quinta-feira, 4 de junho de 2026

TESTE SOBRE VARIAÇÕES LINGUÍSTICA E FIGURAS DE LINGUAGEM - COM GABARITO

 TESTE SOBRE VARIAÇÕES LINGUÍSTICA E FIGURAS DE LINGUAGEM

01.Considere o texto abaixo:
“A variação é inerente às línguas, porque as sociedades são divididas em grupos: há os mais jovens e os mais velhos, os que habitam numa região ou outra, os que têm esta ou aquela profissão, os que são de uma ou outra classe social e assim por diante. O uso de determinada variedade linguística serve marcar a inclusão num desses grupos, dá uma identidade para os seus membros. Aprendemos a distinguir a variação. Quando alguém começa a falar, sabemos se é de São Paulo, gaúcho, carioca ou português. Sabemos que certas expressões pertencem à fala dos mais jovens, que determinadas formas se usam em situação informal, mas não em ocasiões formais. Saber uma língua é ser “poliglota” em sua própria língua. Saber português não é só aprender regras que só existem numa língua artificial usada pela escola. As variações não são fáceis ou bonitas, erradas ou certas, deselegantes ou elegantes, são simplesmente diferentes. Como as línguas são variáveis, elas mudam.”


FIORIN, José Luiz. “Os Aldrovandos Cantagalos e o preconceito linguístico”. In O direito à fala. A questão do preconceito linguístico. Florianópolis. Editora Insular, pp. 27, 28, 2002.


Assinale a alternativa que apresenta ideia incompatível com o que se defende no texto do professor José Luiz Fiorin.
a) Todo o falante nativo de uma determinada língua tem competência linguística, portanto a norma padrão seria uma dentre as variedades da língua.
b) Visto que qualquer língua é essencialmente heterogênea, cabe à escola enfatizar o conhecimento das regras, a fim de que os falantes desenvolvam a competência discursiva.
c) A língua sofre a influência do contexto em que o falante está inserido, dessa forma ensino da língua não preconceituoso pressupõe reconhecer o fato de que as diferentes formas de falar constituem variedades linguísticas que não devem ser desprezadas.
d) A competência discursiva do aluno não pode ser medida pela variedade linguística por ele empregada.
e) O falante “poliglota” revela sua competência linguística uma vez que é capaz de distinguir diferentes variações em sua própria língua.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCmGZKMbHxLGHPwrc1TdQPra0_Mz48b4dLn57QA3pdFTv8DnoXWYhteks7YYdpu5JMym0h8NDKkjLp_8ke_DBA0xD3e9PMfd3YhKuFblwgQ8ofSTZ05und3IrKXbvrDt10o7TCyZDL-J9Ddbl7IHcwC6Tdf42b3mFQgZv6r6WjPsbcmQPLlYTr9qK758k/s320/TESTE.png


02. No trecho “quando alguém começa a falar, sabemos se é de São Paulo, gaúcho, carioca ou português” (l.5). O autor faz referência a um tipo de variação linguística que se encontra na alternativa:

a. sociocultural
b. histórica
c. geográfica
d. coloquial

 

03.Considere o texto abaixo:
“Os linguistas sabem que não vale tudo, porque a língua, em todas as suas variantes, obedece a um conjunto de regras. Sabem, no entanto que esse conjunto de regras pode ser distinto de uma variante para a outra. Em segundo lugar, é preciso considerar que há formas linguísticas que podem ser usadas em determinadas situações de comunicação e não em outras e que há regras que são observadas por todos os falantes de uma dada língua e outras que não são gerais. (...)
Usar uma variante inadequada cria uma imagem inadequada do falante. “


FIORIN, José Luiz. “Os Aldrovandos Cantagalos e o preconceito linguístico.” In O direito à fala. A questão do preconceito linguístico. Florianópolis. Editora Insular, pp. 35,36, 2002.

Com base no texto, levando em consideração a situação de interlocução, assinale a alternativa que apresenta inadequação quanto ao aspecto linguístico.
a. Por gentileza, senhor, dirija-se a segunda sala. (a secretária de uma empresa para um cliente)
b. A gente é também responsável pelo fracasso do aluno, se os governantes não faz o que eles merece, nós temo a obrigação de fazer. (um professor em uma reunião de pais e mestres.)
C. -Lê, a comida está na geladeira, não deixa nada sujo garoto.
–tá bom, já ouvi.( diálogo entre irmãos)
d.KD vc?? Sumiu?
tô estudando.
tá bom. Xau,xau.( conversa de amigos no MSN)

 

04.(U. F. VIÇOSA) — Suponha um aluno se dirigindo a um colega de classe nestes termos: “Venho respeitosamente solicitar-lhe se digne emprestar-me o livro.” A atitude desse aluno se assemelha à atitude do indivíduo que:
a) comparece ao baile de gala trajando “smoking”.
b) vai à audiência com uma autoridade de “short” e camiseta.
c) vai à praia de terno e gravata.
d) põe terno e gravata para ir falar na Câmara dos Deputados.
e) vai ao Maracanã de chinelo e bermuda.

