Notícia: Morfossintaxe
Flávia de Barros Carone
Quando o falante de uma língua depara
um conjunto de duas palavras, intuitivamente é levado a sentir entre elas uma
relação sintática, mesmo que estejam fora de um contexto mais esclarecedor.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEighEqMl5LNKWfFfVsqiQ2LcaL7lLFlbvuQT2e9XT_siHRyfqTuJtti7LwFHaGVEiH7jlfiCoWoppCPDQ93JWng66To8GAsITsy6NQW25tyslT4DwgxAzSwucmd3q8OnGQcBoVFtxH3bQZoEAMiUS4qdDl4prYkQmegpJ6WSGza4vn1cq8WsRUZf1z2oh8/s1600/MORFO.png Assim, além de captar o sentido básico
das duas palavras, o receptor atribui-lhes uma gramática – formas e conexões.
Isso acontece porque ele traz registrada em sua mente toda a sintaxe, todos os
padrões conexionais possíveis em sua língua, o que o torna capaz de
reconhece-los e identifica-los. As duas palavras não estão, para ele, apenas
dispostas em ordem linear: estão organizadas em uma ordem estrutural.
A diferença entre ordem estrutural e
ordem linear torna-se clara se elas não coincidem, como nesta frase que um
aluno criou em aula de redação, quando todos deviam compor um texto para
outdoor, sobre uma fotografia da célebre cabra de Picasso: “Beba leite de cabra
em pó!”. Como todos rissem, o autor da frase emendou: “Beba leite em pó de
cabra!”.
Pior a emenda do que o soneto.
Flávia de Barros
Carone. Morfossintaxe, 1986. Adaptado.
Fonte: Coleção Rotas.
Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura
Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 200.
Entendendo a notícia:
01 – O que acontece intuitivamente
quando um falante se depara com um conjunto de duas palavras, segundo o texto?
O falante é
levado a sentir uma relação sintática entre elas, mesmo que não haja um
contexto maior. Além de entender o significado das palavras, ele atribui a elas
uma "gramática", ou seja, formas e conexões baseadas nos padrões que
já conhece.
02 – O que permite que o
receptor identifique padrões conexionais em sua língua?
Isso ocorre
porque o falante já traz registrada em sua mente toda a sintaxe e os padrões
possíveis de sua língua. Isso o torna capaz de reconhecer e organizar as
palavras em uma ordem estrutural, e não apenas como uma lista linear.
03 – Qual é a diferença
fundamental entre "ordem linear" e "ordem estrutural"
mencionada pela autora?
Ordem linear é a
simples disposição das palavras uma após a outra na frase. Já a ordem
estrutural é a organização lógica e hierárquica entre essas palavras, que
define como elas se relacionam e qual sentido o conjunto produz.
04 – Por que a frase “Beba leite
de cabra em pó!” causou riso nos alunos?
Por causa de uma
falha na ordem estrutural que gerou ambiguidade. A posição da expressão
"em pó" logo após "cabra" sugere, na estrutura da frase,
que a própria cabra é que está em pó, e não o leite.
05 – Por que a autora afirma
que, na tentativa de correção (“Beba leite em pó de cabra!”), a emenda foi pior
que o soneto?
Porque a nova
frase continua soando estranha ou gerando confusão sintática. Embora tente
aproximar "em pó" de "leite", a estrutura "leite em pó
de cabra" ainda cria uma conexão incomum, mostrando que a simples troca
linear de palavras nem sempre resolve o problema de clareza da estrutura
profunda da frase.
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