quinta-feira, 10 de setembro de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: UM RELATO VERÍDICO DE UMA CIDADÃ - IVANILDES SILVA - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: Um relato verídico de uma cidadã

 

        Brasília pede socorro – Ivanildes Silva

 

        Domingo, noite de 14 de outubro de 2012, centro da cidade de Brasília, W3 Sul, Setor Comercial Sul. Eu e minha filha ao retornarmos de um passeio que julgava ser promissor, experimentamos os momentos de medo e terror em pleno centro da capital, a alguns metros da Esplanada dos Ministérios, Praça dos Três Poderes. A volta para casa tinha tudo para terminar bem, porém não foi bem assim.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiWcWedg4PGVCeahlpE32K2XDfeCVL-o_cx-HBEpm4KGpOIE9e_DZ1KtMwy_aky-G3VEl23ADirpLTn_BNYfi_7PGDS11fT96Ron2c0G7JfpPCUk-R8jgXthq44dYP9-8u8iSbMLSjy-gCjqlRaDQF9_jXDnMfgP7zpBhl2Jvgra2Z7GLfftWhOoozv-Is/s320/images.jpg


        Viemos de um shopping, perto da Nova Rodoviária. A Estação do Metrô fechou às 19 horas e foi necessário pegar um transporte para um local onde pudéssemos tomar outro até nosso destino final: Sobradinho. Perto da Nova Rodoviária, a parada de ônibus mal localizada, mal iluminada, e, na qual, embora estivesse uma placa de proibição de estacionamento, isso era desobedecido. Já que não havia fiscais para ordenar o tráfego no local, os passageiros ficaram no meio dos veículos estacionados. Tomamos o ônibus e a ideia era descer em um local mais seguro, pois em toda a extensão da W3 Sul, as paradas estavam vazias e escuras. A opção foi saltar em frente a um local mais movimentado e bem iluminado.

        Assim que descemos do ônibus na W3 Sul, entre as 20 e 20h30min, percebemos um clima não muito agradável. Justo bem em frente a um grande e famoso shopping, estavam ali meninas, meninos, homens, crianças, comercializando drogas, disputando o local de venda de “seus produtos” com os transeuntes e intimidando os passageiros que esperavam o ônibus. A parada de ônibus foi completamente ocupada por essas pessoas. Os bancos foram ocupados e nós ficamos em pé, tentando nos distanciar daquilo e todos juntos, como se estivéssemos agarrados a uma tábua como único meio de salvação num barco que lentamente naufragava.

        A Praça do Setor Comercial Sul, um dos endereços mais famosos de Brasília, tinha sido tomada por “comerciantes” de todas as idades, transformando-se em um shopping popular. Enquanto isso, temíamos acontecer algo de mais grave conosco. Além disso, o outro problema era a demora do ônibus. Foi aterrorizante, pois imaginávamos que, a qualquer hora, alguém tomasse ou arrebatasse nossos pertences e nosso dinheiro. Toda hora vinha um pedir um trocado para comprar um lanche. Mas sabemos que aquela conversa era “para boi dormir”, pois, na verdade, queria angariar um dinheiro para alimentar seu vício. Isso era flagrante na feição do jovem. Quando um viu passar uma viatura, avisava aos demais que debandavam para as galerias do Setor Comercial Sul ou atravessavam para os arredores do shopping e se escondiam, momentaneamente, sabendo que nada aconteceria.

        Durante esses momentos de terror, nenhum carro da polícia parou ou fez alguma investida pelas imediações, o que nos causou espanto. Até os turistas sentiram-se intimidados com aquela situação e depois de longa espera, atravessavam no meio dos carros, em busca de um táxi em frente ao shopping. O comentário geral era que as ruas estavam entregues ao tráfico, assim como pairava um clima de tristeza, presenciando aquelas cenas terríveis. Muitos de nós nos lembrávamos de um passado não tão distante em que tínhamos a liberdade de transitar livremente pelo centro de Brasília em busca de diversão com nossas famílias. Logo depois, voltávamos tranquilamente para nossas casas, incólumes, no fim de semana.

        À medida que o tempo passava, todos iam se juntando ali num espaço pequeno, tentando se resguardar, assim como proteger a família: mulheres com crianças de colo, pessoas mais idosas, famílias, casais de namorados, jovens que saíram do shopping, assim como funcionários. Minha filha respirava forte e aflita, não só pelo que testemunhou como também pela demora do ônibus. Eu a acalmei, porém também estava também aterrorizada com o que via. Todos passavam pelo mesmo sentimento de terror e revolta. A perplexidade era enorme com o que víamos ali estampados em nossos olhos, em plena noite de domingo. O que dava mais medo era saber que o transporte demorava mais e o medo aumentava.

        Na tentativa de “fugir” daquele clima ameaçador, tivemos que pegar um ônibus até Rodoviária do Plano Piloto, a fim de encontrar o ônibus para Sobradinho. Mesmo assim, verificamos que, embora as ruas estivessem escuras, o local parecia mais tranquilo e seguro. Ali a ronda policial estava mais intensa e por isso, talvez, não tenhamos visto cenas deprimentes como as que vimos na W3 Sul. Toda hora passava uma viatura e o esquema ostensivo de policiais no local, diminuía o poder de ação dos infratores.

        Como cidadãos honestos que somos, pagamos altos impostos e taxas exorbitantes. Nessa hora, não temos o retorno disso, que ao menos se resumiria a uma ronda policial mais intensa, afastando aqueles indivíduos. Ao menos, poderiam zelar pela nossa integridade física e moral. Minha sensação de cidadã caiu por água a abaixo. O clima de insegurança da gente e a noção de impunidade daqueles menores e jovens infratores fazem com que as ruas sejam cada vez mais lotadas de gente como essa. Foi deprimente ver nossos familiares compartilharem esse clima de insegurança. Usuários fumavam ali mesmo, na W3 Sul, lugar central e privilegiado. Traficantes anunciavam e vendiam ao lado de demais pessoas. A quem recorrer? O que nos esperava?

