terça-feira, 17 de março de 2026

REPORTAGEM: BIOTECNOLOGIA: NA BASE DE TUDO, A FERMENTAÇÃO, NO PASSADO VISTA COMO COISA DO DIABO - REVISTA GLOBO CIÊNCIA - COM GABARITO

 REPORTAGEM:

Biotecnologia: Na base de tudo, a fermentação, no passado vista como coisa do diabo

         Na Idade Média, os pães eram feitos nos mosteiros. Havia mistério naquele movimento interno da massa, que crescia como se tivesse vida própria. Por isso, os monges piedosos acompanhavam todo o processo a rezar. Rezavam sempre e com fervor, pois acreditavam que o crescimento da massa era arte do demônio. Da mesma forma como havia o demo também atrás da fabricação do queijo, da cerveja e do vinho. Se não fosse o diabo, como explicar então aquela "vida" que de repente começava a pulsar dentro da mistura inerte?

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjD_Etrpn20i62kovxU3P9swEjgNX7YkpKwrL2a76lTwZE7zjBLVmWk9I5qb25MLiqhpOCkBklFhiu1OW9CsMMcWXU4Z3T6KOjSSD0ML6SxkSb3mn0VaTVVKdQV6bLR_kWyuITS1AJxzaHA_hwHC5FGWGz39i7uqsTEPH2evD4tTNeM2ZAcbhAdgJRbEYc/s1600/fermento1.jpg


          Foi só muito tempo depois que a humanidade descobriu o que de fato acontecia naquele processo: era a multiplicação de microorganismos num conjunto de reações químicas, que ficou conhecido então como fermentação. Hoje, curiosamente, esse mesmo processo está na base de uma das principais ciências de nosso século: a biotecnologia, que trata justamente do desenvolvimento e uso de seres vivos, inteiros ou em partes, na produção de alimentos e remédios em laboratórios.

             Quando o mundo se deu conta dos potenciais da biotecnologia nos anos 70, teve início um febril corre-corre nos meios científicos. Falava-se em criar plantas perfeitas, enormes e imunes a pragas e doenças, que revolucionariam a agricultura e resolveriam o problema da fome no mundo. Na medicina, acreditava-se que a cura do câncer, com a ajuda da nova ciência, estaria ao alcance da mão. E apostava-se também na criação de uma espécie de fonte da juventude, desenvolvendo hormônios capazes de retardar o envelhecimento das pessoas. Delirou-se, enfim.

       Depois que a poeira dos sonhos baixou, foi possível ver com serenidade do que era capaz a biotecnologia. Sem contar as pesquisas ainda em andamento, os produtos efetivos da nova ciência somam hoje algo em torno de uma dezena, mas tão importantes que é difícil enumerar os benefícios que trarão à humanidade em diversos setores.

        Os exemplos mais conhecidos são o hormônio que aumenta a produção do leite nas vacas, rejeitado no início pelos fazendeiros, temerosos de que isso faria os preços do produto caírem. Ou um novo tipo de tomate, mais graúdo e carnoso, que permite a produção de sucos e extratos mais concentrados. Ou ainda novas mudas de plantas, cultivadas em laboratório por uma técnica chamada micropropagação, que são mais viçosas e robustas que as normais.     (Revista Globo Ciência)

 Exercícios de Interpretação: Biotecnologia

 01. De acordo com o primeiro parágrafo, por que os monges da Idade Média rezavam durante o preparo dos pães?

a. Porque a oração era parte do ritual sagrado de fabricação dos alimentos nos mosteiros.

b. Porque acreditavam que o crescimento da massa era um fenômeno sobrenatural ligado ao demônio.

c. Porque queriam agradecer pela fartura de alimentos como queijo, cerveja e vinho.

d. Porque a fermentação demorava muito e eles aproveitavam o tempo para praticar a fé.

02. O texto afirma que o mistério da fermentação foi resolvido quando a humanidade descobriu que o processo se tratava de:

a. Uma intervenção divina que dava vida à mistura inerte.

b. Um conjunto de reações químicas causadas pela multiplicação de microrganismos.

c. Uma técnica de laboratório desenvolvida exclusivamente para a produção de remédios.

d. Um delírio coletivo de cientistas que buscavam a fonte da juventude.

03. Qual é a definição de biotecnologia apresentada pelo autor no segundo parágrafo?

a. A ciência que estuda apenas a fabricação de pães e bebidas alcoólicas.

b. O estudo da história das religiões e suas influências na produção de alimentos.

c. O desenvolvimento e uso de seres vivos, ou partes deles, na produção de alimentos e remédios.

d. A técnica de acelerar o envelhecimento humano através de hormônios específicos.

