quinta-feira, 3 de setembro de 2026

ATIVIDADES SOBRE: PRONOME RELATIVO(SUJEITO, PREDICATIVO DO SUJEITO, OBJETO DIRETO, OBJETO INDIRETO, COMPLEMENTO NOMINAL, AGENTE DA PASSIVA, ADJUNTO ADNOMINAL E ADVERBIAL) - COM GABARITO

 EXERCÍCIOS

 Dê a Função Sintática do Pronome Relativo  (sujeito, predicativo do sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva ,adjunto adnominal e adjunto adverbial):

 

01. Desapareceu a dor / de que tanto reclamava.(objeto indireto)

02. Comprei a casa / que você indicou. (objeto direto)

03. Poucos conhecem o artista / que sou. (predicativo do sujeito)

04. Estudamos os autores / que formam um dos grupos românticos. (sujeito)

05. Não encontrei o livro / a que te referiste. (objeto indireto)

06. Recolha o material / que está sobre a mesa.(sujeito)

07. Ainda não vi o filme / a que você se refere. (objeto indireto)

08. Há pessoas / que sofrem pelos outros.(sujeito)

09. Encontrei o garoto / que você estava procurando.(objeto direto)

10. O motor trabalhava com a força / de que era capaz.(complemento nominal)

11. Você não é aquele / que parece. (predicativo do sujeito)

12. Não é este o lugar / a que eles se referem? (objeto indireto)

13. Quais são as frases / que você errou? (objeto direto)

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14. Comprei o livro / que estava em liquidação. (sujeito)

15. A loja / em que comprei o vestido /estava em liquidação. (adjunto adverbial)

16. Devolveu os ingressos / que havia comprado. (objeto direto)

17. As pinturas / que faço/ me dão prazer. (objeto direto)

18. Gostei da roupa / que você comprou. (objeto direto)

19. O homem rico / que ele era, /hoje passa por dificuldades. (predicativo do sujeito)

20. Voltarei a ser a boa aluna / que eu era. (predicativo do sujeito)

21. O bandido / por quem fomos atacados/ fugiu. (agente da passiva)

22. O trecho / onde o chofer parou, /estava deserto. (adjunto adverbial)

23. O avião / em que nós viajamos/ fez escala em Recife. (adjunto adverbial)

24. Hoje reconheço a pessoa leal e amiga / que você se tornou.(predicativo do sujeito)

25. A máquina fotográfica / que nós compramos/ é japonesa. (objeto direto)

26. O apartamento / onde residia /está à venda. (adjunto adverbial)

27 Eu vi o rapaz / que era seu amigo.(sujeito)

28. Nós assistimos ao filme / que vocês perderam. (objeto direto)

29. Precisamos do documento / que o assessor encontrou. (objeto direto)

30. Roubaram a peça / que era rara no Brasil.(sujeito)

31. Eis os ingredientes / de que necessitamos.(objeto indireto)

32. Os funcionários / cujos crachás foram entregues /podem ir.(adjunto adnominal)

33. Esta é a casa / em que nasci. (adjunto adverbial)

34. O filme / a que fizeram referência/ foi premiado. (predicativo do sujeito)

35. Mal podia esconder a doença / que o consumia.(sujeito)

36. Este é o remédio / de que tenho necessidade. (complemento nominal)

37. Você é o artista / que eu gostaria de ser. (predicativo do sujeito)

38. A cidade / em que moro/ é limpa. (adjunto adverbial)

39. Não conhecemos o aluno / que saiu. (sujeito)

 

II. Dê a função sintática dos pronomes relativos nas frases a seguir.

a) Chovia muito no dia/ em que cheguei de viagem. (adjunto adverbial de tempo)

b) Ela é uma das poucas pessoas /em quem ele tem confiança. (complemento nominal)

c) É bastante moderna a estação de trem /onde desembarcamos.(adjunto adverbial de lugar)

d) Os alunos/ cujos trabalhos serão expostos no pátio /devem procurar o professor de artes.(adjunto adnominal)

e) Há, na vida, momentos/ em que devemos ter muita coragem.(adjunto adverbial de tempo)

 III- Use um pronome relativo e junte as duas orações, formando um período composto. Depois, dê a função sintática do pronome relativo que você usou em cada caso.

a) Essas são as fotos. Preciso dessas fotos. 

Essas são as fotos de que eu preciso.

b) Esse homem quer falar com o delegado. Cujo  carro  foi roubado. 

Esse homem cujo  carro  foi roubado quer falar com o delegado .

c) A cidade atrai muitos turistas. Meu primo mora nessa cidade.

A cidade onde meu primo mora atrai muitos turistas. 

d) Vamos conversar com o professor. Esse professor vai aplicar o teste amanhã.

Vamos conversar com o professor que  vai aplicar o teste amanhã.

e) Não vi essas fotos polêmicas. Muita gente escreveu sobre essas fotos nos jornais.