        Apesar de a mídia divulgar, amplamente sobre a violência do centro da cidade, isto é, que as ruas de Brasília estão entregues aos meliantes, menores infratores e usuários de drogas, é difícil de acreditar. A ideia que temos é que há exagero nessas informações para ganhar pontos na audiência diária nas emissoras. Entretanto, o que vimos e passamos foi exemplo de que, realmente, a imprensa está certa. Infelizmente são dados concretos de que as vias públicas estão se tornando, cada vez mais palcos de impunidade por parte de pessoas inescrupulosas e que estão ali para “comercializarem” todo o tipo de produto ilícito.

        Pelo que eu, minha filha e outras pessoas pagadoras de seus impostos pudemos testemunhar, o problema da violência urbana está piorando a cada dia. Temo pelo que poderá acontecer em um futuro próximo. O clima gerado pela tensão só nos tira a vontade de jamais voltarmos àquele local com nossas famílias. Também foi fator negativo para os turistas, que, provavelmente farão um comercial negativo lá fora. Além disso, estamos prestes a receber dois grandes eventos: a Copa das Confederações em junho de 2013 e, em 2014, a Copa do Mundo. Brasília, portanto, a cidade sediará eventos internacionais dessa importância e precisa se adaptar à nova realidade, dando segurança, conforto e bem estar aos seus moradores, aos turistas nacionais e estrangeiros.

        Depois do que passamos, continuo a afirmar que o caso da violência no centro da cidade está grave. Chegou o momento de as autoridades, urgentemente, tomarem medidas eficazes em favor de nossa segurança. O intuito de tais ações efetivas é garantir mais qualidade de vida aos usuários do transporte urbano e também a outras pessoas. Deve haver maior fiscalização dos horários dos ônibus, aumento da frota e punição das empresas pelo descaso e descumprimento de horários, a fim de não deixarem os passageiros expostos a qualquer ameaça.

        É imprescindível também que haja, por meio dos poderes públicos, mais sensibilização para com os cidadãos. A carga tributária é muito alta e o retorno muito pouco ou quase nada em termos de segurança, saúde, educação e transporte, não só para os turistas, mas também para os habitantes dessa cidade, centro das grandes decisões e exemplo de modernidade para o resto do país. Com todos esses problemas vão se esvaziando ainda mais, a W3 Sul, a W3 Norte, o Setor Comercial Sul e Norte, as quadras e entrequadras da moderna Brasília. Aos poucos também vai morrendo um passado de glória e tradição em 52 anos de fundação da cidade. Brasília agoniza, pedindo socorro urgente às autoridades públicas, antes que morra à míngua, entregue à violência e entregue à sua própria sorte.

 

Entendendo o artigo:

01 – Qual é o principal acontecimento motivador que impulsionou a autora a redigir este artigo de opinião?

      O evento motivador foi a vivência de momentos de medo, terror e insegurança na noite de domingo de 14 de outubro de 2012, no centro de Brasília (W3 Sul e Setor Comercial Sul). A autora e sua filha, ao retornarem de um passeio, ficaram presas em uma parada de ônibus escura, mal localizada e tomada por traficantes, usuários de drogas e menores infratores, sem o apoio de policiamento ostensivo.

02 – De que maneira a autora caracteriza a infraestrutura do transporte público e as condições urbanas locais no trecho inicial de seu relato?

      A autora aponta sérias falhas estruturais, como o fechamento precoce do metrô aos domingos (às 19h), paradas de ônibus mal localizadas e mal iluminadas, ausência de fiscais de trânsito para ordenar veículos estacionados irregularmente e grande demora na circulação dos ônibus. Essa combinação deixou os passageiros vulneráveis, expostos e aglomerados em locais desprotegidos.

03 – Como o Setor Comercial Sul e a W3 Sul foram transformados, segundo a percepção e o relato testemunhal da autora?

      Os locais foram apropriados por traficantes, usuários e menores de idade de todas as idades, que comercializavam drogas abertamente, disputavam pontos de venda, intimidavam os pedestres e ocupavam completamente os bancos das paradas de ônibus. A praça e as vias públicas funcionavam, na prática, como um "shopping popular" do crime, provocando a fuga dos criminosos apenas de forma momentânea quando viaturas distantes eram avistadas.

04 – Qual era o sentimento predominante entre os cidadãos, famílias e turistas que aguardavam o transporte público naquele momento?

      O sentimento geral era de profundo terror, revolta, perplexidade e forte tensão. As pessoas se mantinham aglomeradas e juntas para tentar se proteger mutuamente, enquanto crianças, idosos, casais e turistas compartilhavam o temor de sofrer roubos ou agressões físicas diante da inércia das autoridades.

05 – Qual é a crítica central que a autora faz em relação à atuação do Estado e ao retorno dos impostos pagos pela população?

      A autora critica duramente a falta de retorno prático da alta carga tributária paga pelos cidadãos honestos. Ela aponta a total ausência de rondas policiais ostensivas nas áreas críticas, o que gera uma forte sensação de impunidade para os infratores e destrói o sentimento de cidadania e segurança da população que financia a máquina pública.

06 – Como a experiência vivida modificou a visão prévia da autora em relação às notícias veiculadas pela imprensa sobre a criminalidade na capital?

