quarta-feira, 6 de maio de 2026

NOTÍCIA: CRISTO REDENTOR É ELEITO UMA DAS SETE NOVAS MARAVILHAS DO MUNDO - FRAGMENTO - COM GABARITO

 Notícia: Cristo Redentor é eleito uma das sete novas maravilhas do mundo – Fragmento

        O Cristo Redentor foi o terceiro anunciado como uma das sete novas maravilhas do mundo. O primeiro foi a Grande Muralha da China. Os nomes dos vencedores foram revelados neste sábado (7 jul. 2007) na cerimônia de anúncio do concurso, realizada em Lisboa (Portugal).

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg_9EvTBQi6yHu8uzuHJFD4adlwXZyhCZpm_GFG9JXgbtfl4zijOFP4xZRKAIXdHCAkOFgiEjJsiVRsxEtICm5X8eRSgKa-VPqvQdm_fzmFB_nyTfA-guNIeQcUO_k2aEUx8mbpfxeSST5a2jeiYZP8PWA69TO-ZD76ww7xkEX-np_S77j5lExK1gcwoAw/s1600/images.jpg


        O Monumento de Petra, na Jordânia, foi o segundo anunciado das novas sete maravilhas. O quarto foi a cidade inca de Machu Picchu. A pirâmide de Chichén Itzá, no México, foi o quinto nome dito pelos apresentadores. O Coliseu de Roma foi o sexto, e o sétimo e último anunciado como nova maravilha foi o Taj Mahal, na Índia.

        O concurso, promovido por uma fundação suíça, recebeu votações pela internet e por mensagens telefônicas. Ao total, o concurso recebeu cerca de 100 milhões de votos.

        A iniciativa não tem apoio unânime e a Unesco, que se dedica ao patrimônio mundial, decidiu não participar do evento. De origem privada, o projeto pretende completar a lista das sete maravilhas definidas por volta de 200 a.C.

        As maravilhas da Antiguidade são: o Templo de Ártemis, os Jardins Suspensos da Babilônia, o Mausoléu de Halicarnasso, o Colosso de Rodes, o Farol de Alexandria, a Estátua de Zeus e a Grande Pirâmide do Egito. Somente esta última existe até hoje.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u310220.shtml. (Fragmento). Acesso em: 2 fev. 2011.

Fonte: Rumo a novos Letramentos e Alfabetização. Ângela M. Chanoski-Gusso / Rossana A. Finau. 3º ano. 1ª edição, Curitiba, 2011. p. 13.

Entendendo a notícia: 

01 – Em que data e local foram revelados os vencedores do concurso das Novas Sete Maravilhas do Mundo?

      Os nomes foram revelados no sábado, dia 7 de julho de 2007, durante uma cerimônia realizada em Lisboa, Portugal.

02 – Qual foi a ordem de anúncio do Cristo Redentor e qual monumento foi anunciado logo antes dele?

      O Cristo Redentor foi o terceiro monumento anunciado. O monumento anunciado imediatamente antes (o segundo) foi o Monumento de Petra, na Jordânia.

03 – Como foi feita a votação para a escolha dos monumentos e quantos votos foram registrados no total?

      A votação foi promovida por uma fundação suíça e ocorreu através da internet e de mensagens telefônicas, somando cerca de 100 milhões de votos.

04 – Qual é o posicionamento da Unesco em relação a essa iniciativa?

      A iniciativa não teve apoio unânime e a Unesco decidiu não participar do evento, que possui origem privada.

05 – Segundo o texto, qual é a única maravilha da Antiguidade que ainda existe nos dias de hoje?

      A Grande Pirâmide do Egito é a única das maravilhas originais que ainda existe.

 

NOTÍCIA: O KUARUP É UMA FESTA PARA CELEBRAR A MEMÓRIA DOS MORTOS - FRAGMENTO - COM GABARITO

 Notícia: O Kuarup é uma festa para celebrar a memória dos mortos – Fragmento

          Apresentação de luta

        O Kuarup é um ritual de homenagem aos mortos ilustres, celebrado pelos povos indígenas da região do Xingu, no Brasil. [...]

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg1r7pTE88qzyb2fUZmf7LRg_drr7lQ-Qk0quka4u_Pd8tzr2ybM2QWVINkfNX1fN8MpieRfHf0aWCoT29nHjQBv5247hzkeuisvPx-DRQVN5BXB8I7LGeqa0eyIJuG6lDXoPTFC3VsMjirLQ7iL11cD0zDROSt45Vw5r1i5G8-4abp6QGp9Tpe6uTJ_Mk/s320/kuarupnaopode.jpg


        Os troncos feitos da madeira “kuarup” são a representação concreta do espírito dos mortos. Corresponderia à cerimônia de finados, dos brancos. Entretanto, o Kuarup é uma festa alegre, onde cada um coloca a sua melhor vestimenta na pele. Na visão dos índios, os mortos não querem ver os vivos agindo de forma triste ou feia.

        O Kuarup da tribo Kuikuro

        Os Kuikuros (região do Rio Kuluene) realizam uma cerimônia do mais profundo sentimento humano todo ano, no mês de maio, e sempre em uma noite de lua cheia. Os índios desta tribo convidam as tribos amigas para evocarem juntas as almas dos mortos ilustres. Ainda durante a noite, trazem da floresta várias toras de madeira, conforme o número dos que desapareceram. Essas toras são organizadas em linha reta, no centro do terreiro em frente às malocas. Cada tora recebe a pintura das respectivas insígnias que, em vida, os distinguiam como pajés, guerreiros, caçadores, ou até mesmo aqueles que mais descendentes legaram à comunidade. Enquanto são executados estes trabalhos, alguns homens com arco e flecha entoam hinos aos mortos.

