Poema: Uma patinha desengonçada
Arnaldo Junior
Essa história não se passa
Num ambiente rural
No meio de uma fazenda
Nem tampouco no fundo de um
quintal
É dentro de uma escola
Que ela se desenrola.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEivCqJwr1t7xqegUlapIYyoUMstlfaa2ch7qypD0dV1WUhZ5yA58DWZGCUgdN5dwnwl1YfDauNYcJnbrz2zOq3MpS4rpNYNRpfgi3mrUTJc3vZSEFZaS5NS7oqhoizuDaQzA08jjlo3JsM02Dvs627ME9Fp1P1aP7WslzUE0s9F9ajpBdmQtBO6wsWCIyw/s320/PATA.jpg Era uma vez
(Toda história que se preze
tem que ter o “era uma vez”)
Uma patinha tão desajeitada
Tão desengonçada
Isso sem contar,
Sua timidez.
Ela era tão destrambelhada
Que no dia em que apareceu
As outras patas caíram na
gargalhada
Por causa de suas penas
Completamente sem noção
Sem nenhuma combinação
Seu cabelo desarrumado
E do seu jeito de andar
Totalmente descompassado
Que as outras patinhas
Tanto acharam engraçado.
Além de magricela e comprida
Era de pouca fala
Quase não tinha amigas na sala
Mesmo sendo estudiosa
Ficava sempre de lado
Quieta, distante, silenciosa.
Quando pulava na piscina
Espalhafatosa e deselegante
Chegando do outro lado
Toda ofegante
Todas as outras patinhas riam
No mesmo instante.
Assim desprezada
Deixada de lado
A patinha desengonçada
desapareceu
Talvez tenha mudado de escola
Mas ninguém percebeu.
Passado algum tempo
Algo estranho aconteceu.
A escola recebeu a visita
De uma modelo famosa
Toda chique
Estilosa
Era a pata mais admirada
E mais invejada
De toda a Pataquápolis
Aliás, não era uma pata, mas
uma cisne
Uma cisne negra e muito rara
Que só vestia pluma de grife
Perfumes e joias caras.
E qual não foi a surpresa
Quando ela se revelou:
A tal modelo era na verdade
A patinha desengonçada
Que havia deixado a cidade.
Com sua altura
Beleza exótica e jeito de
andar
Que todas passaram a imitar
Ela hoje é sucesso na Europa
Estados Unidos e Japão
E para aquelas
Patinhas recalcadas
Que se achavam descoladas
Sobrou, isso sim, uma boa
lição.
Arnaldo Junior.
Fonte: Maxi: Séries Finais.
Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1. ed. São Paulo: Somos Sistemas de
Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 65.
Entendendo o poema:
01
– Onde se passa a história do poema e como o eu lírico destaca essa escolha de
espaço?
A história se
passa dentro de uma escola. O eu lírico faz questão de destacar esse cenário ao
explicitar, na primeira estrofe, que os acontecimentos não ocorrem em um
ambiente rural, fazenda ou quintal (lugares comumente associados a patos e
animais de fazenda em fábulas tradicionais). Essa escolha reflete e aproxima o
poema das dinâmicas do cotidiano escolar humano, como a convivência entre
colegas e o ambiente de aprendizagem.
02
– Quais eram as características físicas e comportamentais da patinha no início
do poema que a tornavam alvo de deboche?
Fisicamente, a
patinha era descrita como desajeitada, desengonçada, magricela, comprida, com
penas sem combinação, cabelo desarrumado e um jeito de andar descompassado.
Quanto ao comportamento, ela era muito tímida, de pouca fala, quieta,
silenciosa, e ficava sempre isolada e distante dos demais, embora fosse muito
estudiosa. Além disso, ao pular na piscina, era espalhafatosa e deselegante.
03
– De que maneira as atitudes das outras patinhas em relação à protagonista
caracterizam a prática do bullying?
As atitudes das
outras patinhas caracterizam bullying porque envolvem o desprezo, a humilhação
sistemática e a exclusão social da protagonista. Elas riam constantemente de
sua aparência, do seu modo de andar e de como ela nadava. A consequência desse
comportamento cruel foi o isolamento da patinha, que quase não tinha amigas e
ficava sempre de lado, culminando em seu desaparecimento da escola sem que
ninguém se importasse ou percebesse.
04
– O poema faz referência explícita à figura da fábula clássica de Hans
Christian Andersen, O Patinho Feio. De que forma essa intertextualidade se
manifesta no texto de Arnaldo Junior?
A
intertextualidade se manifesta no processo de transformação da protagonista e
no julgamento equivocado de sua espécie no início. Assim como na fábula
clássica, a personagem era ridicularizada por não se encaixar no padrão
estético do grupo de patos. Mais tarde, revela-se que ela não era uma patinha
comum, mas sim uma majestosa cisne negra. A rejeição inicial ocorreu porque os
outros animais julgavam sua aparência antes de seu pleno desenvolvimento e
maturidade.
05
– Como ocorreu o reencontro entre a protagonista e as patinhas da escola, e
qual foi a revelação trazida por esse momento?
O reencontro ocorreu quando a escola recebeu a visita de uma
modelo famosa, elegante, chique e muito admirada, vinda de fora. A grande
surpresa para a comunidade escolar foi a revelação de que essa modelo de beleza
exótica e internacionalmente reconhecida era, na verdade, a mesma patinha
desengonçada que anos antes fora desprezada e deixada de lado.
06
– Analise a mudança de atitude das outras patinhas ao descobrirem a verdadeira
identidade da visitante. O que essa mudança revela sobre a postura delas?
Antes, as
patinhas riam do jeito de andar, das penas e da aparência da protagonista. Após
o retorno dela como uma modelo de sucesso, as mesmas patinhas passaram a ter
inveja e a imitar seu jeito de andar. Essa mudança drástica revela uma postura
superficial, hipócrita e invejosa, pautada apenas por aparências, status social
e aprovação externa.
07
– Qual é a principal lição moral que o poema transmite às "patinhas
recalcadas"?
A principal lição
é que o valor de uma pessoa não deve ser medido por aparências momentâneas nem
por padrões superficiais impostos por um grupo. O poema ensina que o desdém e a
prática do bullying revelam a pequenez de quem os pratica, e que o tempo pode
mudar radicalmente as circunstâncias, mostrando que aqueles que foram
marginalizados podem alcançar grande sucesso e superação.
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