quinta-feira, 15 de outubro de 2026

AVALIAÇÃO PROCESSUAL SEE - 3º BIM/2026 - 8º ANO EF -LÍNGUA PORTUGUESA - COM GABARITO

 Avaliação Processual SEE - 3º bimestre/2026 - 8º ano EF

  

LÍNGUA PORTUGUESA

 

Leia o texto.

O agente secreto

Filme escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, se passa no Brasil de 1977 onde Marcelo (Wagner Moura), um homem de 40 anos que trabalha como professor especializado em tecnologia, sai da movimentada São Paulo e vai para Recife. Ele tenta fugir do seu passado violento e misterioso, com a intenção de começar uma nova vida. [...] Para piorar a situação, além de Marcelo estar sendo espionado pelos seus vizinhos, vê que a cidade que achou que o acolheria ficou muito longe de ser o seu refúgio.

O AGENTE secreto. Omelete, 2026. Disponível em: www.adorocinema.com. Acesso em: 21 fev. 2026. (Adaptado).

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEigjc842P5CcTX5HeBaXGibjn7oF_jM2DqrrLzTogUix9lQ1F46xNuuTsDnADeKEBOehzghE9FUEhkuqRg4cOq3WfcbB5zhuRTeg5dACOq9y8VBu87_Ur-9OzEXq3iMu2LA65YmAaCKDtukxXnBsKHnRAibAjwxmSCElMlsXkZDtoQUaiUD5EuKdKGn6W0/w174-h87/images.jpg


 

01. O termo em destaque no texto cumpre a função sintática de

a.   sujeito.

b.   objeto direto.

c.   agente da passiva.

d.   complemento nominal.

 

Leia o texto.

 

A série acompanha as aventuras no tempo de Anita, focando sua versão de 15 anos, que vive em 2006, aproximadamente. Aproveitando a oportunidade de recriar o universo nostálgico dos anos 2000, a produção não economiza nas referências e resgata todos os estilos mainstream da época. Com um cenário muito familiar para boa parte de seu público, a De Volta aos 15 se torna um abraço reconfortante para quem guarda boas memórias daqueles tempos, ao mesmo tempo que aproveita as limitações da era analógica para entreter o espectador mais jovem com piadas sobre videocassetes e rádios à pilha.

RIBEIRO, Pedro Henrique. De Volta aos 15 promove nostalgia reconfortante para tempos difíceis. Omelete, [s. d.]. Disponível em: www.omelete.com.br. Acesso em: 21 fev. 2026. (Adaptado).

  

02. A análise do trecho em destaque permite classificá-lo como

 a.   objeto direto de um verbo transitivo direto.

b.   objeto indireto de verbo intransitivo.

c.   complemento nominal do sujeito.

d.   adjunto adverbial de tempo.

 

Leia o texto.

 

Nova espécie prima da jabuticaba e com pelos dourados é descoberta em Cunha, SP

Em meio à neblina densa e ao verde predominante da Mata Atlântica, um brilho dourado chamou a atenção de pesquisadores na trilha do Rio Bonito, no Parque Estadual da Serra do Mar, em Cunha (SP). O que parecia apenas um detalhe na paisagem revelou-se um tesouro botânico inédito para a ciência: a Myrcia barbata. A nova espécie, uma pequena árvore (ou arbusto) de cerca de 3 a 4 metros de altura, foi oficialmente descrita em um artigo científico publicado na revista internacional Phytotaxa em dezembro de 2025. O nome curioso não é por acaso: barbata vem do latim e significa "com barba", uma referência direta à densa camada de pelos dourados que reveste seus ramos, folhas jovens e botões florais.

PERONTI, Rodrigo. Nova espécie prima da jabuticaba e com pelos dourados é descoberta em Cunha, SP. G1, 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/. Acesso em: 21 fev. 2026.

 

03. O fato central da notícia demonstra a relevância do tema para o(a)

a.   descrição turística da trilha do Rio Bonito.

b.   divulgação da revista científica internacional.

c.   descoberta de uma espécie vegetal na Mata Atlântica.

d.   debate sobre preservação ambiental no litoral paulista.


Leia o texto.