 

05. .Comente sobre a linguagem dos textos, se é conotativa ou denotativa, se são literários ou não literários.
a.
Na região nordeste do Japão, devastada pelo terremoto e tsunami de 11 de março, 25 mil soldados japoneses e americanos entraram no terceiro dia de buscas de vítimas. Até o momento apenas 167 corpos foram recuperados.

 

Linguagem: Denotativa. As palavras são usadas em seu sentido literal, real e objetivo, sem dupla interpretação. O foco é transmitir informações exatas sobre o acontecimento.

Natureza: Não literário. Trata-se de um texto jornalístico (uma notícia ou informativo). Sua única função é informar o leitor sobre fatos reais da forma mais direta e clara possível, sem preocupação com a beleza estética ou expressão de sentimentos.

Texto b.

b. Máquina breve
O pequeno vaga-lume
com sua verde lanterna,
que passava pela sombra
inquietando a flor e a treva
— meteoro da noite, humilde,
dos horizontes da relva;
o pequeno vaga-lume,
queimada a sua lanterna,
jaz carbonizado e triste
e qualquer brisa o carrega:
mortalha de exíguas franjas
que foi seu corpo de festa

 

 Linguagem: Conotativa. O texto está repleto de sentido figurado e metáforas. O vaga-lume é chamado de "máquina breve" e sua luz natural virou uma "verde lanterna". Ele também é comparado a um "meteoro da noite". As palavras ganham novos significados para criar imagens poéticas.

 Natureza: Literário. É um poema (composto por versos e estrofes). O objetivo principal não é dar uma notícia ou informar um dado científico sobre o inseto, mas sim emocionar, provocar reflexão sobre a brevidade da vida e criar uma experiência estética e artística por meio das palavras.

06. (UEL-PR) – Está usada em sentido denotativo a palavra sublinhada em:
a Embriagava-se daquela paisagem de intensas cores e cheiros.
b)
O homem batendo com violência no animal, que se aproximava vagarosamente..
c) Era a brisa do amanhecer que lhe afagava no peito uma tênue esperança.
d) A menção à sua beleza e encantos próprios iluminou-se o sorriso.
e) A freada fez o pneu assobiar no asfalto, mas nada houve, além disso.

07. (FUVEST–SP) – Na frase “(...) data da nossa independência política, e do meu primeiro cativeiro pessoal”, ocorre o mesmo recurso expressivo de natureza semântica que em:
a) Meu coração / não sei por quê / Bate feliz / quando te vê.
b) Há tanta vida lá fora / Aqui dentro, sempre / Como uma onda no mar.
c) Se lembra da fogueira, / Se lembra dos balões, Se lembra dos luares dos sertões?
d) Meu bem querer, / É segredo, é sagrado, / Está sacramentado / Em meu coração.

 

MAR PORTUGUÊS


Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

 

08. Em relação aos versos acima, ocorrem, respectivamente, duas figuras de linguagem nomeadas:
a) Metáfora e onomatopéia.
b) Catacrese e ironia.
c) Anacoluto e antítese.
d) Pleonasmo e metáfora.

 

REPORTAGEM: CRIANÇAS NA DIREÇÃO - FRAGMENTO - RICARDO KOTSCHO - COM GABARITO

 Reportagem: Crianças na direção – Fragmento

            RICARDO KOTSCHO

        Nos confins da chapada do Araripe, em Nova Olinda, cidade sertaneja de 12 mil habitantes, a 580 quilômetros de Fortaleza (CE), esconde-se um pequeno império de arte e comunicação, a Fundação Casa Grande-Memorial do Homem Kariri.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9gRqz4wG9ai3qY3Qj5H0mBwJzS_hTdJgoCggJLAqxD_0BsqJte_YJ3HO5V2w8LYhqt5ZOsB5JSnK0Y9ivX_iT_32zpICWjVC1y4IStAgpmQJs_1pGljAnnxbyz9cha84dlfgB41l3257O-9OWpOF04EaNzPja7U7hlCyRWHEHp6cdVp9Sf-8FZjckw4k/s1600/images.jpg 


        Não chega a ser uma Fundação Roberto Marinho, mas a Casa Grande é uma ONG que já tem rádio, televisão, jornal, editora, museu, grupos de teatro e de música. Detalhe: tudo é tocado por 70 crianças e adolescentes da cidade, artistas multimídia com idades que vão dos três aos 18 anos.

        Como dizem lá no sertão, a história para ser bem entendida tem de ser contada desde o começo. Neste caso, vem de muito antigamente, de quando foi construída a primeira casa grande nas terras dos índios kariri, em 1717.

        Comprada e reformada em meados do século passado pela família de Neco Trajano, avô de Francisco Alemberg de Souza, 36, o Alemberg Quindins, a casa foi abandonada em 1975 e estava servindo de banheiro público.

        Músico e pesquisador, Alemberg rodou o Brasil por dez anos, trabalhando ao lado da mulher, Rosiane Limaverde, 36, cantora e percussionista. Em 92, o casal voltou para Nova Olinda. Como precisasse de um canto para guardar o material recolhido durante as viagens, no rastro do universo geográfico dos kariri, Alemberg pediu a velha casa à família e ajuda à prefeitura para restaurá-la.

        Quem conta essa história nos mínimos detalhes aos visitantes que chegam a Nova Olinda são os adolescentes Alderiana Tavares Siebra e Francisco Cordeiro Teles, os dois com 13 anos. Entre outras funções, eles são também os guias do museu. "O povo mais antigo foi contando as histórias para a gente", explica Francisco.

        Escola e trabalho

        A ideia de criar a Escola de Comunicação da Meninada do Sertão surgiu ainda durante as obras, quando algumas crianças começaram a se interessar pelo trabalho de Alemberg e Rosiane. "O nosso maior desafio era trocar as enxadas das crianças que largavam a escola para trabalhar na lavoura pela tecnologia da comunicação", lembra Alemberg.

        Além da prefeitura, o projeto foi ajudado desde o começo pelo Unicef, o que permitiu ao Casa Grande montar os laboratórios de rádio, televisão e editoração. Outras parcerias foram surgindo com o governo do Ceará, universidades e, mais recentemente, com o Instituto Airton Senna.

        "Aqui tudo se cria, nada se copia. Casa Grande FM, a rádio que educa. Amanhã, à uma da tarde em ponto, volto com a melhor música infantil aqui no programa ‘Submarino Amarelo’. Boa tarde", anuncia ao microfone a locutora Jossamiris Alves Muniz, 9, ao lado da aprendiz Ana, 5, filha de Alemberg e Rosiane.

        Produção, operação e apresentação, além das vinhetas montadas em computador, tudo na FM 105.9, que alcança cinco cidades vizinhas, fica por conta de crianças como Jossamiris.

        Há três anos no ar, das 5h às 22h, a rádio comunitária Casa Grande apresenta o noticiário da cidade, também preparado pelas crianças, de meia em meia hora. A programação musical vai do jazz e blues à música clássica, cantoria de viola, MPB e ao forró de pé de serra. Um dos grandes sucessos é o "Baú do Raul", um programa só com músicas de Raul Seixas.

        Só podem participar das atividades multimídias crianças e adolescentes que frequentam a escola regular e tiram boas notas. "Aqui ninguém ganha dinheiro, só se ganha conhecimento. E quem comanda tudo é a meninada", diz Alemberg, orgulhoso da sua obra, enquanto caminha pelos bem arborizados jardins da casa. Em volta, atrás de cada porta, há sempre grupos estudando e trabalhando.

        Meires Moreira, 16, gerente da editora, mostra a uma turma de sete crianças como foram produzidas as 11 publicações da Casa Grande. "São revistas de histórias em quadrinhos com material pedagógico, que tratam desde educação sexual até campanha contra o fumo", diz a jovem. Além disso, a editora já imprimiu 28 edições do "Karirizinho", jornal quinzenal de circulação interna com tiragem de dez cópias.

        [...]
        Toda a comunicação visual dos diferentes núcleos da Fundação Casa Grande e do Memorial do Homem Kariri foi desenvolvida pelos próprios meninos e meninas da chapada do Araripe, que acabaram mesmo trocando a enxada pela tecnologia digital em menos de uma década.

KOTSCHO, Ricardo. Crianças na direção. Folha de São Paulo, 11 jul. 2001, p. E1.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 96-98.

Entendendo a reportagem:

01 – O que é a Fundação Casa Grande e onde ela está localizada?

      A Fundação Casa Grande-Memorial do Homem Kariri é uma ONG descrita como um "pequeno império de arte e comunicação" que possui rádio, televisão, jornal, editora, museu, além de grupos de teatro e música. Ela fica localizada nos confins da chapada do Araripe, em Nova Olinda, uma cidade sertaneja com 12 mil habitantes, a 580 quilômetros de Fortaleza (CE).

02 – Quem são os responsáveis por comandar e tocar as atividades da Fundação Casa Grande?

      Todas as atividades e núcleos da Fundação são tocados por 70 crianças e adolescentes da própria cidade. Eles atuam como artistas multimídia e suas idades variam dos três aos 18 anos.

03 – Qual era o estado da "casa grande" antes de ser restaurada por Alemberg Quindins e Rosiane Limaverde?

      A casa, construída originalmente em 1717 nas terras dos índios kariri e reformada no século passado pelo avô de Alemberg, havia sido abandonada em 1975 e estava servindo como banheiro público antes da restauração.

04 – Como surgiu a ideia de criar a "Escola de Comunicação da Meninada do Sertão"?

      A ideia surgiu durante as obras de restauração da velha casa, quando algumas crianças da região começaram a demonstrar interesse pelo trabalho de pesquisa e recolhimento de materiais que estava sendo feito por Alemberg e Rosiane.

05 – Qual foi o maior desafio apontado por Alemberg Quindins no início do projeto?

      O maior desafio era social e educativo: consistia em trocar as enxadas das crianças — que costumavam abandonar a escola regular para trabalhar na lavoura — pela tecnologia da comunicação.

06 – Quais são os requisitos obrigatórios para que as crianças e adolescentes possam participar das atividades multimídia da ONG?

      De acordo com o texto, só podem participar das atividades da Fundação Casa Grande os jovens e crianças que frequentam regularmente a escola tradicional e que tiram boas notas. Além disso, o trabalho não é remunerado ("ninguém ganha dinheiro, só se ganha conhecimento").

07 – O que a gerente Meires Moreira, de 16 anos, revela sobre as publicações produzidas pela editora da Fundação?

