CONTO: PEDRO MALASARTES E O PÁSSARO LAPÃO
Glauter Barros
PARTE
1
Conta a história que, lá pelas bandas do interior desse Brasilzão, havia uma cidadezinha bem no meio do sertão. Seus moradores viviam das plantações e de cuidar das galinhas, porcos, cabras e outros animais de criação.
Existia, nessa cidade, um coronel, que se achava muito poderoso, porque
era homem de muitas posses, o mais rico daquela região.
Um dia, esse valentão, coronel mandão, muito curioso e apropriador de
coisas indébitas, resolveu roubar seis cabras do velho Piaçava. O velho, pobre,
muito fraco, não podia fazer nada, porque, assim como os outros habitantes,
tinha medo do tal coronel. Triste pelo prejuízo, a única coisa que o pobre
Piaçava fez foi contar o ocorrido a seu compadre, o Pedro Malasartes. Pedro,
que não gostava de injustiças, comprou a briga e prometeu que daria uma solução
para o fato.
Finda a visita, Piaçava retornou para sua casa, esperançoso e confiante
na esperteza do seu compadre.
Pedro Malasartes ficou matutando,
matutando, matutando... Quando as ideias clarearam ele foi para a cozinha e
começou a preparar um enorme caldeirão de feijoada, com muitas carnes e
temperos variados. Depois, sentou-se diante de um imenso prato e comeu até não
poder mais, dando cabo de todo o caldeirão da suculenta iguaria. Foi então para
a sua rede descansar.
Passadas algumas horas daquele farto jantar,
levantou-se e bebeu um vidro inteirinho de laxante. E se recolheu...
No
dia seguinte, faltando 15 minutos para o meio-dia, estava lá Pedro Malasartes,
para dar sequência a seus planos, no meio da estrada, bem no meio do caminho
onde todos os dias naquela mesma hora o coronel passava, Pedro estava inquieto,
andando com passos miudinhos de um lado para o outro, contorcendo-se e
prendendo as pernas. Lá dentro de sua barriga parecia que tinha um formigueiro
de tanta mexeção! Chegou um momento em que Pedro não aguentou mais.
Imediatamente arriou as calças e, ali mesmo onde estava, resolveu obrar, como
diziam os antigos.
Depois, rapidamente colocou o seu velho chapéu de palha por cima daquela
“bela produção”. Ficou segurando o chapéu pelas abas e observando para ver se o
coronel aparecia lá na distante curva da estrada.
[...]
Vocabulário
Finda: que chegou ao fim; encerrada, terminada.
Iguaria: comida apetitosa.
Indébitas: indevidas.
Laxante: remédio que induz à evacuação de fezes.
Glauter Barros. Pedro Malasartes e o pássaro lapão. In: Lenice Gomes, Fabiano Moraes (Org).Histórias de quem conta histórias. São Paulo: Cortez, 2010.p.104-106.
Fonte: Encontros língua portuguesa, 4º
ano:componente curricular língua portuguesa:ensino fundamental, anos
iniciais/Isabella Pessoa de Melo Carpaneda, Angiolina Domanico Bragança – 1 ed.
São Paulo: FTD, 2018, p.234-.6.
Entendendo o texto
01.
No
conto lido, o narrador somente narra os fatos ou participa da história?
O narrador observa e conta o que acontece na cena.
02.
Marque
a alternativa correta.
O
narrador desse conto é
( X ) narrador-observador
( ) narrador-personagem
03.
Releia
o trecho a seguir. Depois, escreva o que estava acontecendo com Pedro
Malasartes nesse momento da história.
[...] Pedro estava inquieto, andando com
passos miudinhos de um lado para o outro, contorcendo-se e prendendo as pernas.
Lá dentro sua barriga parecia que tinha um formigueiro de tanta mexeção! [...]
Pedro estava com muita vontade de ir ao banheiro.
04.
Releia
um trecho do conto, observando a expressão em destaque.
[...] Depois, rapidamente colocou o seu
velho chapéu de palha por cima daquela “bela produção” [...]
-
Marque a alternativa adequada.
Essa
expressão foi escrita entre aspas para passar ideia de:
a)
Alegria.
b)
Ironia.
c)
Tristeza.
d)
Veracidade.
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