sexta-feira, 22 de maio de 2026

HISTÓRIA: SANSÃO E DALILA - COM GABARITO

 História: Sansão e Dalila

         Sansão, cujo nome significava "homem do sol", era um nazareno dotado de extraordinária força. Era um dos juízes bíblicos cuja história está descrita no Livro dos Juízes (13-16) e no Novo Testamento (Hebreus 11,32).

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        Conta-se que Deus terá chamado Sansão para libertar o povo de Israel que vivia dominado pelo Filisteus. Estes, que tinham um medo enorme da força do nazareno, tentavam sem sucesso prender Sansão. Os governantes filisteus, sabendo da paixão de Sansão pela finisteia Dalila, aliciaram a jovem, com 1100 moedas de prata, a descobrir a origem da força invencível de Sansão. Dalila amava Sansão, mas este amor era inferior ao que sentia pelo seu povo. Com o seu grande poder de sedução, Dalila tentou não só desvendar de Sansão o segredo da sua força, como também arranjar uma forma para que ele fosse dominado pelos finisteus.

        Primeiramente, Sansão disse-lhe que ficaria vulnerável como qualquer outro homem, se o amarrassem com sete fibras novas de arco que não tivessem sido secas. Dalila atou Sansão com as sete fibras, durante o sono, mas, quando os Filisteus chegaram para o levar, ele arrancou as fibras sem dificuldade. À segunda tentativa de Dalila, Sansão disse-lhe que seria, facilmente, dominado se fosse amarrado por cordas novas, mas também destas se libertou, sem custo, quando chegaram os Filisteus. A terceira versão de Sansão foi tão falsa como as duas anteriores, pois quando Dalila teceu as sete madeixas do cabelo de Sansão com uma rede e as apertou com um gancho, durante o sono de Sansão, este voltou a libertar-se facilmente. Foi então que Dalila (não se sabe através de que artes) conseguiu saber o segredo da força de Sansão. Este disse-lhe que, se os seus cabelos fossem cortados, a sua força abandoná-lo-ia e ficaria fraco como uma criança. Sansão adormeceu no colo de Dalila e esta, suavemente, cortou-lhe os caracóis dos cabelos. Acordado pela chegada dos Filisteus, Sansão acreditava ainda ter força, mas foi rapidamente dominado pelos soldados, que lhe perfuraram os olhos e o prenderam com algemas de bronze.

        Sansão foi exposto e humilhado, publicamente, no caminho do templo de Dagôn, onde foi amarrado aos dois pilares que sustentavam o enorme edifício. A população juntou-se aos milhares para ver a derrota de Sansão e este, num último esforço, pediu a Deus que lhe devolvesse a força, por instantes. Foi, então, que Sansão, heroicamente, fez ruir os pilares, causando a destruição do templo e, consequentemente, a morte dos Filisteus, de Dalila e do próprio Sansão.

Sansão e Dalila na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$sansao-e-dalila.

Entendendo a história:

 

01 – Qual era a missão divina atribuída a Sansão e por que os filisteus tinham tanto interesse em descobrir a origem da sua força invencível?

      Sansão foi chamado por Deus para libertar o povo de Israel, que vivia dominado pelos filisteus. O interesse dos filisteus em descobrir a origem da sua força existia porque eles tinham um medo enorme do nazareno e precisavam anular esse poder para conseguir prendê-lo e manter o domínio sobre o povo de Israel.

02 – Como os governantes filisteus convenceram Dalila a trair Sansão e como o texto justifica a decisão da jovem em aceitar essa proposta?

      Os governantes filisteus aliciaram Dalila oferecendo-lhe uma recompensa de 1100 moedas de prata para que ela descobrisse o segredo de Sansão. O texto justifica a traição explicando que, embora Dalila amasse Sansão, o amor que ela sentia pelo seu próprio povo era superior a esse sentimento, o que a levou a usar o seu poder de sedução para entregar o nazareno.

03 – Antes de revelar a verdade, Sansão enganou Dalila por três vezes. Quais foram as três falsas origens da sua força que ele inventou?

      As três falsas versões inventadas por Sansão foram:

      Que ele ficaria vulnerável se fosse amarrado com sete fibras novas de arco que ainda não tivessem secado.

      Que ele seria facilmente dominado se fosse amarrado com cordas totalmente novas.

      Que ele perderia as forças se Dalila tecesse as sete madeixas do seu cabelo com uma rede e as apertasse com um gancho.

04 – O que aconteceu a Sansão imediatamente após Dalila cortar os seus cabelos e como os filisteus agiram ao capturá-lo?

      Após ter os caracóis dos cabelos cortados enquanto dormia no colo de Dalila, Sansão perdeu a sua força divina e ficou fraco como uma criança. Ao acordar com a chegada dos soldados filisteus, ele achou que ainda conseguiria resistir, mas foi rapidamente dominado. Os soldados então perfuraram os seus olhos e o prenderam com algemas de bronze.

05 – Explique como ocorreu o trágico desfecho da história de Sansão no templo de Dagôn e quais foram as consequências do seu último ato.

      Sansão foi levado ao templo de Dagôn para ser exposto e humilhado publicamente diante de milhares de filisteus, sendo amarrado aos dois pilares que sustentavam o enorme edifício. Num último esforço, ele pediu a Deus que lhe devolvesse a força por alguns instantes. Ao ter o pedido atendido, Sansão empurrou e fez ruir os pilares, provocando o desabamento de todo o templo. Esse ato causou a morte dos filisteus, de Dalila e do próprio Sansão.

