PARÁBOLA: A BONECA E A ROSA BRANCA
Apressada, entrei em um shopping center para comprar alguns presentes de última hora para o Natal. Olhei para toda aquela gente ao meu redor e me incomodei um pouco. "Ficarei aqui uma eternidade; com tantas coisas para fazer", pensei. O Natal já havia se transformado quase em uma doença. Estava pensando em dormir enquanto durasse o Natal. Mas me apressei o máximo que pude por entre as pessoas que estavam no shopping. Entrei numa loja de brinquedos. Mais uma vez me surpreendi reclamando para mim mesma sobre os preços. Perguntei-me se os meus netos realmente brincariam com aquilo. Parti para a seção de bonecas.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjbENAQOEC3X7fPcUPonSaR1S935BBVdbnHZI9h2EGm0vOtgXGeV-baEmD0AxrJfv6xUCH6v4smIZJWkX7TXEh4GT-Icul_iXynca4q9oQqn7WyUqCKod5KRqDoC8JJYm0f93ZEyjKZ6qVKTRpq3Nr7lJLjc-E1p3CMwxh8Xz41N1TQcJzVBG84v2CRKDY/s320/BONECA.jpgEm
uma esquina encontrei um menino de aproximadamente 5 anos segurando uma boneca
bem cara. Estava tocando seus cabelos e a segurava com muito carinho. Não pude
me conter; fiquei olhando para ele fixamente e perguntava-me para quem seria a
boneca que ele segurava com tanto apreço, quando dele se aproximou uma mulher
que ele chamou de tia. O menino lhe perguntou: "Sabe que não tenho
dinheiro suficiente?". E a mulher lhe falou com um tom impaciente:
"Você sabe que não tem dinheiro suficiente para comprá-la". A mulher
disse ao menino que permanecesse onde estava enquanto ela buscava outras coisas
que lhe faltavam. O menino continuou segurando a boneca. Depois de um tempo, me
aproximei e perguntei-lhe para quem era a boneca. Ele respondeu: "Esta é a
boneca que minha irmãzinha tanto queria ganhar no Natal". Ela estava certa
de que Papai Noel iria trazê-la". Então eu disse ao o menino que o Papai
Noel a traria. Mas ele me disse: "Não, Papai Noel não pode ir aonde minha
irmãzinha está. Eu tenho que entregá-la à minha mãe para que ela leve até a
minha irmãzinha". Então eu lhe perguntei onde estava a sua irmã. O menino,
com uma feição triste, falou: "Ela se foi com Jesus. Meu pai me disse que
a mamãe irá encontrar-se com ela". Meu coração quase parou de bater.
Voltei a olhar para o menino. Ele continuou: "Pedi ao papai para falar
para a mamãe para que ela não se vá ainda. Para pedir-lhe para esperar até que
eu volte do shopping". O menino me perguntou se eu gostaria de ver a sua
foto e respondi-lhe que adoraria. Então, ele tirou do seu bolso algumas
fotografias que tinham sido tiradas em frente ao shopping e me disse: "Vou
pedir para o papai levar estas fotos para que a minha mãe nunca se esqueça de
mim. Gosto muito da minha mãe, não queria que ela partisse. Mas o papai disse
que ela tem que ir encontrar a minha irmãzinha". Me dei conta de que o
menino havia baixado a cabeça e ficado muito calado. Enquanto ele não olhava,
coloquei a mão na minha carteira e retirei algumas notas. Pedi ao menino para
que contasse o dinheiro novamente. Ele se entusiasmou muito e comentou: "Eu
sei que é suficiente". E começou a contar o dinheiro outra vez. O dinheiro
agora era suficiente para pagar a boneca. O menino, em uma voz suave, comentou:
"Graças a Jesus por dar-me dinheiro suficiente". Ele falou ainda:
"Eu acabei de pedir a Jesus que me desse dinheiro suficiente para que eu
comprar esta boneca para a mamãe levar até a minha irmãzinha. E Ele ouviu a
minha oração. Eu queria pedir-Lhe dinheiro suficiente para comprar uma rosa
branca para a minha mãe também, mas não o fiz. Mas Ele acaba de me dar o
bastante para a boneca da minha irmãzinha e para a rosa da minha mãe. Ela gosta
muito de rosas brancas...". Em alguns minutos a sua tia voltou e eu,
desapercebidamente, fui embora. Enquanto terminava as minhas compras, com um
espírito muito diferente de quando havia começado, não conseguia deixar de pensar
naquele menino. Segui pensando em uma história que havia lido dias antes num
jornal, a respeito de um acidente, causado por um condutor alcoolizado, no qual
uma menininha falecera e sua mãe ficara em estado grave. A família estava
discutindo se deveria ou não manter a mulher com vida artificial. Logo me dei
conta de que aquele menino pertencia a essa família. Dois dias mais tarde li no
jornal que a mulher do acidente havia sido removida das máquinas que a
mantinham viva e morrido. Não conseguia tirar o menino da minha mente. Mais
tarde, comprei um buquê de rosas brancas e as levei ao funeral onde estava o
corpo da mulher. E ali estava; a mulher do jornal, com uma rosa branca em uma
de suas mãos, uma linda boneca na outra, e a foto de seu filho no shopping. Eu
chorava e chorava... Minha vida havia mudado para sempre. O amor daquele menino
pela sua mãe e irmã era enorme. Em um segundo, um condutor alcoolizado havia
destroçado a vida daquela criança.
