terça-feira, 15 de setembro de 2026

DISCURSO DIRETO, INDIRETO E SEMI-INDIRETO (INDIRETO LIVRE) - COM GABARITO

 DISCURSO DIREITO, INDIRETO E SEMI-INDIRETO (INDIRETO LIVRE)

 

TIPOS DE DISCURSO

        Ao analisarmos qualquer narrativa, distinguimos a linguagem do contador da estória (o narrador) e a linguagem das personagens, aquelas pessoas que participam, que compõem a estória, agindo, dialogando, enfim, expressando-se. O próprio narrador pode se constituir em um personagem, caso em que os verbos e pronomes aparecerão na primeira pessoa do singular.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiDKYjkzavo-OGw6ZpW1ZAN4U6y5_YJlmyh8wzl5L9ec1-C42RoxxWtjL9R1TExkWqJv5qCo4lf7d80oFcZMbQRBSiP_1U858No2HCezaJlQcyzjGc4BXHpy6VA8ITIo6P0c6TJPVq09AJHdACDHSbNZLt9xl4M1djylyuvs7iCzGXD6jqmGFAS5SPBKOk/s1600/images.jpg

        A linguagem do narrador geralmente caracteriza-se pelo respeito à norma culta, enquanto que a linguagem das personagens dependerá de seu meio cultural, posição social, etc., dentro da narrativa. Um juiz, por exemplo, não falaria igualmente a uma criança de cinco anos de idade.

 

a)   Discurso Direto

        Dizemos que o discurso é direto quando representa a reprodução fiel das falas das personagens. Geralmente, é indicado pelos travessões, que constituem os diálogos dos atores do texto, e pelos verbos de elocução (verbo dicendi) (falar, indagar, afirmar, explicar, responder, etc.).

        A moça ia no ônibus muito contente da vida, mas, ao saltar, a contrariedade se anunciou:

        -- A sua passagem já está paga – disse o motorista.

        -- Paga por quem?

        -- Esse cavalheiro aí.

(Fernando Sabino)

 

b) Discurso Indireto

        Nessa modalidade do discurso, o narrador acaba adaptando a linguagem das personagens à sua, não havendo, portanto, uma reprodução fiel do diálogo. É marcante, nessa modalidade, a presença dos conectivos subordinativos “que” e “se”.

        O doutor Fábio, em frente de sua mesa de trabalho, ar um tanto caso, com grande simpatia, perguntou-me o que eu desejava.

        Respondi-lhe prontamente que desejava um lugar na explicação.

        Caso transformássemos, para o discurso direto, o trecho acima, teríamos a seguinte construção:

        O doutor Fábio, em frente de sua mesa de trabalho, ar um tanto caso, com grande simpatia, perguntou-me:

        -- O que você deseja?

        Respondi-lhe prontamente:

        -- Desejo um lugar na explicação.

 

c) Discurso Indireto Livre ou Semi-indireto

        Modalidade do discurso em que as vozes do narrador e personagem confundem-se, não sendo possível identificar, com clareza, a fala de um ou de outro. O narrador reproduz um pensamento da personagem.

        Um dia acabou encontrando-se com ela numa rua escura e semideserta. Seus olhares, cúmplices, se cruzam. Chegou a hora de espantar incertezas. Não, mas não quero precipitar-me.

        Transposições entre pronomes, verbos e advérbios na conversão do discurso:

a) Os pronomes pessoais, possessivos, demonstrativos e verbos passam de 1ª para 3ª pessoa do singular ou plural: eu, me/mim, comigo convertem-se em ele/ela, o/a/lhe, se/si, consigo.

b) Os advérbios aqui/cá transformam-se em ali/lá; agora torna-se naquela ocasião/naquele momento; hoje em naquele dia.

c) Presente do indicativo passa ao imperfeito desse mesmo modo: estamos muda para estivemos.

d) O pretérito perfeito do indicativo passa ao mais-que-perfeito desse mesmo modo: fiz vira fizera.

e) O futuro do presente converte-se ao futuro do pretérito: farei converte-se em faria.

 

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

 

01 – (CS/2010) Marque a alternativa em que há predominância do discurso indireto:

a) Os homens falaram que não mais iriam trabalhar na obra.

b) Disse-me, com veemência: “não virei mais aqui”.

c) Como saber se aquilo era verdade ou mentira? Não podia acreditar no que acontecera.

d) É possível que o assaltante tenha dito, nunca ganhei dinheiro tão fácil.

e) E o menino corria mais do que era capaz, para poder chegar a tempo.