      Meires explica que a editora produziu 11 publicações, que consistem em revistas de histórias em quadrinhos com conteúdo pedagógico, abordando temas importantes como educação sexual e campanhas contra o fumo. Além disso, a editora também imprime o "Karirizinho", um jornal quinzenal de circulação interna.

 

 

HISTÓRIA: GAIA - HELOISA PRIETO - COM GABARITO

 História: GAlA

           Heloisa Prieto

        Quem já sentiu o aroma de minhas flores, o delicioso sabor de minhas frutas e a energia mágica que se acumula no cume de minhas montanhas, conhece a força de meu poder. Sou Gaia, a deusa da Terra.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgX6Eg4twJLdfg5e0BiPEcBI5thwMQmGlu9lPiIxE0FZlrh5bIDLgqwHdYE16PgMSJVZ_5lpQXYOj-CYv0H6aAht6Svt7huP7L-UOJpXJROb3dQZgqXLBdSlkQZAmCDy80ZlDuwIGDSMZ8vlhfxygnDSZRxeuw71zWoOeK6_DsHf0Vyj-156xwI_u5kNV8/s1600/artigo_43.jpeg


        O primeiro deus a surgir no mundo foi Caos; logo em seguida, eu nasci. Fiz surgir o céu, os vales, planícies e cordilheiras. Imediatamente fui coberta por florestas e habitada por animais.

        Sou amada pelas crianças, que adoram lambuzar-se em minhas terras enlameadas pela chuva e deitar-se sobre minhas relvas para contemplar os céus, onde vive Zeus, meu neto querido.

        Aliás, tive doze filhos. Cronos, o deus do tempo, é meu caçula. Houve uma época em que ele reinou sobre o mundo. Mas, infelizmente, Cronos não soube usar seus poderes e transformou-se num temível tirano. Tolerei seus atos o máximo que pude. Porém, quando ele tentou matar Zeus, fui obrigada a agir...

        COMO DESCOBRI OS SEGREDOS DO DESTINO

        Cronos embebedou-se com seu próprio poder. Sendo o deus do tempo, decidiu que seu reinado como senhor do universo seria eterno. Adivinhando que eu não concordaria com sua resolução, ocultou-a de mim. Ele sabia' que eu não acreditava no poder supremo de um único governante. Conhecia minhas opiniões: creio na mudança de estações, no eterno movimento da vida; penso que os jovens precisam assumir o lugar de seus pais para que o mundo se renove. Um dia, Cronos teria que ceder seu trono ao filho.

        Mais tarde, Cronos casou-se com Réia e dessa união nasceu o belo Zeus. Encantada com meu neto, fui até o lago do destino, cujas águas previam o futuro, e observei seus reflexos, procurando descobrir o que a vida reservava ao querido Zeus. A face adulta do menino surgiu através da transparência das águas e aos poucos notei que a cena ali estampada mostrava o pequeno como o futuro senhor do universo.

        Certa de que Cronos ficaria feliz em saber que seu poder seria herdado pelo próprio filho, comuniquei-lhe o que o destino lhe traria. Cronos enfureceu-se. Fez as horas começarem a correr e os homens a envelhecer. Para ele, desfrutar de um poder eterno era mais importante do que a vida de Zeus.

        Tentando proteger a vida de meu neto, voltei ao lago mágico para descobrir o segredo do futuro. Ao fitar novamente as águas prateadas, percebi que o futuro está sempre em movimento e que o gênio que as habitava era uma espécie de conselheiro indicando-me as escolhas possíveis. A primeira cena mostrava a morte do pequeno Zeus. Afastei-me das águas, revoltada. Depois, reuni toda a minha coragem e as observei mais uma vez. A segunda cena refletia minha imagem dentro de uma gruta. Foi então que fiquei sabendo o que deveria fazer.

        -- Réia, entregue seu bebê para mim imediatamente. Cronos não pode vê-Io –, fui dizendo assim que entrei no palácio de meu filho.

        Chorando, a bela Réia passou-me a criança envolta num lindo tecido branco. Eu o abracei com todo o carinho. Auxiliada por meu companheiro Urano, corri até a gruta secreta e escondi o menino num cantinho aconchegante. Chamei uma ninfa para cuidar bem dele.

        Quando regressei ao palácio de Cronos, encontrei todos em polvorosa.

        -- Onde está meu filho? –, gritava o deus do tempo, andando de um lado para o outro.

        Seu comportamento deu-me a certeza de que, infelizmente, meu filho havia enlouquecido. Obedecendo ao conselho das águas mágicas do futuro, entreguei a Cronos uma pedra do tamanho de um bebê envolta no mesmo tecido que Réia usara para cobrir a criança. Cronos transformou-se num gigante imenso e no mesmo instante engoliu o pacote inteiro. Convencido de que havia destruído o próprio filho, a quem via como um rival, o deus do tempo partiu para a terra, alegre e satisfeito.

        Zeus cresceu em segredo e muito amado por todos os que o conheciam. Quando se tomou um jovem, ganhou suas armas principais: o raio, a tempestade e os trovões. Ele sabia que no futuro teria que enfrentar o próprio pai. Para exercitar-se, montava nas nuvens, provocando as chuvas e fazendo raios cortarem os céus. No início, os humanos assustaram-se muito. Bem, para dizer a verdade, até hoje seus pequenos filhos temem as brincadeiras de Zeus. Foi esse o motivo por que meu neto permitiu que os humanos descobrissem uma parte do poder dos raios e o usassem em benefício próprio. Mas isso já não pertence às histórias do início dos tempos... 

