domingo, 28 de junho de 2026

POEMA: NÃO TE FIES DO TEMPO NEM DA ETERNIDADE - CECÍLIA MEIRELES - COM GABARITO

 Poema: Não te Fies do Tempo nem da Eternidade

          Cecília Meireles

 

Não te fies do tempo nem da eternidade
que as nuvens me puxam pelos vestidos,
que os ventos me arrastam contra o meu desejo.
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhw_ULcaI8uH_3lAUkFlTId56NXC5wP-0u7gZlauY8B7yEaCFT61Vo7UxmbS1dGz8Ei7IVhc6fgN20O1bpIqaWtfWZowYysaXxk4gDb5F0AoFk_WPx1qU8HT73rSzs6wksBDdm_yULJgf1UEvPYOP0l0hjJXLErO55e7J1GOsmUYY0SbjPjLpx5xK2soEI/s1600/mqdefault.jpg



Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te escuto!

Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te digo...


Cecília Meireles, in Retrato Natural.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o tema central do poema e como a repetição dos dois últimos versos de cada estrofe reforça essa ideia?

      O tema central é o carpe diem (aproveitar o momento presente) associado à angústia da brevidade da vida e à iminência da morte. A repetição dos versos "Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, / que amanhã morro e não te..." funciona como um refrão desesperado que dita o ritmo de urgência do poema. Essa estrutura reforça a efemeridade do tempo e a necessidade absoluta do encontro amoroso imediato, pois o amanhã é sinônimo de ausência e fim.

 02 – Por que o eu lírico adverte o ser amado a não confiar ("não te fies") no tempo nem na eternidade?

      O eu lírico alerta que nem o tempo (que é mutável e passageiro) nem a eternidade (que é abstrata e distante) podem garantir a permanência da vida ou do encontro. Na primeira estrofe, o eu lírico descreve-se como alguém vulnerável às forças da natureza ("as nuvens me puxam pelos vestidos", "os ventos me arrastam"), evidenciando que os seres humanos não têm controle sobre o destino e estão à mercê de forças maiores que os desgastam e os levam embora.

03 – De que forma os sentidos humanos (visão, audição e fala) são distribuídos ao longo das estrofes para marcar a progressão da perda?

      Há uma progressão melancólica e sensorial da perda da vida que se manifesta no fechamento de cada estrofe:

      Na primeira estrofe, o foco é a visão: o medo de morrer e "não te vejo".

      Na segunda estrofe, o foco é a audição: o medo de morrer e "não te escuto".

      Na terceira estrofe, o foco é a fala/comunicação: o medo de morrer e "não te digo". Essa gradação mostra o corpo e a capacidade de se conectar com o outro silenciando-se aos poucos diante da morte.

04 – Como as imagens marítimas e minerais da segunda estrofe ajudam a construir o distanciamento do ser amado?

      Na segunda estrofe, o eu lírico pede ao amor que não demore "tão longe, em lugar tão secreto". Para ilustrar esse isolamento, utiliza as metáforas "nácar de silêncio que o mar comprime" e "ó lábio, limite do instante absoluto!". O nácar (substância dura e brilhante das conchas) associado ao silêncio esmagado pelo mar evoca uma barreira intransponível, mostrando que a distância e o silêncio do amado são tão rígidos e profundos quanto as profundezas do oceano.

05 – Qual é o significado da metáfora "a anêmona aberta na tua face" e o que representa o "vento inimigo" na última estrofe?

      A "anêmona aberta na tua face" é uma metáfora para o frescor, a beleza e a vivacidade da juventude e do rosto do ser amado (a anêmona é uma flor marinha ou terrestre delicada e colorida). O eu lírico pede o encontro agora, enquanto ainda mantém a capacidade de reconhecer essa beleza. Em contrapartida, o "vento inimigo" que ronda os muros representa o tempo devastador, a velhice ou a própria morte que cerca a existência e ameaça destruir essa delicadeza.

 

 

CRÔNICA: A CONCEPÇÃO DE FELICIDADE NA ÉTICA ARISTOTÉLICA - JOÃO FRANCISCO P. CABRAL - COM GABARITO

 Crônica: A CONCEPÇÃO DE FELICIDADE NA ÉTICA ARISTOTÉLICA

             João Francisco P. Cabral

         A palavra ethos é de etimologia grega e significa comportamento, ação, atividade. É dela que deriva a palavra ética. A ética é, portanto, o estudo do comportamento, das ações, das escolhas e dos valores humanos. Mas no nosso cotidiano ocorre de percebermos que há uma série de modelos de “éticas” diferentes que postulam modos de vida e de ação, por vezes excludentes. Qual é o melhor tipo de vida (se é que há um)? O que é a felicidade? É melhor ser feliz ou fazer o bem ou o que é certo?

