quinta-feira, 27 de agosto de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: CRENÇAS PRIMITIVAS - MARCELO COELHO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Crenças primitivas

         Marcelo Coelho

 

        SÃO PAULO – O bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, sai sem dúvida fortalecido depois de 11 dias na prisão. Sua foto atrás das grades, lendo a Bíblia, não poderia deixar de ser vista por seus adeptos como uma espécie de martírio religioso; sabe-se, ademais, que as crenças e seus líderes ganham popularidade quando perseguidos pela lei.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhj4gzrzbv32FQtXjBNnCIpDB1qC4ZvbvE0Jftg6gB08KAhe91p6ZLrVWsnAhSzpnzzC-kcuH0Uc8HlsIVksw_UnWPYeGl0yVqkzdV_AomIjWdxTLhzPq02PO9SZmOttQnkP0tmoTmOJoDTwHVTUUSmbABla5CW_xOP_ZZtKluGT6lhScfS22uxoauG1Rs/s320/images.jpg 


        As acusações que pesam sobre Macedo – charlatanismo, curandeirismo e estelionato – terão ainda de ser examinadas pela Justiça. O processo envolve questões complexas, como a da liberdade de religião, e a de em que os métodos utilizados pelo bispo para angariar seus fundos diferem dos de outros cultos.

        Há, entretanto, dois aspectos neste episódio que transcendem o julgamento que se faça sobre as atividades de Edir Macedo. O primeiro é o da crescente demanda por todas as formas de crença que prometem alívio prático para as mazelas da existência, sem sutilezas teológicas; curas e milagres, em pleno final do século 20, são procurados sofregamente, paga-se por isso, e religiões mais cautelosas na mistificação tendem a perder adeptos. O fato pode ser desalentador, mas é dificilmente evitável.

        O segundo aspecto é o de que, na prisão de Edir Macedo, transparece um desejo bastante generalizado nos dias que correm: o de ver pessoas famosas na cadeia. A impunidade geral como que atiça a opinião pública para ver alguém importante literalmente atrás das grades. Como as execuções públicas no século passado, a prisão é hoje uma espécie de espetáculo. Ainda que a ideia da privação de liberdade seja em muitos casos considerada anacrônica do ponto de vista penal, são muitos os que lamentam, sem dúvida, o fato de esse espetáculo ser tão raro no Brasil. E tanto a crença em curas milagrosas quanto o fascínio que a ideia de cadeia exerce na população – para nada dizer da pena de morte – talvez derivem de um mesmo primitivismo ideológico.  

Folha de S. Paulo, 6/6/92.

Entendendo o artigo:

01 – Segundo o autor, por que a prisão do bispo Edir Macedo acabou fortalecendo sua imagem perante seus seguidores?

      Porque a imagem do bispo atrás das grades lendo a Bíblia foi interpretada por seus adeptos como uma forma de martírio religioso. Além disso, líderes e crenças frequentemente ganham popularidade e apoio quando são perseguidos pela lei.

02 – Quais eram as acusações jurídicas que pesavam contra Edir Macedo e por que o processo envolvia questões complexas?

      As acusações eram de charlatanismo, curandeirismo e estelionato. O processo era complexo por envolver discussões sobre a liberdade religiosa e a dificuldade de diferenciar os métodos de arrecadação de fundos da Igreja Universal dos métodos utilizados por outros cultos.

 

03 – Qual é o primeiro aspecto transcrito pelo autor a respeito do crescimento de certas práticas religiosas no final do século XX?

      O crescimento da busca por religiões que prometem alívio prático para os problemas da vida cotidiana (como curas e milagres imediatos), sem grandes aprofundamentos ou sutilezas teológicas, fazendo com que religiões mais cautelosas perdessem fiéis.

 

04 – Como o autor explica o fascínio da opinião pública pela prisão de figuras famosas e importantes?

      O fascínio ocorre devido ao sentimento generalizado de impunidade na sociedade. Diante disso, a prisão de alguém famoso passa a ser consumida como uma espécie de "espetáculo" público (semelhante às execuções públicas do século anterior).

 

05 – Qual é a relação que o autor estabelece entre a fé em milagres e o desejo da população por punições como a prisão e a pena de morte?

      Marcelo Coelho sugere no final do texto que tanto a crença em curas milagrosas quanto o fascínio pelo encarceramento de figuras públicas derivam de um mesmo "primitivismo ideológico", ou seja, de uma busca por soluções simples, mágicas ou imediatas para problemas humanos e sociais complexos.