 A média de chuvas em praticamente todas as estações de medição da região metropolitana de São Paulo está abaixo da média histórica para janeiro e tende a se manter assim durante todo o primeiro trimestre do ano, com exceção do posto de medição do Mirante de Santana, na zona norte da capital, que já superou a média para janeiro. 

 A situação se deve à dificuldade de avanço de frentes frias, vindas do Sul, e da umidade vinda pelo Oeste, originada do Atlântico e da Amazônia, condições que têm relação com a alta anômala causada pela persistência do fenômeno La Niña no oceano Pacífico.

Com a influência do La Niña, confirmada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a condição de seca em todo o estado de São Paulo se agrava. O estado já está em condição de seca severa ou extrema desde janeiro de 2024, com exceção do norte, com seca severa nos últimos 12 meses. As demais regiões do estado são consideradas pelo Inmet como em condição de seca extrema nos últimos 12 meses. 

JERONYMO, Guilherme. Chuvas abaixo da média tendem a persistir e agravar seca em São Paulo. Agência Brasil, Brasília, jan. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/. Acesso em: 21 fev. 2026.

 

04. No texto, identificam-se características próprias do gênero notícia, evidenciadas pelo(a)

a.   construção poética da paisagem paulista.

b.   narrativa ficcional sobre fenômenos naturais.

c.   relato em primeira pessoa sobre experiências com a seca.

d.   apresentação de dados climáticos e menção a um órgão oficial.

 

Leia o texto.

 

O registro de filhotes de tubarão, esta semana, em Cabo Frio, chamou a atenção de moradores e levantou dúvidas sobre riscos a banhistas. Da espécie cação (ou tubarão rabo seco), o primeiro animal chegou a ser capturado no Canal Palmer, próximo à Praia do Siqueira, e logo foi devolvido à água. No dia seguinte, outro foi visto no Canal do Itajuru, próximo à ponte Feliciano Sodré. À Folha, o biólogo Eduardo Pimenta disse que o mesmo filhote pode ter sido avistado duas vezes. Mas ele não descarta a possibilidade de que existam outros filhotes já que, segundo explicou, a presença de tubarões é um fenômeno natural desta época do ano na costa da Região dos Lagos.

FILHOTES de tubarão aparecem em Cabo Frio e biólogo descarta risco a banhistas. Folha dos Lagos, 27 jan. 2026. Disponível em: www.folhadoslagos.com. Acesso em: 21 fev. 2026.

 

05. No trecho, observa-se o uso do discurso indireto. Esse recurso se caracteriza por

a.   inserir diálogo direto entre morador e pesquisador.

b.   expor pensamento do jornalista em primeira pessoa.

c.   apresentar a fala do biólogo de forma literal e entre aspas.

d.   reproduzir a explicação do especialista à narração do repórter.


 

             Leia o cartum.

 



Disponível em: www.instagram.com. Acesso em: 21 fev. 2026.

 

06. Na fala da personagem feminina, a presença de objeto indireto se explica, porque o termo

 a.   "postar" estabelece relação de predicação nominal.

b.   "que" retoma o complemento sem função sintática.

c.   "selfie" funciona como sujeito paciente da ação verbal.

d.   "gostar" exige complemento introduzido por preposição.

 

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

CRÔNICA: QUEREIS ENCONTRAR MARIDO? - APRENDEI!... LIMA BARRETO - COM GABARITO

 Crônica: Quereis encontrar marido? – Aprendei!...

            Lima Barreto

 

        A Livraria Schetino, desta cidade, há tempos, editou um pequeno opúsculo de doze páginas, tipo graúdo, entrelinhado, com este soberbo título: Quereis encontrar Mari­do? – Aprendei!...

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzRxw2-AVecRrRMEA_lcoo2LoxqigAR0h_phf87kUzUyPs4MhdfDadpUXH-WLKR8OaI6nCCvBksbPzn6irHQHCV6Lcfyj9T63JhAoIw2gsxQf5wx_LlT0ZLcyvvW8TgmKP87x1f47XSuWFacjTNxwy9iyWtY5PHGHMza0v0wlpXdNVNzwaiYz83ZAOm3w/s320/images.jpg


        É autor do livro uma senhora, da. Diana D’Alteno, que, a seguir a regra geral, nunca encontrou o seu. Digo isto porque, na quase totalidade, todas as pessoas que se propõem a fornecer tal coisa ou outra aos seus semelhantes, não a possuem. Haja vista os feiticeiros, negromantes, cartomantes, adivinhos, hierofantes, que estão sempre prontos a dar fortuna aos outros, mas que, entretanto, não têm níquel, pois precisam de espórtulas e gratificações para os seus generosos serviços.