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhF8HPLQZ7MT6vMsmYMloUo9eGwBidug5fwt2uUjEkkAVRQdxpvL32hYdnpbrvb7NuR8avOJXqCWWUOFsPSN0mvZ48bmH6wTxtwCxhJ74lxMz_QQXylM3V17EgBFBboXFPR6c6aCXoi8HkR8eqDAk3O51IFevdVWwAh2kMW4n-DjKKE4Fr6xuE09CSu3jc/s320/maxresdefault.jpg


        Perguntas como essas são feitas em todas as épocas da história humana. E desde a antiguidade clássica dos gregos, já havia muitos modelos de respostas para elas. Uma delas é a fornecida pelo filósofo Aristóteles, famoso por sua Metafísica. Vamos nos aprofundar um pouquinho mais no que ele tem a nos dizer.

        Em seu livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles consagrou a tão famosa ética do meio-termo. Em meio a um período de efervescência cultural, o prazer e o estudo se confrontam para disputar o lugar de melhor meio de vida. No entanto, a sobriedade de nosso filósofo o fez optar por um caminho que condene ambos os extremos, sendo, pois, os causadores dos excessos e dos vícios.

        A metrética (medida) que usa o estagirita (Aristóteles era chamado assim por ter nascido em Estagira) procurava o caminho do meio entre vícios e virtudes, a fim de equilibrar a conduta do homem com o seu desenvolvimento material e espiritual. Assim, entendido que a especificidade do homem é a de ser um animal racional, a felicidade só poderia se relacionar com o total desenvolvimento dessa capacidade. A felicidade é o estado de espírito a que aspira o homem e para isso é necessário tanto bens materiais como espirituais.

        Aristóteles herda o conceito de virtude ou excelência de seus antecessores, Sócrates e Platão, para os quais um homem deve ser senhor de si, isto é, ter autocontrole (autarquia). Trata-se do modo de pensar que promove o homem como senhor e mestre dos seus desejos e não escravos destes. O homem bom e virtuoso é aquele que alia inteligência e força, que utiliza adequadamente sua riqueza para aperfeiçoar seu intelecto. Não é dado às pessoas simples nem inocentes, tampouco aos bravos, porém tolos. A excelência é obtida através da repetição do comportamento, isto é, do exercício habitual do caráter que se forma desde a infância.

        Segundo Aristóteles, as qualidades do caráter podem ser dispostas de modo que identifiquemos os extremos e a justa medida. Por exemplo, entre a covardia e a audácia está a coragem; entre a belicosidade e a bajulação está a amizade; entre a indolência e a ganância está a ambição e etc. É interessante notar a consciência do filósofo ao elaborar a teoria do meio-termo. Conforme ele, aquele que for inconsciente de um dos extremos, sempre acusará o outro de vício. Por exemplo, na política, o liberal é chamado de conservador e radical por aqueles que são radicais e conservadores. Isso porque os extremistas não enxergam o meio-termo.

        Portanto, seguindo o famoso lema grego “Nada em excesso”, Aristóteles formula a ética da virtude baseada na busca pela felicidade, mas felicidade humana, feita de bens materiais, riquezas que ajudam o homem a se desenvolver e não se tornar mesquinho, bem como bens espirituais, como a ação (política) e a contemplação (a filosofia e a metafísica).

 

Por João Francisco P. Cabral. Colaborador Brasil Escola.

 

Entendendo a crônica:

01 – O que é a ética de acordo com a etimologia da palavra ethos e qual o seu objeto de estudo?

      A palavra ética deriva do termo grego ethos, que significa comportamento, ação ou atividade. Portanto, a ética é definida no texto como o estudo científico e filosófico do comportamento humano, englobando a análise das ações, das escolhas e dos valores que orientam a vida dos indivíduos em sociedade.

02 – Em que consiste a famosa "ética do meio-termo" de Aristóteles e o que ela condena?

      A ética do meio-termo consiste na busca por uma justa medida (ou metrética) entre os extremos da conduta humana, equilibrando o desenvolvimento material e espiritual do homem. Ela condena categoricamente os extremos — tanto o cultivo exclusivo do prazer quanto o ascetismo ou estudo radical —, apontando que o excesso e a falta são os verdadeiros causadores dos vícios e dos desvios de caráter.

03 – Como Aristóteles define a felicidade e qual a relação dela com a natureza essencial do ser humano?