      Inicialmente, a autora e grande parte da população acreditavam que a mídia exagerava nos dados sobre a violência urbana no centro de Brasília com o objetivo exclusivo de alavancar a audiência diária. Contudo, após vivenciar diretamente o terror e a criminalidade escancarada nas ruas, ela concluiu que os jornais estavam corretos e que os dados divulgados são reais e concretos.

07 – Quais medidas urgentes a autora sugere que sejam tomadas pelas autoridades governamentais para sanar o problema antes da chegada de eventos internacionais?

      A autora exige ações eficazes de segurança pública, aumento da fiscalização e da frota de ônibus, punição para empresas de transporte negligentes, intensificação das rondas policiais e investimentos reais que garantam o bem-estar dos moradores e dos turistas que visitariam a cidade para a Copa das Confederações (2013) e a Copa do Mundo (2014).

 

CONTO: DIA DOS NAMORADOS - MARÇAL AQUINO - COM GABARITO

 Conto: Dia dos namorados

         Marçal Aquino

 

        O rapaz e a moça entraram na pousada e, de um jeito tímido, ele perguntou o preço da diária. O velho Lilico informou e o rapaz e a moça trocaram um olhar em que faiscaram joias de diversos tamanhos. A maior delas era a cumplicidade.

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiiN9pwkEeaHSEbrnLoFDeVG2q-dYNY8GSTZT1VZlXjoZhwSrY-FHgRzjBgWDb_RfynY4EbIAYQPmbJj4_C2NMSn39fPQnzxtEhE-B94qvLeXLLWSbCjjaS8s-hvvT0HbuVa_kmq4psVnY7dlGphah22Szr01zIYdkBtjkELh1kLba_hDb1PxC-0ehhQvk/s320/images.jpg


        Enquanto o rapaz preenchia a ficha de entrada, a moça se afastou um pouco para examinar melhor o quadro na parede — e pude vê-la por inteiro.

        Era muito bonita. Tinha os cabelos e a pele claros. Alta, magra, ossos salientes nos ombros. Estava no mundo há pouco mais de uma década e meia e, com certeza, alguém que recusara já havia escrito poemas desesperados pensando nela. Ou cortado os pulsos — o que é quase a mesma coisa.

        Embora não merecesse, o quadro recebeu toda sua atenção por alguns instantes. Era uma pintura ordinária. Eu já tivera a oportunidade de analisá-la durante as longas tardes em que a chuva me impedia de sair para caminhar pela cidade. Uma cidade habitada, fora da temporada turística, por velhos, aposentados e hippies extemporâneos. Gente que tentava, de um jeito ou de outro, ser esquecida.
        O quadro: penso que o artista havia experimentado um momento de genuína felicidade ao contemplar, em algum canto do país, aquelas montanhas, aquele prado, aqueles cavalos. E, generoso, decidira compartilhar esse momento com o resto da humanidade.

        Mas a verdade é que fracassara. A arte não é feita de boas intenções.

        O olhar com que a moça se despediu — para sempre — daquela obra continha um pouco de piedade. E, com isso, ela me conquistou em definitivo.

        O velho Lilico entregou a chave ao rapaz, que se voltou e sorriu para a moça. Seu ar era de alguém vitorioso. Mas sou capaz de apostar que a mão que ele juntou à dela, antes de subirem a escada de madeira, tinha a palma molhada de suor. Havia um princípio de rubor no rosto dela. Eram muito jovens e estavam vivendo um grande momento, mas não sabiam disso ainda. Essas coisas a gente só compreende depois.

        Lilico deixou o balcão da recepção e foi até a copa, onde falou alguma coisa para Jair, um de seus empregados. Em seguida veio até a mesa que eu ocupava.

        "Gosto de gente que chega para hospedar-se sem nenhuma bagagem", ele comentou.

        "E a felicidade que eles carregam, não conta?", eu perguntei.

        Ele examinou o tabuleiro, como se estivesse tentando rememorar a jogada que pretendia fazer antes de ser interrompido pela chegada do casal.

        "Mandei o Jair levar uma garrafa de champanhe para eles. Cortesia da casa”.

        "Fez bem", eu disse.

        "Gozado, sabe quem essa moça me lembrou?"

        Eu disse: "Sei".

        "Acho que foram os olhos dela", ele falou. "Muito parecidos."

        Retomamos o jogo e não falamos mais do casal. Eu, porém, continuei pensando neles. Num dia como aquele, anos antes, uma mulher, que entrava comigo num hotel bem diferente daquela pousada, me dissera: "Hoje eu vou te dar um presente muito especial".

        Um pouco depois da meia-noite interrompemos o jogo e o velho Lilico recolheu as peças e guardou o tabuleiro. E eu já estava no meio da escada, a caminho do meu quarto, quando ele perguntou:

        "Você ainda pensa nela?"

        "De vez em quando eu penso."

        "E por que você não vai atrás dela? Vocês dois ainda têm alguns anos pela frente."

        "A mágica não acontece duas vezes", eu disse.

        O velho Lilico balançou a cabeça.

        "Você sabe que só em filme francês antigo o herói termina seus dias em hotéis vagabundos, escrevendo livros que nunca irá publicar”.

        Eu me limitei a sorrir. Então ele me desejou "boa noite" e voltou para a recepção.

        Eu subi a escada e, ao chegar ao corredor, parei diante da porta do quarto que o casal ocupava e tentei ouvir alguma coisa. Mas tudo estava silencioso. Entrei nó meu quarto e, enquanto me despia, pensei no velho Lilico. Ele tinha razão: ainda me restavam alguns anos pela frente. E essa era a pior parte da história.

Conto reproduzido do site: http://www.releituras.com/

Entendendo o conto:

01 – Qual é o papel da voz narrativa no conto e de que forma o narrador se posiciona diante da chegada do jovem casal à pousada?

