segunda-feira, 23 de março de 2026

REPORTAGEM: O IMPACTO DO CELULAR EM ALDEIAS INDÍGENAS - FRAGMENTO - SÉRGIO MATSUURA - COM GABARITO

 Reportagem: O impacto do celular em aldeias indígenas – Fragmento

        “Céu aberto para flutuar”: é assim que os índios batizaram a internet, que está mudando profundamente a rotina nessas comunidades      

Sérgio Matsuura

        Índios de iPhone e conectados à internet? Sim. E eles estão fazendo uso de novas tecnologias para promover e preservar sua língua e cultura. Mas, se a janela aberta pelos smartphones e pela internet serve para proteger manifestações culturais, o contato intenso com o mundo dos “brancos” está promovendo mudanças profundas no cotidiano. [...].

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiKO34gjOx2eM_MZxVR1ki9r3vqwT6c3TC11dS673LCKwNPZa6gWGAVANWds69Hqbf5HXUJOhLQPLSSh9JHumuTxnhKPhyceavQr4KFQe94OAakOY6GEpY-oIJqv_i0CPI8hiZCGf3tQP-M-Eki8gTGP332AUXL6WG8fNVSSsM9t7o2pKvv6V1ukY0i4SY/s1600/INDIO.jpg

        “Cresci sem internet, a gente brincava com bola, ia para o mato caçar e pescar. Hoje, nossas crianças estão como os filhos dos brancos”, criticou Ashaua Kuikúro, do povo cuicuro, no Parque Indígena do Xingu. “Em vez de brincar, elas ficam no celular jogando.”

        Na aldeia Piyulaga, do povo uaurá, também no Xingu, a solução adotada para evitar que os jovens se distanciem da cultura local foi radical.

        “Quando tem algum ritual tradicional, a gente desliga a internet para que todos participem da festa”, contou Pyrathá Waurá. “Todos os grandes acontecimentos na aldeia são importantes para nós, porque nosso aprendizado é pela oralidade e pela prática.”

        Outra forma de adaptar as novas tecnologias à cultura local foi dar nomes a elas. Em uaurá, língua da família aruaque, internet virou enunakuwa — céu aberto para flutuar — e celular yuntagapi — aquele que transmite informações. Professor na escola de Piyulaga, Pyrathá é um dos responsáveis por passar o conhecimento tradicional, sobretudo a língua, para as novas gerações. E a enunakuwa e o yuntagapi são ferramentas poderosas nesse processo.

        Ao lado de pesquisadores do Museu do Índio, Pyrathá participa de um projeto para a construção de um dicionário eletrônico uaurá. No momento, já existem cerca de 200 verbetes catalogados, com a palavra escrita, exemplos de uso e a tradução para o português. Alguns possuem áudios, vídeos ou imagens.

        [...]

        Com mais de uma década de experiência na documentação da cultura ianomâmi, o linguista Helder Perri Ferreira, do Instituto Socioambiental, destacou que esses dicionários são importantes não apenas para o registro escrito, em nuvem, das línguas indígenas, mas para a valorização, entre os próprios índios, de suas tradições.

        [...]

        No projeto que Ferreira desenvolve com os ianomâmis, os indígenas recebem smartphones para a produção de conteúdo sobre eles, para eles. Como a região não possui cobertura de internet, o Instituto Socioambiental pretende instalar uma rede local, como uma intranet, para servir algumas aldeias.

        [...].

MATSUURA, Sérgio. O impacto do celular em aldeias indígenas. Época, 6 fev. 2019. Disponível em: https://epoca.globo.com/o-impacto-do-celular-em-aldeias-indigenas-23408432. Acesso em: 15 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 214.

Entendendo a reportagem:

01 – Como os indígenas do povo Uaurá batizaram a "internet" e o "celular" em sua língua nativa?

      Eles deram nomes poéticos e funcionais: a internet foi chamada de enunakuwa ("céu aberto para flutuar") e o celular de yuntagapi ("aquele que transmite informações").

02 – Qual é o lado positivo do uso de smartphones nas comunidades indígenas mencionado no início do texto?

      O texto destaca que os indígenas estão utilizando as novas tecnologias como ferramentas para promover e preservar sua língua e cultura, servindo como uma "janela aberta" para proteger suas manifestações culturais.

