sexta-feira, 12 de junho de 2026

CAUSO(FÁBULA): A CAUSA DA CHUVA - MILLÔR FERNANDES - COM GABARITO

 Causo (Fabula): A causa da chuva

 

        Não chovia há muitos e muitos meses, de modo que os animais ficaram inquietos. Uns diziam que ia chover logo, outros diziam que ainda ia demorar. Mas não chegavam a uma conclusão.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgSmuOb2OhiqPffh22h5zOnIkYbz2PZbaC4ZzrNAEp7LdRGUBto8CgOKPZjst6_OEHfOAMWCdOu4HVuPWiLjt021nM3kl6qwgrp4WeJ3vU3ATdi-QhA88sBRyg7DArvNGU4_327VxeAuBmSmQTUdU7JZp9lnZqFvDRxAMihTucwaMOxqhxlGEjw3aoVjOk/s320/images.jpg


        -- Chove só quando a água cai do telhado de meu galinheiro – esclareceu a galinha.

        -- Ora, que bobagem! - disse o sapo de dentro da lagoa. – Chove quando a água da lagoa começa a borbulhar suas gotinhas.

        -- Como assim? – disse a lebre. – Está visto que só chove quando as folhas das árvores começam a deixar cair as gotas d'água que têm dentro.

        Nesse momento começou a chover.

        -- Viram? – gritou a galinha. – O telhado de meu galinheiro está pingando. Isso é chuva!

        -- Ora, não vê que a chuva é a água da lagoa borbulhando? – disse o sapo.

        -- Mas, como assim? – tornou a lebre – Parecem cegos! Não veem que a água cai das folhas das árvores?

                                                                                                                       Millôr Fernandes.

Entendendo o causo:

01 – O trecho do texto que indica um fato é:

(A) “...começou a chover.” 

(B) “... diziam que ia demorar...”  

(C) “... que bobagem!”  

(D) “... diziam que ia chover...”

02 – A ideia central do texto é apresentar uma discussão sobre:

(A) o telhado do galinheiro.  

(B) a chuva.  

(C) a água da lagoa.  

(D) as folhas das árvores.

03 – A inquietação dos animais tem como causa:

(A) a necessidade de águas nas árvores do lugar.  

(B) a expectativa de chuva no verão na lagoa.

(C) a ausência de água na lagoa onde moravam;

(D) a falta de chuvas no lugar onde moravam.

04 – O que o ponto de vista de cada animal (galinha, sapo e lebre) revela sobre a forma como eles enxergam o mundo?

      Revela que cada animal é egocêntrico, ou seja, eles enxergam a realidade apenas a partir de suas próprias vivências e do ambiente onde vivem. A galinha foca no galinheiro, o sapo na lagoa e a lebre nas árvores e matas. Eles não conseguem perceber o fenômeno de forma ampla e geral, apenas como o afeta diretamente.

 05 – O que há de irônico ou engraçado no comportamento dos animais após a chuva finalmente começar a cair?

      A ironia está no fato de que, mesmo com a chuva acontecendo diante deles e provando que todos estavam certos de alguma forma (a água caía no telhado, na lagoa e nas folhas ao mesmo tempo), eles continuaram discutindo. Em vez de celebrarem o fim da seca, preferiram focar em provar quem tinha a "razão absoluta".

06 – A moral implícita dessa fábula de Millôr Fernandes critica um comportamento muito comum entre os seres humanos. Que comportamento é esse?

      O texto critica a intolerância e a incapacidade de ouvir e aceitar a verdade do outro. Assim como os animais, muitas vezes as pessoas brigam por defenderem pontos de vista limitados e individuais, acreditando que a sua própria percepção da realidade é a única verdade correta, ignorando o contexto geral.

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): CONVERSA DE BOTEQUIM - VADICO E NOEL ROSA - COM GABARITO

 Música (Atividades): Conversa de botequim

          Vadico e Noel Rosa

Seu garçom faça o favor

De me trazer depressa

Uma boa média que não seja requentada,

Um pão bem quente com manteiga à beça,

Um guardanapo

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjB0kuwUypJQULuQPpl_yurEFjoD0FwRGwKcw5mx65u3hIevyoOqxFG7iYQCTCOVGllhjM7cLr8dCVVcycPEwTcO_454rA5XEyky56-l82F07FIG02scc_CxcBCls-QauSJknDhH8BY7njPWdETj2ajdw4r562OX096MOj_1wLjrzcT6hp-BtE6LuyE2LI/s320/images.jpg