 Não vi essas fotos polêmicas que muita gente escreveu  nos jornais.

 

IV- Complete com o pronome relativo QUEM antecedido da preposição adequada. Depois identifique a oração subordinada adjetiva.

a) Chame o rapaz com quem o gerente está conversando.

b) Meu tio Roberto é uma pessoa a /por quem tenho muito respeito.

c) Ela não tem muitas amigas com quem possa conversar sobre isso.

d) Não conheço o homem a quem ele entregou o envelope.

e) O presidente é a pessoa de quem todos esperam uma resposta.

  

V- Leia esta frase e responda:

  "Conversei com a mãe do menino, que parecia feliz com o resultado do teste".

a)            A quem se refere o pronome relativo QUE nessa frase? 

Ao menino.

b)       Se quiséssemos afirmar que a mãe estava feliz, que outro pronome relativo poderia ter sido utilizado para eliminar a ambiguidade? Reescreva a frase usando esse pronome.

 Conversei com a mãe do menino, a qual parecia feliz com o resultado do teste

 

Exercícios retirados da Gramática de Douglas Tufano.

 

PARTE II – Emprego e funções dos pronomes relativos

 

01. Assinale a frase em que se verifica uma transgressão ao registro culto e formal da língua no que se refere ao emprego do pronome relativo.

 a) O resultado a que chegaram confirmou sua intuição.

b) O funcionário o qual me referi não tem nenhuma dose de carisma. (ao qual) " referir-se A"

c) Recebi o relatório de um gerente de cujo nome não me recordo.

d) São várias as reivindicações por que estão lutando os trabalhadores.

e) Os colegas de trabalho com quem não simpatizava foram excluídos do processo.

 

02.Abaixo foram feitas alterações na redação da oração adjetiva no final do período

 "É possível utilizar a política para acelerar a aquisição de direitos e o fim do déficit de reconhecimento que as atinge" (6º parágrafo).

 Das alterações feitas, está INCORRETA quanto ao emprego do pronome relativo, de acordo com as normas da língua culta, a seguinte:

 a) com que elas convivem. 

b) de que elas se envergonham.

c) cuja existência está encoberta pelo preconceito.

d) contra o qual elas tanto lutam.

e) onde se reduz o papel da mulher na sociedade.O pronome ONDE é usado para adjunto adverbial de lugar.

03. Em relação à regência nominal ou verbal, qual a frase em que NÃO se emprega o pronome relativo precedido de preposição?

a) O físico de cuja frase sempre me recordo quebrou paradigmas com sua nova forma de pensar.

b) A conferência a que assistimos marcou o início de uma nova etapa em nossa vida.

c) Era impossível aceitar as provocações a que foram submetidos durante o discurso.

d) Os obstáculos que transpusemos ao longo da vida profissional nos ajudaram a atingirmos o sucesso.

e) As provações a que  estamos expostos são importantes para descobrirmos novas oportunidades

.

04. As palavras destacadas na frase abaixo pertencem, respectivamente, as seguintes classes de palavras:

O material didático mais barato que existe na praça é o professor.

a) adjetivo; advérbio; adjetivo; conjunção; advérbio; e substantivo.

b) adjetivo; advérbio; adjetivo; pronome relativo; substantivo; e substantivo.

c) substantivo; advérbio; adjetivo; conjunção; substantivo; e substantivo.

d) adjetivo; conjunção; substantivo; pronome relativo; e advérbio.

e) adjetivo; advérbio; adjetivo; conjunção; substantivo e substantivo.

 

05. A respeito do emprego dos pronomes relativos, assinale a opção correta.

 a) O pronome relativo “que” admite ser substituído por “o qual” e suas flexões de gênero e número.

b) O relativo “cujo” expressa lugar, motivo pelo qual aparece no texto ligado ao substantivo mapa na expressão "cujo mapa".

c) O pronome “cujo” é invariável, ou seja, não apresenta flexões de gênero e número.

d) O pronome relativo “quem”, assim como o relativo “que”, tanto pode referir-se a pessoas quanto a coisas em geral.

e) É correto colocar artigo após o pronome relativo “cujo” (cujo o mapa, por exemplo).



 

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: CRENÇAS PRIMITIVAS - MARCELO COELHO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Crenças primitivas

         Marcelo Coelho

 

        SÃO PAULO – O bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, sai sem dúvida fortalecido depois de 11 dias na prisão. Sua foto atrás das grades, lendo a Bíblia, não poderia deixar de ser vista por seus adeptos como uma espécie de martírio religioso; sabe-se, ademais, que as crenças e seus líderes ganham popularidade quando perseguidos pela lei.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhj4gzrzbv32FQtXjBNnCIpDB1qC4ZvbvE0Jftg6gB08KAhe91p6ZLrVWsnAhSzpnzzC-kcuH0Uc8HlsIVksw_UnWPYeGl0yVqkzdV_AomIjWdxTLhzPq02PO9SZmOttQnkP0tmoTmOJoDTwHVTUUSmbABla5CW_xOP_ZZtKluGT6lhScfS22uxoauG1Rs/s320/images.jpg 


        As acusações que pesam sobre Macedo – charlatanismo, curandeirismo e estelionato – terão ainda de ser examinadas pela Justiça. O processo envolve questões complexas, como a da liberdade de religião, e a de em que os métodos utilizados pelo bispo para angariar seus fundos diferem dos de outros cultos.