 

 

 

CRÔNICA: SOBRE O DESASTRE - LIMA BARRETO - COM GABARITO

 Crônica: SOBRE O DESASTRE

            Lima Barreto

 

        Viveu uma semana a cidade sob a impressão do desastre da Rua da Carioca. A impressão foi tão grande, alagou-se por todas as camadas, que temo não ter sido de tal modo profunda, pois imagino que, quando saírem à luz estas linhas, ela já se tenha apagado de todos os espíritos.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj98G7vJrwm8VHCEDkGBO8cXs5Por39dXm6UQ6MIl5EbQsLF_u5lYxyLp5qRE9nr4IgE4uRCzn0P1yEnJoyBt4VIJTKhCdDt1F46KDBrxwyUxR3AfcgG5PaYh4EP6-SXMwSzLdsVNIqzHy5R8eok2PjQfEt3-DmihuMSaYM9tGRLk3OpMhlhNg9AQophDw/s320/Rua-da-Cerveja-3.png 


        Todos procuraram explicar os motivos do desastre. Os técnicos e os profanos, os médicos e os boticários, os burocratas e os merceeiros, os motorneiros e os quitandeiros, todos tiveram uma opinião sobre a causa da tremenda catástrofe.

        Uma coisa, porém, ninguém se lembrou de ver no desastre: foi a sua significação moral, ou antes, social.

        Nesse atropelo em que vivemos, neste fantástico turbilhão de preocupações subalternas, poucos têm visto de que modo nós nos vamos afastando da medida, do relativo, do equili­brado, para nos atirarmos ao monstruoso, ao brutal.

        O nosso gosto que sempre teve um estalão equivalente à nossa própria pessoa, está querendo passar, sem um módulo conveniente, para o do gigante Golias ou outro qualquer de sua raça.

        A brutalidade dos Estados Unidos, a sua grosseria mercantil, a sua desonestidade administrativa e o seu amor ao apressado estão nos fascinando e tirando de nós aquele pouco que nos era próprio e nos fazia bons.

        O Rio é uma cidade de grande área e de população pouco densa; e, de tal modo o é, que se ir do Méier à Copacabana, é uma verdadeira viagem, sem que, entretanto, não se saia da zona urbana.

        De resto, a valorização dos terrenos não se há feito, a não ser em certas ruas e assim mesmo em certos trechos delas, não se há feito, dizia, de um modo tão tirânico que exigisse a construção em nesgas de chão de sky-scrapers.

        Porque os fazem então?

        E por imitação, por má e sórdida imitação dos Estados Unidos, naquilo que têm de mais estúpido – a brutalidade. Entra também um pouco de ganância, mas esta é a acora­çoada pela filosofia oficial corrente que nos ensina a imitar aquele poderoso país.

        Longe de mim censurar a imitação, pois sei bem de que maneira ela é fator da civilização e do aperfeiçoamento indi­vidual, mas aprová-la quand même, é que não posso fazer.

        O Rio de Janeiro não tem necessidade de semelhantes “ca­beças-de-porco”, dessas torres babilônicas que irão enfeá-lo, e perturbar os seus lindos horizontes. Se é necessário construir algum, que só seja permitido em certas ruas com a área de chão convenientemente proporcional.

        Nós não estamos como a maior parte dos senhores de Nova York, apertados, em uma pequena ilha; nós nos podemos desenvolver para muitos quadrantes. Para que esta ambição então? Para que perturbar a majestade da nossa natureza, com a plebeia brutalidade de monstruosas construções?

        Abandonemos essa vassalagem aos americanos e fiquemos nós mesmos com as nossas casas de dois ou três andares, construídas lentamente, mas que raramente matavam os seus hu­mildes construtores.

        Os inconvenientes dessas almanjarras são patentes. Além de não poderem possuir a mínima beleza, em caso de desastre, de incêndio, por exemplo, não podendo os elevadores dar va­zão à sua população, as mortes hão de se multiplicar. Acresce ainda a circunstância que, sendo habitada, por perto de meio a um milhar de pessoas, verdadeiras vilas, a não ser que haja uma polícia especial, elas hão de, em breve favorecer a perpetração de crimes misteriosos.

        Imploremos aos senhores capitalistas para que abandonem essas imensas construções, que irão, multiplicadas, impedir de vermos os nossos purpurinos crepúsculos do verão e os nossos profundos céus negros do inverno. As modas dos “americanos” que lá fiquem com eles; fiquemos nós com as nossas que matam menos e não ofendem muito à beleza e à natureza.

        Sei bem que essas considerações são inatuais. Vou contra a corrente geral, mas creiam, que isso não me amedronta. Admiro muito o imperador Juliano e, como ele, gostaria de dizer, ao morrer: “Venceste Galileu.”

Revista da Época, Rio, 20-7-1917.

Entendendo a crônica:

01 – Qual é o temor do cronista no início do texto em relação à comoção gerada pelo "desastre da Rua da Carioca"?

      O autor teme que a forte impressão causada pela tragédia em todas as camadas da sociedade seja passageira e se apague rapidamente da memória das pessoas devido ao ritmo acelerado e ao atordoamento da vida urbana moderna.