03 – Qual é a crítica feita por Ashaua Kuikúro em relação ao comportamento das crianças atuais?

      Ele critica o fato de que as crianças estão abandonando brincadeiras tradicionais, como caçar, pescar e brincar com bola, para ficarem no celular jogando, assemelhando-se ao comportamento dos "filhos dos brancos".

04 – Que medida radical a aldeia Piyulaga adotou para garantir a participação dos jovens nos rituais tradicionais?

      A comunidade decidiu desligar a internet durante os rituais tradicionais. Isso é feito para garantir que todos participem da festa, já que o aprendizado do povo depende da oralidade e da prática presencial.

05 – Como a tecnologia está sendo usada especificamente para o ensino da língua Uaurá?

      O professor Pyrathá Waurá utiliza a internet e o celular como ferramentas de ensino e participa de um projeto de construção de um dicionário eletrônico. Esse dicionário já possui cerca de 200 verbetes com escrita, áudio, vídeo e tradução para o português.

06 – De acordo com o linguista Helder Perri Ferreira, qual é a importância dos dicionários eletrônicos para os indígenas?

      Eles são importantes não apenas para o registro escrito e seguro (em nuvem) das línguas, mas principalmente para a valorização das tradições entre os próprios indígenas, fortalecendo sua identidade.

07 – Como o Instituto Socioambiental pretende resolver a falta de cobertura de internet na região dos Ianomâmis?

      O instituto pretende instalar uma rede local (intranet) para servir algumas aldeias, permitindo que os indígenas usem os smartphones para produzir e compartilhar conteúdo sobre sua própria cultura, mesmo sem acesso à rede mundial.

 

 

 

FILME(ATIVIDADES): CHUVA É CANTORIA NA ALDEIA DOS MORTOS - JOÃO SALAVIZA, RENÉE NADER MESSORA - COM GABARITO

 Filme (Atividades): Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhsPVhfhQ7_rx22taBM_Xkw-tQjXsc0bF8psgZzGaXPWjx2ty0VFimdqlDidhEAKHARRR_mfotdE1A43z8Lni7hGpYshCnYB-VXRFePlSuwayBHK7yQ2r_t-cik3GZqEu-t1gYPCoVUltQqwkfxcIvO48nxJSyJhV0l2VrPe30TeIvwwvrpn8q4KdhVQ_I/s320/chuva.jpg

 

Lançamento: 18 de abril de 2019.

Tempo de duração: 1h54min.

Gênero: drama.

Direção: João SalavizaRenée Nader Messora.

Roteiro Renée Nader MessoraJoão Salaviza.

Elenco: Henrique Ihjãc KrahôKôtô Krahô.

Sinopse

Livre

        Ihjãc é um jovem do povo Krahô, aldeia indígena localizada em Pedra Branca, no interior do Brasil. Depois de ser surpreendido pela visita do espírito de seu falecido pai, ele se sente na obrigação de organizar uma festa de fim de luto, comemoração tradicional da comunidade.

Entendendo o filme:

01 – Quem é o protagonista do filme e a qual povo indígena ele pertence?

      O protagonista é Ihjãc (interpretado por Henrique Ihjãc Krahô), um jovem pertencente ao povo Krahô.

02 – Onde se localiza a aldeia em que a história se passa?

      A aldeia chama-se Pedra Branca, localizada no interior do Brasil (especificamente no estado do Tocantins, na Terra Indígena Krahô).

03 – Qual evento sobrenatural desencadeia o conflito principal da trama?

      O conflito começa quando Ihjãc é surpreendido pela visita do espírito de seu falecido pai, que fala com ele perto de uma cachoeira.

04 – Qual é a obrigação cultural que Ihjãc sente que deve realizar após o encontro com o espírito?

      Ele se sente na obrigação de organizar uma festa de fim de luto, que é uma comemoração tradicional da comunidade Krahô para encerrar o período de tristeza e liberar o espírito do morto.

05 – Quem são os diretores responsáveis pelo filme e qual é o seu gênero?

      O filme foi dirigido por João Salaviza e Renée Nader Messora. O gênero da obra é drama (com forte teor documental).

06 – Além do luto, o filme aborda o dilema de Ihjãc entre dois mundos. Quais são eles?