 

 

CRÔNICA: O GRANDE INVASOR DAS SEIS DA TARDE - COM GABARITO

 Crônica: O Grande Invasor das Seis da Tarde

         Todo santo dia, às seis da tarde em ponto, a tragédia se repete. Eu estou lá, tranquilo, deitado no meu canto favorito do sofá — o único lugar desta casa onde o sol bate perfeitamente —, quando escuto o barulho infernal da chave girando na fechadura. O monstro de duas pernas chegou.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUDghxpaV0YJi_RjLxq057BvXTEXw66_WZCJEPMnN8iuiLaqxgs9U53QUiB1QQ2t8THmg1yjpIhAYeuO5mLfHpf9ILxiBClvfcUXvoLQSi6ISEutZJ7hWKK9e1hdH1s0TOd6xkCaRxiPEb1Sr1myB-BVHscIba0df7Ajkr2xWjXicGA8AdyGT78tS_GIU/s1600/GATO.jpg


        Ela entra falando alto, joga uma mochila pesada no chão (quase acertando minha cauda!) e vem direto na minha direção. Eu tento manter a dignidade, mas ela me agarra no colo, me aperta contra aquele tecido áspero da blusa e começa a emitir uns sons bizarros: "Quem é o neném da mamãe? Quem é?". É humilhante. Sou um caçador nato, um predador incompreendido, não um neném.

        Para piorar, ela me serve aquela comida pastosa e esquisita numa vasilha de plástico. Com fome, acabo aceitando. Quando termino, ela passa a mão na minha cabeça. Eu, para não parecer rude, dou uma leve lambida na mão dela e solto um ronrono baixo. Afinal, alguém precisa educar os humanos.

Entendendo a crônica:

01 – Quem é o narrador dessa história e em qual pessoa do discurso (1ª ou 3ª pessoa) o texto é contado? Retire um trecho que comprove sua resposta.

      O narrador é um gato. A história é contada em 1ª pessoa ("eu"). Exemplo de trecho: "Eu estou lá, tranquilo, deitado no meu canto favorito do sofá..." ou "quase acertando minha cauda!".

02 – O narrador descreve a dona dele como um "monstro de duas pernas" e diz que os sons que ela faz são "bizarros". Por que ele enxerga as ações dela dessa forma?

      Porque o foco narrativo está na visão de um bicho de estimação (um gato). Para um animal, os hábitos humanos — como falar alto, usar mochilas e dar abraços apertados — parecem estranhos, exagerados ou invasivos.

03 – No segundo parágrafo, a dona diz: "Quem é o neném da mamãe? Quem é?". Se a história fosse contada pelo ponto de vista da dona (foco narrativo nela), como ela descreveria esse exato momento do abraço?

      Ela descreveria como um momento de carinho e saudade, dizendo que estava feliz ao chegar em casa do trabalho ou da escola e ver seu gatinho querido no sofá.

04 – Releia o último parágrafo. O gato diz que lambe a mão da dona e ronrona apenas para "não parecer rude" e para "educar os humanos". Na realidade, o que esses comportamentos do gato (lamber e ronronar) significam na vida real?

      Na vida real, significam que o gato sente afeto, carinho e está relaxado e feliz com a presença e o cuidado da dona, mesmo que no texto ele tente disfarçar isso com seu orgulho.

05 – Como o foco narrativo em 1ª pessoa (o próprio gato contando) ajudou a construir o humor da crônica? O que aconteceria se o narrador fosse um observador de fora (em 3ª pessoa)?

      O humor nasce do contraste entre o que o gato pensa de si mesmo (que é um "caçador nato" e sério) e a forma fofa como ele é tratado. Se fosse em 3ª pessoa, a história seria apenas a descrição comum de uma menina chegando em casa e alimentando seu gato, perdendo a graça dos pensamentos orgulhosos do bicho.

 

CONTO CHINESES: REMÉDIO PARA CAVALO - SÉRGIO CAPPARELLI - COM GABARITO

 Conto: Remédio para cavalo

        Em Urumqi, um taoísta vendia remédios no mercado e algumas pessoas diziam:

        — Esse aí é feiticeiro. E dos grandes!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlsNSzSkEZozW_YvGP321Ue7qNMoMi-ncjVfiMGlaS4hmGPONAOIlkKTvYQUpz3tyR5C3YPhmW8QrJ_ekAhNRdICzfN7QfR4o2LprA8zY1QWR-9cS8_nEHB-QifQ__wE4VK4UyP89FLlvRm3RsmUdkYmHB77ITJ2vPNCc6CYFWdJKc_tl8kh6SL914b38/s1600/CHINES.jpg


        Ele tinha sido visto em um albergue e, pouco antes de dormir, abriu uma bolsa que trazia na cintura. De dentro da bolsa tirou uma menor. E nessa menor, pegou dois comprimidos de cor escura. Imediatamente duas mulheres belíssimas apareceram no quarto para dormir com ele. Elas só deixaram o quarto de madrugada.
No dia seguinte, alguém perguntou como tudo tinha acontecido. Ele fez cara de desentendido. Negou de pé junto que soubesse alguma coisa.

        Eu me lembro de ter lido nos “Trabalhos Ininterruptos”, de Zhou Yuexi, uma explicação de que pessoas como esse monge taoísta são “caçadores de almas”. Como essa magia perde a eficácia se a pessoa comer carne de cavalo, e como um cavalo acabava de morrer na guarnição, enviei um ajudante com instruções secretas ao dono do albergue. Ele devia dizer ao taoísta que havia boa carne de cavalo e que ele estava convidado para comer um pouco.

        O taoísta moveu a cabeça de um lado para o outro.

        — Carne de cavalo? Claro que não — disse.

        Isso reforçou minhas suspeitas e decidi tomar providências.
Meu colega, general Chen Tiqiao, foi contra:

        — Que moças estejam com o taoísta é impossível saber, porque você não viu com seus próprios olhos. E não viu igualmente se ele come ou não carne de cavalo. Fiar-se a boatos não verificados para abrir um processo às pressas me parece perigoso. Nessa região, não se tem o direito de prender um indivíduo com base apenas na suspeita: melhor pedir a repartição competente para expulsá-lo do território e o assunto fica resolvido.

        Estava pensando nos passos a dar quando o general Wen soube da história e disse:

        — Querer ir a fundo nessa questão é ir longe demais.

        Suponhamos que por medo de castigo esse homem confesse qualquer coisa. O assunto ficaria então muito grave e seria preciso tomar outras providências.

        Como não existe nenhuma prova ainda, como fazer para pôr um fim nisso? Expulsá-lo do território não resolve, por que ele vai para outro lugar, dá um golpe e declara que viveu durante muito tempo em Urumqi. Quem ficaria com a responsabilidade?

        Todas as guarnições devem interrogar, investigar, examinar todos os indivíduos de comportamento suspeito. Se existem provas reais, ele será entregue à autoridade competente. Caso contrário, melhor enviá-lo ao lugar de onde ele veio, para que ele não engane o povo. Não é uma boa solução?

        Nós ficamos admirados com a sabedoria dos senhores generais.

Contos Chineses. Sérgio Capparelli.

Entendendo o conto:

 

01 – Qual foi o acontecimento misterioso presenciado no albergue que levou o povo de Urumqi a suspeitar que o monge taoísta era um grande feiticeiro?

      As suspeitas começaram quando o taoísta foi visto no albergue a abrir uma pequena bolsa que trazia na cintura e a retirar dela dois comprimidos de cor escura. Imediatamente após esse ato, duas mulheres belíssimas apareceram no seu quarto para passar a noite com ele, desaparecendo misteriosamente apenas de madrugada.

02 – Com base na leitura de "Trabalhos Ininterruptos", o narrador suspeita que o monge seja um "caçador de almas". Qual foi o teste estratégico elaborado pelo narrador para confirmar essa suspeita e qual foi a reação do taoísta?

      O narrador sabia que a magia de um "caçador de almas" perdia totalmente a eficácia se a pessoa consumisse carne de cavalo. Aproveitando que um cavalo tinha acabado de morrer na guarnição, ele enviou um ajudante com instruções secretas para convidar o monge a comer a carne. O taoísta, contudo, recusou o convite abanando a cabeça, o que reforçou as suspeitas de que ele evitava o alimento para proteger os seus poderes mágicos.

03 – O general Chen Tiqiao posicionou-se contra a abertura imediata de um processo contra o taoísta. Quais foram os argumentos legais e práticos que ele utilizou?

      O general Chen Tiqiao argumentou que o narrador não tinha visto as mulheres nem a recusa da carne com os próprios olhos, tratando-se apenas de boatos não verificados. Ele alertou que, naquela região, era perigoso e ilegal prender alguém com base apenas em suspeitas. Por isso, sugeriu uma medida mais rápida e prática: pedir à repartição competente para expulsar o monge do território, encerrando o assunto.

04 – O general Wen discordou da simples expulsão do monge e propôs uma visão diferente sobre a responsabilidade das autoridades. Qual era o receio dele em relação à expulsão e o que ele sugeriu fazer?

      O general Wen temia que, ao ser simplesmente expulso, o monge fosse para outra região aplicar golpes usando o nome de Urumqi como referência, o que mancharia a reputação da guarnição. Ele sugeriu que todas as guarnições fizessem um interrogatório e exame minucioso. Se houvesse provas reais, ele seria entregue à justiça; caso contrário, o melhor seria enviá-lo de volta diretamente para a sua terra natal, impedindo-o de continuar a enganar o povo em outros territórios.

05 – O conto termina com o narrador e os outros personagens admirados com a "sabedoria dos senhores generais". O que essa conclusão revela sobre a forma como a justiça e a burocracia eram conduzidas naquela região?

      A conclusão revela uma administração que valorizava a prudência, a ordem e o bom senso em detrimento do impulso ou da superstição. Em vez de iniciarem uma caça às bruxas com base em feitiçaria e boatos, os generais preferiram adotar uma postura burocrática e preventiva, focada na segurança pública, na verificação de provas reais e na devolução do suspeito ao seu local de origem para evitar problemas futuros.

 

LENDA ÁRABE: NA'AUM, O HAMZA - COM GABARITO

 Lenda Árabe: Na’aum, o Hamza

        O sábio Na'aum fora cognominado "Hamza" pois, diante de qualquer sucesso da vida ele afirmava com inabalável confiança:

        "Isso também (Hamza) foi para melhor!"

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgn5S1Qauo2DJfYQvMttHpdG9BHNkIDHpI8RUYADnINvKMYYJG-igbODuFC-PMxiXApaq4DWDSsVocQE0qfMSLGbacFLXDH47sdNSkTc-wA4Xg6rWqbvA3PkvfRVoY_Ulvm0VsV1sxha9IsWivQfGekItm0PhfuyH2k-xslq8EybsVAFWjNxl2ArdKXxqE/s1600/HAMZA.png


        Nos últimos anos de sua vida, Na'aum ficou completamente cego; suas mãos tornaram-se paralíticas; em consequência da lepra perdeu os pés e seu corpo cobriu-se de feridas.

        Jazia estirado no fundo do cubículo imundo de uma casa em ruínas, com as pernas mergulhadas em uma bacia d'água, para que as formigas não o atacassem.

        Os discípulos iam visitá-lo e voltavam impressionados com o sofrimento do sábio.

        Certa vez um deles não se conteve e interrogou o enfermo:

        -- Se sois um homem tão justo, por que vos atormentam tantos males?
        -- Meu filho – retorquiu o paciente – o único culpado sou eu.

        E ante o incalculável espanto daqueles que o rodeavam, narrou o seguinte:

        -- Certa vez, ao chegar à casa de meus sogros, com três burros carregados, um de provisões, outro com água e o terceiro de frutos raros, encontrei andrajoso mendigo que implorou:

        "Patrão, daí-me alguma coisa para comer."

        Sem apiedar-me da triste situação em que se achava o infeliz, respondi desabridamente:

        "Espera que eu descarregue os burros!!!"

        Mas, antes que eu finalizasse a árdua tarefa, o homem, vencido pela fome, morreu.

