terça-feira, 12 de maio de 2026

CRÔNICA: ANALFABETISMO - MACHADO DE ASSIS - COM GABARITO

 Crônica: Analfabetismo

            Machado de Assis

        Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para frases: o algarismo não tem frases, nem retórica.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjKM3pNp0uYyECWqdaJOwebxKIGzYPM_QnpGDqmiwIO3UqTmvqkXeo7bU_Nh3l5SC5I12LbqqOkhsX9u-h13ikmL__dKzb24V2af1e9taDBz7glimNl55pE5qnKWQuQPH9ihwWpGVNfJGIYJyklFC739wQKLgCMRMRXQFvPrd54gOO4lBEm-anRoRFQfzg/s1600/aNAL.jpg


        Assim, por exemplo, um homem, o leitor ou eu, querendo falar do nosso país dirá:

        — Quando uma Constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força é que este povo caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras; as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e o Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito a todos superior a todos os direitos.

        A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade:

        — A nação não sabe ler. Há só 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não leem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles: é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente pode querer ou pensar. 70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha, — por divertimento. A Constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado.

        Replico eu:

        — Mas, Sr. Algarismo, creio que as instituições…

        — As instituições existem, mas por e para 30% dos cidadãos. Proponho uma reforma no estilo político. Não se deve dizer: “consultar a nação, representantes da nação, os poderes da nação”; mas — “consultar os 30%, representantes dos 30%, poderes dos 30%”. A opinião pública é uma metáfora sem base: há só a opinião dos 30%. Um deputado que disser na Câmara: “Sr. Presidente, falo deste modo porque os 30% nos ouvem…” dirá uma coisa extremamente sensata.

        E eu não sei que se possa dizer ao algarismo, se ele falar desse modo, porque nós não temos base segura para os nossos discursos, e ele tem o recenseamento.

Machado de Assis. 15 de agosto de 1876. In: Obra completa, vol. III. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. Disponível em: http://www.cronicas.uerj.br/home/cronicas/machado/rio-de-janeiro/ano1876/15ago76.htm. Acesso em: 1º mar. 2021.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 34-35.

Entendendo a crônica:

01 – Por que o narrador afirma que gosta dos algarismos em comparação às letras?

      O narrador prefere os algarismos porque eles são diretos, sinceros e francos. Diferente das letras, que são usadas para criar frases e retórica (muitas vezes para disfarçar a realidade), os algarismos dizem as coisas pelo nome, sem "meias medidas" ou metáforas.

02 – Qual é a crítica central que o "Sr. Algarismo" faz em relação à democracia brasileira daquela época?

      A crítica central é que a democracia é fictícia, pois a grande maioria da população (70%) é analfabeta. Para o algarismo, não se pode falar em "vontade da nação" quando a maior parte dela não sabe ler, não conhece a Constituição e não entende as propostas dos políticos.

03 – Segundo o texto, como os 70% de cidadãos que não sabem ler exercem o direito ao voto?

      Eles votam de forma inconsciente, "do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê". O texto compara o ato de votar dessas pessoas a ir a uma festa popular (Festa da Penha), ou seja, por mero divertimento ou impulso, sem compreensão política.

04 – Qual é a "reforma no estilo político" proposta pelo algarismo?

      Ele propõe que se pare de usar a palavra "nação" e se use "os 30%". Como apenas essa minoria sabe ler e participa efetivamente da vida política, o correto seria dizer "representantes dos 30%" ou "poderes dos 30%", para ser condizente com a realidade estatística.

05 – O que o narrador conclui ao final do diálogo com o algarismo?

      O narrador conclui que não há como argumentar contra o algarismo. Enquanto os discursos políticos são feitos sobre bases frágeis e retóricas, o algarismo tem o apoio de dados concretos e reais, como o recenseamento (o censo populacional).

 

 

ARTIGO CIENTÍFICO: O JONGO COMO TÁTICA DE RESISTÊNCIA E COMO ELEMENTO DE CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA E IDENTIDADE NO TERRITÓRIO QUILOMBOLA - FRAGMENTO - IONE DO CARMO

 Artigo científico: O Jongo como tática de resistência e como elemento de construção da memória e identidade no território quilombola – Fragmento

          Ione do Carmo

        O jongo, entendido enquanto dança e gênero musical-poético, foi inicialmente praticado pelos escravos de origem bantu, que trabalhavam nas fazendas de café do Vale do Paraíba. Datam do século XIX os primeiros registros dos jongos nessas fazendas através de relatos dos viajantes. Praticado como diversão, mas abrangendo também aspectos religiosos, é através dos pontos – melodia cantada nas rodas de jongo – que seus praticantes expressam suas ideias e emoções. Em versos curtos, os jongueiros transmitem mensagens ou enigmas a serem decifrados, nos quais a utilização de metáforas e a mescla do português com expressões de origem africana transformam os pontos em canções difíceis de serem interpretadas. 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjlblJdbsq55iui3TKhZM1QRjbBDeiaIOhvT5ehCPCBqsMLwt0_bqpX6UotMgqytwdbghIWlfIyGzhEnvW7o_GPosSDmZr5Qs9ebhv1W-KtmmHUnBjJWXSPw6fKtklNTLpdPvLkSAQuD8NRHpUbNr-8JHa0MwBPV0bSUqRfmCEUUvy5jCInHZLNudXWTtA/s1600/JONGO.jpg 


        No período da escravidão, as cantigas ritmadas do jongo acompanhavam o movimento da enxada e, através dos pontos, os escravos relatavam os acontecimentos do cotidiano, excluindo seus senhores e feitores da compreensão de suas mensagens. As fugas, que muitas vezes foram planejadas através dos cânticos do jongo, marcaram os limites da dominação e proporcionaram a formação de comunidades de escravos fugidos, os quilombos. Dessa forma, o jongo constituiu-se como um elemento importante para as fugas, podendo ser interpretado enquanto tática de resistência ao cativeiro.