E um copo d`água bem gelada

Fecha a porta da direita

Com muito cuidado

Que eu não estou disposto

A ficar exposto ao sol

Vá perguntar ao seu freguês do lado

Qual foi o resultado do futebol

 

Se você ficar limpando a mesa,

Não me levanto nem pago a despesa

Vá pedir ao seu patrão

Uma caneta, um tinteiro,

Um envelope e um cartão

Não se esqueça de me dar palitos

E um cigarro pra espantar mosquitos

Vá dizer ao charuteiro

Que me empreste umas revistas

Um isqueiro e um cinzeiro

 

Telefone ao menos uma vez

Para 34-4333

E ordene ao seu Osório

Que me mande um guarda-chuva

Aqui pro nosso escritório

Seu garçom me empreste algum dinheiro

Que eu deixei o meu com o bicheiro,

Vá dizer ao seu gerente

Que pendure essa despesa

No cabide ali em frente.

 

Entendendo a música:

01 – Logo no primeiro verso, por meio do uso de um vocativo, fica claro quem fala e quem escuta nessa “conversa”.

a)   A quem a personagem que fala na canção se dirige?

      Ao garçom.          

b)   Quem é a personagem que fala?

      O cliente de um bar ou botequim.

02 – Observe como o tamanho dos versos desta canção varia muito. Pensando também no título, como você explicaria esse fato?

      A canção imita a fluidez e a coloquialidade da fala.

03 – No entanto, para realizar-se como canção, a letra e a melodia devem manter ainda alguma regularidade. Assinale as rimas da canção.

      Resposta pessoal do aluno.     

04 – Em que modo estão os verbos usados pela personagem para se dirigir ao garçom? Por quê?

      Os verbos estão no imperativo. Eles definem o tipo de relação que se estabelece entre as personagens da canção.

05 – Na primeira estrofe, o “cliente” faz ao garçom uma série de pedidos.

a)   O que ele pede?

      Um média (xícara de café com leite), um pão quente com manteiga, um guardanapo e uma gelada.

b)   Esses pedidos são adequados à situação?

      Sim, pois são pedidos de um cliente a um garçom de botequim.

06 – Na segunda estrofe outros pedidos são feitos.

a)   Quais são eles?

      Para que o garçom não limpe a mesa e para que traga uma caneta, um tinteiro, um envelope um cartão, palitos, cigarro, revistas, isqueiro e cinzeiro.

b)   Esses pedidos são adequados à situação?

      Não são mais pedidos apropriados a um botequim, pois incluem itens encontrados na tabacaria ou na papelaria.

07 – Na última estrofe, o “cliente” parece passar dos limites.

a)   O que ele pede ao garçom?

      Pede para que o garçom ligue para um número e ordene a um tal de Osório que mande um guarda-chuva; pede dinheiro emprestado e pede para que o gerente “pendure” a conta.

b)   Explique por que esses pedidos excedem o que se espera que um cliente peça a um garçom.

      Os pedidos da última estrofe são inusitados, o que ajuda a produzir o humor na canção. Eles imitam uma relação de patrão com empregado, ou de pessoa muito “espaçosa”, em ambiente familiar.

c)   Como o botequim é chamado pelo cliente?

      Nosso escritório.

d)   O que esse cliente vai fazer no botequim?

      Provavelmente, ele é um poeta, um sambista que vai ao botequim para compor suas canções.

TIRINHA: ALINE E SEU BLOG - DERIVAÇÃO REGRESSIVA - COM GABARITO

 Tirinha: Aline e seu blog

 


Entendendo a tirinha:

01 – Com base no enunciado da questão, qual é o principal motor do humor ou da ironia na tirinha de Aline?

      O humor reside no contraste e na quebra de expectativa. Aline lida com a frustração da baixa audiência do seu blog, mas a situação atinge o ápice da ironia quando ela descobre que o seu "único apreciador" não tem um perfil qualificado ou refinado, o que desvaloriza a validação que ela tanto buscava.

02 – Na linguagem da internet e dos quadrinhos, a busca por aprovação virtual é um tema recorrente. Como a tirinha satiriza o comportamento dos produtores de conteúdo digital?

      A tirinha satiriza a dependência emocional que os criadores têm dos "likes", comentários e acessos. O quadrinista sugere que a obsessão por validação virtual pode colocar o criador de conteúdo à mercê de figuras bizarras, mostrando que a quantidade ou a qualidade dos seguidores nem sempre condiz com a expectativa do autor.