      Para Aristóteles, a felicidade é o estado de espírito máximo a que todo homem aspira. Como a especificidade que define e diferencia o ser humano dos outros seres é o fato de ele ser um "animal racional", a verdadeira felicidade só pode ser alcançada através do total desenvolvimento dessa capacidade racional. Para que esse estado seja pleno, o indivíduo necessita de um equilíbrio entre bens materiais (riquezas que evitam a mesquinhez) e bens espirituais.

04 – De acordo com o texto, como um indivíduo alcança a excelência (virtude) e quem é o homem virtuoso para Aristóteles?

      A excelência não é um dom nato, mas sim um hábito obtido através da repetição do comportamento e do exercício constante do caráter, idealmente cultivado desde a infância. O homem virtuoso é aquele que possui autocontrole (autarquia), sendo senhor e mestre de seus próprios desejos. Ele sabe aliar inteligência e força, utilizando adequadamente seus recursos e riquezas para aperfeiçoar seu intelecto, distanciando-se tanto da ignorância ingênua quanto da bravura tola.

05 – Como funciona a aplicação prática do meio-termo em relação às qualidades do caráter e por que os extremistas não conseguem enxergá-lo?

      Na prática, o meio-termo situa-se exatamente no centro entre dois extremos viciosos. O texto exemplifica que a coragem é a justa medida entre a covardia e a audácia, assim como a amizade está entre a belicosidade e a bajulação. Os extremistas não conseguem enxergar esse ponto de equilíbrio porque são inconscientes da moderação; assim, quem está em um extremo sempre acusará o homem do meio-termo de praticar o vício oposto (como na política, onde o moderado é rotulado de radical pelos conservadores e de conservador pelos radicais).

 

 

CONTO: AS ÁGUAS DO MUNDO - CLARICE LISPECTOR - COM GABARITO

 Conto: As águas do mundo

          Clarice Lispector

        Aí está ele, o mar, o mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVLj-1rp8pYRgQEjOkl9exeLMvFV3kZckRwzkKFvNcG-G22QDZr6J-Wmm2anHLut1QfC_eGS1s1Rv22IRGVRvSo3tQ-C0oiyRKRDCwCJEPas95u6NhE43iV00cDRKWE6ds9Vs18CtKT2TaOm4fsE0t04eA3Vy3jmOhv8RHt2Mi31KamvsWnQSMa5p1tNM/s1600/AGUAS.jpg 


        Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões.

        Ela olha o mar, é o que se pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.

        São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porquê ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar.

        Seu corpo se consola com sua própria exiguidade em relação a vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exiguidade que a torna livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhã, ela não têm o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.

        Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal – a alegria é uma fatalidade – já a tomou, embora nem lhe ocorrera sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta, mesmo sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda- e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido.

        O caminho lento aumenta as coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo- espantada de pé, fertilizada.

        Agora o frio se transformou em frígido. Avançando, ela sobre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e com altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheia de água, bebe em goles grandes, bons.

        E era isso o que estava lhe faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora está toda igual a si mesma. A garganta alimentada se constringe com o sal, os olhos avermelham-se pelo sal secado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam pois ela é um anteparo compacto.

        Mergulha de novo, de novo bebe mais água, agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é a amante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica pois. Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Não precisa de comunicação.

        Depois caminha dentro da água de volta à praia. Não está caminhando sobre as águas- ah, nunca faria isso depois que há milênios já andaram sobre as águas- mas ninguém lhe tira isso: caminhar dentro das águas. Às vezes o mar lhe impõe resistência puxando-a com força para trás, mas então a proa da mulher avança um pouco mais dura e áspera.

        E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água, e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a uns minutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos escorridos são de náufrago. Porque sabe – sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano.

 

Clarice Lispector. In: Felicidade Clandestina: José Olympio, 1975.

 

Entendendo o conto:

01 – O que aproxima e o que diferencia a mulher e o mar no início do conto?

      O que os aproxima é o fato de ambos serem descritos como "ininteligíveis" — o mar como o mais ininteligível das existências não humanas, e a mulher como o mais ininteligível dos seres vivos. No entanto, o que os diferencia essencialmente é a consciência humana: a mulher tornou-se incompreensível a partir do momento em que "fez um dia uma pergunta sobre si mesmo". Enquanto o mar é um mistério pleno e realizado por sua vastidão e salinidade, a mulher carrega o mistério da autodescoberta e da indagação.

02 – Qual é o significado da "coragem" mencionada pelo narrador quando a mulher hesita antes de entrar no mar?

      A coragem da mulher reside no ato de prosseguir e avançar em direção ao desconhecido, mesmo sem se autoconhecer ("Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto prosseguir"). O texto destaca que ela cumpre esse ritual de forma solitária e autêntica às seis horas da manhã, desprovida do "exemplo de outros humanos" que reduzem o mar a um "simples jogo leviano de viver". Trata-se de uma coragem existencial: a de enfrentar a própria exiguidade diante da imensidão do mundo.