 

02 – Segundo Lima Barreto, qual dimensão essencial da tragédia foi ignorada pela maioria da população e pelos especialistas?

      Todos buscaram apenas os motivos técnicos, médicos ou operacionais da catástrofe, mas ninguém se lembrou de analisar a sua significação moral e social — ou seja, como a obsessão pelo progresso desenfreado e brutal afasta a sociedade do equilíbrio e da medida.

 

03 – Qual a crítica central que o autor faz à influência dos Estados Unidos no desenvolvimento urbano do Rio de Janeiro?

      O cronista critica a imitação cega e servil do modelo americano, caracterizado por ele como focado no mercantilismo, na apressa e na "brutalidade". Ele aponta que a construção de arranha-céus (sky-scrapers) no Rio não decorre de uma necessidade real de espaço, mas de ganância e fascínio por uma modernidade esteticamente feia e perigosa.

 

04 – Quais são os argumentos apresentados por Lima Barreto para demonstrar que o Rio de Janeiro não precisava construir grandes arranha-céus?

      O Rio de Janeiro é uma cidade de grande extensão territorial com densidade que permite a expansão horizontal (ao contrário de Nova York, comprimida em uma ilha);

      Edifícios gigantescos ("torres babilônicas") alteram a paisagem e bloqueiam a beleza natural dos horizontes da cidade;

      Essas construções trazem grandes riscos à segurança, como a dificuldade de evacuação em incêndios e o potencial aumento da criminalidade interna.

 

05 – Como a referência final ao imperador romano Juliano reflete o posicionamento do próprio Lima Barreto frente à sociedade de sua época?

      Ao citar Juliano — imperador que tentou conter o avanço do cristianismo e defender a cultura clássica, sabendo-se em posição vencida —, Lima Barreto assume que sua postura crítica ao "progresso" e ao modelo americano é contra a corrente dominante (inatual), reafirmando seu compromisso ético de resistir mesmo sabendo que a modernidade capitalista acabaria triunfando.

 

 

POESIA: - ME PAULO ALBERTO M. MONTEIRO DE - COM GABARITO

 Poesia: - Me

Gargal(h)o de mim

Lúcido-me tolo.

Olhos de análise, tudo sei

Menos o mim. Desminto-me.

Me mito ou me mato

Em suor e de lírio

Não sei se sei, se sou ou suo.

Cego, só ego sou

Cogito ergo sum.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgd82rdNBJlhSy6gX-R4Q8CVEX7hyphenhyphenUFWE8X2y5mJze402fNn8xMNCZT_iTLWkiBim7AFvcmh5aBhoA4IeH6m_6RvMhyphenhyphenEhIHY8SMQxhb-2IVLoth5uF0eU-EUv9tBbsN8Nxs30l_4D0AGhOEExVU-JZ1E7lTb366zSLyXWKWPqD4fuTJym2N9RMOQFt6fYc/s320/images.jpg


Inciente de mim

Não posso verme.

Imparcial, petulante,

Soslaio-me, infrutífero

E fero, voraz, implacável,

Tombo, incapaz-me 

Delirante luz.

BARROS, Paulo Alberto M. Monteiro de (Artur da Távola). Calentura.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o tema central abordado no poema e como ele se relaciona com o título "-Me"?

      O tema central é a crise de identidade, a busca pelo autoconhecimento e a divisão do "eu". O título "-Me" e o uso constante do pronome oblíquo reflexivo evidenciam essa introspecção e a tentativa do eu lírico de analisar a si próprio como objeto de estudo.

02 – Como a frase filosófica "Cogito ergo sum" (Penso, logo existo), de René Descartes, é ressignificada e ironizada no poema?

      O eu lírico contrapõe o racionalismo de Descartes à sua própria ignorância e cegueira sobre si mesmo ("Olhos de análise, tudo sei / Menos o mim"). O pensamento lógico não o ajuda a se compreender, transformando o "Penso, logo existo" em um estado de dúvida e egocentrismo ("Cego, só ego sou").

03 – Qual o efeito de sentido produzido pelos jogos de palavras e sonoridades nos versos "Me mito ou me mato / Em suor e de lírio" e "Não sei se sei, se sou ou suo"?

      O poema utiliza aliterações, assonâncias e jogos de palavras (como "delírio" desmembrado em "de lírio") para expressar a confusão mental, a angústia existencial e o delírio do eu lírico, cujas certezas se dissolvem em dúvida sobre sua própria existência e sentimentos.

04 – De que forma o eu lírico explora a neologização e a inversão da colocação pronominal para expressar a tentativa de autoanálise?

