quinta-feira, 6 de agosto de 2026

POEMA: BOM DIA, TODAS AS CORES! RUTH ROCHA - COM GABARITO

 Poema: Bom Dia, Todas as Cores! 

             Ruth Rocha

Meu amigo Camaleão acordou de bom humor.
-- Bom dia, sol, bom dia, flores,
bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha
Cheia de orvalho, mudou sua cor
Para a cor-de-rosa, que ele achava
A mais bonita de todas, e saiu para
O sol, contente da vida.

Meu amigo Camaleão estava feliz
Porque tinha chegado a primavera.
E o sol, finalmente, depois de
Um inverno longo e frio, brilhava,
Alegre, no céu.
-- Eu hoje estou de bem com a vida
-- Ele disse. – quero ser bonzinho
Pra todo mundo...

Logo que saiu de casa,
O Camaleão encontrou
O professor pernilongo.
O professor pernilongo toca
Violino na orquestra
Do Teatro Florestal.
-- Bom dia, professor!
Como vai o senhor?
-- Bom dia, Camaleão!
Mas o que é isso, meu irmão?
Por que é que mudou de cor?
Essa cor não lhe cai bem...
Olhe para o azul do céu.
Por que não fica azul também?

O Camaleão,
Amável como ele era,
Resolveu ficar azul
Como o céu da primavera...

Até que numa clareira
O Camaleão encontrou
O sabiá-laranjeira:
-- Meu amigo Camaleão,
Muito bom dia e você!
Mas que cor é essa agora?
O amigo está azul por quê?

E o sabiá explicou
Que a cor mais linda do mundo
Era a cor alaranjada,
Cor de laranja, dourada.

Nosso amigo, bem depressa,
Resolveu mudar de cor.
Ficou logo alaranjado,
Louro, laranja, dourado.
E cantando, alegremente,
Lá se foi, ainda contente...

Na pracinha da floresta,
Saindo da capelinha,
Vinha o senhor louva-a-deus,
Mais a família inteirinha.
Ele é um senhor muito sério,
Que não gosta de gracinha.
-- bom dia, Camaleão!
Que cor mais escandalosa!
Parece até fantasia
Pra baile de carnaval...

Você devia arranjar
Uma cor mais natural...
Veja o verde da folhagem...
Veja o verde da campina...
Você devia fazer
O que a natureza ensina.

É claro que o nosso amigo
Resolveu mudar de cor.
Ficou logo bem verdinho.
E foi pelo seu caminho...

Vocês agora já sabem como era o Camaleão.
Bastava que alguém falasse, mudava de opinião.
Ficava roxo, amarelo, ficava cor-de-pavão.
Ficava de toda cor. Não sabia dizer NÃO.

Por isso, naquele dia, cada vez que
Se encontrava com algum de seus amigos,
E que o amigo estranhava a cor com que ele estava...
Adivinha o que fazia o nosso Camaleão.
Pois ele logo mudava, mudava para outro tom...

Mudou de rosa para azul.
De azul para alaranjado.
De laranja para verde.
De verde para encarnado.
Mudou de preto para branco.
De branco virou roxinho.
De roxo para amarelo.
E até para cor de vinho...

Quando o sol começou a se pôr no horizonte,
Camaleão resolveu voltar para casa.
Estava cansado do longo passeio
E mais cansado ainda de tanto
mudar de cor.
Entrou na sua casinha.
Deitou para descansar.
E lá ficou a pensar:
-- Por mais que a gente se esforce,
Não pode agradar a todos.
Alguns gostam de farofa.
Outros preferem farelo...
Uns querem comer maçã.
Outros preferem marmelo...
Tem quem goste de sapato.
Tem quem goste de chinelo...
E se não fossem os gostos,
Que seria do amarelo?

Por isso, no outro dia, Camaleão levantou-se
Bem cedinho.
-- Bom dia, sol, bom dia, flores,
Bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha
Cheia de orvalho,
Mudou sua cor para
A cor-de-rosa, que ele
Achava a mais bonita
De todas, e saiu para
O sol, contente
Da vida.

Logo que saiu, Camaleão encontrou o sapo cururu,
Que é cantor de sucesso na Rádio Jovem Floresta.
-- Bom dia, meu caro sapo! Que dia mais lindo, não?
-- Muito bom dia, amigo Camaleão!
Mais que cor mais engraçada,
Antiga, tão desbotada...
Por que é que você não usa
Uma cor mais avançada?

O Camaleão sorriu e disse para o seu amigo:
-- Eu uso as cores que eu gosto,
E com isso faço bem.
Eu gosto dos bons conselhos,
Mas faço o que me convém.
Quem não agrada a si mesmo,
Não pode agradar ninguém...
E assim aconteceu
O que acabei de contar.
Se gostaram, muito bem!
Se não gostaram, AZAR! 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiPRMCE1aq1kAU6xCuVUPCnDCY5_2fgtQ4WAarRAkA8i0UWv76GpXpUZryvnZh48jy21RHgsc5x9FXetl4XA9XiSq3Ob26qhRhEbhcchsHUbCxHiG8axbzIZUBpZSuW7AdoUIQTMJIFDJ3tjkNr8G1UR7YSpO8LVQi4pVqavRlLx8tGwa1TUj-Zd9VJHGs/s1600/images.jpg 

 

Disponível em: http://www2.uol.com.br/ruthrocha/historias_15.htm

 

Entendendo o poema:

01 – Escreva o nome de alguns personagens do texto.