03 – No segundo enunciado, há uma menção a "neologismos". De que forma a linguagem informal e a criação de novas palavras enriquecem o texto de uma tirinha humorística?

      Os neologismos (como "blogar", "trollar" ou termos específicos da internet) aproximam a linguagem da personagem da realidade do leitor jovem e urbano. No contexto do humor, ajudam a construir uma atmosfera moderna e irônica, facilitando a identificação rápida com o tema da tecnologia.

04 – O enunciado pede exemplos de "derivação regressiva". Explique o que é esse processo gramatical e dê um exemplo comum que poderia estar associado ao universo de blogs e frustrações.

      A derivação regressiva ocorre quando uma palavra nova é formada pela redução de uma palavra já existente (geralmente verbos que perdem suas desinências e se tornam substantivos abstratos). Exemplos comuns nesse universo seriam: do verbo debater surge o substantivo o debate; do verbo ajudar surge o ajuda (ou o "help"); ou de criticar surge a crítica.

05 – O tom da tirinha de Adão Iturrusgarai costuma ser sarcástico. Se analisarmos o encontro de Aline com seu único seguidor, que crítica social sutil podemos extrair sobre as relações humanas na era digital?

      O autor sugere que a era digital cria conexões ilusórias. Aline projeta uma imagem de "artista" para o público da internet, mas o choque de realidade ao encontrar seu único fã cara a cara revela a solidão e o vazio que muitas vezes se escondem por trás das interações virtuais.

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): PEDRO PEDREIRO - CHICO BUARQUE - COM GABARITO

 Música (Atividades): Pedro pedreiro

          Chico Buarque

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhoscJzgOI1zQsiL8uLw0k5q8YX7f69cGtrSUHaU_X35fEFyqF9CjUIAQlP1Uxlf6h227bxlisG_XnllCeRYt63YQtgYo3n_XfZ2GvR8K48qcl6g_z3g_twoTJyD97QOyJ0UeXJUjFdjq77IQpdejuCALqaLBNvRZwMY7a12awLAjVJH0BBwoTMZvKsuIk/s320/images.jpg 

Assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando prá trás
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol esperando o trem,

Esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém.

 

Pedro pedreiro espera o carnaval

E a sorte grande do bilhete pela federal todo mês
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando a festa, esperando a sorte
E a mulher de Pedro, esperando um filho prá esperar também

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém.

 

Pedro pedreiro tá esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro Norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo

Espere alguma coisa mais linda que o mundo
Maior do que o mar, mas prá que sonhar se dá

O desespero de esperar demais.


Pedro pedreiro quer voltar atrás, quer ser 

Pedreiro pobre e nada mais, sem ficar
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando um filho prá esperar também
Esperando a festa, esperando a sorte,

Esperando a morte, esperando o Norte
Esperando o dia de esperar ninguém,

Esperando enfim, nada mais além
Da esperança aflita, bendita.

Infinita do apito de um trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem...
Que já vem...
Que já vem...

 

Entendendo a música:

01 – Quem é Pedro, personagem da música de Chico Buarque?

      Pedro representa o trabalhador braçal brasileiro (especificamente um pedreiro), pertencente às classes mais desfavorecidas. Ele é o símbolo do cidadão comum, periférico, que vive na dependência do transporte público, de salários baixos e da eterna promessa de uma vida melhor que nunca chega.

 

02 – Por que a personagem se chama Pedro?

      O nome "Pedro" é um dos nomes mais comuns e populares no Brasil. Ao escolhê-lo, Chico Buarque não está falando de um indivíduo isolado, mas sim criando um personagem-tipo. "Pedro" representa qualquer trabalhador, a massa anônima que constrói as cidades, mas que permanece invisível para a sociedade. Além disso, cria um forte efeito sonoro de aliteração com a palavra "pedreiro" (Pedro pedreiro penseiro...).

 

03 – O que você entende da seguinte passagem de Pedro pedreiro: “esperando o sol, esperando o trem, esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem”?

      Essa passagem resume a rotina alienante e a falsa esperança do trabalhador. Ele espera o sol (o amanhecer para começar a jornada), o trem (a condução diária) e o aumento salarial, que é sempre adiado pelos patrões ou pela inflação ("desde o ano passado para o mês que vem"). Mostra que a vida de Pedro é pautada por promessas e expectativas que nunca se concretizam no presente.

