ENSAIO HUMANÍSTICO: O DIREITO À LITERATURA
Antônio Candido
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh2jM5NM_c5sACfOIZw9h_GB4xD7M8FQQyLKnslbUyozRo5wbSmI2raEqy8IB0wjv0dvgQLWL9QwLg9OFqiG8odkWQS7mVjqHQxv5IC-XeERLMP2g7fyiNFjgoobVYez9eVWX6gJ6pQDVNecCRmc17Jr2TZGQ4ukFtAaGfQokNBFhAbyKkXBT6uTc0FgUY/s1600/LITERATURA.jpg
Vista deste modo a literatura aparece claramente como manifestação universal de
todos os homens em todos os tempos. Não há povo e não há homem que possa viver
sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de
fabulação. Assim como todos sonham todas as noites, ninguém é capaz de passar
as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo
fabulado. O sonho assegura durante o sono a presença indispensável deste
universo, independentemente da nossa vontade. E durante a vigília a criação
ficcional está presente em cada um de nós, como anedota, história em
quadrinhos, noticiário policial, canção popular. Ela se manifesta desde o
devaneio no ônibus até a atenção fixada na novela de televisão ou na leitura
seguida de um romance.
Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da
ficção e da poesia, a literatura concebida no sentido amplo a que me referi
parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e
cuja satisfação constitui um direito.
Podemos dizer que a literatura é o sonho acordado das civilizações.
Portanto, assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho
durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura. Deste modo,
ela é fator indispensável de humanização e, sendo assim, confirma o homem
na sua humanidade, inclusive porque atua em grande parte no subconsciente e no
inconsciente.
Cada sociedade cria as suas manifestações ficcionais, poéticas e dramáticas de
acordo com os seus impulsos, as suas crenças, os seus sentimentos, as suas
normas, a fim de fortalecer em cada um a presença e atuação deles. Por isso é
que nas nossas sociedades a literatura tem sido um instrumento poderoso de
instrução e educação, entrando nos currículos, sendo proposta a cada um como
equipamento intelectual e afetivo.
Adaptado de Vários
escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1995.
ENTENDENDO O TEXTO
01. Qual é a definição de
"literatura" adotada pelo autor no início do texto?
a. Apenas as obras escritas
clássicas e difíceis das grandes civilizações.
b. Todas as criações de
toque poético, ficcional ou dramático, desde o folclore até o romance complexo.
c. Somente as notícias de jornal
e os fatos reais do cotidiano.
d. Apenas os livros que são
ensinados obrigatoriamente nas escolas.
02. Antônio Candido compara a
literatura ao ato de "sonhar". Qual é o objetivo dessa comparação?
a. Dizer que a literatura serve
para fazer as pessoas dormirem mais rápido.
b. Mostrar que, assim
como o sonho é uma necessidade biológica para o equilíbrio psíquico, a ficção é
uma necessidade universal para o equilíbrio social.
c. Afirmar que a literatura não
tem valor real, sendo apenas uma fantasia sem importância.
d. Provar que as pessoas que leem
muito sofrem de insônia.
03. O autor afirma que a literatura
é um "fator indispensável de humanização". Segundo o texto, por que
ela exerce esse papel?
a. Porque ela ensina as pessoas a
lerem mais rápido e a escreverem sem erros.
b. Porque ela confirma
o homem na sua humanidade, atuando inclusive no seu subconsciente e nas suas
crenças e sentimentos. c.
Porque ela obriga as pessoas a serem boazinhas umas com as outras o tempo todo.
d. Porque ela é o único
instrumento que permite ao homem ganhar dinheiro e status social.
04. Na frase "a literatura é
o sonho acordado das civilizações", o que o autor sugere sobre a função
social da arte ficcional?
a. Que a sociedade vive em um
estado de sono profundo e não percebe a realidade.
b. Que a literatura
permite que a sociedade processe seus impulsos, crenças e normas de forma
criativa, mantendo seu equilíbrio.
c. Que as civilizações antigas
eram melhores porque sonhavam mais que as modernas.
d. Que o direito à literatura
deveria ser exercido apenas durante a noite.
05. Por que a literatura é
incluída nos currículos escolares e proposta como "equipamento intelectual
e afetivo"?
a. Para punir os alunos que não
gostam de ler histórias em quadrinhos.
b. Porque ela é um
instrumento poderoso de instrução e educação, ajudando a fortalecer os
sentimentos e normas de uma sociedade. c. Porque o governo precisa vender mais livros
para as bibliotecas públicas.
d. Porque ler romances é a única
forma de aprender sobre a história das guerras.
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