      O filme mostra o dilema de Ihjãc entre permanecer em sua aldeia e cumprir suas obrigações rituais ou fugir para a cidade (o mundo dos brancos), onde ele busca refúgio para tentar escapar de seu destino como pajé.

07 – Com base na sinopse e nos dados técnicos, o elenco do filme é composto por atores profissionais famosos?

      Não. O elenco é composto pelos próprios indígenas da comunidade, como Henrique Ihjãc Krahô e Kôtô Krahô, o que confere maior realismo e autenticidade à obra.

 

 

CARTA AO LEITOR: 221 VEZES POR DIA - FRAGMENTO - ALEXANDRE VERSIGNASSI - COM GABARITO

 Carta ao leitor: 221 vezes por dia – Fragmento

        Esse é o número de vezes que as pessoas tiram o celular do bolso, em média. Há algo de errado aí.

Por Alexandre Versignassi

        O século 21 começou no dia 9 de janeiro de 2007. Foi quando Steve Jobs apresentou o iPhone num evento da Apple. No momento em que o fundador da companhia abriu a homepage do New York Times no aparelhinho, começava uma nova era: a do computador realmente pessoal. A internet se libertava dos PCs, e chegava aos bolsos de todo mundo.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipOgOBodxAZYPROZzZKskps3qYolHoWEOJjOBEF2vX5HnK9rzYTIOY_6FzTYuOctOP3aex8_ZTtqi2v1PNV3joT9dE8iwKc_xcpGEGSZfpeyyCiH72qiEABoTyK452HVtZ0F4G3AztkxfSbQUXez_wiT9lcaTRuxLDES0x17Q8BzI1tfEd1U2c1nRwlDc/s320/2007.jpg


        Bom, não exatamente de todo mundo. O iPhone de 2007 era uma Lamborghini, algo feito para uma minoria endinheirada. Mas isso começaria a mudar no final de 2008, com a chegada do Android. Agora qualquer empresa que quisesse copiar a Apple e fabricar seu próprio smartphone podia usar o sistema operacional do Google, o que diminuía violentamente o custo de desenvolvimento. Isso permitiu a criação de smartphones que cabiam mesmo no bolso – agora, no sentido financeiro da expressão.

        Ainda era tudo mato: não existia WhatsApp nem Instagram. [...]. Mas a revolução já tinha começado. Em 2008, foram vendidos 139 milhões de smartphones no mundo. Em 2011, com mais dispositivos baratos à disposição, 472 milhões. De 2014 em diante, mais de um bilhão. Resultado: 4 bilhões de pessoas têm smartphone hoje. Isso dá 51,9% da população mundial – ou 80% da população adulta (entre 15 e 65 anos). Os aparelhos só não tendem mesmo à onipresença em bolsões de pobreza extrema – África subsaariana, Bangladesh, Paquistão.

        O normal, inclusive, é que boa parte dos países tenham tantos smartphones quanto habitantes. É o caso do Brasil. De acordo com a Anatel, há 183,5 milhões de linhas 3G e 4G ativas no Brasil. Mesmo descontando quem possui mais de um chip no aparelho, então, temos quase um smartphone por pessoa por aqui, mesmo amargando o 70o PIB per capita do planeta.

        Falar como o smartphone mudou o mundo é chover no molhado. Ele criou as empresas mais valiosas do planeta (Apple, Google, Facebook, Huawei), revolucionou o dia a dia (Uber, Rappi), e mudou a política (uma presença forte nas redes sociais vale mais do que toneladas de horário eleitoral na TV, como as eleições de 2018 provaram). Mas não é “só” isso.

        Os smartphones passaram a moldar a realidade não apenas pela eficiência absurda, mas também porque viciam. Não é à toa que cada pessoa tira o celular do bolso ou da bolsa 221 vezes por dia, em média. Como dizem o editor Bruno Garattoni e o repórter Eduardo Szklarz na reportagem principal desta edição: “Por trás dos ícones coloridos, as gigantes da tecnologia fazem um esforço consciente para nos manipular, usando recursos da psicologia, da neurologia e até dos cassinos”. É isso. Entenda melhor aqui, se o seu celular deixar.

VERSIGNASSI, Alexandre. Carta ao leitor: 221 vezes por dia. Superinteressante. Edição 408, out. 2019. Disponível em: https://super.abril.com.br/blog/alexandre-versignassi/carta-ao-leitor-221-vezes-por-dia/. Acesso em: 15 out. 2020. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 206-207.