        O crime por mim praticado revestira-se da maior perversidade, e, olhando para o corpo inanimado do mendicante, proferi, num ímpeto de remorso:

        "Percam a vista os meus olhos que não souberam ver e medir a tua miséria; fiquem paralíticas estas minhas mãos que não souberam levar a tempo o auxílio pedido; que sejam cortados os pés que não me conduziram pela estrada da caridade".

        E disse mais ainda:

        "Cubra-me a lepra o corpo todo".

        Um dos discípulos deplorou com sincero pesar:

        -- É bem triste, para nós, vermos agora nosso bom mestre nesse estado!
        Acudiu Na'aum, assumindo um ar de séria profundidade:

        -- Triste de mim, se vós não me pudésseis ver assim!

 

Lenda árabe.

Entendendo a lenda:

 

01 – Por que o sábio Na'aum recebeu o cognome de "Hamza"?

      Ele recebeu esse apelido porque, diante de qualquer acontecimento ou sucesso da vida, ele demonstrava uma confiança inabalável e afirmava sempre a frase: "Isso também (Hamza) foi para melhor!".

02 – Qual era a gravíssima situação de saúde e moradia em que Na'aum se encontrava no final de sua vida?

      Na'aum estava completamente cego, com as mãos paralíticas, sem os pés (devido à lepra) e com o corpo coberto de feridas. Ele vivia deitado no fundo de um cubículo imundo em uma casa em ruínas, mantendo as pernas em uma bacia d'água para evitar o ataque das formigas.

03 – Segundo o próprio Na'aum, quem era o culpado por todos os males que o atormentavam?

      O próprio Na'aum se declarou o único culpado por seu sofrimento, explicando aos seus discípulos que a sua condição atual era o resultado de um grave erro cometido no passado.

04 – Qual foi o acontecimento do passado que gerou o remorso e a punição de Na'aum?

      No passado, um mendigo faminto implorou-lhe por comida. Na'aum foi insensível e respondeu rudemente que ele esperasse até que os três burros fossem descarregados. Antes que ele terminasse a tarefa, o homem morreu de fome, o que fez Na'aum rogar pragas contra o seu próprio corpo (olhos, mãos, pés e pele) em um forte ímpeto de remorso.

05 – Como Na'aum reagiu quando um discípulo lamentou vê-lo naquele estado lamentável? Qual o significado dessa resposta?

      Na'aum respondeu com seriedade: "Triste de mim, se vós não me pudésseis ver assim!". Com isso, ele quis dizer que considerava seu sofrimento físico uma forma necessária de expiação e justiça pelo seu erro; para ele, seria pior não pagar pelo mal que causou ao mendigo.

 

 

CONTO: SINAL DO CÉU - GENTIL MARQUES - COM GABARITO

 Conto: Sinal do Céu

 

        Como se estivesse pairando entre o céu e a terra, no silêncio da cela semiobscurecida, D. Gualdim orava, profundamente entregue às suas devoções. O corpo lasso — cansado das lutas a que se havia exposto durante a famosa e difícil conquista de Lisboa — sentia um prazer físico e espiritual nessa semiobscuridade, nessa semi-inacção, nesse quase absoluto silêncio.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEge1XwrudpXTaDSsAsUPEoa3aOz9Vtu-26mhyPRcB1j8PPqV_SGOOaTbNi3iYvOGAGAPVwVXJzgSK9JdZ-8ZUWIdM7WHbTCyInJrPB7RQgXWWqCd4efeY0j9w80v8La8iCv54lQ-dC59bYToN3GnKFIbu74hdjF3RjYavKZ8QnEVhIUjHl0FeZ47_0UWAM/s1600/sinal.png 


 De joelhos em terra, o rosto escondido nas mãos, o corpo inclinado para a frente, dir-se-ia a verdadeira estátua da oração. Mas porque a sua sensibilidade era profundamente apurada, o seu espírito começou subitamente a turbar-se em ondas de alerta, como se movimenta a água parada de um lago ao ser-lhe lançada uma pequenina pedra.


        D. Gualdim estremeceu. Teve a sensação de que não estava só. E, retirando do rosto as mãos, ergueu o busto e voltou-se num vagar mal contido. Os seus olhos habituados à meia-luz ambiente descortinaram logo a figura magra e alta do superior do convento. E o seu olhar indagou de tão honrosa presença. O superior, numa voz baixa e pausada, que se esforçava por ser humilde, elucidou:


        — Perdoai, irmão. Não desejaria interromper a vossa oração piedosa... mas tenho algo de importante a comunicar-vos.


        — Falai sem receio. Estava apenas dando graças a Deus pela dita deste silêncio, depois do tremendo inferno que foi a conquista de Lisboa.


        — Bem mereceis este repouso, irmão. Por isso mesmo me aflige interromper-vos.


        — É esta a nossa missão de cavaleiros e monges.


        — Sim, é essa a nossa missão... Já o disse Sancho de Castela: «O som da trombeta transforma-nos em leões e o do sino em cordeiros...» Que se cumpra, pois, em nós, a vontade de Deus!
D. Gualdim sorriu com o respeito devido ao seu superior.


        — Mas decerto não viestes aqui para nos enaltecerdes...
Foi a vez do monge sorrir também.


        — Oh, não! A minha presença nesta cela deve-se a um desejo do nosso rei D. Afonso Henriques.


        Os olhos do cavaleiro-monge brilharam mais intensamente. O seu busto endireitou-se com estranha altivez.


        — El-rei vai sair de novo a campo?


        Com um sinal de cabeça o monge confirmou:


        — Sim... O sangue ferve-lhe nas veias… o seu fervor à causa cristã é indomável!


        D. Gualdim já não parecia o mesmo homem humilde e abatido de há pouco.


        — Quando precisa el-rei de mim?


        — Amanhã, ao romper do dia.


        — Que Deus seja louvado! Lá estarei com os meus homens.


        Sorriu o monge superior do convento.


        — El-rei aprecia-vos muito. Contou-me a vossa proeza, quando subistes as escarpas do monte cujo terreno parecia desfazer-se debaixo dos pés... Falou-me dos pedregulhos que iam caindo por todos os lados e só por milagre vos não acertaram... E disse-me como fostes sempre avançando de armas nos dentes, para que as mãos ficassem mais livres e vos ajudassem a subir...