 

04 – Quantas vezes o verbo esperar e suas conjugações são repetidos na música? Que efeito de sentido essa repetição provoca?

      O verbo "esperar" e suas derivações (esperando, espera, espere, esperança) aparecem cerca de 37 vezes ao longo da letra.

      O efeito de sentido dessa repetição exaustiva é imitar a monotonia, o cansaço e a estagnação da vida de Pedro. A música faz o ouvinte "cansar" de tanto ouvir a palavra, traduzindo artisticamente a sensação de uma vida onde nada acontece e o tempo passa devagar na rotina do trabalhador.

 

05 – Reescreva a 5ª estrofe da música, de “Pedro pedreiro” até “apito de um trem”, evitando repetir a palavra “esperando”. Feito isso, compare a sua versão com a versão original. Elas provocam o mesmo impacto no leitor? Explique.

      "Pedro pedreiro quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar aguardando o sol, na expectativa do trem, na ambição do aumento para o mês que vem. Na contagem regressiva para o filho que vai nascer, no desejo da festa, na busca pela sorte, na iminência da morte, na saudade do Norte. Na torcida pelo dia de não aguardar ninguém, querendo enfim, nada mais além da esperança aflita, bendita, infinita do apito de um trem."

      Comparação: Não, elas não provocam o mesmo impacto. A substituição por sinônimos elimina o efeito de "looping" e a angústia da repetição original. A versão de Chico Buarque é impactante justamente porque a palavra "esperando" funciona como as engrenagens de um relógio ou o som rítmico do próprio trem. Sem ela, o texto vira uma lista comum de desejos.

 

06 – Por que o verbo esperar é usado predominantemente no gerúndio?

      O gerúndio ("esperando") indica uma ação contínua, prolongada e que não tem fim. Se o autor usasse o presente ("Pedro espera"), pareceria uma ação pontual. O gerúndio reforça a ideia de que a vida de Pedro é um eterno processo de aguardar; ele está permanentemente travado nessa condição.

 

07 – Os versos: “Pedro pedreiro tá esperando a morte//Ou esperando o dia de voltar pro Norte” retratam a realidade de muitos brasileiros. Quem são eles e que realidade é essa?

      Retratam a realidade dos migrantes nordestinos (historicamente chamados de "baianos" ou "do Norte" no Sudeste). Eles deixavam suas terras natais fugindo da seca e da pobreza em busca de oportunidades nas grandes metrópoles (como São Paulo e Rio de Janeiro), mas acabavam encontrando subempregos, moradias precárias e uma vida de privações, restando-lhes apenas o sonho romântico de um dia voltar para casa.

 

08 – Que sentidos podemos atribuir à palavra “norte” usada nesse texto?

      Podemos atribuir dois sentidos principais:

      Sentido Geográfico/Literal: A região de origem do trabalhador (o Nordeste/Norte do Brasil), o seu lar.

      Sentido Figurado: Um "norte" como sinônimo de direção, sentido ou propósito de vida. Pedro está perdido na rotina e busca um rumo para sua existência.

 

09 – Por que Pedro pedreiro “quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais”?

      Porque a dinâmica de "esperar" por tantas coisas (aumento, sorte, futuro do filho) gera uma ansiedade e um sofrimento psicológico insuportáveis ("se dá o desespero de esperar demais"). Pedro sente que a ambição e a esperança o escravizam. Ele prefere a ignorância e a pobreza absoluta, desde que isso o liberte da tortura mental de viver esperando por um futuro que nunca chega.

 

10 – Quando se diz: “Pedro não sabe, mas talvez no fundo//Espere alguma coisa mais linda que o mundo”, que coisa mais linda poderia ser essa?

      Essa "coisa mais linda" pode ser interpretada como a libertação plena, a dignidade humana ou a justiça social. Mesmo alienado e sem conseguir verbalizar, no fundo do seu ser, Pedro anseia por um mundo ideal, onde o homem não seja explorado e onde a vida não seja resumida apenas a trabalhar e pegar o trem.

 

11 – O verso: “Esperando um filho pra esperar também” revela um ciclo difícil de se romper no Brasil. Que ciclo é esse? Por que ele acontece e como ele poderia ser quebrado?

      O Ciclo: É o ciclo da pobreza hereditária e da falta de mobilidade social. O filho do pedreiro está fadado a ter o mesmo destino social e econômico do pai.