 

02 – (CS/2010) Mantendo a correspondência entre os tempos verbais, converta o trecho a seguir para o discurso indireto

        Chegando ao local do evento, o artista não gostou muito do que viu. Então, dirigindo-se à coordenação, ele questionou:

        -- Vocês querem que eu me apresente num palco tão pequeno?

        -- É o que temos por ora, explicou o promotor da festa.

        -- Desculpe-me, mas, nesse cubículo, eu não farei o show.

      Chegando ao local do evento, o artista não gostou muito do que viu. Então, dirigindo-se à coordenação, ele questionou se os organizadores queriam que eu ele se apresentasse num palco tão pequeno. O promotor da festa, então, explicou que aquele era o que eles dispunham naquele momento. O artista pediu desculpas, mas afirmou que, naquele espaço, não faria o show.

 

03 – Qual é a principal característica que diferencia o Discurso Indireto Livre (ou Semi-indireto) do Discurso Direto e do Discurso Indireto convencional?

      O Discurso Indireto Livre caracteriza-se pela fusão entre a voz do narrador e os pensamentos/falas da personagem, sem que haja marcas formais de separação. Ao contrário do Discurso Direto (que usa pontuação específica como travessões ou aspas e verbos de elocução) e do Discurso Indireto (que utiliza conjunções subordinativas como "que" ou "se"), o Indireto Livre insere sentimentos e reflexões da personagem diretamente no fluxo da narração, tornando a fronteira entre narrador e personagem sutil e fluida.

 

04 – Reescreva o trecho a seguir, que está em discurso direto, convertendo-o para o discurso indireto:

        "O aluno afirmou: — Terminei todas as tarefas hoje e entregarei o relatório amanhã aqui."

      O aluno afirmou que tinha terminado (ou terminara) todas as tarefas naquele dia e entregaria o relatório no dia seguinte ali (ou lá).

      Regras aplicadas:

      Fim do travessão e inserção da conjunção que.

      Pretérito perfeito (terminei) – Pretérito mais-que-perfeito (tinha terminado / terminara).

      Advérbio de tempo hojenaquele dia.

      Futuro do presente (entregarei) – Futuro do pretérito (entregaria).

      Advérbio de tempo amanhãno dia seguinte.

      Advérbio de lugar aquiali ou lá.

 

05 – Leia a frase a seguir e identifique o tipo de discurso nela presente, justificando sua resposta:

        "Fabiano caminhava pela caatinga sob o sol escaldante. Olhou para o céu sem nuvens. Precisava encontrar água logo, senão a família não resistiria a mais um dia."

      Trata-se do Discurso Indireto Livre. A narrativa começa na 3ª pessoa descrevendo as ações físicas de Fabiano ("caminhava", "olhou"), mas a frase seguinte ("Precisava encontrar água logo, senão a família não resistiria a mais um dia") expressa a urgência e o pensamento íntimo da personagem diretamente incorporado ao texto do narrador, sem o uso de verbos dicendi ("pensou que...") nem pontuação de diálogo ("—" ou "").

 

 

AUTOBIOGRAFIA: EVA FURNARI - EVA FURNARI - COM GABARITO

 Autobiografia: Eva Furnari

         Eva Furnari

        Eu sou uma pessoa assim: adoro ver filme de madrugada na televisão, daqueles que sempre acabam bem no final.

        Outra coisa que eu adoro são coisas pequenas: miniaturas, caixinhas, passarinhos de madeira e cerâmica.

        Faço coleção de pedras. Toda vez que vou viajar trago umas pedrinhas, às vezes até pedronas, coisa que dá um pouco de trabalho pra carregar.

        Adoro: doces, plantas, música e verão.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiEcS1oSJ06ndg6A_9QhLFDp72ky72Tf3KBaW3vs_RNbNrRdEEviEBVtNjxNj1_8RhmjV6FcynNG5JaGYPmv0tOuVCO6R73wUqHiTbxCrf3le1RW2VnKO_6f9Z8B9fAMEr0CDtbUb5eCSx5lBYd7le-AnX5fyOij4xMbyUlZHiHBlkBJS_0d1fFq_IEoXI/s320/images.jpg


        Tem mais uma coisa. Adoro inventar histórias.

