sexta-feira, 17 de abril de 2026

LENDA: A LENDA DO COELHO - COM GABARITO

Lenda: A lenda do coelho


Houve um tempo em que não chovia e os animais estavam a morrer de muita sede. Então, resolveram todos se reunir a fim de solucionar o problema. O coelho recusou-se a participar das tentativas de encontrar água. Os outros animais, cavaram, cortaram árvores, até que, uma tartaruga encontrou água, suficiente para formar uma pequena lagoa. Fizeram logo uma festa, tocaram batuque durante três semanas, pois não sentiriam mais sede.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhc5UMEZVI3iMH6w7utkACA5jSOfWUDn9-2iIji7DRc6n5SYrYCKwiGCXW_r2qa01_fY2JDj-CirIQOJmuWawFx8y9F51Tu_ujbKQRDB1mCpUXu4i3hlP6FMgzTNZejX1C_PZqwG4vXVQyQ4I1W0vEE531KV4WV3_Yzd4Z0UVB0BMxXDHbzfj9xMXjfemo/s320/COELHO.png


O leão sugeriu que não deixassem o coelho beber a água deles e todos concordaram. Quando os animais saíram para a caça, deixaram a gazela tomar conta da lagoa. Sentindo sede, o coelho colocou mel dentro de uma cabaça, foi até à gazela e chamou-a. A gazela perguntou quem era e o que queria. O coelho respondeu que lhe trouxera mel de presente. Sem saber o que era o mel, o coelho convenceu que ela provasse. Ela gostou tanto que implorou mais ao coelho. Este, então, lhe disse que ela ainda não havia sentido todo o sabor do mel, pois isso só aconteceria se ela o comesse atada a uma árvore. Dessa forma, a gazela deixou-se amarrar. O coelho não deu mais mel à gazela e, ainda, foi à lagoa beber água e tomar banho, sujando toda a lagoa.
Quando chegaram os outros animais, repreenderam a gazela e puseram o macaco de guarda. No dia seguinte, o coelho, novamente, chamou o macaco e este respondeu que não perdesse o seu tempo, pois todos os seus artifícios já eram conhecidos. O coelho disse que era uma pena, pois trazia consigo uma coisa muito saborosa, e fingiu ir-se embora. O macaco pediu para ver ao menos do que se tratava. O coelho passou um pouco de mel em seus lábios e o macaco ficou maravilhado com o sabor. Quando o macaco implorou mais um pouco, o coelho disse-lhe que não poderia dar-lhe, pois tinha medo que depois ele o seguisse para descobrir onde ele obtinha o mel. O macaco jurou que não faria isso e o coelho pediu-lhe, como prova, que o deixasse atar-lhe a uma árvore.
Louco pelo mel, o macaco permitiu, repetindo-se com ele o mesmo que com uma gazela. Ao retornarem, os animais ficaram enfurecidos. O mesmo sucedeu com o búfalo, o hipopótamo, o elefante e com os demais bichos, deixando o leão desesperado. Até que a tartaruga ofereceu-se para ficar de guarda. Ela, então, resolveu ficar de vigia dentro da lagoa, escondendo-se debaixo da água. Chegando à lagoa, o coelho pensou que os outros tivessem desistido de enfrentá-lo. Entrou na lagoa e fez a festa. Quando ia sair da água, a tartaruga agarrou-lhe a perna. Ele implorava que a tartaruga lhe largasse a perna e ela nada. Quando os outros animais retornaram, ficaram muito contentes, julgando o coelho e condenando-o à morte.
O condenado exigiu o seu direito a uma última vontade: ser executado ao colo da mulher do chefe. No momento em que ia atirar uma seta, o coelho começou a fazer gracinhas, fazendo-a rir e errar o alvo, acertando na mulher do chefe, possibilitando a fuga do coelho. Por isso, todos os animais o procuram, a fim de executa-lo. Desde então, têm-se visto o coelho, sempre sozinho, correndo de um lado para o outro, aos saltos e aos ziguezagues.

Moçambique

 Entendendo o texto

01. Por que os outros animais decidiram proibir o coelho de beber a água da lagoa recém-descoberta?

a) Porque o coelho já tinha sua própria fonte de água secreta.

b) Porque o coelho se recusou a ajudar no trabalho de busca e escavação da água.

c) Porque o leão tinha uma rivalidade antiga com a família dos coelhos.

d) Porque a lagoa era muito pequena e não havia água para todos.

02. Qual foi a estratégia principal utilizada pelo coelho para enganar guardas como a gazela e o macaco?

a) Ele utilizava sua velocidade para passar correndo sem ser visto.

b) Ele se disfarçava de outros animais para fingir que tinha permissão do leão.

c) Ele prometia contar segredos sobre onde encontrar mais água na floresta.

d) Ele usava mel para despertar a cobiça dos guardas e convencê-los a serem amarrados.

03. Qual animal finalmente conseguiu capturar o coelho e qual foi o método utilizado?

a) O elefante, que utilizou sua força para esmagar o coelho contra uma árvore.

b) O leão, que montou uma armadilha com redes de caça ao redor da lagoa.

c) A tartaruga, que se escondeu dentro da água e agarrou a perna do coelho quando ele ia sair.

d) O búfalo, que fingiu estar dormindo para dar o bote no momento certo.