Entendendo a carta:

01 – Por que o autor afirma que o século 21 começou apenas em 9 de janeiro de 2007?

      O autor utiliza essa data como um marco simbólico porque foi o dia em que Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone. Para ele, esse evento deu início à era do "computador realmente pessoal", quando a internet deixou de estar presa aos PCs e chegou aos bolsos das pessoas.

02 – Qual foi o papel do sistema operacional Android na popularização dos smartphones?

      O Android, lançado no final de 2008, permitiu que outras empresas fabricassem seus próprios aparelhos usando o sistema do Google. Isso reduziu drasticamente os custos de desenvolvimento, criando smartphones que "cabiam no bolso" no sentido financeiro, ou seja, tornaram-se acessíveis para a maioria das pessoas, não apenas para uma minoria rica.

03 – Como o texto descreve a evolução do mercado de smartphones em números entre 2008 e os dias atuais?

      O texto mostra um crescimento explosivo: em 2008 foram vendidos 139 milhões de aparelhos; em 2011, esse número saltou para 472 milhões; e de 2014 em diante, as vendas ultrapassaram 1 bilhão por ano. Hoje, cerca de 4 bilhões de pessoas possuem o aparelho, o que representa 80% da população adulta mundial.

04 – O que o autor destaca sobre a realidade do uso de smartphones no Brasil?

      O autor aponta uma contradição: embora o Brasil ocupe apenas a 70ª posição no ranking de PIB per capita (riqueza por pessoa), o país possui quase um smartphone por habitante, com cerca de 183,5 milhões de linhas ativas de 3G e 4G.

05 – Além da tecnologia, quais mudanças o smartphone provocou na sociedade de acordo com o fragmento?

      O smartphone criou as empresas mais valiosas do mundo (como Apple e Google), revolucionou o cotidiano com aplicativos de serviço (Uber, Rappi) e alterou a dinâmica política, tornando as redes sociais mais influentes do que o horário eleitoral gratuito na TV.

06 – Qual é a crítica central feita no final do texto sobre o comportamento dos usuários?

      A crítica é que os smartphones passaram a "moldar a realidade" através do vício. O autor menciona que as gigantes da tecnologia utilizam conscientemente recursos da psicologia, neurologia e até de cassinos para manipular os usuários, fazendo com que chequem o aparelho, em média, 221 vezes por dia.

07 – Qual o sentido da expressão "se o seu celular deixar" na última frase do texto?

      A frase é uma ironia que reforça a ideia de vício e falta de controle. O autor sugere que o leitor pode estar tão dependente do aparelho e das notificações que talvez nem consiga terminar de ler ou entender a reportagem sem ser interrompido pelo dispositivo.

 

 

NOTÍCIA: O QUE É EDUCAÇÃO DE QUALIDADE? FRAGMENTO - ROSA MARIA TORRES - COM GABARITO

 Notícia: O que é educação de qualidade? – Fragmento

        Qualidade, associada à educação, é entendida e trabalhada de muitas maneiras. [...]

        As famílias e os políticos tendem a se ater ao que está logo à vista: a infraestrutura. Assumem – equivocadamente – que se o prédio é moderno, a educação no seu interior é boa. E, ao contrário: se o lugar é precário ou a educação se faz ao ar livre, presumem – erroneamente – que a educação é má. Ultimamente, as tecnologias são cobiçadas: ter computadores e internet na escola é sinônimo de modernidade (ainda que usem pouco ou mal) e de emprego no futuro. Não obstante, se pode fazer uma educação péssima em meio aos aparatos eletrônicos e uma educação excelente sem cabos, mais próxima das pessoas e da natureza. [...]. A avaliação está na moda. Muitos creem que quanto mais avaliação – de alunos, docentes, estabelecimentos etc. – melhor. Isso não é necessariamente assim. [...].