        Preparação do tronco

        Tudo pronto, aos gritos de há-há, vão os homens às malocas e de lá voltam acompanhados das mulheres e crianças. As mulheres, de cabelos soltos, trazendo algumas frutas e guloseimas, em largas folhas de palmeira, outras, ricos cocares, plumagem de coloridos vivos, braceletes e colares. Aproximam-se em passos harmoniosos dos kuarupes e, em voz baixa como um sussurro, travam com eles um pequeno diálogo, que parecem exprimir toda a gratidão, falando-lhes das saudades que deixaram, oferecendo-lhes ao mesmo tempo os frutos e guloseimas.

        Ao cair da noite, os homens trazem da floresta archotes de palha incendiados, cuja luz faz brilhar os corpos untados de urucum em reflexos metálicos que desenham toda a beleza dos seus corpos.

        [...]

O Kuarup é uma festa para celebrar a memória dos mortos. Museu do Índio, [s.d.]. Disponível em: http://www.museudoindio.gov.br/educativo/pesquisa-escolar/968-o-Kuarup-e-uma-festa-para-celebrar-a-memória-dos-mortos. Acesso em: 28 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 292-293.

Entendendo a notícia:

01 – O que representa o ritual do Kuarup para os povos indígenas do Xingu?

      O Kuarup é um ritual de homenagem aos mortos ilustres. Ele é representado concretamente por troncos feitos da madeira que dá nome ao ritual ("kuarup"), os quais simbolizam o espírito daqueles que faleceram.

02 – Qual é a principal diferença de sentimento entre o Kuarup e a cerimônia de finados dos "brancos"?

      Ao contrário da cerimônia dos brancos, que costuma ser marcada pelo luto e tristeza, o Kuarup é uma festa alegre. Os indígenas acreditam que os mortos não querem ver os vivos agindo de forma triste ou feia, por isso todos utilizam suas melhores vestimentas e pinturas.

03 – Como são escolhidos e preparados os troncos de madeira para a cerimônia na tribo Kuikuro?

      Os índios trazem da floresta várias toras de madeira, em uma quantidade correspondente ao número de pessoas que morreram. No centro do terreiro, cada tora recebe pinturas das insígnias que distinguiam o falecido em vida, como marcas de pajé, guerreiro ou caçador.

04 – Qual é o papel das mulheres durante o momento de preparação do tronco?

      As mulheres aproximam-se dos troncos (kuarupes) com passos harmoniosos e, em voz baixa, travam um pequeno diálogo com eles. Elas expressam gratidão, falam das saudades que deixaram e oferecem presentes como frutas e guloseimas em folhas de palmeira.

05 – Em que período do ano e sob quais condições climáticas/astronômicas o Kuarup costuma ser realizado pelos Kuikuros?

      A cerimônia é realizada anualmente no mês de maio, ocorrendo sempre em uma noite de lua cheia.

 

ENTREVISTA: VOLUNTARIADO - ALMANAQUE NISSEI - COM GABARITO

 Entrevista: Voluntariado

        No dia das mães, André esteve em visita no Centro de Amparo ao Idoso Jesus Maria José, tendo oportunidade de estar junto e ajudar nas tarefas do asilo. Nesse dia, ganhou uma amiga muito especial, Dona Ana, com quem ficou o tempo todo e conquistou seu coração. Depois da visita, se preocupou em levar presentes para ela e retornar para visita-la com sua família.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2YqUsOTwmmJbJla9_V-mC147CpsBzKAOLqXvGXExzidqwi-PJJEqNfT-vH2ZybCGWgNfi9hOnXObCDC9-iVRgMnDNruOWXSeS2bmWQdi5-Z9kWDC9cdOrzOK6UbmgDJwMWe_tDQWrxIR96zI1T8Jp-Pl_qLVYyFS29ilCFSytRP-ZVgMlXT7PhzovOeI/s320/voluntariado.jpg 


        Uma experiência marcante para uma criança de oito anos, André Ermoso Correia.

        As palavras de André: “Um dia vou ser um idoso também”.

        Nissei: Como foi para você visitar o asilo?

        André: Essa atitude mostrou o amor que eu tenho. Ser solidário é bom, imagina se você estivesse no lugar de um idoso, de uma criança sem pai, você se sentiria só. Sinto orgulho de mim mesmo, de poder ajudar alguém.

        Nissei: O que representa um idoso para você?

        André: Idoso é uma pessoa especial que já foi criança, adulta e hoje precisa de carinho e atenção mais do que nunca.

        Nissei: Dê uma palavra para os idosos.

        André: Aproveitem a vida como sempre aproveitaram.

Almanaque Nissei. Guia da melhor idade, Curitiba, n 1, jul. 2007.

Fonte: Rumo a novos Letramentos e Alfabetização. Ângela M. Chanoski-Gusso / Rossana A. Finau. 3º ano. 1ª edição, Curitiba, 2011. p. 26.