        Essa manifestação cultural, que continua sendo transmitido de geração a geração através dos africanos e seus descendentes que o praticavam, é uma representação coletiva vivenciada em determinados territórios ocupados pelas comunidades negras rurais e urbanas, que remete diretamente a uma ancestralidade africana e quilombola. Essa transmissão é parte da construção de uma memória coletiva de um grupo, onde os acontecimentos passados, vividos pessoalmente ou “por tabela” são significativos na formação de uma identidade no presente. [...]

        Segundo o relato de Antônio Nascimento Fernandes, líder da comunidade negra rural da Fazenda de São José da Serra, o jongo antecede o quilombo, já que era através do cântico do jongo que o escravo “combinava quem ia fugir, como ia fugir, com quem iria fugir. Mas os feitores, que ficavam o dia todo nas lavouras de café não tomavam conhecimento daquilo.” Considerando essa narrativa, recorre-se claramente a uma referência ao jongo que referenda o seu papel da formação da comunidade de escravos fugidos, que por sua vez resgata o papel do mesmo jongo referendando a comunidade atual [...]

        Dessa forma, as representações coletivas da comunidade de São José da Serra traduzem um modo de vida particular, que levam para além de sua dimensão espacial, um significado simbólico que influi no processo de construção da memória e na afirmação da identidade do grupo. As treze famílias que atualmente moram na comunidade têm por descendência uma família negra em comum formada pelo casal Tertuliano e Miquelina, escravos de José Gonçalves Roxo, proprietário da fazenda São José da Serra na década de 1860.  É importante destacar que os laços familiares dentro da comunidade são mantidos entre os que moram na fazenda, mas também com aqueles que saíram dela. Os familiares que moram fora da fazenda São José da Serra ainda hoje vivenciam as práticas culturais, através da participação nas comemorações, das práticas religiosas e das rodas de jongo.   

        Ainda hoje, nessa comunidade, o jongo é dançado em volta de uma fogueira e a mãe de santo – atualmente Mãe Tetê, descendente da última geração de escravos – benze a fogueira e os participantes, dando continuidade a uma tradição.   É possível que a presença do fogo na roda de jongo esteja ligada a forte influência cultural africana dos escravos bantus, que constituíram a maioria dos escravos trazidos para o Centro-Sul do Brasil entre o final do século XVIII e 1850. [...]

        Dessa forma, a prática atual simboliza a forte relação entre o jongo e a religiosidade, e relação da comunidade de São José da Serra com os antepassados, representando a manutenção da memória coletiva desse grupo e afirmando sua identidade quilombola.

        [...].

CARMO, Ione do. O Jongo como tática de resistência e como elemento de construção da memória e identidade no território quilombola (1988-1999). In: XIV Encontro Nacional da Anpuh-Rio Memória e Patrimônio, 2010, Rio de Janeiro: Unirio,2010. p. 2-3. Disponível em: www.encontro2010.rj.anpuh.org/resources/anais/8/1278432815_ARQUIVO_texto-anpuhione.pdf. Acesso em: 19 abr. 2021. Adaptado.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 75-76.

Entendendo o artigo:

01 – Qual é a origem histórica do jongo e em que região ele se consolidou inicialmente?

      O jongo teve origem com os escravos de origem bantu. Ele foi praticado inicialmente nas fazendas de café do Vale do Paraíba, com registros que datam do século XIX através de relatos de viajantes.

02 – O que são os "pontos" de jongo e como eles eram utilizados para excluir os senhores e feitores da comunicação?

      Os "pontos" são as melodias cantadas nas rodas de jongo. Eles utilizam versos curtos, metáforas, enigmas e a mistura do português com expressões de origem africana, o que tornava a mensagem difícil de ser interpretada por quem não pertencia ao grupo, como os senhores e feitores.

03 – Por que o jongo pode ser interpretado como uma "tática de resistência" ao cativeiro?

      Porque, além de acompanhar o ritmo do trabalho, o jongo era usado para relatar acontecimentos do cotidiano e, principalmente, para planejar fugas sem que os feitores percebessem, resultando na formação de quilombos.

04 – De acordo com o texto, qual é a relação entre o jongo e a formação de comunidades quilombolas?

      O jongo antecede e fundamenta o quilombo. Ele servia como ferramenta de articulação para as fugas ("quem ia fugir, como ia fugir"). Atualmente, a prática do jongo resgata essa história, legitimando a identidade e a ancestralidade dessas comunidades.

05 – Como a memória coletiva é mantida na comunidade da Fazenda de São José da Serra?

      A memória é mantida através da transmissão de geração em geração de práticas culturais e religiosas. Isso envolve tanto as famílias que residem na fazenda quanto os parentes que moram fora, que retornam para participar das rodas de jongo e celebrações.