03 – Como a relação da mulher com o mar se transforma após ela ser coberta pela primeira onda?

      Inicialmente, a entrada exige esforço, vigilância (como a de um caçador) e uma "coragem secreta" diante da oposição da gelidez líquida. Porém, após ser coberta pela primeira onda — ficando temporariamente cega, escorrendo e sentindo-se "fertilizada" —, a dinâmica muda. O frio torna-se frígido, o medo desaparece e ela passa a se sentir "antiga no ritual". Ela deixa de ser uma intrusa e passa a agir com a intimidade e a segurança de uma "amante que sabe que terá tudo de novo".

04 – Qual é o significado simbólico do ato de a mulher beber a água do mar com a concha das mãos?

      O ato de beber a água salgada simboliza a interiorização do absoluto e a fusão definitiva entre o seu mundo interno e o mundo externo ("E era isso o que estava lhe faltando: o mar por dentro"). Ao ingerir o mar, a mulher preenche seu vazio existencial e atinge uma plenitude identitária, tornando-se "toda igual a si mesma". É um ato realizado com altivez, que dispensa comunicações, transmissões ou qualquer tipo de explicação racional.

05 – Por que, ao retornar à praia, a mulher sente que realizou "um perigo antigo quanto o ser humano"?

      Ao caminhar de volta, o mar tenta retê-la, exigindo que sua "proa" avance de forma dura e áspera. Ao pisar na areia, ela se reconhece com "cabelos de náufrago" porque vivenciou uma experiência limite de dissolução e renascimento. O "perigo" não é meramente físico, mas espiritual: o risco de se entregar completamente ao ilimitado, de perder as fronteiras do próprio ego na vastidão do mundo e, ainda assim, conseguir retornar transformada, brilhando de água, sal e sol.

 

POEMA: FRÊMITO DO MEU CORPO A PROCURAR-TE - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Poema: Frêmito do Meu Corpo a Procurar-te

 Frêmito do meu corpo a procurar-te,

Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doído anseio dos meus braços a abraçar-te,

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQ1FAw20VgxgQ1K1c5QsNNqj4pdzL9Jcl4Ar3aU-OO044MBc-7uyIixh2slMNIkX6hJtz2AMcBy4Osj4I9sQERMV5oj7SZEL5B9kTi4mQAvFlG8yeHDLF0ka4X5mK0DnuPlK4fHFNrFSif59AhvxO9mdlP7XDAMU_OP3CNVUKF7RQBA4hJNdd7DOlkRqs/s320/corpo.jpg



Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!

E vejo-te tão longe! Sinto tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que não me amas...

E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...

 

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas".

Entendendo o poema:

 

01 – Como a sensorialidade é explorada na primeira estrofe do poema para expressar o desejo do eu lírico?

      O eu lírico utiliza imagens sensoriais intensas, focando principalmente no tato e no olfato. Expressões como "frêmito do meu corpo", "febre das minhas mãos" e o "doído anseio dos meus braços" evocam uma necessidade física urgente de contato. Além disso, a referência aos aromas de "âmbar, baunilha e mel" personifica o ser amado através de sensações olfativas doces, contrastando com a dor da ausência descrita logo em seguida.

 

02 – Na segunda estrofe, o eu lírico menciona uma "fome, áspera e cruel". Qual é o significado metafórico dessa fome e o que ela revela sobre o seu estado emocional?

      A "fome" funciona como uma metáfora para o desejo insaciável e a carência afetiva. Ao descrevê-la como algo que "nada existe que a mitigue e a farte", Florbela Espanca reforça a ideia de um sofrimento absoluto e de uma busca incessante por algo que não pode ser alcançado, transformando a paixão em uma tortura física e emocional ("amargor de fel").

 

03 – Qual é o contraste estabelecido na terceira estrofe entre o estado de espírito do eu lírico e a atitude do ser amado?

      O contraste é marcado pela oposição entre a agitação do eu lírico e a passividade do ser amado. Enquanto o eu lírico está em "frêmito" e busca ansiosamente, a alma do ser amado é descrita como uma "lagoa calma". Essa calma não é positiva, mas sim uma representação da indiferença e da falta de reciprocidade, culminando na revelação dolorosa de que o outro "não ama" o eu lírico.

 

04 – Explique o simbolismo da metáfora final: "Esquife negro sobre um mar de chamas".