      O conto é narrado em primeira pessoa por um personagem observador que se encontra hospedado na pousada. Ao observar a chegada do jovem casal, o narrador adota uma postura melancólica, contemplativa e analítica. Ele projeta na juventude e na cumplicidade dos jovens a sua própria nostalgia e as memórias do seu passado amoroso. A voz narrativa funciona como uma ponte entre o entusiasmo da mocidade (representada pelos recém-chegados) e o desencanto da maturidade (representado pelo próprio narrador e pelo ambiente da cidade).

 

02 – Como o narrador descreve a cidade e os seus habitantes? Qual é a relação entre essa ambientação e o seu próprio estado de espírito?

      A cidade é retratada como um lugar calmo, fora da temporada turística, habitado por velhos, aposentados e "hippies extemporâneos" — pessoas que buscam, de uma forma ou de outra, ser esquecidas. Essa ambientação decadente e estática reflete diretamente o estado de espírito do narrador, que se encontra isolado e estagnado em suas próprias memórias. O ambiente espacial espelha a sua própria tentativa de se afastar do mundo e aceitar a solidão.

 

03 – No texto, a moça observa um quadro na parede da recepção. Qual é a crítica feita pelo narrador a essa obra de arte e o que a reação da moça revela sobre o seu caráter aos olhos dele?

      O narrador considera o quadro uma "pintura ordinária", afirmando que o artista fracassara na tentativa de transmitir a sua felicidade genuína ao espectador, pois "a arte não é feita de boas intenções". Quando a moça se despede do quadro com um olhar que contém "um pouco de piedade", o narrador percebe nela uma sensibilidade estética e uma maturidade refinada, o que o faz sentir-se definitivamente conquistado e atraído pela figura dela.

 

04 – Analise a afirmação do narrador: "Eram muito jovens e estavam vivendo um grande momento, mas não sabiam disso ainda. Essas coisas a gente só compreende depois." O que esse trecho revela sobre a percepção do tempo e da juventude no conto?

      O trecho destaca a efemeridade e o valor inconsciente da juventude. Para o narrador, os momentos mais intensos e felizes da vida são muitas vezes vivenciados sem a plena consciência da sua dimensão temporal. Apenas com o passar do tempo, com o amadurecimento e com o distanciamento da velhice ou da perda, é que se compreende o valor daqueles instantes de cumplicidade e felicidade.

 

05 – Qual é o significado da interação entre o narrador e o velho Lilico a respeito de ter "bagagem" e de lembrar de uma mulher do passado?

      Quando Lilico comenta que gosta de hóspedes sem bagagem, o narrador questiona o valor da "felicidade que eles carregam", sugerindo que as bagagens emocionais são mais significativas que as físicas. Em seguida, a semelhança da jovem com uma mulher do passado do narrador desencadeia um momento de memória compartilhada com Lilico. Essa conversa evidencia que tanto o narrador quanto Lilico carregam marcas do passado e que a presença do casal atua como um espelho de saudades que ambos tentam lidar.

 

06 – Como o narrador justifica a sua recusa em ir atrás da mulher do seu passado quando confrontado pelo velho Lilico?

      O narrador justifica sua recusa com a frase "A mágica não acontece duas vezes". Ele demonstra a crença de que tentar reviver uma paixão ou uma época de felicidade idealizada no passado seria inútil, pois as circunstâncias e os sentimentos que tornaram aquele momento único já não podem ser replicados. Ele prefere manter a lembrança intacta a arriscar uma nova decepção.

 

07 – Explicite o significado da frase final do conto: "Ele tinha razão: ainda me restavam alguns anos pela frente. E essa era a pior parte da história."

      A frase encerra o conto com um profundo tom de desilusão e desamparo existencial. Saber que "ainda restavam alguns anos pela frente" não é visto como uma oportunidade de recomeço, mas sim como um fardo longo e doloroso. O narrador compreende que terá de viver o restante de seus dias na solidão, consciente de que a intensidade, a "mágica" e a felicidade genuína de sua vida já ficaram definitivamente no passado.

 

 

 

 

SIMULADO DE LÍNGUA PORTUGUESA - COM GABARITO

 Simulado de  Língua Portuguesa

 

01 – (Cesgranrio) Tendo em vista as regras de concordância nominal, assinale a opção em que a lacuna só pode ser preenchida por um dos termos colocados entre parênteses:

a. cabelo e pupila _____ (negros / negras)

b. cabeça e corpo _____ (monstruoso / monstruosos)

c. calma e serenidade _____ (invejável / invejáveis)

d. dentes e garras _____ (afiados / afiadas)

e. galhos e tronco _____ (seco / secos).

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2elq2Jcut7TfxiEgk1lNwrZ_tdIdQ4AoBaeZ3uDIEelOzspdvX6bZ-7EUjXVmpMWL1uqFCOb1PQ62fyJAzxSKUQFAd5ZV9N-pTwstw5URJ3bm6eFEkVxcXnDlBb48a0Xu2KKwdE40It1G_ENtAEjfSv7V0NG_Gcm7P8zLHjZ-Q41tQEY2Bz4aT_iDfNQ/s320/images.jpg

02 – (Ibmec) Assinale a alternativa que preenche de forma adequada e correta as lacunas nas frases abaixo, respectivamente.

I – Seguem _____ às cartas minhas poesias para você.

II – Polvo e lula _____ serão servidos no jantar.

III – Para a matrícula, é _____ a documentação pedida.

a. anexa – frescos – necessária

b. anexas – fresca – necessária

c. anexos – frescos – necessários

d. anexas – frescas – necessária

e. anexas – fresco – necessária.

 

03 – (FGV-SP) Assinale a alternativa em que ocorra erro de concordância.

a. Entre um copo de cerveja e outro, foi considerado, por algum tempo, a possibilidade de eclodir uma revolução.

b. A maioria dos alunos chegou às 13 horas.

c. Não se sabem os motivos que levaram Chico Leitão a essas diatribes.

d. A entrada dos bois nos currais atrapalhou a contagem.

e. Chegaram de Brasília os ajudantes para fazer a faxina no consultório.

 

04 – (UnB) Em todas as alternativas a concordância nominal fez-se corretamente, exceto em:

a. Eu observava no velho guerreiro o destemor e a força quase lendários.

b. Estavam emudecidos, para sempre, as almas, as vozes e os risos dos homens.

c. Aquelas mesmas figuras pareceram a nós meio estranhas.

d. O presidente quer o decreto o mais breve e incisivo possíveis.

 

05 – (ITA) Assinale a opção que completa corretamente as lacunas do texto a seguir:

        "Todas as amigas estavam _____ ansiosas _____ ler os jornais, pois foram informadas de que as críticas foram _____ indulgentes _____ rapaz, o qual, embora tivesse mais aptidão _____ ciências exatas, demonstrava uma certa propensão _____ arte."

a. meio – para – bastante – para com o – para – para a

b. muito – em – bastante – com o – nas – em

c. bastante – por – meias – ao – a – à

d. meias – para – muito – pelo – em – por

e. bem – por – meio – para o – pelas – na.

 

06 – (Uneb) Assinale a alternativa em que, pluralizando-se a frase, as palavras destacadas permanecem invariáveis:

a. Este é o meio mais exato para você resolver o problema: estude só.

b. Meia palavra, meio tom – índice de sua sensatez.

c. Estava só naquela ocasião; acreditei, pois em sua meia promessa.

d. Só estudei o elementar, o que me deixa meio apreensivo.

e. Passei muito inverno só.

 

07 – (ESPM) Na frase: “Analfabetismo, saneamento básico e pobreza combinados explicam 62% da taxa de mortalidade das crianças com até cinco anos no Brasil” (O Estadão), o termo em negrito:

a. transgride as normas de concordância nominal.

b. concorda em gênero e número com o elemento mais próximo.

c. faz uma concordância ideológica, num caso de silepse de número.

d. poderia ser substituído pelo termo "combinadas".

e. concorda com todos os termos a que se refere, prevalecendo o masculino plural.

 

08 – (Acafe) Corrija a frase. Depois, justifique.

        “Ela está meia nervosa”

      Ela está MEIO nervosa. O vocábulo "meio" é advérbio, palavra invariável, logo não sofre variação de gênero ou número.

 

09 – (PUC-Campinas) "Não foi ________ a pesada suspensão que lhe deram, porque você foi o que ________ falhas apresentou; podiam ter pensado em outras penalidades mais ________ ."

a. justo – menas – cabível

b. justa – menos – cabível

c. justa – menos – cabíveis

d. justo – menos – cabível

e. justo – menas – cabíveis.

 

10 – (Unemat) Assinale a alternativa em que a concordância nominal está de acordo com a norma-padrão da língua.

a. Encaminho alguns documentos anexo para conhecimento dos projetos institucionais.

b. O menino não era tal qual seus irmãos.

c. Era meio-dia e meio quando as autoridades deram início à solenidade.

d. Tenho menas informação que você sobre o resultado da pesquisa.

e. É necessário a participação dos alunos nos eventos da escola.

 

11 – (Unirio) Assinale a opção em que a concordância nominal contraria a norma culta da língua:

a. Uso louça e copo velhos.

b. Uso louça e copo velho.

c. Uso copo e louça velhos.

d. Uso copo e louça velha.

e. Uso copo e louça velhas.

 

12 – (Unemat) Assinale a alternativa cuja concordância verbal ou nominal está incorreta.

a. Não encontramos na cidade nem vereador e nem prefeito reeleitos.

b. Meus pais e meus filhos estão quite com a justiça eleitoral.

c. Professores, acadêmicos, funcionários: ninguém comentou a perda salarial na reunião sindical.

d. Os portugueses, como se sabe, foram responsáveis pelas grandes descobertas, uma vez que eram bons navegadores.

e. Receber quinhentos e sessenta reais por mês é insuficiente para sustentar uma família com dois filhos.

 

13 – (Unisinos) O caso de concordância nominal inaceitável aparece em:

a. Nunca houve divergências entre mim e ti.

b. Ele tinha o corpo e o rosto arranhados.

c. Recebeu o cravo e a rosa perfumado.

d. Tinha vãs esperanças e temores.

e. É necessário certeza.

 

14 – (UFSM) Considerando a concordância nominal, assinale a frase correta:

a. Ela mesmo confirmou a realização do encontro.

b. Foi muito criticado pelos jornais a reedição da obra.

c. Ela ficou meia preocupada com a notícia.

d. Muito obrigada, querido, falou‑me emocionada.

e. Anexo, remeto‑lhes nossas últimas fotografias.

 

15 – (Unicap) Esta questão se refere à concordância nominal. Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas.

a. A senhora é servida um cafezinho? – Não, muito obrigado – respondeu a cliente. (F)

b. Meio irritadas, as donas de casa pediam menos tolerância para com os remarcadores de preços. (V)

c. Há bastantes pessoas no Brasil que não estão quites com o Fisco. (V)

d. O proprietário da fazenda não queria só a cooperação dos amigos Silvestre e Nogueira. (V)

e. Após conversarem longamente, Bentinho e Capitu olharam-se afetivamente um para a outra. (F)

 

16 – (UEPG-PR) Marque a frase absolutamente inaceitável, do ponto de vista da concordância nominal:

a. É necessária paciência.

b. Não é bonito ofendermos aos outros.

c. É bom bebermos cerveja.

d. Não é permitido presença de estranhos.

e. Água de Melissa é ótimo para os nervos.