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgCP_uB__jQgX028ZsMdRyzYAOhyHAQAGGqeDbPI5jYmTXX-gq5TpS7DLdmjTc-JspprOwZCr4G-krNFuw3_2Mq7tyizEahKGfleOgjLViT5a15T-W6YwAD4hECkW8hnNSiItZz4f4fYnW8pndf_WU9nz6AScY1-taYpJslTx9hiJJkNmHcpPw0BUlDk44/s320/EDUCA%C3%87%C3%83O.jpg


        Também é difundida a ideia de que a educação pública é ruim e a privada boa. Há, no entanto, péssima educação privada (mesmo se é muito cara) e boa educação pública. Muitos – pobres e ricos – dizem que é boa a escola que oferece uma segunda língua prestigiosa. [...]. Para os pobres, muitas vezes, a qualidade da escola passa simplesmente por uma comida segura por dia, um professor ou uma professora que não falte, que não maltrate muito e que, oxalá, ao menos entenda a língua dos alunos. [...]. O afeto, o interesse, o amor pela leitura, o gosto de aprender e a ausência de medo são ingredientes indispensáveis para uma educação de qualidade em qualquer idade. Avançar na direção de uma educação de qualidade implica, justamente, que a cidadania se informe melhor a fim de saber por que e como reivindicá-la.

TORRES, Rosa Maria. O que é educação de qualidade? Portal Aprendiz, 18 jun. 2014. Disponível em: https://portal.aprendiz.uol.com.br/2014/06/18/0-que-e-educacao-de-qualidade/. Acesso em: 31 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 194.

Entendendo a notícia:

01 – Segundo o texto, qual é o equívoco comum cometido por famílias e políticos ao avaliarem uma escola?

      O equívoco consiste em avaliar a qualidade da educação apenas pela infraestrutura (o que está "logo à vista"). Eles assumem erroneamente que prédios modernos garantem uma boa educação e que ambientes precários ou ao ar livre resultam em uma educação ruim.

02 – De que forma o texto relativiza a importância das tecnologias (computadores e internet) na escola?

      O texto afirma que, embora as tecnologias sejam cobiçadas como sinônimo de modernidade e garantia de emprego, elas não asseguram qualidade. É possível ter uma educação péssima mesmo com aparatos eletrônicos, assim como é possível ter uma educação excelente sem eles, priorizando a proximidade com as pessoas e a natureza.

03 – O que a autora defende sobre a relação entre educação pública e privada?

      A autora contesta a ideia difundida de que a educação pública é sempre ruim e a privada é sempre boa. Ela pontua que existe educação privada de péssima qualidade (mesmo sendo cara) e educação pública de boa qualidade.

04 – Quais são os critérios de "qualidade" para as famílias mais pobres, conforme mencionado no fragmento?

      Para as famílias pobres, a qualidade muitas vezes é medida por necessidades básicas e dignidade: ter ao menos uma refeição segura por dia, professores que não faltem, que não maltratem os alunos e que consigam compreender a língua/realidade dos estudantes.

05 – Quais são os "ingredientes indispensáveis" para uma educação de qualidade em qualquer idade, segundo o texto?

      Segundo o fragmento, a qualidade real depende de elementos subjetivos e humanos: o afeto, o interesse, o amor pela leitura, o gosto de aprender e, fundamentalmente, a ausência de medo.

 

POEMA: PINTURA CORPORAL INDÍGENA - DANILO SOARES - COM GABARITO

 Poema: Pintura corporal indígena

             Danilo Soares

Carga gigante de interpretações,

Força enorme de representação

Da cultura do povo campeão

Em índoles e de conservações.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjeVUFtZgPFm1U_Ia14-C9vTqNjTRIGgtM8tgXtrBxuYFUbSI_eoEdW1Z69JS4a0oVIzi75v9qZSKlGb3pIncDDzdWxK8gv30VJri1z-m091DRUf5zf8geN_pOwYpCFR376hR1Z6d4lgRQ0wCzgRmlXWrbeBAI1NQ6N1MaYZ1dAtwrwXgQFIZzWuZEeMnE/s320/PINTURA.jpg


 

Alegra a pele de maneira artística.

Jenipapo se transforma em magia,

O pincel dança sob a poesia

E o indígena mantém a vida rica.

 

Livra alma e levanta a força do povo,

Assim empodera o desanimado

Desenterrando afeto que há enterrado.

 

Cada traço pintado é um riso novo!

Cada desenho é alívio à consciência

E torna-se a principal resistência.

