobiografia:
01 – De acordo com o texto,
qual o significado das palavras abaixo:
-- Terra roxa: também chamada de terra vermelha, é um tipo de solo conhecido
por sua alta fertilidade e por seu preço elevado.
-- Forjadas: inventadas, criadas.
-- Orifício: buraco.
02 – Onde o autor nasceu e por que ele afirma não ter
lembranças desse local de nascimento?
O autor nasceu em
uma fazenda de café (a Fazenda Santa Rosa), onde seus pais trabalhavam na
terra. Ele não tem lembranças do local porque sua família se mudou de lá para a
estação de Brodósqui quando ele devia ter apenas cerca de dois anos de idade.
03
– Quais eram os brinquedos e brincadeiras mencionados pelo autor, e como eles
se dividiam entre o dia e a noite?
Os brinquedos e
brincadeiras variavam conforme o mês e o período do dia:
Para o dia: gude, pião,
arco, avião, papagaio, diabolô, bilboquê, ioiô, botão, balão, malha e futebol.
Para a noite: pique,
barra-manteiga, pulando carniça, entre outros.
04
– Quem era Dona Iria e qual era o seu papel nas memórias de infância do autor?
Dona Iria era uma
senhora portuguesa, mãe de muitos filhos e descrita como uma pessoa muito boa.
À noite, as crianças se sentavam no chão ao seu redor para ouvir atentas as
suas histórias fascinantes sobre reis, príncipes, princesas e personagens como
Roberto do Diabo, Roldão e Carlos Magno.
05
– Qual apelido o autor tinha quando criança e por qual motivo ele recebeu essa
alcunha?
O autor era
apelidado de "vovô" porque tinha o cabelo branco quando era criança.
06
– Como era a rotina das crianças durante a época da apanha do café descrita no
texto?
Nas manhãs frias da época da apanha do café, as crianças
ouviam o "cantar" dos carros de boi que transportavam as sacas da
colheita. Muitas vezes, elas adormeciam sobre as próprias sacas de café no
carro de boi vagaroso que ia pela estrada afora, dormindo cheias de felicidade
e sonhando.
07
– Como era a relação do autor e de seus companheiros com a natureza e com o
ambiente rural?
Eles tinham uma
relação de profunda intimidade e conhecimento com a natureza: conheciam os
pássaros, animais (como seriemas, saracuras e tatus) e sabiam identificar qual
bicho habitava cada buraco no chão. Além disso, conheciam as árvores, arbustos
e suas utilidades medicinais, sendo-lhes familiares elementos como as chuvas, o
arco-íris, o vento, a lua e as estrelas.
08
– De acordo com o texto, qual foi o impacto do contato direto com os elementos
da natureza na formação do autor?
Segundo o
fragmento, o contato com os elementos da natureza moldava a imaginação das
crianças, estimulava suas fantasias e enchia seus corações de ternura e
esperança.
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