      O poeta cria estruturas incomuns, como unir pronomes a adjetivos e substantivos (ex: "Lúcido-me tolo", "Incapaz-me"), ou usar o pronome antes de verbos que não admitem próclise na norma padrão ("Gargal(h)o de mim"). Isso reflete a tentativa constante, porém frustrada, de voltar a ação verbal contra si mesmo.

05 – Qual é a contradição vivida pelo eu lírico expressa nos versos finais do poema?

      A contradição está no fato de o eu lírico se ver como alguém "imparcial", "petulante" e analítico, mas ao mesmo tempo "incapaz" e "infrutífero" de enxergar a si mesmo. Ele cai/tomba diante de uma "delirante luz", demonstrando que excesso de análise não traz lucidez, mas sim cegueira e desintegração do "eu".

 



 

TEXTO: BOTE O DEDO AQUI. APAGUE O DESPERDÍCIO. - COM GABARITO

 Texto: Bote o dedo aqui. Apague o desperdício.

 

        A energia elétrica existe para trazer conforto e bem-estar. 

        Mas se não for usada com inteligência, pode trazer uma surpresa nada agradável no final do mês: uma despesa além da conta.

        Isso é sinal de que está havendo desperdício. E, nos tempos atuais, o desperdício está completamente fora de moda.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2Gaj8JsQBU1_KU_wJbv6SIX_E8npnTROxwTTfF-rV6VbCpPA1v27zZk7Oht947sVp09lAKmk5F5zHC48FCo-VThk4anpXPYwo1oVAIOHXpI814CXpVatbR_KLIJtfmS9Q0JIvFKni7C5_LP92l7IorlvhQ1VfzqBl-nic825nZ6k2_nxbSvJ0dos_k7Y/s1600/images.jpg 


        Leia as recomendações que a Eletropaulo está fazendo neste anúncio. Colocando essas medidas em prática, você pode reduzir o seu consumo de eletricidade, sem sacrificar nem um tostão o seu conforto.

1. Apague a luz do ambiente quando sair.

2. Reduza o tempo embaixo do chuveiro elétrico.

3. Não deixe a TV ligada à toa.

4. Evite o abre-e-fecha da geladeira.

5. Junte uma boa quantidade de roupas e passe tudo de uma vez.

6. Leia as instruções de uso dos aparelhos elétricos para operá-los economicamente.

        Poupe eletricidade.

        Use de maneira racional à energia.

        Para informações, chame Ligue-Luz: 239-5500.

 Entendendo o texto:

01 – Qual é o objetivo principal da campanha publicitária da Eletropaulo apresentada no texto?

      Conscientizar os consumidores a usarem a energia elétrica de maneira racional e inteligente, combatendo o desperdício para reduzir o valor da conta de luz sem perder o conforto.

02 – Segundo o texto, qual é a consequência de não utilizar a energia elétrica com inteligência?

      A consequência é ter uma "surpresa nada agradável no final do mês", ou seja, uma despesa além da conta provocada pelo desperdício.

03 – Quais são as três orientações dadas no texto em relação aos aparelhos eletrodomésticos e eletrônicos (TV, geladeira e outros)?

      Não deixar a TV ligada à toa;

      Evitar o abre-e-fecha constante da geladeira;

      Ler as instruções de uso dos aparelhos elétricos para operá-los de forma econômica.

04 – Qual é a recomendação do anúncio para a tarefa de passar roupas de maneira econômica?

      A orientação é juntar uma boa quantidade de roupas para passar tudo de uma única vez, evitando ligar e esquentar o ferro de passar repetidas vezes.

05 – Qual o significado da expressão "o desperdício está completamente fora de moda" no contexto da mensagem?

      Significa que desperdiçar recursos (como a energia) não é mais uma atitude aceitável ou bem-vista pela sociedade atual, devendo ser substituída por hábitos mais conscientes e sustentáveis.

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: CULPA IRRADIADA - FOLHA DE S.PAULO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Culpa irradiada

        Cinco anos depois de uma cápsula com césio–137 radiativo ter sido exposta num ferro velho em Goiânia, matando quatro pessoas e causando lesões físicas em pelo menos 16, os responsáveis pelo incidente foram finalmente condenados pela Justiça.

        Apesar da morosidade excessiva do processo – marca infelizmente tradicional do Judiciário brasileiro –, não deixa de ser digno de nota o fato de que não prevaleceu, desta vez, a impunidade tão corriqueira no país.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZHC1_nnQWrziAGPzyiwvmf7dgf7jSDEeN8LJMkY62WCiKNGr7v88-fWEPnVVlUtJIbCTivLvUUL5Q4Zjwk27skIBV318IeKIUOMQAA6nBGHK3K4V860fhcGY1bahh1n6fLz9TyBsIJa7X8diMZ3O0vL0t19pTc4rKa5stD2L7HsFJ8LV10EsF5dNmKxU/s320/images.jpg


        Os acusados – três sócios do instituto de onde o césio foi retirado e o técnico responsável –, a quem cumpria guardar o produto radiativo, foram condenados por homicídio e lesões corporais culposos.

