sexta-feira, 27 de março de 2026

LENDA PORTUGUESA - A ÁGUA DE SÃO GENS - COM GABARITO

 Lenda Portuguesa - A Água de São Gens

 

Junto da povoação de Santos, freguesia de Mação, eleva-se monte bastante alto, de forma conica, cujo vertice é coroado pela branca capelinha de São Gens.
Este monte, terminado em pico, tem todas as caracteristicas dos de origem vulcanica, não lhe faltando a existencia de peixes, plantas e moluscos fossilisados, que ali se teem encontrado em abundancia.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhbCoW5IDhVjSzu5hqKKJyQaC51H-FdAHMIGCV3rs3QLFnmOWjNrQCr3eRh6u7Ppj5AevZhOL-fMeUsM9yHVCzKpGP8UZdljZnKr_cpH3DU4H37QlFyfm_dw1jDmeJyLL-HHlJKxdBlvhxz4eoGRvlz9iGGT1C9_7f7BrNCa-pCWYC0hdRGCUywxTT58TE/s1600/santos.jpg


Proximo da capelinha, para o lado sul, existe o resto de uma fonte arcada que se acha obstruida com pedras e lôdo, cuja agua foi sempre e ainda presentemente é, considerada milagrosa, muito procurada pelo povo desta região para a cura do fastio.
Esta agua, quer de inverno, quer de verão, sobe sómente até á altura das paredes da fonte; e se alguma extravasa sóme-se logo ali para não mais ser vista, atribuindo-se isso a um milagre de São Gens, como consta da seguinte lenda, que os povos destes sitios teem conservado e transmitido de geração em geração.
O monte, cheio de pinheiros e de expessos matagaes foi, em tempos remotos atacado por um violento incendio que consumiu toda a sua vegetação, á excepção, porem, da do vertice, que o incendio respeitou, ficando incolumes touças de torga, maninhos e pinheiros, que continuaram a verdejar no meio daquele quadro desolador de carvão e cinza.
Movidas de curiosidade foram ali algumas pessoas no intuito de descobrirem a causa d’aquele facto; e, percorrendo o local, foram encontrar em uma lapinha dos penhascos ao cimo do monte, a imagem de S. Gens, crendo então que por milagre dele o incendio não consumiu aquela parte do monte!
Dada a noticia do aparecimento do Santo aos povos circunvisinhos de Santos, Caratão e Castelo, resolveram eles trazer o Santo em procissão desde o alto do monte até ás abas do mesmo, onde se achava a Capela de S. Mateus e ali o colocaram.
No dia seguinte, porem, deram pela sua falta, tendo desaparecido misteriosamente. Procurando-o por toda a parte foram encontrai-o na mesma lapinha onde fora achado na vespera.
Trazido novamente para a Capela de S. Mateus mais uma vez desapareceu d’ali, sendo depois encontrado no mesmo sitio no alto do monte; pelo que o povo compreendeu que S. Gens com a sua fuga queria indicar-lhes que lhe fizessem ali uma capela; por isso trataram os habitantes circunvisinhos de a construirem começando desde logo a preparar os materiaes necessarios. Ao começar a obra lamentaram que seria muito penosa a condução da agua necessaria, pois que teriam de ir por ela a consideravel distancia e leva-la para o alto de tão ingreme outeiro; porisso toda aquela gente pediu ao Santo o seu patrocinio para que os livrasse desta dificuldade.
As suas préces foram ouvidas porque logo ali apareceu uma nascente de agua, que brotando impetuosa de uns penhascos, corria pelo monte abaixo até ao vale.
Cantando louvores ao Santo por aquele milagre edificaram em seguida a capela onde S. Gens ficou até hoje, e construiram no sitio onde a agua brotou a fonte de agua milagrosa que todas as gerações até ao presente têm usado com exito para a cura do fastio.
Não acaba ainda aqui a série de milagres de S. Gens:
Como a nascente era muito abundante os povos circunvisinhos lançaram mão daquelas aguas para a rega das suas propriedades; mas não se entendendo uns com os outros ácerca da partilha delas, querendo todos regar ao mesmo tempo, resultou dahi uma série de conflictos entre os interessados, que em continuas contendas e brigas disputavam a prioridade do uso das aguas para regas.
Em um ano, tão graves foram essas brigas que chegou a haver mortes de alguns individuos, facto que motivou grandes odios e malquerenças entre aquela gente outrora tão amiga.
São Gens, não querendo, certamente, que as suas aguas originassem tantos pecados nos homens, fez novo milagre: dali em deante as aguas que ali nasciam chegavam sómente até á altura das paredes do tanque da fonte, deixando de correr pelo monte abaixo, e se alguma trasbordava sumia-se logo ali, desaparecendo sem ninguem mais a ver; o que ainda hoje sucede.
Vendo neste acontecimento a intervenção de S. Gens, os povos contendores congrassaram-se e resignaram-se a ficarem sem agua para as regas dos seus predios como castigo ao seu egoismo e ás suas maldades.
A agua ainda hoje continua a nascer e a desaparecer junto á fonte, ainda mesmo no tempo das grandes chuvas de inverno, e continua a ser procurada e usada pelos doentes que sofrem de fastio, não sendo raro ouvir dizer para os indivíduos que comem com muito apetite: «Tu não necessitas beber agua de São Gens !»

Entendendo o texto

 

01. Onde se localiza a capelinha de São Gens e qual é a forma do monte onde ela está?

a. No centro da vila de Mação, em um terreno plano.

b. No topo de um monte alto e de forma cônica, na povoação de Santos.

c. Dentro de uma caverna profunda perto de um rio.

d. No alto de uma falésia à beira-mar.

02. Que fato curioso aconteceu durante um violento incêndio que atingiu o monte em tempos remotos?

a. O fogo consumiu apenas a capela, deixando o resto da vegetação intacta.

b. O incêndio apagou-se sozinho assim que começou a chover.

c. A vegetação do topo do monte permaneceu verde e intacta, enquanto o resto ardeu.

d. Todos os animais do monte fugiram para a capela de São Mateus.

03. Onde a imagem de São Gens foi encontrada pela primeira vez? a. Dentro da Capela de São Mateus, nas abas do monte.

b. No meio de um pinhal que não ardeu.

c. Enterrada junto à fonte de água milagrosa.

d. Em uma lapinha (pequena gruta) nos penhascos ao cimo do monte.

04. Por que o povo decidiu construir a capela no topo do monte, apesar de ser um local íngreme e difícil?

a. Porque o terreno no alto era mais barato e espaçoso.

b. Porque a imagem do santo desaparecia da capela de baixo e voltava sempre para a lapinha no topo.

c. Porque o rei daquela região ordenou que os santos ficassem em lugares altos.

d. Porque no topo do monte já existia uma fonte de água para os pedreiros.

05. Qual foi o milagre que facilitou a construção da capela no alto do monte?

a. As pedras subiram sozinhas até o topo do outeiro.

b. Os anjos desceram do céu para ajudar os trabalhadores.

c. Apareceu uma nascente de água impetuosa entre os penhascos para ajudar na obra.

d. O caminho para o topo tornou-se plano durante o tempo da construção.

06. Para que finalidade a água de São Gens passou a ser procurada pelo povo da região?

a. Para lavar roupas e deixá-las mais brancas.

b. Para a cura do "fastio" (falta de apetite).

c. Para transformar metais comuns em ouro.

d. Para regar as plantações de trigo durante a seca.

07. O que causou o fim da harmonia entre os povos de Santos, Caratão e Castelo?

a. A disputa sobre quem deveria ser o vigia da capela.

b. O roubo da imagem de São Gens por uma aldeia vizinha.

c. Brigas e conflitos violentos pela posse e partilha da água para regar propriedades.

d. A construção de uma estrada que separava as três aldeias.

08. De que forma São Gens "castigou" o egoísmo dos moradores que brigavam pela água?

a. Ele secou a fonte completamente, deixando o povo com sede.

b. Ele fez com que a água ficasse amarga e impossível de beber.

c. Ele transformou a água em pedra assim que ela saía da fonte.

d. Ele fez com que a água parasse de correr monte abaixo, sumindo assim que transbordava do tanque.

09. Qual é o comportamento atual da água da fonte, mesmo em tempos de grandes chuvas de inverno?

a. Ela inunda o vale, como acontecia antigamente.

b. Ela sobe apenas até a altura das paredes da fonte e some se transbordar.

c. Ela muda de cor para avisar que vai haver uma tempestade.

d. Ela para de brotar durante os meses de dezembro e janeiro.