06 – Qual é o papel da "mãe de santo" e do fogo nas rodas de jongo atuais?

      A mãe de santo (como Mãe Tetê) tem o papel de benzer a fogueira e os participantes, reforçando o caráter religioso da tradição. A presença do fogo é uma herança cultural direta dos escravos bantus e simboliza a conexão com os antepassados.

07 – Como o jongo influi na afirmação da identidade quilombola no presente?

      O jongo funciona como um símbolo de resistência e união. Ao praticarem o jongo, os descendentes reafirmam sua ancestralidade africana, mantêm viva a memória dos que lutaram contra a escravidão e fortalecem os laços de pertencimento ao território quilombola.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: O MOVIMENTO VITAL EXPRESSIVO - FRAGMENTO - CLAUDIA VAZ PUPO DE MELLO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: O movimento vital expressivo – Fragmento

         Claudia Vaz Pupo de Mello

        Quem quando criança nunca foi vítima do que Maria Adela chama de “mandatos”, como: “Pare de chorar, homem não chora!” ou “senta direito, meninas têm que sentar com as pernas fechadas”. “Não faça isso, ou não fale isso, que é pecado”, entre muitos outros exemplos que poderiam aqui ser citados. Esses condicionamentos aos quais somos frequentemente submetidos são produto do processo de socialização e é a partir desse corpo tolhido de seu potencial expressivo, desconectado da sua presença enquanto unidade existencial é que construímos uma maneira de ser e estar no mundo.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcjYG55bUQjgyJ23Mks38nOFzI3O5B7fZHhWz1WklDh0yxmDovfTBnEhhz5W-0kJ02CTLpXzT0kOOEf9QZkG0yDgC7NzTgd7FYPSu-M2NeCCCCeQyEU0Ep5iE_8rCFZ8p5m9aVoTbiPcRX-zKM753OnZ3PDGPvI6nbHzvdv4rlxfjMEkQyNvd1QhT0anI/s1600/MOVIMENTO.jpg


        [...], podemos dizer que na nossa cultura ocidental há uma valorização do conhecimento intelectual, dos aspectos cognitivos e do pensamento, sobre o conhecimento adquirido através das experiências corporais, como se não houvesse nenhuma relação entre eles, o que favorece a fragmentação do ser humano, delegando ao corpo um lugar menos privilegiado.

        Tais privações a que o corpo é submetido desde criança, nos impedem de ter uma consciência do corpo que se move, gerando travas corporais, tanto pelos conteúdos emocionais não expressos corporalmente, quanto pela falta de liberdade em mover as articulações e explorar a potência de nossos músculos. Tudo isso reduz a confiança no próprio corpo e pode criar estados de impotência, insegurança, fragilidade, além de problemas posturais, quadros álgicos e limitações físicas.

        [...].

MELLO, Claudia Vaz Pupo de. O movimento vital expressivo – sistema Rio Abierto na atenção primária em saúde: percepção dos usuários. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual de Campinas, 2012.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 71.

Entendendo o artigo:

01 – O que a autora define como "mandatos" e como eles afetam as crianças?

      Os "mandatos" são ordens e condicionamentos sociais (como "homem não chora" ou "menina senta com as pernas fechadas") que toalham o potencial expressivo da criança, desconectando-a de sua unidade existencial e moldando uma forma limitada de estar no mundo.

02 – Segundo o texto, qual é a característica da cultura ocidental em relação ao conhecimento?

      A cultura ocidental valoriza excessivamente o conhecimento intelectual, os aspectos cognitivos e o pensamento, em detrimento do conhecimento adquirido através das experiências corporais.

03 – Quais as consequências da fragmentação entre o pensamento e a experiência corporal?

      Essa fragmentação favorece a desvalorização do corpo, relegando-o a um lugar menos privilegiado e tratando-o como se não houvesse relação entre a mente e as vivências físicas do ser humano.

04 – De que maneira as privações corporais sofridas na infância afetam a vida adulta?

      Elas impedem que o indivíduo desenvolva consciência sobre o próprio movimento, gerando "travas corporais" causadas tanto por emoções não expressas quanto pela falta de liberdade física para explorar a potência dos músculos e articulações.

05 – Quais problemas de saúde e psicológicos podem surgir a partir da redução da confiança no próprio corpo?

      A falta de confiança corporal pode criar estados de impotência, insegurança e fragilidade, além de causar problemas físicos concretos, como desvios posturais, quadros álgicos (dores) e limitações físicas gerais.

 

ARTIGO CIENTÍFICO: TAI CHI CHUAN: QUAIS SÃO SEUS BENEFÍCIOS ? FRAGMENTO - PORTAL NAMU - COM GABARITO

 Artigo científico: Tai chi chuan: quais são seus benefícios? – Fragmento

        O tai chi chuan é um sistema antiestresse: além de contribuir no aumento da flexibilidade, dá força muscular

        Conta a lenda chinesa que a prática foi criada pelo mestre taoísta Chang San Feng, depois de observar o combate entre uma garça e uma serpente.