      Por que acontece: Devido à desigualdade estrutural, falta de acesso a empregos dignos e salários justos que assolam as classes mais baixas.

      Como quebrar: Através de políticas públicas profundas, principalmente com educação pública de alta qualidade, distribuição de renda, oportunidades de emprego e acesso à cultura para as periferias.

 

12 – O que nos sugere o efeito sonoro produzido pelo final da música: “que já vem...// que já vem...// que já vem... que já vem...”?

      O ritmo decrescente e repetitivo mimetiza o som do trem freando na estação, aproximando-se da plataforma. Ao mesmo tempo, ironiza a própria dinâmica da vida de Pedro: após passar a música inteira parado esperando, finalmente algo (o trem/o futuro) parece estar chegando, mas a música acaba, deixando o desfecho em aberto.

 

13 – Pode-se dizer que Pedro pedreiro é um homem esperançoso? Justifique sua resposta.

      É uma resposta ambígua. Pedro vive da "esperança", mas não de uma esperança ativa (de quem luta para mudar), e sim de uma esperança passiva (daquele que apenas aguarda o destino). A própria letra chama essa esperança de "aflita" e diz que ela dá o "desespero de esperar demais". Portanto, ele é esperançoso por necessidade de sobrevivência psicológica, mas essa esperança é o seu próprio castigo.

ANÚNCIO PUBLICITÁRIO: NATURA - DERIVAÇÃO PREFIXAL E SUFIXAL- COMPOSIÇÃO POR JUSTAPOSIÇÃO - COM GABARITO

 

Anúncio publicitário: Natura

 



Entendendo o anúncio:

 

01 – O anúncio promove um novo produto e para isso utiliza a linguagem verbal (texto) e a linguagem não verbal (imagem). Como o texto, na parte inferior do anúncio visa persuadir o consumidor. Nesse caso, que recursos foram empregados?

      A imagem central sugere o sol com os produtos para a proteção da pele. As embalagens mostram o que o texto informa: são hidratantes contra os raios UVB com fatores variados para a proteção da pele contra os raios solares.

 

02 – Todo anúncio visa persuadir o consumidor. Nesse caso, que recursos foram empregados?

      A imagem atraente e bem centralizada; o texto apresenta uma série de argumentações que estimulam o interesse do consumidor e, ao mesmo tempo, esclarece sobre a qualidade e os benefícios do produto.

 

03 – Copie do texto palavras que se formam pelos processos a seguir:

-- Derivação sufixal: fórmula, tecnológica, durante, combater, hidratante, textura, resistente.

-- Derivação prefixal e sufixal: exposição, antioxidante.

-- Siglonimização: UVA, UVB, CAO.

-- Composição por justaposição: fotoequilíbrio, fotoestável, fotoenvelhecimento.

-- Parassíntese: aproveitar.

NOTÍCIA: CHEGOU À FESTA JUNINA! - FRAGMENTOS - COM GABARITO

 Notícia: Chegou à festa junina! – Fragmentos

        Antes da era cristã, alguns povos antigos – persas, egípcios, celtas, sírios, bascos, sardenhos, bretões e sumérios – faziam rituais para invocar a fertilidade de suas plantações. Eles acendiam fogueiras para espantar os maus espíritos e desejavam obter uma boa safra. Isso acontecia em junho, época em que se inicia o verão no hemisfério norte. Esses festejos e perpetuaram. Mais tarde, passaram a ser seguidos não só pelos camponeses, mas também pelos homens da cidade na Europa. 

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhCQVymVuT0_sa_AJ3gwVSU95I1pid_B4ycsfdu2hM2HxTpL4VeqgX4GoTeIK29RxftMLt8O7SDNmFQr3KGOGS_pwZe_jQuAp1DkW8uI7RZm3zzFflEIvQRMkvAFvRlAzgypKOIRh-rBxVAsUqhSEwonajjkkiU4bGi6CIelHtE5gyMUYVqGltowXRuPfA/s320/festa%20junina2.jpg


No entanto, os rituais eram considerados pagãos pela Igreja Católica. Como não era possível dar fim a uma tradição tão antiga, a Igreja adaptou essa celebração a seu calendário de festividades no século 4. Estava iniciada a Festa Joanina, que recebeu este nome em homenagem a São João Batista, um dos santos mais importantes celebrados em junho – os outros são Santo Antônio (no dia 13) e São Pedro (no dia 29).

