sábado, 21 de março de 2026

POEMA: O CÂNTICO DA TERRA - CORA CORALINA - COM GABARITO

 POEMA:  O CÂNTICO DA TERRA

                Cora Coralina

 Eu sou a terra, eu sou a vida.

Do meu barro primeiro veio o homem.

De mim veio a mulher e veio o amor.

Veio a árvore, veio a fonte.

Vem o fruto e vem a flor.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEicOSOdJKHTRVqtvhvkI4b_1gOjljtVM-X_lyGuKVYzlg5PaPd72jURwFZiGyWXZs6fW8vzct3vUYHB1U8XQE6D9Ux6KUPbl6-GWvFhNzGRWOesazu12aPn4AIgTej-8oPRtrLsZoHVW6dN7-BLXJTt3D57Ax05FenL5XVcTo0VLAQCNgw_C4NMG0Qbf34/s1600/CORA.jpg


Eu sou a fonte original de toda vida.

Sou o chão que se prende à tua casa.

Sou a telha da coberta de teu lar.

A mina constante de teu poço.

Sou a espiga generosa de teu gado

e certeza tranquila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.

De mim vieste pela mão do Criador,

e a mim tu voltarás no fim da lida.  

 

Só em mim acharás descanso e

Eu sou a grande Mãe Universal.

Tua filha, tua noiva e desposada.

A mulher e o ventre que fecundas.

Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

 

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.

Teu arado, tua foice, teu machado

O berço pequenino de te

O algodão de tua veste

e o pão de tua casa.

 

E um dia bem distante

a mim tu voltarás.

E no canteiro materno do teu seio

tranquilo dormirás.

 

Plantemos a roça.

Lavremos a gleba.

Cuidemos do ninho,

do gado e da tulha

Fartura teremos

e donos de sítio

felizes seremos.

Cora Coralina  

Entendendo o texto

01. No poema, a Terra fala em primeira pessoa ("Eu sou a terra"). Essa figura de linguagem, que atribui características humanas a seres inanimados ou à natureza, é chamada de:

a. Metáfora, pois compara a terra com um objeto sólido.

b. Personificação (ou Prosopopeia), pois a terra ganha voz e sentimentos humanos.

c. Hipérbole, pois há um exagero sobre o tamanho do planeta.

d. Onomatopeia, pois o texto imita o som do arado na terra.

02. De acordo com a primeira e a segunda estrofes, qual é a relação entre a Terra e a origem do ser humano?

a. A Terra é apenas um lugar onde o homem decidiu morar por vontade própria.

b. A Terra afirma ser a fonte original de toda a vida, de onde vieram o homem, a mulher e o amor pela mão do Criador.

c. O homem veio do espaço e encontrou na Terra um lugar para plantar.

d. A Terra e o homem não possuem nenhuma ligação biológica ou espiritual.

03. O eu lírico afirma: "A mim tu voltarás no fim da lida". O que essa expressão sugere sobre o ciclo da vida humana?

a. Que o homem deve viajar pelo mundo, mas sempre voltar para sua casa nas férias.

b. Que, após a morte ("fim da lida"), o corpo do homem retorna à terra, fechando o ciclo natural.

c. Que o lavrador deve voltar para a roça todos os dias depois que o sol se põe.

d. Que o homem nunca morre, pois a terra o protege para sempre.

04. Na quarta estrofe, a Terra se dirige diretamente ao "lavrador". Quais benefícios ela diz oferecer a ele em troca de seu trabalho?

a. Apenas ferramentas de metal como o arado e o machado.

b. Tudo o que é necessário para a vida: o algodão da veste, o pão da casa e o berço dos filhos.

c. Apenas a certeza de que ele ficará rico vendendo a colheita.

d. O direito de destruir a natureza para construir grandes cidades.