Entendendo a entrevista:

01 – Em qual ocasião André visitou o Centro de Amparo ao Idoso e o que ele fez durante a visita?

      A visita ocorreu no Dia das Mães. Durante o tempo que passou lá, André teve a oportunidade de ajudar nas tarefas do asilo e fazer companhia aos residentes.

02 – Quem André conheceu no asilo e como ele demonstrou seu carinho após a primeira visita?

      Ele conheceu a Dona Ana, que se tornou uma amiga especial. Após a visita, ele se preocupou em levar presentes para ela e retornou ao local acompanhado de sua família para visitá-la novamente.

03 – Qual frase dita por André demonstra que ele consegue se colocar no lugar dos idosos pensando no próprio futuro?

      A frase é: “Um dia vou ser um idoso também”. Isso mostra a capacidade de empatia e a consciência de André sobre o ciclo da vida.

04 – De acordo com a entrevista, o que André sente ao poder ajudar alguém e qual o seu argumento sobre ser solidário?

      Ele sente orgulho de si mesmo. André argumenta que ser solidário é importante porque ninguém gostaria de se sentir sozinho, convidando as pessoas a imaginarem como se sentiriam se estivessem no lugar de um idoso ou de uma criança sem pais.

05 – Qual é a definição de "idoso" para André e qual mensagem ele deixa para eles?

      Para ele, o idoso é uma pessoa especial que já passou por várias fases da vida e que agora precisa de mais carinho e atenção do que nunca. Sua mensagem final é para que eles aproveitem a vida como sempre aproveitaram.

 

POESIA: PARA IR À LUA - CECÍLIA MEIRELES - COM GABARITO

 Poesia: Para ir à lua

           Cecília Meireles

Enquanto não têm foguetes
para ir à Lua
os meninos deslizam de patinete
pelas calçadas da rua.

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjZhyZGyDMpUfcWYXCeSEILev8SVMGKjz2DZZHYeM_fS-Q9aPVv7opvmDCOOqbVTlqblUL-cq52UxXPp_Y5dngNTAEyJALMTEMzoOLArgTpoLeRQErGX3pYtmNIi-mIb7NpSB5rOtFPlFfCilYHGk8Ycja8Fa92ezubrgSr4pGLYjNC0HaJJxQAh71jwI/s320/Lua-chega-ao-perigeu-1024x683.jpg

Vão cegos de velocidade:
mesmo que quebrem o nariz,
que grande felicidade!
Ser veloz é ser feliz.

Ah! se pudessem ser anjos
de longas asas!
Mas são apenas marmanjos.

Cecilia Meireles. Fonte: Rumo a novos Letramentos e Alfabetização. Ângela M. Chanoski-Gusso / Rossana A. Finau. 3º ano. 1ª edição, Curitiba, 2011. p. 56.

Entendendo a poesia:

01 – O que os meninos utilizam como alternativa para "ir à lua" enquanto não possuem foguetes?

      Os meninos utilizam seus patinetes para deslizar pelas calçadas da rua.

02 – Qual é a sensação que o ato de andar em velocidade provoca nos meninos, segundo o poema?

      Provoca uma sensação de grande felicidade. O poema afirma explicitamente que "ser veloz é ser feliz".

03 – O que o texto sugere que pode acontecer com os meninos devido à "cegueira" da velocidade?

      O texto sugere que eles correm o risco de se machucarem, mencionando que podem chegar a "quebrar o nariz" no percurso.

04 – No final do poema, qual é o desejo impossível que o autor expressa em relação aos meninos?

      O desejo de que eles pudessem ser anjos de longas asas, o que lhes permitiria voar de verdade.

05 – Como a autora descreve os meninos na última estrofe e o que isso indica?

      Ela os chama de "apenas marmanjos". Isso indica um contraste entre o sonho de voar (como anjos ou em foguetes) e a realidade física e humana dos garotos, que estão limitados ao chão.

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: A RAIVA DE SER ÍNDIO - FRAGMENTO - DANIEL MUNDURUKU - COM GABARITO

 Artigo de opinião: A RAIVA DE SER ÍNDIO – Fragmento

        Por Daniel Munduruku

        A gente não pede para nascer, apenas nasce. Alguns nascem ricos, outros pobres; outros brancos, outros negros; uns nascem num país onde faz muito frio, outros em terras quentes; enfim, nós não temos muita opção mesmo. O fato é que, quando a gente percebe, já nasceu. 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjEjOWdQyQCmU06vPCfzxHC4_EdwNrED0JeRLYC1DNQxFH26k_azznE5DoeVYqDyKOLcLX2CXMi86HUZ7f5VaYWIkf8jrwiEdghUuLo0jfIGRg4mHGv2LoZdgzbheTrk3hllcMdTf-_XqHh4xY6JDFUoLqegBk9bVVGwuOhraCjogMnppWDu3Ewi_5t0po/s1600/INDIO.jpg


        Eu nasci índio. Mas não nasci como nascem todos os índios. Não nasci numa aldeia, rodeada de mato por todo lado. com um rio onde as pessoas pescam peixe quase com a mão de tão límpida que é a água. Não nasci dentro de uma Uk’a Munduruku. Eu nasci na cidade. Acho que dentro de um hospital. E nasci numa cidade onde a maioria das pessoas se parece com índio: Belém do Pará.

        [...]

