domingo, 26 de abril de 2026

LENDA: A COVA DA MOIRA - COM GABARITO

 LENDA: A COVA DA MOIRA

 

No já referido lugar de Mourilhe do Concelho de Montalegre, conta-se também esta lenda, igualmente relacionada com a pastorícia.
Havia naquela aldeia um pastor que levava diariamente para o monte uma manada de vacas leiteiras. Todas elas eram ubérrimas, de pura raça barrosã; mas uma delas passava a perna às demais, quer pela produção de leite, quer pela sua imponência e garbosidade.

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCGYL0pJm7nmJXckq2hllezsMfUu1ryfdh-E8bZEIsnzwCsun38rIA1fyh5F_0K1ZSp48hRgGCSCLeQOPvZOsLtcu-h67DyMLnZQK26anMOlw0_BceLyk7VZayhxfa-km6RCjNefDHeUrBdGoEoajdb4oNmZDsZAavVLn2QwSyKss_fAipVAEE2ExepF8/s320/lenda.jpg

Era, por essas duas razões, a menina bonita do pastor, que a dispensava das tarefas mais pesadas da lavoura e tratava com particular desvelo e carinho.
Um dia, porém, a vaca preferida, que enchia diariamente um amplo tarro do precioso líquido, deixou de dar leite, com grande pesar e estranheza do pastor que não encontrava nenhuma explicação para isso.
Pensando que estaria doente, levou-a a um entendido da vila, que a examinou atentamente e lhe garantiu que ela estava sã como um pêro.
Começou, então, a vigiá-la atentamente, não tirando os olhos dela um segundo, desde que saiu da corte, até que chegou ao monte. Aí, continuou a segui-la, passo a passo, com redobrada atenção.
Tudo decorria com naturalidade: a vaca tosava pachorrentamente a erva tenra e já andava farta como um bombo, até que, ao fim da tarde, deixou de pastar e começou a afastar-se sorrateiramente das companheiras, em direcção à mata, ali próxima.
Seguiu-a discretamente, à distância, pata não a espantar e, para ver em que paravam as modas; e verificou que ele se deteve ao pé duma cova que ele não conhecia, por estar encoberta por espesso mato.
Então, aproximou-se, pé ante pé, pôs-se a espreitar e viu sair da cova uma Senhora muito linda, com uma vasilha numa das mãos e uma facha de feno na outra.
Pôs o feno à frente da vaca e, enquanto ela comia, a moira começou a ordenhá-la.
Estava descoberto o mistério: a vaca não dava leite na corte, porque a moira lho tirava no monte. Agastado com aquele atrevimento e desaforo, saltou do seu esconderijo e gritou, fora de si:
- Ah! Sua desavergonhada! Espera aí, que vais pagá-las com língua de palmo.
E, dizendo isto, avançou para ela, com a aguilhada no ar, para lhe dar umas boas bordoadas. Mas, ao chegar junto dela, ficou desarmado, porque a linda moira, com um sorriso encantador e uma voz melíflua, capaz de amansar as próprias feras, se antecipou e lhe disse:
- Amigo, reconheço que tens boas razões para te sentires ofendido. Mas, por favor, não te amofines nem me ralhes, que eu vou compensar-te generosamente pelo leite que te roubei.
Dito isto, atou um vincelho de giestas nos chifres da sua amiga vaca e, voltando-se para o dono, acrescentou:
- Vais ter uma alegre surpresa, quando chegares a casa, e volta cá todos os dias, que eu te farei muito rico. Mas, atenção: não contes nada a ninguém, se não, deitas tudo a perder.
O pastor, já mais calmo e reconciliado com a moira, prometeu ir lá todos os dias com a vaca e regressou a casa com a manada, a cismar na anunciada surpresa.
Chegado à aldeia, meteu as vacas na loja, fechou a porta e pôs-se a olhar para o vincelho de giesta. Qual não foi o seu espanto, quando viu que ele se transformara num lindo cordão de oiro que dava a volta aos chifres da vaca.
Cheio de contentamento, pegou nele, levou-o para casa e escondeu-o na arca do bragal, debaixo dos lençóis de linho, com a intenção de não dizer nada à mulher. Mas ela desconfiou que algo de anormal se passava e não o largou, enquanto ele não pôs tudo em pratos limpos.
Então, não teve remédio senão mostrar-lhe o cordão que ela se apressou a pôr ao pescoço, contente como um cochicho, e cheia de vaidade, porque em toda a aldeia não havia outro como ele.
No dia seguinte, voltou ao monte, como prometera, à procura da moira. Mas, contra a sua expectativa, ela não apareceu. Esperou, esperou... e nada: da moira nem rasto!
Desiludido e triste, voltou para casa, a tentar descobrir a razão que levara a moira a faltar ao prometido. E a sua tristeza aumentou, quando chegou a casa e verificou que o cordão de oiro se tinha transformado no vincelho de giesta.
Então, lembrou-se de que a moira lhe tinha recomendado muito que não dissesse nada a ninguém, e reconheceu que a culpa era toda sua.
Revoltado consigo mesmo, disse mal da sua sorte e aprendeu à sua custa que o povo tem razão, quando diz que o silêncio é de oiro e que o segredo é a alma do negócio.
Mais tarde, contou aos amigos a peripécia que lhe acontecera e eles puseram a esse local o nome de Cova da Moira.

 

Entendendo o texto

 

01. Por que o pastor considerava uma de suas vacas a sua "menina bonita"?

a) porque ela era a única da raça barrosã em toda a região de montalegre.

b) por ela ser a mais imponente, garbosa e a maior produtora de leite da manada.

c) porque ela o ajudava a vigiar as outras vacas durante o pastoreio no monte.

d) por ter sido um presente dado pela linda moira que vivia na cova encoberta.

02. O que o pastor descobriu ao vigiar a vaca discretamente na mata?

a) que a vaca estava doente e não conseguia mais produzir leite.

b) que um outro pastor da aldeia estava roubando o leite da vaca às escondidas.

c) que uma linda senhora saía de uma cova para alimentar e ordenhar o animal.

d) que a vaca escondia o próprio leite dentro de uma cova profunda na mata.

03. Como a moira reagiu quando o pastor a confrontou com a aguilhada no ar?

a) ela amansou o pastor com palavras doces e prometeu compensá-lo pelo leite.

b) ela fugiu para dentro da cova e nunca mais apareceu para o pastor.

c) ela transformou a aguilhada do pastor em um vincelho de giestas. d) ela explicou que o leite era necessário para alimentar os moradores da vila.