05. Qual é o convite feito pelo eu lírico nos versos finais do poema ("Plantemos a roça / Lavremos a gleba")?

a. Um convite ao descanso absoluto, pois a terra dará tudo sozinha. 

b. Um chamado ao trabalho dedicado e ao cuidado com a terra, prometendo fartura e felicidade como recompensa.

c. Um pedido para que o homem pare de caçar os animais do gado.

d. Uma ordem para que o homem abandone o campo e vá morar na cidade.

 

 

CORDEL: CAUSOS E PERSONAGENS DO INTERIOR - ABDIAS CAMPOS - COM GABARITO

 CAUSOS E PERSONAGENS DO INTERIOR (Poema de Cordel)

                      Autor: Abdias Campos


Foi numa briga em família
Por causa de uma partilha
De terra á beira de um rio
Que Afrísio, o maioral
Foi parar no tribunal
E em volta do corrupio

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnqgeAaYfiUdaPUPu7o58vwZuhhMbv6UBstEtY48vDsbr-2r0faADrkyCXfV_0Wa2GGeXmHLRtX8VUlqUkGrd_3ZXWuaRXwzO6qhf0HdS7mSm7VZd89bJ3b5OInsGklwGPBdwtq4LJqtzerwQ9zp-jr6doEvYsbgvTXGEOHxNMdZeTbwjFkmGDySylKBE/s1600/JUIZ.jpg



O juiz se atrapalhou
E disse: você botou
No rio seu próprio teto?
E ele lhe respostou
Eu vou dizer ao senhor:
Pergunta de analfabeto

“Eu lhe meto na cadeia
Sujeito cabra da peia
Você está sob escolta”
E de cabeça erguida
Com uma voz espremida
Disse pro juiz: Mas solta

Tem um outro no Sertão
Que mesmo com precisão
Não dá o braço a torcer
Gosta é de contar vantagem
Modificando a imagem
Do que aparenta ter

Outro dia em sua casa
Com o fogo ainda em brasa
Após ter feito o almoço
Chegaram de supetão
Três amigos no oitão
E foi aquele alvoroço

Mandou os cabra apear
E pela cozinha entrar
Se sentar e se servir
Foi comida a vontade
Mesmo assim pela metade
Ele começou pedir:
Maria traz mais feijão!
De lá de dentro: “tem não!
Uma carninha? Acabou!
Um arrozinho? Não tem
Suspirou e disse: amém
Eu comi feito um doutor!

São histórias de valor
Desse almanaque folclórico
Dia a dia de um povo

Que deixa o legado histórico

A natureza matuta.

 

De um jeito categórico.

Chico de Dedez, eufórico

Recém-casado, pegou

Uma toalha limpinha

Tomou banho, se enxugou

Ao invés de estendê-la

Num canto qualquer jogou.

 

A esposa perguntou

Com aquele jeitinho manso

Por que num botou no sol?

Ele disse: Não alcanço!

Perguntas e respostas ditas

Sem existência de ranço.

 

Entendendo o texto

01. No início do poema, por qual motivo o personagem Afrísio foi parar no tribunal?

a. Por causa de uma briga em família devido à divisão (partilha) de terras.

b. Porque ele foi acusado de roubar um "berço pequenino".

c. Por ter desobedecido às ordens do juiz durante uma pescaria no rio.

d. Por não querer pagar os impostos do seu teto à beira do rio.

02. Na interação entre Afrísio e o Juiz, o personagem demonstra qual traço de personalidade?

a. Submissão, pois ele pede desculpas ao juiz imediatamente.

b. Ironia e altivez, pois ele responde com audácia ao juiz, chegando a chamá-lo de "analfabeto".

c. Medo, pois ele começa a chorar ao ouvir que será preso.

d. Silêncio, pois ele se recusa a responder qualquer pergunta no tribunal.