      Esta é uma imagem de forte impacto visual e emocional que encerra o soneto. O "esquife negro" (caixão) representa o coração do eu lírico, sugerindo que o seu sentimento está morto ou em estado de luto devido à rejeição. O "mar de chamas" simboliza o sofrimento devastador ou a paixão não correspondida que o consome. A imagem do esquife boiando ao acaso indica a perda de controle e a total desesperança diante do abandono.

 

05 – Considerando a estrutura do soneto e o vocabulário utilizado, qual é o tema central da obra?

      O tema central é a angústia do amor não correspondido e o desespero do desejo físico e emocional insatisfeito. O poema transita da urgência da carne (o frêmito e o desejo de tocar) para a melancolia da alma que se descobre ignorada, resultando em uma sensação de aniquilamento e solidão existencial, característica marcante da poesia de Florbela Espanca.

 

 

POEMA: CREIO NO MUNDO COMO NUM MALMEQUER - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: Creio no mundo como num malmequer

            Fernando Pessoa

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRUqag09_g_U1mbGr5loKROVFkWkwAj0qeCa3xEo55bRCxC3djqW5IFpFBkk2O0UI4fS6O1dEf8ntPtf4y_OEOzK0G2HpDpvN_E1T7gH4ho_Z8Rb6PNRWIdcmeg9UVxkD_Prx5lAdL5x1BPKL1Cc29-fFnTmonWOW4ZjZfSoWU0STiEkwfgL_68XDPzmY/s1600/images.jpg



O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Fernando Pessoa.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o significado da comparação inicial "Creio no mundo como num malmequer"?

      A comparação com um malmequer (uma flor simples do campo, como a margarida) simboliza uma crença na realidade baseada na simplicidade, na evidência e na pureza visual. O eu lírico não precisa de dogmas, teorias ou religiões complexas para acreditar na existência do universo; ele crê no mundo da mesma forma direta e natural com que aceita a existência de uma flor comum: simplesmente "porque o vejo".

02 – Por que o eu lírico afirma que "pensar é não compreender" e define o pensamento como estar "doente dos olhos"?

      Para Alberto Caeiro, o pensamento abstrato deforma a realidade. Ao tentar intelectualizar o mundo, o ser humano distancia-se da verdade imediata das coisas. A metáfora "pensar é estar doente dos olhos" sugere que a filosofia e a racionalização funcionam como uma visão embaçada ou distorcida, que impede o homem de enxergar as coisas como elas realmente são em sua crueza e beleza física.

03 – De acordo com a segunda estrofe, qual é a verdadeira finalidade do mundo em relação aos seres humanos?

      O texto afirma categoricamente que o mundo não foi feito para ser transformado em objeto de especulação intelectual ("O Mundo não se fez para pensarmos nele"). A verdadeira finalidade da existência é a pura contemplação sensorial e a harmonia com o real: fomos feitos para "olharmos para ele e estarmos de acordo", isto é, para aceitar a natureza sem questionamentos ou rebeldias metafísicas.

04 – Como o eu lírico define a sua própria relação com o conhecimento e com a filosofia na última estrofe?

      O eu lírico recusa qualquer sistema filosófico tradicional ao declarar: "Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...". Ele substitui o império da razão pela soberania das sensações físicas (ver, ouvir, tocar). Ele admite que não possui um saber científico ou acadêmico sobre a Natureza, mas que se conecta com ela através de uma experiência puramente sensorial, prática e existencial.

05 – Como o conceito de amor é articulado nos versos finais para justificar o mistério da Natureza?

      O eu lírico explica que seu elo com a Natureza nasce do amor, e o amor, por definição, prescinde da lógica e do entendimento intelectual. Ao escrever que "quem ama nunca sabe o que ama / Nem sabe por que ama, nem o que é amar", ele defende que o sentimento autêntico é involuntário e inexplicável. Portanto, não saber definir o que é a Natureza não diminui a sua relação com ela; pelo contrário, é justamente essa falta de explicações intelectuais que valida a pureza do seu amor pelo mundo.



POEMA: TRAZES-ME EM TUAS MÃOS DE VITORIOSO - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Poema: Trazes-me em Tuas Mãos de Vitorioso

 Trazes-me em tuas mãos de vitorioso

Todos os bens que a vida me negou,
E todo um roseiral, a abrir, glorioso
Que a solitária estrada perfumou.

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7U1htMIRTYcjDYKMSf7qO1RsZtFA7Q42STppWOXsmG7f677l57KXpBzvP-fpkHweyGzVbkcLi8AZxH2jwvUo3ywuHQxA6Y6vlvXHy-FXLZH78wcedJpBnKGxx_pSlv2tJ9wnEoBOfUBaFJB4RA7cdZZXAlCHRjsf86mFVtCucM6HF_hYQuLP4cBIUrBk/s320/MAOS.jpg



Neste meio-dia límpido, radioso,
Sinto o teu coração que Deus talhou
Num pedaço de bronze luminoso,
Como um berço onde a vida me pousou.