04. Como o coelho conseguiu escapar da execução no final da história?

a) Ele pediu desculpas ao leão e prometeu trabalhar para todos os animais.

b) Ele usou sua última vontade para distrair a todos com gracinhas, fazendo o carrasco errar o alvo.

c) Ele conseguiu se desamarrar sozinho enquanto os animais discutiam a sentença.

d) Ele cavou um buraco profundo sob o colo da mulher do chefe e desapareceu.

05. Segundo a lenda, qual é a explicação para o coelho correr sempre sozinho e em ziguezague nos dias de hoje?

a) É uma forma de ele procurar por mais mel escondido nas árvores.

b) É o resultado de um feitiço jogado pela tartaruga durante a captura.

c) É uma estratégia de fuga constante, pois todos os outros animais ainda o procuram para executá-lo.

d) É uma brincadeira que ele faz para provocar os predadores da floresta.

 

  


CONTO: O PEQUENO ÉDIPO - COM GABARITO

 Conto: O pequeno Édipo

O HOMEM tamborilou os dedos no balcão. Pediu, com uma voz cinzenta:
- Uma cerveja.
Pediu como quem pede ao ar. Isto é, sem dar inteira conta nem da mulher de preto, sentado no banquinho, nem do miúdo, jogando guêime.
A mulher abriu uma média. O homem ignorou aquela, e apalpou as garrafas no fundo da caixa térmica. O rapazito suspendeu o jogo, e olhou-o com cara de poucos amigos.

 
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhaTlpB8YYa9ul3niETeW3VPfX8hPV38NBCGkCPMUVaYQo8lHbaOku05VjrFLKITvi9urIJv6Y0cBzfFGiSpJO2sOrSPA26-YzBvlA5CCYQoet1gADjaWst8SycNYh_7Sl7unLHrgOQYqIB_tTnZXti5yXu39Ps_JoBGPYw2-w10EXeLLdPmzW0P55DAU4/s1600/EDIPO.jpg



- Vá brincar lá dentro – berrou a mulher, indicando a saída que dava para o resto da casa. Por sinal a única porta da barraca.
O balcão-janela dava para a rua, e estava, assim, o cliente, único àquela hora, de costas para a rua. Decidiu-se pela cerveja que a mulher lhe estendia. Afinal, estava tudo gelado por igual, e a quente, e a sede, tanta, que ele virou o primeiro copo num instante.
- Que tal? – perguntou a mulher, tentando animá-lo.
Ia já no mar alto da vida. Navegação difícil, pelos vistos. Emanava dela uma discreta tenacidade, a dor sem queixume, a arte de sobreviver. Não há remo mais lesto que o coração feminino.
- Que tal, é boa?
O homem tinha a língua presa. O humor azedo, ao fim de um dia de trabalho, é coisa normal. Ainda bem; por estes anos, de repente, Deus trocou-nos cogumelos por barraca. Entre o “chapa” e a casa, uma pausa para relaxar.
À terceira média, soltou, mesmo a língua, dizendo:
- Boa.
A mulher parou de acender a vela, e encarou-o. Melhor, encararam-se. À luz tremelicante do fósforo, ela surgiu da roupa da viuvez. Era como acender a própria beleza.
O menino estava à porta, espiando aquele momento mágico. A mulher virou-se para o garoto. Pela primeira vez, conheceu nele a cólera.
- Suca daqui! – ordenou a viúva.
Mas o puto voltaria sempre: mãe o meu guêime, mãe: tem um rato dentro da pasta; mãe um refresco; estou com fome, mãe…
- Dá-lhe um pacote de “Maria” – disse o cara. E acrescentou, peremptório: – na minha conta.
Mas isso, se é que ele não sabia, não o compraria. Quando muito, o seu momentâneo sumiço.
À quinta média, o cliente tinha já, não só a língua mas também o espírito solto, um verdadeiro poeta. Mudou-se para o canto do balcão onde à luz da vela, a mulher escolhia folhas de couve para o jantar. Como se o bafo da cevada fosse o suco da própria poesia, cochichou:
- Boa como a própria dona?
Nisso o menino reentrava. Não gostou daquela súbita intimidade. O peito cheio de ar, incapaz de falar, fixou o cliente com olhos de cobra.
- Xixi cama! – berrou o homem.
O puto deu um passo em frente. E descarregou os pulmões:
- Rua-rua-rua!
Pegando num vasilhame, avançou para o balcão. Estava em causa não propriamente o lugar do seu pai, mas o seu próprio. Qual pequeno Édipo, avançou pois, disposto a morrer. Eterno é o labirinto dos afectos, e por isso, estória sem desfecho, esta.

Conto de Moçambique

Entendendo o texto

01. No início do conto, como é descrito o estado de espírito e o comportamento do homem que chega à barraca?

a) Ele estava alegre e comunicativo, fazendo piadas com a mulher e o menino.

b) Ele demonstrava pressa e impaciência, exigindo ser atendido antes de todos.

c) Ele apresentava um humor azedo e uma atitude distante, pedindo a cerveja "como quem pede ao ar".

d) Ele estava emocionado ao reencontrar a mulher, que não via há muitos anos.

02. A mulher é descrita como alguém que atravessa o "mar alto da vida". O que essa expressão e a "roupa de viuvez" sugerem sobre ela?

a) Que ela é uma marinheira que vive de viagens constantes.

b) Que ela é uma pessoa que enfrentou muitas dificuldades e perdas, mas mantém a tenacidade.

c) Que ela é uma mulher rica que gosta de usar roupas pretas por ostentação.

d) Que ela detesta trabalhar na barraca e deseja mudar-se para a cidade.