10. O que significa o ditado popular local: "Tu não necessitas beber água de São Gens!"?

a. Significa que a pessoa está muito doente e precisa de um médico.

b. É um elogio para quem é muito devoto ao santo.

c. É dito para pessoas que têm muito apetite e comem bem.

d. É um aviso de que a água da fonte está poluída com lodo.

 

 

 

 

LENDA PORTUGUESA - UMA LENDA PARA A NOITE DE S.JOÃO: A MOURA DE ALGOSO - FERNANDA FRAZÃO - COM GABARITO

 Uma lenda para a noite de S.João: A moura de Algoso

Lendas Portuguesas de Fernanda Frazão

 

Algoso é uma pequena aldeia perdida nas serranias transmontanas. Diz uma lenda que ainda hoje por lá corre que, no tempo dos Mouros, existia nos arredores um bruxo famoso, conhecedor de mezinhas milagrosas e sabedor do passado e do futuro. Vivia num casebre um pouco afastado da povoação, mas nem a pobreza da sua casa, nem o afastamento da mesmo obstavam a que ali acorressem quantos acreditavam nas suas capacidades mágicas ou videntes.
Na verdade, ricos e pobres, de longe ou de perto, todos ali acudiam em busca de cura para os seus males, pedindo filtros de amor ou indagando sobre o que lhes reservaria o futuro. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinpyiP0qhbiU1mNCZKOBlzr37EVpZHFz2Kq4IniZOpxkHJUMKvrnqYhF0845-Xk4KatLxV21cQiGnRmIAX4R30dAb5DMCz6okYCCxvGecqeC01yTb7aPqnUgnv79b2HYRZqE9KiPxSYChoZ2OOSjt0fg4_c9ESH88xQK_I6iodyJR1Y0T6N5OaKrJLGLw/s320/ANTONIO.png


Em certos dias era uma autêntica romaria. E com tudo isto o bruxo criou fama e proveito de homem rico, apesar de continuar a viver no pobre casebre tentando fazer-se passar por miserável.
Entretanto, os cristãos iam avançando na reconquista do território ainda sobre a dependência dos Mouros e estavam a aproximar-se rapidamente de Algoso. Sabendo disto o bruxo, que não podia prever o seu próprio futuro, calculou que a ocupação cristã não viesse a ser muito demorada e decidiu esconder os seus tesouros, disposto a recuperá-los mais tarde, quando pudesse recuperar o seu oficio.
Assim pensando, escolheu o que poderia carregar consigo, e o restante, as jóias e o ouro, meteu-o num cofre de marfim chapeado a cobre. Feito isto, e como precisava de encontrar um bom esconderijo para a sua fortuna, partiu com o cofre debaixo do braço em demanda do melhor local.
Depois de muito procurar, achou que o melhor sitio era debaixo da fonte de S. João, debaixo das raízes de um enorme e belo chorão que derramava a sua sombra as águas. Pegou numa enxadinha e cavou um buraco apropriado ao tamanho do cofre. Meteu-o lá dentro, tapou-o com terra e disfarçou a obra com folhagem e gravetos.
Terminado o trabalho, levantou-se e olhou em volta. Espantado, viu uma mourinha que, descuidada, descia uma vereda da serra cantando uma velha canção. Convencido que a moura o vira esconder o cofre e estava agora disfarçando o caso, o bruxo encaminhou-se para ela, olhou-a com uma estranha fixidez, fez uns sinais misteriosos e, recitando certa oração antiga, lançou sobre a menina um encantamento, de tal modo que ela desapareceu no mesmo instante.
Casquinhando, esfregou as mãos, pegou nos seus haveres e desandou rapidamente para a floresta, donde nunca mais voltou. A lenda da moura de Algoso foi passando de boca em ouvido, de geração em geração.
A fonte de S. João de resto, continuava ali, lembrando a todos a desdita da mourinha encantada pelo bruxo e desafiando a coragem de quem sonhasse desencantá-la.
Uma noite, muito próxima da de S. João, uma rapaz de Algoso que se apaixonara pela história sonhou que via a moura na fonte. Mal acordou, decidiu que, desse lá por onde desse, havia de tentar ver na madrugada de S. João se a lenda era verdadeira. Além disso, como corria se alguém visse a moura nas suas horas felizes lhe podia fazer três pedidos, os quais seriam atendidos, o rapaz achou que, apesar do medo, era talvez vantajoso fazer aquela tentativa.
Na véspera de S. João, encaminhou-se para a fonte ainda antes de anoitecer por completo. Procurou um local para se esconder, um local de onde visse sem ser visto, e preparou-se para esperar pela meia noite sem fazer ruído algum. O velho chorão da fonte, já centenário, continuava lançando sobre a água os seus ramos lacrimejantes. Do outro lado, havia agora um belíssimo roseiral, donde provinha um perfume intenso quando todas as rosas abriam.
Chegou a meia noite. De repente o rapaz ouviu uma restolhada vinda das bandas do roseiral. Era uma enorme serpente que, rastejando, se dirigia para a fonte. Aí chegada, mergulhou três vezes. Qual não foi o espanto do moço quando viu aparecer sobre as águas uma menina: a moura da fonte e... mais bela do que tradição contava!
A moura saltou com leveza da rocha para o solo e, sentando-se na borda da fonte, começou a cantar uma suave canção que o marulhar da água acompanhava, enquanto ela ia passando um pente pelos seus cabelos loiros. Subitamente, uma corça apareceu vinda da floresta e, sem mostrar qualquer receio, aproximou-se da moura, que a afagou com ternura. A corça, num gesto de agradecimento, lambeu-lhe as babuchas de damasco azul.
Era realmente um espectáculo de beleza que o rapaz jamais esperava encontrar, E, acocorado no seu canto, esqueceu os três pedidos que queria fazer, esqueceu tudo, esqueceu-se até de si mesmo, até que, bruscamente, a moura parou de se pentear, debruçou-se no tanque e desatou num pranto irreprimível. Chorava, talvez, a dor da sua solidão sem fim.
Condoído, o rapaz fez um movimento para a consolar, esquecido do que não fosse aquela ânsia de ternura que dele se apoderara. Ao erguer-se, porém, fez estalar sob o corpo os ramos da sebe em que se escondera. A corça embrenhou-se rapidamente no mato e a moura desapareceu subitamente, evolando-se numa névoa sobre a águas da fonte de S. João de Algoso.

in Lendas Portuguesas de Fernanda Frazão

 

Entendendo o texto

 

01. Onde vivia o bruxo de Algoso e como era a sua habitação?

a. Num castelo luxuoso no centro da aldeia.

b. Num casebre pobre e um pouco afastado da povoação.

c. Debaixo da fonte de São João.

d. Numa caverna escondida nas serranias.

02. Por que razão as pessoas procuravam o bruxo de Algoso?

a. Para aprenderem a ler e a escrever.

b. Para comprarem gado e sementes para a lavoura.

c. Em busca de curas, filtros de amor ou para saberem o futuro.

d. Para pedirem proteção contra os soldados cristãos.

03. Qual foi o motivo que levou o bruxo a decidir esconder os seus tesouros?

a. O avanço dos cristãos na reconquista do território.

b. Ele tinha medo que os habitantes da aldeia o assaltassem.

c. Ele ia viajar para um reino distante e não queria levar peso.

d. Ele queria testar a honestidade da mourinha.

04. Onde é que o bruxo escolheu esconder o seu cofre de marfim? a. No fundo de um poço seco na floresta.

b. Debaixo das raízes de um chorão, junto à fonte de S. João.

c. Atrás de uma rocha no topo da serra.

d. Dentro das paredes do seu casebre.

05. Por que motivo o bruxo lançou um encantamento sobre a mourinha?

a. Porque ela tentou roubar o cofre de marfim.

b. Porque ele precisava de uma ajudante para as suas mezinhas.

c. Porque ele achou que ela o tinha visto esconder o tesouro.

d. Porque ela o insultou enquanto descia a vereda.

06. O que dizia a lenda sobre quem conseguisse ver a moura nas suas "horas felizes"?

a. Que a pessoa ganharia todo o ouro do bruxo imediatamente.

b. Que a pessoa teria direito a fazer três pedidos que seriam atendidos.

c. Que a pessoa se transformaria também numa criatura mágica.

d. Que a pessoa teria de ficar para sempre a guardar a fonte.

07. Que animal apareceu na fonte à meia-noite antes de surgir a bela menina?

a. Uma corça mansa vinda da floresta.

b. Uma águia real que desceu do céu.

c. Uma enorme serpente que mergulhou três vezes na água.

d. Um peixe dourado que saltou do tanque.

08. Como é que a moura se comportava enquanto estava sentada na borda da fonte?

a. Estava a lavar o rosto e a beber a água fresca.

b. Cantava uma canção suave enquanto penteava os cabelos loiros.

c. Escondia o cofre de marfim com gravetos e folhas.

d. Discutia com a corça sobre o bruxo de Algoso.

09. Por que razão o rapaz não chegou a fazer os pedidos que tinha planeado?

a. Porque ele ficou tão deslumbrado e comovido que se esqueceu de tudo.

b. Porque ele teve medo da serpente e fugiu a correr.

c. Porque ele não conseguiu chegar perto da fonte a tempo.

d. Porque a moura começou a rir dele e ele ficou envergonhado.

10. O que causou o desaparecimento súbito da moura e da corça no final?

a. O sol começou a nascer e o encanto quebrou-se.

b. O bruxo apareceu e levou a menina para a floresta.

c. O rapaz fez barulho ao levantar-se, fazendo estalar os ramos da sebe.

d. A corça deu um grito de alerta ao ver o rapaz.

LENDA ÁRABE - O ELEFANTE FURIOSO - COM GABARITO

 Lenda Árabe – O elefante furioso

  Na floresta de Shaiva, na índia, vivia um sábio que tinha vários discípulos, aos quais falava sempre sobre pontos obscuros de doutrinas e religiões.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjmfR3cYqF4TriWc4UCkfKfTW0qW9n43qEsHThQcv4myVHNL1ag2YWTOJEf5QFLO8ehkg-STPC6hWmGVgfcNceIztlFdqr3-dT4AkCJJzCg_iEHzMZsGh-QVtMKDzXxDLmmK9T711C_qd7JNYt-N7u5JTFrEDE-vzmNCct1T8fMnhiNMDo7Zzf8Ra9ZLbM/s1600/elefante.jpg


Certo dia este sábio ensinou palavras que provinham das escrituras sagradas:
"Deus reside em tudo do universo. Tanto no homem quanto na víbora. Tanto no elefante quanto na pedra solta na estrada."
Ajamila, o mais jovem dos discípulos, guardou fielmente os ensinamentos, profundos e filosóficos, ensinados pelo mestre.
E um dia, quando voltara de um monte onde fora buscar lenha, encontrou um homem que conduzia um elefante furioso.
O homem, que percebeu que não estava conseguindo dominar o animal, começou a gritar:
- Hei! Você, saia do caminho, o elefante está furioso!!
Em vez de fugir, o discípulo lembrou dos ensinamentos de seu mestre e pensou:
"Deus está naquele elefante.
Logo, não poderá me fazer mal, afinal, Deus não faz mal a ninguém." Então não se afastou. O elefante então atacou o imprudente e deixou-o atirado ao solo, ferido e sem sentidos.
Dois lenhadores que passavam por ali levaram o jovem até onde vivia o sábio. Quando recuperou os sentidos, Ajamila contou ao sábio o ocorrido e o motivo pelo qual ele não se afastou do elefante.
- Meu filho - explicou o sábio - é verdade que Deus está em todas as coisas, inclusive num elefante furioso.
Mas se estava manifestado no elefante, não deixava de estar igualmente em seu condutor. Por que não prestastes atenção nos conselhos cautelosos do homem, então?

Entendendo o texto

 

01. Qual foi o ensinamento principal que o mestre transmitiu aos seus discípulos no início da história?

a. Que os animais da floresta de Shaiva eram todos sagrados e perigosos.

b. Que a divindade reside em todas as coisas do universo, tanto em seres vivos quanto em objetos.

c. Que os discípulos deveriam buscar lenha no monte todos os dias para provar sua fé.

d. Que o homem é superior a todos os outros elementos da natureza, como as pedras.

02. Diante do elefante furioso, qual foi o raciocínio de Ajamila para decidir não sair do caminho?

a. Ele acreditava que era mais forte que o animal e poderia dominá-lo.

b. Ele pensou que, se Deus estava no elefante, o animal não poderia lhe fazer mal.

c. Ele não ouviu os gritos do condutor porque estava distraído com a lenha.

d. Ele queria testar se o elefante era realmente furioso ou se era apenas um truque.

03. O que aconteceu com o jovem discípulo após ele se recusar a sair da frente do elefante?

a. O elefante parou e se curvou diante da sabedoria do jovem.

b. O condutor conseguiu desviar o animal no último segundo.

c. Deus manifestou-se e transformou o elefante em uma estátua de pedra.

d. O elefante atacou Ajamila, deixando-o ferido e sem sentidos no chão.

04. Na explicação final do sábio, qual foi o erro de interpretação cometido por Ajamila?

a. Ele esqueceu que Deus não habita em animais furiosos, apenas em animais calmos.

b. Ele deveria ter rezado mais alto para que o elefante o ouvisse.

c. Ele ignorou que Deus também estava manifestado no condutor e nos seus avisos de perigo.

d. Ele não deveria ter ido buscar lenha naquele dia específico.

05. Qual é a principal lição de moral ou "sabedoria" que a lenda pretende transmitir?

a. Que a fé e os ensinamentos espirituais devem ser acompanhados de bom senso e prudência prática.

b. Que a religião e a filosofia não servem para proteger as pessoas de perigos reais.

c. Que devemos sempre fugir de qualquer animal, independentemente do que dizem as escrituras.

d. Que os condutores de elefantes são os únicos que possuem a verdadeira sabedoria.

CONTO DO JOÃO JOGADOR - IRMÃOS GRIMM - COM GABARITO

  Conto do João Jogador

                 Irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm Grimm).


Uma mulher e um homem tiveram um filho. Quando ele nasceu puseram-lhe o nome de João. Desde o tempo em que era pequeno até crescer, só queria jogar cartas.
Deixou então a casa dos pais para viajar, procurando quem quisesse jogar cartas com ele. Todos lhe chamavam João Jogador. Depois de ter ganho a todos dentro do seu reino, foi de reino em reino, sempre a jogar cartas. No jogo de cartas, ninguém lhe ganhava. Vivia como um rei.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhwoV7D_twv-lhRUZzQya6IwMo-ETxYVbocjmGD1RXMhUCU1UR6mfQLRJA4J0o3I1bbX-1bTaIRSjeyQ7klSNp-imW1XvHWmjTU3OYl2DCqUKow5yoBaqkqF2PzwlvdZKD-YQQVG94fjs5llQGrEogvM7WF-0JOQOl_3LRNImbNrJAb-OaQ7hYdAgLtH9g/s320/contosinfancialar2.jpg
 