        Só não gostava de uma coisa: que me chamassem de índio. Não. Tudo menos isso! Para meu desespero, nasci com cara de índio, cabelo de índio (apesar de um pouco loiro), tamanho de índio. Quando entrei na escola primária, então, foi um deus-nos-acuda. Todo mundo vivia dizendo: “Olha o índio que chegou à nossa escola”.

        Meus primeiros colegas logo, logo se aproveitaram pra me colocar o apelido de Aritana. Não precisa me dizer que isso me deixou fulo da vida e foi um dos principais motivos das brigas nessa fase da minha história – e não foram poucas brigas, não. Ao contrário, briguei muito e, é claro, apanhei muito também.

        E por que eu não gostava que em chamassem de índio? Por causa das ideias e imagens que essa palavra trazia. Chamar alguém de índio era classificá-lo como atrasado, selvagem, preguiçoso.  

        E, como já contei, eu era uma pessoa trabalhadora que que ajudava meus pais e meus irmãos e isso era uma honra para mim. Mas era uma honra que ninguém levava em consideração. Para meus colegas só contava a aparência… e não o que eu era e fazia.

        [...]

Daniel Munduruku. A RAIVA DE SER ÍNDIO. 15.01.2017. https://www.xapuri.info/cultura/daniel-munduruku-indio/.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 302.

Entendendo o artigo:

01 – Onde o autor nasceu e por que ele afirma que não nasceu "como nascem todos os índios"?

      Daniel Munduruku nasceu na cidade (provavelmente em um hospital em Belém do Pará), e não em uma aldeia cercada de mato, rios límpidos ou dentro de uma Uk’a (casa) tradicional Munduruku. Ele destaca essa diferença para mostrar que a identidade indígena não está presa apenas ao cenário da floresta.

02 – Qual era o sentimento do autor em relação à palavra "índio" durante sua infância?

      Ele sentia rejeição e "desespero" ao ser chamado de índio. Embora reconhecesse suas características físicas (rosto, cabelo e tamanho), ele não aceitava o rótulo e chegava a brigar frequentemente com os colegas por causa disso.

03 – Por que o apelido "Aritana" causava tanta irritação no autor?

      O apelido era usado pelos colegas de escola como uma forma de reforçar o estereótipo e a exclusão. Para o autor, ser chamado por nomes que remetiam à sua origem indígena era o principal motivo de suas brigas, pois ele sentia que sua identidade estava sendo usada contra ele.

04 – Segundo o texto, quais eram os preconceitos carregados pela palavra "índio" naquela época?

      O autor não gostava do termo porque, na visão da sociedade da época, chamar alguém de índio era o mesmo que classificá-lo como atrasado, selvagem e preguiçoso. Eram imagens negativas que não correspondiam à realidade de quem ele era.

05 – Qual era o conflito entre a "aparência" do autor e o seu "comportamento" perante os colegas?

      Enquanto os colegas o julgavam apenas pela aparência indígena (associando-a à preguiça), o autor se considerava uma pessoa muito trabalhadora que ajudava seus pais e irmãos. Ele sentia que sua honra e suas ações não eram levadas em consideração, pois o preconceito dos colegas era baseado apenas em estereótipos visuais.

 

domingo, 3 de maio de 2026

REPORTAGEM: ARTISTAS DE BH GANHAM AS RUAS PARA LEVAR CULTURA AO PÚBLICO E GARANTIR GANHA-PÃO - FRAGMENTO - BERNARDO ALMEIDA - COM GABARITO

 Reportagem: Artistas de BH ganham as ruas para levar cultura ao público e garantir ganha-pão – Fragmento

Bernardo Almeida

Publicado em 01/06/2019 às 21:30.

        “Viver do chapéu” é um desafio motivado pela noção de tornar a arte acessível a todos, pelas necessidades financeiras ou por um movimento natural de quem inicia a carreira artística nas ruas e dali não se imagina fora. Em Belo Horizonte esses artistas estão por toda parte, mas são mais facilmente encontrados em praças, parques, sinais de trânsito ou enchendo de cultura os arredores da feira de artesanato da avenida Afonso Pena, aos domingos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNRpomvJl84E6LwFn7LY5grXtWW9q0qacUYVDbHTw3iJE3qz-qE6CAnXuEAKzHOTmVR592XpKP0FXISKcO8vifpM-qguWGU9hvjlejlybzeHHZE4su78NWY0E5PHSRBVb-hnXg0px_hR_KDyIhQXJqw1AKfpSPzv1mxxafUfPHFtvx_kjZQEEA5JMUoMM/s320/CULTURA.jpg


        As origens e a faixa etária variam, como no caso do saxofonista Tanure Lisboa, de 48 anos. [...]

        Tanure iniciou as apresentações na rua por necessidades financeiras há cinco anos, mesma época em que o violinista e acordeonista Mateus Henrique Vitório, hoje com 22. [...].

        [...] “Vivo de arte de rua, sempre trabalhei com isso. Comecei na época em que estudava. Hoje o gosto musical enveredou muito para sertanejo universitário, funk, e procuro levar (ao público) um Moacyr Braga, uma valsa-choro, baião, músicas francesas e argentinas”, explica Mateus, que recebe reações bastante emotivas no meio do corre-corre. “Muita gente me procura para agradecer, tem quem chore, ou pare para dizer que eu mudei a vida deles”.

        [...]

