domingo, 11 de outubro de 2026

FÁBULA: DO ASNO DE BURIDAN - FRAGMENTO - JEAN BURIDAN - COM GABARITO

 Fábula: Do Asno de Buridan – Fragmento

          Jean Buridan

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        Um asno, vítima da fome e da sede, depois de longa caminhada, encontrou um campo de viçoso feno ao lado do qual corria um regato de límpidas águas. Consumido pela fome e pela sede, começou a hesitar, não sabendo se antes comia o feno e depois bebia da água ou se antes saciava a sede e depois aplacava a fome. Assim, perdido na indecisão, morreu de fome e de sede.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzdHT5TrKLfuzfuchaZpIyqqhzmCf3TyN5oLsNUhWYGyWjVI5jQxGI5OcEi23jKcdTqoRVU7djN2A8LSfyt2JHzsrQbemQS_ehs4gl2vg5tL0yx1GhxoNA1CCYqa3D0WH3rQlIwB5jdwMQ-lfJERChmLqMyho8IG-mGCCFaQjIEnqj9z2abBYXps9MetQ/s320/images.jpg


        [...]

        Moral: De muito pensar morreu um burro!

Fábula de Buridan, filósofo da Idade Média.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 97.

Entendendo a fábula:

01 – Qual é o dilema central enfrentado pelo asno na narrativa e qual foi o motivo de sua incapacidade de tomar uma decisão?

      O dilema central do asno é decidir por qual necessidade básica começar: se deve primeiro comer o feno viçoso para apaziguar a fome ou beber a água límpida para saciar a sede. Ele foi incapaz de decidir porque ambos os estímulos (fome e sede) e as recompensas (comida e água) tinham exatamente o mesmo peso e atratividade, gerando um estado de paralisia deliberativa devido ao equilíbrio perfeito entre as duas escolhas.

02 – O desfecho do texto apresenta um resultado trágico para o personagem. De que maneira a conclusão da história ilustra as consequências da indecisão extrema?

      A conclusão — em que o asno morre de fome e de sede ao lado da comida e da água — ilustra que a hesitação excessiva e a busca por uma escolha ideal podem levar à inação absoluta. A história mostra de forma alegórica que a incapacidade crônica de decidir pode ser mais prejudicial do que fazer uma escolha imperfeita ou arbitrária.

03 – Sob uma perspectiva filosófica e racional, qual é a crítica que essa parábola faz ao conceito de livre-arbítrio e à tomada de decisão puramente lógica?

      A parábola critica a ideia de que a razão humana (ou a tomada de decisão) funciona de forma puramente mecanicista. Se a mente dependesse apenas de uma razão matemática onde duas opções são rigorosamente iguais em valor, ela ficaria infinitamente bloqueada (sem motivo para escolher 'A' em vez de 'B'). O texto demonstra que o livre-arbítrio exige a capacidade de agir mesmo quando não há uma vantagem racional evidente entre as alternativas.

04 – Qual é a ironia presente na situação vivida pelo asno em relação ao ambiente em que ele se encontrava?

      A ironia reside no fato de que o asno morreu de privação (fome e sede) em um ambiente de extrema abundância, cercado por tudo aquilo de que precisava para sobreviver (feno viçoso e água limpa). O obstáculo para a sua sobrevivência não foi a escassez de recursos materiais, mas sim uma limitação mental de sua própria capacidade de escolha.

05 – Como a fábula do "Asno de Buridan" pode ser aplicada a situações do cotidiano da vida moderna?

      A fábula pode ser aplicada a situações em que o excesso de opções equivalentes gera paralisia por análise (o chamado overthinking). Na vida moderna, ocorre frequentemente quando uma pessoa consome tempo e energia preciosos tentando decidir entre duas oportunidades de carreira, produtos de consumo semelhantes ou caminhos de vida igualmente vantajosos, acabando por perder ambas as oportunidades devido à demora em agir.

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