 

http://www.cienciahoje.uol.com.br.

Entendendo a notícia:

01 – A igreja adaptou os rituais a seu calendário de festividades porque:

(A) deveria espantar os bons espíritos. 

(B) queria perpetuar os festejos na Europa.

(C) desejava manter os rituais no hemisfério norte. 

(D) seria muito difícil romper com as antigas tradições.

02 – Em “Esses festejos se perpetuaram.”, o trecho que mantém o sentido da expressão em destaque é:

(A) ... “persas, egípcios, celtas, sírios, bascos, sardenhos, bretões e sumérios – faziam rituais para invocar a fertilidade de suas plantações.”

(B) “Mais tarde, passaram a ser seguidos não só pelos camponeses, mas também pelos homens da cidade na Europa.”

(C) “Isso acontecia em junho, época em que se inicia o verão no hemisfério norte.”

(D) “Estava iniciada a Festa Joanina, que recebeu este nome em homenagem a São João Batista, ...”.

03 – Qual era o objetivo principal dos povos antigos ao realizarem os rituais que originaram as festas juninas?

(A) Celebrar o nascimento de São João Batista.

(B) Invocar a fertilidade das plantações e garantir uma boa safra.

(C) Marcar o início do inverno no hemisfério sul.

(D) Adorar os santos da Igreja Católica.

04 – De acordo com o texto, por que os rituais originais acendiam fogueiras?

(A) Para espantar os maus espíritos.

(B) Para cozinhar os alimentos da colheita.

(C) Para homenagear Santo Antônio e São Pedro.

(D) Para aquecer os camponeses no rigoroso inverno europeu.

05 – O nome original da celebração após a adaptação da Igreja Católica era "Festa Joanina". Essa denominação foi escolhida para homenagear:

(A) O verão no hemisfério norte.

(B) Os povos sumérios e bretões.

(C) São João Batista.

(D) O Papa que governava no século 4.

06 – Em qual período do ano e em qual região do planeta esses rituais antigos aconteciam originalmente?

(A) Em dezembro, no hemisfério sul.

(B) No século 4, na cidade de Roma.

(C) Em junho, época de início do verão no hemisfério norte.

(D) No dia 29 de junho, exclusivamente nos campos da Europa.

 

 

CRÔNICA: VIAGEM DE BONDE - FRAGMENTO - RAQUEL DE QUEIROZ - COM GABARITO

 Crônica: Viagem de Bonde – Fragmento

 

        Era o Bonde Engenho de Dentro, ali na Praça Quinze. Vinha cheio, mas como diz, empurrando sempre encaixa. O que provou ser otimismo, porque talvez encaixasse metade ou um quarto de pessoa magra, e a alentada senhora que se guindou ao alto estribo e enfrentou a plataforma traseira junto com um bombeiro e outros amáveis soldados, dela talvez coubesse um oitavo. Assim mesmo, e isso prova bem a favor da elasticidade dos corpos gordos, ela conseguiu se insinuar, ou antes, encaixar. 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMM0_5JFYIC3JxuHGRDXtASYuRFX9NAOah84EiAIpzw4hss5V-R6S4X-bloBppip4eHWY9VQ0zmJ0HDxrdZ3JueM1DpjkooEOqWSdDV-VLpHx1KOzelsJjx2lKj_kOH5whQ5rUzqBfe_ovBCion-OAKByLnTQZJCLWEYxfJm8g3YfBhJSR7XD2RE1Lshw/s320/1968-fimdosbondes.png 


E tratava de acomodar-se gingando os ombros e os quadris à direita e à esquerda, quando o bonde parou em outro poste, e o soldado repetiu o tal slogan do encaixe. E foi subindo − logo quem! − uma baiana dos seus noventa quilos ... E aquela baiana pesava seus noventa quilos mas era nua, com licença da palavra, pois com tanta saia engomada e mais os balangandãs, chegava mesmo era aos cem...

 

O Melhor da crônica brasileira. Raquel de Queiroz / Viagem de Bonde. Editora Olympio. Rio de Janeiro/1980. p. 53. 

Entendendo a crônica:

01 – O trecho que apresenta característica de humor é:

(A) “Era o Bonde Engenho de Dentro, ali na Praça Quinze. Vinha cheio, mas como diz, ...”

(B) “Assim mesmo, e isso prova bem a favor da elasticidade dos corpos gordos, ela conseguiu se insinuar, ou antes, encaixar.”