        Da. Diana D’Alteno começa o seu interessante opúsculo assim, deste modo, que transcrevo tal e qual: “Gentis e amáveis moças solteiras. É a vós que dedico estes meus escritos. O motivo que me induz a traçar estas linhas é um dos mais vitais, e quiçá dos mais graves.”

        Depois desta invocação às suas caras leitoras, a autora entra de pronto no “argumento”.

        Sabem qual é este argumento? Pois fale ela. Eis as suas palavras: Permiti, pois, que vos fale disso como coisa nova.

        “Se trata do terrível dépeuplement!, a diminuição progressiva do crescimentos, que poderá um dia ser causa de tremendos conflitos entre as nações, aproveitando-se umas sobre as outras de maior a menor número de combatentes.”

        Vejam os senhores só como esta senhora está adiantada em matéria de previsão histórica e como a sua sociologia é muito obstétrica e ginecológica.

        O despovoamento pode ser um dia causa de tremendos conflitos, fenômeno terrível que ela qualifica mais adiante: “espada de Dâmocles suspensa sobre a cabeça de boa parte do gênero humano”. A senhora D’Alteno, ao acabar de fazer tão curiosa descoberta, não fica satisfeita. Parece que o seu gênio é como a atividade catequizadora de São Francisco Xavier; quer ir mais longe, mais longe. Amplius!

        Então toma a palavra pela segunda vez e descobre a causa. Mais uma vez passo para aqui as palavras da ilustre socióloga:

        “Pela segunda vez, peço permissão de tomar a palavra e explicar sem ambages qual seja esse motivo: é a diminuição dos matrimônios. É o caso de dizer: ‘a pequenas causas, grandes efeitos’ e na verdade, os matrimônios se tornam cada vez mais raros e mais difíceis.”

        Peço licença para observar à ilustre senhora coisas simples. Antes, tenho a dizer que nada entendo dessas coisas sociais, mesmo em se tratando de casamentos. Não é ativi­dade da minha seara intelectual, mas já foi dito que cada qual tem o direito de ter uma opinião e de dize-la. Eu julgo que o casamento nada tem com o despovoamento. Pode haver multiplicação da humanidade sem ele, como pode ha­ver com ele. O “crescei e multiplicai-vos” não subentende casamento algum. Há muitas espécies animais que obedecem ao preceito bíblico e prescindem de semelhante cerimônia. Por acaso entre os nossos animais domésticos que crescem e se multiplicam, apesar das pestes, das facas das cozinheiras, do choupo, etc., há pastores e sacerdotes encarregados de realizar casamentos? Não.

        Estou bem certo que a autora não se zangará comigo, apesar do seu nome que, entretanto, não é também propício aos destinos do seu singular folheto. Mas... Afirma da. Diana que “o homem (o grifo é dela) tem medo do matri­mônio. Um sacro terror se apoderou dele a tal palavra”.

        Ainda uma vez peço licença à ilustre autora para discordar. O “homem” não tem medo do matrimônio; o “homem” o quer sempre. A culpa é da mulher que escolhe muito. Se ela casasse com o primeiro que encontrasse, a tal história não se daria. Eu, por exemplo, atiro ao terreiro um grão de milho; se não houver um galináceo que o coma, ele germina logo. Agora, se ele quiser terra especial ou a terra quiser um grão especial, a coisa é outra. Vai ver a ilustre autora como me vai dar razão nas suas penúltimas palavras que são estas:

        “Permanecei ‘mulher’, se quereis um dia ser mãe – a ‘Maternidade!’ é esta a maior vitória que glorifica a mulher; é esta a sua grandiosa obra.”

        Não falaria eu com tanto calor, mas diria a mesma coisa com simplicidade, chãmente. Vossa excelência, porém, está no seu direito, apesar de Diana, de faze-lo da forma que o fez.

        E essas suas palavras vêm à pelo agora quando várias senhoritas se assanham para entrar para a Estrada de Ferro, para o Tesouro, como funcionárias públicas.