O silêncio, ao redor, é uma asa quieta...
E a tua boca que sorri e anseia,
Lembra um cálix de tulipa entreaberta...

Cheira a ervas amargas, cheira a sândalo...
E o meu corpo ondulante de sereia
Dorme em teus braços másculos de vândalo...


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas".

Entendendo o poema:

 

01 – Qual é a transformação que a presença do "tu" (a pessoa amada) opera na vida do eu lírico, segundo a primeira estrofe?

      A presença do "tu" representa uma compensação e uma cura. O eu lírico afirma que o amado traz "todos os bens que a vida me negou". A solidão e a escassez do passado (a "solitária estrada") são substituídas pela abundância e beleza, representadas pela metáfora do "roseiral a abrir, glorioso" que perfuma o caminho que antes era ermo.

 

02 – Como a figura do amado é divinizada ou enobrecida na segunda estrofe?

      O amado é descrito como alguém cuja essência é de origem divina e material nobre. O eu lírico diz que seu coração foi "talhado por Deus" em um "pedaço de bronze luminoso". O uso do bronze sugere força e durabilidade, enquanto a luz e a intervenção divina elevam a figura do amado a um patamar sagrado e protetor, servindo de "berço" para o eu lírico.

 

03 – Identifique e explique uma metáfora presente na terceira estrofe.

      Uma metáfora central é a comparação do silêncio a uma "asa quieta". Esta imagem sugere uma sensação de paz, proteção e imobilidade sagrada que envolve o casal. Além disso, a boca do amado é comparada a um "cálix de tulipa entreaberta", o que evoca delicadeza, desejo e beleza natural, reforçando a sensualidade contida no encontro.

 

04 – Quais sentidos são estimulados na última estrofe e qual o efeito dessa escolha?

      A última estrofe foca intensamente no olfato ("cheira a ervas amargas", "cheira a sândalo") e no tato ("corpo ondulante", "braços másculos"). Esse apelo sensorial cria uma atmosfera de intimidade física e exotismo. O uso de cheiros contrastantes (amargo vs. sândalo) sugere uma paixão complexa, que mistura o rústico com o refinado.

 

05 – Como o eu lírico se posiciona em relação ao amado nos versos finais do poema?

      O eu lírico se coloca em uma posição de entrega e vulnerabilidade mística. Ao se descrever como um "corpo ondulante de sereia" que dorme nos braços de um "vândalo", utiliza figuras arquetípicas: a sereia (sedutora, mas aqui submissa ao sono/paz) e o vândalo (figura de força bruta, conquistadora). Isso indica uma entrega total a um amor que é, ao mesmo tempo, protetor e avassalador.

 

 

POEMA: A MINHA PIEDADE A BOURBON E MENESES - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Poema: A Minha Piedade

          A Bourbon e Meneses 

Tenho pena de tudo quanto lida

Neste mundo, de tudo quanto sente,
Daquele a quem mentiram, de quem mente,
Dos que andam pés descalços pela vida,

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyu9sOG2BozqFKKKoGQC39U-Nphm4sDIHN5MQhkMZ1LVycvfoD9eKvFfieyZ011WH6zAlA5p9n8L2NFPTKSk4BIvdkTsdhPjaGueJEH6_ulY77Uy29Jd1JjtBlHo91ZfxDK6-U1TowRGGwqu_efGN9ffaSQu73yiGxa3u35VKecik4lLV97sjSSwa-3zU/s320/pena.jpg



Da rocha altiva, sobre o monte erguida,
Olhando os céus ignotos frente a frente,
Dos que não são iguais à outra gente,
E dos que se ensanguentam na subida!

Tenho pena de mim... pena de ti...
De não beijar o riso duma estrela...
Pena dessa má hora em que nasci...

De não ter asas para ir ver o céu...
De não ser Esta... a Outra... e mais Aquela...
De ter vivido e não ter sido Eu...


Florbela Espanca, in "Charneca em Flor".

Entendendo o poema:

 

01 – Nos dois primeiros quartetos, o eu lírico manifesta um sentimento de "piedade" que parece abranger toda a existência. Como essa empatia é construída e quais grupos ou elementos são destacados?

