Crônica: A um jovem – Fragmento
Carlos Drummond de Andrade
[...]
Recolha, pois, estes apontamentos,
Alípio, e saiba que eu o estimo:
I – Só escreva quando de todo
não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar.
II – Ao escrever, não pense
que vai arrombar as portas do mistério do mundo. Não arrombará nada. Os
melhores escritores conseguem apenas reforçá-lo, e não exija de si tamanha
proeza.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgUk8bMHbfi7eaRFcZUeruwUppI2Il7re8gho1zqJLt_JQDFEta4FUYUqN43ytGn0V-st0sCIefH9Pj_4WLzmfw33PfJ4BK8Mos28P1Ey51BOJ-W0w_NDcrD9_751fH3l0HjEkx8-FlFLE12cOOub6t9uUaoEEMBrVneZXtQboxRgl7W9rATd8qlo8X__g/s1600/images.jpgIII – Se ficar indeciso entre
dois adjetivos, jogue fora ambos, e use o substantivo.
IV – Não acredite em
originalidade, é claro. Mas não vá acreditar tampouco na banalidade, que é a
originalidade de todo mundo.
[...]
VII – Não fique baboso se lhe
disserem que seu novo livro é melhor do que o anterior. Quer dizer que o
anterior não era bom.
[...]
IX – Não responda a ataques de
quem não tem categoria literária: seria pregar rabo em nambu. E se o atacante
tiver categoria, não ataca, pois tem mais que fazer.
[...]
Habilidade EF06LP04.
ANDRADE, Carlos
Drummond de. A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 1998. p. 96.
Fonte: Mapas de
Progresso. Língua Portuguesa: 6º ano. Ensino Fundamental. Anos Finais. 3º
bimestre. SEDUC. Rio de Janeiro, 2026. p. 6.
Entendendo a crônica:
01
– Qual é o conselho de Drummond em relação ao momento e à necessidade de se
escrever um texto?
O autor aconselha
o jovem escritor a só escrever quando for absolutamente impossível deixar de
fazê-lo. Além disso, pondera de forma irônica que "sempre se pode
deixar", sugerindo cautela, disciplina e contenção diante do ato da
escrita.
02
– Como o autor aborda a pretensão que muitos escritores têm de desvendar os
grandes mistérios do mundo por meio de seus textos?
Drummond afirma
categoricamente que o escritor não "arrombará" os mistérios do mundo.
Ele ressalta que nem mesmo os melhores escritores conseguem essa façanha, pois
a função deles é, no máximo, reforçar esses mistérios.
03
– De acordo com o texto, qual deve ser a escolha do escritor ao se deparar com
a dúvida entre dois adjetivos? O que esse conselho revela sobre o estilo de
escrita defendido?
Caso o escritor
fique em dúvida entre dois adjetivos, a instrução é descartar ambos e utilizar
apenas o substantivo. Isso demonstra uma preferência por um estilo de escrita
mais direto, enxuto, preciso e sem excessos decorativos.
04
– De que maneira Drummond orienta o jovem a lidar com os conceitos de
originalidade e banalidade?
O autor recomenda
não acreditar na originalidade absoluta, mas também alerta para que não se caia
na banalidade, definindo-a com ironia como "a originalidade de todo
mundo".
05
– O que Drummond aconselha a respeito das críticas e ataques literários
recebidos pelo jovem autor?
Ele orienta a não
responder a ataques de pessoas sem categoria literária, pois isso seria perda
de tempo ("pregar rabo em nambu"). Por outro lado, afirma que se o
crítico tiver verdadeira categoria literária, nem chegará a atacar, pois terá
coisas mais importantes para fazer.
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