        Há nisto vários erros, uns de ordem política, outros de ordem social.

        Os de ordem política consistem em permitir que essas moças se inscrevam em concurso para aspirar um cargo públi­co, quando a lei não permite que elas o exerçam.

        Não sou inimigo das mulheres, mas quero que a lei seja respeitada, para sentir que ela me garante.

        Nos países em que se há permitido que as mulheres exerçam cargos públicos, os respectivos parlamentos têm votado leis especiais nesse sentido. Aqui, não. Qualquer ministro, qualquer diretor se julga no direito de decidir sobre matéria tão delicada. É um abuso contra o qual eu já protestei e protesto.

        Quando era ministro Joaquim Murtinho – da Fazenda – é preciso saber – uma moça requereu inscrever-se em concurso para o Tesouro. Sabem o que ele fez, depois de ouvir as repartições competentes? Indeferiu o pedido, por não haver lei que tal autorizasse.

        Nos Telégrafos e Correios, as moças têm acesso, porque os respectivos regulamentos – autorizados pelo congresso – permitem. Nas outras repartições, não; é abuso.

        Mulher não é, no nosso direito, cidadão.

        Está sempre em estado de menoridade. Por aí iria longe; por isso convém parar.

        Spencer, na Introdução à Ciência Social observa que desde que o serviço militar obrigatório foi instituído em França, para todos os rapazes entre dezoito e vinte e um anos, o que obrigou as raparigas a virem a fazer os serviços que compe­tiam àqueles, as exigências de altura, talhe, etc., para os re­crutas foram pouco a pouco diminuindo; o trabalho da mulher tinha influído na geração...

        Krafft-Ebbing diz, não sei onde, que a profissão da mulher é o casamento; por isso cumprimento da. Diana D’An­teno por ter escrito o seu interessante opúsculo: Quereis’ encontrar Marido? – Aprendei!

Hoje, Rio, 26-6-1919.

Entendendo a crônica:

01 – Qual é a contradição inicial apontada por Lima Barreto em relação à autora do livro e de que maneira o cronista ironiza sua autoridade no assunto?

      Lima Barreto aponta a ironia de a autora, Da. Diana D’Alteno, ter escrito um guia sobre como encontrar marido sem nunca ter se casado. O cronista satiriza essa posição ao compará-la a charlatães — como cartomantes, adivinhos e feiticeiros —, que prometem riqueza e soluções aos outros, mas continuam sem recursos próprios e dependem de gratificações para sobreviver.

 

02 – Como a autora do opúsculo associa a queda nos casamentos ao cenário geopolítico global e qual é a crítica do autor a essa visão?

      A autora relaciona a escassez de matrimônios ao despovoamento (dépeuplement), prevendo que a falta de crescimento populacional gerará conflitos internacionais graves devido à desigualdade no número de soldados entre as nações. Lima Barreto ridiculariza a abordagem classificando-a como uma sociologia "obstétrica e ginecológica", criticando o alarmismo do argumento e desconstruindo o rigor de sua análise.

 

03 – De que forma o autor rebate a ideia de que o casamento é indispensável para a preservação e o crescimento da espécie humana?

      O cronista desvincula o preceito de proliferação do matrimônio formal. Ele argumenta que o mandamento "crescei e multiplicai-vos" não exige ritos matrimoniais, exemplificando com os animais domésticos, que continuam a se multiplicar sem a necessidade de sacerdotes, pastores ou cerimônias cartorárias para formalizar a união.

 

04 – Qual é a divergência entre Lima Barreto e a autora no que diz respeito ao "medo do matrimônio" por parte dos homens?

      Enquanto a autora sustenta que os homens sentem um "sacro terror" do casamento, Lima Barreto afirma que os homens estão dispostos a se casar, mas atribui o entrave às exigências das mulheres na escolha dos parceiros. O autor utiliza a metáfora do grão de milho atirado ao terreiro: a semente germina facilmente, a menos que a terra exige condições excessivamente específicas.

 

05 – Qual é o posicionamento do cronista em relação ao ingresso das mulheres no serviço público e qual o argumento legal utilizado?

