Relato de memória: Tempo de Infância – Fragmento
Quando
se é criança, o mundo é apenas um grande parque de diversões. E são essas as
primeiras lembranças que trago em mim.
Lembro
que, ainda bem pequeno, gostava de sair correndo atrás de meus irmãos e primos
maiores. Era uma corrida sem finalidade. Corria-se por correr ou, apenas, para
repetir os gestos dos calangos que dividiam com a gente o espaço da aldeia. Meus
irmãos e eu andávamos sem paradeiro e sem destino. Íamos a todos os cantos que
nos eram permitidos pelos adultos. O igarapé era nosso principal objetivo, mas
também tínhamos as árvores, enormes mangueiras que cresciam por toda a aldeia.
As maiores subiam com destreza e depois me ajudavam a subir também.
Passávamos
horas ali, brincando de navegar nos galhos da velha árvore, comendo mangas com
farinha de mandioca
(...).
Daniel Munduruku.
Entendendo o relato:
01 – Que pistas nos dá o texto de que a criança
era indígena?
O texto apresenta pistas culturais e geográficas típicas do contexto
indígena, especificamente a menção aos calangos (lagartos comuns na região), a
convivência em uma aldeia, a referência ao igarapé (curso d'água amazônico) e o
consumo de mangas com farinha de mandioca, um hábito alimentar tradicional da
região Norte.
O principal objetivo das crianças na brincadeira era o igarapé, embora
elas também aproveitassem as enormes mangueiras para brincar, correr sem
destino e imitar os gestos dos calangos.
a) Quais são as memórias apresentadas?
As memórias apresentadas referem-se à infância do autor na aldeia,
destacando a liberdade para correr sem destino com os irmãos e primos maiores,
as brincadeiras de navegar nos galhos das mangueiras e o hábito de comer mangas
com farinha de mandioca.
O trecho que exemplifica essa narrativa de memória é: "Lembro que,
ainda bem pequeno, gostava de sair correndo atrás de meus irmãos e primos
maiores." (ou qualquer outro parágrafo que inicie com o resgate de
lembranças do passado, como "Passávamos horas ali, brincando...").
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