      Alguns dos personagens que aparecem na história são: Camaleão; Professor Pernilongo; Sabiá-Laranjeira; Senhor Louva-a-Deus (e sua família) e Sapo Cururu.

 

02 – Quem é o personagem principal do texto? Quais suas características?

      O personagem principal é o Camaleão.

      Suas características: Ele é alegre, simpático, amável, bem-humorado e gosta de agradar os outros. No início, ele era muito ingênuo e sem opinião própria, pois "não sabia dizer NÃO" e mudava de cor sempre que alguém sugeria. No final, ele se torna mais autoconfiante e decidido.

 

03 – Qual era a cor preferida do Camaleão?

      A cor preferida dele era a cor-de-rosa, que ele achava a mais bonita de todas.

 

04 – O Camaleão mudou várias vezes de cor. Escreva uma dessas mudanças e porque ela a fez.

      Mudou do rosa para o azul porque o Professor Pernilongo disse que a cor rosa não lhe caía bem e sugeriu o azul do céu.

 

05 – O Camaleão acordava de bom humor e cumprimentava as coisas ao seu redor. Como era esse cumprimento? E você? Costuma cumprimentar as pessoas? Como?

      Como o Camaleão cumprimentava: Ele dizia alegremente: "-- Bom dia, sol, bom dia, flores, bom dia, todas as cores!"

      Resposta pessoal: (Escreva como você costuma dar bom dia ou cumprimentar sua família, amigos e professores no dia a dia, por exemplo: "Sim, eu costumo dar bom dia para minha família com um sorriso" ou "Cumprimento meus amigos na escola com um aceno").

 

06 – Depois de fazer os gostos de todos, o Camaleão mudou de ideia. Mudou para a cor que mais gostava e disse ao sapo:

Eu uso as cores que eu gosto,

E com isso faço bem.

Eu gosto dos bons conselhos,

Mas faço o que me convém.

Quem não agrada a si mesmo,

Não pode agradar ninguém...

        O que você achou das palavras do Camaleão? Concorda ou não com ele?

      Respostas pessoal. Sugestão: Achei as palavras do Camaleão muito sábias. Concordo com ele porque é importante ouvir os conselhos das pessoas, mas não podemos deixar de ser quem realmente somos só para tentar agradar todo mundo. Se não respeitarmos nossos próprios gostos e desejos, nunca seremos felizes de verdade.

 

07 – Agora vamos falar de você. Você costuma mudar de ideia ou fazer alguma coisa só porque os outros querem ou tem suas próprias ideias? Escreva.

      Se você tem opinião própria: "Eu costumo manter minhas ideias. Quando me sugerem algo, eu escuto, mas só mudo de opinião se eu realmente achar que a outra pessoa tem razão."

      Se você costuma ceder: "Às vezes eu acabo mudando de ideia só para agradar meus amigos ou evitar brigas, mas estou aprendendo a defender mais o que eu gosto."

 

08 – Qual mensagem o texto passou a você?

      Respostas pessoal. Sugestão: A mensagem principal é sobre autenticidade, autoaceitação e respeito às diferenças. O texto ensina que é impossível agradar a todos, pois cada pessoa tem gostos e opiniões diferentes. Portanto, o mais importante é estarmos bem conosco mesmos.

 

09 – Identifique os elementos da narrativa seguindo as pistas abaixo:

a) Espaço: Onde acontece a história ou o fato narrado? Que pistas se tem para poder identificar o espaço?

      Na floresta (passando por clareiras, pela pracinha perto da capelinha e pelo caminho de volta para a casa do Camaleão). As pistas no texto são menções a "Teatro Florestal", "clareira", "pracinha da floresta", "campina" e "folhagem".

b) Tempo: Quando acontece a história do Camaleão?

      A história se passa ao longo de dois dias, começando pela manhã bem cedinho na primavera, passando pelo pôr do sol, e terminando na manhã do dia seguinte.

c) Personagem: Quem participou da história? Quem o Camaleão encontrou?

      O Camaleão (protagonista), o Professor Pernilongo, o Sabiá-Laranjeira, o Senhor Louva-a-Deus (com sua família) e o Sapo Cururu.

d) Narrador: Quem contou a história? Foi o camaleão?

      Narrador-observador (em 3ª pessoa). Não foi o Camaleão quem contou a história, mas sim alguém de fora que conhece tudo o que aconteceu ("Meu amigo Camaleão...", "Vocês agora já sabem...").

e) Enredo: O que foi contado? Sobre o que se falou? 

      É a história de um camaleão que, por querer agradar a todos os amigos que encontrava pelo caminho, passava o dia todo mudando de cor. Cansado no fim do dia, ele percebe que cada um tem seu gosto e que é impossível agradar a todos. No dia seguinte, decide usar a cor que ele próprio mais gosta (rosa) e aprende a defender suas vontades.