        D. Gualdim começou a impacientar-se.


        — Por Deus!... Nada fiz que os outros não fizessem também.


        — Mas fostes o primeiro a chegar à muralha...


        — Foi el-rei que vos contou tudo isso?


        — Foi ele, em parte, e os outros ajudaram-no.


        — Os outros!...


        Sorriu e suspirou fundo, D. Gualdim. Depois, como quem falasse consigo próprio, o cavaleiro-monge declarou, numa voz serena e firme:


        — Com um rei como o nosso, que sempre está onde a luta se trava mais renhida, não podem haver descuidados ou cobardes... Eu fiz apenas o que me cumpria fazer.


        — Por isso el-rei vos reclama de novo em campo...


        — E lá estarei, se Deus quiser, para maior honra e glória de Deus!


        — Ámen...


        E silenciosamente, como chegara, o superior saiu da cela de Gualdim.


        Só, este ficou um momento imóvel, olhando um ponto vago no espaço. Depois os seus joelhos voltaram a roçar a terra, o seu busto esguio tornou a encurvar-se e as suas mãos mais uma vez cobriram o seu rosto, de olhar brilhante e feições vincadas.


        Em volta, o silêncio continuou silêncio e a penumbra, penumbra. Só o seu pensamento, feito senhor absoluto do ambiente, cresceu como único vencedor...


        No horizonte, uma nesga de luz impôs a sua presença às trevas da noite. Madrugada fresca de S. João. Em massa ainda indefinida, caminhava o exército lusitano. D. Afonso Henriques mandou fazer alto. Toda aquela enorme multidão estacou. A voz de el-rei D. Afonso Henriques voltou a ouvir-se. Queria falar a um dos seus cavaleiros. Foram buscá-lo sem demora.


        Subiu sonora e firme a voz do rei, como sempre que dava uma ordem.

        — Aproximai-vos, D. Gualdim!


        Submisso mas isento de humildade humilhante, o cavaleiro-monge curvou a cabeça.


        — Dizei, Senhor.


        Voltou o rei a falar com altivez:


        — Vou deixar aqui o exército sob as ordens de D. Ordonho. Preciso, primeiramente, de fazer um reconhecimento.
Admirou-se o cavaleiro.


        — Vós? Será perigoso! Ficai, que eu me sentirei honrado com a vossa mercê, se puder fazer esse reconhecimento em vosso lugar!
Franziu o rei as sobrancelhas espessas.


        — Disse-vos que desejo fazer um reconhecimento. E não lego em ninguém esse meu desejo!


        Arriscou ainda o cavaleiro-monge:


        — Mas... ides sair do campo?


        — Sim. Sairei disfarçado e acompanhado apenas por vós, D. Gualdim…


        Curvou o monge a cabeça, para logo olhar de frente o seu rei.


        — É grande a honra que me concedeis, Senhor! Tão grande como a responsabilidade, que me cabe, de vos trazer, de novo são e salvo.


        Sorriu ligeiramente o rei.


        — Nada temais! Quero apenas chegar junto do castelo dos mouros antes que o sol rompa. Preciso descer para Alcácer, e não quero deixar mal defendidas as nossas costas, com focos que poderão perder-nos. Este castelo terá de ser nosso. Mas preciso saber se chegou a hora de o tomar.


        — O castelo será vosso, como o têm sido os outros que tendes desejado!


        — Sim! — confirmou alegremente o rei. — Depois de Lisboa renderam-se os castelos de Almada, Sintra e Palmela. Este fica perto de Lisboa, e também terá de ser nosso, repito!


        — E eu repito também, se o permitis: sê-lo-á em breve!


        A expressão dura de D. Afonso Henriques adoçou-se. Mas a sua voz soou áspera e breve, como sempre.


        — Aprontai-vos e segui-me... Tenho pressa!


        A nesga de luz que impunha a sua presença às trevas da noite alargou-se mais. E o recorte do exército português tornou-se mais nítido na cinza rosada da manhã.


        A areia ensaibrada rangeu sob o metal do calçado do rei português. Do alto de todo o seu corpo imponente, D. Afonso Henriques olhava o castelo, sobranceiro e sereno. Tudo parecia calmo à volta. A própria pureza do ar, correndo como brisa, parecia um convite para tornar cristão mais aquele bocado de terra. O rei cofiou lentamente as barbas, enquanto lentamente, contra o seu costume, dizia ao companheiro:


        — Parece até um castelo de mouros encantados! Não se vê ninguém...


        — Custa a crer que nem tenham vigias!


        — Quem sabe?


        — Cuidado, Senhor! Descobri além um vulto a mover-se...


        O rei de Portugal franziu as sobrancelhas, numa concentração, enquanto dizia como se falasse consigo próprio:


        — Vim aqui para saber se a hora era propícia à conquista deste castelo. Mandai-me um sinal do Céu, ó Deus Todo-Poderoso! Mandai-me um sinal!


        D. Gualdim guardara silêncio. Mas vendo que o vulto corria agora direito a eles, preveniu:


        — Descobriram-nos! Vão dar o alarme!


        O rei semicerrou os olhos, numa tentativa de ver melhor na meia-luz da madrugada nascente.


        — Reparai bem, D. Gualdim! O vulto que corre para nós... é o de um cão enorme!


        O cavaleiro-monge concentrou todos os seus sentidos nesse vulto que corria direito a eles e se distinguia já perfeitamente.


        — Assim é, meu Senhor! Mas nunca vi um alão tão forte e grande! Teremos de o matar antes que dê o alarme...
Já o cão se dirigia na direcção do rei de Portugal. D. Gualdim gritou quase, ao mesmo tempo que puxava da espada:


        — Cuidado, Senhor!


        Mas D. Afonso Henriques suspendeu-lhe o gesto. O alão mal chegara junto do rei conquistador começara a lamber-lhe as mãos, dando saltos de imensa e estranha alegria. D. Afonso Henriques sorriu.