03. O segundo causo narra a história de um sertanejo que "gosta é de contar vantagem". O que aconteceu quando três amigos chegaram de surpresa para o almoço?

a. Ele expulsou os amigos por não ter comida suficiente na cozinha. b. Ele fingiu que ainda havia muita comida (pedindo feijão e carne), mesmo sabendo que os alimentos já tinham acabado.

c. Ele dividiu o pouco que tinha e confessou que estava passando necessidade.

d. Ele saiu para caçar um veado na quaresma para servir aos convidados.

04. No trecho "Maria traz mais feijão! / De lá de dentro: 'tem não!'", o que a resposta da esposa revela sobre a situação real da casa?

a. Que Maria estava com preguiça de servir os convidados no oitão. b. Que, apesar das aparências e da "vantagem" contada pelo marido, a comida era escassa e já havia terminado.

c.  Que Maria não gostava dos amigos que chegaram de supetão. d. Que o fogão de brasa havia apagado antes de cozinhar o feijão.

05. No terceiro causo, o personagem Chico de Dedez dá uma resposta inusitada à esposa sobre a toalha de banho. O que ele quis dizer com "Não alcanço!"?

a. Que ele era muito baixo e não conseguia atingir o varal de roupas.

b. Foi uma resposta literal (e possivelmente irônica ou preguiçosa) para justificar por que não colocou a toalha no sol.

c. Que o sol estava muito longe no céu e, por isso, ele não conseguia chegar até ele.

d. Que ele não tinha braços compridos o suficiente para estender a toalha.

06. O autor afirma que essas histórias fazem parte de um "almanaque folclórico". Qual é o principal objetivo desse tipo de literatura de cordel?

a. Ensinar leis jurídicas complexas para o povo do sertão.

b. Preservar e celebrar o legado histórico, a natureza matuta e o jeito de ser do povo do interior.

c. Convencer as pessoas a não se casarem, como aconteceu com Chico de Dedez.

d. Criticar o uso de toalhas limpas em regiões onde o sol é muito forte.

07. Uma característica marcante da linguagem deste poema, típica do Cordel, é:

a. O uso de termos científicos e palavras em outras línguas.

b. A presença de rimas e expressões da fala popular regional (como "apear", "oitão", "cabra da peia").

c. A ausência total de diálogos entre os personagens.

d. Uma estrutura em prosa, sem divisão de estrofes ou versos.

 

 

CONTO(FRAGMENTO): ASA CURTA - GILBERTO MANSUR - COM GABARITO

 CONTO(FRAGMENTO): ASA CURTA

   Asa Curta era um passarinho já muito velho, mas que ainda não sabia voar. Ele tinha aprendido, em seus oito anos de vida, muita coisa que passarinho nenhum desse mundo nunca haveria de saber.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiiM9zO5BguBlmMgW9phamzRJm9EJLOfeDWYOPNTU29Z2sHj2Bwp4OfwAFEpTJcfBPj5I6JtWZEQfr_pUUK96L0pGKg_MHVwcy6lAQgjUDJcDXfIZRSd_ykjed7BszqTPnMGYM7gsgXKnXnu2T-Qa2JZ9yMCFrRoJ6VewA4fY53c_6HQk49WMG-h2WqOl8/s320/ASA.jpg


 Quem já viu passarinho nadar? – e esse nadava; quem já viu passarinho ler um livro? – e esse lia; quem já viu passarinho dançar? – e esse dançava tudo que é dança que gente sabe dançar: samba que nem o brasileiro, tango que nem o argentino, polca como os russos, valsa como os austríacos, baião e xaxado que nem os nordestinos, rock, tuíste, iê-iê-iê e essas danças todas que os americanos já inventaram. Até mesmo algumas que ninguém nunca dançou, que ele mesmo tinha inventado e até batizado: o saracoteio, o vira-e-mexe, o passo-do-passarinho, a dança-do-bico-pro-ar...

  E havia ainda muita coisa mais que o Asa Curta fazia, diferente de tudo quanto os outros passarinhos sabiam fazer. Ele era mesmo um artista, desses de ganhar prêmio em programa de televisão: dava cambalhota como gente de circo, levantava galho de árvore com uma pata só, imitava voz de homem e voz de mulher, assoviava comendo alpiste...