      Lima Barreto manifesta-se contrário à entrada de mulheres em cargos públicos sem legislação prévia favorável. O argumento central apoia-se no princípio da legalidade: por não serem consideradas cidadãs de pleno direito pela legislação da época e estarem juridicamente em "estado de menoridade", sua admissão por decisão unilateral de diretores ou ministros constituiria um abuso administrativo.

 

06 – Como o autor fundamenta seu protesto contra a atuação de autoridades no acesso de mulheres às repartições públicas, citando um exemplo histórico?

      O cronista cita a decisão do ex-ministro da Fazenda, Joaquim Murtinho, que indeferiu a inscrição de uma mulher em concurso público por falta de amparo legal. O autor destaca que a presença feminina só é legítima onde há regulamentação aprovada pelo Congresso — a exemplo dos Correios e Telégrafos —, classificando qualquer concessão fora dessas diretrizes como uma violação das leis vigentes.

 

07 – De que modo o texto articula as teorias de Spencer e Krafft-Ebing para respaldar a tese de que a função primordial da mulher seria o casamento?

      O autor recorre a Herbert Spencer para ilustrar como o trabalho físico feminino — decorrente do recrutamento militar dos homens na França — teria impactado negativamente a formação biológica das novas gerações. Na sequência, cita Krafft-Ebing para chancelar a tese de que a ocupação natural da mulher é o matrimônio. Com essa fundamentação, o cronista encerra o texto validando a premissa central do folheto de Diana D'Alteno.

 

 

 

FÁBULA: RAP DA CIGARRA E A FORMIGA - JÔ SOARES - COM GABARITO

 Fábula: RAP DA CIGARRA E A FORMIGA

           Jô Soares

Saca essa fábula, bicho,

que vai te deixar cabreiro.

Num depósito de lixo

tinha um bruta formigueiro.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlf4ySUKMDhESOhJwTvO7MDbKcEYyp38OPBl1lK9_8dOkoVP3xzCkPNQZ921shv9a2l7LPnpNWFiM6L29Si0O6yQmg5KpGrXRvlEA42Nt9GIo3-SlGAAwU9l0MlKOe8riGbYazKWCJUTnwYFEuZO5T4U5hE-3LVRul_5YT1G5SyGLhK-CxYIx4GJqywVI/s320/images.jpg
 

O formigueiro falado,

na verdade não era mixo.

Foi só pra ficar rimado

que eu falei que era no lixo.

As formigas, ligadonas,

trabalhavam noite e dia.

Ficavam muito doidonas

plugadas nessa mania.

Podes crer, não é mentira.

Um dia uma punk louca

que se chamava cigarra

e achava que era touca

trabalhar tanto, na marra,

se meteu com a formigada

e falou, pontificando:

-- Trabalhar é uma jogada

devagar, quase parando.

Coisa careta, uma fria,

bobeira que eu não assumo.

E avisou que não curtia

formigueiro de consumo.

 

As formigas, sem ligar,

responderam na maior:

-- Se você não trabalhar,

vai acabar na pior.

A cigarra se mandou

dizendo que era besteira.

Das formigas se afastou

cantando um rock pauleira.

Só voltou quando era inverno.

As formigas, pra esnobar,

em vez de um papo fraterno,

foram se bacanear.

Disseram logo as formigas:

-- Olha, se quiser guarida

vai pedir pras tuas amigas.

Nós não damos boa vida.

E a cigarra: – Eu tô na minha...

Não vim aqui pedir nada.

Só vim dizer que eu, sozinha,

fiz a Sena acumulada.

        Moral: Para alguém ganhar sozinho a Sena acumulada, tem que ser leão. Ou então cigarra, bicho. Enfim, bicho: bicho.

Jô Soares. Revista Veja. São Paulo: Editora Abril, 31 out. 1990, p. 17.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 89-90.

Entendendo a fábula:

01 – O texto de Jô Soares é uma reescrita da famosa fábula de Esopo/La Fontaine. Quais são as principais diferenças de tom e de linguagem que modernizam essa narrativa?

      A principal diferença é a utilização do gênero textual rap combinado com uma linguagem urbana, jovem e repleta de gírias da cultura pop/underground (como "saca essa", "cabreiro", "bacanear", "punk louca", "careta", "na maior"). Em vez do tom moralizante e solene da fábula tradicional, o autor adota um tom humorístico, descontraído e satírico.