Bernardo Almeida. Artistas de BH ganham as ruas para levar cultura ao público e garantir ganha-pão. Hoje em dia, 3 jun. 2019. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/almanaque/Artistas-de-BH-ganham-as-ruas-para-levar-cultura-ao-p%C3%BAblico-e-egarantir-ganha-p%C3%A3o-1.718131. Acesso em: 22 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 240.

Entendendo a reportagem:

01 – De acordo com o texto, o que motiva os artistas de Belo Horizonte a "viver do chapéu"?

      A motivação é variada: passa pelo desejo de tornar a arte acessível a todas as pessoas, por necessidades financeiras imediatas ou, ainda, por ser um movimento natural de quem inicia a carreira nas ruas e opta por permanecer nesse ambiente.

02 – Quais são os locais em Belo Horizonte onde esses artistas de rua são encontrados com maior facilidade?

      Eles estão presentes em toda a cidade, mas concentram-se principalmente em praças, parques, sinais de trânsito e no entorno da feira de artesanato da Avenida Afonso Pena, especialmente aos domingos.

03 – Qual é a principal diferença de perfil mencionada entre os músicos Tanure Lisboa e Mateus Henrique Vitório?

      A principal diferença citada é a faixa etária. Tanure Lisboa tem 48 anos, enquanto Mateus Henrique Vitório tem 22 anos, demonstrando que a arte de rua em BH atrai pessoas de diferentes gerações.

04 – Como o músico Mateus Henrique Vitório busca se diferenciar do cenário musical comercial atual?

      Enquanto o gosto popular atual pende para o sertanejo universitário e o funk, Mateus opta por um repertório mais clássico e diversificado, incluindo gêneros como valsa-choro, baião, músicas francesas, argentinas e obras de Moacyr Braga.

05 – Qual é o impacto do trabalho de Mateus Henrique Vitório no público que circula pelas ruas?

      O impacto é profundamente emocional. Apesar do "corre-corre" da cidade, muitas pessoas param para agradecer, algumas chegam a chorar e há quem relate que a música apresentada mudou suas vidas naquele momento.

 

 

NOTÍCIA: GRUPO CIRCENSE APRESENTA ESPETÁCULO 'CHU-CHU-CHU" PELO YOU TUBE NESTE DOMINGO - FRAGMENTO - COM GABARITO

 Notícia: Grupo circense apresenta espetáculo ‘Chu-chu-chu’ pelo YouTube neste domingo – Fragmento

Da redação / @jornalovale

        O grupo circense Paraladosanjos apresenta neste domingo (26), às 17h, trechos do espetáculo “Chu-Chu-Chu”. Tudo de graça em transmissão ao vivo pelo YouTube e Facebook. O evento faz parte da programação online do Espaço Cultural Circo Navegador, de São Sebastião, que conta com o apoio do Proac (Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo).

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipQF5SChoNEnXlVTG1PJniEpy3EOj7UFTnxIvHTQ8Rt20T2KT9UYgwKFPBeDqeL88ILiARJ9UXjgx-iM3JMC_M2fLZqFwEwDADaEVEdbmjKSX4SIMb8IOMzwQmR-FeEf112bs3tKrrereeFBBYECLqyoxhQElj0eYGaxvccbCRnd2QP7wZw-Qt_pOT5bA/s1600/CIRCO.jpg


        O “Tchu-tchu-tchannel” é um canal interativo para toda família com entrevistas, curiosidades, bate-papo e trechos do espetáculo tchu-tchu-tchu que já tem 15 anos de estrada, tendo se apresentado nas principais capitais brasileiras.

        De acordo com os organizadores, é um espetáculo que se propõe a mesclar a virtuose técnica circense ao fazer teatral. A linguagem escolhida é a de desenho animado, com inspiração nos cartoons da década de 70 como "Papa-Léguas" e "Tom & Jerry", que não se utilizavam da fala para contar a história. [...]

Jornal Ovale. Grupo circense apresenta espetáculo 'Chu-chu-chu' pelo YouTube neste domingo. Viver, 26 jul. 2020. Disponível em: https://www.ovale.com.br/_contendo/viver/2020/07/109850-grupo-circense-apresenta-espetáculo--chu-chu-chu--pelo-youTube-neste-domingo.html. Acesso em: 22 out. 2020. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 242.

Entendendo a notícia:

01 – Qual grupo é responsável pela apresentação e em quais plataformas ela será transmitida?

      O espetáculo é apresentado pelo grupo circense Paraladosanjos. A transmissão será feita ao vivo pelas redes sociais YouTube e Facebook.

02 – Qual é a proposta artística do espetáculo "Chu-chu-chu"?

      O espetáculo propõe a união da virtuose técnica circense com o fazer teatral. Além disso, utiliza uma linguagem visual inspirada em desenhos animados (cartoons) que não dependem da fala para narrar a história.

03 – Em quais referências culturais o grupo se baseou para criar a estética da obra?

      O grupo buscou inspiração nos cartoons da década de 70, citando especificamente clássicos como "Papa-Léguas" e "Tom & Jerry".

04 – O que é o "Tchu-tchu-tchannel" e qual o seu público-alvo?

      É um canal interativo voltado para toda a família. O conteúdo inclui entrevistas, curiosidades, bate-papos e a exibição de trechos do próprio espetáculo.

05 – Qual é o tempo de trajetória do espetáculo e por onde ele já passou?

