domingo, 12 de abril de 2026

REPORTAGEM: ARTE NA RUA PODE AJUDAR RECUPERAÇÃO DO SETOR NO PÓS-PANDEMIA, DIZ PRODUTOR CULTURAL - JORGE FREIRE - COM GABARITO

 Reportagem: Arte na rua pode ajudar recuperação do setor no pós-pandemia, diz produtor cultural

        Jorge Freire aposta que solução da crise nessa área passa pela ocupação de espaços públicos

        RIO — O futuro das artes pode estar no caminho de volta às suas origens. Ruas, praças, parques e outros espaços ao ar livre ocupados com espetáculos de dança, música e teatro é o que o ator e produtor cultural Jorge Freire espera ver quando a pandemia da Covid-19 passar e o artista puder ir aonde o povo está. Esse cenário democratizaria o acesso às manifestações artísticas no momento em que tudo leva a crer que os ingressos para eventos estarão com os preços elevados, efeito inevitável da redução das plateias em locais fechados. Mas para que o desejo deste morador da Tijuca se torne realidade, é preciso que haja políticas públicas nesse sentido.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlasgkI-_fyPcUvPz-NH5tjT-lV1a-H1rak_5ETV94AeKrI-hQnCefa8al8mDF4C9-M1CQr8nzxBq03nMGElqntXPPQ4sAenqcYwUZs20p0IjKTtZUsCnYIB6mzYanQqjkCMGaP_SzhYLq5K-tWTdNiLQnku1p8qwPs5NbPg0MaeGKleSoy5z0Vjrp6fM/s320/RUA.jpg 


        — A ocupação do espaço público é uma vocação natural do carioca, sobretudo nos subúrbios. Acredito que a reconstrução do setor pós-pandemia pode estar no incentivo à efervescência cultural que acontece, por exemplo, em Madureira, e que pode se fazer presente em outros bairros da Zona Norte. A Praça Varnhagem, na Tijuca, tem uma grande ebulição gastronômica, mas pode ganhar investimentos públicos em economia criativa. Por que não? O acesso à cultura é um direito constitucional que sob hipótese alguma está abaixo de outros direitos, como saúde e educação. A capacidade criativa brasileira é nosso maior patrimônio cultural, e é dever dos governantes potencializá-la.

        Mais do que um direito constitucional, a cultura é uma necessidade básica para a existência humana e um motor de peso para a economia nas esferas municipal, estadual e federal, assegura Freire:

        — A arte é essencial não só para nos salvar do tédio imposto por essa crise causada pelo novo coronavírus, mas também para nos levar à reflexão, nos unir como povo, pavimentar uma identidade nacional que faz o retrato do que somos. Não podemos perder a dimensão que a cultura tem, em especial no Rio, onde o turismo, o carnaval, a música, são importantes vetores econômicos no campo do entretenimento. Não dá para abrir mão da cultura, achar que esse setor é algo menor. Não é! O que seriam dos Estados Unidos se não fosse o cinema americano? Foi a sétima arte que levou para o mundo inteiro a vontade de consumir o que eles consomem.

        Como cidadão, ator e produtor cultural, Freire luta para que a cultura seja colocada no patamar que lhe é de direito.

        — A certeza que fica em meio a essa crise é que, mais do que nunca, as políticas culturais precisam entrar em curso. Financiamento público para a arte é uma questão urgente para que se possa recomeçar. Esse setor paga imposto, movimenta a economia, enfim, merece respeito por parte de qualquer governo. Só para se ter uma ideia em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), a cultura arrecada mais do que a indústria têxtil brasileira. A cultura é bem público feito por particular, então a expectativa é que o estado assuma a sua função de fazer valer a Constituição — diz.

        Apesar de ser um crítico das políticas públicas em relação ao setor, Freire vê com bons olhos o auxílio emergencial que vai beneficiar profissionais da cultura e pequenos espaços de espetáculos:

        — Essa é uma ajuda necessária e mais do que bem-vinda, porque muita gente dessa área está enfrentando uma grave crise financeira, muitos com risco até de passar fome. Mas não posso deixar de registrar que o dinheiro é pouco diante de todas as perdas que tivemos.

JESUS, Regiane. Arte na rua pode ajudar recuperação do setor no pós-pandemia, diz produtor cultural. O Globo, 15 jul. 2020. Disponível em: https://oglobo.com/rio/bairros/arte-na-rua-pode-ajudar-recuperacao-do-setor-no-pos-pandemia-diz-produtor-cultural-1-24523336. Acesso em: 22 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 230-231.

Entendendo a reportagem:

01 – Qual é a principal aposta de Jorge Freire para a recuperação do setor cultural após a pandemia?

      A principal aposta é a ocupação de espaços públicos ao ar livre, como ruas, praças e parques, com espetáculos de dança, música e teatro. Para ele, o futuro das artes pode estar justamente no retorno às suas origens, onde o artista vai "aonde o povo está".

02 – Por que a ocupação de espaços abertos é vista como uma forma de democratizar o acesso à cultura no pós-pandemia?

      Porque a tendência é que os ingressos para eventos em locais fechados fiquem mais caros, devido à redução obrigatória das plateias por questões de segurança. A arte na rua elimina essa barreira financeira, permitindo que mais pessoas tenham acesso às manifestações artísticas.

03 – Quais regiões do Rio de Janeiro são citadas como exemplos de vocação para a ocupação do espaço público?

      O produtor cita os subúrbios da Zona Norte, com destaque para a efervescência cultural de Madureira e a ebulição gastronômica da Praça Varnhagem, na Tijuca, sugerindo que estes locais deveriam receber investimentos públicos em economia criativa.

04 – Como Jorge Freire justifica a importância da cultura em relação aos direitos garantidos pela Constituição?

      Ele afirma que o acesso à cultura é um direito constitucional que não deve ser considerado inferior a outros direitos, como saúde e educação. Freire ressalta que é dever dos governantes potencializar a capacidade criativa brasileira, que ele define como nosso "maior patrimônio".

05 – Qual é o argumento econômico utilizado pelo produtor para defender o investimento no setor cultural?

      Freire destaca que a cultura é um importante vetor econômico que movimenta o entretenimento, o turismo e o carnaval. Ele revela um dado comparativo relevante: em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), o setor cultural arrecada mais do que a indústria têxtil brasileira.

06 – Que exemplo internacional é citado no texto para ilustrar a influência da arte na economia e no consumo?

      O produtor cita o cinema americano (a sétima arte). Ele argumenta que foi através dos filmes que os Estados Unidos conseguiram exportar para o mundo inteiro o desejo de consumir seus produtos e sua cultura.

07 – Qual é a opinião de Jorge Freire sobre o auxílio emergencial destinado aos profissionais da cultura?

      Ele vê o auxílio como uma medida necessária e bem-vinda, já que muitos profissionais enfrentam uma crise financeira grave. No entanto, faz uma ressalva crítica: pontua que o valor destinado é pequeno diante de todas as perdas sofridas pelo setor durante a pandemia.

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário