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domingo, 30 de novembro de 2025

NOTÍCIA: ÁREA DE SÃO PAULO E US$ 25 MILHÕES POR ANO SALVARIAM ANFÍBIOS DA MATA ATLÂNTICA - LOPES, R. J. - COM GABARITO

 Notícia: Área de São Paulo e US$ 25 milhões por ano salvariam anfíbios da mata atlântica

        Proteger quase toda a diversidade de anfíbios (sapos, rãs, pererecas e cobras-cegas) da mata atlântica brasileira exigiria uma área um pouco maior que a do município de São Paulo e um investimento anual relativamente modesto, em torno de US$ 25 milhões.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0E5JTxGZKpe-iYHUDw-WSV4n82StmycnzJm9DTl6JVuibHqrEC6C69wXucjj53kcLsZZv4xpkQdgBKWZDuBN8aoCTLRfrKLlfjiRlbWvFmdFJLpsgLfWLaVYLWqWoKULc_96fzvF2U39qNK_ZexXuLF0xrfraxOtcYUL2z01y0d-JJPDTiGeRDoMWBGI/s320/17172121.jpeg


        A conta, feita por pesquisadores brasileiros e espanhóis, é a primeira a colocar na ponta do lápis tanto os aspectos biológicos únicos dos bichos quantos os fatores necessários para que a conservação deles funcione do ponto de vista econômico.

        “Se a gente ficasse só na questão biológica, o trabalho não seria tão inovador”, explica Felipe Siqueira Campos, goiano que faz doutorado no Departamento de Biologia Evolutiva da Universidade de Barcelona. “A sacada da pesquisa é levar em consideração os aspectos de custo-benefício também.”

        Campos e seus colegas do Brasil e da Espanha acabam de publicar a análise na revista especializada “Science Advances”. Os resultados obtidos pelo grupo de cientistas indicam que a área-chave para evitar o sumiço em massa dos anfíbios da mata atlântica abrange basicamente a serra do Mar de São Paulo e do Rio de Janeiro, bem como áreas do Espírito Santo e do sul da Bahia correspondentes ao chamado Corredor Central do bioma.

        PRESTADORES DE SERVIÇOS

        Pensar nos benefícios econômicos da preservação de sapos e companhia pode parecer estranho, mas o fato é que tais bichos são relevantes prestadores de serviços ambientais -sua presença e diversidade ajudam a manter funcionando aspectos do ambiente que são vitais também para os seres humanos.

        Além do estereótipo do sapo comedor de moscas -ou seja, um bicho que ajuda no controle da população de insetos, inclusive os nocivos para a população-, os anfíbios ajudam a reciclar os nutrientes do solo, tornando-o mais fértil, e a eliminar detritos dos rios e outros corpos d’água, o que contribui para que a água se torne potável.

        Essas e outras funções de espécies nativas motivaram a ideia de pagamento por serviços ambientais. Segundo essa lógica, produtores rurais que mantêm em bom estado as reservas de floresta em suas propriedades poderiam ser compensados financeiramente para que elas continuem assim, sem virar plantação ou pasto.

        A ideia é um dos pilares da conta feita por Campos e seus colegas. Levando em consideração os valores que já são gastos em iniciativas-piloto de pagamento por serviços ambientais Brasil afora, eles estimaram uma remuneração anual de US$ 13 mil por quilômetro quadrado de área preservada.

        O valor é cerca de um quarto do valor médio que um fazendeiro dessas regiões poderia obter com atividades agrícolas tradicionais. “Não estamos falando em restauração florestal nessas áreas, o que seria bem mais caro. A ideia é apenas manter o que já existe”, explica o pesquisador brasileiro.

        Além de considerar esse custo, a análise leva em conta ainda o número de espécies de anfíbios identificadas na mata atlântica (mais de 500, correspondendo a cerca de metade de todos os tipos de anfíbios encontrados no país), os diferentes grupos nos quais os bichos foram se dividindo ao longo de sua evolução e seus aspectos funcionais (coisas como o tamanho, o tipo de habitat, o sistema de reprodução etc.).

        Ao cruzar todos esses dados com informações sobre o custo da terra e do pagamento dos serviços ambientais, foi possível estabelecer quais locais “cobririam” de forma mais ampla a diversidade de anfíbios da mata atlântica e ajudariam a protegê-los.

        Estima-se que um terço dos anfíbios do planeta estejam ameaçados de extinção. Além da perda de habitat trazida pelo desmatamento, infecções por fungos e alterações climáticas estão entre os principais fatores que colocam esses animais em risco.

Fonte: LOPES, R. J. Folha de São Paulo, 21 jun.2017. disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/06/1894719-area-de-sao-paulo-e-us-25-por-ano-salvariam-anfibios-da-mata-atlantica.shtml. Acesso em: 22 abr. 2019.

Fonte: Set Brasil. Ensino Fundamental, anos finais, 7º ano, livro 2. Thaís Ginícolo Cabral – São Paulo: Moderna, 2019. p. 304-305.

Entendendo a notícia:

01 – Qual é a área de preservação e o investimento financeiro anual estimados necessários para proteger quase toda a diversidade de anfíbios da Mata Atlântica?

      A área necessária é um pouco maior que a do município de São Paulo, e o investimento anual seria de aproximadamente US$ 25 milhões.

02 – Quem realizou a pesquisa e em qual revista científica especializada os resultados foram publicados?

      A pesquisa foi realizada por pesquisadores brasileiros e espanhóis, e publicada na revista "Science Advances".

03 – De acordo com Felipe Siqueira Campos, o que torna o trabalho inovador, indo além da simples questão biológica?

      A inovação da pesquisa é o fato de ela levar em consideração os aspectos de custo-benefício (econômicos) da conservação.

04 – Cite as quatro regiões/estados brasileiros que formam a área-chave para evitar o sumiço dos anfíbios, segundo o estudo.

      A área-chave abrange a serra do Mar de São Paulo e do Rio de Janeiro, bem como áreas do Espírito Santo e do sul da Bahia (Corredor Central do bioma).

05 – Além de controlar a população de insetos (como o "sapo comedor de moscas"), cite dois outros "serviços ambientais" cruciais que os anfíbios prestam.

      Os anfíbios ajudam a reciclar os nutrientes do solo (tornando-o mais fértil) e a eliminar detritos dos rios e outros corpos d'água (contribuindo para a potabilidade da água).

06 – Qual é a ideia ou lógica que motiva o pagamento por serviços ambientais (PSA), fundamental para a conta feita pelos pesquisadores?

      A lógica é que produtores rurais que mantêm reservas de floresta em bom estado em suas propriedades devem ser compensados financeiramente para continuar a preservação, em vez de converter a área em plantação ou pasto.

07 – Além da perda de habitat causada pelo desmatamento, quais são os outros dois principais fatores de risco que colocam um terço dos anfíbios do planeta em ameaça de extinção?

      Os outros fatores são infecções por fungos e alterações climáticas.

 

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