      O espetáculo "Chu-chu-chu" já tem 15 anos de estrada e já realizou apresentações nas principais capitais brasileiras.

 

 

CRÔNICA: O EXERCÍCIO DA CRÔNICA - FRAGMENTO - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Crônica: O Exercício da Crônica – Fragmento

               Vinícius de Moraes

        O cronista trabalha com um instrumento de grande divulgação, influência e prestígio, que é a palavra impressa. Um jornal, por menos que seja, é um veículo de ideias que são lidas, meditadas e observadas por uma determinada corrente de pensamento formada à sua volta.^

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjSv26ViYq3pg0lIui2uUYGpyrJvpz1IH3HkCfMZyRlzF5sLzyQqaIYIALN6CKt7Tw5NSftPA_npw8AbgkNZemv2AoNz5QElM8kxoC2JnbCXK8GeF6Aqa3LYYVY9R9WvQLYqkfr4UMUa6abBoFe4kr0eJEN8wnT2J_gdTwPweAHWVo_eyeL2nG0UtGPlQ0/s1600/JORNAL.jpg


        Um jornal é um pouco como um organismo humano. Se o editorial é o cérebro; os tópicos e notícias, as artérias e veias; as reportagens, os pulmões; o artigo de fundo, o fígado; e as secções, o aparelho digestivo — a crónica é o seu coração. A crónica é matéria tácita de leitura, que desafoga o leitor da tensão do jornal e lhe estimula um pouco a função do sonho e uma certa disponibilidade dentro de um cotidiano quase sempre “muito tido, muito visto, muito conhecido”, como diria o poeta Rimbaud.

        Daí a seriedade do ofício do cronista e a frequência com que ele, sob a pressão de sua tirania diária, aplica-lhe balões de oxigénio. Os melhores cronistas do mundo, que foram os do século XVIII, na Inglaterra — os chamados essayists — praticaram o essay, isto de onde viria a sair a crónica moderna, com um zelo artesanal tão proficiente quanto o de um bom carpinteiro ou relojoeiro. Libertados da noção exclusivamente moral do primitivo essay, os oitocentistas ingleses deram à crónica suas primeiras lições de liberdade, casualidade e lirismo, sem perda do valor formal e da objetividade.

        [...]

MORAES, Vinícius de. Para uma menina com uma flor. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 53.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 272.

Entendendo a crônica:

01 – De acordo com a crônica, qual o significado das palavras abaixo:

·        Casualidade: aquilo que ocorre ao acaso.

·      Essay: ensaio (gênero textual em que o autor expressa opiniões, críticas e reflexões sobre determinado tema).

·        Essayists: ensaísta (aquele que escreve ensaios).

·        Lirismo: modo poético de apresentar alguma coisa.

·        Proficiente: competente.

·        Tácito: tranquilo.

02 – Qual é a metáfora utilizada por Vinícius de Moraes para descrever a função da crônica dentro de um jornal?

      O autor compara o jornal a um organismo humano. Nessa analogia, enquanto o editorial é o cérebro e as notícias são as artérias, a crônica é o coração do jornal.

03 – Segundo o texto, qual é o efeito da leitura de uma crônica sobre o leitor de jornais?

      A crônica serve para desafogar o leitor da tensão das notícias pesadas do jornal. Ela estimula a "função do sonho" e oferece uma nova perspectiva sobre o cotidiano, que muitas vezes é repetitivo e cansativo.

04 – O autor cita uma frase do poeta Rimbaud. O que essa citação revela sobre o cotidiano?

      A frase: "muito tido, muito visto, muito conhecido" reforça a ideia de que o cotidiano pode ser monótono e previsível. A crônica surgiria justamente para dar um novo fôlego a essa realidade comum.

05 – Quem o autor considera os "melhores cronistas do mundo" e qual foi a contribuição deles para o gênero?

      São os ensaístas (essayists) da Inglaterra do século XVIII. Eles praticaram o ensaio com um "zelo artesanal" e, ao se libertarem das amarras exclusivamente morais, introduziram lições de liberdade, casualidade e lirismo à crônica moderna.

06 – Como Vinícius de Moraes descreve o ofício do cronista em relação à regularidade de sua escrita?

      O autor destaca a seriedade do ofício e a pressão da "tirania diária" (o prazo para escrever todos os dias). Ele menciona que, devido a essa pressão, o cronista muitas vezes precisa aplicar "balões de oxigênio" em seu trabalho para manter a qualidade e o vigor do texto.

NOTÍCIA: SLAM: POESIA COM IDENTIDADE - FRAGMENTO - MELISSA DUARTE - COM GABARITO

 Notícia: Slam: poesia com identidade – Fragmento

        PoeNotícia: Slam: poesia com identidade – Fragmento

        Poetas da periferia encontram espaço na produção de slam, que é recitado em eventos pela cidade

Melissa Duartepostado em 18/04/2019 06:30

        Rima, métrica, estrofe? Para o slam, nada disso é regra: a poesia é falada, e os artistas têm muito mais liberdade. Diferentemente da poesia considerada clássica, o verso é livre, e as inspirações vêm do repente, do rap e, sobretudo, do hip-hop. Os temas falam de questões políticas, econômicas e sociais relacionadas à periferia: racismo, feminismo, desemprego e violência contra a mulher são alguns deles.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgApPAowcGyssJPqEhnEEdlFoNGnuPHzLyhhobnU5HDAbggUKo7aPJcCwY-Nr9uWU1LdQoXpXL2o130PDq_PFldWvFSQU16KKA-yFEC_nwG4VRxSCKtBhHUJrOf44u3oaKJN1FLY4U__VmCwmQfzZ2DHcIMtDhE1yknGZqKyDpUEm3A464k9fb6QQ89vDg/s320/SLAM.jpg

        “A gente cresce achando que a periferia é ruim, que é um espaço de criminalidade, de falta, de carência. Mas vai além disso. Apesar desse cenário, a gente produz muita coisa”, conta a poeta Meimei Bastos, que nasceu em Ceilândia e cresceu em Samambaia, onde fez a vida e a carreira artística.