Era muito vaidoso por causa disto. Um dia foi para terra estrangeira. Lá falou pomposamente de si mesmo, “Deixem saber que se um homem aparecer aqui para jogar eu não lhe viro as costas, deixem saber!” Assim que ele acabou de dizer estas palavras, apareceu à sua frente um gigante. O gigante disse-lhe “Amigo! Estás a desafiar-me? Eu aceito.”João disse-lhe “É o que desejo realmente.”
Os dois começaram a jogar. No início, o gigante começou a perder. Apostou as posses da sua casa, como ouro e prata, assim como todas as outras coisas, e tudo João ganhou. A seguir, apostou todas as outras posses e cavalos, os seus búfalos e porcos; João ganhou tudo. Depois o Gigante apostou a sua mulher, os seus filhos, os seus criados; João ganhou todos. Não havendo mais nada para apostar, o Gigante apostou um dos seus braços, depois o outro braço e perna e finalmente todo o corpo. Tudo João ganhou. Só lhe faltava a cabeça. Depois de pensar, o Gigante resolveu apostar a cabeça.
Então o Gigante começou a ganhar. Primeiro o Gigante recuperou o seu corpo. Depois ganhou de volta a sua mulher, os seus filhos, os criados de sua casa. Ganhou sucessivamente a João, até ele começar a perder tudo o que tinha ganho nos outros reinos. Não havendo mais nada a apostar João apostou então o seu corpo, que o Gigante também ganhou.
Depois disto, o Gigante disse a João “Amigo, agora és meu! Por isso, dentro de setes dias deves chegar a uma porta de ferro no meio das altas montanhas! Se não voltares eu mesmo irei à tua procura!” Dito isto o Gigante desapareceu.
João não sabia bem onde ficava esta terra. Depois de ter pensado, foi perguntar às pessoas. Talvez alguém soubesse onde era a terra da Alta Montanha e da Porta de Aço, mas ninguém sabia. Pensou “Talvez o Gigante me faça mal, porque está quase na altura dele aparecer.”
De manhã saiu outra vez. Decidiu perguntar aos animais. Talvez algum soubesse desta terra. Os animais responderam que não sabiam onde ficava esta terra. Enquanto falava com os animais levantou os olhos para o céu e viu uma águia voar na sua direção. João perguntou-lhe “ Hoy! Amiga águia, sabes onde fica a Montanha Grande e a Porta de Aço?”
A águia respondeu “ Sim sei! Vim agora mesmo de lá!”
João ficou radiante. Perguntou à águia se o podia levar até lá. A águia disse que sim, mas essa terra era muito distante, levaria três dias e três noites a lá chegar, por isso, seria necessário levar provisões. João perguntou-lhe quais eram as provisões necessárias, ao que a águia respondeu “ Um barril de água e um barril de carne. Avisas quando estiver tudo pronto e partiremos imediatamente.”
A águia disse-lhe, “ Bem, podemos ir já. Carregas as provisões e pões tudo em cima de mim e depois sobes. Partiram. Já no ar, a águia disse-lhe “ quando eu te disser fome tu serves-me água e quando eu te disser sede tu partes-me um pedaço de carne.”
Voaram tempos e tempos seguidos. De repente a águia exclamou “Estou com fome” e João retirou um pouco de água que deu à águia. Pouco tempo depois a águia disse “Estou com sede” e João cortou carne e deu-lha. Viajaram constantemente durante três dias e três noites. Ainda havia um pouco de água, mas já não havia carne. A águia sentiu que ele estava muito cansado então disse-lhe “Estou com sede”. João viu que não havia mais carne então cortou com uma faca uma porção da sua perna e deu à águia. Quando viu a carne a águia perguntou a João “ Que tipo de carne é esta com este sangue?”
João respondeu “ É a minha perna, porque já acabou a carne”.
A águia respondeu “Não posso comer da tua perna. Prefiro não comer nada. De qualquer forma ainda temos água suficiente para chegar ao nosso destino” Pouco depois chegaram à Alta Montanha e Porta de Aço. A águia levou João diretamente para casa do gigante no meio de uma montanha solitária, uma casa com uma única porta de aço. Ali, João agradeceu muito sinceramente à águia que partiu imediatamente.
Depois da águia ter partido, João encaminhou-se para a porta do Gigante. O próprio Gigante abriu-lhe a porta e disse-lhe “ Amigo, tens sorte! Caso contrário, serias posto entre os meus dentes. Olha! Já estava vestido para te ir procurar. Só faltava calçar os sapatos. Entra para poderes começar a trabalhar amanhã!”
Depois de ter entrado, o gigante mostrou-lhe toda a casa. Por último trouxe-o para um lugar por baixo do quarto da sua filha mais nova. “ Ficas aqui! Amanhã, às sete horas vens para ouvir as ordens.”
O gigante e a sua mulher tinham sete filhas, todas tão más como eles os dois. Só a mais nova tinha bom coração. Chamavam-lhe Bui Iku, mas o seu nome verdadeiro era Flor Branca. Ela tinha muito bom coração e fazia bem a toda a gente, por causa disso lhe deram aquele nome.
Às sete horas João foi ao quarto do gigante para ouvir as ordens que lhe disse “Tenho o desejo de comer mangas maduras. Amanhã as sete horas estás aqui com as mangas senão morres.”
Depois de ouvir isto João partiu imediatamente à procura das mangas. Procurou por todo o lado mas não encontrou nada porque ainda não era a estação delas. Á medida que o dia foi passando João preocupou-se muito e pensou que talvez no dia seguinte o gigante o fosse matar.
Durante a noite chorou e chorou e a filha mais nova ouviu-o chorar. À meia-noite, quando todos estavam deitados, ela veio ao quarto dele perguntar porque estava ele a chorar. Então ele contou-lhe o pedido que o pai lhe tinha feito e disse-lhe que durante todo o dia tinha percorrido aquela região à procura das mangas mas que não tinha encontrado nada, porque não era a estação delas. “ Talvez amanhã o teu pai me coma mesmo” Depois disto chorou com tanta força que Bui Iku começou também a chorar.
Depois disse-lhe “não tenhas medo. Agarra esta semente de manga e planta-a no chão. Depois os dois olharam juntos a semente que ele tinha plantado no chão e esperaram. Depressa uma árvore saiu do chão dando flor, e depois deu fruto. Eles continuaram a observar a árvore. Os frutos cresceram muito até amadurecerem e cairem no chão. Depois a rapariga mandou-o apanhar a fruta e dirigiu-se para o seu quarto, mas antes avisou-o “ Não contes nada a ninguém, isto fica entre os dois”.
Às sete horas João dirigiu-se aio quarto do gigante. O gigante veio abrir-lhe a porta e disse-lhe “Tens sorte João! Já não vais ser posto entre os meus dentes! Basta! Podes ir. Dentro de momentos vens cá para receber outra ordem. ”Ao meio-dia o Gigante chamou-o e disse-lhe “A minha mulher perdeu o seu anel de ouro no pântano perto da montanha. Deves ir procurá-lo e amanhã às sete horas trazes cá o anel, caso contrário, morres.”
João sabia que este pântano era muito grande e estava cheio de crocodilos. Ainda assim tentou lá ir, no entanto os crocodilos, muito ferozes não o deixaram aproximar e tentaram morder-lhe. João ao fim do dia voltou para o seu quarto e chorou baixinho, durante muito tempo. A meio da noite Bui Iku veio ao seu quarto e perguntou-lhe “João porque choras?” João então contou-lhe o que o gigante lhe tinha pedido e como tinha em vão tentado recuperar o anel, pois os crocodilos nem sequer o tinham deixado entrar na água. Bui Iku disse-lhe “ Não tenhas medo. Agarra o meu anel e põe-no no teu dedo, depois volta ao pântano e se algum crocodilo te quiser fazer mal mostra-lhe o meu anel. João voltou ao pântano e quando os crocodilos se dirigiram a ele, mostrou-lhes o anel fazendo com que todos se escondessem imediatamente nos seus ninhos. Entrou dentro do pântano e não demorou muito a encontrar o anel perdido.
Às sete horas em ponto dirigiu-se ao quarto do Gigante que quando viu o anel ficou muito admirado.

[...]

Ao meio-dia, o Gigante chamou-o e mostrando-lhe um cavalo selvagem disse-lhe “Amanhã às sete horas montas este cavalo e tens que o domar”. João achou que seria bastante difícil pois nunca tinha domado um cavalo selvagem. Foi para o quarto pensar como deveria fazer. A meio da noite, enquanto estava absorto nos seus pensamentos, Bui Iku veio ao seu encontro. Perguntou-lhe o que o preocupava, ao que ele respondeu “Até hoje nunca domei um cavalo, e não sei como fazê-lo”. A rapariga respondeu “João ouve-me, os meus pais sabem que eu sou responsável por tudo o que fizeste até agora, então pediram-te para domares o cavalo de forma a encontrares a morte. Mas não te preocupes. O cavalo é feito de nove de nós. O meu pai será a cabeça do cavalo, a minha mãe será o pescoço do cavalo, as minhas irmãs serão os lados do cavalo, e eu serei a cauda do cavalo. Assim, quando conduzires este cavalo deves-lhe dar muitas pancadas na cabeça, no pescoço, nas costas, em todo o cavalo. Dá-lhe uma verdadeira sova. Deves lembrar-te, não toques na cauda do cavalo. Faz como te digo e no fim veremos!”
Então de manhã cedo João foi montar o cavalo. Levou consigo uma cana e uma pequena faca. O cavalo fez tudo para o deitar abaixo, no entanto, João aguentou-se e bateu no cavalo com a cana e bateu ainda mais. Espetou a faca várias vezes na cabeça do cavalo e nas outras partes. Lutou muito até suor preto sair do cavalo. Quando viu isto parou, porque o cavalo não conseguia andar mais. Vendo o cavalo neste estado, João desmontou-o e foi para o seu quarto. Durante a noite Bui Iku veio ao seu quarto e disse-lhe “Estão todos muito doentes em minha casa. Esta é a melhor altura para fugir. Vai ao estábulo e traz de lá um cavalo. O cavalo que deves trazer é um cavalo magro que se chama Pensamento. Não tragas o mais gordo que se chama Vento. Não te demores! Vai depressa!”
Mas quando João chegou ao estábulo viu que o cavalo Pensamento era mesmo muito magro e pensou que não aguentasse com os dois. Então trouxe o cavalo mais gordo. Quando Bui Iku o viu disse-lhe muito assustada “ Não é este, o outro é mais rápido”, mas João respondeu-lhe que achava que o outro cavalo não aguentaria com os dois, por isso tinha trazido aquele. Bui Iku disse-lhe “ Não importa. Vamos já porque está quase a nascer o sol”. Antes de sairem, ambos puseram saliva dentro de uma casca de coco e puseram-no dentro do quarto de Bui Iku.. Depois partiram. Entretanto, o gigante chamou por Bui Iku. A saliva respondeu “Estou aqui! Estou aqui!”. Depois chamou por João e também a sua saliva respondeu “Estou aqui! Estou aqui!”. Assim continuou até ao amanhecer, até que a saliva secou. O gigante então chamou novamente. Como se ninguém respondesse a mulher do gigante cheia de medo disse-lhe “Eles fugiram”.
O gigante mandou espreitar nos quartos que estavam vazios.
Furioso, o gigante foi a procura deles. Montou o seu cavalo Pensamento. Ele só tinha uma coisa no pensamento, apanhá-los. Bui Iku e João, de repente, sentiram um vento muito forte e Bui Iku disse-lhe “Temos que nos esconder, porque o meu pai vem aí.” Então Bui Iku fez o cavalo mudar de direção e transformar-se num jardim. Transformou-se em vegetal e João pôs-se a regar o vegetal.
Quando o gigante chegou, entrou no jardim e perguntou a João, sem o reconhecer, se ele tinha visto um homem e uma mulher passar, montados num cavalo, por ali. João, fazendo de conta que não percebeu, respondeu-lhe que o seu vegetal era muito pequeno e não lhe poderia vender. Achando que o homem tinha percebido mal, interrogou-o outra vez. Obteve a mesma resposta. Perguntou ainda uma terceira vez e a resposta foi a mesma. Então o gigante voltou para casa.
Quando chegou a casa a mulher perguntou-lhe se tinha encontrado a filha e João. Ele disse que não. A única coisa que encontrei foi um senhor Ninguém, um vegetal e um jardim. Percebendo o que tinha acontecido, a mulher explicou-lhe que o jardim era o cavalo, o vegetal era a rapariga e o homem era João. Convenceu-o então a voltar a sair, pois deveria encontra-los na estrada, a fugir.
Então o gigante voltou à estrada e eles sentiram o vento regressar novamente. “Rápido temos que nos esconder” disse a rapariga. Bui Iku transformou o seu cavalo num tronco de palmeira . Ela transformou-se em ira e João começou a escavar no tronco.
Entretanto o gigante chegou e perguntou-lhe “ Hoy! Amigo! Viste um homem e uma mulher a cavalo passar por aqui? João respondeu “Não te posso vender sumo da palmeira porque só tenho um pouco.” Então o gigante perguntou-lhe outra vez a mesma coisa pensando que o homem não tinha percebido. Perguntou-lhe várias vezes até João enfurecido lhe responder que não lhe podia vender sumo de palmeira, por isso que se fosse embora!
Quando chegou a casa a mulher perguntou-lhe se tinha encontrado a filha e João. Ele disse que não, que só tinha encontrado um homem a raspar a casca de uma palmeira e contou-lhe o estranho episódio, dizendo-lhe que o homem pareceu muito zangado. Mais uma vez a mulher percebeu tudo e, explicando ao gigante, convenceu-o a voltar a procurá-los.
Bui Iku e João continuavam a viajar e entraram nos limites de uma terra cristã.
Bui Iku novamente sentiu o vento a soprar. Desta vez ela transformou o cavalo numa capela, transformou-se em sino e João no homem que toma conta da capela. De repente o gigante apareceu. Viu João e perguntou-lhe: “Hoy! Amigo! Talvez tenha visto uma mulher e um homem montados num cavalo a passar?” João respondeu “ Quer aceitar o cristianismo?” O gigante tornou “ Não amigo! Só lhe perguntei se viu passar por aqui uma mulher e um homem a cavalo?” João disse “Quer confessar-se?” E o gigante “Não!! Só perguntei se por acaso viu um homem e uma mulher a cavalo??!!” Então João respondeu “Você continua a querer perguntar, porque espera aqui?” Então João tocou o sino e as pessoas duma aldeia começaram a juntar-se à frente da Igreja. Vendo tanta gente, o gigante resolveu voltar a casa.
Mais uma vez, contou à mulher o que se tinha passado e mais uma vez ela lhe explicou quem eram na verdade o homem, o sino e a igreja. Mais uma vez o convenceu a voltar a procurar a filha e João. “ Mas desta vez irei contigo!!” disse a mulher.
Ditas estas palavras partiram. E João Jogador e Bui Iku que tinham regressado à sua viagem sentiram o vento levantar-se de novo, mas desta vez acompanhado por chuva. “Talvez desta vez a minha mãe também venha com meu pai. Acho que é isso que esta chuva quer dizer.” E quase ainda não tinha acabado de falar quando viu os pais aproximarem-se. “Bui Iko! Bui Iko!” gritou a mãe. Então Bui Iko disse a João “Depressa, dá-me a minha garrafa de água. A que carregamos conosco para beber.” João agarrou na garrafa e deu-lha. Ela abriu-a e começou a despejá-la no chão. De repente, a água começou a engrossar de caudal até se tornar numa ribeira cujas águas começaram a empurrar tudo com violência. O gigante e a sua mulher foram arrastados pelas águas para o mar e quando morreram, o vento parou e também parou a chuva.
Bui Iko e João continuaram a sua viagem até chegarem a uma grande cidade, nessa terra cristã, onde se estabeleceram. Rapidamente, se casaram, e trabalharam para o melhoramento de todos. Cedo, todos perceberam que eles eram boas pessoas.
Passado algum tempo, o rei daquela terra morreu, e como não tinha filhos, os homens sábios reuniram e tornaram o casal nos governantes do reino. Todos ficaram muito felizes com isto e celebraram convidando os reis dos reinos vizinhos para a festa que durou sete dias e sete noites. Muitos búfalos foram mortos durante as celebrações e quando estas acabaram Bui Iko e João Jogador começaram a governar o reino.
Todos ficaram felizes.

 Entendendo o texto

01. No início da história, qual era a principal característica de João que o levou a viajar por muitos reinos?

a. O seu desejo de se tornar um cavaleiro real.

b. A sua enorme generosidade com os pobres.

c. A sua obsessão e habilidade em jogar cartas.

d. A sua vontade de encontrar uma esposa gigante.

02. O que aconteceu quando João desafiou o Gigante para uma partida de cartas em terra estrangeira?

a. João ganhou facilmente desde o início e ficou com a cabeça do Gigante.

b. O Gigante desistiu do jogo por medo da fama de João.

c. João começou a ganhar tudo, mas o Gigante acabou por recuperar as posses e ganhar o próprio corpo de João.

d. Eles empataram e decidiram viajar juntos para a Montanha Grande.

03. Durante a viagem com a águia, João demonstrou um grande sacrifício pessoal. O que ele fez quando a carne das provisões acabou?

a. Ele decidiu voltar para casa e desistir da viagem.

b. Ele caçou um animal selvagem enquanto voavam.

c. Ele cortou um pedaço da sua própria perna para dar à águia.

d. Ele convenceu a águia a comer apenas os barris de água.

04. Flor Branca (Bui Iku), a filha mais nova do Gigante, ajudou João em várias tarefas impossíveis. Qual foi o primeiro milagre que ela realizou por ele?

a. Ela encontrou o anel de ouro no pântano dos crocodilos.

b. Ela fez uma semente de manga crescer, florescer e dar frutos em apenas uma noite.

c. Ela transformou João num gigante para ele lutar contra o pai dela.

d. Ela deu-lhe uma espada mágica para domar o cavalo selvagem.