Mas de que adiantava fazer tudo isso – e muito mais, que ele só não fazia porque senão os outros iam pensar que ele era um passarinho louco – , de que adiantava tudo isso, se ele não sabia fazer o que o mais novo e o mais analfabeto passarinho de qualquer floresta ou de qualquer cidade era capaz de fazer? De que adiantava ser o passarinho mais famoso que já houve na terra dos passarinhos, se ele não sabia voar?

  – Não adianta nada! – queixava-se o velho Asa Curta, em conversas com Andorinha Veloz, sua maior amiga e a única criatura que conhecia esse seu segredo de não saber voar. – Mas você é o passarinho mais perfeito que todo o mundo já viu, Asa Curta! Sabe fazer casa como o João de Barro, canta que nem um Curió. E, depois, é artista de dar inveja a toda a gente.

  É, a Andorinha Veloz tinha razão: ele podia fazer tudo isso, mas não se sentia nem um pouco feliz porque não era capaz de voar. E por isso ele tinha poucos amigos: como ia ter coragem de dizer para eles que não sabia voar? Por isso ele nunca tinha pensado em se casar: depois, como ia fazer para ensinar seus filhotes a voar, e para arranjar comida pra eles e pra sua mulher? (...)

 Mas tristeza mesmo ele tinha era quando seus amigos chegavam de viagem. Um dia era o Pardal Ambulante, que tinha visitado a Argentina e corria logo pra contar ao Asa Curta:

 – Mas é impressionante, companheiro, como que o povo lá dança tango igualzinho você sabe dançar.

  No outro dia, era o Pica-Pau Leva-e-Traz, que tinha ido até a Rússia vender pau-brasil e comprar madeira russa para os pica-paus brasileiros.

 – Nossa, Asa Curta, eu vi o pessoal dançando na rua uns troços do mesmo jeito que você dança aqui.

 Era a polca, que Asa Curta tinha aprendido a dançar lendo uns livros russos. Ele morria de vontade de ver como é que cada povo dançava a sua dança, mas não podia chegar a lugar nenhum só andando. E então, quando os outros passarinhos lhe perguntavam por que ele não viajava também, Asa Curta saía sempre com desculpas:

 Eu já estou velho, não aguento mais essas viagens. 

Ou, então, era obrigado a dizer uma mentira qualquer: 

– Eu já viajei muito quando era moço, aprendi muita coisa. Agora prefiro ficar por aqui mesmo.

 Mas fazia uma cara tão triste nesses momentos, que todos percebiam a mentira e que ele estava é com muita vontade de viajar também. Então, por que motivo não viajava? Só a Andorinha Veloz sabia, mas não contava a ninguém; ficava só consolando o amigo. E quando voltava de uma viagem, não trazia só notícias para o Asa Curta, traz também presentes, livros, revistas e fotografias. E assim Asa Curta ficava sabendo mais ainda das coisas.

 Mas isso era pouco: ele já estava cansado desse conhecimento só de livros, de revistas e de fotografias. Queria ir também aos lugares, conhecer os passarinhos de lá conversar com eles, ver as coisas com seus próprios olhos sentir o mundo com seu próprio bico.

 (MANSUR, Gilberto. Um outro jeito de voar. Belo Horizonte: Formato, 1989.)

 

Entendendo o texto

01. Qual é o grande segredo e a principal causa da tristeza de Asa Curta?

a. Ele não conseguia aprender a dançar o tango argentino.

b. Apesar de ser um artista talentoso e saber fazer muitas coisas, ele não sabia voar.

c. Ele tinha medo de altura e por isso preferia nadar no rio.

d. Ele era um passarinho muito jovem que ainda não tinha idade para sair do ninho

02. O texto lista diversas habilidades extraordinárias de Asa Curta. Qual dessas ações é algo que "passarinho nenhum desse mundo" costuma fazer?

a. Cantar de manhã cedo para acordar a floresta.

b. Construir ninhos em árvores altas usando gravetos.

c. Ler livros, nadar e dançar ritmos como samba, polca e rock.

d. Comer alpiste e voar para longe quando sente perigo.