SOARES, Danilo. Pintura corporal indígena. 14 maio 2019. Disponível em: https://www.instagram.com/p/B-r19upAYtM/. Acesso em: 05 nov. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 93.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal função da pintura corporal mencionada na primeira estrofe?

      De acordo com a primeira estrofe, a pintura corporal possui uma "carga gigante de interpretações" e uma "força enorme de representação". Ela funciona como um símbolo da cultura, da índole e da preservação do povo indígena.

02 – Quais elementos práticos e materiais da pintura são citados pelo autor?

      O poema menciona o jenipapo (fruto comumente usado para fazer a tinta preta) que "se transforma em magia" e o uso do pincel, que "dança sob a poesia" para alegrar a pele de maneira artística.

03 – De que forma a pintura corporal afeta o estado emocional e espiritual do indígena, segundo o texto?

      O autor afirma que a pintura "livra a alma", "levanta a força do povo" e "empodera o desanimado", sendo capaz de trazer à tona ("desenterrar") afetos que estavam esquecidos ou guardados.

04 – Como o poema relaciona a estética (o desenho) com o sentimento de alegria?

      Na última estrofe, o eu-lírico declara que "cada traço pintado é um riso novo", sugerindo que o ato de pintar e a beleza dos desenhos resultam em felicidade e alívio para a consciência.

05 – O que o autor quer dizer com o verso "E torna-se a principal resistência"?

      O verso sugere que a pintura corporal não é apenas um adorno, mas um ato político e cultural de afirmação. Ao manter seus costumes vivos e visíveis na pele, os povos indígenas resistem ao apagamento de sua cultura e reafirmam sua identidade diante do mundo.

 

 

 

CRÔNICA: AS ESTRELAS - FRAGMENTO - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

 Crônica: As estrelas – Fragmento

             Monteiro Lobato

        Numa das noites daquele mês de abril estava Dona Benta na sua cadeira de balanço, lá na varanda, com olhos no céu cheio de estrelas. A criançada também se reunira ali.

        Súbito, Narizinho, que estava em outro degrau da escada fazendo tricô, deu um berro.

        -- Vovó, Emília está botando a língua para mim!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiSPYXopTwnX_3_V_9ueLOhrS3huNViWt7cWFBDtvD0wpTcJdQsL14LHQId-ugW4MIGBnq-7IxuIgvLXqlOQa1rM_QRTiCvw5gIL6qlCJLP2FhaPi9d-OEwS7scr-sq-ILKTyMx0FNZscYITU2GTlDSS6u0DPDyaeeL7X0aHcLuOeuzxEKxo41w7C3aWZA/s320/Destaque-estrelas-piscantes.jpg


        Mas Dona Benta não ouviu. Não tirava os olhos das estrelas. Estranhando aquilo, os meninos foram se aproximando. E ficaram também a olhar para o céu, em procura do que estava prendendo a atenção da boa velha.

        -- Que é vovó, que a senhora está vendo lá em cima? Eu não estou enxergando nada – disse Pedrinho.

        Dona Benta não pôde deixar de rir-se. Pôs nele os óculos e puxou-o para o seu colo e falou:

        -- Não está vendo nada, meu filho? Então olha para o céu estrelado e não vê nada?

        -- Só vejo estrelinhas – murmurou o menino.

        -- E acha pouco, meu filho?

LOBATO, Monteiro. As estrelas. In: _____. Viagem ao Céu. 19 ed. São Paulo: Brasiliense, 1971. (Fragmento).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 152.

Entendendo a crônica:

01 – Onde se passa a cena descrita no texto e qual era a atividade de Dona Benta no início?

       A cena se passa na varanda da casa (provavelmente no Sítio do Picapau Amarelo), numa noite de abril. Dona Benta estava sentada em sua cadeira de balanço, observando o céu estrelado.

02 – Qual o motivo do conflito inicial entre as crianças mencionado no fragmento?

      O conflito ocorre quando Narizinho dá um berro e reclama para a avó que a boneca Emília estava colocando a língua para ela enquanto ela fazia tricô.

03 – Por que Dona Benta não respondeu imediatamente à reclamação de Narizinho?

      Porque ela estava profundamente concentrada e maravilhada olhando para as estrelas; o texto diz que ela "não tirava os olhos das estrelas" e nem sequer ouviu o chamado da neta.