 

17 – (PUC-Campinas) Assinale a alternativa em que "meio" funciona como advérbio.

a. Fica no meio do quarto.

b. Quero meio quilo.

c. Está meio triste.

d. Achei o meio de encontrar-te.

e. n.d.a.

 

18 – (Mackenzie) Aponte a alternativa em que há erro:

a. Ante o perigo, os guardas se mantinham alertas.

b. Sua família tinha muito menos riquezas que a nossa.

c. Há bastantes meses, falou-me de seu grande amor.

d. Seus quadros eram os mais clássicos possíveis.

e. É necessário explicação.

 

19 – (FAMECA) Observe a concordância:

1) Entrada proibida.

2) É proibido entrada.

3) A entrada é proibida.

4) Entrada é proibido.

5) Para quem a entrada é proibido?

a. A número 5 está errada.

b. A 4 e a 5 estão erradas.

c. A 2 está errada.

d. Todas estão certas.

e. A 2 e a 5 estão erradas.

 

 

DIFERENÇAS ENTRE VÊ / VER E VERBOS SEMELHANTES - ATIVIDADES COM GABARITO

 DIFERENÇAS ENTRE VÊ / VER E VERBOS SEMELHANTES

 

        Na língua portuguesa existe uma dúvida muito grande em relação a formas verbais acentuadas que se assemelham aos infinitivos pessoais e impessoais. Por exemplo, qual seria a ocasião correta para se usar e VER? Em que situações um e outro devem ser empregados?

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        As formas VER, CRER, LER, DAR e ESTAR são infinitivas (nome do verbo) e, quando conjugadas na terceira pessoa do singular (ele, ela ou semelhante) perdem o "R" e são acentuadas. Então o verbo CRER tornar-se-á CRÊ na conjugação; o verbo VER tornar-se-á e assim por diante.


        Ele ainda crê na recuperação da equipe. (certo)

        Ele ainda crer na recuperação da equipe. (errado)

        A atenção que Edson dá a seus alunos é insuficiente. (certo)

        A atenção que Edson dar a seus alunos é insuficiente. (errado)


        Percebam que usar, nesses casos, o verbo no infinitivo seria alguma coisa estranha, como observamos na comparação seguinte:

        Antônio faz com que os processos sejam agilizados = Edson dá atenção aos alunos.

        Antônio fazer com que os processos sejam utilizados = Edson dar atenção aos alunos.


        O infinitivo, no entanto, funcionará como verbo principal no caso de locução verbal (mais de um verbo valendo como um só), como no esquema abaixo:

        Edson pode dar atenção a seus alunos de forma mais eficiente. (certo)

        Edson pode dá atenção a seus alunos de forma mais eficiente. (errado)


        Na comparação,

        Edson pode fazer tudo mais corretamente = Edson pode dar atenção a seus alunos.

        Edson pode faz tudo mais corretamente = Edson pode dá atenção a seus alunos.


        Então, para resumir, as formas verbais com "R" vistas aqui são infinitivas e serão utilizadas nas locuções verbais, como verbo principal; as formas verbais acentuadas serão utilizadas de forma simples, como verbo flexionado na oração.

 

Entendendo as diferenças:

01 – De acordo com o texto, qual é a diferença gramatical entre as formas verbais terminadas em "R" (como VER, CRER, DAR) e as formas verbais acentuadas (como VÊ, CRÊ, DÁ)?

      As formas terminadas em "R" pertencem ao infinitivo (o nome do verbo em seu estado natural). Já as formas acentuadas representam o verbo flexionado/conjugado na terceira pessoa do singular do presente do indicativo (ele/ela), nas quais o verbo perde a terminação "R" e recebe o acento gráfico.

 

02 – Em quais contextos sintáticos o texto indica que se deve utilizar a forma verbal no infinitivo (terminada em "R")?

      O infinitivo deve ser empregado quando o verbo atua como o verbo principal de uma locução verbal (quando há dois ou mais verbos juntos com valor de um só). Nesses casos, o primeiro verbo (auxiliar) é flexionado e o segundo (principal) permanece no infinitivo, como no exemplo: "Edson pode dar atenção...".

 

03 – Qual é o teste prático de substituição apresentado pelo texto para identificar se uma frase exige o verbo no infinitivo ou o verbo flexionado?

      O texto sugere substituir o verbo em dúvida por um verbo de outra conjugação no infinitivo ou conjugado (como o verbo fazer). Se na estrutura couber a forma no infinitivo ("fazer"), deve-se usar a forma com "R" ("dar", "ver"). Se couber a forma conjugada ("faz" ou "fazem"), deve-se usar a forma acentuada sem o "R" ("dá", "vê").

 

04 – Análise de erro: Explique por que a frase "A atenção que Edson dar a seus alunos é insuficiente" está incorreta segundo as regras apresentadas no texto.

      A frase está incorreta porque o verbo não está inserido em uma locução verbal nem desempenha papel de infinitivo; trata-se de uma ação direta praticada pelo sujeito da terceira pessoa do singular ("Edson" / "ele"). Portanto, o verbo deve ser flexionado, devendo-se utilizar a forma acentuada dá em vez do infinitivo dar.

 

05 – Como o texto resume a regra geral para a escolha entre usar as formas verbais acentuadas ou as formas terminadas em "R"?

      O texto resume que as formas com "R" (infinitivas) devem ser usadas como verbo principal em locuções verbais, enquanto as formas acentuadas devem ser empregadas quando o verbo é utilizado de forma simples, ou seja, flexionado/conjugado diretamente na oração.