        Há, entretanto, dois aspectos neste episódio que transcendem o julgamento que se faça sobre as atividades de Edir Macedo. O primeiro é o da crescente demanda por todas as formas de crença que prometem alívio prático para as mazelas da existência, sem sutilezas teológicas; curas e milagres, em pleno final do século 20, são procurados sofregamente, paga-se por isso, e religiões mais cautelosas na mistificação tendem a perder adeptos. O fato pode ser desalentador, mas é dificilmente evitável.

        O segundo aspecto é o de que, na prisão de Edir Macedo, transparece um desejo bastante generalizado nos dias que correm: o de ver pessoas famosas na cadeia. A impunidade geral como que atiça a opinião pública para ver alguém importante literalmente atrás das grades. Como as execuções públicas no século passado, a prisão é hoje uma espécie de espetáculo. Ainda que a ideia da privação de liberdade seja em muitos casos considerada anacrônica do ponto de vista penal, são muitos os que lamentam, sem dúvida, o fato de esse espetáculo ser tão raro no Brasil. E tanto a crença em curas milagrosas quanto o fascínio que a ideia de cadeia exerce na população – para nada dizer da pena de morte – talvez derivem de um mesmo primitivismo ideológico.  

Folha de S. Paulo, 6/6/92.

Entendendo o artigo:

01 – Segundo o autor, por que a prisão do bispo Edir Macedo acabou fortalecendo sua imagem perante seus seguidores?

      Porque a imagem do bispo atrás das grades lendo a Bíblia foi interpretada por seus adeptos como uma forma de martírio religioso. Além disso, líderes e crenças frequentemente ganham popularidade e apoio quando são perseguidos pela lei.

02 – Quais eram as acusações jurídicas que pesavam contra Edir Macedo e por que o processo envolvia questões complexas?

      As acusações eram de charlatanismo, curandeirismo e estelionato. O processo era complexo por envolver discussões sobre a liberdade religiosa e a dificuldade de diferenciar os métodos de arrecadação de fundos da Igreja Universal dos métodos utilizados por outros cultos.

 

03 – Qual é o primeiro aspecto transcrito pelo autor a respeito do crescimento de certas práticas religiosas no final do século XX?

      O crescimento da busca por religiões que prometem alívio prático para os problemas da vida cotidiana (como curas e milagres imediatos), sem grandes aprofundamentos ou sutilezas teológicas, fazendo com que religiões mais cautelosas perdessem fiéis.

 

04 – Como o autor explica o fascínio da opinião pública pela prisão de figuras famosas e importantes?

      O fascínio ocorre devido ao sentimento generalizado de impunidade na sociedade. Diante disso, a prisão de alguém famoso passa a ser consumida como uma espécie de "espetáculo" público (semelhante às execuções públicas do século anterior).

 

05 – Qual é a relação que o autor estabelece entre a fé em milagres e o desejo da população por punições como a prisão e a pena de morte?

      Marcelo Coelho sugere no final do texto que tanto a crença em curas milagrosas quanto o fascínio pelo encarceramento de figuras públicas derivam de um mesmo "primitivismo ideológico", ou seja, de uma busca por soluções simples, mágicas ou imediatas para problemas humanos e sociais complexos.

 

 

 

CRÔNICA: SOBRE O DESASTRE - LIMA BARRETO - COM GABARITO

 Crônica: SOBRE O DESASTRE

            Lima Barreto

 

        Viveu uma semana a cidade sob a impressão do desastre da Rua da Carioca. A impressão foi tão grande, alagou-se por todas as camadas, que temo não ter sido de tal modo profunda, pois imagino que, quando saírem à luz estas linhas, ela já se tenha apagado de todos os espíritos.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj98G7vJrwm8VHCEDkGBO8cXs5Por39dXm6UQ6MIl5EbQsLF_u5lYxyLp5qRE9nr4IgE4uRCzn0P1yEnJoyBt4VIJTKhCdDt1F46KDBrxwyUxR3AfcgG5PaYh4EP6-SXMwSzLdsVNIqzHy5R8eok2PjQfEt3-DmihuMSaYM9tGRLk3OpMhlhNg9AQophDw/s320/Rua-da-Cerveja-3.png 


        Todos procuraram explicar os motivos do desastre. Os técnicos e os profanos, os médicos e os boticários, os burocratas e os merceeiros, os motorneiros e os quitandeiros, todos tiveram uma opinião sobre a causa da tremenda catástrofe.