PRIETO, Heloisa. Divinas aventuras. São Paulo, Companhia das Letrinhas, 1998, p. 35-36.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 112-114.

Entendendo a história:

01 – Quem é a narradora da história e como ela descreve sua relação com o surgimento do mundo?

      A narradora é Gaia, a deusa da Terra. Ela explica que o primeiro deus a surgir no mundo foi o Caos e, logo em seguida, ela nasceu. A partir de sua própria existência, ela fez surgir o céu, os vales, as planícies e as cordilheiras, sendo imediatamente coberta por florestas e habitada por animais.

02 – De acordo com o texto, quais são as opiniões de Gaia sobre o poder, o tempo e a renovação do mundo?

      Gaia não acredita no poder supremo de um único governante eterno. Ela defende a mudança das estações, o eterno movimento da vida e acredita que os jovens precisam assumir o lugar de seus pais para que o mundo possa se renovar.

03 – Como Cronos reagiu ao descobrir a profecia que Gaia viu no lago do destino?

      Ao saber que seu filho Zeus seria o futuro senhor do universo, Cronos enfureceu-se, pois queria que seu reinado fosse eterno. Como reação, ele fez as horas começarem a correr e os homens a envelhecer, demonstrando que desfrutar do poder era mais importante para ele do que a vida do próprio filho.

04 – O que Gaia descobriu ao olhar pela segunda vez para o lago mágico e que decisão tomou a partir disso?

      Ao olhar novamente para as águas prateadas, ela percebeu que o futuro está sempre em movimento e viu sua própria imagem dentro de uma gruta. Ela entendeu o conselho e decidiu agir: foi ao palácio, pediu o bebê Zeus para a mãe dele (Réia) e, com a ajuda de Urano, escondeu o neto em uma gruta secreta sob os cuidados de uma ninfa.

05 – Qual foi o truque que Gaia utilizou para enganar Cronos e salvar a vida de seu neto?

      Seguindo o conselho das águas mágicas, Gaia entregou a Cronos uma pedra do tamanho de um bebê, embrulhada no mesmo tecido branco que Réia havia usado para cobrir Zeus. Cego pelo desejo de destruir seu rival, Cronos engoliu o pacote inteiro sem perceber o engano.

06 – Quais armas Zeus ganhou quando se tornou jovem e como ele as utilizava para treinar?

      Ao atingir a juventude, Zeus ganhou o raio, a tempestade e os trovões. Para exercitar-se e se preparar para o futuro confronto contra seu pai, ele montava nas nuvens, provocando chuvas e fazendo raios cortarem os céus.

07 – Por que, segundo o fragmento, Zeus permitiu que os seres humanos descobrissem parte do poder dos raios?

      Os treinos de Zeus nos céus assustavam muito os humanos e seus filhos pequenos, que temiam os barulhos e as tempestades. Para compensar e acalmar a humanidade devido às suas "brincadeiras", Zeus permitiu que os homens dominassem parte do poder dos raios para usá-lo em benefício próprio.

 

CRÔNICA: UMA NOITE DE CÃO - MARCOS REY - COM GABARITO

 Crônica: Uma noite de cão

         Marcos Rey

        ─ Ramalho! Vá entrando. Eh? Que pacote é esse?

        ─ Não sente o cheiro? Passei n'O Rei do Frango Assado. É o melhor que se faz em São Paulo. Eu não ia chegar de mãos abanando.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh3K-m-4PI_JnIc6fW7sL0kteFZcgbiuR9WKU4jVb93you8D6ZrlPmQpJkWnubMlUhKLLOS_Kz-LUOMrThs4nFdEmw-D4zeyILvpxAdV5msA_oNklnpWobaPI9URuoPhF3_P2_ZSTdO1h-WZnnJ1dEYaGecgRzUCrZLOrihY_K5DecjhQXOIWxcxMOj9fE/s320/CAO.jpg


        Ramalho, um amigo do Rio, ao passar por São Paulo sempre parecia em meu apartamento com grandes notícias e pequenos pacotes. Como chegava habitualmente tarde e faminto, comprava no caminho qualquer coisa para comer: pizza, quibe, bauru. No entanto, jamais era bem-vindo por mim e minha mulher devido à hora imprópria das visitas, quando já íamos dormir.

        Virgínia Woolf não parava de balançar o rabo e de saltar sobre o Ramalho. Embora já quase o mordera certa vez, aquela noite nossa encantadora dálmata deu de lhe fazer festa. Minha mulher levou o frango para a cozinha. Desembrulhando sobre a mesa, era uma tentação.

        Sentamo-nos no living. Ramalho acomodou-se numa poltrona, de costas para a cozinha, a contar novidades sombrias do Rio. Vivíamos tempos pesados, tensos. Suas informações eram verdadeiras bombas. Confidenciou:

        ─ Um dos sequestradores é meu amigo.