03. Quem é a única personagem que conhece o segredo de Asa Curta e tenta consolá-lo?

a. O Pica-Pau Leva-e-Traz, que viaja para a Rússia.

b. O Pardal Ambulante, que conhece a Argentina.

c. A Andorinha Veloz, sua maior amiga.

d. O João de Barro, que o ensinou a construir casas.

04. Por que Asa Curta evitava se casar e ter poucos amigos, segundo a narrativa?

a. Porque ele era muito orgulhoso e se achava melhor que os outros.

b. Por medo e vergonha de que descobrissem que ele não sabia voar e não poderia ensinar seus filhotes.

c. Porque ele passava o dia todo viajando pelo mundo para fazer shows.

d. Porque ele preferia morar sozinho em sua biblioteca lendo livros russos.

05. Como Asa Curta aprendeu a dançar ritmos de países distantes, como a polca russa, se ele não podia viajar para fora?

a. Assistindo a programas de dança na televisão dos homens.

b. Através da leitura de livros sobre a cultura desses povos.

c. Ouvindo o rádio de um lavrador que morava perto da floresta.

d. Tendo aulas particulares com a Andorinha Veloz.

06. Qual é a reação de Asa Curta quando os outros passarinhos contam sobre as viagens que fizeram?

a. Ele fica feliz e pede para eles o levarem na próxima viagem.

b. Ele sente uma tristeza profunda ("morria de vontade de ver"), mas inventa desculpas para não revelar sua limitação.

c. Ele finge que já conhece todos esses lugares e conta mentiras.    d. Ele começa a dançar para mostrar que é mais talentoso que os estrangeiros.

07. A frase "De que adiantava ser o passarinho mais famoso [...] se ele não sabia voar?" sugere que:

a. Voar é a habilidade mais inútil para um pássaro artista.

b. Para o personagem, o talento e a fama não substituíam a necessidade de exercer sua natureza essencial (voar).

c. Asa Curta preferia ser um homem em vez de ser um passarinho.    d. A fama traz muita infelicidade para quem vive na floresta.

 

08. Após leitura atenta do texto, é CORRETO afirmar que Asa Curta

a. vive um dilema muito grande por ser diferente, mas não deixa de fazer absolutamente nada do que os outros pássaros fazem.

b. acostumou-se com sua diferença, não vendo mais necessidade de ser igual ou parecido com os outros pássaros.

c. dedica-se a levar uma vida plena de realizações, embora deseje, também, realizar os feitos que sua diferença o impedem de fazer.

d. acostumou-se a ser diferente e, mesmo não podendo fazer tudo, sente-se realizado e feliz.

e. vive um dilema grande, uma vez que sua diferença o isolou do convívio com os demais pássaros.

 

09. Quanto à conduta de Asa Curta, conclui-se que ele é um pássaro

a. vivaz, sem conflitos e que não se importa com a opinião alheia.

b. autêntico, feliz e plenamente realizado.

c. confiante, alegre e, apesar de suas limitações, satisfeito com a vida.

d. ativo, inteligente e preocupado com a opinião dos outros em relação a suas atitudes.

e. criativo, autêntico e acomodado em sua realidade.

 

10. A palavra “queixava-se” não poderia ser substituída, no contexto, por

a. orgulhava-se.

b. lamentava-se.

c. desgostava-se.

d. lastimava-se.

e. lamuriava-se.

