sábado, 14 de março de 2026

POEMA: SER E SABER - LÊDO IVO - COM GABARITO

 POEMA:  Ser e saber

                    Lêdo Ivo

 

Vi o vento soprar

e a noite descer.

Ouvi o grilo saltar

na grama estremecida.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjWHipofHw4uqY5n0Qc59WeLMxOqs_UeLKhHaZPDN28Y_Tat-7sJkuqoQQ9-_1r7bMDVSqhzytnoJhbrajQ8q8XcLq1zPlZSs-IcKxvTvrArbxTvUN0zKlKmx-qjvuzUr4oMrkbEqarDVcyZiNwCxt3p9qLIsNSF9wx5fz10OKWJqXtEq8r9q8YsFRhrIk/s320/VENTO.jpg

Pisei a água

mais bela que a terra.

Vi a flor abrir-se

como se abrem as conchas.

 

O dia e a noite se uniram

para ungir-me.

O enlace de luz e sombra

cingiu os meus sonhos.

 

Vi a formiga esconder-se

na ranhura da pedra.

Assim se escondem os homens

entre as palavras.

 

A beleza do mundo me sustenta.

É o formoso pão matinal

que a mão mais humilde deposita

na mesa que separa.

 

Jamais serei um estrangeiro.

Não temo nenhum exílio.

Cada palavra minha

é uma pátria secreta.

 

Sou tudo o que é partilha

o trovão a claridade

os lábios do mundo

todas as estrelas que passam.

 

Só conheço a origem:

a água negra que lambe a terra

e os goiamuns à espreita

entre as raízes do mangue.

 

Só sei o que não aprendi:

o vento que sopra

a chuva que cai

e o amor.

 

(IVO, Lêdo.  Crepúsculo civil)

 

Entendendo o texto

 

01. Sobre o foco narrativo e a construção do eu lírico no poema, é correto afirmar que:

a. O poema possui um narrador observador que descreve as ações de um terceiro personagem.

b. O eu lírico se manifesta em primeira pessoa, revelando uma integração profunda entre o sujeito e os elementos da natureza.

c. O foco narrativo é em terceira pessoa, distanciando os sentimentos do autor dos fenômenos naturais descritos.

d. O eu lírico apresenta-se como um estrangeiro que não consegue compreender a beleza do mundo ao seu redor.

 

02. Na quarta estrofe, o eu lírico estabelece uma comparação entre o comportamento da formiga e o dos homens. Qual é o sentido dessa analogia?

a. A ideia de que os homens são trabalhadores e organizados como as formigas.

b. A sugestão de que as palavras, para os homens, servem como um refúgio ou um esconderijo, assim como a pedra para a formiga. c. A afirmação de que a natureza é hostil tanto para os insetos quanto para os seres humanos.

d. A crítica à falta de comunicação entre as pessoas, que vivem isoladas em pedras.

03. No verso "É o formoso pão matinal", o eu lírico refere-se à "beleza do mundo". Que figura de linguagem predomina nessa construção?

a. Personificação, pois atribui características humanas ao pão.

b. Metáfora, pois estabelece uma relação de identidade direta entre a beleza do mundo e o alimento (pão) que sustenta o ser.

c. Hipérbole, pois exagera a importância da alimentação na vida do poeta.

d. Eufemismo, pois tenta suavizar uma situação de fome ou pobreza.

 

04. Na sexta estrofe, o eu lírico afirma: "Cada palavra minha / é uma pátria secreta". Considerando o contexto do poema, essa "pátria" representa:

a. O desejo do autor de se mudar para um país estrangeiro e viver no exílio.

b. O sentimento de pertencimento e identidade que o eu lírico encontra na própria linguagem e na poesia.

c. Uma crítica política aos governos que censuravam as palavras na época da publicação.

d. A dificuldade de aprender novas línguas em um mundo globalizado.

05. Os versos "a água negra que lambe a terra" e "os lábios do mundo" apresentam qual figura de linguagem?

a. Metonímia, pois troca a parte pelo todo.

b. Antítese, pois apresenta ideias contrárias como "claro" e "escuro".

c. Personificação (Prosopopeia), pois atribui ações e órgãos humanos (lamber, lábios) a elementos inanimados da natureza.

d. Ironia, pois o autor diz o oposto do que realmente pensa sobre o mangue.

CRÔNICA JORNALÍSTICA: JEQUE DE CANDIDATO CAUSA BRIGA EM FRENTE A HOTEL CINCO ESTRELAS - RENATO LOMBARDI - COM GABARITO

 CRÔNICA JORNALÍSTICA:

Jegue de candidato causa briga em frente a hotel cinco estrelas

                   Renato Lombardi

         Um pequeno jegue, de não mais de um metro de altura, foi o pivô de uma das mais insólitas ocorrências já registradas no 4º. Distrito Policial, na Consolação. A região central viveu uma grande confusão, anteontem à noite, a partir da discussão entre o agente de segurança do Hilton Hotel, Edilberto Batista Gomes, de 28 anos, e o candidato a vereador pelo PMDB Osvaldo Martins de Oliveira, de 42 anos, por causa do animal. No final, todos os envolvidos acabaram presos, inclusive o jegue.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiABJebkDnjt_uidchEFmhumXhvgW1IBXDsKE9GBU3y-c9Ruzd_vwlA9POuzM-AXYgLCV8U5BZBildlsS7K5bznBgRJ9kli5PMdqs78bff5NWihTO0az7hYAzDnBdvnYoGyGysNC8Zd_kdFEmm-2tcrVNxvPZqPc26uKG5SCHqP_kDFK4fXb0I9MHPbfoA/s320/JEGUE.jpg

         Oliveira, conhecido como Vadão, estava desde o começo da tarde com seu jegue no centro da cidade participando de protestos contra o presidente Fernando Collor. Puxando o burro, Vadão passou pelas Praças da Sé e Ramos Azevedo. Quando seguia para a Rua da Consolação pela calçada da Avenida Ipiranga, o jegue resolveu dar uma parada na porta do Hilton.

         Um grupo de turistas americanos começou a bater palmas ao ver o animal com duas placas com os dizeres "Impeachment já" e "O Brasil é Nosso e Não Dele". A atitude do jegue, que tem o mesmo apelido do candidato, irritou o segurança do hotel Gomes. "Tire logo esse animal da calçada porque aqui é um hotel cinco estrelas e lugar de burro é na cocheira", ameaçou Gomes.

         Vadão disse que a Constituição lhe garantia o direito de ir e vir. Isto irritou ainda mais o segurança. "Ele deu um bico na perna direita traseira do jegue e ameaçou aleijar o animal", acusou o candidato. O gesto de Gomes revoltou Vadão, os turistas americanos e as pessoas paradas na porta do hotel. A Polícia Militar foi chamada. Soldados queriam obrigar o candidato a tirar o jegue do local. "Falei que meu animal fora agredido e que o segurança deveria ser preso."

         Para aumentar ainda mais a confusão, o jegue começou a zurrar. Mais de 20 pessoas _ turistas, gente que passava em frente ao hotel, policiais e seguranças _ se envolveram na discussão. Um soldado queria que todos fossem embora, mas mudou de ideia quando o jumento resolveu "fazer suas necessidades", na escadaria de acesso ao hotel. "Vai todo mundo pra delegacia, até o burro", ordenou o militar.

         No 4º. DP, um problema na hora de apresentar o jegue ao delegado Inácio de Melo: Vadão fez algumas tentativas, mas não conseguiu fazer o jegue, de 10 anos, subir os 20 lances de escada para chegar até a entrada do plantão. Acabou ficando em frente do prédio da delegacia, vigiado por um soldado. Um boletim de ocorrência por "maus tratos contra animal" foi elaborado e ele encaminhado para exames no Centro de Zoonose, sendo liberado no começo da manhã de ontem.

         Na clínica veterinária onde está internado, o jegue ontem ainda sangrava pela perna traseira direita. Revoltado com a agressão, Vadão quer o segurança na cadeia.

(O Estado de S. Paulo, 11/9/92.)

 Entendendo o texto

01. O texto relata uma ocorrência considerada "insólita" pelo autor. Qual foi o estopim da confusão em frente ao hotel cinco estrelas?

a. A tentativa dos turistas americanos de levar o animal para dentro do hotel.

b. O fato de o candidato estar realizando um protesto político sem autorização da prefeitura.

c. A discussão entre o segurança do hotel e o candidato a vereador, motivada pela parada do jegue na calçada do estabelecimento.

d. A recusa do jegue em subir as escadarias da delegacia para ser apresentado ao delegado.

 

02. Qual foi o argumento utilizado pelo candidato Vadão para se recusar a tirar o animal da calçada do Hilton Hotel?

a. O argumento de que o jegue era um hóspede do hotel.

b. A alegação de que a Constituição lhe garantia o direito de ir e vir. c. A afirmação de que o animal estava cansado após os protestos contra o presidente.

d. O fato de os turistas americanos estarem gostando da presença do animal.

03. O segurança Gomes reagiu de forma agressiva à presença do animal. De acordo com o texto, qual foi a consequência direta dessa agressão?

a. O animal foi levado imediatamente para a cocheira do hotel.

b. A polícia foi chamada e elaborou um boletim de ocorrência por "maus tratos contra animal".

c. O candidato desistiu do protesto e pediu desculpas aos turistas. d. O jegue parou de zurrar e saiu calmamente da calçada.