        Também tenho um montão de implicâncias: sapato apertado, tomar banho gelado, ter que pegar fila no banco, abacaxi, mas o que eu mais implico é que me acordem cedo, principalmente pelo telefone.

        Coisas que eu gostaria de aprender a fazer: tocar piano e fazer crochê.

        Tenho dois filhos: Claudia e Paulo, que são um barato.

        Sou assim, magra, uso óculos, tenho cabelo curto, trabalho bastante, tenho excesso de imaginação e sou supersticiosa.

Eva Furnari. Violeta e roxo. São Paulo, Quinteto, 1984. p. 24.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 17.

Entendendo a autobiografia:

01 – O que Eva Furnari adora assistir na televisão?

      Ela adora ver filmes de madrugada que sempre acabam bem no final.

02 – Qual objeto Eva Furnari costuma colecionar e trazer de suas viagens?

      Ela faz coleção de pedras e traz pedrinhas (e às vezes até pedronas) toda vez que viaja.

03 – Quais são os hábitos ou situações com os quais a autora mais implica?

      Ela implica com sapato apertado, banho gelado, filas no banco, abacaxi e, principalmente, com ser acordada cedo, sobretudo pelo telefone.

04 – Quais habilidades a autora expressa o desejo de aprender?

      Ela gostaria de aprender a tocar piano e a fazer crochê.

05 – Como Eva Furnari descreve suas características físicas e pessoais no final da autobiografia?

      Ela se descreve como magra, usuária de óculos e de cabelo curto, além de mencionar que trabalha bastante, tem excesso de imaginação e é supersticiosa.

 

 

CRÔNICA: CARTA A UM JOVEM QUE FOI ASSALTADO - MOACYR SCLIAR - COM GABARITO

 CRÔNICA: CARTA A UM JOVEM QUE FOI ASSALTADO

                    Moacyr Scliar

 

        “Foste assaltado. Bem, a primeira coisa a dizer é que isso não chega a ser um fato excepcional. Excepcional é ganhar um bom salário, acertar a loto: mas ser assaltado é uma experiência que faz parte do cotidiano de qualquer cidadão brasileiro. Os assaltantes são democráticos: não discriminam idade, nem sexo, nem cor, nem mesmo classe social – grande parte das vítimas é das vilas populares.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLssXh84qXLeZK8RDWMDxDlVptrcNnWyzz8KaH37mjZeo3L7d3jUhRvV7vlcaYylXQHCYVz_GQ0sTatbl3nNwH2aXAcPPjzY3IB_M01U5dncqgO0QRSU04h78ic3DEuuGQx1n4V9BycyOtPwk-eZ_ioSM2Ela9lBFx9WGOn_6FgPSTbMKjZE9HPKT5_Vk/s1600/images.jpg


        É claro que na hora não pensaste nisso. Ficaste chocado com a fria brutalidade com que o delinquente te ordenou que lhe entregasse a bicicleta (podia ser o tênis, a mochila, qualquer coisa).

        Entregaste e fizeste bem: outros pagaram com a vida a impaciência, a coragem ou até mesmo o medo – não poucos foram baleados pelas costas.

        Indignação foi o sentimento que te assaltou depois. Afinal, era o fruto do trabalho que o homem estava levando. Não fruto do teu trabalho – até poderia ser – mas o fruto do trabalho do teu pai, o que talvez te doeu mais.

        Ficaste imaginando o homem passando a bicicleta para o receptador, os dois satisfeitos com o bom negócio realizado. É possível que o assaltante tenha tido, nunca ganhei dinheiro tão fácil.

        E, pensando nisso, a amargura te invade o coração. Onde está o exército?  Por que não prendem essa gente?

        Deixa-me dizer-te, antes de mais nada, que a tua indignação é absolutamente justa. Não há nada que justifique o crime, nem mesmo a pobreza.

        Há muito pobre que trabalha, que luta por salários maiores, que faz o que pode para melhorar a sua vida e a vida de sua família – sem recorrer ao roubo ou ao assalto. Mas tudo que eles levam, os ladrões e os assaltantes, são coisas materiais. E enquanto estiverem levando coisas materiais, o prejuízo, ainda que grande, será só material.

        Mas não deves deixar que te levem o mais importante. E o mais importante é a tua capacidade de pensar, de entender, de raciocinar.

        Sim, é preciso se proteger contra os criminosos, mas não é preciso viver sob a égide do medo.

