TEXTO: Uai!
Uai!
é o que se diz, se o tempo vai
ou
fica preso em nós, e lastimável.
Uai!
para a manhã, o outono, o espasmo,
para
os muros da infância e o amor sumido.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjst3EAtNLLU_BVndpvPmE9ftY-zaPBE4RL2oF_STkDVyvWSYPuRp4eTg6FtccF4FUvJApbS-oUqfMO7DInQ-Q1Q5-34mvT0IqPAQKOFxBJd2K5nkCVvYdWyRvOFc-Xz8jouA5HktkmRErwIJhJx0ix-dJytCyrU-4LTA_KnocJ2myJ0nB_u85jtpBWCPs/s1600/UAI.jpgDizer
uai! uai! agora, e nunca
dizer
senão uai! aos que fugiram,
tempos
do mesmo uai! desirmanados.
1. "Uai!"
é o principal elemento estruturador do poema. Trata-se de uma interjeição que
exprime surpresa, admiração, dúvida, desconcerto.
2. Essa
interjeição faz parte da marcação rítmica do texto, isto é, a utilização dela
no corpo do poema estabelece um ritmo de leitura particular aos versos.
3. A imagem "o tempo ficar 'preso em nós'" é
representativa do processo de envelhecimento ou das formas do tédio.
4. As imagens utilizadas no terceiro e no quarto versos do poema se
relacionam explícita ou implicitamente com a ideia da passagem do tempo
apresentada nos versos anteriores: "manhã" e "outono" (explícitas); "espasmo" (de
dor, de gozo?), "muros da infância" e "amor
sumido" (implícitas; fases e momentos da infância).
5. O poema trata de um tema que atormenta o ser humano constantemente: a
inexorável marcha do tempo, que não espera ninguém. Relaciona um tema grave com
a interjeição "uai!" e atinge determinados efeitos, pois
consegue mostrar como, na banalidade do dia a dia da pessoa mais comum, a
passagem do tempo produz instantes de admiração e inquietude, expressas por um
popular e mineiro "uai!". ´
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