        Durante a luta, os animais, cada um com suas características, demonstravam flexibilidade, leveza, energia, rapidez e acuidade. Ainda, demonstravam também capacidades especiais para permanecer em luta durante longos períodos.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_91Pasr3slGWDQDCokRNXwE_yUcgnMXAkQPObxNpr9DkrrTgcXE3CmbfURCViP_AeBrwcNRb8FzX3o79Xg-oj2B4Hce7_DxmzMlKrFnVT5PaFJttqBrRIWXTj3Ym5cGt6M3t2cdVV10cRK8c8FSAa6Z1z9Lk7Qc5jmIB2I2phnF0swTHLg7x80sS5WkA/s320/TAI.jpg


        Segundo a lenda, a luta entre os dois animais durou muito tempo. E assim, ela serviu de inspiração e levou Chang San Feng a desenvolver as técnicas do tai chi chuan.

        Já em sua origem, a arte foi criada com propósitos diversos. Isso porque os praticantes de tai chi chuan, além de viverem nas montanhas isoladas da China praticando a calma interior, tinham também que se defender dos invasores intermitentes da época.  A prática do tai chi chuan sempre serviu a necessidade tanto de "cultivo interno" quanto de "luta" desse povo, já que une conceitos de força e suavidade.

        Tai chi chuan nos dias de hoje

        Na vida comum, tendo em vista os conflitos diários do ser humano, o tai chi (energia suprema – fusão do yin e yang) chuan (agilidade, flexibilidade e punho) ajuda o ser humano a resolver os problemas sem muito desgaste.

        Isso porque seus movimentos – circulares, contínuos e lentos -, estimulam a concentração, a consciência corporal e acalmam a mente. Além disso, também colaboram para o equilíbrio das energias do corpo e a revitalização das funções dos órgãos, estimulando o metabolismo. Isso acontece devido à sistemática dos movimentos, que são realizados de maneira lenta e de forma delimitada dentro de uma sequência preestabelecida. Dessa forma, exigem que o praticante esteja atento aos detalhes e controle os movimentos do seu corpo.

        [...]

        À medida que o indivíduo se dedica à arte milenar, seu corpo inteiro se movimenta de maneira lenta, suave e controlada. Isso promove uma massagem dos órgãos internos e o fortalecimento das fáscias (membranas que recobrem os órgãos). Além disso, o tai chi também estimula a circulação sanguínea e dos líquidos que devem permear todo o corpo.

        A prática regular também melhora o funcionamento dos órgãos, pois durante a atividade, o praticante respira profundamente, desintoxicando seus pulmões. Além disso, ele também transpira e tem estimulado o aparelho urinário e excretor, eliminando toxinas através desses processos.

        Estudos sugerem que, mesmo sendo um exercício de baixa velocidade, o tai chi chuan ainda contribui para a saúde cardiovascular e a forma física das pessoas, além de aliviar os estados depressivos.

        [...]

        Na China é comum ver homens, mulheres e crianças praticando o tai chi chuan todas as manhãs, com o objetivo de melhorar a forma física e mental. E embora aqui no Brasil a prática da atividade seja ainda novidade, ela já está sendo adotada por escolas de ensino fundamental e médio como forma de estimular a consciência corporal e diminuir os níveis de estresse e ansiedade das crianças.

PORTAL NAMU. Tai chi chuan: quais são seus benefícios? Disponível em: https://namu.com.br/portal/corpo-mente/tai-chi/tai-chi-chuan1. Acesso em: 13 mar. 2021. Adaptado.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 105.

Entendendo o artigo:

01 – De acordo com a lenda chinesa, qual foi a inspiração para a criação do Tai Chi Chuan?

      A prática foi inspirada na observação de um combate entre uma garça e uma serpente pelo mestre taoísta Chang San Feng. Ele notou a flexibilidade, leveza, energia e rapidez dos animais durante a luta.

02 – Por que se afirma no texto que o Tai Chi Chuan foi criado com "propósitos diversos"?

      Porque a arte unia a necessidade de "cultivo interno" (calma interior para quem vivia isolado nas montanhas) com a necessidade de "luta" (autodefesa contra invasores da época), integrando conceitos de força e suavidade.

03 – Quais são as principais características dos movimentos do Tai Chi Chuan mencionadas no texto?

      Os movimentos são circulares, contínuos, lentos, suaves, controlados e realizados dentro de uma sequência preestabelecida.

04 – Como a prática do Tai Chi Chuan auxilia o ser humano a lidar com os conflitos diários da vida moderna?

      Ela ajuda a resolver problemas sem muito desgaste, pois os exercícios estimulam a concentração, a consciência corporal, acalmam a mente e equilibram as energias do corpo.

05 – Quais são os benefícios físicos internos gerados pela movimentação lenta e controlada da arte?

      A prática promove uma massagem nos órgãos internos, fortalece as fáscias (membranas que recobrem os órgãos) e estimula a circulação sanguínea e de líquidos pelo corpo.

06 – De que maneira o Tai Chi Chuan contribui para a desintoxicação do organismo?

      Através da respiração profunda (que desintoxica os pulmões), da transpiração e do estímulo aos aparelhos urinário e excretor, que ajudam na eliminação de toxinas.

07 – Como o Tai Chi Chuan está sendo aplicado no contexto escolar brasileiro, segundo o fragmento?

      Está sendo adotado por escolas de ensino fundamental e médio como uma estratégia para estimular a consciência corporal e reduzir os níveis de estresse e ansiedade entre os alunos.