        A doutora em literatura pela Universidade de Brasília (UnB) Bruna Lucena estuda o assunto e concorda. “Slam é mais uma forma de marcar a identidade cultural própria e mostrar que a periferia produz sua própria cultura. É um movimento de ocupação, de resistência”, pontua a pesquisadora, nascida e criada em Brazlândia.

        Os artistas desse gênero são conhecidos como slammers. De acordo com Meimei, as batalhas de slam possuem três fases, com três minutos para cada participante. Esse é o tempo que eles têm para ler ou cantar uma poesia, que precisa ser autoral. Tudo isso é feito sem auxílio de figurinos ou instrumentos musicais. Qualquer pessoa pode participar: os artistas se inscrevem na hora, e até cinco jurados são escolhidos aleatoriamente. Essas são as regras mais comuns no DF, mas podem variar de acordo com as batalhas, que são itinerantes.

        [...]

Melissa Duarte. Slam: poesia com identidade. Correio Braziliense, 18 abr. 2019. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2019/04/18/interna_diversao_arte,750154/slam-poesia-com-identidade.shtml. Acesso em: 20 out. 2020. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 246.

Entendendo a notícia:

01 – O que diferencia a estrutura da poesia de slam da poesia considerada "clássica"?

      Diferente da poesia clássica, o slam não exige regras rígidas de rima, métrica ou estrofe. A poesia é falada, os versos são livres e os artistas possuem maior liberdade criativa.

02 – Quais são as principais influências musicais e culturais do slam citadas no texto?

      O slam busca inspiração principalmente no hip-hop, mas também possui raízes no repente e no rap.

03 – Quais são os temas centrais abordados pelos poetas (slammers) em suas performances?

      Os temas focam em questões políticas, econômicas e sociais ligadas à realidade da periferia, como o racismo, feminismo, desemprego e a violência contra a mulher.

04 – Segundo a pesquisadora Bruna Lucena, qual é o papel social do slam para a periferia?

      Para a pesquisadora, o slam funciona como uma forma de marcar a identidade cultural própria, mostrando que a periferia produz cultura. É descrito como um movimento de ocupação e resistência.

05 – Quais são as regras básicas de uma batalha de slam mencionadas por Meimei Bastos?

      As batalhas geralmente possuem as seguintes regras:

      - Ocorrem em três fases.

      - Cada participante tem até três minutos para se apresentar.

      - A poesia deve ser obrigatoriamente autoral.

      - Não é permitido o uso de figurinos ou instrumentos musicais.

      - Os jurados (até cinco) são escolhidos aleatoriamente no local.

 

 

 

domingo, 26 de abril de 2026

LENDA: A COVA DA MOIRA - COM GABARITO

 LENDA: A COVA DA MOIRA

 

No já referido lugar de Mourilhe do Concelho de Montalegre, conta-se também esta lenda, igualmente relacionada com a pastorícia.
Havia naquela aldeia um pastor que levava diariamente para o monte uma manada de vacas leiteiras. Todas elas eram ubérrimas, de pura raça barrosã; mas uma delas passava a perna às demais, quer pela produção de leite, quer pela sua imponência e garbosidade.

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCGYL0pJm7nmJXckq2hllezsMfUu1ryfdh-E8bZEIsnzwCsun38rIA1fyh5F_0K1ZSp48hRgGCSCLeQOPvZOsLtcu-h67DyMLnZQK26anMOlw0_BceLyk7VZayhxfa-km6RCjNefDHeUrBdGoEoajdb4oNmZDsZAavVLn2QwSyKss_fAipVAEE2ExepF8/s320/lenda.jpg