05. Por que Flor Branca ficou assustada quando viu que João tinha escolhido o cavalo gordo (Vento) em vez do magro (Pensamento) para a fuga?

a. Porque o cavalo gordo era muito lento e preguiçoso.

b. Porque o cavalo magro, chamado Pensamento, era na verdade o mais rápido.

c. Porque o cavalo gordo pertencia à mãe dela e era amaldiçoado. D. Porque o estábulo estava trancado e o Gigante ia ouvir o barulho.

06. Durante a perseguição, Flor Branca usou o seu poder de transformação para enganar o Gigante. Quais foram as três transformações que eles usaram?

a. Uma pedra, uma árvore e um rio.

b. Um jardim/vegetal, um tronco de palmeira/sumo e uma igreja/sino.

c. Um pássaro, uma nuvem e um castelo de cristal.

d Uma estátua de ouro, um barco e uma ponte de aço.

07. Como terminou a perseguição do Gigante e da sua mulher contra João e Flor Branca?

a. O Gigante pediu perdão e abençoou o casamento dos dois.

b. João usou as suas cartas mágicas para prender os gigantes numa caverna.

c. Flor Branca despejou uma garrafa de água que se transformou numa ribeira violenta, arrastando os pais para o mar.

d. Eles chegaram à terra cristã e os gigantes não puderam entrar por causa da porta de aço.

 


 

CONTO: BRANCA DE NEVE E ROSA VERMELHA (FRAGMENTO) - IRMÃOS GRIMM - COM GABARITO

CONTO: BRANCA DE NEVE E ROSA VERMELHA(FRAGMENTO)

               IRMÃOS GRIMM

 

UMA POBRE VIÚVA VIVIA ISOLADA NUMA PEQUENA CABANA. EM SEU JARDIM HAVIA DUAS ROSEIRAS: EM UMA FLORESCIA ROSAS BRANCAS, E, NA OUTRA, ROSAS VERMELHAS. A MULHER TINHA DUAS FILHAS QUE SE PARECIAM COM AS ROSEIRAS: UMA CHAMAVA-SE BRANCA DE NEVE; A OUTRA ROSA VERMELHA. AS CRIANÇAS ERAM OBEDIENTES E TRABALHADEIRAS. BRANCA DE NEVE ERA MAIS SÉRIA E MAIS MEIGA QUE A IRMÃ. ROSA VERMELHA GOSTAVA DE CORRER PELOS CAMPOS; BRANCA DE NEVE PREFERIA FICAR EM CASA AJUDANDO A MÃE. AS DUAS CRIANÇAS AMAVAM-SE MUITO E QUANDO SAÍAM JUNTAS, ANDAVAM DE MÃOS DADAS.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhTYnUpaq4QiiNjvlKZy0JPIxmcSsszf8Fqa5vMkG1h-ytrItguQjE2EKnue3Z6jzsXIZDq_CIaNxOVK4a6ngboASlqniv7TZPsf_dg2ubNxOrGCqqiCNLvSsL7vRmjTqxQGJMlfwCAExlokrGb9055w7z0pzyAdS0PjUQBd3jAaWnYUaybSx4U5VENF7U/s320/BRANCA.jpg


ELAS PASSEAVAM SOZINHAS NA FLORESTA, COLHENDO AMORAS. OS ANIMAIS NÃO LHES FAZIAM MAL NENHUM E SE APROXIMAVAM DELAS SEM TEMOR. NUNCA LHES ACONTECIA MAL ALGUM. SE A NOITE AS SURPREENDIA NA FLORESTA ELAS SE DEITAVAM NA GRAMA E DORMIAM.

[...]

AS MENINAS MANTINHAM A CABANA DA MÃE BEM LIMPA. DURANTE O VERÃO, ERA ROSA VERMELHA QUE TRATAVA DOS ARRANJOS DA CASA E NO INVERNO, ERA BRANCA DE NEVE. À NOITE, QUANDO A NEVE CAÍA BRANQUINHA E MACIA, BRANCA DE NEVE FECHAVA OS TRINCOS DA PORTA.


À NOITE SENTAVAM PERTO DA LAREIRA E ENQUANTO A MÃE LIA EM VOZ ALTA UM GRANDE LIVRO AS MÃOZINHAS DAS MENINAS FIAVAM; AOS PÉS DELAS, DEITAVA-SE UM CARNEIRINHO, E ATRÁS, EM CIMA DO POLEIRO, UMA POMBA MUITO BRANCA DORMIA COM A CABEÇA ENTRE AS ASAS.


UMA NOITE, QUANDO ESTAVAM ASSIM TRANQUILAMENTE, OUVIRAM BATER À PORTA E A MÃE MANDOU ROSA VERMELHA ABRIR A PORTA POIS DEVIA SER ALGUÉM PROCURANDO ABRIGO.

AO ABRIR A PORTA ROSA VERMELHA VIU UM ENORME URSO QUE COLOCOU A GRANDE CABEÇA ATRAVÉS DA ABERTURA. ELA SOLTOU UM GRITO E CORREU PARA O QUARTO; O CORDEIRINHO  PÔS-SE A BALIR, A POMBA A VOAR, E BRANCA DE NEVE SE ESCONDEU ATRÁS DA CAMA DA MÃE.

-NÃO TENHAM MEDO, - FALOU O URSO - ESTOU GELADO ME DEIXEM AQUECER PERTO DA LAREIRA.

-POBRE ANIMAL, DISSE A MÃE, - CHEGUE PERTO DO FOGO, MAS CUIDADO PARA NÃO SE QUEIMAR.

ENTÃO A MÃE CHAMOU AS MENINAS. ELAS VOLTARAM E, POUCO A POUCO, APROXIMARAM-SE O CORDEIRINHO E A POMBA, SEM MEDO.

-MENINAS - DISSE O URSO - POR FAVOR TIREM A NEVE QUE TENHO NAS COSTAS!

AS MENINAS PEGARAM A VASSOURA E LIMPARAM O SEU PELO; EM SEGUIDA, O URSO ESTENDEU-SE DIANTE DO FOGO, GRUNHINDO SATISFEITO. NÃO DEMOROU MUITO, ELAS PUSERAM-SE A BRINCAR COM ELE. PUXAVAM O PELO COM AS MÃOS, SUBIAM  NAS SUAS COSTAS OU BATIAM NELE COM UMA VARINHA. ELE SÓ RECLAMOU QUANDO ELAS SE EXCEDERAM.

- ROSA VERMELHA E BRANCA DE NEVE, ELE DISSE – TRATEM O VISITANTE COMO SE DEVE!

QUANDO CHEGOU A HORA DE DORMIR E AS MENINAS FORAM DEITAR-SE, A MÃE DISSE AO URSO:

-FIQUE PERTO DO FOGO E VOCÊ ESTARÁ AO ABRIGO DO FRIO E DO MAU TEMPO.

LOGO QUE AMANHECEU, AS MENINAS ABRIRAM A PORTA AO URSO E ELE SE FOI PARA A FLORESTA, CORRENDO SOBRE A NEVE. A PARTIR DESSE DIA, ELE VOLTOU TODAS AS NOITES, À MESMA HORA. ESTENDIA-SE DIANTE DO FOGO E ELAS BRINCAVAM COM ELE.

CHEGOU A PRIMAVERA E TUDO SE COBRIU DE VERDE, ENTÃO O URSO DISSE A BRANCA DE NEVE QUE TINHA QUE IR EMBORA E NÃO VOLTARIA DURANTE O VERÃO, POIS TINHA QUE PROTEGER SEUS TESOUROS DOS MAUS ANÕES. NO INVERNO ELES PERMANECIAM NAS TOCAS; MAS QUANDO O SOL DERRETE A NEVE ELES SAEM E ROUBAM TUDO O QUE PODEM; ESCONDENDO EM SUAS CAVERNAS.

ELA FICOU MUITO TRISTE E QUANDO ABRIU A PORTA PARA O URSO PASSAR, ELE ESFOLOU A PELE NA LINGUETA DA FECHADURA, E BRANCA DE NEVE VIU O BRILHO DE OURO, MAS NÃO TEVE CERTEZA.