        — Reparai, D. Gualdim: o alão rende-me vassalagem! Recebe-me como a um libertador, ou como se me conhecesse há muito... Deve ser este o sinal do Céu! O avanço das nossas tropas far-se-á imediatamente e o castelo será nosso. O alão o quer!


        Como num eco, D. Gualdim repetiu:


        — O alão quer!


        E desta frase lendária, que ficou para todos os tempos, resultou a conquista de mais uma praça e o nome da terra que hoje se chama Alenquer. O sinal do Céu chegara e o rei de Portugal obedecera! E quando o Sol, em toda a sua pujança, longe das lamúrias da noite, dardejava os seus raios quentes sobre a terra morena, já o estandarte do rei de Portugal flutuava no alto do que fora um castelo de mouros!...


Gentil Marques  -  Alenquer.

Entendendo o conto:

01 – O que D. Gualdim estava fazendo no início do conto e de qual batalha importante ele estava descansando?

      D. Gualdim estava em sua cela semiobscurecida, profundamente entregue às suas orações e devoções. Ele estava descansando do desgaste físico e espiritual decorrente da famosa e difícil conquista de Lisboa.

02 – Quem interrompeu a oração de D. Gualdim e qual era o motivo dessa interrupção?

      O superior do convento interrompeu a oração. O motivo de sua presença era transmitir um desejo do rei D. Afonso Henriques, que convocava D. Gualdim para ir a campo novamente no romper do dia seguinte.

03 – Qual proeza de D. Gualdim na conquista de Lisboa foi recordada pelo monge superior?

      O monge relembrou quando D. Gualdim subiu as escarpas do monte sob chuva de pedregulhos, avançando com as armas nos dentes para deixar as mãos livres para escalar, sendo o primeiro a atingir a muralha inimiga.

04 – Por que o rei D. Afonso Henriques decidiu fazer um reconhecimento disfarçado e quem ele escolheu para acompanhá-lo?

      O rei queria examinar o castelo dos mouros antes do amanhecer para avaliar se era a hora propícia para tomá-lo, garantindo a segurança de suas costas antes de descer para Alcácer. Ele escolheu D. Gualdim para acompanhá-lo nessa perigosa missão.

05 – Que pedido o rei fez a Deus ao observar o castelo inimigo e notar que tudo parecia calmo demais?

      Olhando para o castelo imponente, D. Afonso Henriques pediu uma providência divina dizendo: "Vim aqui para saber se a hora era propícia à conquista deste castelo. Mandai-me um sinal do Céu, ó Deus Todo-Poderoso! Mandai-me um sinal!"

06 – Como o "sinal do Céu" se manifestou e qual foi a reação surpreendente do animal ao se aproximar do rei?

      O sinal manifestou-se na figura de um cão enorme (um alão) que correu na direção deles. Em vez de atacar ou dar o alarme, o animal começou a lamber as mãos do rei e a dar saltos de imensa alegria, rendendo-lhe vassalagem como se o reconhecesse como libertador.

07 – Qual é a origem lendária do nome da terra "Alenquer" segundo o desfecho do conto?

      O nome surgiu a partir da frase lendária dita pelo rei e repetida por D. Gualdim diante da reação do cão: "O alão o quer!" (ou "O alão quer!"). A partir dessa expressão, a praça foi conquistada e a região passou a se chamar Alenquer.

 

 

FÁBULA: A FORMIGA - ESOPO - COM GABARITO

 Fábula: A Formiga


        Diz uma lenda que a formiga atual era em outros tempos um homem que, consagrado aos trabalhos de agricultura, não se contentava com o produto de seu próprio esforço, senão que olhava com inveja o produto alheio e roubava os frutos de seus vizinhos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj_jK8vIhNX-TU-rRMOqheITy8XgHFfMV5yFmlPQ1QqTuNiCnC_JJfSV0nI3cSspmoitOfFnj6BdjG5IqRcPpOmGpLOrfo8si6Q8Pgr_NCOELzehDvsWg0FNhDnuMXXeWHPDqBRKMrRddG0J0JZ4BDqX6xzGamg2kPRlaVjrIQj07SiCdEouxHrJeeOE3w/s1600/FORMIGA.jpg


        Indignado Zeus pela avareza deste homem, transformou-o em formiga.

        Porém ainda que tenha mudado de forma, não mudou seu caráter, pois até hoje percorre os campos e recolhe o trigo e a cevada alheios e os guarda para seu uso.


Moral da Estória: Ainda que aos malvados se lhes castigue severamente, dificilmente mudarão sua natureza.

 

Fábulas de Esopo.

Entendendo a fábula:

01 – De acordo com a lenda, como era a vida da formiga antes de ser transformada e quais eram os seus principais defeitos?

      Antes da transformação, a formiga era um homem dedicado à agricultura. Os seus principais defeitos eram a inveja e a avareza, pois ele não se contentava com o resultado do seu próprio trabalho e preferia cobiçar e roubar os frutos do esforço dos seus vizinhos.

02 – Qual foi a reação do deus Zeus perante o comportamento do agricultor e que punição lhe aplicou?

      Zeus ficou profundamente indignado com a ganância e a desonestidade do homem. Como castigo por essa avareza, o deus transformou-o num inseto: a formiga.

03 – Que semelhanças no comportamento da formiga atual provam que ela manteve o seu caráter da vida passada?

      Mesmo com o corpo de um inseto, o seu caráter permaneceu o mesmo. A prova disso é que a formiga continua a percorrer os campos para recolher e acumular o trigo e a cevada que foram cultivados e produzidos por outros, guardando-os egoisticamente para o seu próprio uso.

04 – Como a metamorfose imposta por Zeus falhou em alcançar uma mudança interna no homem?

      A punição de Zeus alterou apenas a forma física (a aparência externa) do homem, transformando-o num animal pequeno. No entanto, o castigo falhou em regenerar a sua mente ou a sua moral, mostrando que a essência gananciosa do indivíduo permaneceu intacta.