 

 

ARTIGO CIENTÍFICO: BENEFÍCIOS E APLICAÇÕES DA PRÁTICA DA EUTONIA - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EUTONIA -COM GABARITO

 Artigo Científico: Benefícios e aplicações da prática da eutonia

        A eutonia é uma prática de cuidado de si que proporciona inúmeros benefícios nos âmbitos físico, emocional e espiritual. Alguns de seus princípios fundamentais são a autorregulação e uma visão de homem integral, que compreende corpo e psiquismo como uma unidade. A sua prática contribui para a integração psicocorporal e para a percepção de si mesmo e de como determinados estados emocionais estão intimamente relacionados a estados físicos. 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhrmrsLvBrpymj8qc-02MBp0hmgc7H9xyweTI6rqimoaWC6aJdE5Xnqs6mAWTM0BSfpkD0SaKZ4QWA0FFrPlKOGTf5nIxgkqShqAm7NgubWrwsfM82iieaEjfCe8B536LRvT9EM7Xi4tScZW_8UhSO6GWfpyyfm5Ti1P2vDyKvDz31_vIpnl87y3iDhoHg/s320/eutonia-2-scaled.jpg 


        Segundo a criadora da eutonia, Gerda Alexander, alguns dos traumas que se dão no desenvolvimento de um sujeito se dão em uma etapa pré-verbal, antes da aquisição da linguagem e seriam de difícil acesso através de vias exclusivamente verbais. Através do toque sutil realizado na eutonia seria possível acessar memórias corporais profundas relacionadas a estes conflitos.

        Ao promover um aprofundamento da consciência da postura global do corpo e de cada segmento em particular, a prática de eutonia colabora para uma postura mais harmônica e flexível, prevenindo problemas corporais decorrentes de posturas que desgastam o corpo (como a artrite e a artrose), proporcionando o aprendizado de um uso mais inteligente do corpo, que aprende a se aproveitar de sua anatomia e da relação com a gravidade para se movimentar sem o excesso de gasto energético decorrente de tensões desnecessárias. 

        É também uma ferramenta extremamente útil na recuperação das lesões que provocam a dor e no tratamento das dores crônicas em que o fator desencadeante da dor já está controlado, mas a dor persiste. Durante o tratamento da eutonia a pessoa experimenta estados de calma e a diminuição da ansiedade, aos poucos vai aprendendo a perceber e administrar os fatores estressantes e as reações corporais ao estresse, assim como nas questões relacionadas à má qualidade do sono.

        A eutonia também colabora na regularização da imagem corporal. Gerda Alexander afirmava que eram raras as pessoas com uma imagem corporal adequada e que a sua normalização tinha efeitos psíquicos profundamente benéficos, além dos efeitos corporais, como uma melhora na respiração e na circulação. Perceber o tamanho que seu corpo ocupa no espaço traz a possibilidade de ocupar melhor o espaço ao redor.

        Por fim, além dos benefícios à saúde, a eutonia tem se mostrado uma ferramenta potente tanto no campo das artes, quanto dos esportes.

        Em suma, a eutonia é uma prática terapêutica e pedagógica sutil e ao mesmo tempo profunda, que respeita o tempo de aprendizado do aluno e incentiva a sua autonomia, na qual o centro do trabalho está em auxiliar a pessoa a compreender os caminhos do cuidado de si, de forma integral, a partir do entendimento de que corpo, mente, espírito são diferentes dimensões de um mesmo todo. É um potente auxiliar de tratamentos médicos e fisioterápicos relacionados a desordens corporais e também de tratamentos de saúde mental e psíquica. Tem sido muito utilizada e divulgada no meio artístico devido à sua contribuição para o desenvolvimento de um corpo mais integrado e presente.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EUTONIA. Benefícios e aplicações da prática da eutonia. Disponível em: https://www.eutonia.org.br/conteudos/textos/190. Acesso em: 8 mar. 2021.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 104-105.

Entendendo o artigo:

01 – O que é a eutonia e qual é a sua visão fundamental sobre o ser humano?

      A eutonia é uma prática de cuidado de si, terapêutica e pedagógica, que compreende o homem de forma integral. Sua visão fundamental é de que corpo, mente e espírito são dimensões inseparáveis de um mesmo todo (unidade psicocorporal).

02 – Segundo Gerda Alexander, por que o toque sutil é importante para acessar certos traumas?

      Porque alguns traumas ocorrem em etapas pré-verbais do desenvolvimento, antes da aquisição da linguagem. Por isso, são difíceis de acessar apenas por vias verbais, sendo o toque sutil da eutonia uma via para alcançar essas memórias corporais profundas.

03 – De que forma a eutonia contribui para a postura e a prevenção de doenças físicas?

      Ela promove o aprofundamento da consciência da postura global e de cada segmento do corpo. Isso resulta em uma postura mais harmônica e flexível, prevenindo problemas como artrite e artrose, causados por posturas que desgastam o corpo.

04 – Como a prática da eutonia ajuda na economia de energia durante o movimento?

      Através do aprendizado de um uso mais inteligente do corpo, aproveitando a anatomia e a relação com a gravidade, o que elimina tensões desnecessárias e evita o gasto excessivo de energia.

05 – Qual é o papel da eutonia no tratamento de dores crônicas e lesões?

      Ela é uma ferramenta útil na recuperação de lesões e no tratamento de dores crônicas onde o fator desencadeante já foi controlado, mas a dor persiste. A prática ajuda a diminuir a ansiedade e ensina a pessoa a administrar fatores estressantes.