        Uma coisa, porém, ninguém se lembrou de ver no desastre: foi a sua significação moral, ou antes, social.

        Nesse atropelo em que vivemos, neste fantástico turbilhão de preocupações subalternas, poucos têm visto de que modo nós nos vamos afastando da medida, do relativo, do equili­brado, para nos atirarmos ao monstruoso, ao brutal.

        O nosso gosto que sempre teve um estalão equivalente à nossa própria pessoa, está querendo passar, sem um módulo conveniente, para o do gigante Golias ou outro qualquer de sua raça.

        A brutalidade dos Estados Unidos, a sua grosseria mercantil, a sua desonestidade administrativa e o seu amor ao apressado estão nos fascinando e tirando de nós aquele pouco que nos era próprio e nos fazia bons.

        O Rio é uma cidade de grande área e de população pouco densa; e, de tal modo o é, que se ir do Méier à Copacabana, é uma verdadeira viagem, sem que, entretanto, não se saia da zona urbana.

        De resto, a valorização dos terrenos não se há feito, a não ser em certas ruas e assim mesmo em certos trechos delas, não se há feito, dizia, de um modo tão tirânico que exigisse a construção em nesgas de chão de sky-scrapers.

        Porque os fazem então?

        E por imitação, por má e sórdida imitação dos Estados Unidos, naquilo que têm de mais estúpido – a brutalidade. Entra também um pouco de ganância, mas esta é a acora­çoada pela filosofia oficial corrente que nos ensina a imitar aquele poderoso país.

        Longe de mim censurar a imitação, pois sei bem de que maneira ela é fator da civilização e do aperfeiçoamento indi­vidual, mas aprová-la quand même, é que não posso fazer.

        O Rio de Janeiro não tem necessidade de semelhantes “ca­beças-de-porco”, dessas torres babilônicas que irão enfeá-lo, e perturbar os seus lindos horizontes. Se é necessário construir algum, que só seja permitido em certas ruas com a área de chão convenientemente proporcional.

        Nós não estamos como a maior parte dos senhores de Nova York, apertados, em uma pequena ilha; nós nos podemos desenvolver para muitos quadrantes. Para que esta ambição então? Para que perturbar a majestade da nossa natureza, com a plebeia brutalidade de monstruosas construções?

        Abandonemos essa vassalagem aos americanos e fiquemos nós mesmos com as nossas casas de dois ou três andares, construídas lentamente, mas que raramente matavam os seus hu­mildes construtores.

        Os inconvenientes dessas almanjarras são patentes. Além de não poderem possuir a mínima beleza, em caso de desastre, de incêndio, por exemplo, não podendo os elevadores dar va­zão à sua população, as mortes hão de se multiplicar. Acresce ainda a circunstância que, sendo habitada, por perto de meio a um milhar de pessoas, verdadeiras vilas, a não ser que haja uma polícia especial, elas hão de, em breve favorecer a perpetração de crimes misteriosos.

        Imploremos aos senhores capitalistas para que abandonem essas imensas construções, que irão, multiplicadas, impedir de vermos os nossos purpurinos crepúsculos do verão e os nossos profundos céus negros do inverno. As modas dos “americanos” que lá fiquem com eles; fiquemos nós com as nossas que matam menos e não ofendem muito à beleza e à natureza.

        Sei bem que essas considerações são inatuais. Vou contra a corrente geral, mas creiam, que isso não me amedronta. Admiro muito o imperador Juliano e, como ele, gostaria de dizer, ao morrer: “Venceste Galileu.”

Revista da Época, Rio, 20-7-1917.

Entendendo a crônica:

01 – Qual é o temor do cronista no início do texto em relação à comoção gerada pelo "desastre da Rua da Carioca"?

      O autor teme que a forte impressão causada pela tragédia em todas as camadas da sociedade seja passageira e se apague rapidamente da memória das pessoas devido ao ritmo acelerado e ao atordoamento da vida urbana moderna.

 

02 – Segundo Lima Barreto, qual dimensão essencial da tragédia foi ignorada pela maioria da população e pelos especialistas?

      Todos buscaram apenas os motivos técnicos, médicos ou operacionais da catástrofe, mas ninguém se lembrou de analisar a sua significação moral e social — ou seja, como a obsessão pelo progresso desenfreado e brutal afasta a sociedade do equilíbrio e da medida.

 

03 – Qual a crítica central que o autor faz à influência dos Estados Unidos no desenvolvimento urbano do Rio de Janeiro?

      O cronista critica a imitação cega e servil do modelo americano, caracterizado por ele como focado no mercantilismo, na apressa e na "brutalidade". Ele aponta que a construção de arranha-céus (sky-scrapers) no Rio não decorre de uma necessidade real de espaço, mas de ganância e fascínio por uma modernidade esteticamente feia e perigosa.

 

04 – Quais são os argumentos apresentados por Lima Barreto para demonstrar que o Rio de Janeiro não precisava construir grandes arranha-céus?