"OS AMIGOS SÃO ANJOS QUE AJUDAM A COLOCAR-NOS DE PÉ NOVAMENTE QUANDO
NOSSAS ASAS
SE ESQUECEM COMO VOAR"
Entendendo o texto
01. Qual era o
sentimento inicial da narradora ao entrar no shopping center?
a) ela estava radiante com o espírito natalino e a
decoração das lojas.
b) ela sentia-se apressada, incomodada
com a multidão e reclamava dos preços.
c) ela estava emocionada por comprar o primeiro
presente de seus netos.
d) ela sentia-se generosa e buscava alguém para
ajudar financeiramente.
02. Por que o menino
dizia que o Papai Noel não poderia entregar a boneca para sua irmã?
a) porque a irmã era muito malcriada e não merecia
ganhar presentes.
b) porque o Papai Noel não tinha dinheiro
suficiente para comprar aquela boneca cara.
c) porque a irmãzinha havia morrido
("se foi com Jesus") e o Papai Noel não poderia ir até lá.
d) porque a tia do menino o proibiu de acreditar em
figuras lendárias como o Papai Noel.
03. Qual era o plano do
menino para que a boneca e as fotos chegassem até a sua irmã?
a) ele daria a boneca e as fotos para sua mãe, que também estava para partir para encontrar a irmã.
b) ele pretendia enviá-las pelo correio para um
endereço especial no céu.
c) ele entregaria os objetos para a tia levar no
dia do enterro da irmã.
d) ele planejava enterrar os presentes no quintal
de sua casa para que a irmã os encontrasse.
04. Como o menino
conseguiu o dinheiro que faltava para comprar a boneca e a rosa branca?
a) a tia dele se arrependeu e deu o dinheiro
necessário antes de ir embora.
b) a narradora colocou notas na carteira
do menino sem que ele percebesse enquanto ele não olhava.
c) ele encontrou uma nota de alto valor perdida no
chão da seção de brinquedos.
d) o gerente da loja de brinquedos decidiu dar um
desconto especial ao ver a tristeza do menino.
05. O que aconteceu na
vida do menino que foi relatado no jornal lido pela narradora?
a) um incêndio na casa da família que destruiu
todos os brinquedos de Natal.
b) a vitória do menino em um concurso de fotografia
realizado no shopping center.
c) o desaparecimento da mãe do menino após uma
discussão familiar no Natal.
d) um acidente causado por um condutor
alcoolizado que matou a irmã e deixou a mãe em estado grave.
06. O que a narradora
encontrou ao visitar o funeral da mãe do menino?
a) a tia do menino chorando e pedindo perdão por
ter sido impaciente na loja.
b) o menino segurando um novo buquê de rosas
brancas e sorrindo para as fotos.
c) o corpo da mulher com uma rosa branca,
a boneca e a foto do filho no shopping.
d) apenas um caixão vazio, pois a família decidira
não fazer um funeral aberto.
07. Qual foi a principal mudança causada na
narradora após esse encontro?
a) ela decidiu que nunca mais voltaria a frequentar
shopping centers no Natal.
b) ela passou a odiar o Natal ainda mais devido à
tragédia daquela família.
c) sua vida mudou para sempre ao
presenciar o enorme amor e a fé daquela criança.
d) ela resolveu tornar-se uma escritora de notícias
policiais para o jornal local.
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