02 – Na segunda estrofe, o narrador faz um comentário sobre o local onde ficava o formigueiro ("Foi só pra ficar rimado / que eu falei que era no lixo"). O que essa metalinguagem revela sobre a estrutura do texto?

      Essa intervenção revela o uso da metalinguagem, na qual o poeta expõe a própria construção do poema ao leitor. Ele admite de forma cômica que a escolha da palavra "lixo" para determinar o cenário foi feita apenas pela necessidade de criar uma rima com "mixo", sem compromisso com a verossimilhança da história, humanizando a figura do narrador.

03 – Como a Cigana é caracterizada no texto e qual é a sua visão em relação ao trabalho contínuo exercido pelas formigas?

      A Cigarra é caracterizada como uma figura rebelde e contra-cultural ("punk louca"), que rejeita o modelo de vida tradicional. Para ela, trabalhar "na marra" e sem parar é uma atitude "careta", "uma fria" e "uma jogada devagar". Além disso, ela critica o estilo de vida das formigas ao afirmar que não curte um "formigueiro de consumo".

04 – Qual é a reação das formigas ao reencontrarem a Cigarra no inverno e o que essa atitude representa?

      Ao reencontrarem a Cigarra no inverno, as formigas agem com soberba e individualismo ("pra esnobar", "foram se bacanear"). Em vez de oferecerem ajuda, mandam a Cigarra procurar as amigas e afirmam que não dão "boa vida" a ninguém. Essa atitude representa a falta de solidariedade e o orgulho das formigas por cumprirem a rotina de trabalho.

05 – Como ocorre o "quebra de expectativa" (clímax cômico) no final do poema em relação ao desfecho da fábula tradicional?

      Na fábula tradicional, a Cigarra volta no inverno humilhada, faminta e dependente do auxílio das formigas. No texto de Jô Soares, a expectativa é subvertida: a Cigarra não volta para pedir abrigo ou comida, mas sim para ostentar que ganhou sozinha na "Sena acumulada", tornando-se rica sem precisar do trabalho duro do formigueiro.

06 – Como a "moral da história" apresentada ao final ironiza tanto o conceito tradicional de fábula quanto a própria realidade social?

      A moral da história ironiza o ensinamento clássico de que "somente o trabalho duro garante a prosperidade". Ao mostrar que a Cigarra enriqueceu por ter ganhado na loteria (Sena acumulada), o texto ironiza a sorte aleatória e as facilidades financeiras que fogem à regra do esforço pessoal. O trocadilho final com "leão" e "bicho" reforça o tom de piada e deboche sobre a aleatoriedade da riqueza.

07 – Quais elementos do texto exemplificam a crítica ao modelo de sociedade focado no trabalho excessivo e no consumo?

      A crítica aparece na descrição das formigas, que trabalhavam "noite e dia" e ficavam "doidonas / plugadas nessa mania" de produzir, caracterizando um vício pelo trabalho atrelado ao "formigueiro de consumo". O texto põe em cheque se a obsessão pelo trabalho sem espaço para a arte ou o lazer é realmente o único caminho válido para a vida.

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): A LENDA DO ABAETÉ - DORIVAL CAYMMI - COM GABARITO

 Música (Atividades): A Lenda do Abaeté

           Dorival Caymmi

No Abaeté tem uma lagoa escura
Arrodeada de areia branca
Ô de areia branca
Ô de areia branca

De manhã cedo
Se uma lavadeira
Vai lavar roupa no Abaeté
Vai se benzendo
Porque diz que ouve
Ouve a zoada
Do batucajé


Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_3Lnx4h_txA-pLQY9V98qZtsKVAAY6bTwwFAgwDzTzGB2AIAt4Infv-NtOcWLRfsTLWjxEXP7th1jhE9bppY97Lc50yNWvJk2-pxVAI1_NB1q-no6DwuB9j44B9kKSmqYaX6OPQDjuQY4OUSRVJdJJDN1ro7g9kDFwSrmj7G7uPbxX7t78O4apafDr2I/s1600/images.jpg


O pescador
Deixa que seu filhinho
Tome jangada
Faça o que quisé
Mas dá pancada se o seu filhinho brinca
Perto da Lagoa do Abaeté
Do Abaeté

A noite tá que é um dia
Diz alguém olhando a Lua
Pela praia as criancinhas
Brincam à luz do luar

O luar prateia tudo
Coqueiral, areia e mar
A gente imagina quanto a lagoa linda é

A Lua se enamorando
Nas águas do Abaeté
Credo, Cruz
Que diz conjuro
Quem falou de Abaeté
No Abaeté tem uma lagoa escura.