 

11. Com base na leitura do texto, a proposição INCORRETA é que

a. “mas” introduz uma ideia de oposição.

b. o termo “tudo isso” se refere ao fato de Asa Curta poder voar.

c. a palavra “quando” expressa a mesma circunstância da expressão “um dia”.

d. a palavra “se” estabelece, no contexto, uma ideia de condição.

e. o vocábulo “amiga” refere-se a Andorinha Veloz.

 

 

 

FÁBULA: O SAPO COM MEDO D'ÁGUA - LUÍS DA CÂMARA CASCUDO - COM GABARITO

 FÁBULA: O SAPO COM MEDO D’ÁGUA

               Luís da Câmara Cascudo


O sapo é esperto. Uma vez o homem agarrou o sapo e levou-o para os filhos brincarem. Os meninos judiaram dele muito tempo e, quando se fartaram, resolveram matar o sapo.´

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjjvKmoxatdotl6CdAe-tAhJPk9Tl0BOT_gLH4lJU2olwKosUTItZD-Cg_heBUb-a5Zk7ayKzIGr1bfswmYGUV8Jte90UbEK1mGhnXEdJsfscY118XQU2K8_qqU0GZ5I3YpB1m_xviX_Pvq4AoB2u21d1d8i63R7D5Cowy8H7sSSQ7JVMsTv-nBnX7jmbM/s320/sapo.png 


Como haviam de fazer?

– Vamos jogar o sapo nos espinhos!

– Espinho não fura meu couro – dizia o sapo.

– Vamos queimar o sapo!

– Eu no fogo estou em casa!

– Vamos sacudir ele nas pedras!

– Pedra não mata sapo!

– Vamos furar de faca!

– Faca não me atravessa!

– Vamos botar o sapo dentro da lagoa!

Aí o sapo ficou triste e começou a pedir, com voz de choro:

– Me bote no fogo! Me bote no fogo! N’água eu me afogo! N’água eu me afogo!

– Vamos para a lagoa – Gritaram os meninos.

Foram, pegaram o sapo por uma perna e, t’xim bum, rebolaram lá no meio. O sapo mergulhou, veio em cima d’água, gritando, satisfeito:

– Eu sou bicho d’água! Eu sou bicho d’água!

Por isso quando vemos alguém recusar o que mais gosta, dizemos:

– É sapo com medo d’água…

Entendendo o texto

01. No início da história, por que o homem levou o sapo para casa?

a. Para criar o sapo como um animal de estimação.                          

b. Para os seus filhos brincarem com ele.                                                

c. Para preparar uma sopa de sapo.                                                                       

d. Para soltá-lo no jardim.

02. Quando os meninos se cansaram de brincar e decidiram matar o sapo, o que o animal fez?

a.  Começou a chorar de verdade porque estava com medo.           

b. Tentou fugir correndo para a floresta.                                            

c. Fingiu ter medo da água para enganar os meninos.                     

d. Ficou em silêncio e não disse nada.

03. O que o sapo dizia quando os meninos sugeriam jogá-lo nos espinhos ou no fogo?                                                              

a. Que os espinhos furavam e o fogo o queimava.                           

b. Que os espinhos não furavam o seu couro e que no fogo ele estava em casa.                                                                           

c. Que preferia ser jogado na lagoa.                                                  

d. Que tinha muito medo de sentir dor.

04. Por que o sapo começou a gritar "N'água eu me afogo!"?    

a. Porque ele realmente não sabia nadar.                                         

b. Porque ele queria convencer os meninos de que a água era o seu maior perigo.                                                                               

c. Porque a água da lagoa estava muito gelada.                               

d. Porque ele estava com sono e queria dormir.

05. O que o sapo fez logo depois de ser jogado na lagoa pelos meninos?                                                                                

a. Afundou e não voltou mais.                                                                               b. Saiu correndo pela margem para se esconder.                                               

c. Mergulhou e apareceu gritando satisfeito que era um "bicho d'água".                                                                                                                                              

d. Pediu ajuda para sair de dentro da água.