      O Rio de Janeiro é uma cidade de grande extensão territorial com densidade que permite a expansão horizontal (ao contrário de Nova York, comprimida em uma ilha);

      Edifícios gigantescos ("torres babilônicas") alteram a paisagem e bloqueiam a beleza natural dos horizontes da cidade;

      Essas construções trazem grandes riscos à segurança, como a dificuldade de evacuação em incêndios e o potencial aumento da criminalidade interna.

 

05 – Como a referência final ao imperador romano Juliano reflete o posicionamento do próprio Lima Barreto frente à sociedade de sua época?

      Ao citar Juliano — imperador que tentou conter o avanço do cristianismo e defender a cultura clássica, sabendo-se em posição vencida —, Lima Barreto assume que sua postura crítica ao "progresso" e ao modelo americano é contra a corrente dominante (inatual), reafirmando seu compromisso ético de resistir mesmo sabendo que a modernidade capitalista acabaria triunfando.

 

 

POESIA: - ME PAULO ALBERTO M. MONTEIRO DE - COM GABARITO

 Poesia: - Me

Gargal(h)o de mim

Lúcido-me tolo.

Olhos de análise, tudo sei

Menos o mim. Desminto-me.

Me mito ou me mato

Em suor e de lírio

Não sei se sei, se sou ou suo.

Cego, só ego sou

Cogito ergo sum.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgd82rdNBJlhSy6gX-R4Q8CVEX7hyphenhyphenUFWE8X2y5mJze402fNn8xMNCZT_iTLWkiBim7AFvcmh5aBhoA4IeH6m_6RvMhyphenhyphenEhIHY8SMQxhb-2IVLoth5uF0eU-EUv9tBbsN8Nxs30l_4D0AGhOEExVU-JZ1E7lTb366zSLyXWKWPqD4fuTJym2N9RMOQFt6fYc/s320/images.jpg


Inciente de mim

Não posso verme.

Imparcial, petulante,

Soslaio-me, infrutífero

E fero, voraz, implacável,

Tombo, incapaz-me 

Delirante luz.

BARROS, Paulo Alberto M. Monteiro de (Artur da Távola). Calentura.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o tema central abordado no poema e como ele se relaciona com o título "-Me"?

      O tema central é a crise de identidade, a busca pelo autoconhecimento e a divisão do "eu". O título "-Me" e o uso constante do pronome oblíquo reflexivo evidenciam essa introspecção e a tentativa do eu lírico de analisar a si próprio como objeto de estudo.

02 – Como a frase filosófica "Cogito ergo sum" (Penso, logo existo), de René Descartes, é ressignificada e ironizada no poema?

      O eu lírico contrapõe o racionalismo de Descartes à sua própria ignorância e cegueira sobre si mesmo ("Olhos de análise, tudo sei / Menos o mim"). O pensamento lógico não o ajuda a se compreender, transformando o "Penso, logo existo" em um estado de dúvida e egocentrismo ("Cego, só ego sou").

03 – Qual o efeito de sentido produzido pelos jogos de palavras e sonoridades nos versos "Me mito ou me mato / Em suor e de lírio" e "Não sei se sei, se sou ou suo"?

      O poema utiliza aliterações, assonâncias e jogos de palavras (como "delírio" desmembrado em "de lírio") para expressar a confusão mental, a angústia existencial e o delírio do eu lírico, cujas certezas se dissolvem em dúvida sobre sua própria existência e sentimentos.

04 – De que forma o eu lírico explora a neologização e a inversão da colocação pronominal para expressar a tentativa de autoanálise?

      O poeta cria estruturas incomuns, como unir pronomes a adjetivos e substantivos (ex: "Lúcido-me tolo", "Incapaz-me"), ou usar o pronome antes de verbos que não admitem próclise na norma padrão ("Gargal(h)o de mim"). Isso reflete a tentativa constante, porém frustrada, de voltar a ação verbal contra si mesmo.

05 – Qual é a contradição vivida pelo eu lírico expressa nos versos finais do poema?

      A contradição está no fato de o eu lírico se ver como alguém "imparcial", "petulante" e analítico, mas ao mesmo tempo "incapaz" e "infrutífero" de enxergar a si mesmo. Ele cai/tomba diante de uma "delirante luz", demonstrando que excesso de análise não traz lucidez, mas sim cegueira e desintegração do "eu".

 



 

TEXTO: BOTE O DEDO AQUI. APAGUE O DESPERDÍCIO. - COM GABARITO

 Texto: Bote o dedo aqui. Apague o desperdício.

 

        A energia elétrica existe para trazer conforto e bem-estar. 

        Mas se não for usada com inteligência, pode trazer uma surpresa nada agradável no final do mês: uma despesa além da conta.