Composição: Dorival Caymmi. 

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 120.

Entendendo a música:

01 – Qual é o contraste visual marcante apresentado no início da canção e qual sentimento essa descrição desperta?

      O contraste visual marcante ocorre entre a "lagoa escura" e a "areia branca" que a rodeia. Esse forte contraste de cores constrói uma atmosfera de mistério, beleza e fascínio. A imagem de uma água escura cercada por areia extremamente clara evoca uma sensação de mistério sagrado, ao mesmo tempo que retrata a paisagem natural e singular da Lagoa do Abaeté, em Salvador.

02 – De que maneira o comportamento da lavadeira ao ir trabalhar revela a aura mística que envolve a Lagoa do Abaeté?

      A lavadeira, ao se dirigir à lagoa pela manhã, "vai se benzendo" porque afirma ouvir a "zoada do batucajé" (um ritual/batuque de matriz africana). Esse ato de se benzer expressa o respeito, a fé e o temor supersticioso diante do sagrado e do invisível. O comportamento demonstra como o cotidiano das pessoas da região é profundamente atravessado pela religiosidade, pelas lendas locais e pelo mistério que habita o local.

03 – Como a atitude do pescador em relação ao filho reforça o caráter perigoso ou sagrado atribuído à lagoa?

      O pescador permite que seu filho faça quase tudo, até mesmo andar de jangada, mas o proíbe severamente ("dá pancada") de brincar perto da Lagoa do Abaeté. Isso revela que, na visão dos moradores locais, a lagoa guarda um perigo maior ou um mistério mais temível do que o próprio mar aberto. Essa atitude reforça a lenda de que o Abaeté é um lugar misterioso que exige respeito e cautela extremos.

04 – Como a noite na praia do Abaeté é descrita na música e qual é o impacto da iluminação natural na paisagem?

      A noite é descrita de forma poética como sendo clara a ponto de parecer o dia ("A noite tá que é um dia"). O luar intenso prateia o coqueiral, a areia e o mar, permitindo até que as crianças brinquem à luz da Lua. Essa iluminação prateada transforma a paisagem em um cenário mágico e calmo, realçando a beleza estonteante do local sob a luz noturna.

05 – Qual é a metáfora utilizada por Dorival Caymmi no verso "A Lua se enamorando nas águas do Abaeté"?

      O compositor utiliza a personificação (prosopopeia) ao atribuir o sentimento do amor à Lua. A imagem da Lua "se enamorando" reflete o reflexo prateado do luar espelhado nas águas escuras da lagoa, como se os dois astros/elementos da natureza estivessem trocando olhares apaixonados. Essa metáfora expressa a profunda beleza e o encanto poético que o lugar exerce sobre quem o contempla.

06 – O que significa a expressão "Credo, Cruz / Que diz conjuro / Quem falou de Abaeté" no contexto da composição?

      A expressão "Credo, Cruz" e a menção ao "conjuro" são fórmulas de proteção religiosa e popular usadas para afastar feitiços, espíritos ou maus agouros. No contexto da canção, essa fala final enfatiza a força das crenças e superstições populares: falar no Abaeté invoca um respeito quase temeroso, exigindo uma oração ou gesto simbólico de proteção contra os mistérios e lendas que envolvem a lagoa.

07 – De que forma a canção de Dorival Caymmi preserva e valoriza a identidade cultural e o folclore baiano?

      Dorival Caymmi valoriza a cultura baiana ao integrar em sua obra elementos do cotidiano popular (a lavadeira, o pescador, as crianças brincando), a religiosidade e o sincretismo (o sinal da cruz, o batucajé, o conjuro) e as lendas locais associadas à geografia de Salvador. Ao transformar o Abaeté em tema poético, o compositor eterniza a tradição oral e a mística do povo baiano, transformando o local em um símbolo da identidade e do folclore do Brasil.