        Levei um choque. E não era para menos. Virgínia entrava no living e postava-se elegantemente sob as patas dianteiras ao lado do Ramalho. Com o frango na boca. Isso mesmo: com o frango na boca. Olhei para minha mulher que deixou escapar um:

        ─ Meu Deus!

        ─ Vocês sabem de que falo, não? – perguntou, grave.

        Se Ramalho olhasse para baixo veria a cadela segurando a peça entre os dentes certamente à espera de autorização para iniciar a ceia. Erguei-me, forçando o visitante a olhar para o alto. Conversaria de pé. Sentindo a presença da dálmata na vizinhança, ele estendeu o braço e começou a acariciar-Ihe a cabeça. A centímetros da coxa esquerda do bípede assado... Pensei nas consequências. Se ele descobrisse onde estava o seu jantar; eu teria de me vestir; descer à garagem, toda lotada naquele horário, tirar o carro da vaga e sair pela madrugada à procura talvez dramática de outro frango.

        ─ Não quer saber qual é o amigo nosso que está envolvido?

        Puxei um pufe para bem perto do Ramalho. Diminuindo seu ângulo de visão, ele teria menos probabilidade de focar Virgínia. Já trabalhei na TV e entendo desses lances.

        ─ Claro que quero.

        Ramalho recuou na poltrona, ficando na mesma linha que o cão. A cara consorte empalideceu.

        Olhei para o teto.

        ─ Aquilo não é um inseto? – apontei.

        Ramalho e ela olharam para cima. E a dálmata também, com aquele bruta frango na boca.

        ─ É apenas uma mancha – ele observou.

        ─ Detesto insetos andando pela casa.

        O expediente deu resultado. Minha mulher aproveitou o momento e atraiu Virgínia para o corredor. Ouvi o cão rosnar. Não querendo entregar a presa, fugiu com ela para o terraço iluminado, em frente ao living. Vi Virgínia, perseguida, passar com o frango.

        ─ Gosto desse terraço – disse Ramalho levantando-se e encaminhando-se para as portas de vidro.

        Num salto, apaguei a luz.

        ─ Ele fica mais bonito no escuro, observe.

        Apesar da escuridão, vi a cachorra escondendo-se entre as floreiras.

        ─ Vamos ao frango – ele decidiu. – O cheirinho tomou conta do apartamento.

        ─ Primeiro sirvo um uísque.

        Ouvimos ganidos que assustaram o Ramalho. Ele seguiu pelo corredor.

        ─ A cachorra deve ter se machucado.

        Agarrei-lhe o braço.

        ─ Tome o uísque. Então um dos sequestradores é nosso amigo?

        Minha mulher apareceu afinal com um sorriso. Para a cozinha!

        Ramalho sentou-se diante do frango desossado. Só para ele!

        ─ O Rei do Frango Assado está com tudo – disse Ramalho no final. – Este estava demais! – E generoso:

        ─ Deixei um pedaço de peito pra cadela. Será que ela gosta?

         ─ Sei lá!

Marcos Rey. O coração roubado e outras crônicas. São Paulo, Ática, 1996. p. 25-28.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 150-152.

Entendendo a crônica:

01 – Quem é Ramalho e por que suas visitas costumavam incomodar o narrador e sua esposa?

      Ramalho é um amigo do Rio de Janeiro que sempre passava pelo apartamento do narrador em São Paulo. Ele causava incômodo porque tinha o hábito de chegar muito tarde da noite e faminto, justamente no horário em que o casal já estava se preparando para dormir.

02 – O que Ramalho levou para o apartamento naquela noite e qual revelação séria ele pretendia fazer?

      Ramalho levou um frango assado comprado no estabelecimento "O Rei do Frango Assado". Além disso, ele pretendia compartilhar notícias sombrias e confidenciais sobre tempos políticos tensos, revelando que um dos sequestradores de um caso recente era amigo deles.

03 – Quem é Virgínia Woolf na história e que situação cômica e tensa ela provoca?

      Virgínia Woolf é a cadela dálmata do casal. A situação tensa começa quando ela consegue pegar o frango assado inteiro que estava na cozinha e entra no living, postando-se elegantemente ao lado de Ramalho com a ave inteira na boca, sem que o visitante perceba.

04 – Por que o narrador ficou tão desesperado para esconder o roubo do frango? O que ele queria evitar?

      O narrador queria evitar o constrangimento e o transtorno logístico de ter que sair de madrugada para comprar outro jantar. Ele pensou que, se Ramalho descobrisse o roubo, ele seria obrigado a se vestir, descer até a garagem lotada, manobrar o carro e rodar pela cidade à procura de outro frango em plena madrugada.

05 – Quais foram os três truques ou estratégias que o narrador utilizou para impedir que Ramalho visse a dálmata com o frango?

      O narrador utilizou as seguintes estratégias visuais:

      Ficou de pé: Levantou-se repentinamente para forçar o visitante a olhar para cima.

      Mudou a mobília: Puxou um pufe para perto de Ramalho para diminuir seu ângulo de visão periférica.

      Inventou uma distração: Apontou para o teto fingindo ter visto um inseto, fazendo com que todos olhassem para o alto.

06 – Como o narrador agiu quando Ramalho decidiu ir até o terraço e, logo depois, quando a cadela começou a ganir no corredor?