      A empatia é construída de forma universalista e inclusiva. Florbela Espanca utiliza a repetição da preposição "de" e do pronome "tudo" para demonstrar que sua piedade não seleciona apenas os "bons". Ela sente pena tanto de quem foi enganado ("daquele a quem mentiram") quanto do culpado ("de quem mente"). O eu lírico destaca os marginalizados socialmente ("pés descalços"), os marginalizados por sua natureza ou comportamento ("os que não são iguais à outra gente") e até elementos da natureza personificados ("rocha altiva"), unindo o sofrimento humano ao esforço da própria existência.

 

02 – No segundo quarteto, a autora personifica a "rocha altiva". Qual é o significado simbólico dessa imagem e como ela se relaciona com os versos seguintes?

      A "rocha altiva" simboliza a solidão e a soberba de quem tenta enfrentar o destino ou o desconhecido ("céus ignotos") com altivez. Ao personificá-la, o eu lírico estabelece um paralelo com "os que não são iguais" e os que "se ensanguentam na subida". A rocha representa o isolamento daqueles que buscam o transcendente ou o superior, sugerindo que mesmo a força e a elevação carregam um fardo de sofrimento que merece piedade.

 

03 – Há uma mudança de foco sensível entre os quartetos e os tercetos do soneto. Explique essa transição.

      O poema transita de uma "piedade" externa e coletiva para uma angústia interna e existencial. Enquanto nos quartetos o eu lírico observa o mundo (a mentira, a pobreza, a diferença), nos tercetos a dor volta-se para o "eu" e para o "ti" (o outro próximo). A perspectiva deixa de ser a observação social ou metafísica do mundo para se tornar um lamento sobre a própria vida, a impossibilidade de realizar desejos ideais e a insatisfação com a própria identidade.

 

04 – Interprete os versos "De não ser Esta... a Outra... e mais Aquela... / De ter vivido e não ter sido Eu...". O que eles revelam sobre a crise de identidade de Florbela Espanca?

      Esses versos revelam uma profunda fragmentação do eu e uma sensação de inautenticidade existencial. O desejo de ser "Esta, a Outra e mais Aquela" reflete a vontade de experienciar múltiplas vidas ou personalidades, indicando que a identidade atual é insuficiente ou limitadora. O verso final coroa essa crise com a constatação trágica de que a vida foi gasta em uma existência que não correspondia à essência verdadeira do eu lírico ("não ter sido Eu"), sugerindo um desencontro entre a alma e a realidade vivida.

 

05 – Como o tema da transcendência e da impossibilidade é abordado no poema? Cite elementos do texto que comprovem sua resposta.

      A transcendência é abordada como um desejo frustrado e uma limitação física e espiritual. O eu lírico anseia pelo que está além da condição humana, como "beijar o riso duma estrela" ou "ter asas para ir ver o céu". A impossibilidade reside no fato de que esses desejos são metafóricos e inalcançáveis, resultando na "pena dessa má hora em que nasci". O conflito entre o desejo de infinito (o céu, as estrelas) e a finitude humana é a causa central da melancolia que permeia o soneto.

 

 

 

FÁBULA: A PARREIRA E A VELHA ÁRVORE - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Parreira e a Velha Árvore 

        Uma parreira, a fim de sentir-se mais segura, apoiou-se fortemente numa velha árvore. Suas companheiras, agarradas às estacas que o vinhateiro havia colocado com essa finalidade, perguntaram:

        -- Por que você escolheu uma velha árvore para se apoiar? E se ela morrer, que vai fazer você?

        A parreira, tranquila e satisfeita com sua escolha, não tomou conhecimento das companheiras. Agarrou-se ainda mais fortemente ao velho tronco, certa de que viveria mais tempo que todas as outras vinhas.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjGWqTr91Yo1YkmNeY0BP9pU0_KTajwD2u6XuhiTvNBj4p9FrQPCHMNGUHMwF7Qr7kQq10lyWVty7_30TtbYHWzbZINPoZqeDW0Cuiw1ZYVQMV4GNrBiIes2p5FJp2q2O8xKnCmCNteyzpXR9ocrCn4b2jfpErsvgHIckjGdsJu-DY4YTJTMUx5qujYM1o/s1600/images.jpg 


        Porém a árvore vivera muitos anos. Era tão velha que não aguentava mais. Estremecia ao menor sopro de vento e muitos de seus galhos já estavam secos e mortos. Um dia, finalmente, caiu com grande estrondo e ficou deitada na grama. A tola parreira, sempre envolvendo-a, caiu ao chão junto com ela.

        Moral: Buscar proteção naquilo que já está decadente ou sem vida própria nos leva inevitavelmente à queda.

 

Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

Entendendo a fábula:

 

01 – Por que a parreira escolheu a velha árvore em vez das estacas colocadas pelo vinhateiro, e o que essa escolha representava para ela?

