quarta-feira, 4 de novembro de 2026

ADJUNTO ADNOMINAL - ATIVIDADES - COM GABARITO

 Adjunto Adnominal

 

        O adjunto adnominal é o termo da oração que caracteriza ou determina um substantivo, seja ele o núcleo do sujeito, do objeto, do predicativo, etc. Podem exercer essa função: artigos, adjetivos, locuções adjetivas, pronomes adjetivos e numerais.

 

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Exercícios de Língua Portuguesa – Adjunto Adnominal:

 01 – Destaque os adjuntos adnominais nas seguintes orações:

a) O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu amigo de infância.

      O, inovador, dois, longos, seu, de infância.

b) O notável poeta português deixou uma obra originalíssima.

      O, notável, português, uma, originalíssima.

c) O dia ensolarado está contagiante.

      O, ensolarado.

d) Seu sorriso maroto é lindo.

      Seu, maroto.

e) A água da chuva regou todas as plantas.

      A, da chuva, todas, as.

f) O passeio de campo nos deixou exaustas.

      O, de campo.

g) Minha culpa é meu segredo.

      Minha, meu.

h) Este teu olhar felino incendeia.

      Este, teu, felino.

i) Um novo sonho ressurgiu.

      Um, novo.

j) Os alunos surpreenderam os professores.

      Os (antes de alunos), os (antes de professores).

k) O primeiro candidato já se apresentou.

      O, primeiro.

l) A décima colocada no concurso é muito esforçada.

      A, décima.

 

 

MINICONTO: A PROFECIA - WERNER ZOTZ - COM GABARITO

 Miniconto: A profecia

           Werner Zotz

        Caraíbas têm cabeça oca. Deviam ter aprendido muitas lições com o povo filho da terra e não souberam enxergar, nem ouvir, nem sentir. E sofrerão por isso.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjM_uk0Vsseie8Jzj43n_Tq0w7n03fJlibcZSfLLe-hqy5j4OWcj9nm2s3xD7xCZrLESGTpYzP0boPmflMl29FNLKs0LNthiHWuWL8IoHI_eRNQEmDPFSqNGcPN9Dzm1lsaeFVzlbwUqgdZNZGjVHl4HcPF4JJCCNPQAaCWWat3l1fwnsOEOk7mma7Tvi4/s320/images.jpg 


        Dia virá em que ficarão com sede, muita sede, e não terão água para beber: os rios e lagoas e valos e regatos e até a água da chuva estarão sujos e pobres. E chorarão. E continuarão com sede porque a água do choro é salgada e amarga...

        O tempo da fome também virá. E a terra estará seca, o chão duro. As sementes do milho e a mandioca não mais nascerão verdes, alimentando a esperança de quarups ao redor do fogo com muita comida e bebida. A caça e peixe também terão fugido ou morrido. E a fome apertará o estômago do caraíba e ele não poderá comer nem sua riqueza, nem sua terra nua e estéril. 

        Os dias serão sempre mais quentes. E quando o caraíba procurar uma sombra como abrigo, descobrirá que a terra não tem mais árvores. 

        As noites serão escuras e frias. Sem lua, sem estrelas. E sem fogueiras quentes.

        E o caraíba, o homem-branco, chorará. E quando acordar de sua imensa estupidez será tarde, muito tarde.

        Eu, Tamãi, o velho pajé, falei.

Werner Zotz, In: "Apenas um Curumim". RJ. Nórdica.

Entendendo o miniconto:

01 – Quem é o narrador do texto "A PROFECIA" e de que perspectiva ele fala?

a) Um narrador observador, que não participa da história e conta os fatos do lado de fora.

b) O homem branco (caraíba), que relata o arrependimento por ter destruído a natureza.

c) Tamãi, o velho pajé, um narrador em primeira pessoa que usa a sabedoria indígena para alertar sobre o futuro.

d) Um cientista, que apresenta dados e estudos sobre o aquecimento global e a seca.

02 – Em relação ao tempo em que os fatos profetizados vão acontecer, o texto se organiza predominantemente no:

a) Passado, pois relata acontecimentos antigos que já foram esquecidos pelos índios.

b) Presente, mostrando ações que estão ocorrendo exatamente no momento da fala.

c) Futuro, indicando acontecimentos e consequências que ainda virão para o homem branco.

d) Tempo mítico atemporal, sem o uso de verbos que marquem época.

03 – Qual é o tema principal abordado na profecia do pajé Tamãi?

a) As celebrações e os rituais de festa ao redor do fogo com muita comida e bebida.

b) As consequências da destruição da natureza promovida pela ganância e estupidez do homem branco.

c) As técnicas de caça e pesca praticadas pelos povos indígenas no passado.

d) A rivalidade e as guerras entre diferentes tribos indígenas pelo território.

04 – Embora a profecia fale do futuro, em que cenário/ambiente o pajé Tamãi se encontra ao proferir suas palavras e sobre qual espaço ele profetiza?

a) Em uma cidade moderna e populosa, cercada por prédios e indústrias.

b) Em uma floresta ou aldeia indígena (a "terra"), profetizando sobre a degradação dessa mesma terra e de seus rios.

c) Em um navio no oceano, observando a poluição das águas salgadas.

d) No topo de uma montanha nevada, distante de qualquer vegetação.

05 – No trecho "As sementes do milho e a mandioca não mais nascerão verdes...", o uso de elementos da natureza serve para reforçar que:

a) O solo continuará fértil independentemente das ações do homem.

b) A escassez de alimentos e o fim da vida no planeta serão o resultado do desrespeito à terra.

c) Os indígenas deixaram de plantar por opção própria.

d) O caraíba aprenderá a cultivar a terra antes que os recursos acabem.

 

 

CHARGE: FERIADO - DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA - COM GABARITO

 

CHARGE: FERIADO – DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

01 – Assinale a opção que corresponde à posição crítica do chargista sobre o dia da Consciência Negra no Brasi.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaenrP3eanTORtv0BIBP7zcbsKxI5Pa0PDTv4aTozG48EcgyR0iA9U0BPZxeiJgbuSnFCotgJh321MdZ_vIfevTb8pJ15romCD6-qIue2sl8HI-lssL5g6178RfMUK_MI_JppIwH6_Eh7eofMpOpYFQAFdAw9uisADcSFgh1oUciY7mhDFuu60CawmsQ4/w343-h262/Charge-Feriado-Consci%C3%AAncia%20Negra.jpg

a) A charge faz crítica ao Movimento Negro, que incita a discórdia racial na sociedade brasileira.

b) O chargista demonstra como a população negra contribui minimamente para a economia brasileira.

c) O chargista demonstra como os negros trabalhadores encontram alternativas para erradicar a miséria do país.

d) A charge demonstra a persistência da desigualdade social e racial na sociedade brasileira.

 

02 – Explique como a charge utiliza a linguagem mista (verbal e não verbal) para criticar a situação do negro no mercado de trabalho.

      A charge combina elementos visuais (a caracterização dos personagens, suas vestimentas e as condições do ambiente) com o texto escrito para criar um contraste ironizado. Enquanto o texto menciona a data comemorativa ou a ideia de "feriado", o elemento visual mostra o personagem negro trabalhando de forma precária ou em situações desfavoráveis, evidenciando que as datas simbólicas ainda não se traduziram em igualdade concreta de oportunidades.

 

03 – De que maneira a crítica presente na charge dialoga com a história da abolição da escravidão no Brasil?

      A crítica dialoga ao mostrar que a abolição da escravidão (em 1888) libertou formalmente os escravizados, mas não garantiu integração social, acesso à terra, educação ou empregos dignos. A charge reflete o efeito dessa transição sem políticas de inclusão, demonstrando que as barreiras econômicas e sociais construídas historicamente continuam marginalizando a população negra no presente.

 

04 – Por que o gênero "charge" é uma ferramenta eficiente para debater temas sociais como o racismo estrutural?

      A charge é eficiente por usar o humor ácido, a ironia e a síntese visual para impactar o leitor de forma rápida e direta. Ao expor contradições do cotidiano em um único quadrinho, ela provoca o leitor a ir além do riso superficial e refletir sobre problemas complexos e enraizados na sociedade, como o racismo e a desigualdade.

 

05 – Qual a diferença entre considerar o Dia da Consciência Negra apenas um "feriado de descanso" e compreendê-lo como um momento de reflexão social, segundo a mensagem da charge?

      Reduzir a data a um mero descanso ignora o propósito de sua criação: homenagear a luta de Zumbi dos Palmares e discutir o combate ao racismo. A charge evidencia que, enquanto parte da sociedade usufrui do feriado, a maior parcela da população negra permanece exposta a jornadas informais ou à vulnerabilidade social, reforçando que o dia deve ser, sobretudo, de conscientização e cobrança por políticas públicas transformadoras.

 

MINICONTO: ENIGMA POLICIAL: DOIS SUSPEITOS, UM CULPADO - COM GABARITO

 Miniconto: Enigma Policial: Dois Suspeitos, Um Culpado


        Quando o delegado Barreto chegou à delegacia da pequena, mas elegante estância balneária, onde passava alguns dias de férias, não estava de muito bom humor, pois não gostava de ser importunado nos raros períodos de repouso. O fato, portanto, revestia-se de importância. Durante a noite, um ladrão penetrara na residência de verão do barão de Ornale. Alertado por um ruído, o vigia conseguira apenas divisar um vulto costeando rapidamente o muro da propriedade, mas este desaparecera pelo portão, cuja fechadura fora forçada, antes mesmo que o vigia tivesse tempo de disparar. Sem dúvida, o muro era baixo, pois media apenas 1,55 m de altura no lado que dava para o parque.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhD_4ATThxh0nNoy0EtjdC1iS-mkf_a90B1rSaKFkKW-k7PQR7A7RHTuRlGgUne8tCKiFjeI8f0Je1cZZ7KFRl9aKK4dC0YqCPo17tZp6WDs9JxZPech3SuU89LEQQO0vbmg_Qw2wZ9m-TXyxypcfwfzvExLC065DXmK4ru75yN2j-TN5f_gu18Mh2NiOA/s1600/images.jpg


        Barreto, sentado na sala do delegado local, fumava nervosamente. “O senhor prendeu então dois suspeitos?”, disse ele.

        -- “Sim”, respondeu o delegado. “Meus guardas afirmam ter visto os dois lá pelas 2 da madrugada nas cercanias da residência.”

        -- “Logo no início das investigações, encontraram, numa cerca situada a uns 100 metros de suas respectivas casas, um pacote contendo objetos de valor furtados durante a noite. Mas, qual dos dois é o culpado?”

        Barreto olhou os dois homens a sua frente: um deles, João Rabino, sólido e robusto, media 1,80 m e parecia ser ágil como um macaco. O outro, Miguel Borda, em contraste, media apenas 1,50 m e coxeava ligeiramente devido a um acidente sofrido há vários anos. Ambos defendiam-se tenazmente da acusação de furto que lhes era atribuída. O vigia da residência, convocado a depor, nada acrescentara de útil. A noite estava escura demais e de longe não lhe fora possível identificar o vulto que avistara pelo portão.

Ator desconhecido.

Entendendo o miniconto:

01 – Por que o delegado Barreto não estava de bom humor ao chegar à delegacia?

      Barreto não estava de bom humor porque estava passando alguns dias de férias na estância balneária e não gostava de ser importunado durante seus raros períodos de descanso.

02 – O que aconteceu na residência de verão do barão de Ornale durante a noite?

      A residência foi invadida por um ladrão que forçou a fechadura do portão e furtou objetos de valor da propriedade.

03 – Quais foram as únicas evidências observadas e relatadas pelo vigia da propriedade?

      O vigia apenas conseguiu divisar um vulto costeando rapidamente o muro e fugindo pelo portão. Ele não pôde identificar quem era porque a noite estava muito escura e o vulto estava distante.

04 – Quais são as características físicas e particulares dos dois suspeitos, João Rabino e Miguel Borda?

      João Rabino é sólido, robusto, mede 1,80 m de altura e aparenta ser muito ágil. Já Miguel Borda mede apenas 1,50 m de altura e coxeia ligeiramente por conta de um acidente antigo.

05 – Com base nas pistas do texto, qual dos dois suspeitos é o culpado e por que o outro pode ser descartado?

      O culpado é João Rabino. O texto menciona que o ladrão costeou o muro pelo lado do parque, que media 1,55 m de altura, e fugiu de forma rápida e ágil. Como Miguel Borda mede apenas 1,50 m (sendo mais baixo que o muro) e possui uma deficiência física que o faz coxear, seria impossível para ele fugir com a rapidez descrita pelo vigia. João Rabino, com 1,80 m e grande agilidade, é o único capaz de realizar tal ação.

 

 

SONETO: AMAR! - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Soneto: Amar!

           Florbela Espanca


Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi_iv4ouRxAFvov7ds-clVYHyqdZCSR6WCG2B96_puk10Bwn97lcOvqJa52LSMOhP8i28eOuExiM01yMCfG-xKrmaYKAsL0fmtX5WPu7xGVR5qH8zSFfFGcGXUQ2oTQvuWTdc_pcLU31bdU-KwWksAC6JqzZsuXRNzzSSZ2A1quWjbZPTHDGqm-Xn2PjWk/s320/images.png

 

Entendendo o soneto:

01 – Qual é a principal contradição (paradoxo) apresentada na primeira estrofe sobre o sentimento do amor?

      A primeira estrofe constrói um paradoxo ao expressar o desejo de amar de forma intensa, irrestrita e universal ("Amar só por amar: aqui... além... / Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente..."), para logo em seguida concluir com "E não amar ninguém!". Essa contradição revela que a poetisa ama a própria capacidade de sentir amor (o ato abstrato de amar) mais do que se prender a uma pessoa específica.

 

02 – De que forma a segunda estrofe expressa a visão do eu lírico sobre a duração e a estabilidade do amor?

      A segunda estrofe questiona a permanência do amor ao afirmar categoricamente que "Quem disser que se pode amar alguém / Durante a vida inteira é porque mente!". Para o eu lírico, o amor é um sentimento inconstante e fugaz, tornando indiferentes os dilemas morais ou saudosistas ("Recordar? Esquecer?", "Prender ou desprender? É mal? É bem?").

 

03 – O que simboliza a metáfora da "primavera" presente no primeiro terceto?

      A "primavera" simboliza a juventude, o ápice da vida e o florescimento dos sentimentos. O eu lírico defende que cada vida possui o seu momento de auge e vitalidade e que é um dever humano usufruir e cantar essa fase efêmera com intensidade ("Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!").

 

04 – Como o verso "Que seja a minha noite uma alvorada" dialoga com o tema da finitude humana no último terceto?

      O verso utiliza a antítese entre "noite" (que representa a morte, a velhice ou o fim da vida) e "alvorada" (que representa o renascimento, a luz e o começo). O eu lírico deseja encarar a finitude e a mortalidade ("pó, cinza e nada") não com pesar, mas com a iluminação, a beleza e a intensidade de um novo amanhecer.

 

05 – Como o tom lírico do poema reflete as características marcantes do Neossimbolismo/Irmandade Sensualista na obra de Florbela Espanca?

      O poema reflete a poética florbeliana através do lirismo passional, da exaltação do desejo e da busca por uma entrega absoluta sem amarras morais. A presença constante de pontuação emotiva (exclamações, reticências, interrogações) traduz a inquietude existencial, o excesso sentimental e a busca pela autodescoberta através da perda ("Que me saiba perder... pra me encontrar...").



 

 

PRONOME - ATIVIDADES - COM GABARITO

 Pronome

 

        O pronome é a palavra que substitui ou acompanha um substantivo (nome), definindo seus limites de significação. É variável em gênero e número.

        É uma das classes gramaticais mais cobradas em questões de concursos públicos.

        Farei uma breve introdução para que você possa relembrar algumas informações importantes a respeito dos pronomes e, em seguida, começarei os exercícios.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqxEw52E3ZQDaf6IcHsIBTEIyFYaiYoI1GJKoQh0szgKrNATGFlwfRNP_trHRQRzwIbDqP2IT_BvXw_OTUXHVKJRHWhIuPe-BfPJ_DWGk121PbUzQe57pc3_J8U42bc8UBCz2UK8do8_IXTtArTgJsEXhZ8nLB4enaI0A-r8kEZGL00rsDBTqteKPDP8M/s320/images.jpg 

CLASSIFICAÇÃO DOS PRONOMES

Pessoal – reto (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas)

– oblíquo (me, mim, comigo, te, ti, contigo...)

– de tratamento (você, Vossa Senhoria, Vossa Excelência...)

Demonstrativo (este, esse, aquele, isto, isso, aquilo...)

Possessivo (meu, teu, seu, minha, tua, sua...)

Indefinido (algum, alguma, nenhum, nenhuma, todo, toda...)

Interrogativo (que, quem, qual, quais, quanto(a/s)

Relativo (que, quem, o qual, cujo, quanto, onde, como, quando...)

 

PRONOME X LOCUÇÃO PRONOMINAL

        O pronome é formado apenas por uma palavra.

Ex.: ninguém, alguém, nada (pronomes indefinidos)

        A locução pronominal é formada por duas palavras ou mais.

Ex.: cada um, qualquer um (locuções pronominais indefinidas)

 

PRONOME SUBSTANTIVO X PRONOME ADJETIVO

        Pronome substantivo substitui um substantivo.

Ex.: Ele saiu cedo de casa. (Nunca está acompanhado de um substantivo.)

        Pronome adjetivo acompanha um substantivo.

Ex.: Meu cachorro está no canil. (O pronome “meu” acompanha o substantivo “cachorro”.)

 

PRONOME OBLÍQUO ÁTONO X PRONOME OBLÍQUO TÔNICO

        Os pronomes oblíquos átonos empregam-se como complemento, sem preposição. São eles: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes.

Ex.: Comprei-a. / Vi-os sair.

 

        Os pronomes oblíquos tônicos são usados com preposição. São eles: mim, comigo, ti, contigo, ele, ela, si, consigo, nós, conosco, vós, convosco, eles, elas.

Ex.: Trouxe a encomenda para mim? / Meu está sempre contra ela.

Dica: Tônico – Com preposição

Atenção! Os pronomes “ele, ela, eles, elas” podem funcionar como pronomes retos ou pronomes oblíquos tônicos. Nesse último caso, eles sempre virão acompanhados de preposição.

Ex.: Ele é meu melhor amigo. / Elas não sabem a verdade. (retos)

Dei vinte reais a ele. / Entreguei os documentos para ela. (oblíquos).

 

Exercícios:

01 – Classificação dos Pronomes

Classifique os pronomes destacados nas frases abaixo de acordo com a sua função gramatical (Pessoal Reto, Pessoal Oblíquo, Demonstrativo, Possessivo, Indefinido, Relativo ou Interrogativo):

a) Alguém deixou a porta aberta.

      Indefinido (refere-se à 3ª pessoa de forma vaga/imprecisa).

b) O livro que comprei é excelente.

      Relativo (substitui o termo antecedente "livro").

c) Guarde seus pertences na mochila.

      Possessivo (indica posse em relação ao substantivo "pertences").

d) Quem disse isso a você?

      Interrogativo (usado em uma pergunta direta).

 

02 – Pronome vs. Locução Pronominal

Diferencie pronome de locução pronominal identificando a opção correta em cada caso:

I. "Ninguém soube responder à pergunta." (Pronome ou Locução pronominal?)

II. "Cada um deve fazer a sua parte." (Pronome ou Locução pronominal?)

      I. Pronome (formado por apenas uma palavra: ninguém).

      II. Locução pronominal (conjunto de duas ou mais palavras com valor de pronome: cada um).

 

03 – Pronome Substantivo vs. Pronome Adjetivo

Identifique se o pronome destacado funciona como Pronome Substantivo (substitui o nome) ou Pronome Adjetivo (acompanha o nome):

a) Nossa professora explicou a matéria com clareza.

      Pronome Adjetivo (o pronome "Nossa" acompanha e determina o substantivo "professora").

 

b) Todos entregaram os relatórios; alguns, porém, esqueceram a assinatura.

      Pronome Substantivo (o pronome "alguns" substitui o substantivo "alunos/relatórios", estando sozinho no contexto).

 

04 – Pronome Oblíquo Átono vs. Tônico

Sublinhe os pronomes oblíquos e classifique-os em Átono (sem preposição) ou Tônico (com preposição):

a) Entregaram-me os documentos pela manhã.

      me – Pronome Oblíquo Átono (liga-se ao verbo sem auxílio de preposição).

b) O diretor conversou comigo sobre o projeto.

      comigo – Pronome Oblíquo Tônico (já traz a preposição "com" embutida na palavra).

c) O presente foi comprado para mim.

      mim – Pronome Oblíquo Tônico (usado imediatamente após a preposição "para").

 

05 – Distinção entre Pronome Reto e Pronome Oblíquo Tônico

Analise as palavras ele/ela nas frases a seguir e identifique se funcionam como Pronome Pessoal do Caso Reto ou Pronome Pessoal Oblíquo Tônico:

a) Ela apresentou o seminário com perfeição.

      Pronome Pessoal do Caso Reto (atua como sujeito da oração e não vem regido de preposição).

b) Todos os elogios da equipe foram direcionados a ela.

      Pronome Pessoal Oblíquo Tônico (atua como complemento do verbo/nome e vem antecedido pela preposição "a").

 

06 – Emprego dos Pronomes Demonstrativos

Preencha as lacunas com os pronomes demonstrativos adequados (este/esta/isto ou esse/essa/isso):

a) "Por favor, pegue essa caneta que está aí ao seu lado."

      essa (usado para objetos que estão próximos do interlocutor/com quem se fala).

b) "Esta caneta aqui na minha mão escreve muito bem."

      esta (usado para objetos que estão próximos do emissor/de quem fala).

 

07 – Questão Estilo Concurso (Múltipla Escolha)

Assinale a alternativa em que o pronome destacado está corretamente classificado:

a) "Não encontramos nenhum erro no relatório." — Pronome Relativo.

b) "A garota cujo pai é médico passou no exame." — Pronome Indefinido.

c) "Emprestei-lhe meu livro de gramática." — Pronome Oblíquo Átono.

      O pronome "lhe" é um oblíquo átono exercendo a função de objeto indireto (sem preposição explícita). Nas demais alternativas: em (a) "nenhum" é indefinido; em (b) "cujo" é relativo; em (d) "este" é demonstrativo.

d) "Aquele carro este é o meu sonho de consumo." — Pronome Pessoal Reto.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: QUEM SÃO E O QUE QUEREM OS QUE NEGAM A INTERNET? - NICHOLAS CARR - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Quem são e o que querem os que negam a Internet?

              Nicholas Carr

 

        O Vale do Silício, conjunto monótono de centros comerciais, parques empresariais e complexos de fast-food, não parece um núcleo cultural, e, no entanto, se converteu exatamente nisso. Nos últimos 20 anos, a partir do exato momento em que a empresa de tecnologia norte-americana Netscape comercializou o navegador inventado pelo visionário inglês Tim Berners-Lee, o Silicon Valley tem remodelado os Estados Unidos e grande parte do mundo à sua imagem e semelhança. Provocou uma revolução na forma de trabalhar dos meios de comunicação, mudou a forma de conversar das pessoas e reescreveu as regras de realização, venda e valorização das obras de arte e outros trabalhos relacionados com o intelecto.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLfVporn_ZUupkde4-OVQ_3MisaKPh-LMvCHhpBRBnACXNaqEAD2DxA5pgtvJyJHYQvmKMOohOUf6PXVoIwa-Wwv35YdyOvtn8_6tWsEElRhRvDjN7d7I0Dz45dcACCqE9TZLwH-6DBZMvOc09VA7u3pSLy1bVOZdYj-bPIIKpgeOJdrZGWVu3FVcMYMg/s320/images.jpg


        De bom grado, a maioria das pessoas foi outorgando ao setor tecnológico um crescente poder sobre suas mentes e suas vidas. No fim das contas, os computadores e a Internet são úteis e divertidos, e os empresários e engenheiros se dedicaram a fundo para inventar novas maneiras de fazer com que desfrutemos dos prazeres, benefícios e vantagens práticas da revolução tecnológica, geralmente sem ter que pagar por esse privilégio. Um bilhão de habitantes do planeta usam o Facebook diariamente. Cerca de dois bilhões levam consigo um smartphone a todos os lugares e costumam dar uma olhada no dispositivo a cada poucos minutos durante o tempo em que passam acordadas. Os números reforçam o que já sabemos: ansiamos pelas dádivas do Vale do Silício. Compramos no Amazon, viajamos com o Uber, dançamos com o Spotify e falamos por WhatsApp e Twitter.

        Mas as dúvidas sobre a chamada Revolução Digital têm crescido. A visão imaculada que as pessoas tinham do famoso vale tem ganhado uma sombra inclusive nos Estados Unidos, um país de apaixonados pelos equipamentos eletrônicos. Uma onda de artigos recentes, surgida após as revelações de Edward Snowden sobre a vigilância na Internet por parte dos serviços secretos, tem manchado a imagem positiva que os consumidores tinham do setor de informática. Dão a entender que, por trás da retórica sobre o empoderamento pessoal e a democratização, se esconde uma realidade que pode ser exploradora, manipuladora e até misantrópica.

        As investigações jornalísticas encontraram provas de que nos armazéns e escritórios do Amazon, assim como nas fábricas asiáticas de computadores, os trabalhadores enfrentam condições abusivas. Descobriu-se que o Facebook realiza experiências clandestinas para avaliar o efeito psicológico em seus usuários manipulando o “conteúdo emocional” das publicações e notícias sugeridas. As análises econômicas das chamadas empresas de serviços compartilhados, como Uber e Airbnb, indicam que, apesar de proporcionarem lucros a investidores privados, é possível que estejam empobrecendo as comunidades em que operam. Livros como The People’s Platform [A plataforma do povo], de Astra Taylor, publicado em 2014, mostram que com certeza a Internet está aprofundando as desigualdades econômicas e sociais, em vez de ajudar a reduzi-las.

        As incertezas políticas e econômicas ligadas aos efeitos do poder do Vale do Silício vão além, enquanto o impacto cultural dos meios de comunicação digitais se submete a uma severa reavaliação. Prestigiosos autores e intelectuais, entre eles o prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa e o romancista norte-americano Jonathan Franzen, apresentam a Internet como causa e sintoma da homogeneização e da trivialização da cultura. No início deste ano, o editor e crítico social Leon Wieseltier publicou no The New York Times uma enérgica condenação do “tecnologicismo”, em que sustentou que os “gangsteres” empresariais e os filisteus tecnológicos confiscaram a cultura. “À medida que aumenta a frequência da expressão, sua força diminui”, disse, e “o debate cultural está sendo absorvido sem parar pelo debate empresarial”.

        Também no plano pessoal estão se multiplicando as preocupações sobre a nossa obsessão com os dispositivos fornecedores de dados. Em vários estudos recentes, os cientistas começaram a relacionar algumas perdas de memória e empatia com o uso de computadores e da Internet, e estão encontrando novas provas que corroboram descobertas anteriores de que as distrações do mundo digital podem dificultar nossas percepções e julgamentos. Quando o trivial nos invade, parece que perdemos o controle do que é essencial. Em Reclaiming Conversation [Recuperando a conversa], seu controverso novo livro, Sherry Turkle, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), mostra como uma excessiva dependência das redes sociais e dos sistemas de mensagens eletrônicas pode empobrecer as nossas conversas e até mesmo nossos relacionamentos. Substituímos a verdadeira intimidade por uma simulada.

        Quando examinamos mais de perto a crença do Vale do Silício, descobrimos sua incoerência básica. É uma filosofia quimérica que abrange um amálgama estranho de credos, incluindo a fé neoliberal no livre mercado, a confiança maoísta no coletivismo, a desconfiança libertária na sociedade e a crença evangélica em um paraíso a caminho. Mas o que realmente motiva o Vale do Silício tem muito pouco a ver com ideologia e quase tudo com a forma de pensar de um adolescente. A veneração do setor de tecnologia pela ruptura se assemelha ao desejo de um adolescente por destruir coisas, sem conserto, mesmo que as consequências sejam as piores possíveis.

        Portanto, não surpreende que cada vez mais pessoas contemplem com olhar crítico e cético o legado do setor. Apesar de proliferarem, os críticos continuam, no entanto, constituindo a minoria. A fé da sociedade na tecnologia como uma panaceia para os males sociais e individuais permanece firme, e continua a haver uma forte resistência a qualquer questionamento ao Vale do Silício e seus produtos. Ainda hoje se costuma descartar os opositores da revolução digital chamando-os de nostálgicos retrógrados ou os tachando de “antitecnologia”.

        Tais acusações mostram como está distorcida a visão predominante da tecnologia. Ao confundir seu avanço com o progresso social, sacrificamos nossa capacidade de ver claramente a tecnologia e de diferenciar os seus efeitos. No melhor dos casos, a inovação tecnológica nos possibilita novas ferramentas para ampliar nossas aptidões, concentrar nosso pensamento e exercitar a nossa criatividade; amplia as possibilidades humanas e o poder de ação individual. Mas, com frequência demais, as tecnologias promulgadas pelo Vale do Silício têm o efeito oposto.

        As ferramentas da era digital geram uma cultura de distração e dependência, uma subordinação irreflexiva que acaba por restringir os horizontes das pessoas, em vez de ampliá-los.