        Embora ainda caiba recurso, merece destaque desde já a punição cominada pelo juiz. Em lugar de uma contraproducente sentença de prisão – lamentavelmente comum mesmo para condenados que não oferecem risco social –, o magistrado optou pela prestação de serviços, tornando o cumprimento da pena útil, em vez de oneroso, para a comunidade.  

Folha de S. Paulo, 8/8/92.

Entendendo o artigo:

01 – Qual evento histórico e trágico ocorrido em Goiânia serve de pano de fundo para o artigo de opinião?

      O vazamento radioativo ocorrido após uma cápsula com Césio-137 ter sido exposta em um ferro-velho, o que provocou a morte de quatro pessoas e causou lesões físicas em pelo menos outras 16.

02 – Qual crítica o autor faz ao sistema judiciário brasileiro ao abordar o andamento do processo?

      O autor critica a morosidade excessiva do processo, que levou cinco anos para chegar a uma decisão, classificando o atraso como uma "marca infelizmente tradicional do Judiciário brasileiro".

03 – Quem foram as pessoas condenadas pela Justiça no episódio e por quais crimes foram responsabilizadas?

      Foram condenados três sócios do instituto de onde a cápsula foi retirada e o técnico responsável pela guarda do produto. Eles foram responsabilizados pelos crimes de homicídio e lesões corporais culposos (sem intenção de matar/ferir).

04 – Por que o autor elogia o tipo de pena aplicada pelo magistrado aos réus do caso?

      Porque o juiz optou pela prestação de serviços à comunidade em vez do encarceramento. O autor considera a prisão contraproducente para réus que não oferecem risco social, enquanto a prestação de serviços torna o cumprimento da pena útil para a sociedade.

05 – Apesar dos pontos críticos, qual o aspecto positivo do desfecho judicial destacado no texto?

      O fato de que não prevaleceu a impunidade, que costuma ser corriqueira no país, garantindo que os responsáveis pela negligência com o material radioativo fossem devidamente punidos.

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): LEO - CHICO BUARQUE - COM GABARITO

 Música (Atividades): Leo

        Chico Buarque

 

Um pé na soleira e um pé na calçada
Um pião
Um passo na estrada e um pulo no mato
Um pedaço de pau
Um pé de sapato e um pé de moleque.
Léo

Um pé de moleque e um rabo de saia
Um serão
As sombras da praia e o sonho na esteira
Uma alucinação
Uma companheira e um filho no mundo.
Léo

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhmMT6rs8QWp62X8OAT3BQ4k8dtsCT-vKlqLRrIgIler-zsfL-T5b6HQcq_aHEpt8yKgZmMDT_t9dhXZiLFRNYhor3oPuFK__-2j4KSBA_z5N3FEI5Vl1x1Eq2zI0vuhTqerz5k03_TTh5fW9CJ9p99MOyywxbVDPL2pGsUzIJZHU6G0IvxmTCPMmmq-6g/s320/images.jpg


Um filho no mundo e o mundo virado
Um irmão
Um livro, um recado, uma eterna viagem
A mala de mão
A cara, a coragem e um plano de voo.
Léo

Um plano de voo e um segredo na boca
O ideal
Um bicho na toca e o perigo por perto
Uma pedra, um punhal
Um olho desperto e um olho vazado.
Léo

Um olho vazado e um tempo de guerra
Um paiol
Um nome na serra e um nome no muro
A quebrado do sol
Um tiro no escuro e um corpo na lama.
Léo

Um nome na lama e um silêncio profundo
Um pião
Um filho no mundo e uma atiradeira
Um pedaço de pau
Um pé na soleira e um pé na calçada.

 

Composição: Chico Buarque, Milton Nascimento.

Entendendo a música:

01 – Qual recurso de encadeamento entre as estrofes o compositor utiliza para dar continuidade e ritmo à narrativa da vida de Léo?

      O autor utiliza o recurso da anadiplose (ou encadeamento), em que a expressão final da primeira linha de cada estrofe é retomada exatamente no início do primeiro verso da estrofe seguinte (exemplo: "Um filho no mundo..." encerra uma estrofe e inicia a próxima).

 

02 – Como a trajetória do personagem Léo evolui ao longo da canção, desde o início da sua vida até o momento de conflito?

      A narrativa mostra a passagem da infância e juventude (brincadeiras como pião, pé de moleque e vida na praia) para a vida adulta e engajamento político/clandestino (planos de voo, segredos, perigo, tempos de guerra, resistência e confronto).

 

03 – Quais elementos e imagens do texto sugerem que o personagem se envolveu em um contexto de militância, clandestinidade ou ditadura militar?