 

04. O que motivou o policial militar a dar voz de prisão a todos os envolvidos, incluindo o jegue?

a. O fato de o candidato não possuir os documentos do animal.

b. O barulho excessivo causado pelos zurros do jegue e pela discussão dos turistas.

c. O momento em que o jumento resolveu "fazer suas necessidades" na escadaria de acesso ao hotel.

d. A recusa do segurança em pedir desculpas ao candidato Vadão.

05. No desfecho da história, por que o jegue não entrou efetivamente na delegacia (4º DP)?

a. Porque o delegado proibiu a entrada de animais no plantão policial.

b. Porque o animal estava ferido e precisava de atendimento veterinário urgente.

c. Porque o candidato não conseguiu fazer o animal subir os 20 lances de escada do prédio.

d. Porque o soldado de guarda decidiu que o animal deveria ser enviado direto ao Centro de Zoonose.

 

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: EXTERMÍNIO TAMBÉM É BRINCADEIRA - GILBERTO DIMENSTEIN - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: Extermínio também é brincadeira

                                Gilberto Dimenstein

 

         BRASÍLIA - A imprensa revelou ontem uma nova "brincadeira" inventada por crianças numa escola do Rio. O nome da brincadeira: "extermínio". No intervalo, escolhem um menino pequeno a ser submetido a uma sessão de pancadaria. Na quarta-feira passada, um garoto de sete anos, uma das vítimas, foi levado pela mãe direto ao Hospital da Lagoa. Estava com o corpo repleto de hematomas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgE3ho75ctXQCjqozVBMmHrJpUb4rPzF2Ad4FqsgudJIPoWNPR5r16TWaLhtWRY1fjgnnVbg8Y7KxVYUOHJdMBDI9_1NRVlsClVsPRSv6ImGd5NmEjeO3lXV9Iptb0y5kUBS2Tdu7PE4T2m86LqnT9UPBhsd460kvdOnTgscE8ghMbk-fazYYQG5F7oJls/s320/BRINCADEIRAS.jpeg


     O terrível da notícia não é apenas o garoto cheio de hematomas, mas como a violência vai-se incorporando ao cotidiano, capaz de virar brincadeira. A banalização da violência é, hoje, a principal questão política brasileira _ interessa mais à população do que a reforma ministerial ou a composições no Congresso. Está em jogo a eficácia do Estado de Direito democrático. Está em jogo também direito à vida. Em certas áreas, o direito de ir e vir é uma ficção. Quem vai pode não voltar.

         Daí ser absolutamente espantosa a reação de Leonel Brizola à entrevista do ministro Célio Borja. O ministro comparou o Rio a Beirute no auge da guerra. Brizola preferiu, entretanto, fazer uma competição. Disse que São Paulo era pior _ portanto é, concluiu com a precisão de engenheiro, uma "Beirute e meia". Só a indigência pode explicar a comparação macabra. O governador parece mais preocupado com a estatística do que com a violência.

      Tanto faz se o assassinato é no Rio, São Paulo, Paraná. A degradação é nacional. Quando crianças inventam brincadeiras como "extermínio", a vergonha não é do carioca, mas do brasileiro. Quando os governadores Luiz Antônio Fleury Filho e Leonel Brizola ficam competindo para saber quem administra o Estado menos violento, a vergonha não é do Rio ou São Paulo _ é de todos nós.

      Essa medíocre disputa não ajuda ninguém. Ambos, na realidade, deveriam estudar, juntos, mecanismos de colaboração, já que os marginais não são bairristas _ assaltam e matam em qualquer lugar. Será mais civilizado e inteligente que eles se comovam mais com o menino de sete anos cheio de hematomas do que com as estatísticas de uma competição inútil.  

(Folha de S. Paulo, 24/4/92.)

  Entendendo o texto

 01. No segundo parágrafo, o autor afirma que o "terrível da notícia" vai além das agressões físicas sofridas pelo menino. O que mais preocupa Dimenstein nesse episódio?

a.  A falta de vagas em hospitais públicos como o Hospital da Lagoa.

b.  A forma como a violência se torna banal a ponto de ser incorporada ao cotidiano como uma "brincadeira".

c.  O fato de a imprensa demorar a revelar o nome da escola onde o caso ocorreu.

d.  A necessidade de reformar o Congresso Nacional antes de resolver o problema das escolas.

02. Ao mencionar que "em certas áreas, o direito de ir e vir é uma ficção", o autor pretende dizer que:

a. A legislação brasileira não prevê o direito de locomoção dos cidadãos.

b.  A insegurança é tão alta que o direito constitucional de circular livremente não se aplica na prática.

c.  O Estado de Direito democrático no Brasil é superior ao de países como o Líbano.

d.  As crianças não podem ir à escola sozinhas por causa das reformas ministeriais.

