domingo, 3 de maio de 2026

CRÔNICA: O EXERCÍCIO DA CRÔNICA - FRAGMENTO - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Crônica: O Exercício da Crônica – Fragmento

               Vinícius de Moraes

        O cronista trabalha com um instrumento de grande divulgação, influência e prestígio, que é a palavra impressa. Um jornal, por menos que seja, é um veículo de ideias que são lidas, meditadas e observadas por uma determinada corrente de pensamento formada à sua volta.^

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjSv26ViYq3pg0lIui2uUYGpyrJvpz1IH3HkCfMZyRlzF5sLzyQqaIYIALN6CKt7Tw5NSftPA_npw8AbgkNZemv2AoNz5QElM8kxoC2JnbCXK8GeF6Aqa3LYYVY9R9WvQLYqkfr4UMUa6abBoFe4kr0eJEN8wnT2J_gdTwPweAHWVo_eyeL2nG0UtGPlQ0/s1600/JORNAL.jpg


        Um jornal é um pouco como um organismo humano. Se o editorial é o cérebro; os tópicos e notícias, as artérias e veias; as reportagens, os pulmões; o artigo de fundo, o fígado; e as secções, o aparelho digestivo — a crónica é o seu coração. A crónica é matéria tácita de leitura, que desafoga o leitor da tensão do jornal e lhe estimula um pouco a função do sonho e uma certa disponibilidade dentro de um cotidiano quase sempre “muito tido, muito visto, muito conhecido”, como diria o poeta Rimbaud.

        Daí a seriedade do ofício do cronista e a frequência com que ele, sob a pressão de sua tirania diária, aplica-lhe balões de oxigénio. Os melhores cronistas do mundo, que foram os do século XVIII, na Inglaterra — os chamados essayists — praticaram o essay, isto de onde viria a sair a crónica moderna, com um zelo artesanal tão proficiente quanto o de um bom carpinteiro ou relojoeiro. Libertados da noção exclusivamente moral do primitivo essay, os oitocentistas ingleses deram à crónica suas primeiras lições de liberdade, casualidade e lirismo, sem perda do valor formal e da objetividade.

        [...]

MORAES, Vinícius de. Para uma menina com uma flor. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 53.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 272.

Entendendo a crônica:

01 – De acordo com a crônica, qual o significado das palavras abaixo:

·        Casualidade: aquilo que ocorre ao acaso.

·      Essay: ensaio (gênero textual em que o autor expressa opiniões, críticas e reflexões sobre determinado tema).

·        Essayists: ensaísta (aquele que escreve ensaios).

·        Lirismo: modo poético de apresentar alguma coisa.

·        Proficiente: competente.

·        Tácito: tranquilo.

02 – Qual é a metáfora utilizada por Vinícius de Moraes para descrever a função da crônica dentro de um jornal?

      O autor compara o jornal a um organismo humano. Nessa analogia, enquanto o editorial é o cérebro e as notícias são as artérias, a crônica é o coração do jornal.

03 – Segundo o texto, qual é o efeito da leitura de uma crônica sobre o leitor de jornais?

      A crônica serve para desafogar o leitor da tensão das notícias pesadas do jornal. Ela estimula a "função do sonho" e oferece uma nova perspectiva sobre o cotidiano, que muitas vezes é repetitivo e cansativo.

04 – O autor cita uma frase do poeta Rimbaud. O que essa citação revela sobre o cotidiano?

      A frase: "muito tido, muito visto, muito conhecido" reforça a ideia de que o cotidiano pode ser monótono e previsível. A crônica surgiria justamente para dar um novo fôlego a essa realidade comum.

05 – Quem o autor considera os "melhores cronistas do mundo" e qual foi a contribuição deles para o gênero?

      São os ensaístas (essayists) da Inglaterra do século XVIII. Eles praticaram o ensaio com um "zelo artesanal" e, ao se libertarem das amarras exclusivamente morais, introduziram lições de liberdade, casualidade e lirismo à crônica moderna.

06 – Como Vinícius de Moraes descreve o ofício do cronista em relação à regularidade de sua escrita?

      O autor destaca a seriedade do ofício e a pressão da "tirania diária" (o prazo para escrever todos os dias). Ele menciona que, devido a essa pressão, o cronista muitas vezes precisa aplicar "balões de oxigênio" em seu trabalho para manter a qualidade e o vigor do texto.

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