      O envolvimento em ações de resistência e clandestinidade é sugerido por termos como "um plano de voo", "um segredo na boca", "um bicho na toca", "um paiol", "um tempo de guerra", "um nome na serra e um nome no muro" e "um tiro no escuro".

 

04 – Qual o significado do desfecho trágico indicado nos versos "um tiro no escuro e um corpo na lama / Léo / Um nome na lama e um silêncio profundo"?

      Esses versos simbolizam a morte violenta ou o desaparecimento do personagem decorrente dos conflitos enfrentados, resultando em seu apagamento, na tentativa de difamação da sua memória ("nome na lama") e no esquecimento ou censura impostos ("silêncio profundo").

 

05 – Como a última estrofe constrói uma ideia de ciclo ou renovação ao retomar elementos da infância de Léo?

      A estrofe final retoma objetos e imagens da infância (pião, pedaço de pau, pé na soleira) ao lado da figura de "um filho no mundo e uma atiradeira", sugerindo um movimento circular da vida onde a história, a infância e a própria luta recomeçam através da nova geração (o filho).

 

CRÔNICA: PAÍS RICO - LIMA BARRETO - COM GABARITO

 Crônica: PAÍS RICO

            Lima Barreto 

 

        Meu amigo e colega Juvenal Calheiros é um pai exemplar que cuida com toda a solicitude da educação dos filhos.

        Procura bons colégios, informa-se dos professores, segue as lições dos meninos – isto tudo sem o menor desfalecimento.

        De resto, ele é um patriota, crente na grandeza do Brasil, nas suas riquezas e no seu futuro; põe, portanto, todo o seu esforço em instilar no espírito dos seus pimpolhos essa sua forte e virtuosa crença.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhI-rFbHwqv8MZF3KLJqc9nHUIBKIQvpUvdzUmyXI2Vi2IzrI1mX4gt3K5L881HEh6nEQtMwnsnIXQIqMI8EfNVS612I0zR-kKRMpVLTSEoKJ1nMbpf7cQY07bD1zRzwazzsO6swJbUar4zeMtx-4mJZQ5vdpmglmlz8zAiToUhzvJVcsM_aPClgtG1sA4/s320/images.jpg


        Damo-nos muito, desde o colégio primário, e frequento-lhe a casa, vivo na intimidade de sua família, o que me dá grande gosto, pois, não tendo propriamente família, aprecio muito a família dos outros.

        Não sendo rico, tem Juvenal alguma coisa e vive com certa abastança, em uma boa casa lá das bandas de Vila Isabel.

        Domingo, não tendo onde ir, nem mesmo às festanças da Quinta da Boa Vista, cujos recantos, cuja placidez, cuja majestade de parque principesco me encantam muito, quis ver o meu amigo.

        É preciso que eu lhes diga que não fui à quinta, porque não vou a lugares públicos quando se paga. Julgo que, po­dendo eu ir sem pagar a certo lugar, não vou gastar dinheiro para lá ir. Nesse ponto, não sou como o resto do Rio de Janeiro.

        Continuo a narração. Tomei o bonde conveniente e parti para a casa do meu amigo, apreciando o domingo, cheio de rapazes endomingados, de damas de laçarotes, de automóveis pejados de gente, de jogadores de football, de amadores de corridas, – gente feliz por ter um dia em que não faz nada.

        Cheguei em boa hora à casa do meu amigo que conversava na chácara com a família. Ainda liam, ele e os fi­lhos, os jornais.

        Não quis interromper-lhes a leitura e acertei um jornal para, relendo-o, não impedir a leitura deles.

        A dona da casa estava no interior tratando de negócios caseiros.

        Num dado momento, um dos filhos do meu amigo, descansando os jornais, perguntou ao pai:

        – Papai, o Brasil não é um país muito rico?

        – É.

        – Tem ferro?

        – Tem.

        – Tem cobre?

        – Tem.

        – Tem zinco?

        – Tem. Porque tu perguntas isso?

        – É que vejo os jornais muito indignados porque querem exportar ferro velho, cobre, etc. Se nós temos ferro, cobre na terra, porque tal zanga?

        A dona da casa veio convidar-nos para o almoço.

Careta, Rio, 31-7-1915.

Entendendo a crônica:

01 – Como o narrador caracteriza seu amigo Juvenal Calheiros quanto à sua conduta como pai e em relação ao seu sentimento pelo Brasil?

      Juvenal é descrito como um pai exemplar e solícito, que acompanha de perto a educação dos filhos. Além disso, é um patriota convicto que acredita na grandeza, nas riquezas e no futuro do Brasil, buscando incutir essa mesma crença na mente dos filhos.

 

02 – Qual peculiaridade a respeito de si mesmo o narrador revela ao explicar por que decidiu visitar o amigo no domingo em vez de ir à Quinta da Boa Vista?