 03. Qual é a principal crítica feita pelo autor aos governadores Leonel Brizola e Luiz Antônio Fleury Filho?

a.  A falta de investimentos em engenharia civil e construção de novas escolas.

b. A decisão de não conceder entrevistas ao ministro Célio Borja sobre a guerra.

c. A postura competitiva e estatística para decidir qual estado é "menos violento", em vez de buscarem colaboração.

d. O fato de serem bairristas e não permitirem que marginais circulem entre o Rio e São Paulo.

 04. A comparação entre o Rio de Janeiro e Beirute, mencionada no texto, serve para ilustrar:

a. A beleza arquitetônica das duas cidades litorâneas.

b. O alto nível de desenvolvimento tecnológico alcançado pelo Brasil em 1992.

c. A gravidade da situação de conflito e violência urbana, assemelhando a cidade a uma zona de guerra.

d. O sucesso das políticas de segurança pública adotadas pelos engenheiros do governo.

05. Segundo o texto, por que os governadores deveriam adotar mecanismos de colaboração em vez de competir?

a. Porque os criminosos não respeitam fronteiras geográficas (não são bairristas) e a degradação é um problema nacional.

b. Porque as estatísticas mostram que o Paraná é o estado mais seguro do Brasil.

c. Porque a reforma ministerial no Congresso depende da união entre Rio e São Paulo.

d. Porque o Hospital da Lagoa precisa de recursos vindos de outros estados para tratar hematomas.

 

 

 

CRÔNICA: EPIDEMIA POLISSILÁBICA - OTTO LARA RESENDE - COM GABARITO

 Crônica:  Epidemia polissilábica

                Otto Lara Resende

          RIO DE JANEIRO - Já se disse que a crise é de dicionário. Paulo Rónai denunciou a existência de uma geração sem palavras. Uma só, não, digo eu. Várias. A crise é semântica, disse um professor na Sorbonne, que convocou um seminário. Pode ser, diz o Pedro Gomes. Mas é também polissilábica. E me expõe a sua tese: nenhum país aguenta tantos palavrões como os que circulam agora por aí. Palavrão no sentido estrito de palavra grande.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg75ympSr7WAdI-6mYb39z1SJpzRU9MpNFrzeZDpH8yimv8jE9xqNR70S4jrFwsCR_5mOSFoThYNhPgcbMSNsPQVsGS2Zm2bqhmGwUfth5IU6Is7dmOt4DpPWdffOQnx7tCEKd_QsEuy_aWsUhppF0sXg6WUvo53Ww9Bj9-axTwBzEfEe7Rk26EeY0XdVM/s320/cronicas-otto-lara-resende.jpg


             A maior delas, como aprendemos na remota infância, tem até governado o Brasil. É essa mesmo: inconstitucionalissimamente. Depois deste advérbio, no seu hoje modesto pioneirismo, apareceram verdadeiros bondes vocabulares. Autênticos minhocões. São cada vez mais numerosos e compridos, como a composição ferroviária que transporta minérios. A perder de vista, todos têm de cinco sílabas para cima. São centopeias de tirar o fôlego e de destroncar a língua.

            Na porta do Jockey, depois do almoço, um sujeito conversava outro dia, sereno, sobre a atratividade do investimento superavitário. Temi pela sua digestão, se é que não foi vítima de uma congestão. Ou de um insulto cerebral. Mas há pessoas insuscetíveis de insulto, sobretudo cerebral. É o caso do cidadão que discorreu sobre o obstaculizado caminho que o Brasil tem de percorrer, se quiser alcançar um nível de competitividade num cenário de internacionalização do livre-cambismo.

                  Até a carta-testamento do Getúlio, obstaculizar não tinha feito a sua aparição triunfal. Dizem que foi ideia do Maciel Filho, que tinha este vezo nacionalista da palavra complicada. Na verdade, é difícil inovar o jargão político. Para atacar José Américo de Almeida, história antiga, Benedito Valladares lançou no mercado a palavra boquirroto. Logo os adversários disseram que era soprado pelo Orozimbo Nonato, um íntimo do Vieira e do Bernardes. Arrazoava com um cunho seiscentista.

             Enfim, tudo hoje em dia gera distorções. Gerar é um verbo-ônibus. Serve para tudo. Confiemos, porém, que a seu tempo, a nível de país, na expressão abominável que hoje é corrente, a solução seja equacionada. A desestabilização extrapola de qualquer colocação. Longe de mim o catastrofismo, mas no caminho polissilábico em que vamos, a ingovernabilidade é fatal. E talvez passemos antes pela platino-dolarização contingencial.   (Folha de S. Paulo, 22/07/91)

 

Entendendo o texto

 

01. No início do texto, o autor cita Paulo Rónai e um professor da Sorbonne para introduzir o tema da "crise". Segundo a tese de Pedro Gomes, apresentada e defendida por Otto Lara Resende, qual é a natureza específica dessa crise?

a. Uma crise de falta de termos técnicos para descrever a economia moderna.

b. Uma crise semântica causada pela ausência total de palavras no vocabulário dos jovens.

c.  Uma crise "polissilábica", caracterizada pelo uso excessivo de palavras muito longas e complexas.

d. Uma crise política gerada pela incapacidade de traduzir dicionários estrangeiros.