        Colocar em dúvida o Vale do Silício não é se opor à tecnologia. É pedir mais aos nossos tecnólogos, a nossas ferramentas, a nós mesmos. É situar a tecnologia no plano humano que corresponde a ela. Olhando retrospectivamente, nos equivocamos ao ceder tanto poder sobre nossa cultura e nossa vida cotidiana a um punhado de grandes empresas da Costa Oeste dos Estados Unidos. Chegou o momento de corrigir o erro. 

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/23/tecnologia/1445612531_992107.html

Publicado em 25/10/2015. Acesso em 06/11/2017. [Adaptado].

Entendendo o artigo:

01 – Segundo o texto, de que maneira o Vale do Silício tem remodelado o mundo nos últimos 20 anos?

      O Vale do Silício tem remodelado os Estados Unidos e grande parte do mundo ao provocar uma revolução na forma como os meios de comunicação trabalham, mudar a forma como as pessoas conversam e reescrever as regras de realização, venda e valorização de obras de arte e outros trabalhos intelectuais.

 

02 – Por que a maioria das pessoas, de bom grado, outorgou ao setor tecnológico um crescente poder sobre suas vidas?

      As pessoas entregaram esse poder porque os computadores e a internet são úteis e divertidos, oferecendo prazeres, benefícios e vantagens práticas no cotidiano — frequentemente sem custo financeiro direto —, o que gera um forte anseio pelas facilidades proporcionadas por empresas como Amazon, Uber, Spotify e WhatsApp.

 

03 – Quais foram os principais fatores e revelações que começaram a manchar a imagem imaculada do setor tecnológico perante o público?

      A imagem positiva começou a ser manchada principalmente pelas revelações de Edward Snowden sobre a vigilância na internet pelos serviços secretos, além de investigações jornalísticas que expuseram condições abusivas de trabalho na Amazon e em fábricas asiáticas, experiências psicológicas clandestinas realizadas pelo Facebook e indícios de que serviços de economia compartilhada podem estar empobrecendo as comunidades onde operam.

 

04 – No plano pessoal e cognitivo, quais são os impactos negativos associados ao uso excessivo de dispositivos digitais apontados no texto?

      Estudos científicos citados no texto relacionam o uso de computadores e da internet a perdas de memória e empatia, além de mostrarem que as distrações digitais dificultam as percepções e os julgamentos humanos. Autores como Sherry Turkle também apontam que a dependência de redes sociais empobrece conversas e relacionamentos, substituindo a verdadeira intimidade por uma versão simulada.

 

05 – Como Nicholas Carr caracteriza a "filosofia" e a verdadeira motivação por trás do Vale do Silício no sétimo parágrafo?

        Carr caracteriza a crença do Vale do Silício como uma filosofia quimérica e incoerente que mistura livre mercado, coletivismo, desconfiança libertária e crença evangélica. No entanto, ele argumenta que a real motivação do setor tem pouco a ver com ideologia e muito com a forma de pensar de um adolescente, cuja veneração pela "ruptura" se assemelha ao desejo de destruir coisas sem se importar com as piores consequências.

 

06 – O que o autor quer dizer ao afirmar que a sociedade confunde "avanço tecnológico" com "progresso social"?

      Ao confundir avanço tecnológico com progresso social, a sociedade assume cegamente que qualquer inovação digital é inerentemente benéfica para a humanidade. Isso gera uma resistência a questionar o Vale do Silício, fazendo com que os críticos sejam rotulados erroneamente de "antitecnologia", enquanto se ignoram os efeitos colaterais negativos, como a distração, a dependência e o aprofundamento das desigualdades.

 

07 – Qual é a verdadeira proposta daqueles que colocam o Vale do Silício em dúvida, segundo a conclusão do artigo?

      Colocar o Vale do Silício em dúvida não significa ser contra a tecnologia, mas sim exigir mais dos tecnólogos, das ferramentas e de nós mesmos, situando a tecnologia no plano humano adequado. Significa reconhecer o erro de ter cedido tanto poder a um punhado de empresas e buscar corrigir essa dependência excessiva.

 

 

CONTO: CALUNGA - FRAGMENTO - JORGE DE LIMA - COM GABARITO

 Conto: Calunga – Fragmento

          Jorge de Lima

 

        As primeiras chuvas tinham feito poças ao redor da casa, tinham enchido os barreiros onde os sapos-cururus badernavam. Lula saiu com a lâmpada para ver os sapos cantar. Os seus passos possuíam essa orientação maravilhosa, meio trôpega mas certa, dos passos dos sonâmbulos. Os insetos despertados pela luz vieram rodar em torno da lâmpada. Vieram borboletas escuras, besouros, baratas-d’água, mosquitos. O homem estranho com sua lâmpada parecia ter um mundo luminoso na mão, em redor do qual uma população alada formigava. Parou à beira dum barreiro. A saparia espantada mergulhou na água suja. O coro esquisito ficou mudo de repente. O homem de alma mudada pela doença parou, esperando, sentado no chão frio.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuBySWZA-8cHb1jsyTWAMnkqTGaJgDTfkfd2S7C6wEnRHIu-tTFPrsoUhY-G63gSPDe1gXMv_9XfvfH2yq-uuxT7Wue1N76Z8G_xLLlq6U7pjE-h0YI8ckcHVA2tEQ7hg4cewbAbksK8VMAiTnNzILQu2KJN-pY18xNYM4IMS3HkTwxMUBLum95XCxS00/s547/images.jpg