        Isso é sinal de que está havendo desperdício. E, nos tempos atuais, o desperdício está completamente fora de moda.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2Gaj8JsQBU1_KU_wJbv6SIX_E8npnTROxwTTfF-rV6VbCpPA1v27zZk7Oht947sVp09lAKmk5F5zHC48FCo-VThk4anpXPYwo1oVAIOHXpI814CXpVatbR_KLIJtfmS9Q0JIvFKni7C5_LP92l7IorlvhQ1VfzqBl-nic825nZ6k2_nxbSvJ0dos_k7Y/s1600/images.jpg 


        Leia as recomendações que a Eletropaulo está fazendo neste anúncio. Colocando essas medidas em prática, você pode reduzir o seu consumo de eletricidade, sem sacrificar nem um tostão o seu conforto.

1. Apague a luz do ambiente quando sair.

2. Reduza o tempo embaixo do chuveiro elétrico.

3. Não deixe a TV ligada à toa.

4. Evite o abre-e-fecha da geladeira.

5. Junte uma boa quantidade de roupas e passe tudo de uma vez.

6. Leia as instruções de uso dos aparelhos elétricos para operá-los economicamente.

        Poupe eletricidade.

        Use de maneira racional à energia.

        Para informações, chame Ligue-Luz: 239-5500.

 Entendendo o texto:

01 – Qual é o objetivo principal da campanha publicitária da Eletropaulo apresentada no texto?

      Conscientizar os consumidores a usarem a energia elétrica de maneira racional e inteligente, combatendo o desperdício para reduzir o valor da conta de luz sem perder o conforto.

02 – Segundo o texto, qual é a consequência de não utilizar a energia elétrica com inteligência?

      A consequência é ter uma "surpresa nada agradável no final do mês", ou seja, uma despesa além da conta provocada pelo desperdício.

03 – Quais são as três orientações dadas no texto em relação aos aparelhos eletrodomésticos e eletrônicos (TV, geladeira e outros)?

      Não deixar a TV ligada à toa;

      Evitar o abre-e-fecha constante da geladeira;

      Ler as instruções de uso dos aparelhos elétricos para operá-los de forma econômica.

04 – Qual é a recomendação do anúncio para a tarefa de passar roupas de maneira econômica?

      A orientação é juntar uma boa quantidade de roupas para passar tudo de uma única vez, evitando ligar e esquentar o ferro de passar repetidas vezes.

05 – Qual o significado da expressão "o desperdício está completamente fora de moda" no contexto da mensagem?

      Significa que desperdiçar recursos (como a energia) não é mais uma atitude aceitável ou bem-vista pela sociedade atual, devendo ser substituída por hábitos mais conscientes e sustentáveis.

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: CULPA IRRADIADA - FOLHA DE S.PAULO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Culpa irradiada

        Cinco anos depois de uma cápsula com césio–137 radiativo ter sido exposta num ferro velho em Goiânia, matando quatro pessoas e causando lesões físicas em pelo menos 16, os responsáveis pelo incidente foram finalmente condenados pela Justiça.

        Apesar da morosidade excessiva do processo – marca infelizmente tradicional do Judiciário brasileiro –, não deixa de ser digno de nota o fato de que não prevaleceu, desta vez, a impunidade tão corriqueira no país.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZHC1_nnQWrziAGPzyiwvmf7dgf7jSDEeN8LJMkY62WCiKNGr7v88-fWEPnVVlUtJIbCTivLvUUL5Q4Zjwk27skIBV318IeKIUOMQAA6nBGHK3K4V860fhcGY1bahh1n6fLz9TyBsIJa7X8diMZ3O0vL0t19pTc4rKa5stD2L7HsFJ8LV10EsF5dNmKxU/s320/images.jpg


        Os acusados – três sócios do instituto de onde o césio foi retirado e o técnico responsável –, a quem cumpria guardar o produto radiativo, foram condenados por homicídio e lesões corporais culposos.

        Embora ainda caiba recurso, merece destaque desde já a punição cominada pelo juiz. Em lugar de uma contraproducente sentença de prisão – lamentavelmente comum mesmo para condenados que não oferecem risco social –, o magistrado optou pela prestação de serviços, tornando o cumprimento da pena útil, em vez de oneroso, para a comunidade.  

Folha de S. Paulo, 8/8/92.

Entendendo o artigo:

01 – Qual evento histórico e trágico ocorrido em Goiânia serve de pano de fundo para o artigo de opinião?

      O vazamento radioativo ocorrido após uma cápsula com Césio-137 ter sido exposta em um ferro-velho, o que provocou a morte de quatro pessoas e causou lesões físicas em pelo menos outras 16.

02 – Qual crítica o autor faz ao sistema judiciário brasileiro ao abordar o andamento do processo?

      O autor critica a morosidade excessiva do processo, que levou cinco anos para chegar a uma decisão, classificando o atraso como uma "marca infelizmente tradicional do Judiciário brasileiro".

03 – Quem foram as pessoas condenadas pela Justiça no episódio e por quais crimes foram responsabilizadas?