(C) “E aquela baiana pesava seus noventa quilos mas era nua, com licença da palavra, pois com tanta saia engomada e mais os balangandãs, chegava mesmo era aos cem...”.

(D) “quando o bonde parou em outro poste, o soldado repetiu o tal slogan do encaixe.”

 

02 – O que a expressão popular “empurrando sempre encaixa” mencionada no início do texto indica sobre a situação do bonde?

(A) Que o bonde estava vazio e os passageiros viajavam confortáveis.

(B) Que o bonde estava tão lotado que as pessoas acreditavam, com otimismo exagerado, que sempre caberia mais alguém.

(C) Que o motorista do bonde guiava de forma violenta, empurrando os outros veículos.

(D) Que os soldados expulsavam as pessoas do bonde para que os outros pudessem subir.

03 – De acordo com o narrador, por que o peso real da baiana passava de noventa para cerca de cem quilos?

(A) Por causa do peso das suas roupas engomadas e dos seus acessórios (balangandãs).

(B) Porque ela carregava muitas sacolas de compras pesadas.

(C) Devido ao movimento de balanço (gingado) que ela fazia ao subir no bonde.

(D) Porque ela estava acompanhada de outra pessoa no estribo do bonde.

 

04 – Para conseguir espaço e se acomodar em meio à multidão na plataforma do bonde, a "alentada senhora" utilizou qual estratégia física?

(A) Pediu educadamente para que os soldados e o bombeiro descessem.

(B) Sentou-se no chão da plataforma traseira.

(C) Insinuou-se para dentro gingando os ombros e os quadris para os lados.

(D) Esperou que o bonde esvaziasse no poste seguinte.

 

05 – Quem eram as pessoas que já estavam viajando especificamente na "plataforma traseira" junto com a senhora que subiu?

(A) Apenas a baiana de noventa quilos.

(B) Um bombeiro e outros amáveis soldados.

(C) O cobrador e o motorneiro do bonde Engenho de Dentro.

(D) Apenas passageiros magros que ocupavam um quarto do espaço.

 

NOTÍCIA: MÔNICA TORRES ACHARÁ TODO MUNDO "GENTINHA" EM NOVELA - COM GABARITO

 Notícia: Mônica Torres achará todo mundo “gentinha” em novela

 

        A atriz Mônica Torres começa nos próximos dias a preparação para a nova novela da Record, Ribeirão do Tempo.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh4ZhH6-8yNGg8KY-P2-HqTtoO3IjHUfdFfWiLFx7M7YTGKpmqGo847gv4mpfKhlEWZ81dYogr965dV54XTFTT_wwmPG6mAfh_d6i98dH81PV-xctEeuwdWCaYmBtWarNDB60KY9onn9hQ3wt5R7g_3L1HCGmRzijSEfuULGvf-_Bj66X_LMJrXsBnbXmU/s1600/images.png 


        Ela será uma ex-modelo e proprietária da butique mais luxuosa da cidadezinha que empresta seu nome à trama.

        -- A Célia vai morar em Ribeirão do Tempo contrariada. Ela está acostumada com o glamour das grandes cidades. Vai contrariada por conta do marido e vai achar todo mundo ‘gentinha’.

http://entretenimento.r7.com.

 

Entendendo a notícia:

01 – O uso do diminutivo na palavra ‘gentinha’ no texto significa que:

(A) a personagem dará às pessoas um tratamento carinhoso. 

(B) as pessoas da novela vivem em uma cidade pequena.

(C) a atriz compara as pessoas da cidade à sua butique luxuosa. 

(D) a personagem desconsidera as pessoas da cidadezinha.

02 – De acordo com o texto, qual é o principal motivo para a insatisfação da personagem Célia ao mudar-se para Ribeirão do Tempo?

      O motivo de sua insatisfação é o choque cultural e de estilo de vida. Célia é uma ex-modelo acostumada ao luxo e ao agito das grandes metrópoles, e se muda para uma cidade pequena de forma contrariada, apenas para acompanhar o marido.

03 – A notícia menciona que Célia será proprietária da "butique mais luxuosa da cidadezinha". Como essa informação ajuda a construir o perfil socioeconômico da personagem?

      Essa informação reforça o perfil elitista e vaidoso de Célia. Ser dona do estabelecimento mais caro e exclusivo da região mostra que ela faz questão de manter seu status de poder, riqueza e ligação com o mundo da moda, mesmo estando fora de uma grande capital.