 

 

NOTÍCIA: A VIDA ANTES E DEPOIS DO COMPUTADOR E DA INTERNET - ANDRÉ MACHADO - COM GABARITO

 Notícia: A Vida Antes e Depois do Computador e da Internet

 

        Professora usa blog para informar sobre deficiências.

 

        Usar um computador pode de fato dar uma nova dimensão ao dia de um deficiente físico. A professora Marcela Cálamo Vaz Silva, 36, moradora de Guarulhos, SP, é tetraplégica desde os seis anos de idade e conta que a tecnologia mudou sua vida. Ela também cita o Motrix e o Dosvox como exemplos de softwares que ajudam os deficientes, embora seu caso não os exija:

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        -- Nunca usei nenhum software específico para portadores de deficiência, pois, mesmo com uma lesão num nível muito alto, que me classifica como tetraplégica, tenho preservados os movimentos de braços, mãos e dedos – explica, por e-mail. Mas posso dizer, com toda segurança, que minha vida se divide em duas fases: antes e depois do computador, sobretudo a Internet. Meu contato com a rede começou há quatro anos, através dos chats. A fase do chat durou uns dois anos e meio e foi no final dela que descobri o quanto meu mundo poderia crescer através da Internet. Mesmo sendo paraplégica desde os seis anos de idade, meu contato com outros portadores de deficiências Iimitara-se aos poucos anos em que frequentei a AACD (Associação de Apoio à Criança Deficiente). Foi através da Internet que retomei o contato com pessoas com necessidades especiais, como eu, e comecei a me interessar por assuntos relativos à deficiência, como luta por direitos, preconceito, acessibilidade.

        Foi também através de um amigo de chat que Marcela teve o primeiro contato com o mundo dos blogs (em julho, seu blog Maré fará um ano). Hoje, ela é uma blogueira convicta.

        -- No início era apenas um blog com assuntos despretensiosos. Mas, depois, percebi que o estava direcionando para informar meus leitores, a maioria formada por pessoas sem qualquer tipo de deficiência, sobretudo que minha experiência como "cadeirante" permitia. Percebi o quanto as pessoas são mal informadas a respeito de como um portador de deficiência vive e que essa ignorância se deve à falta de convivência ou de alguém que possa dizer a elas como as coisas realmente são. Decidi que faria isso em meu blog.

André Machado, foi adaptado da seção Informática, etc., do jornal O Globo, de 30 de junho de 2003, p. 2.

Entendendo a notícia:

01 – No fragmento "(...) tenho PRESERVADOS os movimentos de braços, mãos e dedos (...)." (2º parágrafo), o ajuste de flexões em "preservados" se explica por um processo de:

a) concordância nominal com “braços”.

b) concordância verbal com “movimentos”.

c) concordância nominal com “movimentos”.

d) concordância verbal com “braços, mãos e dedos”.

e) concordância nominal com “dedos”.

02 – De acordo com o depoimento de Marcela Cálamo Vaz Silva, como a Internet transformou sua relação e interação com outras pessoas com deficiência?

      Antes do acesso à Internet, o contato de Marcela com outras pessoas com deficiência era muito restrito, limitando-se apenas ao período em que frequentou a AACD (Associação de Apoio à Criança Deficiente). Com o surgimento da Internet e o uso de chats, ela conseguiu se reconectar com esse público, o que expandiu seu mundo e despertou seu interesse por pautas sociais importantes, como a luta por direitos, o combate ao preconceito e a busca por acessibilidade.

03 – Apesar de ser tetraplégica, por que Marcela explica que não precisa utilizar softwares adaptados, como o Motrix ou o Dosvox, para usar o computador?

      Marcela explica que, embora sua lesão seja classificada em um nível alto como tetraplegia, os movimentos de seus braços, mãos e dedos continuam preservados. Por esse motivo, ela consegue manusear o teclado e os periféricos convencionais sem a necessidade de tecnologias assistivas ou softwares específicos para acessibilidade.

04 – Qual foi a mudança de objetivo que ocorreu no blog "Maré", mantido por Marcela, e o que motivou essa transformação?

      Inicialmente, o blog tratava de assuntos despretensiosos. No entanto, Marcela percebeu que a maioria de seus leitores era formada por pessoas sem deficiência que ignoravam a realidade das pessoas cadeirantes por falta de convivência. Diante dessa constatação, ela redirecionou o objetivo do blog para informar e conscientizar a população sobre a vida real de uma pessoa com deficiência, usando sua própria experiência pessoal.

05 – Por que a frase "minha vida se divide em duas fases: antes e depois do computador, sobretudo a Internet" sintetiza a ideia central da notícia?

      A frase resume o impacto profundo que a tecnologia teve na autonomia, na inclusão e na vida social de Marcela. O computador e a Internet representaram um divisor de águas que expandiu seus horizontes além do isolamento físico, permitindo-lhe criar novos laços, engajar-se ativamente na defesa de direitos e tornar-se uma educadora e formadora de opinião digital.

 

 

CRÔNICA: BRASILEIRO NÃO GOSTA DE LER? LYA LUFT - COM GABARITO

 Crônica: Brasileiro não gosta de ler?