03. Qual é a principal causa do conflito entre o cliente e o menino (o "rapazito")?

a) O fato de o homem ter se recusado a pagar o pacote de bolachas para o garoto.

b) O barulho que o menino fazia com o seu "guêime", que impedia o homem de relaxar.

c) A aproximação íntima e o comentário galanteador do homem em direção à mãe do menino.

d) O desejo do menino de querer beber a cerveja que o homem estava consumindo.

04. Por que o narrador chama o menino de "pequeno Édipo" no final do texto?

a) Porque o menino gostava de ler mitos gregos enquanto jogava seus jogos.

b) Porque, como no mito, o menino demonstra um instinto de proteção extrema pela mãe e rivalidade com a figura masculina estranha.

c) Porque o menino era muito inteligente e conseguia resolver qualquer enigma.

d) Porque o menino tinha um problema de visão e precisava de ajuda para caminhar.

05. Como termina o confronto entre o cliente e o garoto na barraca? a) O homem pede desculpas e vai embora calmamente após terminar a cerveja.

b) A mãe expulsa o homem da barraca para proteger o filho de um ataque.

c) O menino reage com fúria, gritando para que o homem saia e avançando com um vasilhame, deixando o desfecho em aberto.

d) O homem e o menino fazem as pazes após comerem juntos um pacote de bolacha Maria

 

CONTO: A ÚLTIMA VONTADE DO REI HIBBAM - COM GABARITO

 Conto: A última vontade do rei Hibbam


Naquele tempo, em Mokala, reinava o poderoso Hibban, um dos mais vaidosos monarcas que têm vivido em todos os tempos. Sua preocupação única era imitar os imperadores célebres e os vultos notáveis da História.
Ouvira ele contar que os soberanos mais famosos do mundo pronunciaram sempre, antes de morrer, palavras que se tornaram célebres. E não poderia ele, também glorificar a sua morte pronunciando uma frase notável, digna de figurar nos anais da História, uma frase fulgurante que ficasse perpetuada, através dos séculos, pela Fama e pela Glória?

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqE3NfaIFMDi2-9HMBEUWjVzrGQtplXeT9CXb5QVPWpf6OIVVCOupRqPbDY7av4KgrBHkFHI2Y7sQpxlQ7FIrxPEQ73YwLvN95CFjIjhbrxTmU15JDJDoT_RZ6Wiu0La8KEqFhyphenhyphenA2kwAs0K4492ragNMfKq_Tv562MpcYPvSkG10eiQMQiR9PSliXtHuo/s320/rei.jpg 


Mas qual seria? Que deveria ele dizer aos súditos mokalenses no derradeiro momento de sua vida? Um conselho? Uma imprecação? Um pensamento famoso?
Na dúvida - e como não lhe ocorresse uma ideia aproveitável - mandou o rei Hibban chamar o seu talentoso secretário Salin Sady, homem de sua inteira confiança, e contou-lhe, pedindo-lhe absoluto segredo, o grande desejo de sua vaidade doentia.
Depois de meditar algum tempo, o digno secretário respondeu:
- Conheço um verso de Masuk, o celébre poeta kurdo, que é magistral! Se pronunciar esse verso em dialeto kurdo, fará uma coisa original, nunca vista. Ademais, o verso a que me refiro, exprime um desejo nobre, um pensamento genial, digno de um verdadeiro rei.
- É exatamente um verso emocionante que mais me agrada e que melhor poderá servir ao rei de Mokalla. Mas qual é, afinal, o verso do grande Mazuk? Quero decora-lo.
E o inteligente Salin Sady ensinou ao bom monarca o verso magistral de Mazuk, o maior dos poetas do Afeganistão:
'Naib aq vast y harde nosteby katib.'
Cuja tradução (declarou Sady) seria: 'Esquecei meus erros, pois só errei com a intenção de acertar'.
Guardou o rei Hibban de memória o verso. Um dia sentindo-se muito doente, mandou chamar seus conselheiros, vizires, cadis e todos os grandes dignitários do reino e pronunciou sua última vontade, bem alto, devagar e solene para que todos ouvissem. E tão violenta comoção daquele momento, que o vaidoso rei morreu.
A cena impressionou profundamente a todos os presentes.
- Mas o que tinha dito o Rei Hibban? - perguntavam uns aos outros, pois ninguém conhecia o complicado dialeto kurdo.
Dez escribas registraram palavra por palavra, traduzida depois pelos doutores mais ilustres de Mokala. A tradução caiu como uma bomba no meio da nobreza.
Puderam rodos verificar, com assombro, que o poderoso rei, senhor de Mokala, havia dito, apenas o seguinte: 'Deixo tudo o que tenho para o meu bom secretário!

 

Entendendo o texto

01. Qual era a principal preocupação e característica marcante do rei Hibban, segundo o início do texto?

a) Sua grande sabedoria e preocupação com o bem-estar do povo de Mokala.

b) Sua vaidade extrema e o desejo de imitar grandes figuras da História.

c) Seu medo constante de ser traído por seus secretários e vizires. d) Sua paixão pela poesia kurda e pelo estudo de novos dialetos.

