Lenda árabe: A primeira pedra
Na
cidade de Bássora vivia um sultão muito sábio, rico, generoso, cheio de bondade
e valentia.
Um dia, esse sultão saiu para passear sozinho pelos arredores de seu palácio,
quando avistou quatro homens, com atitude agressiva, rodeando uma mulher, que
escondia o rosto com as mãos descarnadas.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjNvlll0IY08eqAZPDisyNU8wY3NORKducm5htEisek2SyXgs7Pdqpwd3Eoui2I55QMfA2xUbFz7nGmN6uP6l9EN9-aUPFf_Bui0ubjxNTRYmGaatkq7rGhhOvcUzpGdmhWWDmUXgXzE-WWD0Y_5X9mNYP5t-n6RiJrzDkOPZ5ETL8NI3elz5nzOX2X5kg/s320/SULTAO.jpg
Ao serem surpreendidos pelo soberano, ficaram mudos de espanto e medo.
- Que fez esta mulher? - perguntou, sereno, o sultão.
- É uma ladra ó senhor! - respondeu um dos homens - Foi pega por nós roubando
frutas de seu pomar.
- Roubei para meus filhinhos - soluçava a mulher - eles têm fome...
- A lei é clara, ó rei generoso - interrompeu-a um dos homens - diz que se deve
cortar a mão direita do ladrão. Estou bem certo, ó rei, que é esse castigo que
cabe a esta pecadora.
- Na minha opinião, esta pobre mulher deve ser perdoada, afinal, só quis pegar
comida para os filhos. E, uma mãe desesperada que rouba para matar a fome de um
filho merece nossa simpatia e faz jus ao nosso perdão. Mas, como a lei deve ser
obedecida, ela vai ser castigada com impiedoso rigor. Penso, porém, que o
castigo dado a um ladrão ainda é pouco para este pecado tão grave que esta
infeliz cometeu. Determino que ela seja imediatamente apedrejada!
Esta determinação causou total espanto entre os homens, afinal, um sultão tão
bom iria dar um castigo tão rigoroso como este?
- Vizir, atire a primeira pedra!
- Mas eu não tenho pedra alguma aqui, ó senhor!
- Então atirai esta que prende em seu turbante! - ordenou o rei.
Diante desta ordem, o vizir não teve outra saída. Com grande mágoa no coração,
atirou a valiosa gema, que lhe servia de adorno, aos pés da mulher.
- Agora vós, Namã! Atirai estas pedras que brilham em vossos dedos!
- Os três homens, um a um, tiveram que se desfazer dos preciosos anéis que
brilhavam em seus dedos.
Voltando-se para a mulher, disse-lhe o sultão:
- Apanhe todas estas "pedras" minha filha! Terás aí o que comprar,
por toda a vida, o pão e o agasalho para seus filhinhos...Estás livre!
A pobre mulher, as lágrimas de gratidão escorrendo em seu rosto, beijou a mão
do rei, tão bondoso, que era capaz de fazer a bondade, castigando ao mesmo
tempo, quatro homens malvados, sem coração.
Entendendo
o texto
01. No início do
texto, o sultão é descrito como um homem:
a) autoritário e
cruel com seus súditos.
b) sábio, generoso e cheio de bondade.
c) indiferente aos problemas da cidade de Bássora.
d) preocupado apenas em acumular riquezas no
palácio.
02. Qual foi a
justificativa da mulher para ter roubado as frutas do pomar?
a) Ela queria vender as frutas para ganhar
dinheiro.
b) Ela achava que as leis do sultão não eram
justas.
c) Ela precisava alimentar seus filhos
que estavam com fome.
d) Ela queria dar um presente aos homens que a
cercavam.
03. O sultão decide que
a mulher deve ser apedrejada. No entanto, o desfecho revela que sua real
intenção era:
a) cumprir a lei rigorosa de cortar a mão do
ladrão.
b) humilhar os homens diante de toda a cidade de
Bássora.
c) dar pedras preciosas à mulher para que
ela pudesse sustentar a família.
d) testar a força física dos homens que a acusavam.
04. A frase "Vizir,
atire a primeira pedra!" faz uma referência a uma ideia de julgamento. No
contexto da lenda, as "pedras" que os homens atiraram eram:
a) pedras comuns encontradas nos arredores do
palácio.
b) frutas que haviam sido roubadas do pomar real.
c) objetos sem valor que eles carregavam nos
bolsos.
d) joias e gemas valiosas que eles usavam
como adornos.
05. O que se pode
concluir sobre a atitude dos quatro homens que cercavam a mulher?
a) Eles eram justiceiros que buscavam apenas a
aplicação correta da lei.
b) Eles eram homens malvados e sem
compaixão, que queriam um castigo severo.
c) Eles eram amigos do sultão e queriam ajudá-lo a
distribuir riquezas.
d) Eles estavam tentando proteger a mulher da fúria
do povo.
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