 

02. O autor utiliza metáforas como "bondes vocabulares", "autênticos minhocões" e "centopeias de tirar o fôlego" para se referir a certas palavras. O que essas figuras de linguagem revelam sobre a opinião do autor?

a. Admiração pela criatividade da língua portuguesa em criar termos extensos.

b. Crítica ao tamanho exagerado e à artificialidade de certas palavras modernas.

c. Apoio ao uso de termos ferroviários dentro do jargão político brasileiro.

d. Desejo de que a língua se torne mais complexa para alcançar o nível internacional.

 

03. Ao mencionar expressões como "atratividade do investimento superavitário" e "internacionalização do livre-cambismo", qual é a intenção principal do cronista?

a. Demonstrar erudição e conhecimento sobre o mercado financeiro.

b. Exemplificar como o discurso técnico e burocrático se tornou refém da "epidemia" de palavras longas.

c. Defender que o Brasil só alcançará competitividade se utilizar um vocabulário mais robusto.

d. Mostrar que a digestão humana é afetada pela leitura de jornais de economia.

 

04. O texto menciona que o verbo "gerar" tornou-se um "verbo-ônibus". O que essa classificação significa no contexto da crítica de Otto Lara Resende?

a. Que é um verbo que deve ser usado apenas por pessoas que utilizam transporte público.

b. Que é uma palavra de movimento que impulsiona a economia do país.

c. Que é um verbo de sentido vago e genérico, usado excessivamente para substituir termos mais precisos.

d. Que é a palavra mais comprida e difícil de pronunciar encontrada no dicionário.

 

05. Qual é a conclusão satírica (irônica) que o autor apresenta no último parágrafo sobre o futuro do Brasil diante desse cenário linguístico?

a. O país se tornará uma potência se adotar o "livre-cambismo" linguístico.

b. A simplificação do dicionário é a única forma de salvar a economia.

c. O uso de termos como "desestabilização" e "ingovernabilidade" levará o país a uma "platino-dolarização contingencial".

d. A solução para os problemas do país será finalmente "equacionada" através de seminários na Sorbonne.

 

 

TEXTO: CORTE DA OTAN NÃO DESNUCLEARIZA EUROPA DE BERLIM - FOLHA DE S.PAULO - COM GABARITO

 TEXTO: Corte da Otan não desnucleariza Europa De Berlim

           O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança militar ocidental), Manfred Woerner, afirmou que apesar da redução de 80% no arsenal da organização, a Europa não será uma área desnuclearizada no futuro. Ele participou de uma reunião de dois dias da Otan em Taormina (Itália).

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhY8E6qh3vpegoUNvqRu_Hzfdkjz9tAk0gzmnGpgCdDgQKhX4ryLTLbceIMQtcX6xWdSFvU9OC_Q-fOKrti0Y4NIH_y10KXhnPT4YrCx84bE1x4DAK6XVAzwiWd_UEtB9yafmOEq-5hYpYpa4lR9rYcVJrRyPCt7NOzUQlZQFha-Bj68wgfVMt77GCshng/s1600/OTAN.jpg


         Depois do corte de armas a Otan ainda manterá cerca de 700 bombas nucleares, das 1.400 que possui, na Europa. Os outros cortes foram a retirada das armas nucleares de curto alcance (granadas e mísseis Lance). Essas armas deverão ser devolvidas aos Estados Unidos onde serão destruídas. Segundo a Otan, não existe um prazo definido para a operação, que não inclui as armas nucleares francesas e britânicas.

         O projeto de uma força militar da Comunidade Européia, lançado pela França e pela Alemanha, também foi discutido durante a reunião. Os ministros da Defesa dos países-membros estavam preocupados com o esvaziamento da Otan, mas foram informados pelo ministro da Defesa da Alemanha, Gerhardt Stoltenberg, que a nova força não vai competir com a Otan e que seu efetivo ainda não foi precisado.

(FG) (Folha de S. Paulo, 19/10/91.)

 

Entendendo o texto

 01. Qual foi a principal afirmação de Manfred Woerner sobre o futuro nuclear da Europa?

Ele afirmou que, apesar da redução expressiva de 80% no arsenal da organização, a Europa não se tornará uma área desnuclearizada no futuro.

 02. Quantas bombas nucleares a Otan planejava manter em território europeu após os cortes mencionados?

A organização planejava manter cerca de 700 bombas nucleares, metade das 1.400 que possuía na época.