04 – Qual elemento do texto indica que os fatos narrados na notícia ainda iriam acontecer no momento em que ela foi publicada?

      O uso dos verbos no futuro do presente ("começa nos próximos dias", "ela será", "vai morar", "vai achar") deixa claro que a novela ainda estava em fase de pré-produção e que a atriz ainda iniciaria a preparação para o papel.

05 – No trecho "-- A Célia vai morar em Ribeirão do Tempo contrariada...", o uso do travessão introduz a fala de quem? O que essa fala acrescenta à notícia?

      O travessão introduz a fala da própria atriz (Mônica Torres) ou de alguém diretamente ligado à produção (como o autor ou diretor). Essa fala acrescenta a voz de quem conhece a fundo a psicologia da personagem, antecipando para o público o temperamento arrogante e os conflitos que Célia trará para a trama.

 

 

POEMA: CAVERNA - ROSEANA MURRAY - COM GABARITO

 Poema: Caverna

       Roseana Murray

 

Houve um dia,

no começo do mundo

em que o homem

ainda não sabia

construir sua casa.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipywfMwZckGVNnyvkt7CSSc7NfCQUUB0g0W3lNYmmfgZdar9Gman7jENCc32-vfy6um-EJoLumXhyphenhyphenOWBnH1P4dxw24t5U9XnRyBcUYy5ddWlHCcej9vqlMhwZKY5_Ap9ZvjSsgzDj3GQt9Ch656zbGsTRfsE_4e9ujL1Zc2JtuyJxCrQjjVz8Zt9wcq-4/s320/images.jpg 

Então disputava

a caverna com bichos

e era aí sua morada.

 

Deixou para nós

seus sinais,

desenhos desse mundo

muito antigo.

 

Animais, caçadas, danças,

misteriosos rituais.

 

Que sinais

deixaremos nós

para o homem do futuro?

                     Roseana Murray. Casas. Belo Horizonte: Formato, 2004.

Entendendo o poema:

01 – No último verso da segunda estrofe: “e era aí sua morada”, a expressão em destaque pode ser substituída por: 

(A) sua casa.  

(B) o homem.  

(C) do mundo.  

(D) com bichos.

02 – De acordo com a terceira e a quarta estrofe, de que forma os homens do começo do mundo se comunicaram com as gerações futuras?

      Eles se comunicaram através de pinturas rupestres ("deixou para nós seus sinais, desenhos desse mundo muito antigo"). Esses registros retratavam o cotidiano deles, como os animais da época, as estratégias de caça, suas danças e os rituais religiosos ou misteriosos que realizavam.

03 – O que a disputa da caverna "com bichos" (segunda estrofe) revela sobre a relação entre o homem primitivo e a natureza?

      Revela uma relação de igualdade na luta pela sobrevivência. Como o homem ainda não dominava a tecnologia de construção, ele não estava no topo da cadeia de forma soberana; ele precisava competir diretamente com os animais selvagens pelo mesmo espaço físico de proteção contra o clima e predadores.

04 – O poema faz uma transição temporal ao longo de suas estrofes. Como essa linha do tempo está organizada no texto?

      O poema começa no passado remoto ("no começo do mundo", "mundo muito antigo"), passa pelo nosso presente ao analisar os sinais que recebemos ("deixou para nós") e termina projetando o futuro ("para o homem do futuro"), criando uma linha de continuidade da história humana.

05 – Qual a principal reflexão ou provocação que a autora faz na última estrofe do poema?

      A autora faz uma provocação filosófica e ecológica. Ela nos questiona sobre o legado da nossa sociedade atual. Enquanto os homens primitivos deixaram registros de arte, conexão com a natureza e rituais, ela nos faz pensar se nós deixaremos coisas positivas ou se deixaremos destruição, poluição e ruínas para as próximas gerações.

06 – O poema faz parte de um livro chamado "Casas". Como o conceito de "casa" evoluiu do início do texto até os dias de hoje, com base na leitura?

      No início do texto, "casa" era um elemento puramente biológico e de sobrevivência, um refúgio natural (a caverna) disputado com animais. Hoje, a casa é algo que o homem aprendeu a construir, transformando-se em um espaço cultural, tecnológico e social. No entanto, a última estrofe sugere que o nosso conceito atual de "construir" e habitar o planeta pode estar deixando marcas preocupantes para o futuro.