MÚSICA (ATIVIDADES): QUANDO EU ESTIVER CANTANDO - CAZUZA/JOÃO REBOUÇAS - COM GABARITO

 Música (atividades): Quando eu estiver cantando

           Cazuza / João Rebouças)

Tem gente que recebe Deus quando canta
Tem gente que canta procurando Deus
Eu sou assim com a minha voz desafinada
Peço a Deus que me perdoe no camarim

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhiu04xvhpRDTQd-OSE2KOVi1nkaRVq1iLu-_uuvkLZ6W6VgAZdv028eKTj6DinIquGOXI_y1PxpOfVk3V2W0nD3SpsPDbIksZFP099MlJ_HES-LtrmPjbi8gG-L9WMGAY23Omx7G_ZaWk87w8QDym1pbWlKXCOIqFBbuAc4zvfk-wlEwjOJE1abg1fTok/s320/images.jpg



Eu sou assim
Canto pra me mostrar
De besta
Ah, de besta

Quando eu estiver cantando
Não se aproxime
Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio
Quando eu estiver cantando
Não cante comigo

Porque eu só canto só
E o meu canto é a minha solidão
É a minha salvação

Porque o meu canto redime o meu lado mau
Porque o meu canto é pra quem me ama
Me ama, me ama

Quando eu estiver cantando
Não se aproxime
Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio
Quando eu estiver cantando
Não cante comigo

Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio

Porque o meu canto é a minha solidão
É a minha salvação
Porque o meu canto é o que me mantém vivo
E o que me mantém vivo.

 

Entendendo a música:

01 – Identifique na primeira estrofe uma oração subordinada adverbial temporal (ideia de tempo).

      "quando canta" (na frase: "Tem gente que recebe Deus quando canta").

02 – No verso “Tem gente que canta procurando Deus”, o texto destacado expressa circunstância de: 

a) Tempo.        

b) Causa.  

c) Consequência.      

d) Finalidade.

03 – Identifique na segunda estrofe uma oração subordinada adverbial final (ideia de finalidade).  

      "Canto pra me mostrar" (ou "para me mostrar").

04 – Qual oração subordinadas adverbial se repete sete vezes na letra da música? Escreva a oração e classifique-a.

      "Quando eu estiver cantando". expressa a ideia de tempo / circunstância temporal em relação à ação principal.

  

CONTO: CHAPEUZINHO VERDE - AUGUSTA FARO FLEURY - COM GABARITO

 Conto: CHAPEUZINHO VERDE

          Augusta Faro Fleury

 

        Havia alguns anos que Chapeuzinho Vermelho mudara do bosque para a cidade. Mesmo assim, fazia questão de usar chapéu, até para ir à aula de música.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg64Zf63kdHpm5j68Zs8i4oqgreb7qOUFE4D7B-EpQompUJZ1AEAOsLgMus5u8GBOqkTmzdzt1KBzETes0-c41ixvMjXEvaXOCNN26mZ98VAZlwv6XzRt_5Bnitjq13Xk6EffEYhirgsuIx9c1qPhnFbtkkUMAeVHaaQDHgNgl2Lzo6RUVyJuv9uee8AJg/s320/images.jpg


        Morava com a avó, já velhinha, mas, ainda, muito animada, conversadeira e ótima nos quitutes da cozinha. Vovó sempre recordava o dia em que Lobo Mau a engolira inteirinha, sem uma mordida nem um arranhão. E vieram os caçadores, abriram a barrigona do lobo e encheram-na com pedras ásperas, aos montes! Mas Lobo Mau bebeu muita água, ficou tempos doente e acabou se recuperando. Aprendeu a lição? Não sei, não.

        No momento, Lobo Mau, que é primo do Lobo Bom, mora numa jaula do zoológico. Vovó até visita o bicho. Sem medo nenhum, ainda leva broas de fubá, que ele saboreia, feliz da vida! Às vezes, ele convida vovó para sentar um pouco, contar novidades. Vovó, discreta, agradece, dizendo que tem pressa, porque o céu é pura carranca de chuva. Sabe como é, né? Os sinaleiros entram em pane, as árvores desmontam, enfim, é o maior auê. Só chover!

        Lobo Mau, que não é tão mau assim (é médio), compreende a desculpa da vovó e vai cochilar no canto quentinho da jaula, enquanto não vem muita gente visitá-lo.

        E Lobo Bom? Fugiu do bosque para matas distantes. Por quê? Os homens vinham chegando, chegando, com suas motosserras, e arrebentando tudo. Lobo Bom, filosofando, repetia: “O homem é o mais selvagem de todos os animais, o pior deles. E ainda é estúpido, estraga sua própria moradia, que é a natureza!” Chapeuzinho fica pensativa e sempre comenta isso nas aulas com seus colegas. Havia até fundado um clube dos Protetores do Verde.

        O clube fazia muito sucesso e era bastante movimentado. O pessoal gostava e ajudava. Queriam, assim, acordar muita gente sobre os perigos de violentar animais, plantas, poluir rios e mares, desmatar a torto e a direito.

        Chapeuzinho Vermelho, por isso, trocou a cor de seu chapéu. Agora só usa um bem transado, moderninho, hiper verde-clorofila. Chapeuzinho Verde sempre diz que, no Brasil (aliás, em todos os países tropicais), as pessoas deveriam usar chapéu, constantemente, por dois motivos principais:

        1°) Proteger-se dos raios solares, porque a camada de ozônio está cada dia mais frágil e o sol tornou-se perigoso para a pele. Até cancerígeno pode ser, já pensou?

        2°) Chapéu é um enfeite superelegante e embeleza o rosto de moças, meninas, mulheres e velhinhas.

        Mas ainda é uma moda que não pegou. Mas deverá acontecer isso nos próximos anos, fala Chapeuzinho Verde, toda sabereta!