            Lya Luft


        Não é a primeira vez que falo nesse assunto, o da quantidade assustadora de analfabetos deste nosso Brasil. Não sei bem a cifra oficial, e não acredito muito em cifras oficiais. Primeiro, precisa ser esclarecida a questão do que é analfabetismo. E, para mim, alfabetizado não é quem assina o nome, talvez embaixo de um documento, mas quem assina um documento que conseguiu ler e... entender. A imensa maioria dos ditos meramente alfabetizados não está nessa lista, portanto são analfabetos – um dado melancólico para qualquer país civilizado. Nem sempre um povo leitor interessa a um governo (falo de algum país ficcional), pois quem lê é informado, e vai votar com relativa lucidez. Ler e escrever faz parte de ser gente.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiePwzsLyGSXY2ghv8dzeM2dPXAb03DT1avJM6y0pWrAnCrlSZ5hrwbe8iWsfwa3Vmd1Yq8NBs6uL2illWmqiBRCLicSPS7j6Gj2XyCFIgrNPeyq8IzLN9CVLKcS5sXkHIYFM18TQdcYsIiVhWxp8FHLET4o1rFleiBlgG3JHXNg6azHsIk5BuNY2jq62k/s320/images.jpg


        Sempre fui de muito ler, não por virtude, mas porque em nossa casa livro era um objeto cotidiano, como o pão e o leite. Lembro de minhas avós de livro na mão quando não estavam lidando na casa. Minha cama de menina e mocinha era embutida em prateleiras. Criança insone, meu conforto nas noites intermináveis era acender o abajur, estender a mão, e ali estavam os meus amigos. Algumas vezes acordei minha mãe esquecendo a hora e dando risadas com a boneca Emília, de Monteiro Lobato, meu ídolo em criança: fazia mil artes e todo mundo achava graça.

        E a escola não conseguiu estragar esse meu amor pelas histórias e pelas palavras. Digo isso com um pouco de ironia, mas sem nenhuma depreciação ao excelente colégio onde estudei, quando criança e adolescente, que muito me preparou para o mundo maior que eu conheceria saindo de minha cidadezinha aos 18 anos. Falo da impropriedade, que talvez exista até hoje (e que não era culpa das escolas, mas dos programas educacionais), de fazer adolescentes ler os clássicos brasileiros, os românticos, seja o que for, quando eles ainda nem têm o prazer da leitura. Qualquer menino ou menina se assusta ao ler Macedo, Alencar e outros: vai achar enfadonho, não vai entender, não vai se entusiasmar. Para mim esses programas cometem um pecado básico e fatal, afastando da leitura estudantes ainda imaturos.

        Como ler é um hábito raro entre nós, e a meninada chega ao colégio achando livro uma coisa quase esquisita, e leitura uma chatice, talvez ela precise ser seduzida: percebendo que ler pode ser divertido, interessante, pode entusiasmar, distrair, dar prazer. Eu sugiro crônicas, pois temos grandes cronistas no Brasil, a começar por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, além dos vivos como Verissimo e outros tantos. Além disso, cada um deve descobrir o que gosta de ler, e vai gostar, talvez, pela vida afora. Não é preciso que todos amem os clássicos nem apreciem romance ou poesia. Há quem goste de ler sobre esportes, explorações, viagens, astronáutica ou astronomia, história, artes, computação, seja o que for.

        O que é preciso é ler. Revista serve, jornal é ótimo, qualquer coisa que nos faça exercitar esse órgão tão esquecido: o cérebro. Lendo a gente aprende até sem sentir, cresce, fica mais poderoso e mais forte como indivíduo, mais integrado no mundo, mais curioso, mais ligado. Mas para isso é preciso, primeiro, alfabetizar-se, e não só lá pelo ensino médio, como ainda ocorre. Os primeiros anos são fundamentais não apenas por serem os primeiros, mas por construírem a base do que seremos, faremos e aprenderemos depois. Ali nasce a atitude em relação ao nosso lugar no mundo, escolhas pessoais e profissionais, pela vida afora. Por isso, esses primeiros anos, em que se aprende a ler e a escrever, deviam ser estimulantes, firmes, fortes e eficientes (não perversamente severos). Já se faz um grande trabalho de leitura em muitas escolas. Mas, naquelas em que com 9 ou 10 anos o aluno ainda não usa com naturalidade a língua materna, pouco se pode esperar. E não há como se queixar depois, com a eterna reclamação de que brasileiro não gosta de ler: essa porta nem lhe foi aberta.

                          Fonte: Educar pra Crescer.

Entendendo a crônica:

01 – O que significa ser verdadeiramente alfabetizado segundo a autora?

      Para Lya Luft, ser alfabetizado não é apenas conseguir assinar o próprio nome, mas sim ter a capacidade de ler um documento e compreender completamente o seu conteúdo.

02 – Qual é a crítica feita aos programas educacionais em relação à escolha das leituras escolares?

      A autora critica a obrigatoriedade de impor a leitura de clássicos da literatura brasileira (como Macedo e Alencar) a adolescentes imaturos. Para ela, apresentar obras complexas antes de despertar o prazer de ler assusta e afasta os estudantes dos livros.

03 – Que estratégia a autora propõe para atrair e seduzir os jovens leitores?

      Ela sugere iniciar a formação do leitor com textos mais acessíveis e dinâmicos, como as crônicas, além de permitir que cada pessoa escolha temas de seu próprio interesse (como esportes, artes, história, ciências ou revistas e jornais), mostrando que a leitura pode ser divertida e prazerosa.

04 – De acordo com o texto, qual é o papel do hábito de ler no desenvolvimento do indivíduo?

      A leitura exercita o cérebro, permite o aprendizado contínuo e torna a pessoa mais crítica, curiosa e integrada ao mundo. Além disso, ao informar o cidadão, a leitura o fortalece como indivíduo e possibilita escolhas mais lúcidas e conscientes, inclusive no momento do voto.

05 – Por que a autora considera os primeiros anos de escolarização cruciais para a formação do leitor?

      Porque é na infância que se constrói a base do aprendizado e a atitude em relação ao conhecimento. Se a porta da leitura não for aberta de forma estimulante e eficiente nos primeiros anos, o aluno dificilmente usará a língua com naturalidade, tornando injusto cobrar dele o hábito de ler no futuro.