06 – Quais são os benefícios da regularização da imagem corporal mencionados no texto?

      A normalização da imagem corporal traz efeitos psíquicos benéficos e melhorias físicas diretas, como o aprimoramento da respiração e da circulação, além de permitir que a pessoa ocupe melhor o espaço ao seu redor.

07 – Além da área da saúde, em quais outros campos a eutonia tem sido uma ferramenta potente?

      A eutonia tem se mostrado muito eficaz nos campos das artes e dos esportes, auxiliando no desenvolvimento de um corpo mais integrado, presente e consciente para essas atividades.

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: CURTA-METRAGEM E A EXPERIMENTAÇÃO DA LINGUAGEM - CLAUDIA DA NATIVIDADE - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Curta-metragem e a experimentação da linguagem

        Antes de entrar propriamente no tema deste artigo, “O curta-metragem como espaço de experimentação de linguagem”, é importante entendermos o que é o objeto desta análise. O curta-metragem é, para todos os efeitos, um filme, uma forma breve de expressão audiovisual, com início, fim, unidade temática e com uma altíssima coerência e coesão interna. Essa primeira definição afasta imediatamente o conceito muitas vezes difuso de que o curta-metragem seria uma parte menor de um longa-metragem ou de que seria uma preparação, um primeiro experimento narrativo para um filme de maior duração.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgCk9X_JsZRbv4uUkayqqPO22Jo-NjEVOjDQXhVAkd25k7fOq3So94Ls9aWvYD8cYfAtw3eXsd0UdRZyFCV1-Gqkrui8cdEILe2yNjNQvurRGsTJDjg-T3C_IsX-yMK0T36rHsNM-XL__UI74ys49AjRrMLk-VXFF8D-EOJ4pPldqnHdKtDB75ytbIKgFI/s320/artigo.png


        Uma segunda maneira de entender o curta-metragem em sua natureza é sua duração. O curta-metragem tem uma duração diferente daquela comumente utilizada em um filme de mercado ou que poderia potencialmente ser distribuído através de estruturas comerciais convencionais, como as salas de cinema. O curta-metragem costuma ter uma duração de aproximadamente 15 minutos. Contudo, considerando o standard internacional para esse tipo de produção, não é errado afirmar que são considerados curtas-metragens filmes de até trinta minutos de duração.

        A percepção temporal do curta-metragem, unida à consciência dos realizadores de que a difusão dessa forma breve de expressão se dará por meios não convencionais, são as principais características de diferenciação e de autonomia dessa forma de expressão.

        Em outras palavras, não sendo o curta-metragem desde sua essência um filme realizado para o mercado tradicional de distribuição, abrindo-se, nesse modo de expressão, um espaço potencial para a entrada do novo, do próprio, da experimentação, do ousado em relação às formas mais tradicionais de narração e de linguagem já estabelecidas e testadas nos longas-metragens e no cinema comercial.

        Essa experimentação acontece no curta-metragem desde o momento de escritura do roteiro, que se diferencia muito daquela normalmente utilizada nos filmes longos, onde muitas vezes os momentos descritivos da estória são bastante acentuados e onde as subtramas constituem parte integrante da narrativa. No curta-metragem, diferentemente, precisa-se buscar a concisão e a síntese narrativa, muitas vezes criando momentos ininterruptos de tensão para contar com objetividade e simplicidade a estória do filme.

        Por essa necessidade de abordagem direta, tanto os roteiristas quanto os diretores e, inclusive, os montadores de curtas-metragens podem se apropriar de novos conceitos, de novos modos de expressão artística, podem por vezes explorar novas tecnologias e, com isso, ousar.

        Outra característica de grande parte dos curtas-metragens – e que acaba sendo um interessante modo de experimentação – são os próprios limites produtivos da obra. O curta-metragem é, em muitos casos, realizado com recursos muito mais modestos daqueles de uma produção mais longa, e com algum potencial de distribuição em mercados tradicionais. Essa característica pode contribuir para que se encontrem alternativas de execução da obra fora do padrão convencional, o que muitas vezes pode até mesmo inovar e criar novos estilos narrativos e de linguagem.

        Finalmente, vale lembrar que o curta-metragem é em muitas situações uma janela de possibilidade de entrada de novos talentos e de novos profissionais para o mercado audiovisual. Com isso, não quero afirmar que o curta-metragem se resume a um rito de passagem, a uma escola ou aprendizado para um modo mais profissional ou mercadológico de produção audiovisual. De fato, aquilo que importa quando percebemos o curta como laboratório de formação de novos realizadores é que, em sua maioria, estes novos realizadores são jovens, imbuídos de uma liberdade que se expressa nas telas, e que muitos destes jovens são talentosos e permanecem ainda com o frescor e a audácia suficientes para ousar, propor, subverter, desconstruir e muitas vezes inovar modelos estabelecidos.

        Claudia da Natividade é roteirista e produtora de Cinema. Com formação em Ciências Humanas, foi produtora executiva e roteirista de Estômago, dirigido por Marcos Jorge, e do premiado documentário O Ateliê de Luzia – Arte Rupestre no Brasil.

NATIVIDADE, Claudia da. Curta-metragem e a experimentação da linguagem. Revista SescTV, n. 84, mar. 2014. Disponível em: https://www.sescsp.org.br/online/artigo/7399_CURTAMETRAGEM+E+A+EXPERIMENTACAO+DA+LINGUAGEM. Acesso em: 11 mar. 2021.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 126-127.