Era, por essas duas razões, a menina bonita do pastor, que a dispensava das tarefas mais pesadas da lavoura e tratava com particular desvelo e carinho.
Um dia, porém, a vaca preferida, que enchia diariamente um amplo tarro do precioso líquido, deixou de dar leite, com grande pesar e estranheza do pastor que não encontrava nenhuma explicação para isso.
Pensando que estaria doente, levou-a a um entendido da vila, que a examinou atentamente e lhe garantiu que ela estava sã como um pêro.
Começou, então, a vigiá-la atentamente, não tirando os olhos dela um segundo, desde que saiu da corte, até que chegou ao monte. Aí, continuou a segui-la, passo a passo, com redobrada atenção.
Tudo decorria com naturalidade: a vaca tosava pachorrentamente a erva tenra e já andava farta como um bombo, até que, ao fim da tarde, deixou de pastar e começou a afastar-se sorrateiramente das companheiras, em direcção à mata, ali próxima.
Seguiu-a discretamente, à distância, pata não a espantar e, para ver em que paravam as modas; e verificou que ele se deteve ao pé duma cova que ele não conhecia, por estar encoberta por espesso mato.
Então, aproximou-se, pé ante pé, pôs-se a espreitar e viu sair da cova uma Senhora muito linda, com uma vasilha numa das mãos e uma facha de feno na outra.
Pôs o feno à frente da vaca e, enquanto ela comia, a moira começou a ordenhá-la.
Estava descoberto o mistério: a vaca não dava leite na corte, porque a moira lho tirava no monte. Agastado com aquele atrevimento e desaforo, saltou do seu esconderijo e gritou, fora de si:
- Ah! Sua desavergonhada! Espera aí, que vais pagá-las com língua de palmo.
E, dizendo isto, avançou para ela, com a aguilhada no ar, para lhe dar umas boas bordoadas. Mas, ao chegar junto dela, ficou desarmado, porque a linda moira, com um sorriso encantador e uma voz melíflua, capaz de amansar as próprias feras, se antecipou e lhe disse:
- Amigo, reconheço que tens boas razões para te sentires ofendido. Mas, por favor, não te amofines nem me ralhes, que eu vou compensar-te generosamente pelo leite que te roubei.
Dito isto, atou um vincelho de giestas nos chifres da sua amiga vaca e, voltando-se para o dono, acrescentou:
- Vais ter uma alegre surpresa, quando chegares a casa, e volta cá todos os dias, que eu te farei muito rico. Mas, atenção: não contes nada a ninguém, se não, deitas tudo a perder.
O pastor, já mais calmo e reconciliado com a moira, prometeu ir lá todos os dias com a vaca e regressou a casa com a manada, a cismar na anunciada surpresa.
Chegado à aldeia, meteu as vacas na loja, fechou a porta e pôs-se a olhar para o vincelho de giesta. Qual não foi o seu espanto, quando viu que ele se transformara num lindo cordão de oiro que dava a volta aos chifres da vaca.
Cheio de contentamento, pegou nele, levou-o para casa e escondeu-o na arca do bragal, debaixo dos lençóis de linho, com a intenção de não dizer nada à mulher. Mas ela desconfiou que algo de anormal se passava e não o largou, enquanto ele não pôs tudo em pratos limpos.
Então, não teve remédio senão mostrar-lhe o cordão que ela se apressou a pôr ao pescoço, contente como um cochicho, e cheia de vaidade, porque em toda a aldeia não havia outro como ele.
No dia seguinte, voltou ao monte, como prometera, à procura da moira. Mas, contra a sua expectativa, ela não apareceu. Esperou, esperou... e nada: da moira nem rasto!
Desiludido e triste, voltou para casa, a tentar descobrir a razão que levara a moira a faltar ao prometido. E a sua tristeza aumentou, quando chegou a casa e verificou que o cordão de oiro se tinha transformado no vincelho de giesta.
Então, lembrou-se de que a moira lhe tinha recomendado muito que não dissesse nada a ninguém, e reconheceu que a culpa era toda sua.
Revoltado consigo mesmo, disse mal da sua sorte e aprendeu à sua custa que o povo tem razão, quando diz que o silêncio é de oiro e que o segredo é a alma do negócio.
Mais tarde, contou aos amigos a peripécia que lhe acontecera e eles puseram a esse local o nome de Cova da Moira.

 

Entendendo o texto

 

01. Por que o pastor considerava uma de suas vacas a sua "menina bonita"?

a) porque ela era a única da raça barrosã em toda a região de montalegre.

b) por ela ser a mais imponente, garbosa e a maior produtora de leite da manada.

c) porque ela o ajudava a vigiar as outras vacas durante o pastoreio no monte.

d) por ter sido um presente dado pela linda moira que vivia na cova encoberta.

02. O que o pastor descobriu ao vigiar a vaca discretamente na mata?

a) que a vaca estava doente e não conseguia mais produzir leite.

b) que um outro pastor da aldeia estava roubando o leite da vaca às escondidas.

c) que uma linda senhora saía de uma cova para alimentar e ordenhar o animal.

d) que a vaca escondia o próprio leite dentro de uma cova profunda na mata.

03. Como a moira reagiu quando o pastor a confrontou com a aguilhada no ar?

a) ela amansou o pastor com palavras doces e prometeu compensá-lo pelo leite.

b) ela fugiu para dentro da cova e nunca mais apareceu para o pastor.

c) ela transformou a aguilhada do pastor em um vincelho de giestas. d) ela explicou que o leite era necessário para alimentar os moradores da vila.

04. O que aconteceu com o vincelho de giesta que a moira amarrou nos chifres da vaca?

a) transformou-se em um facho de feno para alimentar a manada no inverno.

b) permaneceu como mato seco até que o pastor o jogou fora na corte.

c) transformou-se em um lindo cordão de ouro assim que o pastor chegou em casa.

d) deu origem a uma nova raça de vacas que produzia leite dourado.

05. Por que o cordão de ouro voltou a ser um vincelho de giesta e a moira desapareceu?

a) porque o pastor esqueceu de levar a vaca ao monte no dia seguinte.

b) porque a mulher do pastor perdeu o cordão dentro da arca de linho.

c) porque a moira se sentiu ofendida pela vaidade da mulher do pastor.

d) porque o pastor quebrou a promessa de segredo e contou tudo à sua esposa.