 

sexta-feira, 20 de março de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: GERAÇÃO CANGURU - GILBERTO DIMENSTEIN - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Geração Canguru

                Gilberto Dimenstein

 

        Ao mapear novas tendências de consumo no Brasil, publicitários acreditam ter detectado a "Geração Canguru". São jovens bem-sucedidos profissionalmente, têm entre 25 e 30 anos de idade e vivem na casa dos pais. O interesse neles é óbvio: compõem um nicho de consumidores com alto poder aquisitivo.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj25MSf4vvsp1lDHGYNh9fO_kni_fWpdeuMM_z8L3j7T_PNI7_qqF_8r-b7m8ycvrm8cIPz8LBW6wzrLmJF_SA7Xhx5SSVeAs3y8ZMbyZviUTIGFcQR5JdBkBObtJdpbk_nd7YY8NT8wBC4lZOzNgNPlubcZ1F5FMOub9PT7plelpFnBNxIA4B4Z3ucWQk/s1600/CANGURU.jpg

        Ainda na "bolsa" da mãe, eles mostram que mudaram as fronteiras entre o jovem e o adulto. Até pouquíssimo tempo atrás, um marmanjão de 30 anos, enfiado na casa dos pais, seria visto como uma anomalia, suspeito de algum desequilíbrio emocional que retardou seu crescimento.

         O efeito "canguru" revela que pais e filhos estão mutuamente mais compreensivos e tolerantes, capazes de lidar com suas diferenças. Para quem se lembra dos conflitos familiares do passado, marcados pelo choque de gerações, os "cangurus" até sugerem um grau de civilidade. Não é tão simples assim.

         Estudos de publicitários divulgados nas últimas semanas indicam um lado tumultuado – e nem um pouco saudável – dessa relação familiar. Por trás das frias estatísticas sobre tendência do mercado, a pergunta que aparece é a seguinte: até que ponto os brasileiros mais ricos estão paparicando a tal ponto seus filhos que produzem indivíduos com baixa autonomia?

         Ao investigar uma amostra de 1.500 mães e filhos, no Rio e em São Paulo, a TNS InterScience concluiu que 82% das crianças e dos adolescentes influenciam fortemente as compras das famílias. A pressão é especialmente intensa nas classes A e B, cujas crianças, segundo os pesquisadores, empregam cada vez mais a estratégia das birras públicas para ganhar, na marra, o objeto de desejo.

         Com medo das birras, as mães tentam, segundo a pesquisa, driblar os filhos e não levá-los às compras, especialmente nos supermercados, mas, muitas vezes, acabam cedendo. Os responsáveis pelo levantamento da InterScience atribuem parte do problema ao sentimento de culpa. Isso porque, devido ao excesso de trabalho, os pais ficam muito tempo longe de casa e querem compensar a ausência com presentes.

         Uma pesquisa encomendada pelo Núcleo Jovem da Abril detectou que muitos dos novos consumidores vivem uma ansiedade tamanha que nem sequer usufruem o que levam para casa. Já estão esperando o produto que vai sair. É ninfomania consumista. Jovens relataram que nunca usaram, nem mesmo uma vez, roupas que adquiriram. Aposentam aparelhos eletrodomésticos comprados recentemente porque já estariam defasados.

         Psicólogos suspeitam que essa atitude seja uma fuga para aplacar a ansiedade e a carência, provocadas, em parte, pela falta de limite. Imaginando-se modernos, pais tentam ser amigos de seus filhos e, assim, desfaz-se a obrigação de dizer não e enfrentar o conflito. O resultado é, no final, uma desconfiança, explicitada pelos entrevistados, ainda maior em relação aos adultos.

         Outro estudo, desta vez patrocinado pela MTV, detectou um início de tendência entre os jovens de insatisfação diante de pais extremamente permissivos. Estão demandando adultos mais pais do que amigos. Para complicar ainda mais a insegurança das crianças e dos adolescentes, a violência nas grandes cidades leva os pais, compreensivelmente, a pilotar os filhos pelas madrugadas, para saber se não sofreram uma violência. Brincar nas ruas está desaparecendo da paisagem urbana, ajudando a formar seres obesos, presos ao computador.