        Pois é, o tempo passa, mesmo. Aliás, voa. E o bosque onde Chapeuzinho morava? Tornou-se um deserto horroroso, uma sequidão terrível! Os rios por perto secaram e os que sobraram são córregos malcheirosos. “Que tragédia! Que tristeza!”, diz vovozinha, assustada.

Disponível em <http://www.odiarioverde.com.br>. Acesso em novembro de 2010.

 

Entendendo o conto:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

-- Ásperas: de superfície irregular, desiguais.

-- Pane: interrupção no funcionamento de um mecanismo.

-- Filosofando: pensando, raciocinando.

 

02 – Qual é a personagem principal dessa história?

      Chapeuzinho Vermelho, que, ao final da história, troca a cor de seu chapéu, tornando-se Chapeuzinho Verde.

 

03 – A personagem principal dessa história está presente em uma outra história bastante conhecida. Qual?

      A história Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau.

 

04 – Se vovó não tem mais medo do Lobo Mau, por que ela não se demora quando vai visitá-lo?

      Ela não consegue esquecer o que se passou. No fundo, ela parece ter medo do Lobo Mau.

 

05 – Para o Lobo Bom, qual é a causa das mudanças no bosque?

      As ações do homem, que, para ele, é o mais selvagem dos animais.

 

06 – Que iniciativa de Chapeuzinho Verde mostra que ela é muito ligada à natureza?

      Ela fundou um clube de protetores do verde.

 

07 – Hoje, o que deixa a vovó de Chapeuzinho triste e assustada?

      O estado em que se encontra o bosque onde morava. Ele tornou-se um deserto.

08 – A palavra “sabereta” não é registrada no dicionário, e sim “saberete”, que significa “pessoa metida a saber tudo”. Para você, essa palavra foi bem empregada no texto? Por quê?

      Resposta pessoal.

 

09 – No texto, qual é o significado de acordar na seguinte passagem: “Queriam, assim, acordar muita gente.”

      Informar as pessoas, fazer com que ficassem conscientes (no caso do texto sobre os perigos da destruição da natureza).

·        Você sabe outro sentido da palavra acordar? Diga qual e mostre uma frase em que acordar tem o sentido que você conhece.

      Resposta pessoal. Uma possibilidade: despertar, sair do sono/ Eu acordei hoje às 5 horas da manhã.

 

10 – Que trecho do texto sugere que o narrador da história não acredita muito nas boas intenções do Lobo?

      “Aprendeu a lição? Não sei, não”.

 

 

NOTÍCIA: POR QUE ALGUNS ATLETAS TÊM MORTES FULMINANTES? - FRAGMENTO - MUNDO ESTRANHO - COM GABARITO

 Notícia: POR QUE ALGUNS ATLETAS TÊM MORTES FULMINANTES? – Fragmento

 

        Eles estão sujeitos a mortes súbitas na mesma frequência que indivíduos comuns e sedentários. Para isso, basta o atleta ter predisposição ou uma doença crônica. “Como são pessoas públicas, eles são mais observados que um cidadão e o caso se torna maior. Mas mortes súbitas sempre aconteceram, não estão aumentando”, diz o fisiologista Turíbio Leite de Barros, da Unifest (Universidade Federal de São Paulo). Calcula-se que no Brasil, a cada ano, cerca de 160 mil pessoas sejam vítimas de mortes fulminantes. Só que isso não rende muita notícia. Mas basta a vítima ser um atleta mais conhecido [...] para o caso ganhar os jornais.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiTID9wwA3wc9Si2o70ykfAusBmk3aUmgtxjP1S4KcAOGu6HzSsA-9U_5b9byc7hlxI6StPOsWqzRFWxNl-27FVzK1Urs6u6Uw4EjQsN2HanbioV2SPlZBlxXv3ucQFjOBNLdzOHmG6xhCyOWv2bzWWlK1J2KEa8CJ-Sh44f_iLFDphNEAmqacV74_-jiA/s320/images.jpg


        É bom lembrar, porém, que algumas características do dia-a-dia dos atletas são fatores agravantes. A hipertermia, ou seja, o aquecimento excessivo do corpo, especialmente em dias de calor e de alta umidade do ar, é um deles.

        Outro é o possível uso de anabolizantes, pois o usuário tende a ter um aumento no nível de colesterol, o que compromete as funções cardíacas. Por falar nisso, ao contrário do que se pensa, essas mortes repentinas não são sempre relacionadas ao coração. Também podem acontecer óbitos fulminantes ligados a problemas pulmonares ou neurológicos.

        Para evitar novos sustos, os médicos recomendam, além de exames preventivos mais rigorosos, que estádios e ginásios passem a contar com mais recursos, como aparelhos adequados  para ressuscitação.

(Mundo estranho, ed. 26. Publicação mensal da revista Superinteressante – adaptado).

 

Entendendo a notícia:

01 – Segundo o texto:

(A) Somente os atletas com predisposição ou doença crônica sofrem mortes súbitas.

(B) A cada ano, cerca de 160 mil pessoas são vítimas de mortes fulminantes.

(C) Pessoas sedentárias têm mais chances de sofrer uma morte súbita que os atletas.

(D) Óbitos fulminantes ocorrem por problemas pulmonares e neurológicos.

(E) Atletas e indivíduos com vida sedentária têm a mesma chance de sofrer uma morte súbita.

 

02 – Em “Para isso, basta o atleta ter predisposição ou uma doença crônica.”, o pronome isso se refere a(o)(s):  

(A) frequência.            

(B) indivíduos. 

(C) mortes súbitas.                

(D) sujeitos.     

(E) eles – os atletas.

 

03 – No trecho: “Como são pessoas públicas, eles são mais observados que um cidadão e o caso se torna maior. Mas mortes súbitas sempre aconteceram, não estão aumentando”, o pronome eles refere-se a(o)(s):   

(A) mortes súbitas.          

(B) atleta.

(C) pessoas sedentárias.

(D) indivíduos comuns.

(E) fisiologista Turíbio Leite de Barros.

 

04 – Uma das características do dia a dia do atleta que agrava o problema da morte súbita é (são) a (o)(s)

(A) óbitos fulminantes.

(B) mortes relacionadas ao coração.

(C) aumento das funções cardíacas.

(D) dias de calor e baixa umidade.

(E) aquecimento excessivo do corpo.

 

05 – No trecho “Só que isso não rende muita notícia.”, o pronome isso se refere a(o)(s)

(A) jornais, que tornam maior o caso da morte súbita de um atleta.

(B) predisposição ou à doença crônica dos atletas.

(C) indivíduos comuns e sedentários.

(D) fato de que, se a vítima for um atleta conhecido, o caso ganha os jornais.

(E) número de vítimas anuais de mortes fulminantes no Brasil.

 

06 – A solução para o problema levantado apresentada pelo autor do texto é

(A) ter predisposição ou uma doença crônica, mais observados em um cidadão.

(B) o aquecimento excessivo do corpo, especialmente em dias de calor e de alta umidade do ar.

(C) exames preventivos mais rigorosos que estádios e ginásios passem a contar com mais recursos, como aparelhos adequados para ressuscitação.

(D) um aumento no nível de colesterol, o que compromete as funções cardíacas.

(E) óbitos fulminantes ligados a problemas pulmonares ou neurológicos.

 

07 – A pergunta feita no título “POR QUE ALGUNS ATLETAS TÊM MORTES FULMINANTES?” é respondida em:

(A) Para evitar novos sustos, estádios devem contar com mais recursos.

(B) Atletas estão sujeitos a elas com a mesma frequência que indivíduos comuns.

(C) Porque os anabolizantes comprometem as funções cardíacas.

(D) Basta o indivíduo ter predisposição ou doença crônica.

(E) Cerca de 160 mil pessoas são vítimas delas a cada ano.

 

08 – Qual é a tese apresentada pelo texto?

      Eles (os atletas) estão sujeitos a mortes súbitas na mesma frequência que indivíduos comuns e sedentários.

 

09 – Quais os argumentos usados pelo autor para sustentar a tese defendida no texto?

      1º Basta o atleta ter predisposição ou uma doença crônica.

      2º A hipertermia, ou seja, o aquecimento excessivo do corpo, especialmente em dias de calor e de alta umidade do ar, é um deles.

      3º O possível uso de anabolizantes.

      4º Não são sempre relacionadas ao coração, mas também podem acontecer óbitos fulminantes ligados a problemas pulmonares ou neurológicos.

 

POEMA: LAMPIÃO & LANCELOTE - FERNANDO VILELA - COM GABARITO

 Poema: Lampião & Lancelote 

          Fernando Vilela

 

Agora eu lhes apresento

Um grande cangaceiro

Nascido em nosso país

Leal e bom companheiro

Para uns foi criminoso

Para outros justiceiro

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj6RiB7Z46I8zmPXWCDqO04akUmB41l41bUv2hCpNRY1MeHhSwyE6RDcN5xEeR1AHzmoxlEHdxotZq-Nngxz-3neLFeniRpZX-pI9l0fPdyJ1pTSKB0f1ZaFmi1Y3CInFWnsbVRfFSkSV2LnapuSFOO92ZjxXYPF91jURcMwhx06iscLtQU3PfnYStU5as/s320/images.jpg

Criado nas terras secas

Vaqueiro trabalhador

Cuidava de um ralo gado

Com coragem e com valor

Seu nome era Virgulino

Mas um dia veio a dor

 

Ao ver seu pai baleado

Ele partiu pra vingança

À frente dos cangaceiros

Se pôs logo em liderança

Bando de cabras armados

Ao inimigo com ganância!

 

Cajarana Jurity

Caixa de Foço Corisco

Quinta-Feira Ponto Fino

Homens sem temor de risco

Volta-Seca Mergulhão

Luiz Pedro o mais arisco

 

Para um homem uma mulher

Português e sua Cristina

Dadá Maria Pancada

Inácia Maria Jovina

Lampião com sua Maria

Bonita fiel divina

 

Com este bando temido

Atirava igual canhão

Com seu rifle poderoso

Tornava a noite um clarão

Por isso todo orgulhoso

Se chamou de Lampião

 

Montado no seu jumento

Cruzava todo o sertão

Leitor agora eu lhe falo

Preste muita atenção

Este homem foi guerreiro

Que inventou rebelião

 

Invoco este personagem

De nosso seco Nordeste

Desça logo neste livro

Venha cá Cabra da Peste

Mostre o que tem de melhor

Vem chegando e desembeste.