Entendendo o artigo:

01 – Como o texto define a estrutura interna de um curta-metragem?

      O texto define o curta-metragem como um filme completo, uma forma breve de expressão audiovisual que possui início, fim, unidade temática e uma altíssima coerência e coesão interna.

02 – Qual conceito comum sobre o curta-metragem a autora busca afastar logo no início do artigo?

      Ela afasta a ideia de que o curta seria uma "parte menor" de um longa-metragem ou apenas uma preparação/experimento narrativo para um filme de maior duração, defendendo sua autonomia como obra.

03 – Qual é a duração considerada padrão (standard internacional) para que uma produção seja classificada como curta-metragem?

      Embora costumem ter cerca de 15 minutos, o padrão internacional considera curtas-metragens os filmes que possuem até trinta minutos de duração.

04 – Por que o curta-metragem é considerado um espaço potencial para a experimentação e para o "novo"?

      Porque, em sua essência, o curta não é realizado para o mercado tradicional de distribuição comercial. Essa independência das estruturas convencionais permite aos realizadores ousar em relação às formas tradicionais de narração.

05 – Como a escrita do roteiro de um curta-metragem se diferencia da escrita de um longa-metragem?

      Diferente dos longas, que possuem momentos descritivos acentuados e subtramas, o roteiro do curta, busca a concisão e a síntese narrativa, focando em objetividade, simplicidade e momentos de tensão ininterrupta.

06 – De que maneira as limitações de recursos (limites produtivos) podem ser benéficas para a linguagem do curta?

      Como são realizados com recursos modestos, os curtas forçam a busca por alternativas de execução fora do padrão convencional, o que pode acabar gerando inovação e novos estilos narrativos.

07 – Qual é a importância da entrada de novos talentos (jovens realizadores) para a natureza do curta-metragem?

      A importância reside no fato de que esses novos realizadores geralmente possuem liberdade, frescor e audácia para subverter, desconstruir e inovar modelos já estabelecidos no cinema, funcionando como um "laboratório" de criação.

 

 

TEXTO: ANDRÉIA - FRAGMENTO - IVANA VERSIANI - COM GABARITO

 Texto: Andréia – Fragmento

          Ivana Versiani

        É, eu tenho uma dessas irmãs. Das que dão certo em tudo.  Adiantada na escola, bonita, cheia de amigas. Mais velha do que eu dois anos. [...]

        Andréia. Até o nome dela é chique. O meu é Clarice, não é que seja feio, mas Andréia é muito mais bacana.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEihJYz4NuZUYCqbTYk6G8KWYbz3rSg0By9jz5FzPKrcF97WPel7hBwRPxHMOjUAEy-Q98lN-XtZsFDPkCjCaleZ8Sdg95D6EykMQfS9K_Ty29DqLFWYYhOE4xLIMDtJNBdy0nzJ5sQQUE4cgdTs5yAu0huo47zK_bu2q_7LfI6MXYb0gElxbLG5BSanIo8/s1600/aNDREIA.jpg


        Eu e ela estudamos infelizmente na mesma escola. Estou cansada de saber que os professores todos nos comparam, mesmo sem comentar nada. É claro que nenhum professor vai falar “sua irmã é melhor do que você”. Não falam, mas pesam. Basta olhar as notas dela e as minhas, os cadernos e os livros dela e os meus. Às vezes eu herdo os livros dela, quando não saem do programa, mas nem posso dizer que é por isso que eles estão estragados. Quando eu pego, parecem quase novos. Estragam é comigo, nem sei por quê, mas na segunda semana já estão diferentes. Com cara de coisa minha. 

        Herdar as coisas dela! A vida toda foi isso. Roupa, sapato, livro.

        -- Olha, Clarice, esta calça está novinha e não entra mais na Andréia. Experimenta e vê se te serve. [...]

        E as amigas de Andréia. Chegam e vão para a sala, ela fecha a porta e começa os cochichos, as risadas. Tenho uma vontade de entrar! Mas sei que não deixam. São metidas as moças, me acham criançola.

Ivana Versiani. Irmã com irmã se paga. São Paulo, FTD, 1994.  

Fonte: Língua portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD. São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 19-20.

Entendendo o texto:

01 – Quem é a narradora da história e qual é a sua relação com a personagem Andréia?

      A narradora é Clarice, a irmã mais nova de Andréia. Ela narra em primeira pessoa a experiência de viver à sombra da irmã, que é dois anos mais velha.

02 – Como Clarice descreve a personalidade e o desempenho de sua irmã Andréia?

      Andréia é descrita como uma pessoa que "dá certo em tudo": é adiantada na escola, bonita, popular (cheia de amigas) e extremamente zelosa com seus pertences, como livros e roupas, que parecem sempre novos.

03 – Qual é o sentimento de Clarice em relação ao fato de estudar na mesma escola que a irmã?

      Clarice sente-se incomodada e cansada. Ela acredita que os professores as comparam constantemente, mesmo que de forma silenciosa, e sente o peso dessa comparação ao contrastar suas notas e o estado de seus cadernos com os de Andréia.

04 – O que a expressão "com cara de coisa minha" revela sobre a percepção que Clarice tem de si mesma em relação aos objetos que possui?