      Quando Ramalho caminhou em direção ao terraço (onde a cadela se escondia com a presa), o narrador deu um salto e apagou a luz, alegando que o terraço ficava "mais bonito no escuro". Mais tarde, quando a cadela fujona faturou alguns ganidos no corredor, o narrador agarrou o braço de Ramalho, entregou-lhe um copo de uísque e mudou de assunto rapidamente, perguntando novamente sobre a identidade do sequestrador.

07 – Como a situação foi resolvida pela esposa do narrador e qual é a ironia no final da crônica?

      Enquanto o narrador distraía o amigo, a esposa conseguiu recuperar o frango (ou o que sobrou dele), preparou-o na cozinha e o serviu desossado para Ramalho. A grande ironia final é que Ramalho adora a refeição, elogia a qualidade do local onde comprou e, num gesto de generosidade, deixa um pedaço do peito para a cadela — sem ter a menor ideia de que ela já havia "temperado" e passado os dentes pelo frango inteiro minutos antes.

 

CONTO: AS CORES DO CREPÚSCULO - FRAGMENTO - RUBEM ALVES - COM GABARITO

 Conto: As cores do crepúsculo – Fragmento

            Rubem Alves

         [...]

        Mas a melhor coisa que pode acontecer na velhice é voltar a ser criança. Os velhos, tolos, querem continuar a ser úteis. Coitados! Ainda estão sob o domínio do olhar dos outros! Melhor seria se percebessem que o objetivo da vida não é ser útil. Útil é martelo, serrote, vassoura, fio dental, bicicleta. As coisas úteis, quando velhas, ficam inúteis. Inúteis, são jogadas fora.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhsImalFJsGLo-tsW9zBNmJvaLUXTyzTXKl8cjpTSbMAa4LN0Iq-W-HnDjAoyAEDWPVy7ZGuYy64BtkDAjZsK_8L07lWSq-xk142BVKwRpzfzlIxh3sqimuNI6yoq3Wnz4DAbhaN7EItg9XsCXiJXVNyUFeAenfiMj3ulbxGA9rQdHv9d7sbVKGPgikNzY/s1600/SOL.jpg


        [...]

        Mas o objetivo da vida não é a utilidade. É a feliz inutilidade do brincar. Brinquedo é uma atividade inútil a que nos entregamos por causa da alegria que ela nos dá. Pode ser formar quebra-cabeças, empinar pipas, ouvir música, ler literatura, cozinhar, caminhar, viajar, chupar sorvete, conversar, ver livros de arte, escrever, sonhar, cantar… E, acima de tudo, brincar com as crianças. Melhor ainda se tiver netos com quem brincar. Há mesmo os velhos que, na velhice, descobrem o amor. Amar é brincar com a pessoa amada. Tão bonito, o amor dos velhos. Lembro-me de uma cena do filme Doutor Jivago, a que mais me comoveu: um velhinho dando um beijo no rosto enrugado e velho da sua mulher, adormecida…

        Fiquei mais velho. Mas sou grato. Na velhice estou tendo felicidades com que nunca sonhei, quando jovem. [...]

Rubem Alves. As cores do crepúsculo: a estética do envelhecer. Campinas, Papirus, 2001.

Fonte: Língua portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD. São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 175-176.

Entendendo o conto:

01 – De acordo com o autor, qual é a "melhor coisa" que pode acontecer na velhice e por que ele sente pena dos velhos que insistem em querer continuar sendo úteis?

      A melhor coisa que pode acontecer na velhice é "voltar a ser criança". O autor sente pena dos idosos que tentam se manter úteis porque afirma que eles ainda estão presos e sofrendo "sob o domínio do olhar dos outros", sem perceber que o verdadeiro sentido da vida na maturidade não está ligado à produtividade ou à utilidade.

02 – Rubem Alves faz uma analogia entre pessoas que buscam a utilidade e objetos de trabalho. Como essa comparação é utilizada para alertar sobre os perigos de se viver apenas em função de ser útil?

      O autor compara a utilidade humana a objetos como martelo, serrote, vassoura e fio dental. Ele alerta que a lógica das coisas úteis é cruel: quando elas envelhecem, tornam-se inúteis e, consequentemente, são jogadas fora. Ao basear o valor da vida na utilidade, o idoso corre o risco de se sentir descartável quando o tempo passar.

03 – Como o autor define o conceito de "brinquedo" no texto e quais exemplos de atividades ele cita como formas de "brincar"?

      Rubem Alves define o brinquedo como "uma atividade inútil a que nos entregamos por causa da alegria que ela nos dá". Para ele, o objetivo da vida é essa "feliz inutilidade". Como exemplos, ele cita: montar quebra-cabeças, empinar pipas, ouvir música, ler literatura, cozinhar, caminhar, viajar, chupar sorvete, conversar, ver livros de arte, escrever, sonhar, cantar e brincar com crianças/netos.

04 – De que maneira Rubem Alves relaciona o sentimento do amor na velhice com o ato de brincar e qual cena cinematográfica ele utiliza para ilustrar essa beleza?

      O autor afirma que "amar é brincar com a pessoa amada", integrando o amor na mesma categoria de atividades prazerosas e "inúteis" (livres de obrigações) que trazem pura alegria. Para ilustrar a beleza do amor na velhice, ele resgata uma cena emocionante do filme Doutor Jivago, na qual um velhinho dá um beijo carinhoso no rosto enrugado de sua esposa adormecida.