04 – Qual foi a reação de Pedrinho ao observar o que prendia a atenção da avó?

      Pedrinho aproximou-se e disse que não estava enxergando nada de especial, afirmando que via "só estrelinhas". Ele não compreendia, inicialmente, o fascínio de Dona Benta.

05 – O que a pergunta final de Dona Benta ("E acha pouco, meu filho?") sugere sobre a sua visão de mundo?

      A pergunta sugere que Dona Benta possui uma sensibilidade maior e uma capacidade de se encantar com a natureza. Para ela, as estrelas não são "só" pequenos pontos de luz, mas um espetáculo grandioso que merece contemplação e respeito, contrastando com a visão simplista da criança.

 

 

NOTÍCIA: À BEIRA-MAR - REVISTA RETRATOS - COM GABARITO

 Notícia: À beira-mar

        Paisagens litorâneas mudam com o avanço do turismo

        Quando olhamos para uma paisagem é difícil imaginar como ela era no passado. Foi esse o exercício que fizemos em nossa matéria de capa: produzimos uma foto da Praia do Forte, em Cabo Frio (RJ), a partir do mesmo ponto em que se posicionou o fotógrafo Wolney Texeira, em 1945. A reportagem mostra os impactos do crescimento do turismo em quatro cidades costeiras: Cabo Frio e Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, e Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina. 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjBM0TZkWSj-s0Wvy0KfR7Qc1nGJjnlwP7wDMmwJ1TpHkLXcu6OerCI3kMlfQPnkfSHtGvtXD-pal77t_g02eOVKf2IYZr8yarLEkkuQ9KWN3qYdQF2dRPusrLM9lZI0CS316Oj7Y9mW2HX_Tyii55CRayTwuFxMO2yKMnoOmAHFtxbE04igqDD8QW7IwY/s1600/PRAIA.jpg


        Em ano de realização da coleta de dados do Censo Agropecuário, diversas vertentes do rural brasileiro vêm sendo realçadas nas páginas da Retratos. É nesse sentido que a segunda parte da reportagem sobre aspectos das atividades agrícolas na Amazônia ganha destaque nesta edição.

        A Retratos nº 5 também dá continuidade à série de entrevistas sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), cujos indicadores que irão mensurar o cumprimento de um conjunto de metas até 2030 estão em fase de elaboração. Dessa vez, o tema escolhido foi o ODS 16: paz, justiça e instituições eficazes.

        O que significa ter uma geladeira, um celular ou uma máquina de lavar? Essa é a pergunta que a matéria sobre bens duráveis no domicílio vai responder. Texto e gráficos vão mostrar para o leitor a importância que esses e outros itens ganharam ao longo do tempo nos lares do país. Boa leitura.

Revista Retratos, n. 5 nov. 2017. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/be148cc41e68e2e5fe9b53867c0221a1.pdf. Acesso em: 15 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 210.

Entendendo a notícia:

01 – Qual foi o exercício comparativo realizado pela reportagem de capa na Praia do Forte?

      A reportagem produziu uma foto atual da Praia do Forte, em Cabo Frio (RJ), a partir do mesmo ponto de vista de uma fotografia tirada pelo fotógrafo Wolney Texeira no ano de 1945, permitindo visualizar as mudanças na paisagem ao longo do tempo.

02 – Quais cidades são citadas como exemplos dos impactos do crescimento do turismo?

      O texto menciona quatro cidades costeiras: Cabo Frio e Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, e Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina.

03 – Além do turismo litorâneo, qual outro tema geográfico e econômico ganha destaque nesta edição da revista?

      O texto destaca o Censo Agropecuário e as atividades agrícolas na Amazônia, reforçando a análise das diversas vertentes do meio rural brasileiro.

04 – Sobre qual Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a edição traz uma entrevista?

      A revista traz uma entrevista sobre o ODS 16, que trata dos temas: paz, justiça e instituições eficazes, visando o cumprimento de metas até o ano de 2030.

05 – Qual é o objetivo da matéria que aborda bens duráveis (como geladeira e celular) nos domicílios?

      O objetivo é responder ao significado de possuir esses itens e, por meio de textos e gráficos, mostrar ao leitor a importância que esses bens ganharam ao longo do tempo nos lares brasileiros.