04. O que aconteceu com o vincelho de giesta que a moira amarrou nos chifres da vaca?

a) transformou-se em um facho de feno para alimentar a manada no inverno.

b) permaneceu como mato seco até que o pastor o jogou fora na corte.

c) transformou-se em um lindo cordão de ouro assim que o pastor chegou em casa.

d) deu origem a uma nova raça de vacas que produzia leite dourado.

05. Por que o cordão de ouro voltou a ser um vincelho de giesta e a moira desapareceu?

a) porque o pastor esqueceu de levar a vaca ao monte no dia seguinte.

b) porque a mulher do pastor perdeu o cordão dentro da arca de linho.

c) porque a moira se sentiu ofendida pela vaidade da mulher do pastor.

d) porque o pastor quebrou a promessa de segredo e contou tudo à sua esposa.

 

 

 

CONTO: O BURRO E OS DONOS - TRADUÇÃO DE CURVO SEMEDO - COM GABARITO

 Conto: O burro e os donos

Tradução de Curvo Semedo


O burro de um hortelão

À Sorte se lamentava.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgN-Q0MU2jUKBi5YZLH4sR5TjFT2Jly_UujN4uTazNgFvPRqMgpz2T4upNbKZYYwBbplq0n6nECSKFT_s2TBRXula37gQbn5VFWmMUbomh5tbiOcUFxUVhH_VlOqK_BEv_zmlsSUwN8YE-1BYT35t4eLoNPU4R4FN2ekEDobI9qyCx196yrFtk7mcWydZ8/s320/BURRO.jpg


Dizendo que madrugava
Fosse qual fosse a estação,
Primeiro que os resplendores
Do sol trouxessem o dia.
«Os galos madrugadores –
O néscio burro dizia –
Mais cedo não abrem olho.
E porquê? Por ir à praça
C’uma carga de repolho,
Um feixe de aipo, ou labaça,
Alguns nabos e b’ringelas;
E por estas bagatelas
Me fazem perder o sono.»
A Sorte ouviu seu clamor,
E deu-lhe em breve outro dono,
Que era um rico surrador.
Eis de couros carregado,
Sofrendo um cruel fedor,
Já carpia ter deixado
O seu antigo senhor:
«Naquele tempo dourado –
Dizia – andava eu contente;
Cada vez que ia ao mercado
Botava à cangalha o dente,
Lá vinha a couve, a nabiça,
A chicarola, o folhado,
E outras castas de hortaliça;
Mas se hoje, fraco do peito,
O meu dente à carga deito,
Em vez da viçosa rama
Da celga, do grelo, ou nabo,
Só acho dura courama
Que fede mais que o diabo!»
Prestando às queixas do burro
A Sorte alguma atenção,
Lhe deu por novo patrão
Um carvoeiro casmurro.
Entrou em nova aflição
O desgostoso jumento.
Vendo faltar-lhe o sustento,
E em negro pó de carvão
Andando sempre afogado,
Tornou a carpir seu fado.
«Que tal! – diz a Sorte em fúria
– Este maldito sendeiro,
Com sua eterna lamúria,
Mais me cansa, mais me aflige
Que um avaro aventureiro
Quando fortunas me exige!
Pensa acaso este imprudente
Que só ele é desgraçado?
Por esse mundo espalhado
Não vê tanto descontente?
Já me cansa este marmanjo!
Quer que eu me ocupe somente
Em cuidar no seu arranjo?»
Foi justo da Sorte o enfado,
Que é propensão do vivente
Lamentar-se do presente,
E chorar pelo passado:
Que ninguém vive contente,
Seja qual for seu estado.

Entendendo o texto

 

01. Sobre a estrutura externa do texto, como ele se organiza formalmente?

a) o texto é organizado em parágrafos e frases contínuas, sem preocupação com a sonoridade.

b) o texto é composto por versos (linhas) e estrofes (conjuntos de versos), apresentando rimas ao longo da narrativa.

c) trata-se de um texto dramático, feito exclusivamente para ser encenado por atores em um palco.

d) é um texto puramente informativo, que utiliza uma linguagem técnica para descrever a vida dos burros.

02. O que se pode afirmar sobre as rimas presentes na primeira estrofe (hortelão/estação e lamentava/madrugava)?

a) são chamadas de rimas pobres, pois as palavras pertencem a classes gramaticais diferentes.

b) são rimas internas, pois ocorrem sempre no meio dos versos e não no final.

c) são rimas finais, que conferem musicalidade e ritmo ao poema através da repetição de sons semelhantes.

d) o texto não possui rimas, sendo composto apenas por versos livres e brancos.

03. Quem assume a voz que expressa sentimentos e opiniões dentro do poema (o equivalente ao narrador na prosa)?

a) o eu lírico (ou voz poética), que no desfecho reflete sobre a insatisfação humana.

b) o próprio autor curvo semedo, que entra na história para brigar com o burro.

c) a sorte, que é a única personagem que fala durante todo o texto. d) o hortelão, que expressa sua tristeza por ter perdido seu animal de carga.

04. Qual é o tema central abordado pelo eu lírico através da trajetória do burro?

a) a importância de se trocar de profissão sempre que estiver cansado.

b) a descrição detalhada de como funciona o comércio de hortaliças e carvão.

c) a ingratidão dos donos para com os animais de carga no passado.

d) a eterna insatisfação do ser vivente, que tende a reclamar do presente e valorizar o passado.

05. No trecho "A Sorte ouviu seu clamor", qual recurso de linguagem é utilizado para dar características humanas a um conceito abstrato?

a) metáfora, comparando a sorte a um objeto valioso e brilhante.

b) personificação (ou prosopopeia), atribuindo ações humanas, como ouvir e falar, à "Sorte".

c) hipérbole, pois há um exagero evidente na quantidade de hortaliças mencionadas.

d) aliteração, que é a repetição de sons consonantais para imitar o som do burro.

 

 

CONTO: QUEM SABE É O JARDINEIRO - ANTÓNIO TORRADO - COM GABARITO

 CONTO: QUEM SABE É O JARDINEIRO

                António Torrado

 

Era uma vez um rei que tinha, à roda do palácio, onde vivia, um enorme pomar muito bem tratado. Imensos jardineiros cuidavam desse pomar, que era a vaidade do rei.
Árvores de fruto de todas as espécies, algumas vindas de terras distantes, transformavam, na Primavera, o pomar num jardim magnífico, onde sobressaíam o cor-de-rosa, o azul, o branco e o amarelo das flores, sobre o verde fresco das folhas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0NlifHfrF38fgIPUYQwaCkQEVAGsLuwBAHZ3znroGgjG5XmNZ6_3_O2d2hecs7uU0Ju2iq-eHZEOhmbfiCFCt71br95rwPRY5-vC2z3QIv6aroAdhT6pW3rruUcuh9As9atDtwKlDKQ_up_83R_ulAnSAPQJGh7poTnJLx3KI5w309IUS85JucesVGpY/s320/passaro.jpg


E, quando os frutos começavam a ganhar forma, o perfume que inundava o pomar quase entontecia.
Estava, um dia, o rei a mostrar o pomar a uns primos, príncipes de reinos vizinhos, quando viu, caídos de um pessegueiro uns tantos frutos meio apodrecidos.
Mandou logo chamar o chefe dos jardineiros e perguntou-lhe, muito irritado:
- Explique-me este desleixo. Quem é o responsável?
- Foram os pássaros, Majestade, que bicaram os frutos mais apetitosos - explicou o jardineiro.
- Pássaros? - exclamou o rei. - Como se atrevem a entrar nos meus domínios e a bicar as minhas riquezas?
- Os pássaros têm asas e não conhecem muros - respondeu o jardineiro.
- Pois vou eu ensiná-los - indignou-se o rei. - Que podem os pássaros contra mim?
E o rei foi para o palácio, onde ditou um decreto para ser espalhado pelo reino, em que mandava matar todos os pássaros, passarinhos e passarocos, sem escapar um. As ordens do rei tinham de se cumprir. Foi uma mortandade.
No ano seguinte, realmente, já não havia pássaros atrevidos a bicar nos frutos do pomar real. Mas, em contrapartida, uma praga aflitiva de lagartas e insectos destruiu as colheitas, minou os frutos, empobreceu o reino.
- Como se explica isto? - perguntou o rei ao jardineiro. - Depois de guerrearmos os pássaros, temos agora de guerrear os mosquitos e as lagartas. Como se dá batalha às lagartas?
Sorrindo, o velho jardineiro respondeu:
- Para guerrear as lagartas, temos de nos aliar aos pássaros. São eles que as comem, mais às larvas e a todos os bichinhos miúdos da natureza.
- Podias ter explicado isso mais cedo - comentou o rei, fazendo-se esquecido.
Logo ali mandou anular o decreto, que tinha apagado as asas dos céus do reino. Os pássaros já podiam, de novo, voar livremente. E poisar onde lhes apetecesse.
Assim é que estava certo.

António Torrado

 Entendendo o texto

 01. O que causou a irritação inicial do rei enquanto ele mostrava o pomar aos seus primos?

a) a falta de flores coloridas durante a primavera.

b) a presença de jardineiros que não estavam trabalhando.

c) a visão de alguns frutos meio apodrecidos caídos no chão.

d) a invasão de príncipes vizinhos que queriam roubar o pomar.

02. Qual foi a explicação dada pelo jardineiro para o estado dos frutos?

a) o excesso de sol que havia queimado a casca dos pêssegos.

b) os pássaros que bicaram os frutos mais apetitosos.

c) a falta de água para regar as árvores vindas de terras distantes. d) a presença de lagartas que haviam corroído o pomar.

03. Qual foi a medida drástica tomada pelo rei para proteger suas "riquezas"?

a) ditou um decreto mandando matar todos os pássaros do reino.

b) mandou construir muros mais altos para impedir a entrada de intrusos.

c) ordenou que os jardineiros vigiassem o pomar durante toda a noite.

d) decidiu vender todos os frutos antes que os pássaros os bicassem.

04. O que aconteceu no reino no ano seguinte à execução do decreto real?

a) o pomar tornou-se o mais produtivo e rico de toda a região.

b) os jardineiros foram demitidos por não terem mais trabalho.

c) os primos do rei voltaram para celebrar a ausência de passarinhos.

d) uma praga de lagartas e insetos destruiu as colheitas e empobreceu o reino.

05. Qual lição o jardineiro ensinou ao rei no final da história?

a) que os pássaros são inimigos naturais de todos os reis.

b) que é necessário usar venenos mais fortes contra os mosquitos. c) que, para combater as lagartas, é preciso se aliar aos pássaros, pois eles as comem.

d) que o rei deveria plantar apenas árvores que não atraíssem insetos.

CONTO: AS DUAS MELHORES AMIGAS - COM GABARITO

 Conto:As duas melhores amigas


Havia duas mulheres amigas, uma que podia ter filhos, e tinha muitos, e a outra não. Um dia, a mulher estéril foi a casa da amiga e convidou-a a visitá-la, dizendo:
- Amiga, tenho muitas coisas novas em casa, venha vê-las!
- Está bem. - concordou a outra.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjeNTNkZUTuAeaJ4pPWvwwHN5AZHueTEgJh2xQQI9NMr_20SqRP74KAXbBSaeHKrRoe4b29i8csE3cfY-ExkWC3phOpXVvhoGZhSHvtIM9ldOim8D9fdupjcioDVNEZ40UjzQUc-HZr30WXybnGasfSJf1KR6ov0ofgqvt_8FuIpu9pGYwLSs9kj5W6ZvQ/s1600/AMIGAS.jpg


