Notícia: Área de São Paulo e US$ 25 milhões por ano salvariam anfíbios da mata atlântica
Proteger quase toda a diversidade de
anfíbios (sapos, rãs, pererecas e cobras-cegas) da mata atlântica brasileira
exigiria uma área um pouco maior que a do município de São Paulo e um
investimento anual relativamente modesto, em torno de US$ 25 milhões.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0E5JTxGZKpe-iYHUDw-WSV4n82StmycnzJm9DTl6JVuibHqrEC6C69wXucjj53kcLsZZv4xpkQdgBKWZDuBN8aoCTLRfrKLlfjiRlbWvFmdFJLpsgLfWLaVYLWqWoKULc_96fzvF2U39qNK_ZexXuLF0xrfraxOtcYUL2z01y0d-JJPDTiGeRDoMWBGI/s320/17172121.jpeg A conta, feita por pesquisadores
brasileiros e espanhóis, é a primeira a colocar na ponta do lápis tanto os
aspectos biológicos únicos dos bichos quantos os fatores necessários para que a
conservação deles funcione do ponto de vista econômico.
“Se a gente ficasse só na questão
biológica, o trabalho não seria tão inovador”, explica Felipe Siqueira Campos,
goiano que faz doutorado no Departamento de Biologia Evolutiva da Universidade
de Barcelona. “A sacada da pesquisa é levar em consideração os aspectos de
custo-benefício também.”
Campos e seus colegas do Brasil e da
Espanha acabam de publicar a análise na revista especializada “Science Advances”.
Os resultados obtidos pelo grupo de cientistas indicam que a área-chave para
evitar o sumiço em massa dos anfíbios da mata atlântica abrange basicamente a
serra do Mar de São Paulo e do Rio de Janeiro, bem como áreas do Espírito Santo
e do sul da Bahia correspondentes ao chamado Corredor Central do bioma.
PRESTADORES DE SERVIÇOS
Pensar nos benefícios econômicos da
preservação de sapos e companhia pode parecer estranho, mas o fato é que tais
bichos são relevantes prestadores de serviços ambientais -sua presença e
diversidade ajudam a manter funcionando aspectos do ambiente que são vitais
também para os seres humanos.
Além do estereótipo do sapo comedor de
moscas -ou seja, um bicho que ajuda no controle da população de insetos,
inclusive os nocivos para a população-, os anfíbios ajudam a reciclar os
nutrientes do solo, tornando-o mais fértil, e a eliminar detritos dos rios e
outros corpos d’água, o que contribui para que a água se torne potável.
Essas e outras funções de espécies
nativas motivaram a ideia de pagamento por serviços ambientais. Segundo essa
lógica, produtores rurais que mantêm em bom estado as reservas de floresta em
suas propriedades poderiam ser compensados financeiramente para que elas
continuem assim, sem virar plantação ou pasto.
A ideia é um dos pilares da conta feita
por Campos e seus colegas. Levando em consideração os valores que já são gastos
em iniciativas-piloto de pagamento por serviços ambientais Brasil afora, eles
estimaram uma remuneração anual de US$ 13 mil por quilômetro quadrado de área
preservada.
O valor é cerca de um quarto do valor
médio que um fazendeiro dessas regiões poderia obter com atividades agrícolas
tradicionais. “Não estamos falando em restauração florestal nessas áreas, o que
seria bem mais caro. A ideia é apenas manter o que já existe”, explica o
pesquisador brasileiro.
Além de considerar esse custo, a
análise leva em conta ainda o número de espécies de anfíbios identificadas na
mata atlântica (mais de 500, correspondendo a cerca de metade de todos os tipos
de anfíbios encontrados no país), os diferentes grupos nos quais os bichos
foram se dividindo ao longo de sua evolução e seus aspectos funcionais (coisas
como o tamanho, o tipo de habitat, o sistema de reprodução etc.).
Ao cruzar todos esses dados com
informações sobre o custo da terra e do pagamento dos serviços ambientais, foi
possível estabelecer quais locais “cobririam” de forma mais ampla a diversidade
de anfíbios da mata atlântica e ajudariam a protegê-los.
Estima-se que um terço dos anfíbios do
planeta estejam ameaçados de extinção. Além da perda de habitat trazida pelo
desmatamento, infecções por fungos e alterações climáticas estão entre os
principais fatores que colocam esses animais em risco.
Fonte: LOPES, R. J. Folha de São Paulo, 21 jun.2017. disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/06/1894719-area-de-sao-paulo-e-us-25-por-ano-salvariam-anfibios-da-mata-atlantica.shtml. Acesso em: 22 abr. 2019.
Entendendo a notícia:
01
– Qual é a área de preservação e o investimento financeiro anual estimados
necessários para proteger quase toda a diversidade de anfíbios da Mata
Atlântica?
A área necessária
é um pouco maior que a do município de São Paulo, e o investimento anual seria
de aproximadamente US$ 25 milhões.
02
– Quem realizou a pesquisa e em qual revista científica especializada os
resultados foram publicados?
A pesquisa foi
realizada por pesquisadores brasileiros e espanhóis, e publicada na revista
"Science Advances".
03
– De acordo com Felipe Siqueira Campos, o que torna o trabalho inovador, indo
além da simples questão biológica?
A inovação da
pesquisa é o fato de ela levar em consideração os aspectos de custo-benefício
(econômicos) da conservação.
04
– Cite as quatro regiões/estados brasileiros que formam a área-chave para
evitar o sumiço dos anfíbios, segundo o estudo.
A área-chave
abrange a serra do Mar de São Paulo e do Rio de Janeiro, bem como áreas do
Espírito Santo e do sul da Bahia (Corredor Central do bioma).
05
– Além de controlar a população de insetos (como o "sapo comedor de
moscas"), cite dois outros "serviços ambientais" cruciais que os
anfíbios prestam.
Os anfíbios
ajudam a reciclar os nutrientes do solo (tornando-o mais fértil) e a eliminar
detritos dos rios e outros corpos d'água (contribuindo para a potabilidade da
água).
06
– Qual é a ideia ou lógica que motiva o pagamento por serviços ambientais
(PSA), fundamental para a conta feita pelos pesquisadores?
A lógica é que
produtores rurais que mantêm reservas de floresta em bom estado em suas
propriedades devem ser compensados financeiramente para continuar a
preservação, em vez de converter a área em plantação ou pasto.
07
– Além da perda de habitat causada pelo desmatamento, quais são os outros dois
principais fatores de risco que colocam um terço dos anfíbios do planeta em
ameaça de extinção?
Os outros fatores
são infecções por fungos e alterações climáticas.
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