 

Entendendo o poema:

01 – Da primeira estrofe, retire versos que revelem:

a) A opinião que o eu lírico tem de Lampião. 

      “Um grande cangaceiro”, “Leal e bom companheiro”.

b) A opinião que outros têm do mesmo personagem. 

      “Para uns foi criminoso / Para outros justiceiro”.

 

02 – Retire do poema versos que contam sobre quem era Virgulino antes de se tornar Lampião.

      “Leal e bom companheiro”, “Vaqueiro trabalhador / Cuidava de um ralo gado / Com coragem e com valor”.

 

03 – O que motivou Virgulino a entrar para um bando de cangaceiros? Justifique sua resposta com versos do poema.

      A morte do pai. “Ao ver seu pai baleado / Ele partiu pra vingança / À frente dos cangaceiros / Se pôs logo em liderança”.

 

04 – Quais estrofes revelam:

a) os integrantes do bando de Lampião?

      Quarta estrofe.

b) a entrada de mulheres no bando? Quinta estrofe

      Quinta estrofe.

 

05 – Na última estrofe, quem o eu lírico invoca? 

      Lampião.

 

06 – As rimas acontecem entre quais versos? 

      Entre os versos pares.

 

07 – Que características do cordel você observa no texto lido?

      O texto é escrito em versos estruturados em sextilhas e repletos de marcas da oralidade e expressões regionais. As rimas acontecem nos versos pares, e estes tratam de um tema comum em cordéis: os cangaceiros.

 

08 – Nesse cordel, notamos que também há uma invocação, uma chamada ao leitor, estratégia comum desse gênero. Transcreva o(s) verso(s) em que isso acontece.

      “Agora eu lhes apresento” e “Leitor agora eu lhe falo”.

 

09 – Quais eram os integrantes do bando de Lampião? Como eles são referidos no poema?

      Cajarana, Jurity, Caixa de Foço, Corisco, Quinta-Feira, Ponto Fino, Volta-Seca, Mergulhão e Luiz Pedro. Os integrantes do bando de Lampião são referidos por apelidos, exceto Luiz Pedro.

 

10 – Quem foi a amada de Lampião? Ela é mencionada no poema? Se sim, em que verso(s)?

      Foi Maria Bonita, mencionada nos dois últimos versos da quinta estrofe: “Lampião com sua Maria / Bonita fiel divina”.

 

 

 

ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS - EXERCÍCIOS - COM GABARITO

 Orações Subordinadas Adverbiais – Exercícios

 

01 – Leia as seguintes frases de caminhão e indique as circunstâncias que as orações subordinadas adverbiais expressam.

a) Se ferradura desse sorte, burro não puxava carroça. Condição

b) Passarinho não come pedra porque sabe o bico que temCausa

c) Preguiça é o hábito de descansar antes de estar cansadoTempo

d) Seja paciente na estrada para não ser paciente no hospitalFinalidade

e) Sou grande porque respeito os pequenosCausa

f)  Se me vires abraçado com mulher feia, separa que é briga. Condição.

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiyOXER8O85K1NQgYDCPtt7IYgczN45icFJWmgymlz2qiYoJ1my5sy0c7W2uun8y2Gq5OO7YtuLliuOFjZESOD6tMPEI0H6gd6D8CM2F7cDWjge0EBEAromq9cqPmK4EL2bpihLt4TNYyzBw8uSwgkHioayavWX7H_NvNluIz4cRaiXoZaRoaBQlFPhIEA/s320/images.jpg

 

02 – Classifique as orações subordinadas adverbiais reduzidas destacadas:

a) Ao viajar, não tome bebidas alcoólicas. 

      Or. Subord. Adv. Temporal (ou condicional) reduzida de infinitivo.

b) Não pude participar do campeonato por estar muito gripado

      Or. Subord. Adv. causal reduzida de infinitivo.

c) Ofendi meu amigo sem querer

      Or. Subord. Adv. concessiva reduzida de infinitivo.

d) “Você, varrendo o quarto, não terá encontrado algumas?” (Graciliano Ramos)  

      Or. Subord. Adv. temporal reduzida de gerúndio.

e) Surpreendido em falta grave, o menino chorava copiosamente. 

      Or. Subord. Adv. temporal (ou causal) reduzida de particípio.

f) Mesmo relido o texto, André não entendeu a metade. 

      Or. Subord. Adv. concessiva reduzida de particípio.

g) Prevendo uma atitude agressiva, não disse absolutamente nada. 

      Or. Subord. Adv. causal reduzida de gerúndio.

 

03 – Observe a relação entre as orações destes períodos:

 I. Os jovens curtem a dupla jeans e camiseta porque é uma roupa prática e bonita.

II. A dupla jeans e camiseta é tão prática e bonita que todos os jovens a curtem.

a) No primeiro período, a oração destacada é adverbial causal. Assim, em que oração está a consequência do fato de a roupa ser prática e bonita? 

      Na oração principal, os jovens curtem a dupla jeans e camiseta.

b) No segundo período, a oração destacada é adverbial consecutiva. Assim, em que oração está a causa de os jovens curtirem esse tipo de roupa? 

      Na oração principal, a dupla jeans e camiseta é tão prática e bonita.

