domingo, 12 de abril de 2026

NOTÍCIA: MORFOSSINTAXE - FLÁVIA DE BARROS CARONE - COM GABARITO

 Notícia: Morfossintaxe

            Flávia de Barros Carone

        Quando o falante de uma língua depara um conjunto de duas palavras, intuitivamente é levado a sentir entre elas uma relação sintática, mesmo que estejam fora de um contexto mais esclarecedor.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEighEqMl5LNKWfFfVsqiQ2LcaL7lLFlbvuQT2e9XT_siHRyfqTuJtti7LwFHaGVEiH7jlfiCoWoppCPDQ93JWng66To8GAsITsy6NQW25tyslT4DwgxAzSwucmd3q8OnGQcBoVFtxH3bQZoEAMiUS4qdDl4prYkQmegpJ6WSGza4vn1cq8WsRUZf1z2oh8/s1600/MORFO.png


        Assim, além de captar o sentido básico das duas palavras, o receptor atribui-lhes uma gramática – formas e conexões. Isso acontece porque ele traz registrada em sua mente toda a sintaxe, todos os padrões conexionais possíveis em sua língua, o que o torna capaz de reconhece-los e identifica-los. As duas palavras não estão, para ele, apenas dispostas em ordem linear: estão organizadas em uma ordem estrutural.

        A diferença entre ordem estrutural e ordem linear torna-se clara se elas não coincidem, como nesta frase que um aluno criou em aula de redação, quando todos deviam compor um texto para outdoor, sobre uma fotografia da célebre cabra de Picasso: “Beba leite de cabra em pó!”. Como todos rissem, o autor da frase emendou: “Beba leite em pó de cabra!”.

        Pior a emenda do que o soneto.

Flávia de Barros Carone. Morfossintaxe, 1986. Adaptado.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 200.

Entendendo a notícia:

01 – O que acontece intuitivamente quando um falante se depara com um conjunto de duas palavras, segundo o texto?

      O falante é levado a sentir uma relação sintática entre elas, mesmo que não haja um contexto maior. Além de entender o significado das palavras, ele atribui a elas uma "gramática", ou seja, formas e conexões baseadas nos padrões que já conhece.

02 – O que permite que o receptor identifique padrões conexionais em sua língua?

      Isso ocorre porque o falante já traz registrada em sua mente toda a sintaxe e os padrões possíveis de sua língua. Isso o torna capaz de reconhecer e organizar as palavras em uma ordem estrutural, e não apenas como uma lista linear.

03 – Qual é a diferença fundamental entre "ordem linear" e "ordem estrutural" mencionada pela autora?

      Ordem linear é a simples disposição das palavras uma após a outra na frase. Já a ordem estrutural é a organização lógica e hierárquica entre essas palavras, que define como elas se relacionam e qual sentido o conjunto produz.

04 – Por que a frase “Beba leite de cabra em pó!” causou riso nos alunos?

      Por causa de uma falha na ordem estrutural que gerou ambiguidade. A posição da expressão "em pó" logo após "cabra" sugere, na estrutura da frase, que a própria cabra é que está em pó, e não o leite.

05 – Por que a autora afirma que, na tentativa de correção (“Beba leite em pó de cabra!”), a emenda foi pior que o soneto?

      Porque a nova frase continua soando estranha ou gerando confusão sintática. Embora tente aproximar "em pó" de "leite", a estrutura "leite em pó de cabra" ainda cria uma conexão incomum, mostrando que a simples troca linear de palavras nem sempre resolve o problema de clareza da estrutura profunda da frase.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário