terça-feira, 20 de outubro de 2026

CRÔNICA: A UM JOVEM - FRAGMENTO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Crônica: A um jovem – Fragmento

            Carlos Drummond de Andrade

        [...]

        Recolha, pois, estes apontamentos, Alípio, e saiba que eu o estimo:

I – Só escreva quando de todo não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar.

II – Ao escrever, não pense que vai arrombar as portas do mistério do mundo. Não arrombará nada. Os melhores escritores conseguem apenas reforçá-lo, e não exija de si tamanha proeza.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgUk8bMHbfi7eaRFcZUeruwUppI2Il7re8gho1zqJLt_JQDFEta4FUYUqN43ytGn0V-st0sCIefH9Pj_4WLzmfw33PfJ4BK8Mos28P1Ey51BOJ-W0w_NDcrD9_751fH3l0HjEkx8-FlFLE12cOOub6t9uUaoEEMBrVneZXtQboxRgl7W9rATd8qlo8X__g/s1600/images.jpg


III – Se ficar indeciso entre dois adjetivos, jogue fora ambos, e use o substantivo.

IV – Não acredite em originalidade, é claro. Mas não vá acreditar tampouco na banalidade, que é a originalidade de todo mundo.

[...]

VII – Não fique baboso se lhe disserem que seu novo livro é melhor do que o anterior. Quer dizer que o anterior não era bom.

[...]

IX – Não responda a ataques de quem não tem categoria literária: seria pregar rabo em nambu. E se o atacante tiver categoria, não ataca, pois tem mais que fazer.

[...]

Habilidade EF06LP04.

ANDRADE, Carlos Drummond de. A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 1998. p. 96.

Fonte: Mapas de Progresso. Língua Portuguesa: 6º ano. Ensino Fundamental. Anos Finais. 3º bimestre. SEDUC. Rio de Janeiro, 2026. p. 6.

Entendendo a crônica:

01 – Qual é o conselho de Drummond em relação ao momento e à necessidade de se escrever um texto?

      O autor aconselha o jovem escritor a só escrever quando for absolutamente impossível deixar de fazê-lo. Além disso, pondera de forma irônica que "sempre se pode deixar", sugerindo cautela, disciplina e contenção diante do ato da escrita.

02 – Como o autor aborda a pretensão que muitos escritores têm de desvendar os grandes mistérios do mundo por meio de seus textos?

      Drummond afirma categoricamente que o escritor não "arrombará" os mistérios do mundo. Ele ressalta que nem mesmo os melhores escritores conseguem essa façanha, pois a função deles é, no máximo, reforçar esses mistérios.

03 – De acordo com o texto, qual deve ser a escolha do escritor ao se deparar com a dúvida entre dois adjetivos? O que esse conselho revela sobre o estilo de escrita defendido?

      Caso o escritor fique em dúvida entre dois adjetivos, a instrução é descartar ambos e utilizar apenas o substantivo. Isso demonstra uma preferência por um estilo de escrita mais direto, enxuto, preciso e sem excessos decorativos.

04 – De que maneira Drummond orienta o jovem a lidar com os conceitos de originalidade e banalidade?

      O autor recomenda não acreditar na originalidade absoluta, mas também alerta para que não se caia na banalidade, definindo-a com ironia como "a originalidade de todo mundo".

05 – O que Drummond aconselha a respeito das críticas e ataques literários recebidos pelo jovem autor?

      Ele orienta a não responder a ataques de pessoas sem categoria literária, pois isso seria perda de tempo ("pregar rabo em nambu"). Por outro lado, afirma que se o crítico tiver verdadeira categoria literária, nem chegará a atacar, pois terá coisas mais importantes para fazer.

 

 

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