02. Por que o rei Hibban procurou seu secretário, Salin Sady, em segredo?

a) Porque precisava de ajuda para encontrar uma frase famosa para dizer antes de morrer.

b) Porque queria que ele escrevesse um livro sobre todas as suas vitórias em guerra.

c) Porque desejava fugir do reino sem que os seus conselheiros percebessem.

d) Porque queria que Salin Sady o ensinasse a governar com mais justiça.

03. O que Salin Sady afirmou ao rei sobre o verso em dialeto kurdo que lhe ensinou?

a) Que o verso era uma maldição para afastar os inimigos do trono.

b) Que o verso era um agradecimento aos deuses pela riqueza de Mokala.

d) Que o verso era uma ordem para que o povo nunca esquecesse seu nome.

d) Que o verso significava: "Esquecei meus erros, pois só errei com a intenção de acertar".

04. O que aconteceu logo após o rei Hibban pronunciar as palavras solenes diante de seus conselheiros?

a) Ele recuperou a saúde milagrosamente devido à força das palavras.

b) Os conselheiros começaram a chorar porque entenderam o dialeto kurdo.

c) Ele morreu imediatamente devido à violenta comoção do momento.

d) O secretário Salin Sady confessou que o verso era uma brincadeira.

05. Qual foi a grande surpresa (o "assombro") revelada pela tradução real dos escribas e doutores?

a) O rei havia amaldiçoado todos os habitantes de Mokala antes de partir.

b) O rei declarou que não tinha herdeiros e que o reino deveria ser dividido.

c) As palavras ditas pelo rei, na verdade, deixavam todos os seus bens para o secretário.

d) O rei havia confessado crimes terríveis que cometeu durante o seu reinado.

 

LENDA: A BRUXA E OS DOIS LADRÕES - COM GABARITO

 LENDA: A BRUXA E OS DOIS LADRÕES

 

Dois ladrões lembraram-se, certa noite, de assaltar a casa de uma mulher que vivia sozinha e que, ao que lhes constava, era pessoa de grandes teres.
Julgando-a a dormir, os ladrões subiram sorrateiramente a um janelo e entraram na casa, onde vasculharam tudo o que puderam à procura de coisa que valesse a pena roubar. A dada altura, porque o barulho que faziam já era muito e a dona da casa não dava qualquer sinal, os ladrões aperceberam-se de que, afinal, não se encontrava lá mais ninguém. Podiam, por isso, roubar à vontade.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjz0Vg8RkvmBT1Iic0UNoS0um4tBM-0HECH-WD9h1Tm85lZMGmORpnHpi-02E3XGAHUdeYHwuGHNB4D9cqtTync2fB04Fv3BZgfrX2v7NgkG9cOpODYCB1b3EkoiB-p2X5sMQJazeZxyDmgKZKv1PPLbcRvri_3EzCxP6WvQBgFKpz19OWXWK7uvGntM8A/s320/bruxa.png 


- Onde teria ela ido a estas horas? — perguntaram um para o outro.
Nisto, um deles, ao remexer por baixo do escano, junto à chaminé, encontrou uma estranha taça, com um líquido meio amarelado, que tanto podia ser azeite como podia ser mel, ou coisa parecida. E logo desconfiaram que a mulher era uma bruxa, e que, àquela hora, teria ido embogar-se a qualquer lado. A explicação estava naquela taça que tinha o óleo com que ela se untava antes de partir.
Mas a curiosidade tentou-os. Os dois ladrões resolveram untar-se também para verem o efeito, e, mal acabaram de o fazer, voaram ambos pela chaminé, indo pousar ao cimo da torre da igreja, de onde não puderam descer. Na manhã seguinte, quando as pessoas saíam de casa para o trabalho, deram pela presença dos dois homens empoleirados no campanário e todas desataram em grandes gargalhadas.
- Tirem-nos daqui! Tirem-nos daqui! — gritavam eles.
- E como diabo é que vós fostes aí parar? — perguntavam as pessoas, ao mesmo tempo que procuravam uma escada comprida para os tirarem dali.
Eles, no entanto, não deram qualquer explicação. Se o fizessem teriam de confessar que haviam estado a roubar uma casa na aldeia. E, assim, nem eles acusaram a mulher como bruxa, nem esta os acusou a eles como ladrões.

Local: Vinhais, Bragança
PARAFITA, Alexandre, O Maravilhoso Popular - Lendas, contos, mitos,
Lisboa, Plátano Editora, 2000

Entendendo o texto

01.Qual foi a motivação inicial dos dois homens para entrarem na casa da mulher durante a noite?

a) Eles pretendiam assaltar a residência, acreditando que ela possuía muitas riquezas.

b) Eles queriam confirmar se a mulher era realmente uma bruxa.

c) Eles buscavam abrigo contra o frio e precisavam de comida.

d) Eles estavam à procura de uma taça mágica que pertencia à aldeia.

02. A partir de qual momento os ladrões perceberam que a dona da casa poderia ser uma bruxa?

a) Assim que entraram na casa e viram a mulher voando pela chaminé.

b) Quando notaram que a casa estava protegida por feitiços de proteção.

c) Ao encontrarem uma taça com um líquido estranho e perceberem a ausência da mulher àquela hora.

d) Quando ouviram vozes vindas do campanário da igreja de Vinhais.

03. O que causou a ida repentina dos ladrões para o topo da torre da igreja?

a) O susto que levaram ao verem a dona da casa retornar.

b) A tentativa de fuga pela chaminé após ouvirem as pessoas da aldeia.

c) Um castigo aplicado pela bruxa assim que ela os encontrou roubando.

d) O efeito do líquido amarelado que passaram no corpo por curiosidade.

04. Por que os ladrões se recusaram a explicar às pessoas como foram parar no campanário?

a) Porque haviam perdido a voz devido ao feitiço da taça.

b) Porque tinham medo de que a bruxa os transformasse em animais.

c) Porque, se explicassem, teriam de admitir que entraram na casa para roubar.

d) Porque ninguém na aldeia acreditaria em histórias sobre poções e voos.

05. Qual é o desfecho da relação entre os ladrões e a dona da casa ao final da história?

a) A mulher foi denunciada pela aldeia e os ladrões foram presos pelo roubo.

b) Houve um "acordo de silêncio" implícito: ninguém denunciou ninguém para não revelar seus próprios segredos.

c) Os ladrões prometeram nunca mais roubar e tornaram-se ajudantes da mulher.

d) A mulher usou sua magia para fazer com que todos na aldeia esquecessem o ocorrido.

 

MITO: MÉTIS, A DEUSA DA PRUDÊNCIA - COM GABARITO

 MITO: MÉTIS, A DEUSA DA PRUDÊNCIA


Metis era a deusa da prudência, das habilidades e dos ofícios e pertenceu à geração dos Titãs. Como deusa primordial, era filha de Oceannus e Tétis. Ela tinha o poder de se autotransformar e seu nome significava a qualidade da sabedoria combinada com a astúcia. Esta qualidade altamente admirável, foi considerada como uma das características notáveis do caráter ateniense.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgtQh5d1IZzUdY2yGyZtonVq8IAXXIn-rSxqk1ic8WtDtpXdleV3wMpBeCvKRDAWQ8a5isKpop8fMnODsrAsunwOMnxumoBb-ZEQttr-ujr2TBSfshsfPK695wdsRFMnKw3fNrn6uNRjqDdzmr1SkXvBLBhxaUWh7j7AyvYzagYLbIn1zBp3ryCqvo9sek/s320/METIS.jpg


Ela foi a primeira esposa de Zeus, que temia ser destronado devido a uma profecia que dizia que um de seus filhos se tornaria o deus dos deuses. Propondo uma brincadeira, Zeus sugeriu a Métis transformar-se em uma mosca. Sem perceber as intenções de Zeus, ela voou e pousou em suas mãos. Imediatamente, ele a aprisionou e a engoliu.
Zeus não sabia que Métis estava grávida e depois de algum tempo sua cabeça passou a crescer a cada dia. Não suportando as dores, Zeus pediu a seu filho Hefesto que o libertasse. Hefesto usou um machado para abrir a cabeça de Zeus, de onde saltou Athena, adulta e armada com sua lança, a deusa estrategista da guerra e da sabedoria.

A inclinação guerreira de Atena foi reconhecida a partir de seu nascimento e ela era diferente de seu irmão Ares, o deus da guerra. Athena cultivava seus altos princípios e ponderação sobre a necessidade de lutar para preservar e manter a verdade. Ela era estrategista e equilibrava a força bruta de Ares com sua lógica, diplomacia e sagacidade. Filha da prudência, oferecia armas aos herois mas recomendava que deveriam ser usadas com inteligência, maestria e planeamento.

Entendendo o texto


01. A qual geração de divindades Métis pertencia e quem eram seus pais?

a) À geração dos deuses do Olimpo, filha de Zeus e Hera.

b) À geração dos Titãs, sendo filha de Oceannus e Tétis.

c) À geração dos heróis, filha de Hefesto e Atena.

d) À geração das divindades marinhas, filha de Ares e Éris.

02. O nome "Métis" carrega um significado específico que era muito admirado pelos atenienses. Que significado é esse?

a) A força bruta combinada com a coragem física.

b) A beleza eterna unida à imortalidade.

c) A qualidade da sabedoria combinada com a astúcia.

d) A capacidade de prever o futuro através dos sonhos.

03. Por qual motivo Zeus decidiu enganar e engolir Métis?

a) Porque ela se recusou a se casar com ele e fugiu para o oceano. b) Devido a uma profecia que dizia que um de seus filhos o destronaria.

c) Porque ele queria adquirir o poder de se transformar em animais. d) Para puni-la por ter ajudado Hefesto a fabricar armas de guerra.

04. Como Zeus conseguiu capturar Métis para engoli-la?

a) Ele usou uma rede mágica fabricada por Hefesto.

b) Ele a convenceu a entrar em uma caixa de ouro durante um banquete.

c) Ele propôs uma brincadeira onde ela se transformou em uma mosca.

d) Ele pediu ajuda a Atena para emboscar a deusa da prudência.

05. De que maneira ocorreu o nascimento de Atena, após Métis ter sido engolida por Zeus?

a) Ela nasceu das espumas do mar e foi levada ao Olimpo por cisnes.

b) Ela saltou da cabeça de Zeus, já adulta e armada, após Hefesto abrir o crânio do pai com um machado.

c) Ela foi criada em segredo por Tétis no fundo do oceano até se tornar adulta.

d) Ela nasceu normalmente e foi entregue a Ares para ser treinada nas artes da guerra.