        Estava imóvel como a superfície do barreiro. A lâmpada embaciada pelo hálito da noite entretinha agora uns poucos insetos fanáticos da luz. Tudo quieto, o primeiro cururu surgiu na margem, molhado, reluzente na semi-escuridade. Engoliu um mosquito, baixou a cabeçorra, tragou um cascudinho, mergulhou de novo e, bum-bum, soou uma nota soturna do concerto interrompido. Em poucos instantes o barreiro ficou sonoro como um convento de frades. Vozes roucas, foi-não-foi, tam-tans, bum-buns, choros, esgoelamentos finos de rãs, acompanhamentos profundos de sapos respondiam-se. Os bichos apareciam, mergulhavam, arrastavam-se nas margens, abriam grandes círculos na flor d’água. Lula estava realmente num outro mundo, que era o mundo noturno de sua ilha, confinado, sonoro, povoado de vozes e de seres que não se viam durante o dia. 

        Daí a pouco, dentro da bruta escuridão, surgiram dois olhos luminosos, fosforescentes como dois vaga-lumes. Um sapo-cururu grelou-os e ficou deslumbrado, com os olhos esbugalhados, presos naquela boniteza luminosa. Os dois olhos fosforescentes se aproximaram mais e mais, como dois pequenos holofotes na cabeça triangular da serpente. O sapo não se movia, fascinado. Sem dúvida queria fugir, previa o perigo porque emudecera mas já não podia andar, imobilizado, os olhos feíssimos, agarrados aos olhos luminosos e bonitos como um pecado. Num bote a cabeça triangular abocanhou a boca imunda do batráquio. Ele não podia fugir àquele beijo. A boca fina do réptil arreganhou-se desmesuradamente, envolveu o sapo até os olhos. Ele se baixava dócil, entregando-se à morte tentadora, apenas agitando docemente as patas sem provocar nenhuma reação ao sacrifício. A barriga disforme e negra desapareceu na goela dilatada da cobra. E num minuto as perninhas do cururu lá se foram ainda vivas para as entranhas famintas. O coro imenso continuava sem dar fé do que acontecia a um dos seus cantores. Surgiu uma outra cobra e segurou outro compadre sapo, deglutia-o porém com protestos apenas suaves do bicho que gemia uma coisa diferente de seu bum-bum habitual, agora mais canto, com uns tons de resignação diante da força do mais poderoso.

Jorge de Lima, trecho do romance "Calunga".

Entendendo o conto:

01 – Como o personagem Lula é descrito ao sair de casa e qual é a sua relação com a lâmpada que carrega?

      Lula é descrito como um homem de "alma mudada pela doença", com passos vacilantes, porém certos, semelhantes aos de um sonâmbulo. Ele carrega uma lâmpada que atrai diversos insetos da noite, fazendo-o parecer um homem com "um mundo luminoso na mão", em torno do qual a população alada formigava.

 02 – Qual é a reação imediata dos sapos no barreiro quando Lula aproxima sua luz do local?

      Assim que a luz de Lula chega à beira do barreiro, a saparia se assusta e mergulha na água suja, fazendo com que o coro de coaxares fique mudo de repente. A quietude só é quebrada depois que Lula se senta e permanece imóvel no chão frio, até que os sapos voltam a emergir e retomar o concerto.

03 – Como o autor utiliza a sonoridade para descrever o ambiente noturno no segundo parágrafo?

      O autor utiliza onomatopéias (como "bum-bum", "tam-tans", "foi-não-foi") e comparações ("sonoro como um convento de frades") para dar vida à atmosfera do barreiro. Ele combina vozes roucas, choros e esgoelamentos finos de rãs com o tom grave dos sapos, mostrando como o ambiente noturno da ilha se transforma em um mundo confinado e intensamente ruidoso.

 04 – De que maneira o primeiro sapo é capturado pela serpente e qual é o efeito que a luz dos olhos do réptil produz sobre ele?

      A serpente atrai o sapo com seus olhos fosforescentes, que parecem dois vaga-lumes ou pequenos holofotes. O sapo fica fascinado e deslumbrado pela beleza daquela luz, sendo paralisado pelo medo e pelo fascínio. Ele reconhece o perigo e emudece, mas perde a capacidade de reagir ou fugir, entregando-se docemente ao bote e à deglutição do réptil.

 05 – Qual é o significado simbólico do ataque das serpentes aos sapos no contexto do ecossistema do barreiro?

      O ataque simboliza a crueldade e a inevitabilidade das leis da natureza (a cadeia alimentar e a força do mais poderoso sobre o mais fraco). Enquanto os sapos são devorados um a um com gemidos de resignação, o coro do barreiro continua coaxando sem perceber o destino trágico de seus "cantores", evidenciando a indiferença do ciclo natural diante da morte individual.