 

04 – Reescreva as frases a seguir, estabelecendo entre as orações a relação indicada entre parênteses. Veja o exemplo:

Esforçou-se muito, mas não conseguiu bons resultados. (concessão)

Não conseguiu bons resultados, embora tenha se esforçado muito.

a) Chegando o momento, todos sairão rapidamente. (tempo)

      Todos sairão rapidamente, assim que tiver chegado o momento.

b) Estando doente, Manuel não veio à reunião dos condôminos. (causa)

      Manuel não veio à reunião dos condôminos porque estava doente.

c) Já sabiam que estávamos bem-preparados, contudo não esperavam a vitória. (concessão)

      Embora já soubessem que estávamos bem-preparados, não esperavam a vitória.

d) Como ficamos muito preocupados, saímos rapidamente do local. (consequência)

      Ficamos tão preocupados que saímos rapidamente do local.

e) Corra ou chegará atrasado. (condição)

      Chegará atrasado se não correr.

f) Ao chegar o conferencista, todos se calaram. (tempo)

      Quando o conferencista chegou, todos se calaram.

g) Pensando certo, respondeu errado. (concessão)

      Respondeu errado, ainda que tivesse pensado certo.

h) Abertas as portas, os visitantes entraram no museu. (tempo)

      Os visitantes entraram no museu, assim que se abriram as portas.

 

05 – A conjunção que tem diferentes valores semânticos (consequência, comparação, finalidade, concessão). Indique o valor semântico expresso por essa conjunção nas orações subordinadas adverbiais destacadas nos períodos a seguir.

a) Guardou-os tão bem, que agora não sabe onde estão. Consequência

b) “Fiz-lhe sinal que se calasse”. (Machado de Assis). Finalidade

c) Bebia que era uma lástima!  Consequência

d) Uma hora que fosse, para ele seria pouco. Concessão

e) Ele conhece mais geografia que vocêComparação

f) Exaustos que estávamos, fizemos uma pausa de meia hora.  Causa 

 

FÁBULA (POEMA): O QUE OS OLHOS NÃO VEEM - RUTH ROCHA - COM GABARITO

 Fábula (Poema): O que os olhos não veem

             Ruth Rocha

Havia uma vez um rei
num reino muito distante,
que vivia em seu palácio
com toda a corte reinante.
Reinar pra ele era fácil,
ele gostava bastante.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgu0A0qmR1ZPOI4UePhwC0eFmyTC0SsoUQ9XYVk7QXUtoMMGJXdPSaf9NaTglYlgirERpJDESI58f6dIFt6vcD-d-3mhNQ-nQgcG0d4-5x4czM-8RfTtD5O01KLmV_sPNEb3tkRPrRSk7fOprptFF-mhj2GZbW5CgMXAxGLksqqQlVvu65r4vKpMnWjvo4/s320/images.jpg



Mas um dia, coisa estranha!
Como foi que aconteceu?
Com tristeza do seu povo
nosso rei adoeceu.
De uma doença esquisita,
toda gente, muito aflita,
de repente percebeu...

Pessoas grandes e fortes
o rei enxergava bem.
Mas se fossem pequeninas,
e se falassem baixinho,
o rei não via ninguém.

Por isso, seus funcionários
tinham de ser escolhidos
entre os grandes e falantes,
sempre muito bem nutridos.
Que tivessem muita força,
e que fossem bem nascidos.
E assim, quem fosse pequeno,
da voz fraca, mal vestido,
não conseguia ser visto.
E nunca, nunca era ouvido.

O rei não fazia nada
contra tal situação;
pois nem mesmo acreditava
nessa modificação.
E se não via os pequenos
e sua voz não escutava,
por mais que eles reclamassem
o rei nem mesmo notava.

E o pior é que a doença
num instante se espalhou.
Quem vivia junto ao rei
logo a doença pegou.
E os ministros e os soldados,
funcionários e agregados,
toda essa gente cegou.

De uma cegueira terrível,
que até parecia incrível
de um vivente acreditar,
que os mesmos olhos que viam
pessoas grandes e fortes,
as pessoas pequeninas
não podiam enxergar.

E se, no meio do povo,
nascia algum grandalhão,
era logo convidado
para ser o assistente
de algum grande figurão.
Ou senão, pra ter patente
de tenente ou capitão.
E logo que ele chegava,
no palácio se instalava;
e a doença, bem depressa,
no tal grandalhão pegava.

Todas aquelas pessoas,
com quem ele convivia,
que ele tão bem enxergava,
cuja voz tão bem ouvia,
como num encantamento,
ele agora não tomava
o menor conhecimento...

Seria até engraçado
se não fosse muito triste;
como tanta coisa estranha
que por esse mundo existe.

E o povo foi desprezado,
pouco a pouco, lentamente.
Enquanto que próprio rei
vivia muito contente;
pois o que os olhos não veem,
nosso coração não sente.

E o povo foi percebendo
que estava sendo esquecido;
que trabalhava bastante,
mas que nunca era atendido;
que por mais que se esforçasse
não era reconhecido.

Cada pessoa do povo
foi chegando à convicção,
que eles mesmos é que tinham
que encontrar a solução
pra terminar a tragédia.
Pois quem monta na garupa
não pega nunca na rédea!

Eles então se juntaram,
Discutiram, pelejaram,
E chegaram à conclusão
Que, se a voz de um era fraca,
Juntando as vozes de todos
Mais parecia um trovão.

E se todos, tão pequenos,
Fizessem pernas de pau,
Então ficariam grandes,
E no palácio real
Seriam logo avistados,
Ouviriam os seus brados,
Seria como um sinal.