      O narrador afirma que não costuma frequentar lugares públicos onde se exige pagamento. Ele declara que, tendo a opção de ir a locais gratuitos, recusa-se a gastar dinheiro com passeios pagos, diferenciando-se, segundo ele, do "resto do Rio de Janeiro".

 

03 – Que aspecto da atmosfera urbana carioca em um dia de domingo é descrito pelo narrador durante o seu trajeto de bonde até Vila Isabel?

      O narrador descreve um ambiente de lazer e descontração, composto por rapazes trajando roupas de domingo, senhoras com laçarotes, automóveis cheios de passageiros, jogadores de futebol e torcedores de corridas — um público feliz por desfrutar de um dia livre de trabalho.

 

04 – Qual a dúvida trazida pelo filho de Juvenal que gera o diálogo final da crônica e qual a contradição perceptível nessa indagação?

      O filho questiona por que os jornais demonstram tanta indignação com a exportação de sucatas (ferro velho, cobre), sendo que o Brasil é um país rico em minérios em seu solo. A contradição está no contraste entre o discurso da abundância de riquezas naturais e a reação exagerada diante do comércio de ferro velho.

 

05 – De que maneira Lima Barreto utiliza a fala da criança e o desfecho da crônica para construir a ironia do texto?

      A inocência do menino expõe a fragilidade da retórica patriótica de que o Brasil é um "país rico": se o país é tão próspero, não faz sentido a indignação da imprensa pelo ferro velho. A interrupção abrupta da conversa para o almoço deixa a contradição sem resposta, usando o olhar infantil para ironizar o civismo ufanista da época.

 

 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

CRÔNICA: ONTEM E HOJE - LIMA BARRETO - COM GABARITO

 Crônica: ONTEM E HOJE

            Lima Barreto

 

        Como todo o Rio de Janeiro sabe, o seu centro social foi deslocado da Rua do Ouvidor para a avenida e, nesta, ele fica exatamente no ponto dos bondes da Jardim Botânico.

        Lá se reúne tudo o que há de mais curioso na cidade. São as damas elegantes, os moços bonitos, os namoradores, os amantes, os badauds, os camelots e os sem esperança.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjGpnKeQxzTkUXZkhZghM-tofmpcwBHAkCSyH6jASADBapgTxicdC9GWU01hJhHBG3ir6IleQSgX-gkwGZfoAnlw0OMwhN24O_Q1KueBq5W_HdmePNeI0up02zf2XLgHgS-ZQ3GTTqIicgj2gAi9tyDGzxZACyFWfx6wgj74N0Q6gaJjB45sOmi7TGkPaY/s320/images.jpg


        Acrescem para dar animação ao local, as cervejarias que há por lá, e um enorme hotel que diz comportar não sei quantos milheiros de hóspedes.

        Nele moram vários parlamentares, alguns conhecidos e muitos desconhecidos. Entre aqueles está um famoso pela virulência dos seus ataques, pela sua barba nazarena, pelo seu pince-nez e, agora, pelo luxuoso automóvel, um dos mais chics da cidade.

        Há cerca de quatro meses, um observador que lá se postasse, veria com espanto o ajuntamento que causava a en­trada e a saída desse parlamentar.

        De toda a parte, corria gente a falar com ele, a abraçá-lo, a fazer-lhe festas. Eram homens de todas as condições, de todas as roupas, de todas as raças. Vinham os encartolados, os abrilhantados, e também os pobres, os mal vestidos, os necessitados de emprego.

        Certa vez a aglomeração de povo foi tal que o guarda civil de ronda compareceu, mas logo afastou-se dizendo:

        – É o nosso homem.

        Bem; isto é história antiga. Vejamos agora a moderna. Atualmente, o mesmo observador que lá parar, a fim de guardar fisionomias belas ou feias, alegres ou tristes e registrar gestos e atitudes, fica surpreendido com a estranha dife­rença que há com aspecto da chegada do mesmo deputado. Chega o seu automóvel, um automóvel de muitos contos de réis, iluminado eletricamente, motorista de fardeta, todo o veículo reluzente e orgulhoso. O homem salta. Pára um pouco, olha desconfiado para um lado e para outro, levanta a cabeça para equilibrar o pince-nez no nariz e segue para a escusa entrada do hotel.

        Ninguém lhe fala, ninguém lhe pede nada, ninguém o abraça – porque?

        Porque não mais aquele ajuntamento, aquele fervedouro de gente de há quatro meses passados?

        Se ele sai e põe-se no passeio à espera do seu rico auto­móvel, fica isolado, sem um admirador ao lado, sem um cor­religionário, sem um assecla sequer. Porque? Não sabemos, mas talvez o guarda civil pudesse dizer:

        – Ele não é mais o nosso homem.

                                                           Careta, Rio, 26-6-1915.