ALGUM TEMPO DEPOIS, A MÃE MANDOU AS MENINAS APANHAREM GRAVETOS NA FLORESTA. LÁ CHEGANDO, VIRAM UMA ÁRVORE CAÍDA AO SOLO, E NO TRONCO, ENTRE A RELVA, QUALQUER COISA SE AGITAVA, PULANDO DE UM LADO PARA O OUTRO. AO SE APROXIMAREM, VIRAM UM ANÃO DE ROSTO ACINZENTADO, ENVELHECIDO E ENRUGADO, COM UMA BARBA BRANCA MUITO COMPRIDA. A PONTA DA BARBA ESTAVA PRESA NUMA FENDA DA ÁRVORE. AO VÊ-LO ROSA VERMELHA PERGUNTOU COMO SUA BARBA FICARA PRESA NA ÁRVORE.

-SUA ESTÚPIDA!- RESPONDEU O ANÃO; - EU QUIS PARTIR ESTA ÁRVORE PARA TER LENHA MIÚDA NA COZINHA, PORQUE, COM PEDAÇOS GRANDES, O POUCO QUE POMOS NAS PANELAS QUEIMA LOGO; NÓS NÃO PRECISAMOS DE TANTA COMIDA COMO VOCÊS, GENTE ESTÚPIDA E GULOSA! TINHA INTRODUZIDO O MEU MACHADO NO TRONCO, MAS A MADEIRA É MUITO LISA, O MACHADO SALTOU E A ÁRVORE FECHOU-SE TÃO DEPRESSA PRENDENDO MINHA LINDA BARBA. PAREM DE FICAR SÓ OLHANDO,  SUAS BOBONAS E ME AJUDEM LOGO A  SAIR DAQUI!

AS MENINAS FIZERAM MUITA FORÇA PARA LIVRAR O HOMENZINHO, MAS NÃO CONSEGUIRAM DESPRENDER A BARBA, ENTÃO ROSA VERMELHA DISSE QUE PRECISARIAM DE AJUDA.

-SUAS TOLAS, - GRITOU O ANÃO, - CHAMAR MAIS GENTE? NÃO PODEM TER UMA IDEIA MELHOR?

-NÃO FIQUE NERVOSO, - DISSE BRANCA DE NEVE. - VOU RESOLVER ISTO.

TIROU DO BOLSO UMA TESOURINHA E CORTOU A PONTA DA BARBA. AO SE VER LIVRE, O ANÃO AGARROU UM SACO CHEIO DE OURO ESCONDIDO NAS RAÍZES DA ÁRVORE E, PÔS ÀS COSTAS, SEM AGRADECER, SAIU RESMUNGANDO:

-SUAS BRUTAS! CORTARAM-ME A PONTA DE MINHA LINDA BARBA! VÃO PAGAR CARO POR ISSO!

PASSADO ALGUM TEMPO, BRANCA DE NEVE E ROSA VERMELHA FORAM PESCAR PEIXES PARA O JANTAR. QUANDO CHEGARAM PERTO DO RIO, VIRAM UMA ESPÉCIE DE GAFANHOTO GRANDE SALTITANDO À BEIRA D'ÁGUA. CORRERAM ATÉ LÁ E RECONHECERAM O ANÃO.

ROSA VERMELHA PERGUNTOU:

 - VOCÊ QUER SE JOGAR NA ÁGUA?

 -NÃO SOU TÃO BURRO! - GRITOU O ANÃO. – É ESSE  PEIXE QUE ME ARRASTA PARA A ÁGUA.

PARA PESCAR O ANÃO LANÇOU A LINHA, MAS O VENTO ENROSCOU SUA BARBA NA LINHA E, NESSE MOMENTO, UM GRANDE PEIXE MORDEU A ISCA DO ANZOL E SUAS FORÇAS NÃO ERAM SUFICIENTES PARA MANTÊ-LO FORA DA ÁGUA, MESMO AGARRANDO-SE AOS RAMOS.

 AS MENINAS SEGURARAM O ANÃO PARA DESEMBARAÇAR SUA BARBA, MAS FOI NECESSÁRIO USAR MAIS UMA VEZ A TESOURINHA E CORTAR OUTRO PEDAÇO DA BARBA. ELE GRITOU, ZANGADO:

-ISSO SÃO MODOS, SUAS PATAS CHOCAS, DE DESFIGURAR A CARA DE UMA PESSOA? JÁ NÃO BASTAVA CORTAREM MINHA BARBA DA OUTRA VEZ, AGORA CORTARAM A PARTE MAIS BONITA!

PEGANDO UM SACO DE PÉROLAS, ESCONDIDO NUMA TOUCEIRA ELE SUMIU ATRÁS DE UMA PEDRA.

POUCO TEMPO DEPOIS, A MÃE MANDOU AS MENINAS À CIDADE COMPRAR LINHA, AGULHAS, CORDÕES E FITAS. O CAMINHO PASSAVA  POR UMA PLANÍCIE DE ROCHEDOS. LÁ VIRAM UM GRANDE PÁSSARO PAIRANDO NO AR, QUE DEPOIS DE DESCREVER UM CÍRCULO CADA VEZ MENOR, FOI DESCENDO, ATÉ CAIR SOBRE UM ROCHEDO NÃO MUITO DISTANTE. NO MESMO INSTANTE OUVIRAM UM GRITO. CORRERAM E VIRAM COM HORROR QUE A ÁGUIA SEGURAVA NAS GARRAS O SEU VELHO CONHECIDO, O ANÃO, E SE DISPUNHA A CARREGÁ-LO PELOS ARES. AS MENINAS SEGURARAM O ANÃO COM TODAS AS FORÇAS, E PUXA DE CÁ E PUXA DE LÁ, POR FIM A ÁGUIA TEVE DE LARGAR A PRESA. QUANDO O ANÃO VOLTOU A SI DO SUSTO, GRITOU-LHES COM VOZ ESTRIDENTE:

-NÃO PODEM ME TRATAR COM MAIS CUIDADO? ESTRAGARAM O MEU CASACO! SUAS PALERMAS!

DEPOIS PEGOU UM SACO CHEIO DE PEDRAS PRECIOSAS E DESLIZOU PARA DENTRO DA CAVERNA, ENTRE OS ROCHEDOS. SEM SE INCOMODAR COM SUA INGRATIDÃO, ELAS FORAM PRA CIDADE.

AO REGRESSAREM PELA FLORESTA, ELAS SURPREENDERAM O ANÃO, QUE TINHA DESPEJADO O SACO DE PEDRAS PRECIOSAS NUM LUGAR LIMPINHO. OS RAIOS DO SOL CAIAM SOBRE AS PEDRAS, FAZENDO-AS BRILHAR TANTO, QUE AS MENINAS, DESLUMBRADAS, PARARAM PARA AS ADMIRAR.

-QUE FAZEM AÍ DE BOCA ABERTA? - BERROU O ANÃO; SEU ROSTO ACINZENTADO ESTAVA VERMELHO DE RAIVA. IA CONTINUAR XINGANDO, QUANDO SE OUVIU UM GRUNHIDO SURDO E, UM ENORME URSO NEGRO SAIU DA FLORESTA.

O ANÃO DEU UM PULO DE MEDO, MAS NÃO TEVE TEMPO DE ALCANÇAR UM ESCONDERIJO: O URSO CORTOU-LHE O CAMINHO. ENTÃO ELE IMPLOROU:

-QUERIDO URSO EU LHE DAREI TODOS OS MEUS TESOUROS! DEIXE EU VIVER! VOCÊ NEM ME SENTIRÁ ENTRE SEUS DENTES. PEGUE ESSAS DUAS MENINAS GORDINHAS PARA O SEU ESTÔMAGO!  O URSO NÃO OUVIU SUAS PALAVRAS; DEU-LHE UMA FORTE PATADA QUE O ESTENDEU NO CHÃO.

AS MENINAS FUGIRAM, MAS O URSO CHAMOU OS SEUS NOMES E ELAS RECONHECERAM A SUA VOZ E PARARAM. QUANDO O URSO AS ALCANÇOU, CAIU A SUA PELE E, SURGIU UM FORMOSO RAPAZ, TODO VESTIDO DE TRAJES DOURADOS.

-SOU FILHO DE PODEROSO REI, - DISSE ELE - ESTE ANÃO MAU ME CONDENOU A VIVER PELA FLORESTA SOB A FORMA DE UM URSO DEPOIS DE TER ROUBADO OS MEUS TESOUROS E SÓ COM SUA MORTE EU PODERIA ME LIBERTAR.