De manhã cedo, a mulher que tinha muitos filhos foi visitar a amiga. Ao chegar a casa desta, chamou-a:
- Amiga, minha amiga! - trazia consigo um pano que a mulher estéril aceitou e guardou.
As duas amigas ficaram a conversar, tomando um chá que a dona da casa tinha preparado para as duas. Ao acabarem o chá, a dona da casa quis, então, mostrar à amiga as coisas que tinha comprado.
Passaram para a sala e a mulher estéril abriu uma mala mostrando à amiga roupa, brincos, prata e outras coisas de valor. No final da visita, a mulher que tinha muitos filhos agradeceu, dizendo:
- Um dia há-de ir a minha casa ver a mala que eu arranjei.
E, um certo dia, a mulher que não tinha filhos, foi a casa da amiga. Mal a viram, os filhos desta gritaram:
- A sua amiga está aqui! - agradeceram a peneira que ela trazia na cabeça e guardaram-na. Começaram, então, a preparar o chá. A mãe das crianças chamava-as uma a uma:
- Fátima!
- Mamã?
- Põe o chá ao lume!
- Mariamo!
- Sim?
- Vai partir lenha!
- Anja!
- Sim?
- Vai ao poço
- Muacisse!
- Mamã?
- Vai buscar açúcar!
- Muhamede!
- Sim?
- Traz um copo!
- Mariamo!
- Vamos lá, despacha-te com o chá!
Assim que o chá ficou pronto, tomaram-no e conversaram todos um pouco. Quando a amiga se ia embora, a mulher que tinha filhos disse:
- Minha amiga, eu chamei-a para ver a mala que arranjei, mas a minha mala não tem roupa nem brincos! A mala que lhe queria mostrar são os meus filhos!
A mulher que não podia ter filhos ficou muito triste e, antes de chegar a casa, sentiu-se muito mal, com dores de cabeça e acabou por morrer.
Comentário do narrador: coisa não é coisa, coisa é pessoa!

A missão principal da mulher é a procriação e o respeito que lhe é devido aumenta com a idade e com o número de filhos. Assim, ter filhos é muito importante e quantos mais se tiver melhor, pois eles são a riqueza e o futuro da família. Nas sociedades matrilineares, donde provém este conto (Norte de Moçambique), se as mulheres não tiverem filhos a sua linhagem não continua. Quando o homem é estéril, é repudiado de imediato; a esterilidade feminina é atribuída à pouca sorte, podendo, quer num caso quer noutro, tentar-se o tratamento junto do curandeiro.

Neste conto, após tudo ter tentado para poder engravidar e não o tendo conseguido, a mulher acabou por morrer de desgosto. A sua riqueza era feita só de bens materiais, enquanto que a riqueza da amiga eram os filhos. De realçar o costume de a visitante oferecer.

                                                                                                  Moçambique


Entendendo o texto

01. O que a mulher estéril mostrou para a amiga quando esta a visitou?

a) a sua numerosa família e seus servos.

b) uma mala com roupas, brincos, prata e objetos de valor.

c) uma plantação de trigo que havia sido poupada pelo fogo.

d) uma coleção de bules e xícaras de chá trazidos de longe.

02. Na história, o que a mulher que tinha muitos filhos considerava ser a sua "mala"?

a) a casa espaçosa onde recebia as visitas.

b) o enxoval que preparava para o casamento das filhas.

c) os seus próprios filhos.

d) as joias que ganhou do marido ao longo dos anos. resposta: c

03. Como a mulher que não tinha filhos reagiu ao descobrir qual era a verdadeira riqueza da amiga?

a) ficou feliz pela amiga e prometeu ajudá-la a cuidar das crianças. b) sentiu-se mal, ficou triste e acabou morrendo de desgosto.

c) decidiu procurar um curandeiro para tentar engravidar novamente.

d) pediu para adotar um dos filhos da amiga, chamado muhamede.

04. De acordo com o comentário do narrador e o contexto cultural do texto, o que significa a frase "coisa não é coisa, coisa é pessoa"? a) que os objetos materiais são mais duráveis que os seres humanos.

b) que não se deve dar nomes de coisas para as pessoas.

c) que a verdadeira riqueza não está nos bens materiais, mas nas pessoas (filhos).

d) que é falta de educação comparar amigos com malas de roupa.

05. Qual é a importância dos filhos nas sociedades mencionadas no texto (Norte de Moçambique)?

a) eles servem apenas para realizar os trabalhos domésticos, como buscar lenha.

b) eles representam a continuação da linhagem, a riqueza e o futuro da família.

c) eles são responsáveis por organizar as festas de coroação da vila.

d) eles garantem que a mãe possa descansar e não precise mais cozinhar.

 

 

 

 

 

 


CONTO: CINDERELA E A AVELEIRA - IRMÃOS GRIMM - COM GABARITO

 Conto: Cinderela e a aveleira

            Irmãos Grimm

 

Há muito tempo, aconteceu que a esposa de um rico comerciante adoeceu gravemente e, sentindo seu fim se aproximar, chamou sua única filha e disse:
- Querida filha, continue piedosa e boa menina que Deus a protegerá sempre. Lá do céu olharei por você, e estarei sempre a seu lado. Mal acabou de dizer isso, fechou os olhos e morreu.

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2PUCMY_zzfXcNeRVmm3qFmqWBga9u79aCtgnZOKf0XJEhEffYyUxmfAbkZhwVkjZeVhaJHuFNzitLqxvDIZnmxrytFACLpeo6O7qtrGQypdgFLIgIF_A7cIghpZiTbeVlvxF00HOc7TZvXUMoZ_G3CZeA43eWAJXHZ672yKFHqBpootQN8-iszl7NXZs/s1600/Cinderela.jpg

A jovem ia todos os dias visitar o túmulo da mãe, sempre chorando muito.
Veio o inverno, e a neve cobriu o túmulo com seu alvo manto.
Chegou a primavera, e o sol derreteu a neve. Foi então que o viúvo resolveu se casar outra vez.
A nova esposa trouxe suas duas filhas, ambas bonitas, mas só exteriormente. As duas tinham a alma feia e cruel.
A partir desse momento, dias difíceis começaram para a pobre enteada.
-  Essa imbecil não vai ficar no quarto conosco! _Reclamaram as moças.
-  O lugar dela é na cozinha! Se quiser comer pão, que trabalhe!
Tiraram-lhe o vestido bonito que ela usava, obrigaram-na a vestir outro, velho e desbotado, e a calçar tamancos.
- Vejam só como está toda enfeitada, a orgulhosa princesinha de antes! -disseram a rir, levando-a para a cozinha.
A partir de então, ela foi obrigada a trabalhar, da manhã à noite, nos serviços mais pesados.
Era obrigada a se levantar de madrugada, para ir buscar água e acender o fogo. Só ela cozinhava e lavava para todos.
Como se tudo isso não bastasse, as irmãs caçoavam dela e a humilhavam.
Espalhavam lentilhas e feijões nas cinzas do fogão e obrigavam-na a catar um a um.
À noite, exausta de tanto trabalhar, a jovem não tinha onde dormir e era obrigada a se deitar nas cinzas do fogão. E, como andasse sempre suja e cheia de cinza, só a chamavam de Cinderela.
Uma vez, o pai resolveu ir a uma feira. Antes de sair, perguntou às enteadas o que desejavam que ele trouxesse.
- Vestidos bonitos- disse uma.
-  Pérolas e pedras preciosas - disse a outra.
- E você, Cinderela, o que vai querer? - perguntou o pai.