04. Nos anos 70, houve um "febril corre-corre nos meios científicos" em relação à biotecnologia. Segundo o texto, esse período foi marcado por:

a. Expectativas realistas e resultados imediatos na cura de todas as doenças.

b. Um desinteresse total por parte dos agricultores e médicos da época.

c. Grandes sonhos e promessas, como a criação de plantas perfeitas e a cura do câncer.

d. Uma proibição das pesquisas devido ao medo de que a ciência fosse "coisa do diabo".

05. O que o autor quer dizer com a frase "Depois que a poeira dos sonhos baixou"?

a. Que os laboratórios ficaram sujos e as pesquisas foram abandonadas por falta de verba.

b. Que, após o entusiasmo exagerado inicial, foi possível avaliar a ciência de forma mais calma e realista.

c. Que a biotecnologia provou ser uma ciência inútil e sem benefícios para a humanidade.

d. Que as tempestades de areia impediram o crescimento das plantações de tomates.

06. Um dos exemplos de sucesso da biotecnologia mencionados no final do texto é:

a. A criação de vacas que produzem leite com sabor de chocolate.  b.A descoberta de uma planta que cura o câncer instantaneamente.

c. O desenvolvimento de mudas de plantas mais viçosas por meio da técnica de micropropagação.

d. A invenção de um tipo de pão que cresce sem a necessidade de fermento.

07. Por que, inicialmente, os fazendeiros rejeitaram o hormônio que aumentava a produção de leite?

a. Eles temiam que o aumento da oferta fizesse o preço do produto cair no mercado.

b. Eles acreditavam, como os monges, que o hormônio era uma "arte do demônio".

c. O hormônio deixava o leite com um gosto amargo e impossível de consumir.

d. O custo do hormônio era superior ao lucro obtido com a venda do leite.

 

 

 

 

 

MÚSICA(ATIVIDADES): SAMBA DO ARNESTO - ADONIRAN BARBOSA - COM GABARITO

 MÚSICA(ATIVIDADES): SAMBA DO ARNESTO

                  Adoniran Barbosa

 O Arnesto nus convidô

Prum samba, ele mora no Brais

Nóis fumu num encontremu ninguém

Nóis vortemu cuma baita duma reiva

Da outra veiz nóis num vai mais

Nóis não semu tatu

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjHTrMo4tPV7-u3osVw4rpnnZFYc64stcX5y4UEYdpu7vZ-7jN8dDQz3ljwBrMLzS6oqDbm-YaYmIZboodluYevoeBNIG5Bad9cBoHF0IjPWr310-yePy9KCglwAXHfndM1LwVuaRdPQCZB8QXZE0ROPTuubArQUBrEBMKcT-pNrwK4tBjVMqXFxylsNiI/s320/ADONIRAN.jpg

Noutro dia encontremu co’Arnesto

Qui pediu discurpas mais nóis num aceitemu

Isso num si faiz Arnesto

Nóis num si importa

Mais ocê divia ter punhado um recado na porta

 

O Arnesto nus convidô

Prum samba, ele mora no Brais

Nóis fumu num encontremu ninguém

Nóis vortemu cuma baita duma reiva

Da outra veiz nóis num vai mais

 

BARBOSA, Adoniran, Samba do Arnesto. In: Reviva(CD).

Entendendo o texto

 

01. Ao analisar a letra da música, percebe-se que o conflito principal da história acontece porque:

a. O Arnesto não morava mais no Brás quando os amigos chegaram.

b. Os amigos se perderam e não conseguiram encontrar a casa do Arnesto.

c. O Arnesto convidou os amigos para um samba, mas não estava em casa no horário combinado.

d. Os amigos resolveram não ir ao samba porque estavam com muita raiva do Arnesto.

02. No trecho "Nóis não semu tatu", o autor utiliza uma expressão popular para transmitir a ideia de que:

a. Eles não são bobos e não aceitam ser feitos de palhaços.

b. Eles não gostam de ficar em lugares fechados ou buracos.

c. Eles são pessoas que gostam muito de festas e sambas.

d. Eles moram longe do Brás e tiveram dificuldade para chegar.

03. A linguagem utilizada por Adoniran Barbosa nessa composição é classificada como:

a. Linguagem formal, seguindo rigidamente as normas da gramática culta.

b. Linguagem técnica, utilizada por profissionais de música.

c. Linguagem coloquial (informal), reproduzindo o falar regional e popular de certas camadas de São Paulo.

d. Linguagem arcaica, com palavras que não são mais compreendidas hoje em dia.

