sexta-feira, 7 de agosto de 2026

CONTO: AS JANELAS DOURADAS - WILLIAM J. BENNETT - COM GABARITO

 Conto: As janelas douradas

          William J. Bennett 

 

        O menino trabalhava arduamente durante todo o dia, no campo, no estábulo e no armazém, pois os pais eram fazendeiros pobres e não podiam pagar a um ajudante. Mas, quando o sol se punha, o pai deixava-lhe aquela hora só para ele. O menino subia ao alto de um morro e ficava a olhar para um outro morro, alguns quilómetros ao longe. Nesse morro distante, via uma casa com janelas de ouro resplandecente e de diamantes. As janelas brilhavam e reluziam tanto que ele era obrigado a piscar os olhos. Mas, pouco depois, ao que parecia, as pessoas da casa fechavam as janelas por fora, e então a casa ficava igual a qualquer casa comum de fazenda. O menino achava que faziam isso por ser hora de jantar; então voltava para casa, jantava e ia deitar-se. Um dia, o pai do menino chamou-o e disse-lhe:

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjjN2ESzsc6CbHIvs_aPQyMv1dioenodB590ImBZFd8knFKNKtC7BVqedFmLGg6VaLgGeE2reaww-dW707r4mbhDUx8wpHdhI9ofcK64xg6emoj3vpkeiVJQTRVw7ZxUm3AcJxY1WkmI_bL0K45CWHxX7KxGQhooPh53VymYIjekjDEzLLHSemh99NApms/s320/images.jpg


        — Tens sido um bom menino e ganhaste um dia livre. Tira esse dia para ti; mas lembra-te de que Deus o deu, e tenta usá-lo para aprenderes alguma coisa boa.

        O menino agradeceu ao pai e beijou a mãe. Em seguida partiu, tomando a direção da casa de janelas douradas.

        Foi uma caminhada agradável. Os pés descalços deixavam marcas na poeira branca e, quando olhava para trás, parecia que as pegadas o seguiam, fazendo-lhe companhia. A sombra também caminhava ao seu lado, dançando e correndo, tal como ele. Era muito divertido.

        Passado um longo tempo, chegou ao morro verde e alto. Quando subiu ao topo, lá estava a casa. Mas parecia que haviam fechado as janelas, pois ele não viu nada de dourado. Aproximou-se e sentiu vontade de chorar, porque as janelas eram de vidro comum, iguais a qualquer outra, sem nada que fizesse lembrar o ouro.

        Uma mulher chegou à porta e olhou carinhosamente para o menino, perguntando o que ele queria.

        — Eu vi as janelas de ouro lá do nosso morro — disse ele — e vim de propósito para as ver de perto, mas agora elas são só de vidro!

        A mulher meneou a cabeça e riu-se.

        — Nós somos fazendeiros pobres — disse — e não poderíamos ter janelas de ouro. E o vidro é muito melhor para se ver através dele!

        Convidou o menino a sentar-se no largo degrau de pedra e trouxe-lhe um copo de leite e uma fatia de bolo, dizendo-lhe que descansasse. Chamou então a filha, que era da idade do menino; dirigiu aos dois um aceno afetuoso de cabeça e voltou aos seus afazeres.

        A menina estava descalça como ele e usava um vestido de algodão castanho, mas os cabelos eram dourados como as janelas que ele tinha visto e os olhos eram azuis como o céu ao meio-dia. Ela passeou com o menino pela fazenda e mostrou-lhe o seu bezerro preto com uma estrela branca na testa; ele falou do bezerro que tinha em casa, e que era castanho-avermelhado com as quatro patas brancas. Depois de terem comido juntos uma maçã, e se terem assim tornado amigos, ele fez--lhe perguntas sobre as janelas douradas. A menina confirmou, dizendo que sabia tudo sobre elas, mas que ele se tinha enganado na casa.

        — Vieste numa direção completamente errada! — exclamou ela. — Vem comigo, vou te mostrar a casa de janelas douradas, para ficares a saber onde fica.

        Foram para um outeiro que se erguia atrás da casa, e, no caminho, a menina contou que as janelas de ouro só podiam ser vistas a uma certa hora, perto do pôr-do-sol.