 - No caminho de volta, pai, quebre o primeiro ramo que bater no seu chapéu e traga-o para mim.
Ele partiu para a feira, comprou vestidos bonitos para uma das enteadas, pérolas e pedras preciosas para a outra e, de volta para casa, quando cavalgava por um bosque, um ramo de aveleira bateu no seu chapéu. Ele quebrou o ramo e levou-o.
Chegando em casa, deu às enteadas o que haviam pedido e à Cinderela, o ramo de aveleira.
Ela agradeceu, levou o ramo para o túmulo da mãe, plantou-o ali, e chorou tanto que suas lágrimas regaram o ramo. Ele cresceu e se tornou uma aveleira linda.
Três vezes, todos os dias, a menina ia chorar e rezar embaixo dela.
Sempre que a via chegar, um passarinho branco voava para a árvore e, se a ouvia pedir baixinho alguma coisa, jogava-lhe o que ela havia pedido.
Um dia, o rei mandou anunciar uma festa, que duraria três dias.
Todas as jovens bonitas do reino seriam convidadas, pois o filho dele queria escolher entre elas aquela que seria sua futura esposa.
Quando souberam que também deveriam comparecer, as duas filhas da madrasta ficaram contentíssimas.
- Cinderela! - Gritaram. -  Venha pentear nosso cabelo, escovar nossos sapatos e nos ajudar a vestir, pois vamos a uma festa no castelo do rei!
Cinderela obedeceu chorando, porque ela também queria ir ao baile. Perguntou à madrasta se poderia ir, e esta respondeu:
- Você, Cinderela! Suja e cheia de pó, está querendo ir à festa? Como vai dançar, se não tem roupa nem sapatos?
Mas Cinderela insistiu tanto, que afinal ela disse:
-  Está bem. Eu despejei nas cinzas do fogão um tacho cheio de lentilhas. Se você conseguir catá-las todas em duas horas, poderá ir.
A jovem saiu pela porta dos fundos, correu para o quintal e chamou:
-  Mansas pombinhas e rolinhas!
Passarinhos do céu inteiro!
Venham me ajudar a catar lentilhas!
As boas vão para o tacho!
As ruins para o seu papo!
Logo entraram pela janela da cozinha duas pombas brancas; a seguir, vieram as rolinhas e, por último, todos os passarinhos do céu chegaram numa revoada e pousaram nas cinzas.
As pombas abaixavam a cabecinha e pic, pic, pic, apanhavam os grãos bons e deixavam cair no tacho. As outras avezinhas faziam o mesmo. Não levou nem uma hora, o tacho ficou cheio e as aves todas voaram para fora.
Cheia de alegria, a menina pegou o tacho e levou para a madrasta, certa de que agora poderia ir à festa. Porém a madrasta disse:
-  Não, Cinderela. Você não tem roupa e não sabe dançar. Só serviria de caçoada para os outros.
Como a menina começou a chorar, ela propôs:
- Se você conseguir catar dois tachos de lentilhas nas cinzas em uma hora, poderá ir conosco.
Enquanto isso, pensou consigo mesma: “Isso ela não vai conseguir…”
Assim que a madrasta acabou de espalhar os grãos nas cinzas, Cinderela correu para o quintal e chamou:
-  Mansas pombinhas e rolinhas!
Passarinhos do céu inteiro!
Venham me ajudar a catar lentilhas!
As boas vão para o tacho!
As ruins para o seu papo!
E entraram pela janela da cozinha duas pombas brancas; a seguir vieram as rolinhas e, por último, todos os passarinhos do céu chegaram numa revoada e pousaram nas cinzas.
As pombas abaixavam a cabecinha e pic, pic, pic, apanhavam os grãos bons e deixavam cair no tacho. Os outros pássaros faziam o mesmo. Não passou nem meia hora, e os dois tachos ficaram cheios. As aves se foram voando pela janela.
Então, a menina levou os dois tachos para a madrasta, certa de que, desta vez, poderia ir à festa.
Porém, a madrasta disse:
- Não adianta, Cinderela! Você não vai ao baile! Não tem vestido, não sabe dançar e só nos faria passar vergonha!