BRANCA DE NEVE, POUCO TEMPO DEPOIS, CASOU COM O PRÍNCIPE E ROSA VERMELHA COM SEU IRMÃO. PARTILHARAM, ENTRE TODOS, OS TESOUROS QUE O ANÃO TINHA ACUMULADO NA CAVERNA E A VELHA MÃE VIVEU AINDA MUITOS ANOS TRANQUILA E FELIZ JUNTO DE SUAS QUERIDAS FILHAS E AS DUAS ROSEIRAS QUE FORAM PLANTADAS DIANTE DA JANELA DO SEU QUARTO. E TODOS OS ANOS ELAS CONTINUARAM A DAR AS MAIS LINDAS ROSAS BRANCAS E VERMELHAS.

                                                                               IRMÃOS GRIMM

  Entendendo o texto

01. No início da história, o texto descreve a personalidade das duas irmãs. Como elas se diferenciavam em suas tarefas e gostos?

a. Rosa Vermelha era séria e meiga; Branca de Neve gostava de correr pelos campos.

b. Ambas detestavam morar na cabana e queriam viver na cidade. c. Branca de Neve era mais séria e preferia ajudar a mãe em casa; Rosa Vermelha era mais ativa e gostava de correr ao ar livre.

d. Rosa Vermelha cuidava da casa no inverno e Branca de Neve cuidava no verão.

02. Quando o urso bateu à porta da cabana pela primeira vez em uma noite de inverno, qual foi a reação inicial das meninas e dos animais?

a. Elas o convidaram imediatamente para entrar e tomar sopa.

b. Elas ficaram com medo; Rosa Vermelha correu para o quarto e Branca de Neve se escondeu.

c. O carneirinho e a pomba atacaram o urso para defender a casa. d. A mãe expulsou o animal com uma vassoura para proteger as filhas.

03. Por que o urso precisou ir embora da cabana quando a primavera chegou?

a. Porque ele não gostava do calor e precisava procurar um lugar frio.

b. Porque ele precisava hibernar dentro de uma caverna escura.

c. Porque ele precisava caçar alimentos que só apareciam no verão.

d. Porque ele precisava proteger seus tesouros contra os anões malvados que saíam de suas tocas.

04. Em todas as vezes que as irmãs ajudaram o anão (na árvore, no rio e com a águia), como ele reagiu ao ser salvo?

a. Ele foi muito grato e dividiu seu ouro com as meninas.

b. Ele convidou as meninas para conhecerem sua caverna de tesouros.

c. Ele foi ingrato e grosseiro, reclamando de sua barba cortada ou de seu casaco estragado.

d. Ele fugiu em silêncio sem dizer uma única palavra.

05. Como o feitiço que transformava o príncipe em urso foi finalmente quebrado?

a. Quando Branca de Neve deu um beijo no focinho do urso.

b. Com a morte do anão malvado, que havia roubado os tesouros e condenado o príncipe.

c. Quando as meninas usaram a tesourinha mágica para cortar toda a barba do anão.

d. Quando a mãe das meninas leu o grande livro de magia perto da lareira.

06. O que o anão tentou fazer para se salvar quando foi encurralado pelo urso na floresta?

a. Tentou lutar contra o urso usando seu machado de ouro.

b. Ofereceu todos os seus tesouros e sugeriu que o urso comesse as duas meninas em seu lugar.

c. Pediu desculpas ao príncipe e devolveu a coroa imediatamente.  d. Usou sua barba comprida para amarrar as patas do urso.

07. O final do conto mostra a recompensa pela bondade das irmãs. Como terminou a história da família?

a. Branca de Neve e Rosa Vermelha casaram-se com o príncipe e seu irmão, e viveram felizes com a mãe.

b. Elas voltaram para a cabana e decidiram nunca mais entrar na floresta.

c. A mãe das meninas tornou-se a nova rainha da montanha.

d. Elas abriram uma loja de flores na cidade para vender as rosas brancas e vermelhas.

 

 

  

ARTIGO DE OPINIÃO: VOCÊ SABIA QUE... O CARNAVAL É MAIS ANTIGO DO QUE O SAMBA? COM GABARITO

 Artigo de Opinião: Você sabia que... o Carnaval é mais antigo do que o samba? 

         Eles parecem ter sido feitos um para o outro, mas têm quase 2 mil anos de diferença de idade. O Carnaval nasceu na Roma antiga, passou firme pela Idade Média e, no Brasil, no século 18, já era uma festa popular importante, mas a primeira marchinha só apareceu em 1899, e o primeiro samba é só de 1916. Durante o tempo em que a festa e a música viveram separados, o Carnaval brasileiro dançou no ritmo de batuques, valsas, polcas e até sem música alguma. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLgitnB9kqYDKBOsgKPS6UcYDptFguzaRPuPcM9IcR4sNPsU6OE4DJKCE-bV9g-wmzUUqcZTxPUMbeTT14Lg9G0aZB5HCxeQN5itcmpJIfPagNpgEFD7FpiwlsGSRaExUE1KJ0ZtVdOLFx1bbQvxLT-3F8YFwFjDd0DVrMUd7Vh0qRmegjkjsbDxJghb0/s1600/CARNAVAL.jpg


Os primeiros carnavais por aqui, chamados de entrudos, eram assim, um pouco mais que um empurra-empurra que, durante quatro dias, espalhava pelas ruas xingamentos, correrias, perseguições, água, farinha, ovos podres, fuligem, lama e piche. A arma mais comum de quem “entrudava” era o limão-de-cheiro, uma bola de cera do tamanho de uma laranja cheia de perfume ou mesmo água suja. A violência dos foliões, a maioria escravos ou negros livres, era tanta que fazia muitos brancos sair da cidade ou se refugiar nos bailes de salão. Marchinhas com letra e melodia surgiram com a compositora Chiquinha Gonzaga ( ) autora de “Ó abre alas” ( ) em 1899 ( ) Já o samba “Pelo Telefone”, de Donga, estourou logo que foi criado, em 1916, e foi “estandarte de ouro” do ano seguinte.

Fonte: adaptado de NARLOCH, L. Aventuras na História. Revista Superinteressante. n. 6, p. 16, fev. 2004.

Entendendo o texto

01. De acordo com o texto, qual é a origem histórica do Carnaval e como ele chegou ao Brasil?

a. O Carnaval foi criado no Brasil no século 18 como uma festa de rua.

b. O Carnaval nasceu na Roma antiga e já era uma festa importante no Brasil no século 18.

c. O Carnaval surgiu junto com o samba, nas comunidades de escravos no Rio de Janeiro.

d. O Carnaval foi inventado na Idade Média exclusivamente para os bailes de salão.

02. O texto menciona que o Carnaval e o samba nem sempre estiveram juntos. O que os foliões dançavam antes da invenção do samba?

a. Apenas ritmos africanos trazidos pelos escravos.

b. Músicas clássicas compostas exclusivamente para o império.

c. Ritmos como batuques, valsas, polcas e até mesmo nenhum tipo de música.

d. Somente as marchinhas de Carnaval criadas por Chiquinha Gonzaga.

03. O que eram os "entrudos" citados no texto e como eles se caracterizavam?

a. Eram bailes de gala luxuosos onde os brancos se refugiavam.

b. Eram os primeiros carnavais no Brasil, marcados por brincadeiras agressivas como arremesso de água, farinha e ovos.

c. Eram desfiles de escolas de samba que utilizavam o "limão-de-cheiro" como instrumento musical.

d. Eram competições de marchinhas organizadas pela compositora Chiquinha Gonzaga.

04. Sobre a introdução de músicas com letra e melodia no Carnaval, quais marcos cronológicos são apresentados pelo autor?

a. A primeira marchinha surgiu em 1916 e o primeiro samba em 1899.

b. O samba "Pelo Telefone" foi criado no século 18, antes das marchinhas.

c. Chiquinha Gonzaga criou a primeira marchinha em 1899 e o primeiro samba surgiu em 1916.

d. O Carnaval romano já possuía marchinhas e sambas desde a sua origem.

05. Qual era a função do "limão-de-cheiro" nas festas de antigamente?

a. Era uma fruta utilizada para fazer sucos servidos nos bailes de salão.

b. Era um instrumento de sopro que imitava o som de uma buzina. c. Era uma bola de cera com perfume ou água suja usada como "arma" pelos foliões.

d. Era o prêmio dado ao vencedor do melhor samba do ano.