        Deve-se botar trancas e alarmes nas portas, não em nossa mente. Deve-se repudiar o que fazem os bandidos, mas deve-se evitar o banditismo.

        Eles te roubaram. É muito ruim, isso. Mas que te roubem só aquilo que podes substituir. Que não te roubem o coração.” 

 

SCLIAR, Moacyr. Moacyr Scliar (seleção e prefácio de Luís Augusto Fischer). São Paulo: Global, 2004. p. 267-268 (Coleção Melhores Crônicas).

 

Entendendo a crônica:

01 – De acordo com o primeiro parágrafo da crônica, qual é a perspectiva do autor sobre a ocorrência de assaltos no cotidiano brasileiro?

a) É um fenômeno recente que afeta apenas quem anda com objetos de grande valor.

b) É um acontecimento raro que atinge principalmente a população de alto poder aquisitivo.

c) É um fato comum que afeta pessoas de diferentes classes e idades.

d) É uma situação inevitável que decorre exclusivamente do desemprego entre os jovens.

02 – Por que o autor afirma que o jovem 'fez bem' em entregar a bicicleta ao assaltante?

a) Porque a polícia recupera com facilidade bens roubados como bicicletas.

b) Porque o valor econômico do bem roubado era insignificante para a família.

c) Porque o jovem já pretendia comprar outro transporte mais moderno.

d) Porque a reação física poderia ter resultado na perda da própria vida.

03 – Qual é o posicionamento do narrador em relação ao sentimento de indignação do jovem assaltado?

a) Acha-a preconceituosa, por associar diretamente a pobreza à criminalidade.

b) Julga-a exagerada, visto que o jovem não sofreu agressões físicas graves.

c) Entende-a como ingênua, já que o jovem deveria estar acostumado com a violência.

d) Considera-a legítima, pois a pobreza não serve de justificativa para o crime.

04 – No trecho 'Deve-se botar trancas e alarmes nas portas, não em nossa mente', qual reflexão o autor propõe?

a) As medidas de segurança residencial são ineficazes se o cidadão continuar com medo na rua.

b) Deve-se adotar precauções físicas sem permitir que o medo paralise a capacidade crítica e a sensibilidade.

c) O trauma do assalto é superado apenas com investimentos em tecnologia de vigilância.

d) A solução para a violência depende do isolamento total das pessoas em suas residências.

05 – Ao concluir a crônica recomendando 'Que não te roubem o coração', o autor expressa o desejo de que o jovem:

a) Preserve sua humanidade e não se torne ressentido ou violento como os assaltantes.

b) Esqueça completamente o bem material roubado e compre um novo imediatamente.

c) Evite frequentar locais públicos para não passar novamente pela mesma experiência.

d) Busque justiça com as próprias mãos para recuperar a paz interior.

 

 

 

 

 

 

POESIA: A PEDRA - ANTÔNIO RAMOS ROSA - COM GABARITO

 Poesia: A Pedra

           Antônio Ramos Rosa

A pedra é bela, opaca,
peso-a gostosamente como um pão.
É escura, baça, terrosa, avermelhada,
polvilhada de cinza.
Contemplo-a: é evidente, impenetrável,
preciosa.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqSF7-9FA-sg9BPAEg9m7XngfjQq-E7QSHEtPkRXZIp6w3WUJ47x25eQIZDZxB8de3ESRbvxxlPlfo6A5iSfSw6jWsAYq1bpooZtY3NU0Kss3LyYUYfgSdrU9xFUcF88ocVeQav5-RR_S4_nMXRqmh7bG_GMMZXvYkSrflm32TDPCZwkSeL6J82iC0dA8/s320/images.jpg


ANALISANDO O TEXTO

1. A adjetivação dos quatro primeiros versos cumpre um papel diferente do que é exercido pela adjetivação dos dois últimos versos. A adjetivação dos quatro primeiros versos indica os aspectos físicos do objeto, atuando com finalidades descritivas: "opaca", "escura", "baça", "terrosa", "avermelhada", "polvilhada de cinza" fazem a descrição da pedra. Porém, há uma exceção: o adjetivo "bela", que traz uma certa subjetividade. Já os adjetivos "evidente", "impenetrável" e "preciosa" indicam a subjetividade do eu lírico, que revela os sentimentos despertados pela contemplação da pedra. Detalhe: o último adjetivo, "preciosa", é capaz de causar uma ambiguidade no poema. Não parece indicar que a pedra possua alto valor comercial, mas que se tornou rica sob o olhar de quem a contempla por suas qualidades.