Contos, fabulas e historinhas: Cinderela
E, dando-lhe as costas, partiu com suas orgulhosas filhas.
Quando ficou sozinha, Cinderela foi ao túmulo da mãe e embaixo da aveleira, disse:
-  Balance e se agite,
árvore adorada,
cubra-me toda
de ouro e prata!
Então o pássaro branco jogou para ela um vestido de ouro e prata e sapatos de seda bordada de prata. Cinderela se vestiu, a toda pressa, e foi para a festa.
Estava tão linda, no seu vestido dourado, que nem as irmãs, nem a madrasta a reconheceram. Pensaram que fosse uma princesa estrangeira, para elas, Cinderela só poderia estar em casa, catando lentilhas nas cinzas.
Logo que a viu, o príncipe veio a seu encontro e, pegando-lhe a mão, levou-a para dançar. Só dançou com ela, sem largar de sua mão por um instante.
Quando alguém a convidava para dançar, ele dizia:
-  Ela é minha dama.
Dançaram até altas horas da noite e, até que Cinderela quis voltar para casa.
-  Eu a acompanho - disse o príncipe. Na verdade, ele queria saber a que família ela pertencia.
Mas Cinderela conseguiu escapar dele, correu para casa e se escondeu no pombal. O príncipe esperou o pai dela chegar e contou-lhe que a jovem desconhecida tinha saltado para dentro do pombal.
“Deve ser Cinderela…”, pensou o pai. E mandou vir um machado para arrombar a porta do pombal. Mas não havia ninguém lá dentro.
Quando chegaram em casa, encontraram Cinderela com suas roupas sujas, dormindo nas cinzas, à luz mortiça de uma lamparina.
A verdade é que, assim que entrou no pombal, a menina saiu pelo lado de trás e correu para a aveleira. Ali, rapidamente tirou seu belo vestido e deixou-o sobre o túmulo. Veio o passarinho, apanhou o vestido e levou-o. Ela vestiu novamente seu vestidinho velho e sujo, correu para casa e se deitou nas cinzas da cozinha.
No dia seguinte, o segundo dia da festa, quando os pais e as irmãs partiram para o castelo, Cinderela foi até a aveleira e disse:
-  Balance e se agite,
árvore adorada,
cubra-me toda
de ouro e prata!
E o pássaro atirou para ela um vestido ainda mais bonito que o da véspera. Quando ela entrou no salão assim vestida, todos ficaram pasmados com sua beleza.
O príncipe, que a esperava, tomou-lhe a mão e só dançou com ela. Quando alguém convidava a jovem para dançar, ele dizia:
-  Ela é minha dama.
Já era noite avançada quando Cinderela quis ir embora.
O príncipe seguiu-a, para ver em que casa entraria.
A jovem seguiu seu caminho e, inesperadamente, entrou no quintal atrás da casa.
Ágil como um esquilo, subiu pela galharia de uma frondosa pereira carregada de frutos que havia ali. O príncipe não conseguiu descobri-la e, quando viu o pai dela chegar, disse:
-  A moça desconhecida escondeu-se nessa pereira.
“Deve ser Cinderela”, pensou o pai. Mandou buscar um machado e derrubou a pereira. Mas não encontraram ninguém na galharia.
Como na véspera, Cinderela já estava na cozinha dormindo nas cinzas, pois havia escorregado pelo outro lado da pereira, correra para a aveleira, e devolvera o lindo vestido ao pássaro. Depois, vestiu o feio vestidinho de sempre, e correu para casa.
No terceiro dia, assim que os pais e as irmãs saíram para a festa, Cinderela foi até o túmulo da mãe e pediu à aveleira:
-  Balance e se agite,
árvore adorada,
cubra-me toda
de ouro e prata!
E o pássaro atirou-lhe o vestido mais suntuoso e brilhante jamais visto, acompanhado de um par de sapatinhos de puro ouro.
Ela estava tão linda, tão linda, que, quando chegou ao castelo, todos emudeceram de assombro. O príncipe só dançou com ela e, como das outras vezes, dizia a todos que vinham tirá-la para dançar:
-  Ela é minha dama.
Já era noite alta, quando Cinderela quis voltar para casa. O príncipe tentou segui-la, mas ela escapuliu tão depressa, que ele não pode alcançá-la.
Dessa vez, porém, o príncipe usara um estratagema: untou com piche um degrau da escada e, quando a moça passou, o sapato do pé esquerdo ficou grudado. Ela deixou-o ali e continuou correndo.
O príncipe pegou o sapatinho: era pequenino, gracioso e todo de ouro.
No outro dia, de manhã, ele procurou o pai e disse:
- Só me casarei com a dona do pé que couber neste sapato.
As irmãs de Cinderela ficaram felizes e esperançosas quando souberam disso, pois tinham pés delicados e bonitos.
Quando o príncipe chegou à casa delas, a mais velha foi para o quarto acompanhada da mãe e experimentou o sapato. Mas, por mais que se esforçasse, não conseguia meter dentro dele o dedo grande do pé. Então, a mãe deu-lhe uma faca, dizendo:
-  Corte fora o dedo. Quando você for rainha, vai andar muito pouco a pé.
Assim fez a moça. O pé entrou no sapato e, disfarçando a dor, ela foi ao encontro do príncipe. Ele recebeu-a como sua noiva e levou-a na garupa do seu cavalo.
Quando passavam pelo túmulo da mãe de Cinderela, que ficava bem no caminho, duas pombas pousaram na aveleira e cantaram:
-  Olhe para trás! Olhe para trás!
Há sangue no sapato,
que é pequeno demais!
Não é a noiva certa
que vai sentada atrás!
O príncipe virou-se, olhou o pé da moça e logo viu o sangue escorrendo do sapato. Fez o cavalo voltar e levou-a para a casa dela.
Chegando lá, ordenou à outra filha da madrasta que calçasse o sapato. Ela foi para o quarto e calçou-o. Os dedos do pé entraram facilmente, mas o calcanhar era grande demais e ficou de fora. Então, a mãe deu-lhe uma faca dizendo:
-  Corte fora um pedaço do calcanhar. Quando você for rainha, vai andar muito pouco a pé.
Assim fez a moça. O pé entrou no sapato e, disfarçando a dor, ela foi ao encontro do príncipe. Ele aceitou-a como sua noiva e levou-a na garupa do seu cavalo.
Quando passavam pela aveleira, duas pombinhas pousaram num dos ramos e cantaram:
-  Olhe para trás! Olhe para trás!
Há sangue no sapato,
que é pequeno demais!
Não é a noiva certa
que vai sentada atrás!
O príncipe olhou o pé da moça, viu o sangue escorrendo e a meia branca, vermelha de sangue. Então virou seu cavalo, levou a falsa noiva de volta para casa e disse ao pai:
-  Esta também não é a verdadeira noiva. Vocês não têm outra filha?
-  Não!- respondeu o pai -  A não ser a pequena Cinderela, filha de minha falecida esposa. Mas é impossível que seja ela a noiva que procura.
O príncipe ordenou que fossem buscá-la.
-  Oh, não! Ela está sempre muito suja! Seria uma afronta trazê-la a vossa presença! - protestou a madrasta.
Porém o príncipe insistiu, exigindo que ela fosse chamada. Depois de lavar o rosto e as mãos ela veio, curvou-se diante do príncipe e pegou o sapato de ouro que ele lhe estendeu.
Sentou-se num banquinho, tirou do pé o pesado tamanco e calçou o sapato, que lhe serviu como uma luva.
Quando ela se levantou, o príncipe viu seu rosto e reconheceu logo a linda jovem com quem havia dançado.
-  É esta a noiva verdadeira! — exclamou, feliz.
A madrasta e as filhas levaram um susto e ficaram brancas de raiva. O príncipe ergueu Cinderela, colocou-a na garupa do seu cavalo e partiram. Quando passaram pela aveleira, as duas pombinhas brancas cantaram:
-  Olhe pare trás! Olhe pare trás!
Não há sangue no sapato,
que serviu bem demais!
Essa é a noiva certa.
Pode ir em paz!
E, quando acabaram de cantar, elas voaram e foram pousar, uma no ombro direito de Cinderela, outra no esquerdo; ali ficaram.
Quando o casamento de Cinderela com o príncipe se realizou, as falsas irmãs foram à festa. A mais velha ficou à direita do altar, e a mais nova, à esquerda.
Subitamente, sem que ninguém pudesse impedir, a pomba pousada no ombro direito da noiva voou para cima da irmã mais velha e furou-lhe os olhos. A pomba do ombro esquerdo fez o mesmo com a mais nova, e ambas ficaram cegas para o resto de suas vidas.