Entendendo a crônica:

01 – Qual foi a mudança espacial ocorrida no centro social do Rio de Janeiro citada pelo cronista no início do texto?

      O centro da vida social e urbana carioca deslocou-se da Rua do Ouvidor para a Avenida (Avenida Central/Rio Branco), concentrando-se especificamente no ponto de embarque e desembarque dos bondes da Jardim Botânico.

 

02 – Como o cronista descreve o ambiente e os tipos sociais que frequentavam esse novo ponto de encontro da cidade?

      O local é caracterizado pela diversidade e agitação, animado por cervejarias e por um grande hotel. Abriga figuras variadas da sociedade carioca, descritas como "damas elegantes, moços bonitos, namoradores, amantes, badauds (curiosos), camelots (camelôs) e os sem esperança".

 

03 – Qual era o comportamento do público em relação ao parlamentar "há cerca de quatro meses" (o "ontem")?

      O parlamentar recebia um acolhimento caloroso e constante de uma multidão heterogênea (pobres, ricos, necessitados de emprego). O ajuntamento era tão grande que chamava a atenção da polícia, mas o guarda civil aprovava a cena dizendo: "É o nosso homem".

 

04 – Qual o contraste entre o status material do parlamentar e o seu tratamento social no momento presente (o "hoje")?

      Embora o parlamentar ostente um status material elevado (chegando em um luxuoso e reluzente automóvel com motorista fardado), no plano social ele é totalmente ignorado. Ninguém o aborda, o abraça ou pede favores, deixando-o isolado no passeio.

 

05 – Qual é a crítica feita por Lima Barreto à volatilidade do poder e do prestígio político no desfecho da crônica?

      Lima Barreto evidencia a natureza passageira e interesseira do prestígio político. O político só é cercado de atenção e "admiradores" enquanto possui poder ou influência para conceder favores; perdendo esse espaço, é imediatamente abandonado pela população, o que se sintetiza no pensamento do guarda: "Ele não é mais o nosso homem".

 

POESIA/MÚSICA(ATIVIDADES): PRECISO ME ENCONTRAR - ANTÔNIO FILHO - COM GABARITO

 Poesia/música (Atividades): Preciso me encontrar

            Antônio Filho

 

Deixe-me ir, preciso andar

vou por aí a procurar

rir pra não chorar

quero assistir ao sol nascer

ver as águas dos rios correr

ouvir os pássaros cantar

eu quero nascer, quero viver

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjoUkMJsxLj-RyivbefDClQg_xFbiCVkzOvXMSDmQSNHT1I_EABaQk0q6Q-xEgSP8hV5apLqKN8Bl__r2d3VF8lHJ7zGR-Pe5pjJ-Lyrh-h8dQA5bm6_8-UYgVka3JXP5-H6zYBERGhT2YbONUV_Ep9d9drQnmcIej4kCPPmNnTyA1yFoi8lmRBzZUbWd8/s320/images.jpg 


deixe-me ir, preciso andar

vou por aí a procurar

rir pra não chorar

se alguém por mim perguntar

diga que eu só vou voltar

quando eu me encontrar

quero assistir ao sol nascer

ver as águas dos rios correr

ouvir os pássaros cantar

eu quero nascer, quero viver

deixe-me ir, preciso andar

vou por aí a procurar

rir pra não chorar.

 

CANDEIA. Antônio Filho. "Preciso me encontrar". In: encarte do disco, Marisa Monte, 1989.

 

Entendendo a poesia/música:

01 – Qual é o objetivo principal do eu lírico ao pedir para ir embora e caminhar sem rumo fixo?

      O objetivo principal do eu lírico é a busca pelo autoconhecimento e pela própria identidade, expressa explicitamente no verso "quando eu me encontrar".

 

02 – Quais elementos da natureza o eu lírico deseja contemplar em sua jornada de libertação e renovação?

      O eu lírico deseja contemplar o nascer do sol, o correr das águas dos rios e o canto dos pássaros.

 

03 – O que a expressão "rir pra não chorar" sugere sobre o estado emocional do eu lírico antes ou durante essa decisão de partir?

      Sugere que ele está passando por um momento de sofrimento, tristeza ou desilusão, recorrendo ao riso como um mecanismo de defesa para mascarar a dor enquanto busca transformar sua vida.

 

04 – Qual é o recado que o eu lírico deixa para caso alguém pergunte por ele durante sua ausência?

      A instrução dada é para dizer que ele só voltará quando conseguir se encontrar (reconstruir sua própria identidade).

 

05 – Qual é o significado dos verbos de desejo repetidos no poema ("quero nascer, quero viver") dentro do contexto da caminhada?

      Os verbos "nascer" e "viver" simbolizam o desejo de um recomeço, de uma renascença pessoal e de ter uma vida plena, livre e com propósito, deixando para trás um passado sufocante.