      A parreira escolheu a velha árvore porque buscava uma sensação de maior segurança e grandiosidade. Para ela, o tronco robusto e antigo da árvore parecia muito mais imponente e duradouro do que as simples estacas de madeira dispostas pelo vinhateiro. Essa escolha representava a busca por uma proteção que ela julgava ser superior e eterna, trazendo-lhe orgulho e tranquilidade inicial.

02 – Qual foi o alerta feito pelas outras parreiras e como a parreira protagonista reagiu a ele? O que essa reação demonstra sobre a sua personalidade?

      As companheiras questionaram o motivo de ela escolher uma árvore tão antiga e alertaram para o risco de a árvore morrer, deixando-a sem sustentação. A parreira ignorou o aviso, demonstrando arrogância e teimosia. Em vez de refletir sobre o conselho, ela se agarrou ainda mais forte ao tronco, o que revela uma postura de soberba e uma falsa sensação de infalibilidade.

03 – Como o autor descreve o estado real da velha árvore antes de sua queda? Que contraste essa descrição cria com a percepção da parreira?

      O autor descreve a árvore como alguém que já havia vivido muitos anos e não aguentava mais o próprio peso: ela estremecia com qualquer vento fraco e já possuía vários galhos secos e mortos. Isso cria um contraste irônico com a percepção da parreira, que via na árvore um símbolo de imortalidade e força, mostrando que a planta estava cega pela sua própria escolha e incapaz de enxergar a realidade óbvia da decadência.

04 – De que forma o desfecho da fábula justifica o uso do adjetivo "tola" para qualificar a parreira no último parágrafo?

      O desfecho justifica o termo "tola" porque a parreira acabou caindo ao chão junto com a árvore quando esta desabou. Ela se apegou tanto à sua ilusão de segurança que preferiu afundar com o seu apoio a reconhecer o erro a tempo de se salvar. A sua falta de discernimento e a insistência em permanecer vinculada a algo que já estava morrendo selaram o seu próprio fracasso.

05 – Trazendo a fábula para as relações humanas atuais, que tipo de comportamento ou situação social a atitude da parreira exemplifica?

      A atitude da parreira exemplifica situações em que pessoas se agarram cegamente a tradições obsoletas, a instituições falidas, a empregos sem futuro ou a relacionamentos tóxicos e desgastados apenas por medo de mudar ou por uma falsa sensação de status e segurança. Assim como a parreira rejeitou o suporte prático e seguro (as estacas do vinhateiro), muitas pessoas rejeitam caminhos novos e realistas para insistir em apoios que claramente estão prestes a ruir.

 

 

 

 

MODO IMPERATIVO - EXERCÍCIOS / CAÇA-PALAVRAS - COM GABARITO

 Modo Imperativo – Exercícios/caça-palavras

 

        Encontre no caça-palavras os verbos entre parênteses conjugados no Modo Imperativo, na pessoa em que se pede, e complete as frases a seguir:

a) Façam tudo como o professor pediu. (fazer – vocês)

b) Não jogue lixo no chão. (jogar – você)

c) Preservemos o meio ambiente para que tenhamos um mundo melhor. (preservar – nós)

d) Compre agora e só comece a pagar em janeiro. (comprar / começar – você)

e) Não julgueis para não serdes julgados. (julgar – vós)

f)  Encontra tu o problema deste trabalho. (encontrar – tu)

g) Não perca as esperanças, tudo vai melhorar. (perder – você)

h) É preciso que nós não percamos a fé em um mundo melhor. (perder – nós)

i)  Participe você também dessa campanha e doe alimentos não perecíveis. (participar/ doar – você)

j)  Exercitem-se diariamente para ter uma boa saúde. (exercitar – vocês)

k) Traga seu filho para ser vacinado contra a rubéola. (trazer – você)

l)  Aproveite nossas ofertas e troque de carro hoje mesmo. (aproveitar / trocar - você)

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhTn_sLbEitQy6Uyrs8ECggA4Slwlly-5XLjLsfUY0QzhwXv0OsC7B838AKa4EPRlT2UaGOwJKCxYy4axvy8GtX4fJCqaxvFsqFYDr7AHoHTKS9dZuqkm0q4addBnh_CMJTtvTkUYjG_7_JeClMz5uqBFcRLJMIqqix9l_gtEKjEpgX0BWm4Liw5wR-NE8/s1600/CRUZADINHA.jpg

 Respostas do caça-palavras:

a) Façam
b) jogue
c) preservemos
d) Compre / comece
e) julgueis
f) Encontra
g) perca
h) percamos
i) Participe / doe
j) Exercitem
k) Traga
l) Aproveite / troque.

 

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