Entendendo o texto

01. O que a mãe de Cinderela pediu à filha antes de morrer?

a) que ela se tornasse a rainha do reino.

b) que ela continuasse piedosa e boa para ter a proteção de deus. c) que ela nunca deixasse seu pai se casar novamente.

d) que ela plantasse uma aveleira sobre o seu túmulo

02. Qual foi o pedido de Cinderela ao seu pai quando ele foi à feira? a) vestidos suntuosos feitos de ouro e prata.

b) pérolas e pedras preciosas para competir com as irmãs.

c) o primeiro ramo que batesse no chapéu dele no caminho de volta.

d) um par de sapatinhos de cristal para usar no baile do rei.

03. Como surgiu a árvore que ajudava Cinderela com seus desejos?

a) a madrasta plantou a árvore para zombar da enteada.

b) o ramo de aveleira foi regado pelas lágrimas de cinderela no túmulo da mãe.

c) o rei enviou a árvore como um presente para todas as jovens do reino.

d) as irmãs trouxeram a muda da feira e cinderela a roubou.

04. Qual estratégia a madrasta usou para tentar impedir Cinderela de ir ao baile?

a) jogou lentilhas nas cinzas para que a moça as catasse em pouco tempo.

b) trancou a jovem em um quarto escuro no sótão.

c) mandou que ela limpasse todas as chaminés da cidade.

d) escondeu todos os sapatos de madeira da enteada. resposta: c

05. Como o príncipe conseguiu fazer com que um dos sapatos de Cinderela ficasse no castelo?

a) ele pediu que ela o entregasse como uma prova de amor.

b) ele amarrou os cadarços da jovem sem que ela percebesse.

c) ele espalhou piche nos degraus da escada para que o sapato grudasse.

d) ele convenceu os passarinhos a roubarem o sapato da moça.

06. O que as irmãs postiças fizeram para tentar enganar o príncipe e calçar o sapato?

a) usaram meias grossas para preencher o espaço vazio.

b) cortaram partes dos próprios pés (dedo e calcanhar) para que coubessem.

c) pediram que uma fada madrinha diminuísse o tamanho de seus pés.

d) lixaram o sapato de ouro até que ele ficasse maior.

07. Como o príncipe descobriu que as irmãs não eram as noivas verdadeiras?

a) a madrasta confessou o crime por estar arrependida.

b) o sapato quebrou enquanto elas caminhavam para o cavalo.

c) cinderela apareceu no castelo gritando a verdade. resposta: c

d) as pombas avisaram que havia sangue escorrendo dos sapatos.


 

LENDA: A ARCA DE TRIGO QUE O FOGO POUPOU - COM GABARITO

 Lenda: A arca de trigo que o fogo poupou

 

Há muitos anos atrás, João Machado Valadão, que morava na Vila das Velas, tinha ficado como mordomo de Espírito Santo para o ano seguinte. Guardava com muito respeito em sua casa, numa arca fechada à chave, a coroa e o estandarte e ainda um moio de trigo em sacos para o pão da coroação.
No mês de Setembro, como castigo pelos desacatos que muitas pessoas cometiam e para lhes animar a fé, pegou fogo na casa do dito homem. O fogo foi-se ateando com tal força que não houve água nem braços suficientes para o apagar.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgLlW8Tj4yyZlyPeAK-K8eOf_sUOrjizB3WZYV5TcMB8aIfbteu8h8t27QP4-afnoz-P0_cR6sm6nqD9F1-2Wjtgw3HdOpCOKSt20aWMyOpeduOLCu_s8IT6GCyIZufMO78LRlMyoOEKcUZnu3czmqsltSZRlTGjLp2044WO2Fla3yVsdIEfG8W6QJnrFc/s1600/images.jpg


Todos os que podiam andar juntaram-se para ajudar João Valadão, mas estavam impotentes. O calor e o barulho eram insuportáveis. Telhas, pedras, madeira saltavam e estalavam por todo o lado. As labaredas iam engordando à medida que queimavam as traves, os trens de casa, a roupa.
Chorosos, lamentavam-se e assistiam à fúria do fogo que queimava tudo o que encontrava à sua frente. Ficaram, porém, muito espantados, quando as chamas investiram contra a arca e os sacos de trigo guardados para o Espírito Santo e recuaram sem lhes causar qualquer dano.
Por fim o fogo foi-se extinguindo e da casa apenas restava um monte de cinza e pedras. Quando o calor diminuiu, começaram a esgravatar nos escombros com pouca esperança de que encontrassem alguma coisa a salvo.
Mas muitos louvores deram ao Espírito Santo, ao verem, no meio das cinzas, a arca com a coroa e o estandarte do Espírito Santo e os sacos de trigo em perfeito estado.
A fé no Espírito Santo tornou-se mais forte e as suas festas foram feitas com muita dedicação.

 

Entendendo o texto

 

01.  Qual era a função de João Machado Valadão na Vila das Velas?       

a. Ele era o responsável por apagar incêndios na vila.

b.  Ele era o mordomo do Espírito Santo para o ano seguinte.

c. Ele era um agricultor que vendia trigo para a coroação.

d.  Ele era o juiz encarregado de punir os desacatos da população.

02. Segundo o narrador, por qual motivo o fogo teria atingido a casa de João Valadão?

        a. Devido a um acidente doméstico com as velas da coroa.

        b. Por causa do calor excessivo que fazia no mês de setembro.

        c. Como um castigo pelos desacatos cometidos por muitas pessoas.

        d. Por negligência do mordomo ao guardar o trigo.

03. O que João Valadão guardava com respeito em sua arca fechada?

      a. As escrituras da sua casa e joias de família.

      b.  Apenas as roupas que seriam usadas no dia da festa.

      c.  A coroa, o estandarte e um moio de trigo em sacos.

      d. As chaves da Vila das Velas e o dinheiro da coroação.