05 – Explique a relação entre as ações da formiga e a moral da história: "Ainda que aos malvados se lhes castigue severamente, dificilmente mudarão sua natureza."

      A moral reflete-se perfeitamente no facto de que, apesar de o homem ter sofrido um castigo divino severo e humilhante (perder a sua condição humana), ele não se arrependeu. Isso demonstra que as penalizações externas, por mais duras que sejam, raramente conseguem transformar o caráter de alguém que é intrinsecamente mau ou egoísta; a criatura apenas adapta a sua maldade à nova realidade.

 

FÁBULA: O LEÃO, , A RAPOSA E O RATO - ESOPO - COM GABARITO

 Fábula: O Leão, a Raposa e o Rato


        Era um dia de Verão, o Sol ia alto no horizonte e o Leão dormia calmamente a sua sesta. Nisto, um Rato trepou para cima dele e desatou a correr. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6DtEF_w11gwQCNs9RdTU7tidY-8WqG4bQ5S2sSaqix-CRz_BVC3Fm6Yyrl2RGdHfwRhUbY67aR3FKHriREYMrTZp08mmx0ozDrJEWP7P8I6amFUigNavGKAh26SSpoIIKDMbu8oagyRcZwqxm-px4FNaGvl_pC-WhTO_pdhK5BR4gXEONivOwO7QIDiI/s320/leao.jpg


O Leão acordou sobressaltado e pôs-se às voltas sobre si mesmo, à procura do Rato. A Raposa, que o observava, criticou-o dizendo:

        -- Que grande Leão, cheio de medo de um Rato...

        -- Não é do Rato que tenho medo – respondeu-lhe o Leão.

        -- Estou admirado com o seu à vontade e com a sua coragem.


Moral da história: Nunca subestimes o valor dos outros.

 

Fábula de Esopo.

Entendendo a fábula:

01 – Como a raposa interpretou a reação inicial do leão ao acordar sobressaltado e qual foi a crítica que ela fez?

      A raposa interpretou a reação do leão como um sinal de covardia. Ela julgou que o "rei da selva", por estar a dar voltas sobre si mesmo à procura do rato, estava cheio de medo de um animal tão pequeno e frágil, criticando-o ironicamente por essa aparente falta de coragem.

02 – Qual foi a verdadeira razão apresentada pelo leão para a sua inquietação após o despertar?

      O leão explicou que a sua atitude não era motivada pelo medo do rato em si. Na verdade, o que o deixou intrigado e admirado foi a audácia, o à-vontade e a coragem invulgar que o pequeno roedor demonstrou ao atrever-se a trepar e correr por cima de um predador de grande porte.

03 – De que forma o comportamento do rato desafia as expectativas normais num ambiente selvagem?

      Geralmente, espera-se que um animal pequeno como o rato fuja ou se esconda de um leão para garantir a sua sobrevivência. Ao subir para cima do leão e correr livremente, o rato quebra essa expectativa de submissão ou medo, demonstrando uma ousadia que surpreendeu o próprio felino.

04 – Relacione a resposta do leão com a moral da história: "Nunca subestimes o valor dos outros."

      Embora o rato seja fisicamente insignificante comparado ao leão, o leão soube reconhecer e valorizar uma qualidade nobre no roedor: a coragem. Ao invés de o esmagar ou menosprezar pelo seu tamanho, o leão validou a atitude do rato, o que se alinha perfeitamente com a moral de não julgar ou subestimar o valor de alguém pelas suas aparências ou dimensões.

05 – Como a perspectiva da raposa difere da perspectiva do leão nesta fábula?

      A raposa tem uma visão superficial e preconceituosa, focando-se apenas no tamanho dos animais e assumindo imediatamente que o leão deveria ser superior e implacável. Já o leão demonstra uma visão mais madura e observadora, sendo capaz de olhar além do tamanho físico do rato para admirar o seu comportamento e a sua valentia.

 

 

 

CONTO: O CASTELO DE AREIA - AUTOR DESCONHECIDO - COM GABARITO

 Conto: O castelo de areia


        Era uma praia muito carregada de gente. Toldos e barracas de lona tapavam a vista do mar. Chapéus-de-sol, em cacho, uns sobre os outros, tapavam a vista do céu.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgdOLwuVrp728bvUmDwNGqZbr1x8NCiQquQTkrg6mmos1giefIU4rZnzycP5qYsNvhcnNhhlVB1ONkyPqm-URmKBAHVMODDjX46R2ZtmJ9i9lUYn82f3RL54SEozausdy2VAgNlYWaMiRnXeuni3Hck-rvNy_ujTNbaGPxL6e9nGXfnPNtvCe2PNN3DL2c/s320/areia.jpg


        Para que um banhista, mesmo magrinho, conseguisse estender a toalha de banho sobre a areia, tinha de pedir? “Com licença, com licença” aos vizinhos, para que se chegassem um pouco mais para o lado. Então, toda a praia se movia, à esquerda e à direita, como uma onda e as pessoas, sucessivamente, diziam? “Com licença, com licença”, a pedirem espaço ao vizinho do lado, até nos dois extremos da praia os últimos banhistas gritarem: “Não apertem mais!” E estes últimos banhistas acabavam por ter de ficar em pé, de encontro à muralha.

        -- Quero fazer um castelo de areia – disse o menino, que tinha trazido para a praia um balde novo e uma pá e um ancinho.

        -- Só quando o teu pai for tomar banho – disse a mãe.

        -- Para que lado é que é a água? – perguntou o pai.

        -- Acho que é para ali – apontou a mãe. – Foi donde veio ainda agora aquele senhor, que está a limpar-se.

        O pai, para ter a certeza, foi perguntar ao tal senhor:

        -- O mar estava bom?

        -- Não sei – respondeu o senhor, que esfregava furiosamente a cabeça com uma toalha. – Não encontrei mar nenhum. Para me refrescar, tive de ir tomar duche a um balneário.