04. De acordo com a segunda estrofe, o que os amigos esperavam que o Arnesto tivesse feito para evitar a confusão?

a. Tivesse feito o samba em outro bairro, fora o Brás.

b. Tivesse deixado um bilhete ou aviso na porta avisando sobre sua ausência.

c. Tivesse pedido desculpas logo no primeiro encontro.

d. Tivesse convidado mais pessoas para o encontro.

05. No verso "Nóis vortemu cuma baita duma reiva", a palavra destacada indica que o sentimento dos amigos ao não encontrar ninguém foi de:

a. Grande tristeza e desânimo.

b. Muita pressa para voltar para casa.

c. Intensa irritação ou raiva.

d. Cansaço por terem caminhado muito.

 

 

POEMA: RELACIONAMENTO - ELIAS JOSÉ - COM GABARITO

 POEMA: RELACIONAMENTO

 

Por que meu pai me olha

com tantas interrogações,

com tantas reticências?...

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhJQDD8Gp3jzMz8a-GMT14lRVEXqGN5RoYT7bjYLLDlv5aHQd7gyE8X7FiFRZSwnpgsP3bkZf4Wvez01CIDc4ad6vk-7bxCWZ6hLdI2WCX7vN7CFevoylJC5AAndHZSBle4UKHIuDWm-UjlK5DG58wmYyViIRaKsTaEwzVsp5tb3lmBpq91iqSUaBvq5IE/s1600/PAI.jpg


 

Por que me olha com medo

e com tanta esperança?

 

O medo do meu pai me encoraja,

me desafia e me ajuda

a segurar a barra.

 

A esperança de meu pai me assusta,

me torna reticente, incerto,

interrogativo como ele.

      JOSÉ, Elias. Cantigas de adolescer. São Paulo: Atual, 2003. p. 62.

 

Entendendo o texto

01. O texto foi escrito em versos ou prosa?

Em versos.

02. De acordo com as duas primeiras estrofes, que sentimentos o pai revela pelo seu olhar?

Sentimentos de dúvida, hesitação, medo e esperança.

03. Segundo o texto, que efeito tem sobre o eu poético o medo que o pai sente?

O efeito de encorajar, desafiar e enfrentar os problemas.

04. De acordo com a última estrofe, o que provoca no eu poético a esperança sentida pelo pai?

A esperança o assusta, tornando-o calado e cheio de dúvidas e incertezas.

05. Qual é a comparação estabelecida na última estrofe?

A comparação entre o pai e o eu poético com relação aos seus sentimentos.

sábado, 14 de março de 2026

POEMA: SER E SABER - LÊDO IVO - COM GABARITO

 POEMA:  Ser e saber

                    Lêdo Ivo

 

Vi o vento soprar

e a noite descer.

Ouvi o grilo saltar

na grama estremecida.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjWHipofHw4uqY5n0Qc59WeLMxOqs_UeLKhHaZPDN28Y_Tat-7sJkuqoQQ9-_1r7bMDVSqhzytnoJhbrajQ8q8XcLq1zPlZSs-IcKxvTvrArbxTvUN0zKlKmx-qjvuzUr4oMrkbEqarDVcyZiNwCxt3p9qLIsNSF9wx5fz10OKWJqXtEq8r9q8YsFRhrIk/s320/VENTO.jpg

Pisei a água

mais bela que a terra.

Vi a flor abrir-se

como se abrem as conchas.

 

O dia e a noite se uniram

para ungir-me.

O enlace de luz e sombra

cingiu os meus sonhos.

 

Vi a formiga esconder-se

na ranhura da pedra.

Assim se escondem os homens

entre as palavras.

 

A beleza do mundo me sustenta.

É o formoso pão matinal

que a mão mais humilde deposita

na mesa que separa.

 

Jamais serei um estrangeiro.

Não temo nenhum exílio.

Cada palavra minha

é uma pátria secreta.

 

Sou tudo o que é partilha

o trovão a claridade

os lábios do mundo

todas as estrelas que passam.

 

Só conheço a origem:

a água negra que lambe a terra

e os goiamuns à espreita

entre as raízes do mangue.

 

Só sei o que não aprendi:

o vento que sopra

a chuva que cai

e o amor.

 

(IVO, Lêdo.  Crepúsculo civil)

 

Entendendo o texto

 

01. Sobre o foco narrativo e a construção do eu lírico no poema, é correto afirmar que:

a. O poema possui um narrador observador que descreve as ações de um terceiro personagem.

b. O eu lírico se manifesta em primeira pessoa, revelando uma integração profunda entre o sujeito e os elementos da natureza.

c. O foco narrativo é em terceira pessoa, distanciando os sentimentos do autor dos fenômenos naturais descritos.

d. O eu lírico apresenta-se como um estrangeiro que não consegue compreender a beleza do mundo ao seu redor.

 

02. Na quarta estrofe, o eu lírico estabelece uma comparação entre o comportamento da formiga e o dos homens. Qual é o sentido dessa analogia?

a. A ideia de que os homens são trabalhadores e organizados como as formigas.

b. A sugestão de que as palavras, para os homens, servem como um refúgio ou um esconderijo, assim como a pedra para a formiga. c. A afirmação de que a natureza é hostil tanto para os insetos quanto para os seres humanos.

d. A crítica à falta de comunicação entre as pessoas, que vivem isoladas em pedras.

03. No verso "É o formoso pão matinal", o eu lírico refere-se à "beleza do mundo". Que figura de linguagem predomina nessa construção?

a. Personificação, pois atribui características humanas ao pão.

b. Metáfora, pois estabelece uma relação de identidade direta entre a beleza do mundo e o alimento (pão) que sustenta o ser.

c. Hipérbole, pois exagera a importância da alimentação na vida do poeta.

d. Eufemismo, pois tenta suavizar uma situação de fome ou pobreza.

 

04. Na sexta estrofe, o eu lírico afirma: "Cada palavra minha / é uma pátria secreta". Considerando o contexto do poema, essa "pátria" representa:

a. O desejo do autor de se mudar para um país estrangeiro e viver no exílio.

b. O sentimento de pertencimento e identidade que o eu lírico encontra na própria linguagem e na poesia.

c. Uma crítica política aos governos que censuravam as palavras na época da publicação.

d. A dificuldade de aprender novas línguas em um mundo globalizado.

05. Os versos "a água negra que lambe a terra" e "os lábios do mundo" apresentam qual figura de linguagem?

a. Metonímia, pois troca a parte pelo todo.

b. Antítese, pois apresenta ideias contrárias como "claro" e "escuro".

c. Personificação (Prosopopeia), pois atribui ações e órgãos humanos (lamber, lábios) a elementos inanimados da natureza.

d. Ironia, pois o autor diz o oposto do que realmente pensa sobre o mangue.

CRÔNICA JORNALÍSTICA: JEQUE DE CANDIDATO CAUSA BRIGA EM FRENTE A HOTEL CINCO ESTRELAS - RENATO LOMBARDI - COM GABARITO

 CRÔNICA JORNALÍSTICA:

Jegue de candidato causa briga em frente a hotel cinco estrelas

                   Renato Lombardi

         Um pequeno jegue, de não mais de um metro de altura, foi o pivô de uma das mais insólitas ocorrências já registradas no 4º. Distrito Policial, na Consolação. A região central viveu uma grande confusão, anteontem à noite, a partir da discussão entre o agente de segurança do Hilton Hotel, Edilberto Batista Gomes, de 28 anos, e o candidato a vereador pelo PMDB Osvaldo Martins de Oliveira, de 42 anos, por causa do animal. No final, todos os envolvidos acabaram presos, inclusive o jegue.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiABJebkDnjt_uidchEFmhumXhvgW1IBXDsKE9GBU3y-c9Ruzd_vwlA9POuzM-AXYgLCV8U5BZBildlsS7K5bznBgRJ9kli5PMdqs78bff5NWihTO0az7hYAzDnBdvnYoGyGysNC8Zd_kdFEmm-2tcrVNxvPZqPc26uKG5SCHqP_kDFK4fXb0I9MHPbfoA/s320/JEGUE.jpg

         Oliveira, conhecido como Vadão, estava desde o começo da tarde com seu jegue no centro da cidade participando de protestos contra o presidente Fernando Collor. Puxando o burro, Vadão passou pelas Praças da Sé e Ramos Azevedo. Quando seguia para a Rua da Consolação pela calçada da Avenida Ipiranga, o jegue resolveu dar uma parada na porta do Hilton.

         Um grupo de turistas americanos começou a bater palmas ao ver o animal com duas placas com os dizeres "Impeachment já" e "O Brasil é Nosso e Não Dele". A atitude do jegue, que tem o mesmo apelido do candidato, irritou o segurança do hotel Gomes. "Tire logo esse animal da calçada porque aqui é um hotel cinco estrelas e lugar de burro é na cocheira", ameaçou Gomes.

         Vadão disse que a Constituição lhe garantia o direito de ir e vir. Isto irritou ainda mais o segurança. "Ele deu um bico na perna direita traseira do jegue e ameaçou aleijar o animal", acusou o candidato. O gesto de Gomes revoltou Vadão, os turistas americanos e as pessoas paradas na porta do hotel. A Polícia Militar foi chamada. Soldados queriam obrigar o candidato a tirar o jegue do local. "Falei que meu animal fora agredido e que o segurança deveria ser preso."

         Para aumentar ainda mais a confusão, o jegue começou a zurrar. Mais de 20 pessoas _ turistas, gente que passava em frente ao hotel, policiais e seguranças _ se envolveram na discussão. Um soldado queria que todos fossem embora, mas mudou de ideia quando o jumento resolveu "fazer suas necessidades", na escadaria de acesso ao hotel. "Vai todo mundo pra delegacia, até o burro", ordenou o militar.

         No 4º. DP, um problema na hora de apresentar o jegue ao delegado Inácio de Melo: Vadão fez algumas tentativas, mas não conseguiu fazer o jegue, de 10 anos, subir os 20 lances de escada para chegar até a entrada do plantão. Acabou ficando em frente do prédio da delegacia, vigiado por um soldado. Um boletim de ocorrência por "maus tratos contra animal" foi elaborado e ele encaminhado para exames no Centro de Zoonose, sendo liberado no começo da manhã de ontem.

         Na clínica veterinária onde está internado, o jegue ontem ainda sangrava pela perna traseira direita. Revoltado com a agressão, Vadão quer o segurança na cadeia.

(O Estado de S. Paulo, 11/9/92.)

 Entendendo o texto

01. O texto relata uma ocorrência considerada "insólita" pelo autor. Qual foi o estopim da confusão em frente ao hotel cinco estrelas?

a. A tentativa dos turistas americanos de levar o animal para dentro do hotel.

b. O fato de o candidato estar realizando um protesto político sem autorização da prefeitura.

c. A discussão entre o segurança do hotel e o candidato a vereador, motivada pela parada do jegue na calçada do estabelecimento.

d. A recusa do jegue em subir as escadarias da delegacia para ser apresentado ao delegado.

 

02. Qual foi o argumento utilizado pelo candidato Vadão para se recusar a tirar o animal da calçada do Hilton Hotel?

a. O argumento de que o jegue era um hóspede do hotel.

b. A alegação de que a Constituição lhe garantia o direito de ir e vir. c. A afirmação de que o animal estava cansado após os protestos contra o presidente.

d. O fato de os turistas americanos estarem gostando da presença do animal.

03. O segurança Gomes reagiu de forma agressiva à presença do animal. De acordo com o texto, qual foi a consequência direta dessa agressão?

a. O animal foi levado imediatamente para a cocheira do hotel.

b. A polícia foi chamada e elaborou um boletim de ocorrência por "maus tratos contra animal".

c. O candidato desistiu do protesto e pediu desculpas aos turistas. d. O jegue parou de zurrar e saiu calmamente da calçada.

 

04. O que motivou o policial militar a dar voz de prisão a todos os envolvidos, incluindo o jegue?

a. O fato de o candidato não possuir os documentos do animal.

b. O barulho excessivo causado pelos zurros do jegue e pela discussão dos turistas.

c. O momento em que o jumento resolveu "fazer suas necessidades" na escadaria de acesso ao hotel.

d. A recusa do segurança em pedir desculpas ao candidato Vadão.

05. No desfecho da história, por que o jegue não entrou efetivamente na delegacia (4º DP)?

a. Porque o delegado proibiu a entrada de animais no plantão policial.

b. Porque o animal estava ferido e precisava de atendimento veterinário urgente.

c. Porque o candidato não conseguiu fazer o animal subir os 20 lances de escada do prédio.

d. Porque o soldado de guarda decidiu que o animal deveria ser enviado direto ao Centro de Zoonose.

 

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: EXTERMÍNIO TAMBÉM É BRINCADEIRA - GILBERTO DIMENSTEIN - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: Extermínio também é brincadeira

                                Gilberto Dimenstein

 

         BRASÍLIA - A imprensa revelou ontem uma nova "brincadeira" inventada por crianças numa escola do Rio. O nome da brincadeira: "extermínio". No intervalo, escolhem um menino pequeno a ser submetido a uma sessão de pancadaria. Na quarta-feira passada, um garoto de sete anos, uma das vítimas, foi levado pela mãe direto ao Hospital da Lagoa. Estava com o corpo repleto de hematomas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgE3ho75ctXQCjqozVBMmHrJpUb4rPzF2Ad4FqsgudJIPoWNPR5r16TWaLhtWRY1fjgnnVbg8Y7KxVYUOHJdMBDI9_1NRVlsClVsPRSv6ImGd5NmEjeO3lXV9Iptb0y5kUBS2Tdu7PE4T2m86LqnT9UPBhsd460kvdOnTgscE8ghMbk-fazYYQG5F7oJls/s320/BRINCADEIRAS.jpeg


     O terrível da notícia não é apenas o garoto cheio de hematomas, mas como a violência vai-se incorporando ao cotidiano, capaz de virar brincadeira. A banalização da violência é, hoje, a principal questão política brasileira _ interessa mais à população do que a reforma ministerial ou a composições no Congresso. Está em jogo a eficácia do Estado de Direito democrático. Está em jogo também direito à vida. Em certas áreas, o direito de ir e vir é uma ficção. Quem vai pode não voltar.

         Daí ser absolutamente espantosa a reação de Leonel Brizola à entrevista do ministro Célio Borja. O ministro comparou o Rio a Beirute no auge da guerra. Brizola preferiu, entretanto, fazer uma competição. Disse que São Paulo era pior _ portanto é, concluiu com a precisão de engenheiro, uma "Beirute e meia". Só a indigência pode explicar a comparação macabra. O governador parece mais preocupado com a estatística do que com a violência.

      Tanto faz se o assassinato é no Rio, São Paulo, Paraná. A degradação é nacional. Quando crianças inventam brincadeiras como "extermínio", a vergonha não é do carioca, mas do brasileiro. Quando os governadores Luiz Antônio Fleury Filho e Leonel Brizola ficam competindo para saber quem administra o Estado menos violento, a vergonha não é do Rio ou São Paulo _ é de todos nós.

      Essa medíocre disputa não ajuda ninguém. Ambos, na realidade, deveriam estudar, juntos, mecanismos de colaboração, já que os marginais não são bairristas _ assaltam e matam em qualquer lugar. Será mais civilizado e inteligente que eles se comovam mais com o menino de sete anos cheio de hematomas do que com as estatísticas de uma competição inútil.  

(Folha de S. Paulo, 24/4/92.)

  Entendendo o texto

 01. No segundo parágrafo, o autor afirma que o "terrível da notícia" vai além das agressões físicas sofridas pelo menino. O que mais preocupa Dimenstein nesse episódio?

a.  A falta de vagas em hospitais públicos como o Hospital da Lagoa.

b.  A forma como a violência se torna banal a ponto de ser incorporada ao cotidiano como uma "brincadeira".

c.  O fato de a imprensa demorar a revelar o nome da escola onde o caso ocorreu.

d.  A necessidade de reformar o Congresso Nacional antes de resolver o problema das escolas.

02. Ao mencionar que "em certas áreas, o direito de ir e vir é uma ficção", o autor pretende dizer que:

a. A legislação brasileira não prevê o direito de locomoção dos cidadãos.

b.  A insegurança é tão alta que o direito constitucional de circular livremente não se aplica na prática.

c.  O Estado de Direito democrático no Brasil é superior ao de países como o Líbano.

d.  As crianças não podem ir à escola sozinhas por causa das reformas ministeriais.

 03. Qual é a principal crítica feita pelo autor aos governadores Leonel Brizola e Luiz Antônio Fleury Filho?

a.  A falta de investimentos em engenharia civil e construção de novas escolas.

b. A decisão de não conceder entrevistas ao ministro Célio Borja sobre a guerra.

c. A postura competitiva e estatística para decidir qual estado é "menos violento", em vez de buscarem colaboração.

d. O fato de serem bairristas e não permitirem que marginais circulem entre o Rio e São Paulo.

 04. A comparação entre o Rio de Janeiro e Beirute, mencionada no texto, serve para ilustrar:

a. A beleza arquitetônica das duas cidades litorâneas.

b. O alto nível de desenvolvimento tecnológico alcançado pelo Brasil em 1992.

c. A gravidade da situação de conflito e violência urbana, assemelhando a cidade a uma zona de guerra.

d. O sucesso das políticas de segurança pública adotadas pelos engenheiros do governo.

05. Segundo o texto, por que os governadores deveriam adotar mecanismos de colaboração em vez de competir?

a. Porque os criminosos não respeitam fronteiras geográficas (não são bairristas) e a degradação é um problema nacional.

b. Porque as estatísticas mostram que o Paraná é o estado mais seguro do Brasil.

c. Porque a reforma ministerial no Congresso depende da união entre Rio e São Paulo.

d. Porque o Hospital da Lagoa precisa de recursos vindos de outros estados para tratar hematomas.

 

 

 

CRÔNICA: EPIDEMIA POLISSILÁBICA - OTTO LARA RESENDE - COM GABARITO

 Crônica:  Epidemia polissilábica

                Otto Lara Resende

          RIO DE JANEIRO - Já se disse que a crise é de dicionário. Paulo Rónai denunciou a existência de uma geração sem palavras. Uma só, não, digo eu. Várias. A crise é semântica, disse um professor na Sorbonne, que convocou um seminário. Pode ser, diz o Pedro Gomes. Mas é também polissilábica. E me expõe a sua tese: nenhum país aguenta tantos palavrões como os que circulam agora por aí. Palavrão no sentido estrito de palavra grande.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg75ympSr7WAdI-6mYb39z1SJpzRU9MpNFrzeZDpH8yimv8jE9xqNR70S4jrFwsCR_5mOSFoThYNhPgcbMSNsPQVsGS2Zm2bqhmGwUfth5IU6Is7dmOt4DpPWdffOQnx7tCEKd_QsEuy_aWsUhppF0sXg6WUvo53Ww9Bj9-axTwBzEfEe7Rk26EeY0XdVM/s320/cronicas-otto-lara-resende.jpg


             A maior delas, como aprendemos na remota infância, tem até governado o Brasil. É essa mesmo: inconstitucionalissimamente. Depois deste advérbio, no seu hoje modesto pioneirismo, apareceram verdadeiros bondes vocabulares. Autênticos minhocões. São cada vez mais numerosos e compridos, como a composição ferroviária que transporta minérios. A perder de vista, todos têm de cinco sílabas para cima. São centopeias de tirar o fôlego e de destroncar a língua.

            Na porta do Jockey, depois do almoço, um sujeito conversava outro dia, sereno, sobre a atratividade do investimento superavitário. Temi pela sua digestão, se é que não foi vítima de uma congestão. Ou de um insulto cerebral. Mas há pessoas insuscetíveis de insulto, sobretudo cerebral. É o caso do cidadão que discorreu sobre o obstaculizado caminho que o Brasil tem de percorrer, se quiser alcançar um nível de competitividade num cenário de internacionalização do livre-cambismo.

                  Até a carta-testamento do Getúlio, obstaculizar não tinha feito a sua aparição triunfal. Dizem que foi ideia do Maciel Filho, que tinha este vezo nacionalista da palavra complicada. Na verdade, é difícil inovar o jargão político. Para atacar José Américo de Almeida, história antiga, Benedito Valladares lançou no mercado a palavra boquirroto. Logo os adversários disseram que era soprado pelo Orozimbo Nonato, um íntimo do Vieira e do Bernardes. Arrazoava com um cunho seiscentista.

             Enfim, tudo hoje em dia gera distorções. Gerar é um verbo-ônibus. Serve para tudo. Confiemos, porém, que a seu tempo, a nível de país, na expressão abominável que hoje é corrente, a solução seja equacionada. A desestabilização extrapola de qualquer colocação. Longe de mim o catastrofismo, mas no caminho polissilábico em que vamos, a ingovernabilidade é fatal. E talvez passemos antes pela platino-dolarização contingencial.   (Folha de S. Paulo, 22/07/91)

 

Entendendo o texto

 

01. No início do texto, o autor cita Paulo Rónai e um professor da Sorbonne para introduzir o tema da "crise". Segundo a tese de Pedro Gomes, apresentada e defendida por Otto Lara Resende, qual é a natureza específica dessa crise?

a. Uma crise de falta de termos técnicos para descrever a economia moderna.

b. Uma crise semântica causada pela ausência total de palavras no vocabulário dos jovens.

c.  Uma crise "polissilábica", caracterizada pelo uso excessivo de palavras muito longas e complexas.

d. Uma crise política gerada pela incapacidade de traduzir dicionários estrangeiros.

 

02. O autor utiliza metáforas como "bondes vocabulares", "autênticos minhocões" e "centopeias de tirar o fôlego" para se referir a certas palavras. O que essas figuras de linguagem revelam sobre a opinião do autor?

a. Admiração pela criatividade da língua portuguesa em criar termos extensos.

b. Crítica ao tamanho exagerado e à artificialidade de certas palavras modernas.

c. Apoio ao uso de termos ferroviários dentro do jargão político brasileiro.

d. Desejo de que a língua se torne mais complexa para alcançar o nível internacional.

 

03. Ao mencionar expressões como "atratividade do investimento superavitário" e "internacionalização do livre-cambismo", qual é a intenção principal do cronista?

a. Demonstrar erudição e conhecimento sobre o mercado financeiro.

b. Exemplificar como o discurso técnico e burocrático se tornou refém da "epidemia" de palavras longas.

c. Defender que o Brasil só alcançará competitividade se utilizar um vocabulário mais robusto.

d. Mostrar que a digestão humana é afetada pela leitura de jornais de economia.

 

04. O texto menciona que o verbo "gerar" tornou-se um "verbo-ônibus". O que essa classificação significa no contexto da crítica de Otto Lara Resende?

a. Que é um verbo que deve ser usado apenas por pessoas que utilizam transporte público.

b. Que é uma palavra de movimento que impulsiona a economia do país.

c. Que é um verbo de sentido vago e genérico, usado excessivamente para substituir termos mais precisos.

d. Que é a palavra mais comprida e difícil de pronunciar encontrada no dicionário.

 

05. Qual é a conclusão satírica (irônica) que o autor apresenta no último parágrafo sobre o futuro do Brasil diante desse cenário linguístico?

a. O país se tornará uma potência se adotar o "livre-cambismo" linguístico.

b. A simplificação do dicionário é a única forma de salvar a economia.

c. O uso de termos como "desestabilização" e "ingovernabilidade" levará o país a uma "platino-dolarização contingencial".

d. A solução para os problemas do país será finalmente "equacionada" através de seminários na Sorbonne.

 

 

TEXTO: CORTE DA OTAN NÃO DESNUCLEARIZA EUROPA DE BERLIM - FOLHA DE S.PAULO - COM GABARITO

 TEXTO: Corte da Otan não desnucleariza Europa De Berlim

           O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança militar ocidental), Manfred Woerner, afirmou que apesar da redução de 80% no arsenal da organização, a Europa não será uma área desnuclearizada no futuro. Ele participou de uma reunião de dois dias da Otan em Taormina (Itália).

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhY8E6qh3vpegoUNvqRu_Hzfdkjz9tAk0gzmnGpgCdDgQKhX4ryLTLbceIMQtcX6xWdSFvU9OC_Q-fOKrti0Y4NIH_y10KXhnPT4YrCx84bE1x4DAK6XVAzwiWd_UEtB9yafmOEq-5hYpYpa4lR9rYcVJrRyPCt7NOzUQlZQFha-Bj68wgfVMt77GCshng/s1600/OTAN.jpg


         Depois do corte de armas a Otan ainda manterá cerca de 700 bombas nucleares, das 1.400 que possui, na Europa. Os outros cortes foram a retirada das armas nucleares de curto alcance (granadas e mísseis Lance). Essas armas deverão ser devolvidas aos Estados Unidos onde serão destruídas. Segundo a Otan, não existe um prazo definido para a operação, que não inclui as armas nucleares francesas e britânicas.

         O projeto de uma força militar da Comunidade Européia, lançado pela França e pela Alemanha, também foi discutido durante a reunião. Os ministros da Defesa dos países-membros estavam preocupados com o esvaziamento da Otan, mas foram informados pelo ministro da Defesa da Alemanha, Gerhardt Stoltenberg, que a nova força não vai competir com a Otan e que seu efetivo ainda não foi precisado.

(FG) (Folha de S. Paulo, 19/10/91.)

 

Entendendo o texto

 01. Qual foi a principal afirmação de Manfred Woerner sobre o futuro nuclear da Europa?

Ele afirmou que, apesar da redução expressiva de 80% no arsenal da organização, a Europa não se tornará uma área desnuclearizada no futuro.

 02. Quantas bombas nucleares a Otan planejava manter em território europeu após os cortes mencionados?

A organização planejava manter cerca de 700 bombas nucleares, metade das 1.400 que possuía na época.

 03. O que aconteceria com as armas nucleares de curto alcance (granadas e mísseis Lance) retiradas da Europa?

Elas deveriam ser devolvidas aos Estados Unidos para serem destruídas, embora o texto ressalte que não havia um prazo definido para essa operação.

04. Quais países europeus possuem armas nucleares que não foram incluídas no plano de redução da Otan citado no texto?

As armas nucleares da França e da Grã-Bretanha não foram incluídas na operação de corte da Otan.

05. Qual era a preocupação dos ministros da Defesa em relação ao projeto de uma força militar da Comunidade Europeia e como foram tranquilizados?

Eles temiam o esvaziamento da Otan com a criação dessa nova força. Foram tranquilizados pelo ministro da Defesa da Alemanha, Gerhardt Stoltenberg, que garantiu que a nova força (proposta por França e Alemanha) não competiria com a Otan.