 03. O que aconteceria com as armas nucleares de curto alcance (granadas e mísseis Lance) retiradas da Europa?

Elas deveriam ser devolvidas aos Estados Unidos para serem destruídas, embora o texto ressalte que não havia um prazo definido para essa operação.

04. Quais países europeus possuem armas nucleares que não foram incluídas no plano de redução da Otan citado no texto?

As armas nucleares da França e da Grã-Bretanha não foram incluídas na operação de corte da Otan.

05. Qual era a preocupação dos ministros da Defesa em relação ao projeto de uma força militar da Comunidade Europeia e como foram tranquilizados?

Eles temiam o esvaziamento da Otan com a criação dessa nova força. Foram tranquilizados pelo ministro da Defesa da Alemanha, Gerhardt Stoltenberg, que garantiu que a nova força (proposta por França e Alemanha) não competiria com a Otan.

 

 

 

 

 

 

 

ANÚNCIO PUBLICITÁRIO - CENTRAL DE OUTDOOR - COM GABARITO

 Anúncio Publicitário - Central de Outdoor

 

            O anúncio de revista é rico em informações. Pode dar toda a literatura necessária sobre um produto. Explicar o que é, como funciona, a forma de pagamento, enfim, pode dar todos os detalhes tintim por tintim.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLbBS1j3Zew2bsjN2UkybgYEKTVlq40uXuxVnLwUi5YhcObqP9M3FFrXNNbdWPviXeSgkE7Iqllau8wmAhzxikco2I2Crh4lztotpQNKabZEYTlxBa4ggtn3HUv7vyxRemzKdMAtoEFTZGLLaP-L7riMIU3QxdBgeT5AYQPw2EoV_max4dQCX-w7BdN9M/s320/AN%C3%9ANCIO.jpg


          Ele é fantástico para um sujeito que dispõe desse tempo que você está tendo agora. Para folhear calmamente, lendo artigos e anúncios.

       Já no trânsito, para passar a mensagem a quem está passando, aí o outdoor é imbatível.

     Ele é rápido, telegráfico, gigante. Ótimo para anúncios institucionais ou promocionais de qualquer produto ou serviço.

       O outdoor também apresenta um dos recalls mais elevados, dentro de uma relação custo/benefício bem atraente.

        Dependendo do produto e seu mercado, você pode utilizar o outdoor para cercar o Brasil inteiro, um estado, uma cidade ou simplesmente um bairro. E vender tanto para o Brasil quanto para um bairro com a mesma eficiência, é uma versatilidade que nenhum outro veículo tem.

             Além do quê, o outdoor é o seu último apelo ao consumidor antes da compra. Porque ele está ali, na rua, bem próximo ao seu ponto de venda. E, você há de concordar, num mercado tão competitivo quanto o nosso isso pode ser decisivo.

              São detalhes como esse que você, anunciante, não pode deixar de levar em conta na hora de programar sua mídia. Principalmente se você quiser atingir um público como esse nosso, dirigido.

 

Entendendo o texto

 01. De acordo com o texto, qual é a principal diferença entre o comportamento do leitor de uma revista e o do espectador de um outdoor?

a. O leitor de revista busca mensagens rápidas, enquanto o do outdoor procura detalhes técnicos.

b.  O leitor de revista dispõe de tempo para uma leitura calma e detalhada, enquanto o público do outdoor está em movimento (no trânsito).

c.  Ambos buscam informações minuciosas sobre a forma de pagamento e funcionamento dos produtos.

d.  O público do outdoor tem mais tempo para ler textos longos do que o leitor de revistas.

02. O texto utiliza os adjetivos "rápido, telegráfico e gigante" para caracterizar o outdoor. Essas características o tornam ideal para:

a.  Explicar o funcionamento detalhado de um produto "tintim por tintim".

b.  Substituir completamente os artigos informativos das revistas.

c.  Passar mensagens eficientes a quem está passando pelo trânsito.

d.  Veicular textos literários longos e complexos.

03. Sobre a abrangência geográfica do outdoor, o anúncio afirma que sua versatilidade permite:

a. Atingir apenas consumidores de bairros nobres e centros urbanos.

b.  Atuar com a mesma eficiência desde a cobertura de um bairro específico até o país inteiro.

c.  Ser utilizado exclusivamente em campanhas nacionais de grandes empresas.

d.  Limitar a comunicação apenas ao ponto de venda, sem alcance em rodovias.

04. Por que o outdoor é considerado o "último apelo ao consumidor antes da compra"?

a. Porque é o veículo de comunicação mais caro do mercado publicitário.

b.  Porque ele apresenta o maior índice de textos explicativos sobre promoções.

c. Porque ele está presente na rua, muitas vezes posicionado próximo ao ponto de venda.

d. Porque ele convence o consumidor a desistir de marcas concorrentes através de longos argumentos.