 

domingo, 22 de março de 2026

POEMA: ODE PARA O FUTURO - JORGE DE SENA - COM GABARITO

 POEMA: Ode para o futuro

                     JORGE DE SENA

 

Falareis de nós como de um sonho.

Crepúsculo dourado. Frases calmas.

Gestos vagarosos. Música suave.

Pensamento arguto. Sutis sorrisos.

Paisagens deslizando na distância.

Éramos livres. Falávamos, sabíamos,

e amávamos serena e docemente.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQpvp517m2ayXTXbj4Ne6_h0H3lEesHaBhS62-Tm1rCdNiAjZ2gygaMlCDS_V-wx6oTc3Na0mkchyphenhyphenkHvTrtkZZ14P0A93yk2whKK-3wpElMB8MR-oE0T7vp8JFb7m3XlbNeeudr041YX0L_UrMFgHojrmu4V57UistDo0rH2ezgdu33WEcPiHBxsrkrKA/s320/3452172-dourado-crepusculo-amanhecer-ceu-antes-do-sol-ceu-fundo-foto.jpg
 

Uma angústia delida, melancólica,

sobre ela sonhareis.

 

E as tempestades, as desordens, gritos,

violência, escárnio, confusão odienta,

primaveras morrendo ignoradas

nas encostas vizinhas, as prisões,

as mortes, o amor vendido,

as lágrimas e as lutas,

o desespero da vida que nos roubam

- apenas uma angústia melancólica,

sobre a qual sonhareis a idade de ouro.

 

E, em segredo, saudosos, enlevados6,

falareis de nós - de nós! - como de um sonho.

JORGE DE SENA

www.letras.ufrj.br

 

Entendendo o texto

01. Qual é a principal atitude do eu lírico em relação à forma como as gerações futuras perceberão o presente?

a.   O eu lírico espera que o futuro aprenda com os erros do presente para não repeti-los.

b.   O eu lírico expressa indiferença sobre como a história será contada nos séculos vindouros.

c.   O eu lírico acredita que o futuro entenderá perfeitamente todas as dores e lutas da época atual.

d.   O eu lírico prevê que o futuro verá o presente de forma idealizada e distorcida, como uma 'idade de ouro'.

02. No trecho 'Frases calmas. / Gestos vagarosos. Música suave.', qual figura de linguagem é predominante para construir a imagem que o futuro terá do presente?

a.   Onomatopeia, para reproduzir os sons da natureza descrita no poema.

b.   Assíndeto, através da omissão de conjunções para criar uma enumeração de imagens estáticas.

c.   Personificação, atribuindo sentimentos humanos à música e aos gestos.

d.   Hipérbole, para exagerar o barulho e a agitação da vida moderna.

03. A antítese é uma figura central no poema. Qual das oposições abaixo melhor representa o conflito entre a 'aparência' e a 'realidade' descrita por Jorge de Sena?

a.   A diferença entre o 'amor vendido' e as 'lágrimas' de quem sofre.

     b.   O contraste entre o 'crepúsculo dourado' (visão do futuro) e as 'prisões/mortes' (realidade vivida).

    c.   O embate entre as 'primaveras morrendo' e as 'encostas vizinhas'.

    d.   A oposição entre o 'segredo' e o ato de 'falar' mencionado na última estrofe.

04. Ao utilizar a expressão 'idade de ouro' para se referir ao modo como o futuro verá o presente, o eu lírico utiliza qual recurso expressivo?

a.   Eufemismo, para suavizar a dor das prisões citadas anteriormente.

b.   Ironia, pois o presente é marcado por violência e falta de liberdade, o oposto de uma era dourada.

c.   Metonímia, substituindo a parte (o ouro) pelo todo (a riqueza do presente).

d.   Pleonasmo, reforçando que o futuro será necessariamente melhor que o agora.

05. Qual é o efeito de sentido da repetição da expressão 'de nós' com pontos de exclamação na última estrofe?

a.   Indicar que o eu lírico está chamando as pessoas do futuro para um diálogo direto.

b.   Sugerir que o eu lírico tem dúvidas sobre quem são os verdadeiros responsáveis pelas 'tempestades'.

c.   Demonstrar a alegria do eu lírico por saber que será lembrado com carinho.

d.   Enfatizar a indignação ou o espanto do eu lírico diante da incompreensão futura sobre sua existência real.