2. O eu lírico consegue transformar um elemento do mundo físico num elemento repleto de humanidade através da evolução nítida da adjetivação do texto. Esta passa claramente da caracterização física para a caracterização psicológica. Assim, o texto demonstra como os dados do mundo que nos rodeiam adquirem sentidos devido à ação de nossa sensibilidade a respeito deles.  

Entendendo a poesia:

01 – Qual é a diferença de função entre a adjetivação presente nos quatro primeiros versos e a utilizada nos dois últimos versos do poema?

      Os adjetivos dos quatro primeiros versos ("opaca", "escura", "baça", "terrosa", "avermelhada", "polvilhada de cinza") têm função descritiva, caracterizando os aspectos físicos da pedra. Já os adjetivos dos dois últimos versos ("evidente", "impenetrável", "preciosa") expressam a subjetividade do eu lírico e as emoções despertadas pela contemplação do objeto.

02 – Apesar de os quatro primeiros versos focarem na descrição física do objeto, qual adjetivo foge a essa regra descritiva e por quê?

      O adjetivo "bela", pois ele não descreve uma propriedade física objetiva da pedra, mas sim introduz um juízo de valor e uma percepção subjetiva do eu lírico em relação ao objeto.

03 – Como a palavra "preciosa", no último verso, gera uma ambiguidade no sentido do poema?

      O termo não indica um valor comercial ou financeiro (como o de uma pedra preciosa/joia), mas sugere que a pedra comum se tornou rica e valiosa sob o olhar atento e sensível de quem a contempla.

04 – De que maneira o poema transforma um elemento inanimado e físico do mundo em algo repleto de humanidade?

      Através da evolução da adjetivação, que transita da caracterização física para uma espécie de caracterização psicológica e afetiva, mostrando como a sensibilidade humana atribui novos sentidos ao mundo ao seu redor.

05 – Qual comparação (metáfora/símile) o eu lírico faz no segundo verso ao manusear a pedra e o que essa imagem sugere?

      O eu lírico compara o ato de segurar a pedra a "pesar gostosamente um pão", sugerindo uma relação de proximidade, afeto, tato físico e apreciação sensorial com um elemento simples da natureza.

 

 

POESIA: JÁ - ALEXANDRE O'NEILL - COM GABARITO

 Poesia:

      Alexandre

já não é hoje?

    não é aquioje?

 

já foi ontem?

    será amanhã?

 

já quandonde foi?

    quandonde será?

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3hcac-bFWYzQA0WVuHCjN2TTDWmJTvfF5hXHp3K8Njc_19RHlWoc3fxGr86JPSASgHPSuX3llObz-e7ip0_L3AaU1vHBcqYaa6R-sy4S1XjKqGPggLRVihsagjSohCKLqVr3LeTowgizJAtOxacmlNHv6oltfH51jtkT_RrtBJ8VxaJQCjrIIeYIqwSs/s320/images.png 

eu queria um jazinho que fosse

    aquijá

    tuoje aquijá.

Alexandre O'Neill – Poesias completas.

 

ANALISANDO O TEXTO

1. O processo de formação da palavra "aquioje" é a composição por justaposição. Note que a palavra "hoje" sofre alteração na grafia (cai o h), mas não alteração fonética. A palavra realiza a união das dimensões de espaço e de tempo: indica um lugar e também um momento. É óbvio que tal fato é permitido dentro da liberdade poética.

2. A composição por aglutinação é o processo de formação da palavra "quandonde", uma vez que ocorre alteração fonética com a perda do fonema /o/. Essa palavra constitui a interrogação que corresponde à fusão das dimensões de tempo e de espaço.

3. O processo de formação da palavra "jazinho" é a derivação sufixal ou sufixação. O diminutivo possui valor afetivo: indica o apreço de quem fala por aquilo de que fala.

4. As duas palavras que formam o último verso do poema, "tuoje" e "aquijá", apresentam o mesmo processo de formação, ou seja, a composição por justaposição. Em "tuoje", une-se a pessoa amada à dimensão do tempo; "aquijá" faz a união de espaço e tempo.

5. O português Alexandre O'Neill emprega no poema repetidamente o mesmo recurso do uso de neologismos obtidos pelo processo da composição. Isso coopera para a construção da expressividade do texto porque consegue dizer muito e para a construção de um texto sintético, com poucos vocábulos. Observe a importância da repetição do "já", que é a palavra-chave do texto.