05. Qual é o argumento utilizado no texto para demonstrar a eficiência financeira do outdoor?

a.  Ele possui um dos recalls (memorização) mais elevados com um custo-benefício atraente.

b.  Ele é o único veículo que não exige planejamento de mídia por parte do anunciante.

c.  Ele dispensa o uso de imagens, o que barateia a produção das campanhas.

d.  Ele é voltado exclusivamente para um público que não consome outros tipos de mídia.

 

 

 

 

quinta-feira, 12 de março de 2026

POEMA: VOZES-MULHERES - CONCEIÇÃO EVARISTO - COM GABARITO

 Poema: Vozes-Mulheres 

                      Conceição Evaristo

A voz de minha bisavó
ecoou criança
nos porões do navio.
Ecoou lamentos
de uma infância perdida.

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhOgcTJgKQIlJb4UfIx7JYbV06jk88J01Ftm-2QxbfChkhgvGnzvEuWCUl42X-7EOIX54BK5sZgCKD5qO2dKedOSvqAV0pj5Jzydeo_VDDE3tGr-iOtNz8beLGE2JxTynUaF792_8m2ff7eMFd6YwHTmSi7DAHTry8k9eBl_fFtV2f-JdPKrIao6EZTeTA/s320/VOZES.jpg

A voz de minha avó
ecoou obediência
aos brancos-donos de tudo.

A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela

A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue
        e
        fome.

 

A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.

A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
O eco da vida-liberdade.
   
(In: Poemas de recordação e outros movimentos, 3.ed., p. 24-25)

 

Entendendo o texto

O poema percorre vários tempos históricos.

 

01. A partir de qual estrofe revela-se o tempo presente?

Quarta estrofe.

02. Quais situações vividas pela população negra, principalmente pelas mulheres, estão retratadas nas estrofes iniciais?

A vinda para o Brasil nos navios negreiros, o trabalho escravo e a permanência na condição de pobreza.

03. Na terceira estrofe, retrata-se uma condição da mulher negra que persiste em nossa sociedade. Que condição é essa? Por que ela ainda ocorre?

A condição de empregadas domésticas e de lavadeiras, funções muito exercidas pela mulher negra, que tem menos condições de estudar e por isso não consegue trabalhos que lhe  propiciem uma renda melhor.

04. As situações retratadas parecem referir-se apenas à família do eu lírico?

Não. São situações que se referem a grande parte das mulheres negras do país.

 

05.  Na quarta estrofe, o eu lírico diz “A minha voz ainda/ecoa versos perplexos”

a.   Que palavra foi usada nesses versos para remeter aos versos anteriores?

Ainda.

b.   Em sua opinião, que sentimento o eu lírico transmite por meio desses versos?

O eu lírico experimenta os sentimentos de dor r indignação vivenciados por sua mãe, avó e bisavó.

06. Na última estrofe, o eu lírico demonstra confiar em sua filha como agente da mudança. O que há de diferente no comportamento dessa filha?

A voz da filha do eu lírico está associada à ação (“o ato”), como diz o trecho “A voz de minha filha/ recolhe em si/ a fala e o ato”.

 

 

segunda-feira, 9 de março de 2026

CRÔNICA: CORDÃO DOS COME-SACO - STANISLAW PONTE-PRETA - COM GABARITO

 Crônica: Cordão dos come-saco

Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo de Sérgio Porto)

 

         Em Londres, que ultimamente não tem sido uma capital das mais britânicas (ou talvez os britânicos é que não sejam tão londrinos assim, sei lá), vai se inaugurar uma exposição internacional de embalagem. Até aí, tudo normal, como dizem os anormais. Há, no entanto, uma nova indústria que se fará representar nessa exposição que está causando a maior curiosidade: a dos sacos comestíveis.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVNO-m4Xvi4NvSLxVs04dX_u_UCyjtbPwg-i09MTsxYWVE4WTxPTbHPAS4AyvXWwQHFHfk03TEbEd2itTKjWcNkcCNCYaZ4tR1Rfgk9MR_q-X5lR7aiag6eGguaYPwllWQAtU-luJUG1LNqyZE-keCeIncBqrwSzEhwIoax3C4b6cd_vCTJ3l_lLDznkU/s320/2001_Pack-Expo_banner-1024x427.jpg