      Foram condenados três sócios do instituto de onde a cápsula foi retirada e o técnico responsável pela guarda do produto. Eles foram responsabilizados pelos crimes de homicídio e lesões corporais culposos (sem intenção de matar/ferir).

04 – Por que o autor elogia o tipo de pena aplicada pelo magistrado aos réus do caso?

      Porque o juiz optou pela prestação de serviços à comunidade em vez do encarceramento. O autor considera a prisão contraproducente para réus que não oferecem risco social, enquanto a prestação de serviços torna o cumprimento da pena útil para a sociedade.

05 – Apesar dos pontos críticos, qual o aspecto positivo do desfecho judicial destacado no texto?

      O fato de que não prevaleceu a impunidade, que costuma ser corriqueira no país, garantindo que os responsáveis pela negligência com o material radioativo fossem devidamente punidos.

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): LEO - CHICO BUARQUE - COM GABARITO

 Música (Atividades): Leo

        Chico Buarque

 

Um pé na soleira e um pé na calçada
Um pião
Um passo na estrada e um pulo no mato
Um pedaço de pau
Um pé de sapato e um pé de moleque.
Léo

Um pé de moleque e um rabo de saia
Um serão
As sombras da praia e o sonho na esteira
Uma alucinação
Uma companheira e um filho no mundo.
Léo

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhmMT6rs8QWp62X8OAT3BQ4k8dtsCT-vKlqLRrIgIler-zsfL-T5b6HQcq_aHEpt8yKgZmMDT_t9dhXZiLFRNYhor3oPuFK__-2j4KSBA_z5N3FEI5Vl1x1Eq2zI0vuhTqerz5k03_TTh5fW9CJ9p99MOyywxbVDPL2pGsUzIJZHU6G0IvxmTCPMmmq-6g/s320/images.jpg


Um filho no mundo e o mundo virado
Um irmão
Um livro, um recado, uma eterna viagem
A mala de mão
A cara, a coragem e um plano de voo.
Léo

Um plano de voo e um segredo na boca
O ideal
Um bicho na toca e o perigo por perto
Uma pedra, um punhal
Um olho desperto e um olho vazado.
Léo

Um olho vazado e um tempo de guerra
Um paiol
Um nome na serra e um nome no muro
A quebrado do sol
Um tiro no escuro e um corpo na lama.
Léo

Um nome na lama e um silêncio profundo
Um pião
Um filho no mundo e uma atiradeira
Um pedaço de pau
Um pé na soleira e um pé na calçada.

 

Composição: Chico Buarque, Milton Nascimento.

Entendendo a música:

01 – Qual recurso de encadeamento entre as estrofes o compositor utiliza para dar continuidade e ritmo à narrativa da vida de Léo?

      O autor utiliza o recurso da anadiplose (ou encadeamento), em que a expressão final da primeira linha de cada estrofe é retomada exatamente no início do primeiro verso da estrofe seguinte (exemplo: "Um filho no mundo..." encerra uma estrofe e inicia a próxima).

 

02 – Como a trajetória do personagem Léo evolui ao longo da canção, desde o início da sua vida até o momento de conflito?

      A narrativa mostra a passagem da infância e juventude (brincadeiras como pião, pé de moleque e vida na praia) para a vida adulta e engajamento político/clandestino (planos de voo, segredos, perigo, tempos de guerra, resistência e confronto).

 

03 – Quais elementos e imagens do texto sugerem que o personagem se envolveu em um contexto de militância, clandestinidade ou ditadura militar?

      O envolvimento em ações de resistência e clandestinidade é sugerido por termos como "um plano de voo", "um segredo na boca", "um bicho na toca", "um paiol", "um tempo de guerra", "um nome na serra e um nome no muro" e "um tiro no escuro".

 

04 – Qual o significado do desfecho trágico indicado nos versos "um tiro no escuro e um corpo na lama / Léo / Um nome na lama e um silêncio profundo"?

      Esses versos simbolizam a morte violenta ou o desaparecimento do personagem decorrente dos conflitos enfrentados, resultando em seu apagamento, na tentativa de difamação da sua memória ("nome na lama") e no esquecimento ou censura impostos ("silêncio profundo").

 

05 – Como a última estrofe constrói uma ideia de ciclo ou renovação ao retomar elementos da infância de Léo?

      A estrofe final retoma objetos e imagens da infância (pião, pedaço de pau, pé na soleira) ao lado da figura de "um filho no mundo e uma atiradeira", sugerindo um movimento circular da vida onde a história, a infância e a própria luta recomeçam através da nova geração (o filho).

 

CRÔNICA: PAÍS RICO - LIMA BARRETO - COM GABARITO

 Crônica: PAÍS RICO

            Lima Barreto 

 

        Meu amigo e colega Juvenal Calheiros é um pai exemplar que cuida com toda a solicitude da educação dos filhos.

        Procura bons colégios, informa-se dos professores, segue as lições dos meninos – isto tudo sem o menor desfalecimento.