E todos juntos, unidos,
fazendo muito alarido
seguiram pra capital.
Agora, todos bem altos
nas suas pernas de pau.
Enquanto isso, nosso rei
continuava contente.
Pois o que os olhos não veem
nosso coração não sente...

Mas de repente, que coisa!
Que ruído tão possante!
Uma voz tão alta assim
só pode ser um gigante!
-- Vamos olhar na muralha.
-- Ai, São Sinfrônio, me valha
neste momento terrível!
Que coisa tão grande é esta
que parece uma floresta?
Mas que multidão incrível!

E os barões e os cavaleiros,
ministros e camareiros,
damas, valetes e o rei
tremiam como geleia,
daquela grande assembleia,
como eu nunca imaginei!

E os grandões, antes tão fortes,
que pareciam suportes
da própria casa real;
agora tinham xiliques
e cheios de tremeliques
fugiam da capital.

O povo estava espantado
pois nunca tinha pensado
em causar tal confusão,
só queriam ser ouvidos,
ser vistos e recebidos
sem maior complicação.

E agora os nobres fugiam,
apavorados corriam
de medo daquela gente.
E o rei corria na frente,
dizendo que desistia
de seus poderes reais.
Se governar era aquilo
ele não queria mais!

Eu vou parar por aqui
a história a que estou contando.
O que se seguiu depois
cada um vá inventando.
Se apareceu novo rei
ou se o povo está mandando,
na verdade não faz mal.
Que todos naquele reino
guardam muito bem guardadas
as suas pernas de pau.

Pois temem que seu governo
possa cegar de repente.
E eles sabem muito bem
que quando os olhos não veem
nosso coração não sente.

 

        Moral: A história é uma metáfora (uma comparação figurada) sobre a desigualdade social e a força da união do povo.

 

Disponível em: http://www2.uol.com.br/ruthrocha/historias_08.htm

 

Entendendo a fábula:

01 – O texto que você leu foi escrito em verso. Sabendo que cada linha do poema é um verso e que cada conjunto de versos forma uma estrofe, responda:

a) Quantas estrofes têm o poema?

      O poema é formado por 18 estrofes.

b) Todas as estrofes têm o mesmo número de versos?

      Não. O poema é heterostrófico (suas estrofes variam de tamanho). Existem estrofes com 6, 7 e até 10 versos.

 

02 – Um recurso sonoro muito utilizado em poemas é a rima. Rimas são repetições dos mesmos sons ao final das palavras. Releia as duas primeiras estrofes e escreva no caderno as rimas que encontrar.

      1ª Estrofes: distante rima com reinante e bastante.

      2ª Estrofes: aconteceu rima com adoeceu e percebeu.

esquisita rima com aflita.

 

03 – O texto afirma que o rei ficou doente. Qual era a doença dele?

      A doença do rei era uma cegueira e surdez seletivas: ele só conseguia enxergar e ouvir as pessoas grandes, fortes, ricas e bem-nascidas. As pessoas pequenas, de voz fraca e pobres eram completamente invisíveis para ele.

 

04 – Comparando a história com a realidade, quem você acha que representa as pessoas grandes e fortes? E as pequeninas?

      Pessoas grandes e fortes: Representam os ricos, os influentes, os políticos e a elite social, que detêm o poder econômico e a atenção dos governantes.

      Pessoas pequeninas: Representam a classe trabalhadora, os mais pobres e marginalizados da sociedade, que costumam ser ignorados pelas autoridades públicas.

 

05 – O que acontecia com as pessoas que viviam junto ao rei?

      A doença era "contagiosa". Assim que alguém passava a conviver com o rei no palácio — até mesmo uma pessoa do povo que ficasse grande —, logo pegava a mesma cegueira e passava a ignorar os pequenos e pobres.

 

06 – O que o povo fez para resolver o problema da cegueira do rei?

      O povo uniu suas forças:

      -- Uniram as vozes: Perceberam que juntas as vozes fracas soavam como um trovão.

      -- Usaram pernas de pau: Subiram em pernas de pau para ficarem altos o suficiente para serem enxergados pelo rei e sua corte.

      -- Marcharam juntos: Foram em multidão até a capital exigir ser ouvidos.

 

07 – As atitudes do rei e das pessoas próximas a ele são resumidas no provérbio “o que os olhos não veem, nosso coração não sente”. Você conhece outro provérbio que possa resumir as atitudes do povo? Qual?

      Existem alguns ditados populares que combinam muito com a atitude coletiva do povo na história:

      "A união faz a força." (O mais adequado, pois refere-se diretamente ao grupo se juntando para vencer a dor).

      "Quem não chora, não mama." (Mostra que eles tiveram que protestar para serem atendidos).

      "De grão em grão, a galinha enche o papo."

 

08 – O eu lírico (a voz que fala no poema) sugere que cada um vá inventando o que aconteceu depois que o problema foi resolvido. Invente o seu final para a história.

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Após a fuga do rei e dos nobres, o povo percebeu que não precisava de um monarca para dizer o que devia ser feito. Eles se reuniram em uma grande praça e criaram um conselho formado por representantes de cada bairro e profissão. As pernas de pau foram guardadas no museu da cidade para lembrar a todos que, dali para frente, ninguém mais seria invisível naquele lugar.