        — Eu sei, é isso mesmo! — confirmou o menino. 

        No cimo do outeiro, a menina virou-se e apontou: lá longe, num morro distante, havia uma casa com janelas de ouro resplandecente e de diamantes, exatamente como ele tinha visto. E quando olhou bem, o menino viu que era a sua própria casa!

        Apressou-se então a dizer à menina que precisava de se ir embora. Deu-lhe a sua melhor pedrinha, a branca com uma lista vermelha, que trazia há um ano no bolso. Ela deu-lhe três castanhas-da-índia: uma vermelha acetinada, outra pintada e outra branca como leite. Ele deu-lhe um beijo e prometeu voltar, mas não contou o que descobrira. Desceu o morro, enquanto a menina ficava a vê-lo afastar-se, na luz do sol poente.

        O caminho de volta era longo e já estava escuro quando chegou à casa dos pais. Mas o lampião e a lareira luziam através das janelas, tornando-as quase tão brilhantes como as vira do outeiro. Quando abriu a porta, a mãe veio beijá-lo e a irmãzinha correu a pendurar-se-lhe ao pescoço; sentado perto da lareira, o pai levantou os olhos e sorriu.

        — Tiveste um bom dia? — perguntou a mãe.

        — Sim! — o menino passara um dia óptimo. 

        — E aprendeste alguma coisa? — perguntou o pai.

        — Sim! — disse o menino. — Aprendi que a nossa casa tem janelas de ouro e de diamantes.

 William J. Bennett O Livro das Virtudes II – O Compasso Moral Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996.

Entendendo o conto:

01 – O que o menino observava diariamente ao pôr do sol do alto do morro e como ele explicava o fato de o brilho desaparecer algum tempo depois?

      Ao pôr do sol, o menino observava, em um morro distante, uma casa com janelas que pareciam feitas de ouro e diamantes resplandecentes. Ele imaginava que o brilho desaparecia porque os moradores daquela casa fechavam as janelas por fora para jantar, fazendo com que o imóvel voltasse a parecer uma fazenda comum.

02 – Ao conceder um dia livre ao filho, qual foi a recomendação dada pelo pai e de que forma essa orientação se relaciona com a jornada do menino?

      O pai recomendou que o menino aproveitasse o dia livre lembrando-se de que era um presente de Deus e tentando usar o tempo para aprender algo de bom. Essa orientação dá um sentido de aprendizado e amadurecimento à caminhada do garoto, que ao final do dia retorna para casa tendo compreendido uma importante lição de vida sobre a valorização do seu próprio lar.

03 – Como foi a reação do menino ao chegar à casa do morro distante e como a mãe da menina o acolheu?

      Ao chegar à casa e perceber que as janelas eram de vidro comum, o menino sentiu vontade de chorar por conta da decepção. No entanto, a mãe da menina o acolheu com carinho, rindo gentilmente ao explicar que eram fazendeiros pobres e que o vidro era melhor para enxergar. Em seguida, ofereceu-lhe descanso, um copo de leite e uma fatia de bolo, apresentando-o à sua filha.

04 – Qual foi a revelação feia pela menina no alto do outeiro e qual foi a surpresa do menino ao olhar na direção apontada por ela?

      A menina explicou que as janelas de ouro só podiam ser vistas a uma hora específica, perto do pôr do sol, e o levou ao topo do outeiro para mostrar a verdadeira casa com janelas douradas. Ao olhar na direção indicada, o menino surpreendeu-se ao constatar que a casa resplandecente como ouro e diamantes era, na verdade, a sua própria casa refletindo a luz do sol.

05 – Qual é a lição moral do conto expressa na resposta final do menino ao seu pai? Explique a metáfora das "janelas de ouro".

      Ao responder ao pai que aprendeu que a sua própria casa tinha janelas de ouro e diamantes, o menino demonstra ter compreendido que muitas vezes idealizamos a vida dos outros e não percebemos a beleza, o valor e a riqueza presentes em nosso próprio lar. A metáfora das "janelas de ouro" representa a ilusão das aparências à distância e a importância de cultivar a gratidão e o amor pelas coisas simples que já possuímos.

 

 

 

 

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