06. De acordo com o texto, qual é a principal diferença entre Atena e seu irmão Ares em relação à guerra?

a) Atena lutava apenas por vingança, enquanto Ares lutava por glória.

b) Ares usava a inteligência tática e Atena usava apenas a força física.

c) Atena equilibrava a força bruta com lógica, diplomacia e sagacidade, enquanto Ares representava a destruição sem lógica. d) Não havia diferença, pois ambos buscavam a carnificina e o caos nos campos de batalha.

07. Como a influência de Métis (a Prudência) pode ser percebida no comportamento de sua filha Atena?

a) Pelo fato de Atena incentivar os heróis a lutarem sem planejamento.

b) Através da recomendação de que as armas devem ser usadas com inteligência, maestria e planejamento.

c) Pela preferência de Atena em se transformar em insetos para espionar seus inimigos.

d) Através do isolamento de Atena, que preferia não se envolver nos conflitos dos deuses.

MITO: ARES, O DEUS DA GUERRA - COM GABARITO

 MITO: ARES, O DEUS DA GUERRA

 

Senhor absoluto da guerra, Ares tinha a crueldade como inspiração. Filho de Hera (Juno) e de Zeus (Júpiter), herdara da mãe a impetuosidade, a cólera e a teimosia. Para Ares a guerra representava a carnificina, o sofrimento, o derramamento do sangue, não importando os lados, longe da inteligência tática, era a verdade diante da armas, jamais da estratégia militar.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHeT7yhtwEOUPicn9Hn0wIYHykN1YjtyRTW4DcFbQ2g8mLNfLO61G8bxWgJ1qLyA-S5rg2wF8OQSGKJi7ONahyphenhyphenyoi-rGRaAU9Wn24aupJ3DO7w85a8UElPOFZ6ffW_VEWFW3ZRPLakEC6OUE-H46fhyt2RFTY7Zn0McusbFQcV1gXyAjCGjbjSlVrTIwk/s320/ares.jpg


Companheiro eterno do medo, personificava a morte sem glória, à devastação sem o propósito da estratégia, não havendo merecimento na vitória, mas a força bruta como palavra final. Seus filhos representam a força destrutiva humana, sendo eles Fobos, o medo incessante; Deimos, o terror; e, Éris, a discórdia. Terror e Discórdia são seus companheiros eternos. O mais contestado pelos deuses do Olimpo, Ares tem na figura de Atena (Minerva), a sua grande rival. Ambos são deuses da guerra, mas Atena é a deusa da estratégia, da sabedoria na guerra, enquanto que Ares é apenas a destruição sem lógica.
Se na Grécia a figura de Ares é desprezada, em Roma ele é identificado com Marte, o deus da guerra justa e estratégica. A prole de Marte dará origem aos gêmeos Rômulo e Remo, fundadores da cidade eterna, o que lhe confere o estatuto de grande deus, o mais importante a ser cultuado pelos romanos. Ares e Marte, unificados em um só mito, são os que mais divergem na assimilação greco-romana.
O mito de Ares traz um deus forte, de músculos perfeitos, que vestindo armadura e capacete, empunha uma lança e um escudo; percorrendo os campos de guerra em um carro puxado por exuberantes cavalos. Mistura-se aos litigiosos, sem se ater a qualquer lado, à justiça ou às leis. Desfere golpes ao acaso, lançando um brado de terror. Quando termina, contempla a destruição absoluta. É o retrato ímpio da guerra, que transforma os campos em desertos, e as cidades em ruínas. Ao contemplar o sangue derramado, Ares segue vitorioso no seu carro, desaparecendo nos céus do Olimpo.

 Entendendo o texto

01. De acordo com o texto, quais características Ares herdou de sua mãe, Hera?

a) Sabedoria, paciência e força física.

b) Impetuosidade, cólera e teimosia.

c) Inteligência tática e amor pela estratégia.

d) Justiça, lealdade e bondade.

02. Para Ares, o que a guerra representava prioritariamente?

a) Uma disputa baseada na inteligência e na lógica.

b) A busca pela paz entre as diferentes cidades.

c) A carnificina, o sofrimento e o derramamento de sangue.

d) Uma forma de alcançar a glória através da estratégia militar.

03. Quem é a principal rival de Ares no Olimpo e qual a diferença entre eles em relação à guerra?

a) Hera; ela defende a família enquanto ele defende a destruição.

b) Zeus; ele busca a ordem e Ares busca o caos absoluto.

c) Atena; ela é a deusa da estratégia e sabedoria, enquanto Ares é a destruição sem lógica.

d) Éris; ela prefere a discórdia verbal e ele a força bruta.

04. O texto menciona os filhos de Ares. O que eles personificam no contexto humano?

a) A esperança e a vitória gloriosa.

b) A força destrutiva, o medo, o terror e a discórdia.

c) A inteligência, a tática e a união dos povos.

d) A justiça e o cumprimento rigoroso das leis.

05. Como a figura de Ares era vista pelos gregos em comparação aos romanos (que o chamavam de Marte)?

a) Os gregos o adoravam como o deus mais importante, enquanto os romanos o desprezavam.

b) Ambos os povos o viam da mesma forma: como um deus cruel e sem estratégia.

c) Na Grécia ele era desprezado; em Roma, como Marte, era o deus da guerra justa e pai dos fundadores da cidade.

d) Os gregos o viam como o deus da estratégia e os romanos como o deus da força bruta.