04. Como as chamas reagiram ao encontrar a arca e os sacos de trigo?

      a. Consumiram a madeira da arca, mas pouparam o trigo.

      b.   Investiram contra os objetos, mas recuaram sem causar danos.

      c. Queimaram apenas a coroa e o estandarte, deixando a arca intacta.

      d.  Foram apagadas pela água que os vizinhos jogaram na arca.

05. Qual foi a consequência do evento para a população local?

       a. A fé no Espírito Santo se fortaleceu e as festas foram feitas com mais dedicação.

         b.  As pessoas decidiram não realizar mais as festas de coroação.

        c.  João Valadão foi expulso da vila por ter perdido sua casa.

        d. A população reconstruiu a casa de João com o trigo que sobrou.

sábado, 25 de abril de 2026

AVALIAÇÃO PROCESSUAL - SEE - 1º BIM - LÍNGUA PORTUGUESA - COM GABARITO

 AVALIAÇÃO PROCESSUAL - SEE - 1º BIM - LÍNGUA PORTUGUESA

Questão 01

Leia o texto.

 

Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA

Título I

Das Disposições Preliminares

Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.

BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 16 jul. 1990. www.planalto.gov.br. (Adaptado).

 Em “A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais”, no Art. 3º do ECA, a voz ativa está presente porque a frase

a.   omite o sujeito composto sobre quem se fala.

b.   especifica uma qualidade do sujeito composto.

c.   apresenta o sujeito composto que faz a ação verbal.

d.   identifica o sujeito composto que recebe a ação do verbo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgQ2R9bM6uzv4ki0lC398tFaJHfa6W5-i3yE8pQow1-wJABY1_jBXFxBdZf1JgGQjuyTeJLdvGdAZj8BMisZ8HtByITV8hJX4rakvEbcU05Zi0mW_XOmhrz-yEFIUS0fbk145hR5zKMmcqAjUiKtrS_hnHgu73xaGAOdeWFbVv1nJt1I14j_QHRLCbMvO0/s1600/ALUNO.jpg


Questão 02 

Leia o texto.

Lei nº 8.823, de 16 de janeiro de 2008

Dispõe sobre a gratuidade do transporte coletivo intermunicipal para aposentados e pensionistas e dá outras providências.

No sistema de transporte coletivo rodoviário intermunicipal de passageiros ficará assegurado ao idoso, aposentado ou pensionista:

I - a reserva de 2 (duas) vagas gratuitas por veículo acima de 20 (vinte) lugares;

II - a reserva de 1 (uma) vaga gratuita por veículo de até 20 (vinte) lugares.

§ 1º Os assentos destinados a gratuidade para aposentados idosos e pensionistas são de uso exclusivo para esta finalidade, não podendo ser comercializados e deverão estar identificados de forma de visível, com letreiro contendo a inscrição "vagas reservadas", ficando destinadas para tal finalidade as poltronas 1 - 2 ou 3 - 4.

MATO GROSSO. Lei nº 8.823, de 16 de janeiro de 2008. https://leisestaduais.com.br/. (Adaptado).

 

Na lei nº 8.823, o trecho que expressa a garantia de um direito está presente em

a.   “não podendo ser comercializados”.

b.   “são de uso exclusivo para esta finalidade”.

c.   "ficará assegurado ao idoso, aposentado ou pensionista”.

d.   “ficando destinadas para tal finalidade as poltronas 1 - 2 ou 3 - 4".

 

Questão 03 

 Leia o texto.

Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA

Título II

Dos Direitos Fundamentais

Capítulo I

Do Direito à Vida e à Saúde

§ 4 A criança com necessidade de cuidados odontológicos especiais será atendida pelo Sistema Único de Saúde. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016).

BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 16 jul. 1990. www.planalto.gov.br. (Adaptado).

No § 4 do Estatuto, o agente da passiva, identificado em “pelo Sistema Único de Saúde”, refere-se ao termo da frase que

a.   recebe a ação verbal.

b.   executa a ação verbal.

c.   funciona como objeto direto.

d.   é um complemento nominal.

Questão 04 

Leia o texto.

Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991

Dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados e dá outras providências.

Capítulo V

Do Acesso e do Sigilo dos Documentos Públicos

Art. 25 – Poderá ser sujeito à responsabilidade penal, civil e administrativa, na forma da legislação em vigor, aquele que desfigurar ou destruir documentos de valor permanente ou considerado como de interesse público e social.

BRASIL. Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Diário Oficial da União, 1991. www.planalto.gov.br. (Adaptado).

 

No Art. 25 da lei nº 8.159, está expressa a ideia de

a.   proibição.

b.   permissão.

c.   possibilidade.

d.   obrigatoriedade.

Questão 05 

 Leia o texto.

Eu vejo estrelas, e entre elas encontro a imensidão da escuridão, meus pensamentos nunca estiveram tão claros, vai ficar tudo bem...

Já não sei quanto tempo faz desde que ele me prendeu aqui, no começo foi fácil identificar os dias e as horas. Mas ficar dentro de um quarto isolado fica difícil de identificar em qual momento do dia estou.

ALEXANDER, Luciano. O silêncio das estrelas. Disponível em: https://livrariapublica.com.br/. (Adaptado).

O termo em destaque no texto é classificado sintaticamente como

a.   advérbio.

b.   objeto indireto.

c.   adjunto adnominal.

d.   predicado nominal.

Questão 06 

Leia o texto.

Lei nº 10.364, de 02 de fevereiro de 2016, do Mato Grosso

Art. 1º Fica instituído o Conselho Estadual da Juventude - CONJUV-MT, vinculado à Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social - SETAS, com a finalidade de fomentar, elaborar e propor políticas públicas para a juventude que permitam e garantam a integração e a participação do jovem no processo de construção social, econômico, político e cultural do Estado de Mato Grosso.

MATO GROSSO. Lei nº 10.364, de 2 de fevereiro de 2016. Disponível em: www.jusbrasil.com.br. Acesso em: 20 out. 2025. (Adaptado).

Os verbos em destaque no art. 1º da Lei nº 10.364 estão no presente do subjuntivo para

a.   demonstrar que a lei tem caráter atemporal.

b.   indicar ação habitual praticada pelo Estado.

c.   enfatizar fato passado que deu origem ao Conselho.

d.   expressar um direcionamento em relação às políticas públicas.