 

Entendendo a poesia:

01 – Qual o processo de formação utilizado na palavra "aquioje" e quais duas dimensões da realidade essa palavra consegue unir?

      O processo de formação é a composição por justaposição (unindo "aqui" + "hoje", mantendo o som original). Essa palavra une as dimensões de espaço ("aqui") e de tempo ("hoje").

 

02 – Qual é a diferença no processo de formação das palavras "aquioje" e "quandonde"? Explique por que ocorre essa diferença.

      "Aquioje" é formada por justaposição, pois embora a palavra "hoje" perca a letra h na grafia, não há alteração fonética (o som permanece o mesmo).

      "Quandonde" é formada por aglutinação, pois ocorre perda fonética: o som /o/ do final de "quando" é eliminado na fusão com "onde" ("quando" + "onde").

 

03 – Como a palavra "jazinho" foi formada e qual o sentido que o uso do diminutivo traz para o poema?

      A palavra "jazinho" foi formada pelo processo de derivação sufixal (adicionando o sufixo -inho ao advérbio "já"). O uso do diminutivo possui valor afetivo, demonstrando o carinho ou apego do eu poético por esse instante presente que ele deseja capturar.

 

04 – Analisando o último verso do poema ("tuoje aquijá"), o que a criação da palavra "tuoje" expressa em termos de significado?

      A neologismo "tuoje" combina o pronome "tu" com a dimensão temporal "hoje", expressando a união e o desejo da presença imediata da pessoa amada no momento presente.

 

05 – De que maneira a criação constante de neologismos por composição contribui para a expressividade e a estrutura do poema de Alexandre O'Neill?

      O uso contínuo de neologismos por composição permite criar um texto altamente sintético (com poucas palavras), que consegue dizer muito condensando ideias. Além disso, esse recurso reforça o tema central da urgência do tempo, destacando a repetição da palavra-chave "já".

 

 

TEXTO NORMATIVO: CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, DE 5 DE OUTUBRO DE 1988 - COM GABARITO

 TEXTO: Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988

 

CAPÍTULO III

Da Educação, da Cultura e

do Desporto

Seção I

Da Educação

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjMvNJ8JvwDgdTIZ1OV_vFbRPwe9se3eX8fF_vQlfxBtv-O9djqStklEToUelH99480HZqfwgGiDPQDZbo3vtZZNpkp0KGKXeonjbAprafXej0RMHbHDQBfiA6xPc-oR6aBrCH4zPX3Ww2xrKAlAnv8ekR6cGpGIi_kWBNmFYhzDjgmcwYp3JTpERBWy1w/s320/images.jpg

        Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

        Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

        I – Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

        II – Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;

        III – Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;

        IV – Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;

        V – Valorização dos profissionais do ensino, garantindo, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, assegurado regime jurídico único para todas as instituições mantidas pela União;

        VI – Gestão democrática do ensino público, na forma da lei;

        VII – Garantia de padrão de qualidade.

 

ANALISANDO O TEXTO

        O texto da nossa Constituição possui caráter oficial. Por isso, a forma de língua portuguesa empregada é a variedade culta. Essa forma de língua se liga estreitamente ao acesso à informação e à cultura consideradas superiores. O domínio da variedade culta se constitui pré-requisito para alcançar a plena cidadania.

Entendendo o texto:

01 – De acordo com o Art. 205, de quem é a responsabilidade (dever) pela educação e qual é a participação da sociedade nesse processo?

      A educação é um dever do Estado e da família, e deve ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade.

02 – Quais são os três objetivos fundamentais da educação expressos no Artigo 205 da Constituição?

      A educação visa ao:

      Pleno desenvolvimento da pessoa;

      Seu preparo para o exercício da cidadania;

      Sua qualificação para o trabalho. 

03 – Em relação às instituições de ensino, qual princípio do Artigo 206 garante a convivência entre diferentes tipos de escolas e correntes de pensamento?

      É o princípio do pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, além da coexistência de instituições públicas e privadas de ensino (Art. 206, inciso III).

04 – Como a Constituição estabelece que deve ser o ingresso de profissionais no magistério público para garantir a valorização do ensino?

      O ingresso dos profissionais no magistério público deve ocorrer exclusivamente por concurso público de provas e títulos, garantindo-se também planos de carreira e piso salarial profissional (Art. 206, inciso V).

