quinta-feira, 6 de agosto de 2026

CONTO: OS CEGOS E O ELEFANTE - WILLIAM J. BENNETT - COM GABARITO

 Conto: Os cegos e o elefante

          William J. Bennett

        Era uma vez seis amigos, todos cegos, que moravam na Índia – terra dos maiores animais do mundo, os elefantes. Naturalmente, sendo cegos, os amigos não tinham a menor ideia de como era um elefante.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLlTxCPJ49yl1ETDx_Xy_FK2LPTho8sRAreR8f0Nub4wgashCArhD_7EWyut2kb8wPCxQeZgx3RAxA6ghuNfdoXl3xR20JUSN7TCWiLXNjwsnz1AYDXiY6yTazDUYReSjAuBAA45nStNhkPEN55D-YRpTBfKG_MgQvcg2Vp48IUp9RgxIZlvp0O8Pbjc8/s320/images.jpg


        Um dia, estavam sentados, conversando, quando escutaram um grande urro.

        -- Acho que está passando um elefante pela rua – disse um deles.

        -- Então, é nossa chance de descobrir que tipo de criatura é esse tal de elefante! – disse outro.

        E foram todos para a rua.

        O primeiro cego esticou o braço e tocou na orelha do elefante.

        “Ah!”, disse para si mesmo, “o elefante é uma coisa áspera, espalhada. É como um tapete”.

        O segundo cego pegou na tromba.

        “Agora entendo”, pensou. “O elefante é uma coisa comprida e redonda. É como uma cobra gigante”.

        O terceiro cego pegou uma perna do elefante.

        “Bom, eu jamais iria adivinhar!”, espantou-se. “O elefante é alto e forte, igual a uma árvore”.

        O quarto cego pegou ao lado da barriga do elefante.

        “Agora eu sei”, pensou. “O elefante é largo e liso, como uma parede”.

        O quinto cego colocou a mão numa das presas.

        “O elefante é um animal duro, pontudo, como uma lança”, decidiu ele.

        O sexto cego pegou no rabo do elefante.

        “Ora, ora!”, decepcionou-se. “Pode urrar bem forte, mas esse tal de elefante é apenas uma coisinha igual a uma cordinha fina!”.

        Em seguida, sentaram-se juntos novamente, para conversar sobre o elefante.

        -- Ele é áspero e espalhado, como um tapete! – disse o primeiro.

        -- Não, nada disso; ele é comprido e roliço, como uma cobra – disse o segundo.

        -- Não fale uma bobagem dessas! – riu o terceiro. – Ele é alto e firme, como uma árvore!

        -- Ah, nada disso – resmungou o quarto. – Ele é largo e liso, como uma parede.

        -- Duro e pontudo, como uma lança! – gritou o quinto.

        -- Fininho e comprido, como uma cordinha! – berrou o sexto.

        E aí começaram a brigar. Cada um insistia que tinha razão. Afinal, cada um o havia tocado com suas próprias mãos.

        O dono do elefante ouviu a gritaria e chegou perto para ver que confusão era aquela.

        -- Cada um de vocês está certo, mas cada um de vocês está errado também – falou ele. – Um homem sozinho não consegue saber toda a verdade, só uma pequena parte. Porém, se trabalharmos juntos, cada um contribuindo com a sua parte para a formação do todo, aí sim poderemos obter sabedoria.

BENNETT, William J. O livro das virtudes II – O compasso moral. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986. p. 175-177.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 8ª série. 15ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 117-118.

Entendendo o conto:

01 – O que motivou os seis amigos cegos a irem para a rua e qual método eles utilizaram para tentar descobrir como era um elefante?

      A motivação dos seis amigos foi ouvir o grande urro do animal ao passar pela rua, o que viram como uma oportunidade para descobrir como ele era, já que não tinham noção da sua forma. Para isso, eles utilizaram o sentido do tato, onde cada um tocou em uma parte diferente do corpo do elefante para tentar compreender o animal como um todo.

02 – Como a percepção individual de cada um dos seis cegos sobre o elefante diferiu entre si? Relacione a parte do corpo tocada com a comparação feita por cada um.

      A percepção de cada cego variou de acordo com a parte do corpo que tocaram:

      O primeiro, ao tocar a orelha, achou o elefante áspero e espalhado como um tapete.

      O segundo, ao pegar na tromba, concluiu que era comprido e redondo como uma cobra gigante.

      O terceiro, ao tocar na perna, achou-o alto e forte como uma árvore.

      O quarto, ao apalpar a barriga, achou-o largo e liso como uma parede.

      O quinto, ao tocar na presa, julgou-o duro e pontudo como uma lança.

      O sexto, ao segurar o rabo, achou-o fino como uma cordinha.

03 – Por que os amigos começaram a discutir e a brigar quando se reuniram para conversar sobre o que haviam descoberto?

      Os amigos começaram a brigar porque cada um insistia que sua própria descrição era a única correta, já que haviam experimentado o toque com as próprias mãos. Como cada um percebeu apenas uma parte isolada do elefante, eles não conseguiam aceitar que as descrições dos outros — aparentemente contraditórias — pudessem ser verdadeiras ao mesmo tempo.

04 – Qual foi a explicação dada pelo dono do elefante para resolver o impasse e a confusão entre os seis amigos?

      O dono do elefante explicou que todos estavam corretos e errados ao mesmo tempo. Estavam certos quanto à parte específica que tocaram, mas errados ao tentarem definir o animal inteiro baseando-se apenas nessa experiência parcial, pois uma pessoa sozinha não consegue alcançar a verdade completa, apenas uma fração dela.

05 – Qual é a principal lição de moral ou ensinamento transmitido por esse conto a respeito do conhecimento e do trabalho em equipe?

      A principal lição do conto é que a verdade total sobre algo raramente é percebida por uma única pessoa, pois cada indivíduo enxerga o mundo através de sua perspectiva limitada. O texto ensina que para alcançar a sabedoria e a compreensão completa de um fato, é necessário somar as diferentes visões e pontos de vista por meio da cooperação e do diálogo.

 

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