         Há pencas de estudo mostrando como a brincadeira, dessas em que nos sujamos, ralamos o joelho na árvore, ajuda a desenvolver a criatividade, o senso de autonomia e de cooperação. É um espaço de estímulo à imaginação.

         Todos sabemos como é difícil alguém prosperar, com autonomia, se não souber lidar com a frustração. Muito se estuda sobre a importância da resiliência – a capacidade de levar tombos e levantar como um elemento educativo fundamental.

         Professores contam, cada vez mais, como os alunos não têm paciência de construir o conhecimento e desistem logo quando as tarefas se complicam um pouco. Por isso, entre outras razões, os alunos decepcionam-se rapidamente na faculdade que exige mais foco em poucos assuntos.

         Os educadores alertam que muitos jovens têm dificuldade de postergar o prazer e buscam a realização imediata dos desejos; respondem exatamente ao bombardeamento publicitário, inclusive na ingestão de álcool, como vamos testemunhar, mais uma vez, nas propagandas de cerveja neste verão. Daí o risco de termos "cangurus" que fiquem cada vez mais na bolsa (e no bolso) dos pais.

         P.S. – Em todos esses anos lidando com educação comunitária, posso assegurar que uma das melhores coisas que as escolas de elite podem fazer por seus alunos é estimulá-los ao empreendedorismo social. É um notável treino para enfrentar desafios. Enfrentam-se em asilos, creches e favelas os limites e as carências. Conheci casos e mais casos de alunos problemáticos que mudaram sua cabeça ao desenvolver uma ação comunitária e passaram, até mesmo, a valorizar o aprendizado curricular.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/colunas/gd121205.htm

Entendendo o artigo:

01 – De acordo com o texto, quem faz parte da chamada "Geração Canguru"?

A) Crianças que gostam de animais selvagens e da natureza.

B) Jovens de 25 a 30 anos, bem-sucedidos, que ainda moram na casa dos pais.

C) Pais que decidem morar na casa dos filhos para ajudá-los com as despesas.

D) Pessoas que viajam muito para a Austrália a trabalho.

02 – Por que o autor utiliza o termo "Canguru" para descrever esses jovens?

A) Porque eles são muito rápidos e atletas como os cangurus.

B) Porque eles gostam de se vestir com roupas esportivas.

C) Porque, assim como o filhote de canguru, eles continuam "na bolsa" (dependendo) dos pais por mais tempo.

D) Porque eles têm o hábito de saltar de um emprego para outro.

03 – Segundo o artigo, qual é um dos motivos para os pais darem tantos presentes e não imporem limites aos filhos?

A) O desejo de que os filhos se tornem colecionadores de objetos caros.

B) A falta de dinheiro, que os faz comprar apenas o necessário.

C) O sentimento de culpa por passarem muito tempo longe de casa devido ao trabalho.

D) A orientação dos psicólogos para que os pais sejam apenas amigos dos filhos.

04 – O texto menciona que o excesso de mimos e a falta de limites podem causar um problema nos jovens. Que problema é esse?

A) O aumento da inteligência e da criatividade.

B) A dificuldade de lidar com frustrações e a baixa autonomia (capacidade de se virar sozinho).

C) O desejo de sair de casa o mais rápido possível para morar sozinho.

D) A melhora no desempenho escolar e nas tarefas difíceis.

05 – Qual é a crítica principal que o autor faz em relação ao consumo dos jovens atuais?

A) Que os jovens compram apenas o que é essencial para a sobrevivência.

B) Que os jovens estão comprando demais, às vezes sem nem usar o que levam para casa (consumismo exagerado).

C) Que os jovens não sabem usar a internet para fazer compras.

D) Que os jovens preferem economizar dinheiro para o futuro.