         Como, minha senhora, de quem é que é o saco? Calma, madama, eu já chego lá. A indústria foi inspirada na salsicha e isto dito assim fica meio sobre o jocoso, mas torno a explicar que, com vagar, se chega ao saco. É o seguinte: não sei se vocês já repararam que as salsichas, ultimamente, não têm mais aquela pele indigesta que a gente comia antigamente e ficava trocando seu reino por um bicarbonato. Hoje em dia, a pele das salsichas é fininha e a gente come sem o menor remorso estomacal posterior.
           Pois essa pelinha, irmãos, é de matéria plástica comestível. Foi inventada por um Thomas Edison das salsichas e aprovou num instante. E baseada nessa aprovação é que uma fábrica de embalagens estudou a possibilidade de fazer sacos para carregar comida das mercearias para o lar, capazes de serem também comidos, isto é, um saco de matéria plástica parecida com a das salsichas, que seriam vendidos aos armazéns e utilizados pelos fregueses para transportar a mercadoria comprada. Entenderam, ou tem leitor retardado mental?
           Agora, que fica bacaninha, isto fica. Num instante vão aparecer os estetas dos refogados, para melhor aproveitamento do saco. As Myrthes Paranhos do mundo inteiro vão publicar receitas de como se prepara um saco de matéria plástica para o almoço e os jornais, nas suas seções dominicais de culinária, terão títulos como este: "Saquinho de siri", "Saco au champignon", "Saco à la façon du chef", etc., etc.
            E parece até que aqui o neto do Dr. Armindo está vendo uma dessas grã-finas, sempre mais preocupadas com o aspecto exterior do que com o aspecto interior, fazendo um rigoroso regime alimentar e dizendo para a empregada, quando esta volta do mercadinho com as compras:
               _ Para mim não precisa preparar almoço, não. Eu como só o saco.
(Stanislaw Ponte Preta - Rosamundo e os outros)

 Entendendo o texto

 01. Qual é o fato internacional que serve de pretexto para o autor iniciar sua crônica?

a) O lançamento de uma nova marca de salsichas britânicas.

b) Uma convenção de etiquetas e bons modos em Londres.

c) A inauguração de uma exposição internacional de embalagens. d) Uma crise econômica que obrigou os ingleses a comerem plástico.

e) A invenção de um novo tipo de bicarbonato de sódio na Europa.

02. Segundo o narrador, qual foi a "inspiração" para a criação dos sacos plásticos comestíveis?

a) As antigas peles de salsicha que causavam indigestão.

b) As novas películas finas e comestíveis usadas nas salsichas modernas.

c) O hábito das "grã-finas" de fazerem dietas rigorosas.

d) Uma técnica antiga de transporte de mercadorias em armazéns. e) Os estudos de Thomas Edison sobre polímeros sintéticos.

 

03. O autor utiliza uma linguagem marcadamente coloquial e irônica. Qual trecho exemplifica essa interação direta e humorística com o leitor?

a) "vai se inaugurar uma exposição internacional de embalagem."

b) "é de matéria plástica comestível."

c) "Entenderam, ou tem leitor retardado mental?"

d) "capazes de serem também comidos..."

e) "estudou a possibilidade de fazer sacos para carregar comida..."

 

04. Ao mencionar a expressão "trocando seu reino por um bicarbonato", o autor faz uma alusão humorística para indicar que: a) A pele das salsichas antigas era muito saborosa e valiosa.

b) As salsichas eram artigos de luxo consumidos apenas pela realeza.

c) O mal-estar estomacal causado pela pele da salsicha era tão grande que a pessoa daria tudo por um remédio.

d) O bicarbonato era a moeda de troca oficial nos armazéns de antigamente.

e) A monarquia britânica foi a responsável por popularizar a salsicha indigesta.

 

05. No desenvolvimento do texto, o narrador prevê que a novidade dos sacos comestíveis causará um impacto na culinária. Segundo ele, isso ocorreria através de:

a) Críticas severas dos chefs de cozinha contra o uso de plástico na comida.

b) A substituição total das carnes por embalagens sintéticas.

c) Publicações de receitas exóticas e "chiques" utilizando o saco como ingrediente principal.

d) A proibição de vender sacos plásticos em mercearias e armazéns.

e) Cursos de culinária obrigatórios para as empregadas domésticas.

 

06. A conclusão da crônica apresenta uma sátira social voltada para qual grupo de pessoas?

a) Os cientistas ingleses que inventam tecnologias inúteis.

b) Os donos de armazéns que cobram caro pelas embalagens.

c) Os garçons e cozinheiros que não aceitam inovações.

d) As "grã-finas", ironizando sua preocupação excessiva com a aparência e dietas.

e) Os operários das fábricas de plástico que não têm o que comer.

 

07. O título "Cordão dos come-saco" e o desfecho do texto reforçam o estilo de Stanislaw Ponte Preta, que consiste em:

a) Escrever textos científicos sobre avanços da indústria química.

b) Produzir manuais de instrução para o uso de novas embalagens. c) Utilizar o absurdo e o duplo sentido para ridicularizar comportamentos sociais.

d) Defender o uso de materiais biodegradáveis para preservar o meio ambiente.

e) Fazer uma propaganda séria e elogiosa sobre os costumes londrinos.