05 – Segundo o trecho "Analisando o Texto", qual variedade da língua portuguesa foi utilizada no documento e qual a sua importância para o cidadão?

      Foi utilizada a variedade culta da língua portuguesa. O domínio dessa norma é fundamental pois se constitui como pré-requisito para alcançar a plena cidadania, além de estar ligado ao acesso à informação e à cultura.

 

 

REFERENCIAÇÃO ANAFÓRICA E CATAFÓRICA - COM GABARITO

 REFERENCIAÇÃO ANAFÓRICA E CATAFÓRICA

        Referenciação ou Coesão Referencial é um tipo de coesão caracterizada pela retomada de termos já citados (referentes) ou de modo contrário, em que o termo referente aparece depois da definição ou identificação. No primeiro caso, há REFERENCIAÇÃO ANAFÓRICA; no segundo, REFERENCIAÇÃO CATAFÓRICA:

1 – Ronaldo anunciou a saída dos campos, num clima de grande emoção. Ele ainda afirmou que continuará no meio futebolístico.
      A retomada do referente "Ronaldo" é realizada pelo pronome pessoal "Ele". Neste caso, há Referenciação Anafórica ou simplesmente Anáfora.

2 – Tendo grande aceitação por parte dos corintianos, ele não poderia anunciar sua aposentadoria em clima mais emocionante. Ronaldo realmente se identificou com a Gaviões da Fiel.
      Aqui, o referente "Ronaldo" aparece depois das informações que são veiculadas sobre o jogador. Por isso, dizemos que o caso é de Referenciação Catafórica ou simplesmente Catáfora.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg1IKv0pcvMKzP5dKMKla8KR0U27kURYkrGkt3gZbwtLsL_Sreiq-ssBO4B9TG4xNa9-FwU5omixd_2ckXalLviLisDi2SclCDNB6-p8HKFVhbYUoltUNra3ZERrbERXERLveNG8Br1-fFHUF31_ARFOozHj830DNZ3vYIQWTr96nEwbA_x2nzlanNx1fs/s320/images.jpg


        É bom ficarmos atento a esse conteúdo, na medida em que ele tem sido cobrado em larga escala nos concursos, exames de admissão, vestibulares e ENEM. Além disso, numa redação a coesão é fundamental para que o texto tenha equilíbrio e, em muitos casos, norteia a coerência e unidade textuais.

 

Entendendo o texto:

01 – Qual é a diferença fundamental entre anáfora e catáfora no âmbito da coesão referencial?

      A diferença reside na posição do termo referente em relação ao elemento coesivo:

      Anáfora: O termo referente aparece antes do pronome ou expressão que o retoma. Exemplo: "A professora chegou. Ela iniciou a aula." (Ela retoma A professora).

      Catáfora: O termo referente aparece depois do pronome ou termo que o antecipa. Exemplo: "Só desejo isto: a sua aprovação." (isto antecipa a sua aprovação).

 

02 – Identifique se a relação de referenciação nos pronomes destacados abaixo é anafórica ou catafórica:

I. "Mariana comprou um livro novo. Ele é fascinante."

II. "Esta é a minha decisão: não viajaremos amanhã."

      Item I — Anafórica: O pronome "Ele" retoma o termo "um livro novo", que já foi mencionado anteriormente no texto.

      Item II — Catafórica: O pronome demonstrativo "Esta" antecipa a informação que ainda será declarada ("não viajaremos amanhã").

 

03 – No trecho: "Os deputados aprovaram o projeto. A atitude dos parlamentares surpreendeu a população", qual recurso anafórico foi utilizado para evitar a repetição de palavras?

      Foi utilizado o recurso de substituição por sinônimo (ou hiperônimo/expressão equivalente). Em vez de repetir o pronome ou o substantivo "deputados", o texto utilizou o substantivo equivalente "parlamentares" para retomar anaforicamente a mesma referência, mantendo a coesão e a fluidez do texto.

 

04 – Por que o pronome demonstrativo "isso" é predominantemente anafórico, enquanto "isto" é predominantemente catafórico no texto escrito?

      Na norma culta da língua portuguesa:

      "Isso" serve para recuperar uma ideia ou informação que já foi dita previamente no texto (função anafórica). Exemplo: "Você passou na prova. Isso é ótimo."

      "Isto" serve para introduzir ou anunciar uma informação que será detalhada logo a seguir (função catafórica). Exemplo: "Quero dizer-lhe isto: você é muito importante."