05 – No fechamento do fragmento, o autor expressa um sentimento de gratidão. O que justifica esse agradecimento em relação à sua própria velhice?

      O autor é grato porque, ao envelhecer, ele descobriu e experimentou felicidades com as quais nunca havia sequer sonhado quando era jovem. Isso demonstra que, ao desapegar da cobrança pela utilidade e abraçar a leveza da infância recuperada, a velhice se tornou um período de surpreendente satisfação e contentamento.

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: PRECICLAR E RECICLAR - PÓLITA GONÇALVES - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Preciclar e Reciclar

          Pólita Gonçalves

         Você sabe o que é preciclar? É muito simples!  É pensar antes de comprar.  Quarenta por cento do que nós compramos é lixo.  São embalagens que, quase sempre, não nos servem para nada, que vão direto para o lixo aumentar os nossos restos imortais no planeta.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEihBlMCygAgVT0FYGRUqYPz-kX3VazeHlqYr-p8FDUgqun02ozc9wCn_ARlmm3kSg03Q0jH2yCQU5JLmu1tY_L3o6YUhB0d13XtaGCXyYfHBQh33IC5ny18nmWnAPMmooGYKRDLqUjtp_QxymF8ELYcuuH9kKka-izApyQOftKVf618_2xbmWozJX1Gydc/s320/RECICLAR.png


        Poderia ser diferente?

        Tudo sempre pode ser melhor...

        Pense no resíduo da sua compra antes de comprar.  Às vezes um produto um pouco mais caro tem uma embalagem aproveitável para outros fins.

        Estes são os 3 Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

        Reduzir o desperdício.

        Reutilizar sempre que possível antes de jogar fora.

        Reciclar, ou melhor, separar a reciclagem, pois, na verdade, o indivíduo não recicla, a não ser os artesãos de papel reciclado.

        O termo reciclagem, tecnicamente falando, não correspondem ao uso que fazemos dessa palavra, pois, reciclar é transformar algo usado em algo igual, só que novo.  Por exemplo: uma lata de alumínio, pós consumo, é transformada, através de processo industrial, em uma lata nova.

        Quando transformarmos uma coisa em outra coisa, ocorre a reutilização.

        O que cada um de nós pode fazer é praticar os dois primeiros Rs: reduzir e reutilizar.

        Quanto à reciclagem, o que devemos fazer é separar o lixo que produzimos e pesquisar as alternativas de destinação ecologicamente corretas.  Pode ser encaminhar o lixo para uma cooperativa de catadores ou até para uma instituição filantrópica que receba material reciclável para acumular e comercializar.

        O importante é pensarmos sobre os três Rs, procurando evitar o desperdício, reutilizar sempre que possível e, antes de mais nada, preciclar.  Ou seja, pensar antes de comprar.

        Evite embalagens plásticas que não podem ser transformadas em produtos plásticos reciclados.  O vidro, por sua vez, é totalmente reciclável e muito mais útil em termos de reutilização.

        Preciclar é pensar que a história das coisas não acaba quando as jogamos no lixo.  Tampouco acaba a nossa responsabilidade.

 

GONÇALVES, Pólita. http://www.lixo.com.br ou http://www.online.com.br/sitio/lixo.htm.

 

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 132-133.

Entendendo o artigo:

01 – Segundo o texto, qual é o significado do termo "preciclar"?

      Preciclar significa "pensar antes de comprar". É o ato de o consumidor avaliar o resíduo e a embalagem de um produto antes de adquiri-lo, tendo consciência de que a história das coisas e a nossa responsabilidade não terminam quando jogamos algo no lixo.

02 – Qual dado estatístico a autora apresenta para justificar a importância de se pensar antes de comprar?

      A autora afirma que 40% do que nós compramos é lixo. Trata-se de embalagens que, na maioria das vezes, não possuem nenhuma utilidade para o consumidor e vão direto para a lixeira, aumentando os "restos imortais" no planeta.

03 – Qual é a diferença técnica que o artigo estabelece entre "reciclar" e "reutilizar"?

      Tecnicamente, reciclar significa transformar industrialmente algo usado em um objeto igual e novo (como transformar uma lata de alumínio velha em uma lata nova). Já reutilizar acontece quando transformamos uma coisa em outra coisa diferente, ou quando aproveitamos uma embalagem para outros fins.

04 – Por que a autora afirma que o indivíduo comum, na verdade, não recicla? O que devemos fazer então?

      Ela afirma isso porque a reciclagem real depende de um processo industrial (com exceção dos artesãos de papel). Portanto, o papel do cidadão em relação ao terceiro "R" (Reciclar) deve ser o de separar o lixo produzido e pesquisar alternativas corretas de destinação, como enviar os materiais para cooperativas de catadores ou instituições filantrópicas.

05 – Qual comparação a autora faz entre as embalagens de plástico e as de vidro?

      A autora aconselha a evitar embalagens plásticas que não podem ser transformadas em novos produtos plásticos reciclados. Em contrapartida, ela destaca o vidro como uma excelente opção, pois é um material totalmente reciclável e muito mais útil para ser reutilizado no dia a dia.