      Revela uma percepção de descuido ou desorganização, em contraste com a perfeição da irmã. Enquanto os livros de Andréia parecem novos mesmo após o uso, os de Clarice se estragam rapidamente, adquirindo uma marca pessoal que ela associa a algo menos "chique" ou "perfeito".

05 – Por que Clarice não participa do círculo de amizades de Andréia quando as amigas visitam sua casa?

      Porque as amigas de Andréia se trancam na sala para conversar e rir de forma reservada e, segundo Clarice, elas a consideram "criançola" e não permitem sua entrada no grupo. Isso demonstra uma barreira geracional e social entre as duas irmãs.

 

 

NOTÍCIA: TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO - FRAGMENTO - ROD DACOMBE - COM GABARITO

 Notícia: Teorias da conspiração – Fragmento

             Rod Dacombe

        [...]

        Há um consenso de que as teorias da conspiração aparecem com mais frequência em períodos de crise. Pesquisas mostram que a popularidade dessas ideias não é tão constante, e que há picos durante eventos cataclísmicos e revoltas sociais. Teorias da conspiração proliferaram durante pandemias anteriores, como a peste negra, a gripe russa do fim do século 19 e a gripe espanhola.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJ2m27kNwRU7ooBJoM85d4wgTUd8NvcYwYb86gMIn88mjPqDBjflcweAcezhVjPon_frXQMa0YCaZiF-_3V7cekej5pbtF71__dIi7cGGqt3ymQ9liSafYUtmcZIwtpBdlHoOVdyO10mH26YXA5bYzEXNZj7FRb0jRwl-G4MR8TJkq9fSUGbQFdM5f3JE/s1600/TEORIA.jpg


        Mas, ao contrário das crises passadas, as teorias da conspiração recentes foram impulsionadas pela mudança no jeito como nos comunicamos uns com os outros. As redes sociais têm uma importância especial nisso, permitindo a rápida transmissão de informações (pelo menos superficialmente) plausíveis, produzidas por fontes aparentemente confiáveis. Esse contexto importa, porque permite um alto grau de autonomia individual na disseminação de teorias da conspiração.

        Essas teorias são poderosas porque são participativas. Elas engajam as pessoas diretamente no desenvolvimento e amplificação de ideias políticas, por mais bizarras que elas sejam. [...]

        Existe uma máxima entre os teóricos da conspiração digitais: faça sua própria pesquisa. Isso encoraja os envolvidos a procurar a validação de suas ideias por meio de fontes que refutam a narrativa “oficial”. Envolver-se em teorias da conspiração contemporâneas acaba sendo algo parecido a participar de um jogo. As pessoas são encorajadas a “descobrir” informações promovidas por seus contatos virtuais em vez de aceitar passivamente os dados e fatos produzidos por fontes estabelecidas. [...]

        [...]

        Muitos passos precisam ser dados para resolver essa questão. Repensar a regulação das redes sociais e banir os “superdisseminadores” de teorias da conspiração (incluindo contas de celebridades e figuras públicas) têm um potencial óbvio. Um governante também pode ser o líder de correntes de desinformação. Todavia, qualquer intervenção tem que se basear na compreensão de que as demandas participativas da política estão mudando.

        Rod Dacombe é professor de ciência política na King’s College London.

        [...]

Rod Dacombe. Por que teorias da conspiração aparecem mais na pandemia. Tradução: Antônio Mammi. Nexo Jornal, 29 jan. 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/externo/2021/01/29/Por-que-teorias-da-conspira%C3%A7%C3%A3o-aparecem-mais-na-pandemia. Acesso em: 10 maio 2021.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 143-144.

Entendendo a notícia:

01 – Em quais momentos históricos as teorias da conspiração costumam aparecer com maior frequência?

      Elas surgem com mais frequência em períodos de crise, eventos cataclísmicos e revoltas sociais. O texto cita como exemplos as pandemias da peste negra, da gripe russa e da gripe espanhola.

02 – Qual é o papel das redes sociais no impulsionamento das teorias da conspiração atuais em comparação com crises passadas?

      As redes sociais permitem a rápida transmissão de informações que parecem plausíveis e vêm de fontes aparentemente confiáveis. Isso concede ao indivíduo um alto grau de autonomia para disseminar essas ideias de forma muito mais veloz do que antigamente.

03 – Por que o autor afirma que as teorias da conspiração contemporâneas são "poderosas"?

      Elas são poderosas porque são participativas. Elas engajam as pessoas diretamente no desenvolvimento e na amplificação das ideias, fazendo com que o indivíduo se sinta parte ativa do processo político, independentemente de quão bizarra seja a teoria.

04 – O que significa a máxima "faça sua própria pesquisa" no contexto dos teóricos da conspiração digitais?

      Significa encorajar as pessoas a buscarem validação para suas crenças em fontes que refutem a narrativa "oficial". O processo funciona como um jogo, onde o praticante prefere "descobrir" informações em seus círculos virtuais a aceitar passivamente dados de fontes estabelecidas.

05 – Quais soluções o texto aponta para enfrentar o problema da desinformação e das teorias da conspiração?

      O autor sugere repensar a regulação das redes sociais e banir os "superdisseminadores", o que inclui contas de celebridades, figuras públicas e até governantes que atuam como líderes de desinformação. Além disso, destaca que qualquer intervenção deve considerar a mudança nas formas de participação política.