        -- Se fosse a ti não saía de ao pé de nós – disse a mãe do menino. – Vais e, depois nunca mais nos encontras, no meio de tanta gente.

        -- Então quando é que eu faço o castelo de areia? – perguntou o menino, já amuado.

        -- Descansa que eu vou já tomar banho – disse o pai. – Para voltar, oriento-me pela cor do nosso chapéu-de-sol.

        -- Há milhares de chapéus-de-sol iguais – disse a mãe, mas o marido dela e pai do menino já ia longe.

        Ia, todo satisfeito, a caminho do mar, embora só muito mais tarde viesse a descobrir, quando chegou à estrada, que se tinha enganado.

        O menino pôs-se a construir o castelo de areia, cheio de entusiasmo. Depois de ter erguido o torreão e a primeira cintura de ameias, lembrou-se de pedir à mãe:

        -- Quero um gelado.

        A mãe escusou-se, explicando-lhe que se ela fosse procurar a barraca dos gelados, ia ser muito difícil depois dar de novo com o sítio onde estavam.

        Mas o menino insistiu tanto, que ela acedeu.

        No bocado de areia deixado livre pela mãe, o menino acrescentou ao castelo uma segunda cintura de muralhas e um fosso todo à volta. Estava um trabalho perfeito e já com uma certa dimensão.

        Passou que tempos.

        -- Estou cheio de fome – gritou o menino, sem tirar os olhos da sua construção, que já tinha preenchido todo o espaço disponível.
Um par de namorados, que estava estendido ao lado, condoeu-se daquele menino, que se perdera dos pais, e foi procurar o cabo-do-mar, para dar-lhe conta da ocorrência. Os namorados partiram de mão dada, tendo a mãe da rapariga recomendado que não se demorassem.

        Pois sim. A verdade é que se demoraram, tanto que a mãe da rapariga, muito enervada, resolveu ir à cata deles, pela praia fora.

        A obra crescia a olhos vistos. Era um imponente amuralhado com várias cercas e fossas, torres anexas e trincheiras defensivas, esculpidas com primor pelos dedos hábeis do menino, esquecido de tudo o mais à sua volta.

        Preenchia uma importante extensão de terreno, que até parecia impossível que, no aperto de tanta gente, ainda houvesse um quadrado de areia disponível para um menino brincar tão à vontade.

        Declinava o sol, quando o pai regressou, tiritando. Logo a seguir apareceu a mãe, com um gelado todo derretido. Abraçaram-se, como se já tivessem perdido a esperança de voltarem a encontrar-se.

        -- Este dia correu muito mal – concordaram os pais.

        Só o menino não era da mesma opinião.

Autor desconhecido.

Entendendo o conto:

 

01 – De que forma o autor descreve a superlotação da praia no início do texto e que consequências isso trazia para os banhistas?

        O autor descreve uma praia extremamente cheia, onde toldos, barracas e chapéus-de-sol em "cacho" tapavam completamente a vista do mar e do céu. Para conseguir um espaço na areia, as pessoas tinham de pedir licença sucessivamente, gerando um efeito de onda que empurrava os últimos banhistas das extremidades para a muralha, onde eram obrigados a ficar de pé.

02 – Por que razão o pai do menino teve dificuldade em encontrar o mar e o que acabou por lhe acontecer?

      A praia estava tão cheia e a vista tão obstruída que nem sequer se conseguia ver onde ficava a água. O pai tentou guiar-se pelas indicações da mãe e pela direção de outro banhista, mas acabou por se enganar no caminho e foi parar à estrada, descobrindo o erro muito mais tarde.

03 – Qual foi a condição imposta pela mãe para que o menino pudesse começar a construir o seu castelo de areia e por que razão ela hesitou em ir comprar o gelado?

      A mãe estabeleceu que o menino só poderia fazer o castelo quando o pai fosse tomar banho, presumivelmente para aproveitar o espaço que o pai deixaria vago ao levantar-se. Mais tarde, ela hesitou em comprar o gelado porque temia perder-se e não conseguir encontrar novamente o local onde tinham estendido as toalhas, devido à imensidão de pessoas iguais.

04 – Como o menino conseguiu expandir tanto o seu castelo de areia num espaço inicialmente tão apertado?

      O menino aproveitou o espaço deixado livre pelas pessoas que se iam ausentando. Primeiro, usou o espaço do pai; depois, expandiu o castelo para o lugar da mãe quando esta foi buscar o gelado; e, finalmente, ocupou o espaço do par de namorados e da mãe da rapariga que saíram para se procurar uns aos outros.

05 – O que motivou a saída do par de namorados e da mãe da rapariga do seu lugar na areia?

      O par de namorados sentiu pena do menino, achando que ele estava abandonado e perdido dos pais porque gritava que tinha fome sozinho. Por isso, afastaram-se para procurar o cabo-do-mar. Como os namorados demoraram a voltar, a mãe da rapariga ficou enervada e decidiu ir atrás deles pela praia afora, libertando ainda mais espaço.

06 – Descreva a evolução da construção do menino ao longo do conto e o que isso demonstra sobre o seu estado de espírito.

      O castelo começou de forma simples, com um torreão e uma cintura de ameias. À medida que as pessoas se afastavam, transformou-se numa obra imponente com uma segunda muralha, fossos, várias cercas, torres anexas e trincheiras esculpidas com primor. Isto demonstra que o menino estava totalmente focado, entusiasmado e alheio à confusão e aos problemas dos adultos ao seu redor.

07 – Por que razão, no final do dia, a opinião do menino era diferente da opinião dos seus pais sobre como correu o dia de praia?

      Para os pais, o dia correu muito mal porque se perderam, enfrentaram a enorme confusão da praia e viveram momentos de grande stresse e ansiedade. Para o menino, o dia foi excelente porque o facto de os adultos se terem perdido uns dos outros deu-lhe o espaço e o tempo necessários para realizar o seu grande objetivo: construir um castelo de areia perfeito e gigante.