 

05 – Qual é a importância do uso correto dos mecanismos anafóricos e catafóricos na produção de uma redação acadêmica ou de concurso (como o ENEM)?

      O uso adequado desses mecanismos garante a coesão referencial, evitando a repetição exaustiva de palavras e garantindo a continuidade temática do texto. A anáfora e a catáfora conectam as frases e parágrafos de forma lógica, orientando a leitura do leitor/avaliador e construindo a unidade textual necessária para uma boa pontuação nos critérios de gramática e articulação.

 

 

 

POEMA: SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO

             Mário Quintana

 

Uma procissão de espantalhos,

pela miséria colorida,

pelos atalhos

vinha:

pediam vida, queriam vida!

E as suas caras eram trágicas

Porque tinham todas a mesma expressão

-- que era o mesmo que não terem

E tão insuportável era aquela cara única

que a polícia atirou em cima deles bombas

de gás hilariante.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg8RHFPiSXB2VlNnOjwQdhWBXYd9hYqKPQNwFATUR4SM2w5mPahid4db-byw-WfzseYuvAkIn4gGUj7infa4ZECtYTVQ_RQbOK-ZcB9_tfPagY7eOJ1-WZU5sT2UPHZTBKtDD0leZ8vlPsrruPkWcV6CPmAmWeP5-Ap7laUb939TkjrGSQqVPyblaqVvtM/s1600/images.jpg
  


Nenhum espantalho riu.

A procissão continuou,

a procissão está agora em plena Estrada Real

enquanto

pelos atalhos

por toda a parte

por cima dos gramados

por cima dos corpos atropelados

os automóveis fogem como baratas.

 

Mário Quintana. Caderno H. São Paulo, Globo.

 

Entendendo o poema:

01 – Nesse texto, a ideia da “procissão de espantalhos” ora é indicada por verbos e expressões no singular, para marcar sua união; ora por verbos e expressões no plural, para marcar a quantidade de espantalhos. Transcreva um exemplo de cada caso.

      “Pelos atalhos 'vinha'”; "pediam 'vida' ", “‘queriam' vida".

 

02 – Esse emprego no singular e plural é um desvio do padrão culto da língua, pois, optando-se por uma concordância, seria de esperar que ela se mantivesse. Analise o poema com atenção e explique se o desvio deve ser considerado um erro um ou recurso expressivo.

      Evidentemente, trata-se de um desvio estilístico, é um recurso expressivo utilizado INTENCIONALMENTE pelo autor, portanto não há indícios de erro gramatical, já que o autor o fez para expressar melhor o sentido do poema.

 

03 – O que representam a "procissão de espantalhos" e a sua "mesma expressão" trágica no contexto social abordado pelo poema?

      A "procissão de espantalhos" simboliza as populações marginalizadas, invisíveis ou empobrecidas da sociedade ("miséria colorida"). O uso da figura do espantalho remete a algo feito de trapos, sem vida real, colocado apenas às margens. A "mesma expressão" (ou ausência de expressão individual) representa a perda da identidade e a desumanização causadas pela extrema pobreza e pela exclusão social, transformando a massa de esquecidos em uma figura única, trágica e uniforme.

 

04 – Qual é o significado da reação da polícia ao atirar bombas de gás hilariante e do fato de que "Nenhum espantalho riu"?

      A atitude da polícia representa a tentativa do Estado de alienar, conter ou mascarar a dor social por meio de uma falsa leveza ou repressão ironicamente maquiada (o gás hilariante em vez de uma solução real para a "falta de vida"). A reação nula — "Nenhum espantalho riu" — demonstra a profundidade da tragédia e da dor daquelas pessoas: a miséria e a desesperança são tão absolutas que nem mesmo o efeito coercitivo ou ilusório do gás consegue forçar um riso artificial.

 

05 – Como a metáfora final dos "automóveis que fogem como baratas" dialoga com a diferença entre as classes sociais no poema?

      A metáfora estabelece um forte contraste entre a elite/classe média motorizada e os caminhantes marginalizados. Enquanto os "espantalhos" marcham a pé pedindo vida, os automóveis trafegam velozes "por cima dos corpos atropelados", demonstrando a indiferença e a crueldade do progresso urbano. A comparação dos carros a "baratas" inverte a lógica do status: o automóvel, símbolo de poder e modernidade, é reduzido a um inseto repulsivo que foge de forma desordenada para ignorar a realidade social ao seu redor.