06. Qual a importância de Marte para a fundação de Roma, segundo o texto?

a) Ele destruiu os inimigos que tentaram impedir a construção da cidade.

b) Sua prole deu origem aos gêmeos Rômulo e Remo, fundadores de Roma.

c) Ele ensinou aos romanos como utilizar a escrita e as leis.

d) Ele foi o primeiro rei humano a governar a cidade eterna.

07. Sobre a forma como Ares age nos campos de batalha, é correto afirmar que:

a) Ele escolhe sempre o lado mais fraco para proteger e fazer justiça.

b) Ele luta seguindo leis rígidas de conduta militar.

c) Ele desfere golpes ao acaso, sem se importar com justiça ou com que lado está lutando.

d) Ele só entra em combate quando há uma estratégia clara para vencer com glória.

 

 

LENDA: O CURUPIRA - COM GABARITO

 LENDA: O Curupira

        No fundo das matas, bem longe das cidades e das aldeias, quando soam gritos longos e estridentes, é o Curupira que se aproxima.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEie-HjHsO56HZEHN0tBxm08wHNd_dOyCrDdB5XK7YEm2jCC_xN9dk9yHTSsB-TBSvpVxV8SwUpa47PH5Qjie9iibgbcSHbt24Jg0bZb8W050-1XMi46RNknVKYZwdvs4Zr8Ee2CXCCD21SHz0vIj3UN5nJBbaRjy5S7c8Fq-kQ8dsfDZHSUD9jdwzY1G7w


        O melhor que se faz é sair dali correndo.

        O Curupira é um anão de cabelos vermelhos, dentes verdes e com os pés virados para trás. Para os índios, ele é o demônio da floresta. Corre atrás deles, enfurecido, para bater e até mesmo matar. Para se protegerem, quando se afastam de suas aldeias, os índios deixam pelo caminho penas de aves, abanadores e flechas.

        O Curupira é o protetor das árvores e dos animais. Batendo nos troncos das árvores como se fossem tambores, testa a resistência delas, quando ameaça cair uma tempestade.

        Ele odeia os homens que caçam e destroem as matas. Por isso, gosta de deixar os caçadores perdidos dentro da floresta. Quem vê o Curupira perde totalmente o rumo, não sabe mais achar o caminho de volta...

        Para atrair suas vítimas, o Curupira, às vezes, chama as pessoas com gritos que imitam a voz humana.

        As histórias do Curupira são contadas em todo o Brasil. Em algumas regiões, ele tem o nome de Caipora ou Caapora, e aparece, frequentemente, montado em um porco-do-mato.

Entendendo a Lenda

01. Como é o Curupira?

          Ele é um anão de cabelos vermelhos, dentes verdes e possui os pés virados para trás.

02.  O que o Curupira faz com os caçadores?

Ele os deixa perdidos dentro da floresta, fazendo com que percam totalmente o rumo e não consigam achar o caminho de volta.

03.  O que o Curupira faz para atrair suas vítimas?

Ele solta gritos que imitam a voz humana para enganar e atrair as pessoas.

04.  Que outros nomes o Curupira tem em outras regiões do Brasil?

Ele também é conhecido como Caipora ou Caapora.

05. Alternativas Corretas

a) Na floresta, que sinais anunciam que o Curupira está chegando?

          a) (X) Gritos longos e estridentes.

              (   ) Árvores destruídas no caminho.

              (   ) Rastros de porco-do-mato.

              (   ) Sons de tempestade.

        b) O Curupira testa a resistência das árvores para:

           ( ) protegê-las dos índios.

           (X) saber se elas não cairão com a chuva forte.

           ( ) atrair suas vítimas humanas.

           ( ) assustar os destruidores da floresta.

     c) A história do Curupira é sobre um:

          ( ) demônio que assusta os animais da floresta.

          ( ) índio que usa abanadores e flechas.

          ( ) homem que se perde na mata e fica apavorado.

          (X) anão que protege as árvores e os animais.

     d) O Curupira vive em:

          ( ) aldeias. ( ) cidades. (X) matas. ( ) troncos.

     e) As pessoas têm medo porque o Curupira:

         (X) persegue quem destrói a natureza.

         ( ) toca tambores escondido durante a noite.

         ( ) protege as árvores das tempestades.  

         ( ) ataca os animais selvagens e perigosos da mata.

f) No texto, a palavra enfurecido significa:

         ( ) apressado.

        (X) furioso.

         ( ) desajeitado.

         ( ) barulhento.

 

Sintaxe: Sujeito e Predicado

Para facilitar: o sujeito é de quem se fala, e o predicado é tudo o que se diz sobre esse sujeito (incluindo o verbo).

01 – Separe os sujeitos e predicado das orações abaixo:
a) Os jovens gostam de aventuras.

Sujeito: Os jovens

Predicado: gostam de aventuras.

b) O ônibus escolar chegou cedo no ginásio.

Sujeito: O ônibus escolar

Predicado: chegou cedo no ginásio.

c) Ariana e Luana saíram de férias.

Sujeito: Ariana e Luana

Predicado: saíram de férias

CRÔNICA: CONVERSINHA MINEIRA - FERNANDO SABINO - COM GABARITO

 Crônica: Conversinha Mineira

                 Fernando Sabino

— É bom mesmo o cafezinho daqui, meu amigo?
— Sei dizer não senhor: não tomo café.
— Você é dono do café, não sabe dizer?
— Ninguém tem reclamado dele não senhor.
— Então me dá café com leite, pão e manteiga.
— Café com leite só se for sem leite.
— Não tem leite?

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3MxlOiVPKBWIZnbhGmT4n9tP4Anprm3Nt3YMy8s53wKO_v_Z6Z1papMHAT-4JEtN_QbpPvEzKTlq8Pqeoeyl41h0UKE6DcTfZ9vYyqIeSdQ1nAmGzEYYC9FfZNigjRY-HASrfJ4OXyKnB2keoy3-nwboFZBg2PKCBytIveQoXddxgLJQfn4JE3gQFX08/s320/Coffee_with_milk_(563800).jpg


— Hoje, não senhor.
— Por que hoje não?
— Porque hoje o leiteiro não veio.
— Ontem ele veio?
— Ontem não.
— Quando é que ele vem?
— Tem dia certo não senhor. Às vezes vem, às vezes não vem. Só que no dia que devia vir em geral não vem.
— Mas ali fora está escrito “Leiteria”!
— Ah, isso está, sim senhor.
— Quando é que tem leite?
— Quando o leiteiro vem.
— Tem ali um sujeito comendo coalhada. É feita de quê?
— O quê: coalhada? Então o senhor não sabe de que é feita a coalhada?
— Está bem, você ganhou. Me traz um café com leite sem leite. Escuta uma coisa: como é que vai indo a política aqui na sua cidade?
— Sei dizer não senhor: eu não sou daqui.
— E há quanto tempo o senhor mora aqui?
— Vai para uns quinze anos. Isto é, não posso agarantir com certeza: um pouco mais, um pouco menos.
— Já dava para saber como vai indo a situação, não acha?
— Ah, o senhor fala da situação? Dizem que vai bem.
— Para que Partido? — Para todos os Partidos, parece.
— Eu gostaria de saber quem é que vai ganhar a eleição aqui.
— Eu também gostaria. Uns falam que é um, outros falam que outro. Nessa mexida...
— E o Prefeito?
— Que é que tem o Prefeito?
— Que tal o Prefeito daqui?
— O Prefeito? É tal e qual eles falam dele.
— Que é que falam dele?
— Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo quanto é Prefeito.
— Você, certamente, já tem candidato.
— Quem, eu? Estou esperando as plataformas.
— Mas tem ali o retrato de um candidato dependurado na parede, que história é essa?
— Aonde, ali? Uê, gente: penduraram isso aí…

(SABINO. Fernando. A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962.)

Entendendo o texto

01. A principal característica do comportamento do dono do estabelecimento durante a conversa é:

      a. A agressividade ao responder ao freguês.

      b. A precisão e clareza em fornecer informações.

      c.  A ambiguidade e a esquiva nas respostas (o jeito "mineiro").

      d.  O entusiasmo em vender seus produtos.

02. No trecho "Café com leite só se for sem leite", percebe-se o uso de:

      a. Um paradoxo (contradição) que gera humor.

      b. Uma metáfora sobre a qualidade do café.

      c. Uma hipérbole para exagerar a falta de produtos.

      d. Uma personificação dos objetos da leitaria.

03. Sobre a política local, o que podemos afirmar sobre a opinião do dono do café?

      a. Ele é um fervoroso apoiador do atual Prefeito.

      b. Ele demonstra total desinteresse e não se compromete com nenhum lado.

      c. Ele está decidido a votar no candidato cujo retrato está na parede.

      d. Ele conhece profundamente as plataformas políticas da cidade.

04. O efeito de humor na passagem sobre o tempo em que o personagem mora na cidade ("Vai para uns quinze anos [...] não sou daqui") reside no fato de que:

     a. Quinze anos é pouco tempo para conhecer uma cidade.

     b. O personagem esqueceu a própria idade.

     c.  Mesmo morando lá por quinze anos, ele se recusa a se considerar "daqui" para evitar dar informações.

     d. Ele está mentindo para o freguês sobre sua origem.

05. O título "Conversinha Mineira" e o uso de termos como "Uai" e "Esse trem todo" indicam que o texto busca explorar:

       a. A norma culta da língua portuguesa.

       b. O regionalismo e a variação linguística.

       c. A linguagem técnica de comerciantes.

       d. O desrespeito à língua escrita.

06. No diálogo sobre o leiteiro, o dono do café afirma: "Só que no dia que devia vir em geral não vem". O que essa fala revela sobre a organização do estabelecimento e a rotina daquela cidade?

Revela uma rotina imprecisa e informal. O estabelecimento não tem um controle rigoroso sobre seus fornecedores, e a vida na cidade parece seguir um ritmo próprio, onde o "dia certo" não é garantia de que algo vá acontecer.

07. Explique por que existe uma ironia na presença da placa escrita "Leiteria" na frente do estabelecimento, considerando o diálogo entre o freguês e o atendente.

A ironia reside no fato de o local se chamar "Leiteria" (estabelecimento que vende leite e derivados), mas não possuir leite disponível há dias porque o leiteiro não aparece. O nome do local cria uma expectativa no cliente que não é correspondida pela realidade.

08. Ao final da crônica, o freguês aponta um retrato de candidato na parede. Qual é a reação do dono do café e o que isso reforça sobre a personalidade dele?

Ele reage com surpresa fingida ou desentendimento ("Uê, gente: penduraram isso aí..."). Isso reforça sua personalidade esquiva; ele evita assumir a responsabilidade até pelo que está dentro do seu próprio comércio para não ter que se comprometer com uma opinião política.