        De resto, ele é um patriota, crente na grandeza do Brasil, nas suas riquezas e no seu futuro; põe, portanto, todo o seu esforço em instilar no espírito dos seus pimpolhos essa sua forte e virtuosa crença.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhI-rFbHwqv8MZF3KLJqc9nHUIBKIQvpUvdzUmyXI2Vi2IzrI1mX4gt3K5L881HEh6nEQtMwnsnIXQIqMI8EfNVS612I0zR-kKRMpVLTSEoKJ1nMbpf7cQY07bD1zRzwazzsO6swJbUar4zeMtx-4mJZQ5vdpmglmlz8zAiToUhzvJVcsM_aPClgtG1sA4/s320/images.jpg


        Damo-nos muito, desde o colégio primário, e frequento-lhe a casa, vivo na intimidade de sua família, o que me dá grande gosto, pois, não tendo propriamente família, aprecio muito a família dos outros.

        Não sendo rico, tem Juvenal alguma coisa e vive com certa abastança, em uma boa casa lá das bandas de Vila Isabel.

        Domingo, não tendo onde ir, nem mesmo às festanças da Quinta da Boa Vista, cujos recantos, cuja placidez, cuja majestade de parque principesco me encantam muito, quis ver o meu amigo.

        É preciso que eu lhes diga que não fui à quinta, porque não vou a lugares públicos quando se paga. Julgo que, po­dendo eu ir sem pagar a certo lugar, não vou gastar dinheiro para lá ir. Nesse ponto, não sou como o resto do Rio de Janeiro.

        Continuo a narração. Tomei o bonde conveniente e parti para a casa do meu amigo, apreciando o domingo, cheio de rapazes endomingados, de damas de laçarotes, de automóveis pejados de gente, de jogadores de football, de amadores de corridas, – gente feliz por ter um dia em que não faz nada.

        Cheguei em boa hora à casa do meu amigo que conversava na chácara com a família. Ainda liam, ele e os fi­lhos, os jornais.

        Não quis interromper-lhes a leitura e acertei um jornal para, relendo-o, não impedir a leitura deles.

        A dona da casa estava no interior tratando de negócios caseiros.

        Num dado momento, um dos filhos do meu amigo, descansando os jornais, perguntou ao pai:

        – Papai, o Brasil não é um país muito rico?

        – É.

        – Tem ferro?

        – Tem.

        – Tem cobre?

        – Tem.

        – Tem zinco?

        – Tem. Porque tu perguntas isso?

        – É que vejo os jornais muito indignados porque querem exportar ferro velho, cobre, etc. Se nós temos ferro, cobre na terra, porque tal zanga?

        A dona da casa veio convidar-nos para o almoço.

Careta, Rio, 31-7-1915.

Entendendo a crônica:

01 – Como o narrador caracteriza seu amigo Juvenal Calheiros quanto à sua conduta como pai e em relação ao seu sentimento pelo Brasil?

      Juvenal é descrito como um pai exemplar e solícito, que acompanha de perto a educação dos filhos. Além disso, é um patriota convicto que acredita na grandeza, nas riquezas e no futuro do Brasil, buscando incutir essa mesma crença na mente dos filhos.

 

02 – Qual peculiaridade a respeito de si mesmo o narrador revela ao explicar por que decidiu visitar o amigo no domingo em vez de ir à Quinta da Boa Vista?

      O narrador afirma que não costuma frequentar lugares públicos onde se exige pagamento. Ele declara que, tendo a opção de ir a locais gratuitos, recusa-se a gastar dinheiro com passeios pagos, diferenciando-se, segundo ele, do "resto do Rio de Janeiro".

 

03 – Que aspecto da atmosfera urbana carioca em um dia de domingo é descrito pelo narrador durante o seu trajeto de bonde até Vila Isabel?

      O narrador descreve um ambiente de lazer e descontração, composto por rapazes trajando roupas de domingo, senhoras com laçarotes, automóveis cheios de passageiros, jogadores de futebol e torcedores de corridas — um público feliz por desfrutar de um dia livre de trabalho.

 

04 – Qual a dúvida trazida pelo filho de Juvenal que gera o diálogo final da crônica e qual a contradição perceptível nessa indagação?

      O filho questiona por que os jornais demonstram tanta indignação com a exportação de sucatas (ferro velho, cobre), sendo que o Brasil é um país rico em minérios em seu solo. A contradição está no contraste entre o discurso da abundância de riquezas naturais e a reação exagerada diante do comércio de ferro velho.

 

05 – De que maneira Lima Barreto utiliza a fala da criança e o desfecho da crônica para construir a ironia do texto?

      A inocência do menino expõe a fragilidade da retórica patriótica de que o Brasil é um "país rico": se o país é tão próspero, não faz sentido a indignação da imprensa pelo ferro velho. A interrupção abrupta da conversa para o almoço deixa a contradição sem resposta, usando o olhar infantil para ironizar o civismo ufanista da época.